Matéria 01
Língua Portuguesa
O que o edital pede nesta matéria
- 1Leitura e interpretação de textos descritivos, narrativos, dissertativos e de diferentes gêneros, como poemas, textos jornalísticos, propagandas, charges, cartuns, tirinhas e gráficos
- 2Significação das palavras: sinônimos, antônimos, homônimos, parônimos, polissemia, denotação e conotação
- 3Fonologia: letra, fonema, encontros vocálicos e consonantais, dígrafos, divisão silábica, acentuação tônica e gráfica conforme o Acordo Ortográfico e sinais gráficos
- 4Ortografia conforme as regras do Acordo Ortográfico
- 5Estrutura e formação de palavras
- 6Emprego dos sinais de pontuação
- 7Classes de palavras variáveis e invariáveis: identificação, flexão e funções sintática, semântica e discursiva
- 8Conjugação verbal: verbos regulares, irregulares e auxiliares ser, ter, haver e estar; modos e tempos simples e compostos; formas nominais
- 9Sintaxe de concordância verbal e nominal
- 10Sintaxe de regência verbal e nominal
- 11Sintaxe de colocação pronominal
- 12Usos do sinal indicativo de crase: regra geral e casos especiais
- 13Figuras de linguagem
- 14Funções da linguagem
- 15Registro formal e registro informal
- 16Marcas de coloquialidade
- 17Variações linguísticas
Língua Portuguesa · Capítulo 1
Leitura e interpretação de textos e gênerosSignificação das palavras e relações semânticasFonologia, sílaba e acentuaçãoOrtografia e Acordo Ortográfico
Itens do edital:
- 1. Leitura e interpretação de textos descritivos, narrativos, dissertativos e de diferentes gêneros, como poemas, textos jornalísticos, propagandas, charges, cartuns, tirinhas e gráficos
- 2. Significação das palavras: sinônimos, antônimos, homônimos, parônimos, polissemia, denotação e conotação
- 3. Fonologia: letra, fonema, encontros vocálicos e consonantais, dígrafos, divisão silábica, acentuação tônica e gráfica conforme o Acordo Ortográfico e sinais gráficos
- 4. Ortografia conforme as regras do Acordo Ortográfico
1.1 Pré-teste
Responda antes de ler a teoria. O gabarito está no fim do capítulo.
P1inédita
Um aviso informa: “A vacinação será realizada no posto central na terça-feira. Pessoas com mobilidade reduzida podem solicitar atendimento domiciliar pelo telefone indicado.†Qual conclusão está autorizada pelo texto?
- A)Todo morador receberá atendimento domiciliar.
- B)A vacinação ocorrerá somente no domicÃlio.
- C)O texto prevê solicitação domiciliar para pessoas com mobilidade reduzida.
- D)O posto central ficará aberto todos os dias da semana.
- E)O telefone indicado funciona exclusivamente para urgências.
P2inédita
Em um relatório, lê-se: “A chefia pediu discrição ao comunicar a mudança de escala.†Nesse contexto, “discrição†significa
- A)descrição minuciosa da escala.
- B)reserva e cuidado ao divulgar a informação.
- C)distribuição formal das tarefas.
- D)decisão definitiva sobre os horários.
- E)discordância expressa da equipe.
P3inédita
Assinale a palavra em que “ch†representa um dÃgrafo, isto é, duas letras que representam um único fonema.
- A)carro
- B)blusa
- C)chuva
- D)prato
- E)piano
1.2 O que cai
- 1. Leitura e interpretação de textos descritivos, narrativos, dissertativos e de diferentes gêneros, como poemas, textos jornalísticos, propagandas, charges, cartuns, tirinhas e gráficos: 93 questões da banca, 2021–2025
- 2. Significação das palavras: sinônimos, antônimos, homônimos, parônimos, polissemia, denotação e conotação: 14 questões da banca, 2022–2024
- 3. Fonologia: letra, fonema, encontros vocálicos e consonantais, dígrafos, divisão silábica, acentuação tônica e gráfica conforme o Acordo Ortográfico e sinais gráficos: 1 questão da banca, 2023
- 4. Ortografia conforme as regras do Acordo Ortográfico: nenhuma questão da banca vinculada a este item
1.3 Teoria
A prova pode cobrar tanto a compreensão global quanto detalhes de vocabulário e escrita. Dominar leitura, semântica e convenções da língua ajuda a interpretar textos e evitar alternativas plausíveis, mas incompatíveis com o contexto.
1.3.1 Leitura e interpretação de textos e gêneros
Interpretar é construir sentido com base no texto e na situação comunicativa. A resposta correta precisa ser sustentada por palavras, relações ou informações efetivamente apresentadas.
Conhecimentos de mundo ajudam a compreender, mas não autorizam atribuir ao texto uma opinião ou dado que ele não contém. Diferencie compreensão literal, inferência e extrapolação: a literal recupera informação expressa; a inferência combina pistas textuais; a extrapolação acrescenta uma conclusão sem apoio suficiente.
Comece identificando o tema, a finalidade e o interlocutor provável. Pergunte: sobre o que se fala? Para que o texto foi produzido? A quem se dirige? Uma notícia tende a informar um fato; uma propaganda busca persuadir; um aviso orienta ou comunica uma regra; uma charge ou tirinha pode combinar imagem, texto e humor crítico. O gênero oferece expectativas, mas não substitui a leitura. Uma propaganda também pode informar, e uma notícia pode apresentar avaliação atribuída a uma fonte.
Observe a organização. Em textos narrativos, acompanhe personagens, ações, tempo, espaço e conflito. Em textos descritivos, identifique características e relações espaciais ou sensoriais. Em textos dissertativos, localize a tese, os argumentos e a conclusão. Esses modos podem aparecer misturados: uma notícia pode narrar um acontecimento e descrever o contexto. Não classifique o texto inteiro por uma frase isolada.
A coesão conecta partes do texto. Pronomes retomam ou antecipam termos; conjunções indicam relações como causa, oposição, condição, conclusão e adição. Leia o conectivo junto das duas orações. “Embora” normalmente introduz concessão; “portanto” assinala conclusão; “porque” pode introduzir causa ou explicação conforme a construção. Substituir um conectivo por outro pode alterar o raciocínio, mesmo quando as frases continuam gramaticais.
A coerência depende da compatibilidade entre as ideias e o contexto. Em uma questão de interpretação, não trate como equivalentes uma causa e uma consequência, uma condição e um fato consumado, ou uma possibilidade e uma certeza. Palavras como “todos”, “nunca”, “somente”, “necessariamente” e “sempre” ampliam o alcance da afirmação; confira se o texto realmente permite essa generalização. Atenção também a negações e restrições: “não apenas” não equivale a “apenas”.
Textos multimodais exigem leitura conjunta dos elementos. Em gráficos e tabelas, confira título, legenda, unidade, período e escala antes de comparar valores. Uma coluna maior representa mais apenas se as escalas forem comparáveis. Em charges, cartuns e tirinhas, a imagem pode criar contraste com a fala, representar ironia ou fornecer informação indispensável. Descrever o desenho sem explicar sua função não basta. Em poemas, observe escolhas de palavras, imagens, ritmo e possíveis sentidos figurados; não imponha uma interpretação única se o enunciado não a sustenta.
Para resolver, leia primeiro o comando e identifique o que ele pede: tema, ideia principal, inferência, sentido de expressão, finalidade ou informação explícita. Depois localize o trecho pertinente, releia o contexto e avalie cada alternativa. Elimine as que contradizem o texto, exageram uma afirmação, trocam causa por consequência ou introduzem informação externa. Uma alternativa parcialmente verdadeira pode estar errada se não responde ao foco da pergunta.
| Pergunta | O que verificar | Erro comum |
|---|---|---|
| Ideia central | O assunto que organiza o texto | Escolher detalhe secundário |
| Inferência | Pistas que sustentam a conclusão | Confundir inferir com imaginar |
| Finalidade | Efeito pretendido no leitor | Presumir a finalidade só pelo tema |
| Gráfico | Título, escala, unidade e período | Comparar números sem contexto |
Em textos institucionais, como avisos de atendimento, ofícios e orientações ao público, identifique destinatário, ação solicitada, prazo se indicado e condições. Não crie prazos nem obrigações não escritos. Se a questão pergunta o que o aviso determina, responda com a instrução textual, não com o que seria conveniente fazer.
Exemplo resolvido
Um aviso diz: “Para agilizar o atendimento, mantenha os documentos pessoais disponíveis. A equipe chamará os usuários pela ordem de chegada, exceto nos casos de prioridade previstos em norma.” O que se pode concluir? 1. A regra geral é chamar por ordem de chegada. 2. O próprio aviso prevê exceção para casos prioritários. 3. Não se pode concluir que todo usuário prioritário será atendido imediatamente, pois o aviso não informa isso.
Esquema
Roteiro de interpretação
1Leia comando
Identifique o que a questão pede
2Localize evidência
Releia o trecho e seu contexto
3Teste alternativas
Elimine contradições e exageros
1.3.2 Significação das palavras e relações semânticas
O sentido de uma palavra depende de sua forma, de suas relações com outras palavras e, especialmente, do contexto.
Em questões de vocabulário, não escolha um sinônimo apenas porque aparece no dicionário: verifique se a substituição preserva o sentido da frase e a relação sintática. Uma mesma palavra pode assumir sentidos diferentes em situações distintas, fenômeno chamado polissemia.
Sinônimos têm sentidos próximos, mas raramente são intercambiáveis em todos os contextos. “Iniciar” e “começar” podem coincidir em uma frase, enquanto “casa” e “lar” carregam nuances distintas. Antônimos expressam oposição, que pode ser gradual (frio/quente), complementar (presente/ausente) ou relacional (comprador/vendedor). O enunciado pode pedir oposição contextual, não uma relação absoluta.
Homônimos são palavras que coincidem na pronúncia, na grafia ou em ambas, mas têm significados diferentes. Em termos usuais, homônimos perfeitos coincidem na grafia e na pronúncia; homófonos têm pronúncia igual e grafia diferente; homógrafos têm grafia igual e pronúncia diferente. Parônimos têm forma ou som semelhantes, sem identidade, e podem ser confundidos: “descrição” e “discrição”, por exemplo, não significam o mesmo. Em prova, leia a frase toda e confirme qual sentido torna a informação coerente.
Denotação é o emprego mais literal e direto da palavra; conotação envolve sentido figurado, expressivo ou associado. A distinção depende do uso, não de uma lista fixa de palavras. Em “a porta está aberta”, “aberta” pode ser literal; em “a reunião abriu portas”, a expressão é figurada. Textos literários e publicitários exploram conotações, mas também podem conter trechos literais. Não presuma que todo poema seja inteiramente figurado.
A polissemia permite que uma forma tenha sentidos relacionados: “linha” pode designar um traço, uma fila ou um serviço de transporte. Para identificar o sentido adequado, observe o assunto, os termos próximos e a função da palavra. Em “a equipe seguiu a linha de orientação”, “linha” não significa traço desenhado. A substituição por definição curta ajuda: se a definição não encaixa no período, o sentido escolhido provavelmente está errado.
A sinonímia e a antonímia também podem ser criadas no contexto. Em “o fluxo de pessoas diminuiu”, “reduziu” pode substituir “diminuiu”; em “o fluxo aumentou”, “diminuiu” é oposição. Observe ainda a intensidade: “temeroso” e “apavorado” aproximam-se, mas diferem no grau. Uma alternativa que muda a intensidade pode distorcer o texto, mesmo sem inverter completamente a ideia.
| Relação | Como reconhecer | Cuidado na questão |
|---|---|---|
| Sinonímia | Sentidos próximos no contexto | A equivalência pode não ser total |
| Antonímia | Sentidos opostos | A oposição pode depender da frase |
| Homonímia | Mesma forma sonora ou gráfica | Sentidos distintos |
| Paronímia | Formas parecidas | Não confundir grafia e significado |
| Conotação | Sentido figurado ou expressivo | Exige apoio contextual |
Uma estratégia eficiente é testar a palavra candidata sem modificar o restante da frase. Preserve concordância e regência, quando relevante, e compare o efeito semântico. Se o comando pergunta por uma expressão, considere a oração inteira; a expressão pode funcionar como ironia, intensificação ou crítica. Em charge e propaganda, imagens podem orientar a interpretação figurada.
Exemplo resolvido
Em um comunicado, lê-se: “A equipe deu prioridade aos casos urgentes.” A palavra “prioridade” pode ser substituída por “preferência” sem alterar substancialmente a mensagem? 1. Identifique o contexto: organização de atendimento. 2. Teste a substituição: “deu preferência aos casos urgentes” conserva a ideia de atendimento favorecido. 3. Conclua que a equivalência é aceitável nesse contexto, embora os termos não sejam sinônimos perfeitos em qualquer frase.
Esquema
Relações de sentido
Vocabulário
Sentidos próximos
Sinonímia contextual
Sentidos opostos
Antonímia contextual
Formas coincidentes
Homonímia com sentidos distintos
Formas semelhantes
Paronímia sem identidade
1.3.3 Fonologia, sílaba e acentuação
Fonema é a unidade sonora capaz de distinguir palavras; letra é o sinal escrito que pode representar um ou mais fonemas.
