Matéria 01
Língua Portuguesa
O que o edital pede nesta matéria
- 1Compreensão, interpretação e gêneros textuais: compreensão, análise e interpretação de textos de diferentes gêneros, com identificação de informações explícitas e implícitas, inferências, pressupostos, subentendidos e efeitos de sentido.
- 2Reconhecimento de tipos e gêneros textuais, suas características, finalidades, funções e usos sociais.
- 3Funções da linguagem e figuras de linguagem: funções da linguagem.
- 4Figuras de linguagem e seus efeitos expressivos.
- 5Coesão e coerência textual: mecanismos de coesão: referenciação, substituição, repetição, elipse, conectividade e progressão textual.
- 6Elementos de referenciação e sequenciação.
- 7Relações de sentido estabelecidas por conectivos e operadores argumentativos.
- 8Ortografia e acentuação: ortografia oficial.
- 9Acentuação gráfica.
- 10Uso dos porquês.
- 11Morfologia: estrutura e formação de palavras: derivação e composição.
- 12Classes de palavras: substantivo, artigo, adjetivo, pronome, numeral, verbo, advérbio, preposição, conjunção e interjeição.
- 13Valores morfológicos, sintáticos e semânticos das classes de palavras.
- 14Emprego de tempos e modos verbais e seus efeitos de sentido.
- 15Sintaxe: estrutura morfossintática do período.
- 16Termos essenciais, integrantes e acessórios da oração.
- 17Período simples e composto.
- 18Relações de coordenação e subordinação entre orações e entre termos da oração.
- 19Relações sintático-semânticas no período.
- 20Concordância verbal e nominal.
- 21Regência verbal e nominal.
- 22Emprego do sinal indicativo de crase.
- 23Colocação dos pronomes átonos.
- 24Emprego dos sinais de pontuação e seus efeitos sintáticos e semânticos.
- 25Semântica: sentido conotativo e denotativo.
- 26Significação das palavras no texto: sinônimos, antônimos, hipônimos, hiperônimos, polissemia e ambiguidade.
- 27Efeitos de sentido produzidos por escolhas lexicais, construções sintáticas e recursos de coesão.
- 28Reescrita textual: substituição de palavras, expressões ou trechos, considerando equivalência de sentido, correção gramatical e adequação ao contexto.
- 29Reorganização da estrutura de orações e períodos, preservando-se ou alterando-se relações sintáticas e semânticas.
- 30Reescrita de frases e parágrafos, com manutenção da correção gramatical, da coerência e do sentido.
- 31Reescrita de textos de diferentes gêneros e níveis de formalidade.
- 32Variação linguística: norma- padrão e adequação da linguagem às situações de comunicação.
Língua Portuguesa · Capítulo 1
Compreensão, interpretação e efeitos de sentidoTipos e gêneros textuaisFunções da linguagemFiguras de linguagem e efeitos expressivos
Itens do edital:
- 1. Compreensão, interpretação e gêneros textuais: compreensão, análise e interpretação de textos de diferentes gêneros, com identificação de informações explícitas e implícitas, inferências, pressupostos, subentendidos e efeitos de sentido.
- 2. Reconhecimento de tipos e gêneros textuais, suas características, finalidades, funções e usos sociais.
- 3. Funções da linguagem e figuras de linguagem: funções da linguagem.
- 4. Figuras de linguagem e seus efeitos expressivos.
1.1 Pré-teste
Responda antes de ler a teoria. O gabarito está no fim do capítulo.
P1inédita
Na frase “Ana deixou de fumar”, qual informação é pressuposta, isto é, tratada como já sabida?
- A)Ana fumava antes de deixar o cigarro.
- B)Ana vai voltar a fumar no futuro.
- C)Ana nunca fumou na vida.
- D)Ana não gosta de cigarro há muito tempo.
- E)Ana continua fumando e pretende parar.
P2inédita
Um texto que orienta o leitor a montar um móvel por meio de passos numerados, com verbos no imperativo ou no infinitivo, tem como tipo predominante:
- A)dissertação, porque defende um ponto de vista sobre móveis.