Em “chave”, cinco letras representam quatro fonemas, pois “ch” é dígrafo. Encontros vocálicos reúnem sons vocálicos: ditongo ocorre na mesma sílaba, tritongo combina semivogal, vogal e semivogal na mesma sílaba, e hiato separa vogais em sílabas diferentes. Encontros consonantais mantêm dois sons consonantais; dígrafos como “nh”, “lh”, “ch”, “rr” e “ss” representam um fonema.
A divisão silábica acompanha a pronúncia e a estrutura dos encontros. Ditongos não se separam; hiatos separam-se. Dígrafos “rr” e “ss” separam-se entre sílabas, mas “ch”, “lh” e “nh” ficam juntos. Classifique a sílaba tônica: oxítona (última), paroxítona (penúltima) ou proparoxítona (antepenúltima).
| Termo | Identificação | Exemplo |
|---|---|---|
| Ditongo | Vogal e semivogal na mesma sílaba | pai |
| Hiato | Vogais em sílabas diferentes | sa-ú-de |
| Dígrafo | Duas letras, um fonema | cha-ve |
Acentuação gráfica segue a posição da sílaba tônica e terminações. Todas as proparoxítonas são acentuadas. Oxítonas terminadas em a(s), e(s), o(s), em e ens recebem acento, como “café” e “também”. Paroxítonas são acentuadas em terminações específicas, entre elas l, n, r, x, i(s), us, um/uns, ã(s), ão(s), ps e ditongo, como “fácil”, “tórax” e “história”. Hiatos com i ou u tônicos podem receber acento quando formam sílaba sozinhos ou com s, observadas as regras e exceções ortográficas. O Acordo Ortográfico retirou acentos de alguns ditongos abertos em paroxítonas e de formas como “voo”; confira a regra vigente em vez de generalizar pelo som.
1.3.4 Ortografia e Acordo Ortográfico
A ortografia estabelece a grafia convencional das palavras. O Acordo Ortográfico alterou pontos como o emprego do hífen, o trema e alguns acentos.
O trema deixou de ser usado em palavras portuguesas como “linguiça”; permanece em nomes próprios estrangeiros e derivados. O acordo não eliminou o acento de todas as palavras com “i” ou “u”, nem tornou facultativo qualquer acento sem regra.
Na acentuação, desapareceram o acento agudo de ditongos abertos “éi” e “ói” em paroxítonas, como “ideia” e “jiboia”, e o circunflexo de formas como “voo” e “leem”. Oxítonas com ditongo aberto, como “herói”, continuam acentuadas. Empregue “pôde” para o passado de poder e “pode” para o presente; o circunflexo diferencial permanece para distinguir esses tempos.
| Caso | Forma atual | Atenção |
|---|---|---|
| Trema | linguiça | Não se usa em palavra portuguesa |
| Paroxítona com “éi” | ideia | Sem acento |
| Oxítona com “ói” | herói | Mantém acento |
| Passado/presente | pôde / pode | Diferencial mantido |
O hífen depende da composição e do encontro entre prefixo e segundo elemento. Não aplique uma única regra a todos os prefixos: contam a letra inicial, a repetição de vogal ou consoante e expressões consagradas. Em dúvida, consulte vocabulário ortográfico confiável. Em documentos e avisos, revise também letras maiúsculas, acentos e separação de palavras; corretores automáticos não detectam toda troca de parônimos. A grafia correta deve ser reconhecida em seu contexto, sem alterar o sentido pretendido.
Pegadinha da banca
Inferência não é invenção
A conclusão correta precisa de pistas textuais; conhecimento externo não substitui evidência.
Pegadinha da banca
Sinônimo depende do uso
Teste a substituição na frase inteira e preserve intensidade, sentido e relação sintática.
Atenção
Acordo Ortográfico
Ideia e voo perderam acento; herói e pôde mantêm acento conforme suas regras.
1.4 Exemplo resolvido
Em um aviso, a equipe registra que pôde concluir o atendimento ontem. Qual afirmação explica a acentuação?
- Localize o verbo e o marcador temporal ontem.
- O contexto indica passado do verbo poder.
- A forma pôde recebe acento diferencial em relação ao presente pode.
Resposta: A acentuação diferencia pôde (passado) de pode (presente).
1.5 Fixação
Questões inéditas, no estilo da banca.
F1inédita
Em um memorando, a frase “A equipe pôde concluir a conferência ontem†emprega corretamente o acento porque
- A)toda forma verbal terminada em e recebe circunflexo.
- B)o sujeito está no plural e exige acento diferencial.
- C)o Acordo Ortográfico tornou obrigatório acentuar todos os hiatos.
- D)pôde indica passado e se distingue de pode, forma do presente.
- E)ontem exige acento no verbo que o acompanha.
F2inédita
Uma tirinha mostra uma sala de espera cheia. No primeiro quadro, um personagem diz “Está tudo tranquiloâ€; no seguinte, olha para a fila que dobrou o corredor. O humor decorre principalmente
- A)da descrição técnica do funcionamento da sala.
- B)da apresentação de uma regra de prioridade legal.
- C)da confirmação literal de que não há espera.
- D)da ausência de relação entre imagem e fala.
- E)da contradição entre a fala e a situação mostrada.
F3inédita
No comunicado “O setor atende em horário reduzido durante a reformaâ€, a expressão “horário reduzido†indica que o atendimento
- A)foi encerrado por prazo indeterminado.
- B)ocorre em perÃodo menor que o habitual.
- C)será transferido obrigatoriamente para outro prédio.
- D)acontece sem qualquer alteração de rotina.
- E)se limita a atender casos de urgência.
F4inédita
Assinale a alternativa em que a divisão silábica está correta.
- A)sa-ú-de
- B)saú-de
- C)sa-úd-e
- D)s-aú-de
- E)sa-ú-dee
F5inédita
Assinale a frase cuja ortografia está de acordo com a norma vigente.
- A)A equipe teve uma idéia para reorganizar o arquivo.
- B)O servidor não pôde comparecer hoje, mas pode vir ontem.
- C)A linguiça foi servida no evento institucional.
- D)O vôo da equipe foi confirmado pela chefia.
- E)A assembléia começou no horário previsto.
1.6 Caderno de questões
Questões oficiais extras para praticar.
C1Pref. Morro da Garça/MG 2025
O que fazer para suportar essa tal felicidade? Um dia me fizeram a pergunta: “Você é sempre assim, insuportavelmente feliz?”. Confesso que fiquei sem ação. Naquele momento não consegui encontrar uma resposta, pois na minha cabeça eu precisava ainda definir: O que seria ser feliz? Qual seria o peso do advérbio sempre? Insuportável para quem? Na hora só consegui pedir desculpas. Sim, me desculpei por parecer feliz e até insuportável. Para minha sorte, a ausência dessa resposta não pesou no resultado da entrevista. Entrevista? Exatamente. Essa dúvida quanto ao meu estado constante de felicidade aconteceu no meio de um processo seletivo para uma grande empresa. Apesar de não encontrar a resposta, eu fui contratada. Agora, depois de tantos anos, essa pergunta voltou a ressoar em minha mente e resolvi, então, tentar entender as suas partes. Sou avessa aos determinismos e reducionismos quando se tratam de fenômenos existenciais humanos. Palavras como “sempre” e “nunca” nos aprisionam a uma condição imutável e de permanência. E nos impedem de transitar pelo “quase” ou pelo “talvez”, que nos permitem a dúvida, a crise, a possibilidade de escolher novos caminhos e provocar a mudança. Definitivamente o “sempre” não me representa. No insuportável, evidencia-se o peso da subjetividade. Assim como a dor, o nível de tolerância acontecerá a partir do conteúdo interno de cada um, bem como o impacto que isso gera. De fato, não podemos nos culpar pelo outro não se sentir à vontade com a nossa suposta felicidade. [...] Com alguns anos de atraso, encontrei a resposta. Se a felicidade está na tomada de consciência de que não existe um estado de permanência e as oscilações acontecem e fazem parte irremediável da existência, sim, eu sou feliz! Se a felicidade é sentir a minha humanidade, me permitir chorar nas adversidades, rir ou chorar de alegria, e sorrir quando dou de cara com um novo desafio, sim, eu sou feliz! Se a felicidade é ter uma relação familiar e com amigos, onde cuidamos para que uma convivência de respeito seja a prioridade, apesar das diferenças, sim, eu sou feliz! Se a felicidade é me permitir o silêncio e as pausas necessárias para que eu possa me escutar e organizar as minhas ideias, mesmo que por alguns minutos, sim, eu sou feliz! Se a felicidade está em viver a fé, exercitando a prática do bem, sim, eu sou feliz! Se a felicidade é um projeto de vida que exige escolhas e ação, sim, eu sou feliz! Portanto, a felicidade não é uma estética. Não está no sorriso. Está no sentir e no sentido que encontramos para viver, mesmo quando as lágrimas se manifestam. Acredito que a felicidade está em encontrarmos espaços que nos comportem, nos ampliem e não mais tentar entrar em lugares que nos reduzam, porque se é para ser, que sejamos inteiros e de verdade. Fonte: MORAIS, Elizabeth dos Santos. O que fazer para suportar essa tal felicidade? Disponível em: vidasimples.co/voce-simples/. Acesso em: 18 abr. 2025. Adaptado.
Tendo em vista a estrutura de composição do texto 01, verifica-se a presença de I- discurso direto. II- subjetividade. III- interrogação. IV- conotação. V- denotação. Estão CORRETOS os itens
- A)I, II e V, apenas.
- B)I, III e IV, apenas.
- C)II, III e V, apenas.
- D)III, IV e V, apenas.
- E)I, II, III, IV e V.
C2Pref. Pirapora/MG (ESF) 2024
A metamorfose Luís Fernando Veríssimo Uma barata acordou um dia e viu que tinha se transformado num ser humano. Começou a mexer suas patas e viu que só tinha quatro, que eram grandes e pesadas e de articulação difícil. Não tinha mais antenas. Quis emitir um som de surpresa e sem querer deu um grunhido. As outras baratas fugiram aterrorizadas para trás do móvel. Ela quis segui- las, mas não coube atrás do móvel. O seu segundo pensamento foi: “Que horrorQ Preciso acabar com essas baratasQ” Pensar, para a ex-barata, era uma novidade. Antigamente ela seguia seu instinto. Agora precisava raciocinar. Fez uma espécie de manto com a cortina da sala para cobrir sua nudez. Saiu pela casa e encontrou um armário num quarto, e nele, roupa de baixo e um vestido. Olhou-se no espelho e achou-se bonita. Para uma ex-barata. Maquiou-se. Todas as baratas são iguais, mas as mulheres precisam realçar sua personalidade. Adotou um nome: Vandirene. Mais tarde descobriu que só um nome não bastava. A que classe pertencia?Q Tinha educação?Q. Referências?Q Conseguiu a muito custo um emprego como faxineira. Sua experiência de barata lhe dava acesso a sujeiras mal suspeitadas. Era uma boa faxineira. Difícil era ser genteQ Precisava comprar comida e o dinheiro não chegava. As baratas se acasalam num roçar de antenas, mas os seres humanos não. Conhecem-se, namoram, brigam, fazem as pazes, resolvem se casar, hesitam. Será que o dinheiro vai dar? Conseguir casa, móveis, eletrodomésticos, roupa de cama, mesa e banho. Vandirene casou-se, teve filhos. Lutou muito, coitada. Filas no Instituto Nacional de Previdência Social. Pouco leite. O marido desempregadoQ Finalmente acertou na loteria. Quase quatro milhões! Entre as baratas ter ou não ter quatro milhões não faz diferença. Mas Vandirene mudou. Empregou o dinheiro. Mudou de bairro. Comprou casa. Passou a vestir bem, a comer bem, a cuidar onde põe o pronome. Subiu de classe. Contratou babás e entrou na Pontifícia Universidade Católica. Vandirene acordou um dia e viu que tinha se transformado em barata. Seu penúltimo pensamento humano foi: “Meu Deus!Q A casa foi dedetizada há dois dias!Q”. Seu último pensamento humano foi para seu dinheiro rendendo na financeira e que o safado do marido, seu herdeiro legal, o usaria. Depois desceu pelo pé da cama e correu para trás de um móvel. Não pensava mais em nada. Era puro instinto. Morreu cinco minutos depois, mas foram os cinco minutos mais felizes de sua vida. Disponível em: https://www.culturagenial.com/cronicas-engracadas-de-luis-fernando-verissimo-comentadas/. Acesso em: 20 fev. 2024. Adaptado.
A passagem do texto que se relaciona diretamente ao significado da palavra “metamorfose”, a qual se apresenta como título do texto, é
- A)“Uma barata acordou um dia e viu que tinha se transformado num ser humano.”
- B)“Todas as baratas são iguais, mas as mulheres precisam realçar sua personalidade.”
- C)“Conhecem-se, namoram, brigam, fazem as pazes, resolvem se casar, hesitam.”