- B)descrição, porque apresenta as peças do móvel.
- C)narração, porque relata a montagem de um móvel já pronto.
- D)narração, porque conta uma sequência de ações.
- E)injunção, porque orienta a ação do leitor.
P3inédita
Na placa “Não ultrapasse a faixa amarela”, a função da linguagem predominante é:
- A)referencial, porque informa um dado objetivo sobre a estrada.
- B)conativa, porque quer provocar uma ação do motorista.
- C)fática, porque verifica se a comunicação está funcionando.
- D)poética, porque chama a atenção pela forma da mensagem.
- E)emotiva, porque revela o sentimento de quem escreveu.
1.2 O que cai
- 1. Compreensão, interpretação e gêneros textuais: compreensão, análise e interpretação de textos de diferentes gêneros, com identificação de informações explícitas e implícitas, inferências, pressupostos, subentendidos e efeitos de sentido: 975 questões da banca, 2018–2026
- 2. Reconhecimento de tipos e gêneros textuais, suas características, finalidades, funções e usos sociais: 288 questões da banca, 2018–2026
- 3. Funções da linguagem e figuras de linguagem: funções da linguagem: 44 questões da banca, 2022–2026
- 4. Figuras de linguagem e seus efeitos expressivos: 70 questões da banca, 2021–2026
1.3 Teoria
Compreensão, gêneros textuais, funções da linguagem e figuras de linguagem são a base de todas as questões de interpretação de texto da prova de Língua Portuguesa. Quem entende o mecanismo de cada escolha de linguagem acerta sem depender de memorizar listas.
1.3.1 Compreensão, interpretação e efeitos de sentido
Compreender um texto é entender o que ele diz. Interpretar é ir além: entender o que ele quer dizer, o que se conclui a partir dele e como o leitor deve tomar cada escolha de linguagem. A prova cobra essas duas operações, e a maioria das questões erradas nasce de uma confusão entre elas: o candidato responde com o que acha, e não com o que o texto autoriza.
Informação explícita e implícita
A informação explícita está na letra do texto. Se um aviso diz que o protocolo atende das 8h às 12h, o horário está explícito, e a resposta pode ser localizada e copiada. A informação implícita não está escrita, mas se deduz de pistas. Um aviso que diz que o setor fechará na sexta-feira, sem falar de feriado, deixa implícito que o fechamento tem alguma razão, e o candidato só chega a ela se o texto der pistas suficientes.
Explícito e implícito não são graus de dificuldade. Uma alternativa pode estar errada porque afirma algo que não está no texto, mesmo que pareça lógica. Essa é a armadilha mais comum: a alternativa soa razoável, mas o texto não a sustenta.
Inferência: conclusão que o texto autoriza
Inferir é chegar a uma conclusão a partir de elementos do texto. A conclusão precisa ser a única, ou a mais provável, diante das pistas. Se o texto diz que o servidor chegou com a senha 150 e que o atendimento está na senha 98, a inferência é que o servidor ainda terá de esperar. Não se pode inferir que ele desistiu, porque o texto não traz essa pista.
Pressuposto e subentendido
O pressuposto é o que a frase dá como já sabido, e ele permanece mesmo quando a frase é negada. A frase Maria parou de fumar pressupõe que Maria fumava. Negar a frase, com Maria não parou de fumar, não elimina o pressuposto: ele continua valendo. Por isso o pressuposto é uma informação que o emissor trata como fato pacificado.
| Critério | Pressuposto | Subentendido |
|---|---|---|
| Permanece se a frase for negada? | Sim | Não necessariamente |
| Vem de onde? | Da própria construção da frase | Do contexto e da intenção de quem fala |
| Exemplo | Parou de fumar pressupõe que fumava | Uma ironia que sugere o contrário do que foi dito |
O subentendido depende do contexto. Quando um colega comenta, em tom irônico, que o relatório ficou ótimo, ele sugere que o relatório ficou ruim. Esse sentido não está na frase isolada, e sim na situação. A banca usa essa diferença para montar alternativas que trocam um pelo outro.