- D)“Adotou um nome: Vandirene. Mais tarde descobriu que só um nome não bastava.”
- E)“Empregou o dinheiro. Mudou de bairro. Comprou casa. Passou a vestir bem [...].”
C3Pref. Montes Claros/MG 2024
O mundo precisa da sua originalidade – e você também Patrícia Cotton A palavra alemã Zeitgeist insinua que somos afetados – ou até mesmo assombrados – pelo espírito do tempo em que vivemos. Esse “fantasma” dá o tom do nosso ambiente cultural e intelectual, e sobretudo das nossas escolhas. O tempo seria uma espécie de molde que torna impossível o exercício pleno da originalidade. E na contemporaneidade isso tem se tornado ainda mais agudo. Fórmulas prontas nos levam a crer que o visível, o recorrente e o seguro são o mesmo que “sucesso”. Padrões de comunicação, de estética, de mentalidade política, de gestão e de autoprodutização apostam cada vez mais na previsibilidade anticancelamento, asfixiando o pioneirismo e a criatividade. Estamos, afinal, perdendo a capacidade de ser originais? Sendo uma exímia voyer digital, venho notando há alguns anos certos modelos se cristalizando. Postar fotos com o date, por exemplo, virou o novo anel de compromisso. Estudos, refeições, férias, mudanças de trabalho, e até mesmo malhação – outrora aspectos naturais da existência – tornaram-se extraordinários (uma vez publicados, claro). A espetacularização permanente de quase tudo virou uma espécie de “prova de vida” do INSS. Uma vibe na linha de “mãe, olha o desenho que eu fiz!”. Dando uma de Analista de Bagé, parece que o silêncio (digital) virou sinal de que as coisas, enfim, vão bem. Falando da nossa realidade analógica, somos fruto de um momento de inspiração original dos nossos pais. Digitais, DNA e voz comprovam a nossa singularidade estrutural, nossa gênese inquestionável. Originalidade, por este prisma, é um bem democrático, já que a única coisa que não pode ser copiada é justamente você. Se irá aproveitar isso ou não, é outra história. Fato é: o esquecimento deste ativo que é a singularidade nos distancia não apenas de nós mesmos, mas de compor o todo de uma comunidade diversa. [...] Ao seguir hábitos e padrões de forma irrefletida, indivíduos e negócios vão se tornando muito mais objeto do que sujeito de suas ações. Abatidos pelo Zeitgeist e pela autoconsciência anêmica, fica cada vez mais difícil surpreender. Parece, inclusive, que foi em outra vida que o mote “pense diferente”, da Apple, teve algum valor. Estamos cada vez menos originais, viciados em benchmarks, engajamentos e teses de investimento que trazem supostas garantias. Paradoxalmente, nunca precisamos tanto da originalidade para enfrentar os problemas complexos e inéditos que temos vivenciado coletivamente. E também para a autorrealização individual. O tópico da autorrealização me faz lembrar que, por muito tempo, acreditei que ser acessível era ser comprometida, sobretudo profissionalmente. À luz disso, me viciei em um “crackberry” (gíria que se refere à natureza viciante dos smartphones BlackBerry, que eram conhecidos por suas ferramentas eficientes de e-mail, mensagens e produtividade) como instrumento de trabalho. Na época, achava natural que aquele aparelho fosse minha extensão, sem me dar conta dessa perigosa simbiose. Durante um autoexperimento de mudança, em que fiquei quase um ano sem celular, tive o melhor e mais transformador período da minha vida. Desde então, cultivo uma comunicação ecológica, fora da “whatsApplândia” e afins. Sua suposta conveniência jamais me convenceu, e a vida “semioffline” segue trazendo bons frutos, apesar de todas as reclamações, controvérsias e perdas que conscientemente enfrento. O que muitos denominam de loucura, aprendi a chamar de originalidade. Encontrar o próprio caminho original não é fácil, mas certamente é mais interessante que o consumo irrestrito de clichês e benchmarks. Ser original é trabalhar na margem de manobra entre o espírito do tempo que nos influencia, e o que é de alcance consciente. É entender que destino é também – mas não só – origem. É expressar a essência na existência através de escolhas corajosamente autênticas. É ser subversivo, fazer algo que ainda não foi imaginado. E pagar os eventuais pedágios com um discreto sorriso de Monalisa no rosto. Disponível em: https://vidasimples.com/. Acesso em: 22 maio 2024. Adaptado.
Analise as afirmativas a seguir, tendo em vista as ideias que se podem inferir do texto. I - O contexto atual interfere nas escolhas das pessoas impedindo que elas ajam, de fato, com originalidade. II - A adoção de padrões e hábitos sem a devida reflexão impedem que cada pessoa seja o sujeito das próprias ações. III - A sociedade contemporânea propõe receitas prontas que conduzem as pessoas a acreditarem que o sucesso está naquilo que é visível, recorrente e seguro. IV - Os fatos corriqueiros da vida cotidiana têm sido mostrados, nas redes sociais, como eventos importantes que, certamente, merecem ser publicados. V - A pessoa, ao se esquecer da sua singularidade, afasta-se dela mesma e impede a composição de uma sociedade diversificada. Estão CORRETAS as afirmativas
- A)I, II e V, apenas.
- B)II, III e IV, apenas.
- C)II, IV e V, apenas.
- D)III, IV e V, apenas.
- E)I, II, III, IV e V.
C4Pref. Santo Hipólito/MG 2024
Você lembra quando não existia internet? Rossandro Klinjey Para aqueles que se lembram dos dias em que conversas espontâneas em lojas e sorrisos não solicitados eram a norma, a era pré-smartphone, quando a internet ainda era apenas um sonho, foi mágica. Se o auge da sua infância envolvia ouvir sua mãe gritando na rua: “tá na hora do jantar”, ou inventar aventuras apenas com sua imaginação, você provavelmente nutre uma relação de amor e ódio com seu “telefone inteligente”, esse dispositivo maravilhoso com conexão à internet que nos permite andar em cidades que não conhecemos, pedir comida ou comprar roupa com um clique. Enfim, como sobrevivíamos sem Waze e o delivery? E, sim, eles podem encontrar quase tudo para nós, de um novo amor a uma refeição saborosa. Mas, por mais que tentem, ainda não conseguem substituir um abraço caloroso. Muito menos uma conversa olho no olho, ou entender as sutilezas do coração humano. Um brinde à ironia de um mundo onde podemos estar a um clique de tudo, exceto da genuína conexão entre gente de verdade. Com a ascensão dos smartphones e das redes sociais, ultrapassamos as barreiras de tempo e espaço, inclusive na internet, reconectando-nos com amigos de infância, colegas de escola e parentes em outros países em tempo real. É uma viagem incrível quebrar as limitações do relógio e da geografia com apenas um toque. Quem poderia resistir a tal fascínio? Em seguida, veio o feed infinito das redes sociais pronto para entregar elevadas doses de dopamina e satisfazer a cada um de nós, fornecendo exatamente o que desejávamos naquele momento. [...] E assim ficamos presos, quase acreditando que havíamos perdido a capacidade de retornar à nossa humanidade. Agora, começamos a compreender esse dilema. Na busca por experiências externas, desvalorizamos a convivência íntima, aquela que nos permite crescer e dar sentido à nossa vida. Não por acaso, atualmente, observa-se uma busca por reconexão com o mundo real, uma tentativa de compensar o empobrecimento dos nossos relacionamentos, que se tornaram superficiais. Que venham esses novos/velhos tempos, e que venham logo, pois é estando presente que a gente vive o melhor de nós. Disponível em: https://vidasimples.co/colunista/voce-lembra-quando-nao-existia-internet/. Acesso em: 30 set. 2024. Adaptado.
Analise os itens a seguir, tendo em vista os recursos de linguagem usados no texto. I- Conotação. II- Denotação. III- Coloquialidade. IV- Estrangeirismo. V- Subjetividade. Estão CORRETOS os itens
- A)I, II, III, IV e V.
- B)I, II, III e IV, apenas.
- C)II, III e IV, apenas.
- D)II, IV e V, apenas.
- E)III, IV e V, apenas.
C5Pref. Ubaí/MG 2024
Prometer menos, viver mais [...] Há muitos anos – talvez desde garota – eu gosto de aproveitar esses dias finais para relembrar o que foi vivido nos últimos 365 dias (em 2024, 366!) e, especialmente, para traçar minhas metas e objetivos para o ano seguinte. Essa lista costumava ser enorme: eu inconscientemente acreditava que, na virada do ano, seria abastecida de toda a energia necessária para mudar hábitos e construir o estilo de vida que eu tanto desejava, além de achar que aqueles sonhos todos poderiam se realizar (nem com passe de mágica…). Minha lista tinha metas irreais, audaciosas e acabava sempre por gerar frustração. Afinal, por mais que eu desejasse mudar muitas coisas na minha vida e concretizar tantos planos, talvez a lista contemplasse coisas demais. Nos últimos tempos, notei que minhas resoluções ficaram menores. Pensei, com um certo ar de preocupação: “será que estou menos entusiasta de mim mesma?”. Mas talvez seja só um olhar mais maduro sobre o que, de fato, damos conta de fazer. Não que eu ainda não tenha desejos grandiosos ou sonhos que demandem toda a energia de renovação, mas sim que talvez eu esteja mais apaziguada de que nem sempre damos conta de realizar tudo aquilo que intencionamos – e isso não é sinal nenhum de fracasso… Afinal de contas, a vida não é o que a gente planeja. A vida é o que a gente vive. E, honestamente, por mais assustador que isso possa parecer para algumas pessoas, temos muito pouco controle sobre os acontecimentos. Daí, planejar é um ótimo start para nossas realizações, mas não garante que tudo aquilo sairá do papel. Menos ainda conforme o planejado. Por isso, para 2025, eu quero desejar poucas coisas. Mas talvez as mais importantes para o meu momento. Cuidar do meu corpo em sua integralidade – entendendo que parte física e mental caminham juntas – e de forma amorosa. Respeitar os meus próprios limites para não viver uma vida ansiosa e sobrecarregada. Me preocupar menos com o que não está em minhas mãos. Dançar conforme a música – porque, quando a gente não aceita o que se apresenta, tudo fica mais difícil. E olhar para o mundo com olhos de encantamento, celebrando o privilégio de estar aqui (mesmo se nada tão grandioso assim me acontecer). Enfim, prometer menos, viver mais. Fonte: ZANELATO, Débora. Prometer menos, viver mais. Disponível em: vidasimples.co/colunista/quero-prometer-menos-e-viver-mais/. Acesso em: 19 fev. 2025. Adaptado.
Analise as afirmativas a seguir, tendo em vista as ideias que são defendidas no texto. I- A maturidade, advinda com o tempo, permite a simplificação da vida. II- Os sonhos e os desejos significativos desaparecem com a maturidade. III- O alcance das metas, na maturidade, é essencial para evitar a frustração. IV- O desrespeito aos próprios limites traz como consequência a ansiedade. V- O controle de todos os acontecimentos da vida é um objetivo inatingível. Estão CORRETAS as afirmativas
- A)I, II e V, apenas.
- B)I, III e IV, apenas.
- C)I, IV e V, apenas.
- D)II, III e IV, apenas.
- E)III, IV e V, apenas.
C6Pref. Cristalina/GO 2023
É costume que a gente ouça sobre a importância da prática de um exercício físico regularmente. Os benefícios apontados não são poucos. Vão desde a melhora do condicionamento físico, passando pelos impactos positivos na saúde mental e na prevenção de doenças como diabetes e hipertensão, comuns na vida dos brasileiros. Assim, estar em contato com um esporte ou atividade física regular nos traz bons resultados – físicos e psicológicos – e também nos conecta com o mundo e com a gente mesmo. Isso acaba se tornando um caminho para alinhar seus objetivos ao seu planejamento do cotidiano. Apesar das vantagens, 47% dos brasileiros são sedentários, e esse número cresce na faixa etária mais jovem, pois apenas 16% das pessoas nesse grupo praticam algum tipo de exercício. Se você está nesse grupo – assim como eu, admito (faz três meses que não pratico atividade física regularmente) [...] que tal “virar a chave” e sair daqui com os planos para 2023? Disponível em: https://vidasimples.com. Acesso em: 28 jan. 2023. Adaptado.
A expressão “virar a chave” foi usada no sentido de
- A)rebeldia.
- B)revolta.
- C)inércia.
- D)marasmo.
- E)mudança.