Efeito de sentido
Efeito de sentido é o impacto que uma escolha de linguagem produz no leitor: a ironia, o humor, a urgência de um aviso, a distância de um texto formal. O efeito é consequência da escolha, e a questão quer saber qual escolha produz qual efeito. Um aviso escrito em letras maiúsculas e com ponto de exclamação produz urgência, e não tranquilidade.
Erros típicos do candidato
O primeiro erro é responder com a opinião pessoal. Se o texto não afirma, a alternativa não pode ser marcada, mesmo que o candidato concorde com ela. O segundo é extrapolar: transformar uma informação parcial em regra geral. Alternativas com sempre, nunca ou todos costumam ser erradas quando o texto só fala de um caso. O terceiro é confundir tema com assunto: o assunto é do que o texto fala de forma geral; o tema é a ideia que o autor defende.
Como ler um texto para responder
Uma leitura em três etapas resolve a maioria das questões. Na primeira, leia o texto inteiro sem marcar nada, para captar o assunto e a intenção geral. Na segunda, releia cada alternativa e localize no texto a frase que a sustenta ou que a contradiz. Na terceira, observe se a alternativa não extrapola: se ela afirma mais do que o texto diz, está errada, mesmo que seja verdadeira fora do texto.
Essa última etapa separa quem acerta de quem chuta. Uma alternativa pode ser verdadeira no mundo e, ainda assim, errada na questão, porque a questão quer a informação do texto, e não o conhecimento geral do candidato.
Casos que a banca mais cobra
A banca cobra três situações com frequência. A primeira é a informação localizada em trecho específico, em que a alternativa correta reproduz a ideia com outras palavras. A segunda é a inferência de causa ou consequência a partir de um fato descrito, em que a alternativa correta é a mais provável, e não a única possível em teoria. A terceira é o efeito de sentido de uma palavra, como um adjetivo que suaviza ou reforça uma crítica.
Na prática, um aviso com Solicitamos a gentileza de aguardar pede espera de forma educada. Ele não diz que o atendimento vai demorar, mas o efeito é esse, e a alternativa que resume esse efeito costuma ser a correta.
Paráfrase e alternativa correta
A alternativa correta costuma parafrasear o texto. Se o texto diz o prazo se encerra na sexta-feira, a alternativa pode dizer o último dia para entregar é a sexta-feira. A paráfrase mantém a ideia e troca as palavras. A alternativa errada costuma trocar a ideia, mesmo mantendo algumas palavras do texto, e é aí que o candidato se perde ao procurar apenas palavras iguais.
Tom e intenção
Além do conteúdo, a questão pode perguntar a intenção do autor. Um texto que cita números, datas e fontes quer convencer pela razão. Um texto que usa adjetivos fortes e perguntas retóricas quer convencer pela emoção. Identificar essa estratégia ajuda a eliminar alternativas que atribuem ao autor uma intenção que ele não tem.
Exemplo resolvido
O aviso diz: O setor voltou a atender por senha no período da tarde. Qual pressuposto a frase traz?
- Localize a construção voltou a: ela indica repetição de uma ação.
- Repare que o setor atendia por senha antes e deixou de atender assim em algum momento.
- Resposta: a frase pressupõe que o setor já atendeu por senha no período da tarde antes, e que essa forma de atendimento havia sido interrompida.
Comparação
Pressuposto e subentendido
| Pressuposto | Subentendido |
|---|---|
| Permanece se a frase for negada | Vem da construção da frase |
| Vem da construção da frase | Depende de contexto e intenção |
| Trata o fato como já sabido | Sugere algo sem afirmar |
1.3.2 Tipos e gêneros textuais
Os textos se organizam de duas maneiras que a prova confunde: pelo tipo, que é a estrutura linguística predominante, e pelo gênero, que é a forma social com que o texto circula. Um gênero pode misturar vários tipos. Uma notícia, por exemplo, narra um fato, descreve um cenário e, às vezes, argumenta. O tipo predominante é o que se impõe no conjunto.
Os quatro tipos textuais
A narração apresenta fatos ligados a personagens, em uma sequência no tempo. Ela marca a passagem com verbos no pretérito e conectivos temporais. A descrição apresenta características de seres, lugares ou objetos, geralmente com adjetivos e verbos no presente ou no imperfeito. A dissertação expõe ideias ou defende um ponto de vista com argumentos, e usa conectivos de causa, consequência e oposição. A injunção dá instruções ou ordens, com verbos no imperativo ou no infinitivo, e aparece em receitas, bulas e manuais.
| Tipo | Função principal | Marca típica |
|---|---|---|
| Narração | Contar fatos no tempo | Verbos no passado, sequência de ações |
| Descrição | Caracterizar seres e lugares | Adjetivos e detalhes sensoriais |
| Dissertação | Expor e argumentar ideias | Conectivos de causa, consequência e oposição |
| Injunção | Orientar a ação do leitor | Verbos no imperativo, passos numerados |
Os gêneros e seus usos sociais
O gênero é definido pela finalidade e pelo uso social. Uma carta de apresentação serve para se apresentar a alguém; um e-mail de cobrança serve para lembrar um pagamento; uma bula serve para orientar sobre um medicamento; uma notícia serve para informar um fato de interesse público; um artigo de opinião serve para defender um ponto de vista; uma charge serve para criticar com humor um acontecimento. Cada gênero circula em um suporte próprio, para um leitor esperado.
| Gênero | Finalidade | Tipo predominante |
|---|---|---|
| Notícia | Informar um fato | Narração |
| Bula | Orientar o uso de um medicamento | Injunção |
| Artigo de opinião | Defender um ponto de vista | Dissertação |
| Receita culinária | Ensinar um preparo | Injunção |
A prova costuma pedir o tipo predominante de um trecho, e o gênero a que ele pertence. São perguntas diferentes: no primeiro caso, observe a estrutura; no segundo, observe a finalidade e o suporte.
Quando um texto muda de tipo
Um texto pode mudar de tipo no meio. Uma notícia que começa narrando um acidente pode, em um trecho, descrever o local e, em outro, explicar as causas. O que importa é o tipo que domina a maior parte do texto e a finalidade do gênero. Se um trecho pede uma providência ao leitor, ele tem injunção local, mas o gênero continua o mesmo.
Erros típicos do candidato
O primeiro erro é confundir tipo com gênero: dizer que a receita é um tipo textual, quando o tipo é a injunção. O segundo é atribuir argumentação a qualquer texto opinativo, sem olhar a estrutura. O terceiro é classificar pela aparência: um texto com lista não é necessariamente injuntivo, porque a lista pode apenas organizar informações.
Suporte e esfera de circulação
Todo gênero tem um suporte, que é o meio em que ele aparece, como o papel, a tela, o outdoor ou a embalagem, e uma esfera de circulação, que é o ambiente social em que ele é usado, como a imprensa, a escola, a administração pública ou a família. A notícia circula na imprensa e em portais; a bula, na embalagem do medicamento; o ofício, na administração pública. Quando a questão pergunta pelo gênero, a esfera e o suporte costumam dar a pista decisiva.
Gêneros mistos
Alguns gêneros combinam tipos em proporções diferentes. Um artigo de opinião pode narrar um caso para ilustrar a tese e, em seguida, argumentar. Um anúncio pode descrever o produto e, ao mesmo tempo, dar uma ordem ao leitor, como Compre já. Nesses casos, a questão quer o tipo que domina, e não todos os que aparecem. Para decidir, pergunte qual é a finalidade do texto e qual forma ela assume na maior parte das linhas.
Dissertação expositiva e argumentativa
A dissertação divide-se em expositiva, que apresenta um tema com informações sem defender tese, e argumentativa, que defende uma posição com razões. O verbete de enciclopédia e o relatório técnico são exemplos de exposição. O artigo de opinião e o editorial são exemplos de argumentação. A confusão entre as duas é comum, porque ambas usam conectivos e linguagem formal. A diferença está na presença de uma tese defendida.