C7Pref. Várzea da Palma/MG (auxiliar) 2024
A solidão amiga Rubem Alves A noite chegou, o trabalho acabou, é hora de voltar para casa. Lar, doce lar? Mas a casa está escura, a televisão apagada e tudo é silêncio. Ninguém para abrir a porta, ninguém à espera. Você está só. Vem a tristeza da solidão... O que mais você deseja é não estar em solidão... Mas deixa que eu lhe diga: sua tristeza não vem da solidão. Vem das fantasias que surgem na solidão. Lembro-me de um jovem que amava a solidão: ficar sozinho, ler, ouvir, música... Assim, aos sábados, ele se preparava para uma noite de solidão feliz. Mas bastava que ele se assentasse para que as fantasias surgissem. Cenas. De um lado, amigos em festas felizes, em meio ao falatório, os risos, a cervejinha. Aí a cena se alterava: ele, sozinho naquela sala. Com certeza ninguém estava se lembrando dele. Naquela festa feliz, quem se lembraria dele? E aí a tristeza entrava e ele não mais podia curtir a sua amiga solidão. O remédio era sair, encontrar-se com a turma para encontrar a alegria da festa. Vestia-se, saía, ia para a festa... Mas na festa ele percebia que festas reais não são iguais às festas imaginadas. Era um desencontro, uma impossibilidade de compartilhar as coisas da sua solidão... A noite estava perdida [...]. Disponível em: https://www.pensador.com/rubemalvestextos/. Acesso em: 14 abr. 2024. Adaptado.
O termo, “mas” inicia o segundo parágrafo com o objetivo de
- A)concluir as ideias apresentadas no primeiro parágrafo.
- B)ratificar as ideias apresentadas no primeiro parágrafo.
- C)favorecer as ideias apresentadas no primeiro parágrafo.
- D)corroborar as ideias apresentadas no primeiro parágrafo.
- E)opor-se às ideias apresentadas no primeiro parágrafo.
C8Pref. Dores de Guanhães/MG 2022
Você é feliz no seu trabalho? Tenho percebido, nos últimos tempos, índices muito altos de pedidos de demissão. O que antigamente eram reclamações corriqueiras, hoje viraram razões concretas para esses pedidos. Motivados por insatisfações com a remuneração, cultura da empresa, atitudes da liderança, eminência de burnout e pela filosofia de que podemos trabalhar com o que gostamos, centenas de milhares de brasileiros deixaram os seus empregos nos últimos meses. Isso nos traz uma sensação de liberdade. Entretanto, quando cruzamos essa linha, nos deparamos com uma pergunta inevitável: “E agora?” [...] De forma concreta, não sabemos aonde essa vontade de mudar de emprego vai nos levar. O que sabemos, sim, é que mudanças desse tipo, por muitas vezes, depois de um tempo, colocam-nos no mesmo lugar de insatisfação profissional do qual partimos. Criamos, assim, um ciclo sem fim, que só pode ser interrompido com um olhar profundo sobre as nossas carreiras. Sem esse olhar, seguiremos fugindo, buscando soluções milagrosas para que o trabalho seja mais prazeroso e nos traga felicidade, quando, na verdade, em grande parte das vezes, a possibilidade de um trabalho que nos ofereça uma vida feliz já está ao nosso alcance, mas ainda não conseguimos encontrar [...]. Disponível em: https://vidasimples.co/colunistas/analise. Acesso em: 12 jun. 2022. Adaptado.
Assinale a alternativa que contraria o significado do termo “corriqueiras” empregado no texto.
- A)usuais.
- B)raras.
- C)frequentes.
- D)habituais.
- E)rotineiras.
C9Pref. Unaí/MG 2023
Das vantagens de ser bobo Clarice Lispector O bobo, por não se ocupar com ambições, tem tempo para ver, ouvir e tocar no mundo. O bobo é capaz de ficar sentado, quase sem se mexer por duas horas. Se perguntado por que não faz alguma coisa, responde: "Estou fazendo. Estou pensando." Ser bobo às vezes oferece um mundo de saída porque os espertos só se lembram de sair por meio da esperteza, e o bobo tem originalidade, espontaneamente lhe vem a ideia. O bobo tem oportunidade de ver coisas que os espertos não veem. Os espertos estão sempre tão atentos às espertezas alheias que se descontraem diante dos bobos, e estes os veem como simples pessoas humanas. O bobo ganha liberdade e sabedoria para viver. O bobo nunca parece ter tido vez. No entanto, muitas vezes, o bobo é um Dostoievski. Há desvantagem, obviamente. Uma boba, por exemplo, confiou na palavra de um desconhecido para a compra de um ar refrigerado de segunda mão: ele disse que o aparelho era novo, praticamente sem uso porque se mudara para a Gávea onde é fresco. Vai a boba e compra o aparelho sem vê-lo sequer. Resultado: não funciona. Chamado um técnico, a opinião deste era de que o aparelho estava tão estragado que o conserto seria caríssimo: mais valia comprar outro. Mas, em contrapartida, a vantagem de ser bobo é ter boa-fé, não desconfiar, e, portanto, estar tranquilo. Enquanto o esperto não dorme à noite com medo de ser ludibriado. O esperto vence com úlcera no estômago. O bobo nem nota que venceu. Aviso: não confundir bobos com burros. [...] Ser bobo é uma criatividade e, como toda criação, é difícil. Por isso é que os espertos não conseguem passar por bobos. Os espertos ganham dos outros. Em compensação os bobos ganham vida. Bem-aventurados os bobos porque sabem sem que ninguém desconfie. Aliás não se importam que saibam que eles sabem. Há lugares que facilitam mais as pessoas serem bobas (não confundir bobo com burro, com tolo, com fútil). Minas Gerais, por exemplo, facilita ser bobo. Ah, quantos perdem por não nascer em Minas! [...] Bobo é Chagall, que põe vaca no espaço, voando por cima das casas. É quase impossível evitar excesso de amor que o bobo provoca. É que só o bobo é capaz de excesso de amor. E só o amor faz o bobo. Disponível em: https://cronicabrasileira.org.br/cronicas/12665/das-vantagens-de-ser-bobo. Acesso em: 9 out. 2023.
Tendo em vista as ideias do texto, infere-se que:
- A)As pessoas espertas sabem como viver e evitar o sofrimento, pois estão atentas a tudo.
- B)Os espertos levam uma vida mais saudável que os bobos, porque exercem o autocuidado.
- C)O esperto sabe aproveitar as oportunidades, portanto, não há vantagem alguma em ser bobo.
- D)As pessoas consideradas bobas pelo senso comum são as que, de fato, têm sabedoria de vida.
- E)A esperteza, na sociedade atual, é um requisito fundamental, não há lugar para o bobo.
C10Pref. Montes Claros/MG 2024
O mundo precisa da sua originalidade – e você também Patrícia Cotton A palavra alemã Zeitgeist insinua que somos afetados – ou até mesmo assombrados – pelo espírito do tempo em que vivemos. Esse “fantasma” dá o tom do nosso ambiente cultural e intelectual, e sobretudo das nossas escolhas. O tempo seria uma espécie de molde que torna impossível o exercício pleno da originalidade. E na contemporaneidade isso tem se tornado ainda mais agudo. Fórmulas prontas nos levam a crer que o visível, o recorrente e o seguro são o mesmo que “sucesso”. Padrões de comunicação, de estética, de mentalidade política, de gestão e de autoprodutização apostam cada vez mais na previsibilidade anticancelamento, asfixiando o pioneirismo e a criatividade. Estamos, afinal, perdendo a capacidade de ser originais? Sendo uma exímia voyer digital, venho notando há alguns anos certos modelos se cristalizando. Postar fotos com o date, por exemplo, virou o novo anel de compromisso. Estudos, refeições, férias, mudanças de trabalho, e até mesmo malhação – outrora aspectos naturais da existência – tornaram-se extraordinários (uma vez publicados, claro). A espetacularização permanente de quase tudo virou uma espécie de “prova de vida” do INSS. Uma vibe na linha de “mãe, olha o desenho que eu fiz!”. Dando uma de Analista de Bagé, parece que o silêncio (digital) virou sinal de que as coisas, enfim, vão bem. Falando da nossa realidade analógica, somos fruto de um momento de inspiração original dos nossos pais. Digitais, DNA e voz comprovam a nossa singularidade estrutural, nossa gênese inquestionável. Originalidade, por este prisma, é um bem democrático, já que a única coisa que não pode ser copiada é justamente você. Se irá aproveitar isso ou não, é outra história. Fato é: o esquecimento deste ativo que é a singularidade nos distancia não apenas de nós mesmos, mas de compor o todo de uma comunidade diversa. [...] Ao seguir hábitos e padrões de forma irrefletida, indivíduos e negócios vão se tornando muito mais objeto do que sujeito de suas ações. Abatidos pelo Zeitgeist e pela autoconsciência anêmica, fica cada vez mais difícil surpreender. Parece, inclusive, que foi em outra vida que o mote “pense diferente”, da Apple, teve algum valor. Estamos cada vez menos originais, viciados em benchmarks, engajamentos e teses de investimento que trazem supostas garantias. Paradoxalmente, nunca precisamos tanto da originalidade para enfrentar os problemas complexos e inéditos que temos vivenciado coletivamente. E também para a autorrealização individual. O tópico da autorrealização me faz lembrar que, por muito tempo, acreditei que ser acessível era ser comprometida, sobretudo profissionalmente. À luz disso, me viciei em um “crackberry” (gíria que se refere à natureza viciante dos smartphones BlackBerry, que eram conhecidos por suas ferramentas eficientes de e-mail, mensagens e produtividade) como instrumento de trabalho. Na época, achava natural que aquele aparelho fosse minha extensão, sem me dar conta dessa perigosa simbiose. Durante um autoexperimento de mudança, em que fiquei quase um ano sem celular, tive o melhor e mais transformador período da minha vida. Desde então, cultivo uma comunicação ecológica, fora da “whatsApplândia” e afins. Sua suposta conveniência jamais me convenceu, e a vida “semioffline” segue trazendo bons frutos, apesar de todas as reclamações, controvérsias e perdas que conscientemente enfrento. O que muitos denominam de loucura, aprendi a chamar de originalidade. Encontrar o próprio caminho original não é fácil, mas certamente é mais interessante que o consumo irrestrito de clichês e benchmarks. Ser original é trabalhar na margem de manobra entre o espírito do tempo que nos influencia, e o que é de alcance consciente. É entender que destino é também – mas não só – origem. É expressar a essência na existência através de escolhas corajosamente autênticas. É ser subversivo, fazer algo que ainda não foi imaginado. E pagar os eventuais pedágios com um discreto sorriso de Monalisa no rosto. Disponível em: https://vidasimples.com/. Acesso em: 22 maio 2024. Adaptado.
De acordo com o texto, paradoxalmente à originalidade estão I - os clichês. II - a artificialidade. III - os moldes. IV - a autorrealização. V - a individualidade. Estão CORRETOS os itens
- A)I, II e III, apenas.
- B)I, IV e V, apenas.
- C)II, III e V, apenas.
- D)II, III e IV, apenas.
- E)III, IV e V, apenas.
C11Pref. Santa Fé de Minas/MG 2021
Um SPA para o cérebro Seis e meia da manhã. O celular desperta. Está na hora de acordar. Os olhos ainda reclamam da claridade e o corpo está adormecido, precisando espreguiçar. Você ignora o comando e só estica um dos braços, o suficiente para alcançar o telefone ao lado da mesa de cabeceira e desligar o alarme. Antes de um bocejo, abre a agenda para conferir os compromissos do dia. E, em um segundo de distração, já está checando os e-mails. A janela do quarto continua fechada e você não sabe se chove ou faz sol. Mas já descobriu pelo Instagram que uma colega de colégio noivou, o seu vizinho está na academia e a influencer de finanças fez mais uma live imperdível sobre investimentos. Antes do meio-dia, você assistiu ao jornal da manhã enquanto fazia café, ouviu podcast no caminho para o trabalho, respondeu oito clientes no Whatsapp e deu uma olhada nos links com as notícias suspeitas enviadas no grupo da família. No intervalo entre as reuniões do zoom, entrou no LinkedIn e se inscreveu em mais um webinar sobre “produtividade na pandemia”. Além disso, você lembrou que precisa terminar de assistir às aulas do curso online de engajamento do seu perfil profissional nas redes sociais, comprado no início da quarentena. Sem perceber o gatilho, você se culpa por ter abandonado pela metade os três últimos livros que são “leitura obrigatória” para se reinventar no “novo normal”. Por outro lado, você é invadido por angústia, sensação de impotência e medo de não dar conta. Sua respiração fica pesada, os batimentos cardíacos acelerados e você se sente um nativo de alguma terra primitiva, capturado e jogado em uma metrópole confusa e barulhenta. Dá vontade de fugir. Em síntese, somos todos da mesma tribo e estamos intoxicados com tanta informação. A preocupação com excessos de tecnologia na sociedade não é de hoje. Entretanto, não há dúvidas de que a pandemia agravou o cenário e nos tornou mais dependentes do mundo digital. Assim também, ganhamos um cardápio maior de conteúdos de qualidade, com a facilidade de interagirmos, sem sair de casa, com as pessoas mais requisitadas de todas as áreas inimagináveis. Por outro lado, estamos compulsivos e não sabemos filtrar as informações que nos agregam. Nossas mentes são gulosas e não tem maturidade para buffet livre. Se não soubermos controlá-las, consumiremos o que estiver disponível à mesa, só para provar um pouquinho de cada. Colocamos em um mesmo prato caviar e junk food e não sabemos diferenciar o que é preciso ser degustado do que é dispensável. No final, não digerimos nada, nem absorvemos o que consumimos de bom. É delicioso conversar com alguém com pluralidade de assuntos. E, mais do que isso, estar por dentro de todas as pautas discutidas num bate-papo. Alienação não é concebível para quem quer fazer a diferença. Mas, será que não passamos do ponto? A necessidade de saber falar sobre qualquer tema, ainda que superficialmente, diz muito sobre o nosso ego. Esquecemos que conversas são trocas e a sensação de aprender é tão gostosa quanto a de ensinar. A vulnerabilidade e a honestidade de podermos dizer “não li esse livro”, “não conheço esse autor” ou “não estou sabendo dessa notícia” criam conexões e oportunidades de diálogos sinceros. Talvez tenhamos perdido o real propósito de nos mantermos informados. Nos submetemos a uma enxurrada de informações não para dialogarmos melhor, mas para travarmos uma batalha. Isto é: ganha quem sabe mais, ainda que saber seja somente ter ouvido falar a respeitoT Supervalorizamos a mente, negligenciamos nossos instintos. Esquecemos que somos, de fato, nativos selvagens pertencentes à natureza. Precisamos encontrar meios de alimentar essa alma primitiva e reeducar nosso intelecto guloso. Caso contrário, sucumbiremos à intoxicação, com cabeças pesadas e corações desnutridos. Disponível em: https://vidasimples.co/leitores/excesso-de-informacoes-e-o-spa-para-o-cerebro/. Acesso em: 18 out. 2021.