Erros típicos de classificação
O primeiro erro é classificar pelo tema: um texto sobre saúde não é necessariamente injuntivo, porque o tema não define o tipo. O segundo é ignorar a finalidade: um texto que informa sobre um serviço público pode ser expositivo mesmo trazendo um pedido ao leitor no fim. O terceiro é exigir que um tipo apareça puro. Na prova, vale o tipo que domina.
Textos que alternam tipos
Muitos textos de concurso alternam narração e descrição. Um relato de ocorrência, por exemplo, narra a sequência de fatos e descreve o local e as pessoas envolvidas. Nesse caso, observe o verbo que dá o ritmo: se a maior parte das frases traz ações em sequência, a narração domina; se traz características e qualidades, a descrição domina.
Injunção fora da receita
A injunção não aparece só em receitas. Manuais de sistemas, instruções de uso de equipamentos e orientações de preenchimento de formulários são injuntivos. Quando o texto diz Preencha o campo e envie o formulário, a ordem é clara. A questão pode trazer esse tipo em um gênero que não parece instrucional, como um comunicado que pede providências, e o reconhecimento depende do verbo e da finalidade.
Exemplo resolvido
Um trecho traz passos numerados, com verbos no imperativo, como Misture a farinha, adicione o ovo e leve ao forno. Qual é o tipo predominante?
- Observe a estrutura: o trecho dá ordens sequenciais ao leitor.
- Observe os verbos: estão no imperativo, que é a marca da ordem.
- Resposta: o tipo predominante é a injunção, e o gênero é a receita culinária.
Esquema
Tipos textuais
Tipos textuais
Narração
Fatos ligados a personagens no tempo
Descrição
Características de seres e lugares
Dissertação
Ideias expostas ou defendidas com argumentos
Injunção
Orientação da ação do leitor
1.3.3 Funções da linguagem
As funções da linguagem explicam para que a língua está sendo usada em cada mensagem. Um mesmo emissor pode usar a língua para informar, emocionar, pedir, testar o canal, falar sobre a própria língua ou criar beleza. A função depende do elemento que a mensagem privilegia: o contexto, o emissor, o receptor, o canal, o código ou a própria mensagem.
As seis funções
A função referencial privilegia o contexto. A mensagem informa dados objetivos, como um aviso de horário ou um relatório, e usa linguagem clara e denotativa. A função emotiva, ou expressiva, privilegia o emissor: a mensagem revela sentimentos, com primeira pessoa e exclamações. A função conativa, ou apelativa, privilegia o receptor: a mensagem quer convencer, orientar ou provocar uma ação, com imperativos e vocativos. A função fática privilegia o canal: ela verifica se a comunicação está funcionando, como em alô? ao telefone. A função metalinguística privilegia o código: a língua fala sobre a própria língua, como em uma definição de dicionário. A função poética privilegia a mensagem: a forma da mensagem ganha destaque, com ritmo, rima e imagens.
| Função | Foco | Marca típica |
|---|---|---|
| Referencial | Contexto | Linguagem objetiva e informativa |
| Emotiva | Emissor | Primeira pessoa, exclamações |
| Conativa | Receptor | Imperativo e vocativo |
| Fática | Canal | Verificação do contato |
| Metalinguística | Código | A língua explica a língua |
| Poética | Mensagem | Ritmo, rima e imagens |
Como identificar a função em uma situação
Uma placa de Não ultrapasse a faixa amarela tem função conativa: ela quer que o motorista faça ou deixe de fazer algo. Um aviso de A sala de atendimento fica no segundo andar tem função referencial, porque informa um dado. Um bilhete de agradecimento que diz Sou muito grato pelo seu apoio tem função emotiva. A pergunta Está me ouvindo? numa ligação tem função fática.
Erros típicos do candidato
O primeiro erro é olhar só o assunto da mensagem. Um texto pode falar de emoções e ter função referencial, se a intenção é informar. O segundo é confundir função poética com qualquer texto bonito: a função poética depende de a mensagem chamar a atenção para a própria forma. O terceiro é classificar pelo tipo de frase, quando a pergunta pode ter função conativa, se quer que o receptor responda uma ação, ou fática, se só verifica o contato.
Exemplo de língua
Na frase Venha já ao balcão, o imperativo e o advérbio já indicam função conativa. Na frase Que dia bonito!, a exclamação indica função emotiva. A mesma palavra pode mudar de função conforme o foco da mensagem.
Função predominante e função secundária
Um texto pode ter mais de uma função. Um aviso que informa o horário de atendimento e pede que o público chegue cedo tem função referencial e função conativa. A questão quer a predominante, que é a que organiza a mensagem. Para achar essa função, pergunte o que a mensagem privilegia no conjunto, e não o que aparece em uma frase isolada.
Um bilhete de condolências pode ter função emotiva no tom e fática no final, quando pede que o leitor fique bem. A função predominante é a emotiva, porque o foco do texto é o sentimento do emissor.
Função metalinguística no dia a dia
Um verbete de dicionário que define ofício como comunicação escrita oficial usa a língua para explicar a própria língua, e por isso a função é metalinguística. O mesmo ocorre em uma gramática que classifica uma palavra, ou em uma instrução que diz como deve ser escrita a data de um documento. Sempre que o código é o assunto da mensagem, a função é metalinguística.
A função fática na comunicação oral e escrita
A função fática aparece em cumprimentos, em perguntas de verificação e em expressões como entendeu? ou certo?. Ela mantém o contato, e não transmite informação nova. Em um e-mail, a frase Espero que esteja bem tem função fática, porque abre o contato antes de tratar do assunto.
1.3.4 Figuras de linguagem e efeitos expressivos
Figura de linguagem é um recurso que altera o sentido literal de uma palavra ou de uma construção para produzir um efeito expressivo. Ela não é enfeite: serve para ressaltar uma ideia, criar humor, suavizar uma informação ou chamar a atenção do leitor. A prova cobra o reconhecimento da figura pela estrutura da frase e pelo efeito que ela produz.
Figuras de comparação e de substituição
A comparação aproxima dois termos por meio de um conectivo, como como, tal qual ou parecer. Em Ele é forte como um leão, a força é comparada explicitamente. A metáfora faz a mesma aproximação sem conectivo, por substituição: em Ele é um leão no trabalho, o termo leão assume o sentido de coragem e vigor. A diferença está na presença ou na ausência do conectivo.
A metonímia substitui um termo por outro com relação de contiguidade, como autor pela obra, lugar pelo seu povo, parte pelo todo. Em Li Machado de Assis, o nome do autor designa a obra dele. A personificação atribui características humanas a seres não humanos, como em o vento sussurrava nas janelas.
| Figura | Como funciona | Exemplo |
|---|---|---|
| Comparação | Aproxima com conectivo | Forte como um leão |
| Metáfora | Substitui sem conectivo | Ele é um leão no trabalho |
| Metonímia | Substitui por relação de proximidade | Li Machado de Assis |
| Personificação | Dá traços humanos a seres inanimados | O vento sussurrava |
Figuras de exagero, suavização e contraste
A hipérbole exagera para produzir efeito. Em Estou morrendo de fome, ninguém está literalmente morrendo: a frase enfatiza a vontade de comer. O eufemismo suaviza uma expressão desagradável, como em o aluno faleceu, no lugar de morreu. A ironia diz o contrário do que se quer dizer, com intenção de crítica: Que belo atendimento!, dito depois de uma longa espera, sugere que o atendimento foi ruim. A antítese aproxima palavras de sentido oposto, como em vive-se pouco e sofre-se muito, e produz contraste.
Erros típicos do candidato
O primeiro erro é confundir metáfora com comparação, porque as duas aproximam termos. Procure o conectivo: se ele existe, é comparação. O segundo é chamar de hipérbole qualquer exagero sem olhar a intenção: o exagero precisa produzir efeito expressivo. O terceiro é confundir ironia com erro de informação: a ironia é intencional e depende de contexto.