Sobre as consequências do excesso de uso das tecnologias digitais, análise os itens que se seguem. I. Assimilação consistente dos conteúdos. II. Conexão necessária com a natureza. III. Debilidade física, mental e emocional. IV. Ensino e aprendizagem dialogados. Está(ão) CORRETO(S) o(s) item(ns):
- A)III, apenas.
- B)I e II, apenas.
- C)III e IV, apenas.
- D)I e IV, apenas.
- E)I, II, III e IV.
C12Pref. Santo Hipólito/MG 2024
Você lembra quando não existia internet? Rossandro Klinjey Para aqueles que se lembram dos dias em que conversas espontâneas em lojas e sorrisos não solicitados eram a norma, a era pré-smartphone, quando a internet ainda era apenas um sonho, foi mágica. Se o auge da sua infância envolvia ouvir sua mãe gritando na rua: “tá na hora do jantar”, ou inventar aventuras apenas com sua imaginação, você provavelmente nutre uma relação de amor e ódio com seu “telefone inteligente”, esse dispositivo maravilhoso com conexão à internet que nos permite andar em cidades que não conhecemos, pedir comida ou comprar roupa com um clique. Enfim, como sobrevivíamos sem Waze e o delivery? E, sim, eles podem encontrar quase tudo para nós, de um novo amor a uma refeição saborosa. Mas, por mais que tentem, ainda não conseguem substituir um abraço caloroso. Muito menos uma conversa olho no olho, ou entender as sutilezas do coração humano. Um brinde à ironia de um mundo onde podemos estar a um clique de tudo, exceto da genuína conexão entre gente de verdade. Com a ascensão dos smartphones e das redes sociais, ultrapassamos as barreiras de tempo e espaço, inclusive na internet, reconectando-nos com amigos de infância, colegas de escola e parentes em outros países em tempo real. É uma viagem incrível quebrar as limitações do relógio e da geografia com apenas um toque. Quem poderia resistir a tal fascínio? Em seguida, veio o feed infinito das redes sociais pronto para entregar elevadas doses de dopamina e satisfazer a cada um de nós, fornecendo exatamente o que desejávamos naquele momento. [...] E assim ficamos presos, quase acreditando que havíamos perdido a capacidade de retornar à nossa humanidade. Agora, começamos a compreender esse dilema. Na busca por experiências externas, desvalorizamos a convivência íntima, aquela que nos permite crescer e dar sentido à nossa vida. Não por acaso, atualmente, observa-se uma busca por reconexão com o mundo real, uma tentativa de compensar o empobrecimento dos nossos relacionamentos, que se tornaram superficiais. Que venham esses novos/velhos tempos, e que venham logo, pois é estando presente que a gente vive o melhor de nós. Disponível em: https://vidasimples.co/colunista/voce-lembra-quando-nao-existia-internet/. Acesso em: 30 set. 2024. Adaptado.
Considere a seguinte passagem do texto: “Em seguida, veio o feed infinito das redes sociais pronto para entregar elevadas doses de dopamina e satisfazer a cada um de nós, fornecendo exatamente o que desejávamos naquele momento.” O termo “dopamina” está associado ao/à
- A)estresse e ansiedade.
- B)impaciência e alegria.
- C)inteligência e agilidade.
- D)motivação e prazer.
- E)rapidez e satisfação.
C13Pref. Morro da Garça/MG 2025
O que fazer para suportar essa tal felicidade? Um dia me fizeram a pergunta: “Você é sempre assim, insuportavelmente feliz?”. Confesso que fiquei sem ação. Naquele momento não consegui encontrar uma resposta, pois na minha cabeça eu precisava ainda definir: O que seria ser feliz? Qual seria o peso do advérbio sempre? Insuportável para quem? Na hora só consegui pedir desculpas. Sim, me desculpei por parecer feliz e até insuportável. Para minha sorte, a ausência dessa resposta não pesou no resultado da entrevista. Entrevista? Exatamente. Essa dúvida quanto ao meu estado constante de felicidade aconteceu no meio de um processo seletivo para uma grande empresa. Apesar de não encontrar a resposta, eu fui contratada. Agora, depois de tantos anos, essa pergunta voltou a ressoar em minha mente e resolvi, então, tentar entender as suas partes. Sou avessa aos determinismos e reducionismos quando se tratam de fenômenos existenciais humanos. Palavras como “sempre” e “nunca” nos aprisionam a uma condição imutável e de permanência. E nos impedem de transitar pelo “quase” ou pelo “talvez”, que nos permitem a dúvida, a crise, a possibilidade de escolher novos caminhos e provocar a mudança. Definitivamente o “sempre” não me representa. No insuportável, evidencia-se o peso da subjetividade. Assim como a dor, o nível de tolerância acontecerá a partir do conteúdo interno de cada um, bem como o impacto que isso gera. De fato, não podemos nos culpar pelo outro não se sentir à vontade com a nossa suposta felicidade. [...] Com alguns anos de atraso, encontrei a resposta. Se a felicidade está na tomada de consciência de que não existe um estado de permanência e as oscilações acontecem e fazem parte irremediável da existência, sim, eu sou feliz! Se a felicidade é sentir a minha humanidade, me permitir chorar nas adversidades, rir ou chorar de alegria, e sorrir quando dou de cara com um novo desafio, sim, eu sou feliz! Se a felicidade é ter uma relação familiar e com amigos, onde cuidamos para que uma convivência de respeito seja a prioridade, apesar das diferenças, sim, eu sou feliz! Se a felicidade é me permitir o silêncio e as pausas necessárias para que eu possa me escutar e organizar as minhas ideias, mesmo que por alguns minutos, sim, eu sou feliz! Se a felicidade está em viver a fé, exercitando a prática do bem, sim, eu sou feliz! Se a felicidade é um projeto de vida que exige escolhas e ação, sim, eu sou feliz! Portanto, a felicidade não é uma estética. Não está no sorriso. Está no sentir e no sentido que encontramos para viver, mesmo quando as lágrimas se manifestam. Acredito que a felicidade está em encontrarmos espaços que nos comportem, nos ampliem e não mais tentar entrar em lugares que nos reduzam, porque se é para ser, que sejamos inteiros e de verdade. Fonte: MORAIS, Elizabeth dos Santos. O que fazer para suportar essa tal felicidade? Disponível em: vidasimples.co/voce-simples/. Acesso em: 18 abr. 2025. Adaptado.
Analise as afirmativas a seguir, tendo em vista as ideias que se podem inferir do texto 01. I- O significado do que é ser feliz pode variar de pessoa para pessoa. II- A demonstração de felicidade é inadmissível quando incomoda o outro. III- A felicidade de alguém pode deixar algumas pessoas incomodadas. IV- O sentimento de felicidade está relacionado à transitoriedade. V- A felicidade como um sentimento permanente é uma meta a ser buscada. Estão CORRETAS as afirmativas
- A)I, III e IV, apenas.
- B)I, III e V, apenas.
- C)II, III e IV, apenas.
- D)II, III e V, apenas.
- E)III, IV e V, apenas.
C14Pref. Pirapora/MG (ESF) 2024
A metamorfose Luís Fernando Veríssimo Uma barata acordou um dia e viu que tinha se transformado num ser humano. Começou a mexer suas patas e viu que só tinha quatro, que eram grandes e pesadas e de articulação difícil. Não tinha mais antenas. Quis emitir um som de surpresa e sem querer deu um grunhido. As outras baratas fugiram aterrorizadas para trás do móvel. Ela quis segui- las, mas não coube atrás do móvel. O seu segundo pensamento foi: “Que horrorQ Preciso acabar com essas baratasQ” Pensar, para a ex-barata, era uma novidade. Antigamente ela seguia seu instinto. Agora precisava raciocinar. Fez uma espécie de manto com a cortina da sala para cobrir sua nudez. Saiu pela casa e encontrou um armário num quarto, e nele, roupa de baixo e um vestido. Olhou-se no espelho e achou-se bonita. Para uma ex-barata. Maquiou-se. Todas as baratas são iguais, mas as mulheres precisam realçar sua personalidade. Adotou um nome: Vandirene. Mais tarde descobriu que só um nome não bastava. A que classe pertencia?Q Tinha educação?Q. Referências?Q Conseguiu a muito custo um emprego como faxineira. Sua experiência de barata lhe dava acesso a sujeiras mal suspeitadas. Era uma boa faxineira. Difícil era ser genteQ Precisava comprar comida e o dinheiro não chegava. As baratas se acasalam num roçar de antenas, mas os seres humanos não. Conhecem-se, namoram, brigam, fazem as pazes, resolvem se casar, hesitam. Será que o dinheiro vai dar? Conseguir casa, móveis, eletrodomésticos, roupa de cama, mesa e banho. Vandirene casou-se, teve filhos. Lutou muito, coitada. Filas no Instituto Nacional de Previdência Social. Pouco leite. O marido desempregadoQ Finalmente acertou na loteria. Quase quatro milhões! Entre as baratas ter ou não ter quatro milhões não faz diferença. Mas Vandirene mudou. Empregou o dinheiro. Mudou de bairro. Comprou casa. Passou a vestir bem, a comer bem, a cuidar onde põe o pronome. Subiu de classe. Contratou babás e entrou na Pontifícia Universidade Católica. Vandirene acordou um dia e viu que tinha se transformado em barata. Seu penúltimo pensamento humano foi: “Meu Deus!Q A casa foi dedetizada há dois dias!Q”. Seu último pensamento humano foi para seu dinheiro rendendo na financeira e que o safado do marido, seu herdeiro legal, o usaria. Depois desceu pelo pé da cama e correu para trás de um móvel. Não pensava mais em nada. Era puro instinto. Morreu cinco minutos depois, mas foram os cinco minutos mais felizes de sua vida. Disponível em: https://www.culturagenial.com/cronicas-engracadas-de-luis-fernando-verissimo-comentadas/. Acesso em: 20 fev. 2024. Adaptado.
Em “Sua experiência de barata lhe dava acesso a sujeiras mal suspeitadas.”, a expressão “mal suspeitadas” assume, no contexto, valor semântico
- A)que causam repulsa.
- B)de difícil eliminação.
- C)que não se removem.
- D)de difícil percepção.
- E)de fácil observação.