Efeitos expressivos
A figura escolhida define o efeito. A hipérbole produz ênfase e humor. O eufemismo produz polidez e distância. A metáfora produz imagem e concisão. A personificação aproxima o leitor do objeto descrito. Em um texto oficial, o eufemismo costuma ser mais adequado, enquanto em um texto publicitário a hipérbole e a metáfora são comuns.
Figura ou sentido literal
Uma mesma expressão pode ser figura ou sentido literal, conforme o contexto. Em O funcionário está no mar, se ele trabalha em uma plataforma, a expressão é literal. Se ele está afogado em tarefas, a expressão é uma metáfora. Por isso, a identificação da figura depende de comparar a expressão com o contexto, e não de decorar a palavra.
Figuras e o efeito no texto oficial
Em textos oficiais, o uso de figuras é limitado, porque a clareza é a prioridade. Quando aparece uma figura em um comunicado, ela costuma ter efeito de suavização, como o eufemismo, ou de ênfase, como a hipérbole em um alerta. A questão pode cobrar se o efeito combina com a finalidade do texto.
Figuras de som
Algumas figuras trabalham com o som das palavras. A aliteração repete consoantes, como em o rato roeu a roupa do rei, que cria ritmo e sonoridade. A assonância repete vogais. A onomatopeia imita sons, como em o trem fez tchuco-tchuco. Essas figuras costumam aparecer em textos publicitários e em poemas, e a questão pode pedir o efeito de sonoridade que a figura produz.
Esquema
Figuras de linguagem
Figuras de linguagem
Comparação
Aproxima com conectivo
Metáfora
Substitui sem conectivo
Personificação
Dá traços humanos a seres inanimados
Hipérbole
Exagera para enfatizar
Eufemismo
Suaviza uma expressão desagradável
Pegadinha da banca
Pressuposto resiste à negação
Se a alternativa diz que o pressuposto desaparece quando a frase é negada, ela está errada. O pressuposto permanece, e o subentendido depende do contexto.
Pegadinha da banca
Tipo não é gênero
A banca troca tipo textual por gênero textual. A receita é gênero; a injunção é o tipo que predomina nela.
Para memorizar
Seis funções da linguagem
Referencial, emotiva, conativa, fática, metalinguística e poética. Lista arbitrária, por isso vale decorar a ordem e a marca de cada uma.
1.4 Exemplo resolvido
Em um aviso do setor, lê-se: Não ultrapasse a faixa amarela; a área é de uso restrito. A função de linguagem predominante no trecho é: A) emotiva. B) fática. C) poética. D) conativa. E) metalinguística.
- Observe o foco da mensagem: ela quer que o leitor deixe de fazer algo, e não expressa sentimento do emissor.
- Observe a forma verbal: não ultrapasse está no imperativo, que é a marca de quem se dirige ao receptor para obter uma ação.
- Descarte as demais: não há emoção do emissor, não há verificação de contato, não há foco na forma poética nem explicação do código.
- Resposta: função conativa, alternativa D.
Resposta: D) conativa.
1.5 Fixação
Questões inéditas, no estilo da banca.
F1inédita
No trecho “Aquela pessoa é uma muralha para os problemas”, o recurso expressivo empregado é:
- A)metáfora, porque aproxima os termos sem conectivo.
- B)hipérbole, porque exagera a força da pessoa.
- C)eufemismo, porque suaviza o problema descrito.
- D)comparação, porque usa o conectivo como.
- E)metonímia, porque troca o nome por uma parte do todo.
F2inédita
Um aviso informa: “A senha 47 está sendo atendida; a senha de Clara é a 52.” A partir desse texto, qual conclusão é autorizada?
- A)Clara foi transferida para outro setor.
- B)Clara não precisa mais de atendimento.
- C)Clara já foi atendida pelo setor.
- D)Clara desistiu do atendimento e foi embora.
- E)Clara ainda vai esperar pelo atendimento.
F3inédita
Em qual das frases a língua fala sobre a própria língua, caracterizando a função metalinguística?
- A)Alô, você está me ouvindo?