C15Pref. Montes Claros/MG 2024
O mundo precisa da sua originalidade – e você também Patrícia Cotton A palavra alemã Zeitgeist insinua que somos afetados – ou até mesmo assombrados – pelo espírito do tempo em que vivemos. Esse “fantasma” dá o tom do nosso ambiente cultural e intelectual, e sobretudo das nossas escolhas. O tempo seria uma espécie de molde que torna impossível o exercício pleno da originalidade. E na contemporaneidade isso tem se tornado ainda mais agudo. Fórmulas prontas nos levam a crer que o visível, o recorrente e o seguro são o mesmo que “sucesso”. Padrões de comunicação, de estética, de mentalidade política, de gestão e de autoprodutização apostam cada vez mais na previsibilidade anticancelamento, asfixiando o pioneirismo e a criatividade. Estamos, afinal, perdendo a capacidade de ser originais? Sendo uma exímia voyer digital, venho notando há alguns anos certos modelos se cristalizando. Postar fotos com o date, por exemplo, virou o novo anel de compromisso. Estudos, refeições, férias, mudanças de trabalho, e até mesmo malhação – outrora aspectos naturais da existência – tornaram-se extraordinários (uma vez publicados, claro). A espetacularização permanente de quase tudo virou uma espécie de “prova de vida” do INSS. Uma vibe na linha de “mãe, olha o desenho que eu fiz!”. Dando uma de Analista de Bagé, parece que o silêncio (digital) virou sinal de que as coisas, enfim, vão bem. Falando da nossa realidade analógica, somos fruto de um momento de inspiração original dos nossos pais. Digitais, DNA e voz comprovam a nossa singularidade estrutural, nossa gênese inquestionável. Originalidade, por este prisma, é um bem democrático, já que a única coisa que não pode ser copiada é justamente você. Se irá aproveitar isso ou não, é outra história. Fato é: o esquecimento deste ativo que é a singularidade nos distancia não apenas de nós mesmos, mas de compor o todo de uma comunidade diversa. [...] Ao seguir hábitos e padrões de forma irrefletida, indivíduos e negócios vão se tornando muito mais objeto do que sujeito de suas ações. Abatidos pelo Zeitgeist e pela autoconsciência anêmica, fica cada vez mais difícil surpreender. Parece, inclusive, que foi em outra vida que o mote “pense diferente”, da Apple, teve algum valor. Estamos cada vez menos originais, viciados em benchmarks, engajamentos e teses de investimento que trazem supostas garantias. Paradoxalmente, nunca precisamos tanto da originalidade para enfrentar os problemas complexos e inéditos que temos vivenciado coletivamente. E também para a autorrealização individual. O tópico da autorrealização me faz lembrar que, por muito tempo, acreditei que ser acessível era ser comprometida, sobretudo profissionalmente. À luz disso, me viciei em um “crackberry” (gíria que se refere à natureza viciante dos smartphones BlackBerry, que eram conhecidos por suas ferramentas eficientes de e-mail, mensagens e produtividade) como instrumento de trabalho. Na época, achava natural que aquele aparelho fosse minha extensão, sem me dar conta dessa perigosa simbiose. Durante um autoexperimento de mudança, em que fiquei quase um ano sem celular, tive o melhor e mais transformador período da minha vida. Desde então, cultivo uma comunicação ecológica, fora da “whatsApplândia” e afins. Sua suposta conveniência jamais me convenceu, e a vida “semioffline” segue trazendo bons frutos, apesar de todas as reclamações, controvérsias e perdas que conscientemente enfrento. O que muitos denominam de loucura, aprendi a chamar de originalidade. Encontrar o próprio caminho original não é fácil, mas certamente é mais interessante que o consumo irrestrito de clichês e benchmarks. Ser original é trabalhar na margem de manobra entre o espírito do tempo que nos influencia, e o que é de alcance consciente. É entender que destino é também – mas não só – origem. É expressar a essência na existência através de escolhas corajosamente autênticas. É ser subversivo, fazer algo que ainda não foi imaginado. E pagar os eventuais pedágios com um discreto sorriso de Monalisa no rosto. Disponível em: https://vidasimples.com/. Acesso em: 22 maio 2024. Adaptado.
Considere a afirmativa: “Sendo uma exímia voyer digital, venho notando há alguns anos certos modelos se cristalizando.” Tendo em vista o contexto em que foi utilizado, o termo voyer foi usado com sentido de
- A)dependente.
- B)admiradora.
- C)imitadora.
- D)observadora.
- E)compulsiva.
C16Pref. Morro da Garça/MG 2025
O que fazer para suportar essa tal felicidade? Um dia me fizeram a pergunta: “Você é sempre assim, insuportavelmente feliz?”. Confesso que fiquei sem ação. Naquele momento não consegui encontrar uma resposta, pois na minha cabeça eu precisava ainda definir: O que seria ser feliz? Qual seria o peso do advérbio sempre? Insuportável para quem? Na hora só consegui pedir desculpas. Sim, me desculpei por parecer feliz e até insuportável. Para minha sorte, a ausência dessa resposta não pesou no resultado da entrevista. Entrevista? Exatamente. Essa dúvida quanto ao meu estado constante de felicidade aconteceu no meio de um processo seletivo para uma grande empresa. Apesar de não encontrar a resposta, eu fui contratada. Agora, depois de tantos anos, essa pergunta voltou a ressoar em minha mente e resolvi, então, tentar entender as suas partes. Sou avessa aos determinismos e reducionismos quando se tratam de fenômenos existenciais humanos. Palavras como “sempre” e “nunca” nos aprisionam a uma condição imutável e de permanência. E nos impedem de transitar pelo “quase” ou pelo “talvez”, que nos permitem a dúvida, a crise, a possibilidade de escolher novos caminhos e provocar a mudança. Definitivamente o “sempre” não me representa. No insuportável, evidencia-se o peso da subjetividade. Assim como a dor, o nível de tolerância acontecerá a partir do conteúdo interno de cada um, bem como o impacto que isso gera. De fato, não podemos nos culpar pelo outro não se sentir à vontade com a nossa suposta felicidade. [...] Com alguns anos de atraso, encontrei a resposta. Se a felicidade está na tomada de consciência de que não existe um estado de permanência e as oscilações acontecem e fazem parte irremediável da existência, sim, eu sou feliz! Se a felicidade é sentir a minha humanidade, me permitir chorar nas adversidades, rir ou chorar de alegria, e sorrir quando dou de cara com um novo desafio, sim, eu sou feliz! Se a felicidade é ter uma relação familiar e com amigos, onde cuidamos para que uma convivência de respeito seja a prioridade, apesar das diferenças, sim, eu sou feliz! Se a felicidade é me permitir o silêncio e as pausas necessárias para que eu possa me escutar e organizar as minhas ideias, mesmo que por alguns minutos, sim, eu sou feliz! Se a felicidade está em viver a fé, exercitando a prática do bem, sim, eu sou feliz! Se a felicidade é um projeto de vida que exige escolhas e ação, sim, eu sou feliz! Portanto, a felicidade não é uma estética. Não está no sorriso. Está no sentir e no sentido que encontramos para viver, mesmo quando as lágrimas se manifestam. Acredito que a felicidade está em encontrarmos espaços que nos comportem, nos ampliem e não mais tentar entrar em lugares que nos reduzam, porque se é para ser, que sejamos inteiros e de verdade. Fonte: MORAIS, Elizabeth dos Santos. O que fazer para suportar essa tal felicidade? Disponível em: vidasimples.co/voce-simples/. Acesso em: 18 abr. 2025. Adaptado.
Analise os itens a seguir, tendo em vista o conceito de felicidade para a autora: I- Conviver harmoniosamente com amigos e familiares. II- Ter tempo para refletir sobre os próprios sentimentos. III- Ter projetos de vida e agir conforme esses projetos. IV- Negar vivenciar momentos de adversidades e tristezas. V- Estar, permanentemente, vivendo momentos de alegria. Estão CORRETOS
- A)I, II e V, apenas.
- B)I, II e III, apenas.
- C)II, III e V, apenas.
- D)II, III e IV, apenas.
- E)III, IV e V, apenas.
C17Pref. Ubaí/MG 2024
Prometer menos, viver mais [...] Há muitos anos – talvez desde garota – eu gosto de aproveitar esses dias finais para relembrar o que foi vivido nos últimos 365 dias (em 2024, 366!) e, especialmente, para traçar minhas metas e objetivos para o ano seguinte. Essa lista costumava ser enorme: eu inconscientemente acreditava que, na virada do ano, seria abastecida de toda a energia necessária para mudar hábitos e construir o estilo de vida que eu tanto desejava, além de achar que aqueles sonhos todos poderiam se realizar (nem com passe de mágica…). Minha lista tinha metas irreais, audaciosas e acabava sempre por gerar frustração. Afinal, por mais que eu desejasse mudar muitas coisas na minha vida e concretizar tantos planos, talvez a lista contemplasse coisas demais. Nos últimos tempos, notei que minhas resoluções ficaram menores. Pensei, com um certo ar de preocupação: “será que estou menos entusiasta de mim mesma?”. Mas talvez seja só um olhar mais maduro sobre o que, de fato, damos conta de fazer. Não que eu ainda não tenha desejos grandiosos ou sonhos que demandem toda a energia de renovação, mas sim que talvez eu esteja mais apaziguada de que nem sempre damos conta de realizar tudo aquilo que intencionamos – e isso não é sinal nenhum de fracasso… Afinal de contas, a vida não é o que a gente planeja. A vida é o que a gente vive. E, honestamente, por mais assustador que isso possa parecer para algumas pessoas, temos muito pouco controle sobre os acontecimentos. Daí, planejar é um ótimo start para nossas realizações, mas não garante que tudo aquilo sairá do papel. Menos ainda conforme o planejado. Por isso, para 2025, eu quero desejar poucas coisas. Mas talvez as mais importantes para o meu momento. Cuidar do meu corpo em sua integralidade – entendendo que parte física e mental caminham juntas – e de forma amorosa. Respeitar os meus próprios limites para não viver uma vida ansiosa e sobrecarregada. Me preocupar menos com o que não está em minhas mãos. Dançar conforme a música – porque, quando a gente não aceita o que se apresenta, tudo fica mais difícil. E olhar para o mundo com olhos de encantamento, celebrando o privilégio de estar aqui (mesmo se nada tão grandioso assim me acontecer). Enfim, prometer menos, viver mais. Fonte: ZANELATO, Débora. Prometer menos, viver mais. Disponível em: vidasimples.co/colunista/quero-prometer-menos-e-viver-mais/. Acesso em: 19 fev. 2025. Adaptado.
Considere a seguinte passagem do texto: “Daí, planejar é um ótimo start para nossas realizações, mas não garante que tudo aquilo sairá do papel. Menos ainda conforme o planejado.” Tendo em vista o contexto em que foi empregada, infere-se que a palavra “start” foi usada com sentido de
- A)aspecto.
- B)começo.
- C)desejo.
- D)objetivo.
- E)requisito.
C18Pref. Morro da Garça/MG 2025
O que fazer para suportar essa tal felicidade? Um dia me fizeram a pergunta: “Você é sempre assim, insuportavelmente feliz?”. Confesso que fiquei sem ação. Naquele momento não consegui encontrar uma resposta, pois na minha cabeça eu precisava ainda definir: O que seria ser feliz? Qual seria o peso do advérbio sempre? Insuportável para quem? Na hora só consegui pedir desculpas. Sim, me desculpei por parecer feliz e até insuportável. Para minha sorte, a ausência dessa resposta não pesou no resultado da entrevista. Entrevista? Exatamente. Essa dúvida quanto ao meu estado constante de felicidade aconteceu no meio de um processo seletivo para uma grande empresa. Apesar de não encontrar a resposta, eu fui contratada. Agora, depois de tantos anos, essa pergunta voltou a ressoar em minha mente e resolvi, então, tentar entender as suas partes. Sou avessa aos determinismos e reducionismos quando se tratam de fenômenos existenciais humanos. Palavras como “sempre” e “nunca” nos aprisionam a uma condição imutável e de permanência. E nos impedem de transitar pelo “quase” ou pelo “talvez”, que nos permitem a dúvida, a crise, a possibilidade de escolher novos caminhos e provocar a mudança. Definitivamente o “sempre” não me representa. No insuportável, evidencia-se o peso da subjetividade. Assim como a dor, o nível de tolerância acontecerá a partir do conteúdo interno de cada um, bem como o impacto que isso gera. De fato, não podemos nos culpar pelo outro não se sentir à vontade com a nossa suposta felicidade. [...] Com alguns anos de atraso, encontrei a resposta. Se a felicidade está na tomada de consciência de que não existe um estado de permanência e as oscilações acontecem e fazem parte irremediável da existência, sim, eu sou feliz! Se a felicidade é sentir a minha humanidade, me permitir chorar nas adversidades, rir ou chorar de alegria, e sorrir quando dou de cara com um novo desafio, sim, eu sou feliz! Se a felicidade é ter uma relação familiar e com amigos, onde cuidamos para que uma convivência de respeito seja a prioridade, apesar das diferenças, sim, eu sou feliz! Se a felicidade é me permitir o silêncio e as pausas necessárias para que eu possa me escutar e organizar as minhas ideias, mesmo que por alguns minutos, sim, eu sou feliz! Se a felicidade está em viver a fé, exercitando a prática do bem, sim, eu sou feliz! Se a felicidade é um projeto de vida que exige escolhas e ação, sim, eu sou feliz! Portanto, a felicidade não é uma estética. Não está no sorriso. Está no sentir e no sentido que encontramos para viver, mesmo quando as lágrimas se manifestam. Acredito que a felicidade está em encontrarmos espaços que nos comportem, nos ampliem e não mais tentar entrar em lugares que nos reduzam, porque se é para ser, que sejamos inteiros e de verdade. Fonte: MORAIS, Elizabeth dos Santos. O que fazer para suportar essa tal felicidade? Disponível em: vidasimples.co/voce-simples/. Acesso em: 18 abr. 2025. Adaptado.
Tendo em vista, inclusive o segundo parágrafo do texto, a autora afirma que foi contratada pela empresa
- A)por parecer uma pessoa sempre infeliz.
- B)por parecer uma pessoa quase feliz.
- C)por parecer uma pessoa sempre feliz.
- D)apesar de parecer insuportavelmente feliz.
- E)apesar de parecer uma pessoa infeliz.
C19Pref. Cristalina/GO 2023
É costume que a gente ouça sobre a importância da prática de um exercício físico regularmente. Os benefícios apontados não são poucos. Vão desde a melhora do condicionamento físico, passando pelos impactos positivos na saúde mental e na prevenção de doenças como diabetes e hipertensão, comuns na vida dos brasileiros. Assim, estar em contato com um esporte ou atividade física regular nos traz bons resultados – físicos e psicológicos – e também nos conecta com o mundo e com a gente mesmo. Isso acaba se tornando um caminho para alinhar seus objetivos ao seu planejamento do cotidiano. Apesar das vantagens, 47% dos brasileiros são sedentários, e esse número cresce na faixa etária mais jovem, pois apenas 16% das pessoas nesse grupo praticam algum tipo de exercício. Se você está nesse grupo – assim como eu, admito (faz três meses que não pratico atividade física regularmente) [...] que tal “virar a chave” e sair daqui com os planos para 2023? Disponível em: https://vidasimples.com. Acesso em: 28 jan. 2023. Adaptado.
A referida expressão “virar a chave” comprova o uso da linguagem
- A)literal.
- B)pejorativa.
- C)metafórica.
- D)irônica.
- E)denotativa.
C20Pref. Pirapora/MG (ESF) 2024
A metamorfose Luís Fernando Veríssimo Uma barata acordou um dia e viu que tinha se transformado num ser humano. Começou a mexer suas patas e viu que só tinha quatro, que eram grandes e pesadas e de articulação difícil. Não tinha mais antenas. Quis emitir um som de surpresa e sem querer deu um grunhido. As outras baratas fugiram aterrorizadas para trás do móvel. Ela quis segui- las, mas não coube atrás do móvel. O seu segundo pensamento foi: “Que horrorQ Preciso acabar com essas baratasQ” Pensar, para a ex-barata, era uma novidade. Antigamente ela seguia seu instinto. Agora precisava raciocinar. Fez uma espécie de manto com a cortina da sala para cobrir sua nudez. Saiu pela casa e encontrou um armário num quarto, e nele, roupa de baixo e um vestido. Olhou-se no espelho e achou-se bonita. Para uma ex-barata. Maquiou-se. Todas as baratas são iguais, mas as mulheres precisam realçar sua personalidade. Adotou um nome: Vandirene. Mais tarde descobriu que só um nome não bastava. A que classe pertencia?Q Tinha educação?Q. Referências?Q Conseguiu a muito custo um emprego como faxineira. Sua experiência de barata lhe dava acesso a sujeiras mal suspeitadas. Era uma boa faxineira. Difícil era ser genteQ Precisava comprar comida e o dinheiro não chegava. As baratas se acasalam num roçar de antenas, mas os seres humanos não. Conhecem-se, namoram, brigam, fazem as pazes, resolvem se casar, hesitam. Será que o dinheiro vai dar? Conseguir casa, móveis, eletrodomésticos, roupa de cama, mesa e banho. Vandirene casou-se, teve filhos. Lutou muito, coitada. Filas no Instituto Nacional de Previdência Social. Pouco leite. O marido desempregadoQ Finalmente acertou na loteria. Quase quatro milhões! Entre as baratas ter ou não ter quatro milhões não faz diferença. Mas Vandirene mudou. Empregou o dinheiro. Mudou de bairro. Comprou casa. Passou a vestir bem, a comer bem, a cuidar onde põe o pronome. Subiu de classe. Contratou babás e entrou na Pontifícia Universidade Católica. Vandirene acordou um dia e viu que tinha se transformado em barata. Seu penúltimo pensamento humano foi: “Meu Deus!Q A casa foi dedetizada há dois dias!Q”. Seu último pensamento humano foi para seu dinheiro rendendo na financeira e que o safado do marido, seu herdeiro legal, o usaria. Depois desceu pelo pé da cama e correu para trás de um móvel. Não pensava mais em nada. Era puro instinto. Morreu cinco minutos depois, mas foram os cinco minutos mais felizes de sua vida. Disponível em: https://www.culturagenial.com/cronicas-engracadas-de-luis-fernando-verissimo-comentadas/. Acesso em: 20 fev. 2024. Adaptado.
Analise as afirmativas tendo em vista as ideias veiculadas no texto. I. O ato de pensar traz demandas complexas à vida das pessoas. II. A capacidade de raciocinar é sempre facilitadora e libertadora. III. O cotidiano das pessoas é livre de preocupações e obrigações. IV. A questão financeira é uma preocupação na vida das pessoas. V. O ato de pensar pode ser o causador de angústia e sofrimento. Estão CORRETAS as alternativas
- A)I, II e III, apenas.
- B)I, IV e V, apenas.
- C)II, III e IV, apenas.
- D)II, III e V, apenas.
- E)III, IV e V, apenas.
C21Pref. Montes Claros/MG 2024
O mundo precisa da sua originalidade – e você também Patrícia Cotton A palavra alemã Zeitgeist insinua que somos afetados – ou até mesmo assombrados – pelo espírito do tempo em que vivemos. Esse “fantasma” dá o tom do nosso ambiente cultural e intelectual, e sobretudo das nossas escolhas. O tempo seria uma espécie de molde que torna impossível o exercício pleno da originalidade. E na contemporaneidade isso tem se tornado ainda mais agudo. Fórmulas prontas nos levam a crer que o visível, o recorrente e o seguro são o mesmo que “sucesso”. Padrões de comunicação, de estética, de mentalidade política, de gestão e de autoprodutização apostam cada vez mais na previsibilidade anticancelamento, asfixiando o pioneirismo e a criatividade. Estamos, afinal, perdendo a capacidade de ser originais? Sendo uma exímia voyer digital, venho notando há alguns anos certos modelos se cristalizando. Postar fotos com o date, por exemplo, virou o novo anel de compromisso. Estudos, refeições, férias, mudanças de trabalho, e até mesmo malhação – outrora aspectos naturais da existência – tornaram-se extraordinários (uma vez publicados, claro). A espetacularização permanente de quase tudo virou uma espécie de “prova de vida” do INSS. Uma vibe na linha de “mãe, olha o desenho que eu fiz!”. Dando uma de Analista de Bagé, parece que o silêncio (digital) virou sinal de que as coisas, enfim, vão bem. Falando da nossa realidade analógica, somos fruto de um momento de inspiração original dos nossos pais. Digitais, DNA e voz comprovam a nossa singularidade estrutural, nossa gênese inquestionável. Originalidade, por este prisma, é um bem democrático, já que a única coisa que não pode ser copiada é justamente você. Se irá aproveitar isso ou não, é outra história. Fato é: o esquecimento deste ativo que é a singularidade nos distancia não apenas de nós mesmos, mas de compor o todo de uma comunidade diversa. [...] Ao seguir hábitos e padrões de forma irrefletida, indivíduos e negócios vão se tornando muito mais objeto do que sujeito de suas ações. Abatidos pelo Zeitgeist e pela autoconsciência anêmica, fica cada vez mais difícil surpreender. Parece, inclusive, que foi em outra vida que o mote “pense diferente”, da Apple, teve algum valor. Estamos cada vez menos originais, viciados em benchmarks, engajamentos e teses de investimento que trazem supostas garantias. Paradoxalmente, nunca precisamos tanto da originalidade para enfrentar os problemas complexos e inéditos que temos vivenciado coletivamente. E também para a autorrealização individual. O tópico da autorrealização me faz lembrar que, por muito tempo, acreditei que ser acessível era ser comprometida, sobretudo profissionalmente. À luz disso, me viciei em um “crackberry” (gíria que se refere à natureza viciante dos smartphones BlackBerry, que eram conhecidos por suas ferramentas eficientes de e-mail, mensagens e produtividade) como instrumento de trabalho. Na época, achava natural que aquele aparelho fosse minha extensão, sem me dar conta dessa perigosa simbiose. Durante um autoexperimento de mudança, em que fiquei quase um ano sem celular, tive o melhor e mais transformador período da minha vida. Desde então, cultivo uma comunicação ecológica, fora da “whatsApplândia” e afins. Sua suposta conveniência jamais me convenceu, e a vida “semioffline” segue trazendo bons frutos, apesar de todas as reclamações, controvérsias e perdas que conscientemente enfrento. O que muitos denominam de loucura, aprendi a chamar de originalidade. Encontrar o próprio caminho original não é fácil, mas certamente é mais interessante que o consumo irrestrito de clichês e benchmarks. Ser original é trabalhar na margem de manobra entre o espírito do tempo que nos influencia, e o que é de alcance consciente. É entender que destino é também – mas não só – origem. É expressar a essência na existência através de escolhas corajosamente autênticas. É ser subversivo, fazer algo que ainda não foi imaginado. E pagar os eventuais pedágios com um discreto sorriso de Monalisa no rosto. Disponível em: https://vidasimples.com/. Acesso em: 22 maio 2024. Adaptado.
Tendo em vista a construção do texto, verifica-se I - uso reiterado de estrangeirismos. II - diferentes usos das aspas. III - uso de citação direta. IV - frequente uso de arcaísmos. V - uso de neologismos. Estão CORRETOS os itens
- A)I, III e V, apenas.
- B)II, III, IV e V, apenas.
- C)II, IV e V, apenas.
- D)III, IV e V, apenas.
- E)I, II, III e V, apenas.
C22Pref. Santo Hipólito/MG 2024
Você lembra quando não existia internet? Rossandro Klinjey Para aqueles que se lembram dos dias em que conversas espontâneas em lojas e sorrisos não solicitados eram a norma, a era pré-smartphone, quando a internet ainda era apenas um sonho, foi mágica. Se o auge da sua infância envolvia ouvir sua mãe gritando na rua: “tá na hora do jantar”, ou inventar aventuras apenas com sua imaginação, você provavelmente nutre uma relação de amor e ódio com seu “telefone inteligente”, esse dispositivo maravilhoso com conexão à internet que nos permite andar em cidades que não conhecemos, pedir comida ou comprar roupa com um clique. Enfim, como sobrevivíamos sem Waze e o delivery? E, sim, eles podem encontrar quase tudo para nós, de um novo amor a uma refeição saborosa. Mas, por mais que tentem, ainda não conseguem substituir um abraço caloroso. Muito menos uma conversa olho no olho, ou entender as sutilezas do coração humano. Um brinde à ironia de um mundo onde podemos estar a um clique de tudo, exceto da genuína conexão entre gente de verdade. Com a ascensão dos smartphones e das redes sociais, ultrapassamos as barreiras de tempo e espaço, inclusive na internet, reconectando-nos com amigos de infância, colegas de escola e parentes em outros países em tempo real. É uma viagem incrível quebrar as limitações do relógio e da geografia com apenas um toque. Quem poderia resistir a tal fascínio? Em seguida, veio o feed infinito das redes sociais pronto para entregar elevadas doses de dopamina e satisfazer a cada um de nós, fornecendo exatamente o que desejávamos naquele momento. [...] E assim ficamos presos, quase acreditando que havíamos perdido a capacidade de retornar à nossa humanidade. Agora, começamos a compreender esse dilema. Na busca por experiências externas, desvalorizamos a convivência íntima, aquela que nos permite crescer e dar sentido à nossa vida. Não por acaso, atualmente, observa-se uma busca por reconexão com o mundo real, uma tentativa de compensar o empobrecimento dos nossos relacionamentos, que se tornaram superficiais. Que venham esses novos/velhos tempos, e que venham logo, pois é estando presente que a gente vive o melhor de nós. Disponível em: https://vidasimples.co/colunista/voce-lembra-quando-nao-existia-internet/. Acesso em: 30 set. 2024. Adaptado.
Considere a seguinte passagem do texto: “Um brinde à ironia de um mundo onde podemos estar a um clique de tudo, exceto da genuína conexão entre gente de verdade.” A ironia a que essa passagem se refere é o fato de a internet
- A)facilitar a conexão das pessoas no mundo virtual, visto que essa conexão é impossível no mundo real.
- B)facilitar o acesso das pessoas ao que elas precisam e à verdadeira relação entre as pessoas.
- C)facilitar o acesso das pessoas ao que elas precisam e dificultar a verdadeira relação entre as pessoas.
- D)permitir que as pessoas vivam o presente e se libertem, definitivamente, do que viveram no passado.
- E)possibilitar a valorização das relações verdadeiras e a desvalorização daquelas que são superficiais.
C23Pref. Santo Hipólito/MG 2024
Você lembra quando não existia internet? Rossandro Klinjey Para aqueles que se lembram dos dias em que conversas espontâneas em lojas e sorrisos não solicitados eram a norma, a era pré-smartphone, quando a internet ainda era apenas um sonho, foi mágica. Se o auge da sua infância envolvia ouvir sua mãe gritando na rua: “tá na hora do jantar”, ou inventar aventuras apenas com sua imaginação, você provavelmente nutre uma relação de amor e ódio com seu “telefone inteligente”, esse dispositivo maravilhoso com conexão à internet que nos permite andar em cidades que não conhecemos, pedir comida ou comprar roupa com um clique. Enfim, como sobrevivíamos sem Waze e o delivery? E, sim, eles podem encontrar quase tudo para nós, de um novo amor a uma refeição saborosa. Mas, por mais que tentem, ainda não conseguem substituir um abraço caloroso. Muito menos uma conversa olho no olho, ou entender as sutilezas do coração humano. Um brinde à ironia de um mundo onde podemos estar a um clique de tudo, exceto da genuína conexão entre gente de verdade. Com a ascensão dos smartphones e das redes sociais, ultrapassamos as barreiras de tempo e espaço, inclusive na internet, reconectando-nos com amigos de infância, colegas de escola e parentes em outros países em tempo real. É uma viagem incrível quebrar as limitações do relógio e da geografia com apenas um toque. Quem poderia resistir a tal fascínio? Em seguida, veio o feed infinito das redes sociais pronto para entregar elevadas doses de dopamina e satisfazer a cada um de nós, fornecendo exatamente o que desejávamos naquele momento. [...] E assim ficamos presos, quase acreditando que havíamos perdido a capacidade de retornar à nossa humanidade. Agora, começamos a compreender esse dilema. Na busca por experiências externas, desvalorizamos a convivência íntima, aquela que nos permite crescer e dar sentido à nossa vida. Não por acaso, atualmente, observa-se uma busca por reconexão com o mundo real, uma tentativa de compensar o empobrecimento dos nossos relacionamentos, que se tornaram superficiais. Que venham esses novos/velhos tempos, e que venham logo, pois é estando presente que a gente vive o melhor de nós. Disponível em: https://vidasimples.co/colunista/voce-lembra-quando-nao-existia-internet/. Acesso em: 30 set. 2024. Adaptado.
Analise as afirmativas tendo em vista as ideias que se podem inferir sobre o texto. I- As pessoas que não conviveram com o smartphone na infância, hoje, não se acostumam a conviver com ele. II- As facilidades trazidas pela internet são inegáveis, todavia ela não consegue substituir a interação face a face. III- A internet trouxe mais malefícios que benefícios à sociedade, por esse motivo ela deve ser, a todo custo, evitada. IV- A internet trouxe muitos benefícios à vida das pessoas, mas prejudicou sobremaneira as relações interpessoais. V- As pessoas estão buscando se reconectarem com o mundo real, para dirimirem a superficialidade do mundo virtual. Estão CORRETAS as afirmativas
- A)I, II e III, apenas.
- B)I, III e V, apenas.
- C)II, III e IV, apenas.
- D)II, IV e V, apenas.
- E)III, IV e V, apenas.
C24Pref. Várzea da Palma/MG (auxiliar) 2024
A solidão amiga Rubem Alves A noite chegou, o trabalho acabou, é hora de voltar para casa. Lar, doce lar? Mas a casa está escura, a televisão apagada e tudo é silêncio. Ninguém para abrir a porta, ninguém à espera. Você está só. Vem a tristeza da solidão... O que mais você deseja é não estar em solidão... Mas deixa que eu lhe diga: sua tristeza não vem da solidão. Vem das fantasias que surgem na solidão. Lembro-me de um jovem que amava a solidão: ficar sozinho, ler, ouvir, música... Assim, aos sábados, ele se preparava para uma noite de solidão feliz. Mas bastava que ele se assentasse para que as fantasias surgissem. Cenas. De um lado, amigos em festas felizes, em meio ao falatório, os risos, a cervejinha. Aí a cena se alterava: ele, sozinho naquela sala. Com certeza ninguém estava se lembrando dele. Naquela festa feliz, quem se lembraria dele? E aí a tristeza entrava e ele não mais podia curtir a sua amiga solidão. O remédio era sair, encontrar-se com a turma para encontrar a alegria da festa. Vestia-se, saía, ia para a festa... Mas na festa ele percebia que festas reais não são iguais às festas imaginadas. Era um desencontro, uma impossibilidade de compartilhar as coisas da sua solidão... A noite estava perdida [...]. Disponível em: https://www.pensador.com/rubemalvestextos/. Acesso em: 14 abr. 2024. Adaptado.
Analise as afirmativas, tendo em vista as ideias que se podem inferir do texto. I- É um engano pensar que a tristeza advém do fato de se estar sozinho em casa. II- A tristeza de quem está só advém da ideia de que os outros estão se divertindo. III- Há pessoas que se divertem e fazem aquilo de que gostam mesmo estando sós. IV- É necessário vencer a solidão buscando sair, encontrar os amigos e ir às festas. V- A tristeza pode ser causada pelo que se imagina ser e não pelo que, de fato, é. Estão CORRETAS as afirmativas
- A)I, II, III e IV, apenas.
- B)I, II e IV, apenas.
- C)I, II, III e V, apenas.
- D)II, III e IV, apenas.
- E)III, IV e V, apenas.
1.7 Gabarito comentado
P1inédita · pré-testeResposta: C
- A: Generaliza a possibilidade de solicitação para todos os moradores.
- B: Contradiz a realização anunciada no posto central.
- D: Acrescenta funcionamento diário não informado.
- E: Inventa uma finalidade exclusiva para o telefone.
P2inédita · pré-testeResposta: B
- A: Confunde discrição com descrição, parônimo de outro sentido.
- C: A frase não trata de repartir tarefas.
- D: Não há referência a uma decisão final.
- E: Discordância não corresponde à reserva solicitada.
P3inédita · pré-testeResposta: C
- A: Contém o dÃgrafo rr, não ch.
- B: O grupo bl representa dois fonemas consonantais.
- D: O grupo pr representa dois fonemas consonantais.
- E: O grupo pi apresenta sons distintos, sem dÃgrafo ch.
F1inéditaResposta: D
- A: Não existe regra geral de acentuar toda forma terminada em e.
- B: O sujeito não determina esse acento diferencial.
- C: A afirmação generaliza indevidamente regras de hiato.
- E: “Ontem” não impõe acento ao verbo; o contraste é temporal e lexical.
F2inéditaResposta: E
- A: Redução de horário não significa encerramento do atendimento.
- B: A mudança de prédio não aparece no comunicado.
- C: A frase informa alteração, não manutenção integral da rotina.
- D: Não há restrição a urgências no texto.
F3inéditaResposta: B
- A: Redução de horário não significa encerramento do atendimento.
- C: A mudança de prédio não aparece no comunicado.
- D: A frase informa alteração, não manutenção integral da rotina.
- E: Não há restrição a urgências no texto.
F4inéditaResposta: A
- B: Mantém as vogais do hiato na mesma sÃlaba.
- C: Separa indevidamente a consoante d da vogal seguinte.
- D: Separa a consoante inicial da sÃlaba.
- E: Acrescenta letra inexistente na palavra.
F5inéditaResposta: C
- A: Ideia não recebe acento agudo após o Acordo Ortográfico.
- B: A combinação de tempos está incompatÃvel: pôde é passado e ontem não combina com pode no presente.
- D: Voo perdeu o circunflexo.
- E: Assembleia não recebe acento agudo.
C1cadernoResposta: E
A alternativa E está correta: o texto combina fala direta, marcas subjetivas, perguntas, linguagem figurada e passagens denotativas, como a referência concreta ao processo seletivo.
Fonte: Pref. Morro da Garça/MG 2025
C2cadernoResposta: A
A alternativa A está correta: a metamorfose se apresenta já na transformação inicial da barata em ser humano, passagem que corresponde diretamente à mudança indicada pelo título.
Fonte: Pref. Pirapora/MG (ESF) 2024
C3cadernoResposta: E
A alternativa E está correta: as cinco afirmações encontram apoio no texto, que critica padrões atuais, descreve a exposição do cotidiano e associa a singularidade à diversidade.
Fonte: Pref. Montes Claros/MG 2024
C4cadernoResposta: A
A alternativa A está correta: o texto usa sentidos figurados e literais, expressões coloquiais, estrangeirismos como feed e smartphone e avaliações pessoais que revelam subjetividade.
Fonte: Pref. Santo Hipólito/MG 2024
C5cadernoResposta: C
A alternativa C está correta: a autora relaciona maturidade à revisão das metas, associa desrespeito aos limites à ansiedade e afirma que há pouco controle sobre os acontecimentos.
Fonte: Pref. Ubaí/MG 2024
C6cadernoResposta: E
A alternativa E está correta: “virar a chave” é uma metáfora para mudar de atitude e iniciar uma nova etapa, não uma ação literal sobre uma chave.
Fonte: Pref. Cristalina/GO 2023
C7cadernoResposta: E
A alternativa E está correta: “mas” introduz oposição entre a tristeza inicialmente associada à solidão e a explicação do narrador, que a atribui às fantasias.
Fonte: Pref. Várzea da Palma/MG (auxiliar) 2024
C8cadernoResposta: B
A alternativa B está correta: “corriqueiras” significa usuais ou habituais; “raras” expressa sentido contrário ao empregado no texto.
Fonte: Pref. Dores de Guanhães/MG 2022
C9cadernoResposta: D
A alternativa D está correta: a crônica contrapõe a esperteza à sensibilidade e sugere que quem parece bobo pode demonstrar sabedoria e aproveitar a vida.
Fonte: Pref. Unaí/MG 2023
C10cadernoResposta: A
A alternativa A está correta: o texto associa a perda de originalidade a clichês, moldes e práticas artificiais, enquanto autorrealização e individualidade aparecem como valores positivos.
Fonte: Pref. Montes Claros/MG 2024
C11cadernoResposta: A
A alternativa A está correta: o texto descreve intoxicação informacional, angústia e dificuldade de absorver conteúdos; não defende assimilação consistente nem diálogo como consequência do excesso.
Fonte: Pref. Santa Fé de Minas/MG 2021
C12cadernoResposta: D
A alternativa D está correta: no contexto, dopamina é associada à recompensa e à sensação prazerosa que o feed oferece, vinculada à motivação e ao prazer.
Fonte: Pref. Santo Hipólito/MG 2024
C13cadernoResposta: A
A alternativa A está correta: a autora reconhece que a felicidade pode incomodar alguém, varia conforme a subjetividade e envolve oscilações, não permanência absoluta.
Fonte: Pref. Morro da Garça/MG 2025
C14cadernoResposta: D
A alternativa D está correta: “mal suspeitadas” indica sujeiras pouco percebidas ou difíceis de notar, sentido confirmado pela experiência da personagem como faxineira.
Fonte: Pref. Pirapora/MG (ESF) 2024
C15cadernoResposta: D
A alternativa D está correta: “voyer digital” é explicado pelo contexto em que a autora observa modelos e comportamentos nas redes, portanto equivale a observadora.
Fonte: Pref. Montes Claros/MG 2024
C16cadernoResposta: B
A alternativa B está correta: a autora inclui convivência respeitosa, pausas para reflexão e escolhas acompanhadas de ação entre os sentidos que atribui à felicidade.
Fonte: Pref. Morro da Garça/MG 2025
C17cadernoResposta: B
A alternativa B está correta: no contexto, “start” significa começo ou ponto de partida; planejar inicia o processo, mas não garante sua realização.
Fonte: Pref. Ubaí/MG 2024
C18cadernoResposta: D
A alternativa D está correta: o texto relata que a autora foi contratada apesar da pergunta sobre parecer insuportavelmente feliz; a contratação não decorreu de parecer infeliz.
Fonte: Pref. Morro da Garça/MG 2025
C19cadernoResposta: C
A alternativa C está correta: “virar a chave” não descreve uma ação literal; a expressão representa uma mudança de atitude, portanto tem sentido metafórico.
Fonte: Pref. Cristalina/GO 2023
C20cadernoResposta: B
A alternativa B está correta: o texto mostra que pensar pode trazer preocupações financeiras e angústia; também apresenta a luta cotidiana e não diz que raciocinar sempre liberta.
Fonte: Pref. Pirapora/MG (ESF) 2024
C21cadernoResposta: E
A alternativa E está correta: o texto emprega estrangeirismos, aspas com diferentes funções, fala citada e neologismos como “whatsApplândia”; não há uso frequente de arcaísmos.
Fonte: Pref. Montes Claros/MG 2024
C22cadernoResposta: C
A alternativa C está correta: o texto reconhece a facilidade de acesso proporcionada pela internet, mas contrapõe esse benefício à dificuldade de manter conexões humanas genuínas.
Fonte: Pref. Santo Hipólito/MG 2024
C23cadernoResposta: D
A alternativa D está correta: o autor reconhece benefícios, aponta prejuízo às relações e menciona a busca atual por reconexão com o mundo real para enfrentar a superficialidade.
Fonte: Pref. Santo Hipólito/MG 2024
C24cadernoResposta: C
A alternativa C está correta: o texto sustenta que a fantasia de estar excluído alimenta a tristeza e que algumas pessoas apreciam ficar sós; não recomenda festas como solução necessária.
Fonte: Pref. Várzea da Palma/MG (auxiliar) 2024
1.8 Revisão relâmpago e mapa de revisão
- Localize no texto a evidência que sustenta cada resposta.
- Inferência combina pistas; extrapolação acrescenta informação sem apoio.
- Gráfico exige leitura de título, legenda, escala e unidade.
- Sinônimos são aproximados e dependem do contexto.
- Polissemia é a multiplicidade de sentidos de uma mesma forma.
- Hiato separa vogais em sílabas diferentes.
- Todas as proparoxítonas são acentuadas.
- O Acordo retirou acentos de ideia e voo, mas não de herói.
Mapa de revisão
Reveja este capítulo em 1, 7 e 30 dias.
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