- B)Os ventos sussurram nas folhas dos grandes jardins da cidade, no fim da tarde.
- C)Substantivo é a palavra que nomeia seres.
- D)Compre já o seu ingresso!
- E)Que dia bonito!
F4inédita
No trecho “Esperei uma eternidade pelo atendimento”, o recurso expressivo predominante é:
- A)hipérbole, porque exagera o tempo de espera.
- B)comparação, porque aproxima a espera de uma eternidade com conectivo.
- C)metonímia, porque designa o atendimento pelo lugar onde ocorre.
- D)eufemismo, porque suaviza a espera para não chocar o leitor.
- E)antítese, porque opõe duas ideias de sentido contrário.
F5inédita
Um texto informa, em linguagem jornalística, sobre um acidente ocorrido na avenida principal da cidade. Esse texto pertence ao gênero:
- A)notícia, porque informa um fato de interesse público.
- B)e-mail de cobrança, porque lembra ao cliente um pagamento em atraso.
- C)bula, porque orienta o uso de um medicamento.
- D)charge, porque critica com humor um acontecimento.
- E)receita culinária, porque ensina um preparo.
1.6 Questões da banca
Questões oficiais de provas anteriores, com a fonte.
Q1oficial · CISAMVE 2025
Frio e calor mataram 142,7 mil pessoas em cidades brasileiras de 1997 a 2018 Elevações e quedas intensas de temperatura aumentam o risco de morte, em especial de pessoas desprotegidas, como as que vivem em situação de rua, ou das mais frágeis e sensíveis a alterações térmicas, caso das crianças pequenas e dos idosos. Temperaturas na casa dos 30 graus Celsius (oC) já são suficientes para levar um trabalhador braçal à exaustão por calor, com suor intenso, respiração ofegante e pulso acelerado, além de tontura e confusão mental. Por volta dos 40oC, mesmo quem está em casa, sentado no sofá, pode passar mal, apresentar os mesmos sintomas e precisar de internação se o ambiente não for climatizado. O aquecimento do corpo provoca a dilatação dos vasos sanguíneos e reduz a pressão arterial, obrigando o coração a funcionar mais para fazer o oxigênio chegar aos órgãos. O corpo também perde líquidos e sais minerais, o que complica o quadro. Já a exposição a temperaturas baixas por algumas horas costuma provocar alterações inversas, mas com efeitos semelhantes sobre a saúde. Os vasos sanguíneos se contraem e concentram o sangue nos órgãos internos. A pressão arterial e os batimentos cardíacos sobem e, se o corpo não se aquece e volta ao equilíbrio, o sistema cardiovascular pode entrar em colapso. "O corpo humano funciona bem em uma faixa estreita de temperatura interna, em torno de 1 grau acima ou abaixo dos 36,5oC. Fora dela, começa a haver problemas, mais graves em crianças, idosos e pessoas com doenças preexistentes", conta a meteorologista e médica Micheline Coelho. Com mestrado e doutorado na área de sua primeira graduação, ela se formou depois em medicina e trabalha como pesquisadora colaboradora do Laboratório de Patologia Ambiental e Experimental (Lapae) da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FM-USP) e na Universidade Monash, na Austrália. Em parceria com o patologista Paulo Saldiva, coordenador do Lapae, ela investiga a relação entre as condições atmosféricas e a saúde humana. Saldiva e Coelho integram uma rede internacional de pesquisa que, na última década, começou a estimar o impacto dos dias mais quentes e mais frios na saúde das pessoas e na economia. Em um estudo recente, publicado na edição impressa de dezembro da revista Environmental Epidemiology, a dupla brasileira e pesquisadores de outros nove países calcularam a proporção de mortes que podem ser atribuídas aos extremos de frio e de calor em 13 nações da América Latina, além de três territórios ultramarinos franceses no continente, e o quanto representam em perdas financeiras. As 69 localidades avaliadas estão situadas em países que vão do México ao Chile, incluindo o Brasil. Nelas, ao menos 408.136 pessoas morreram por causa do frio e 59.806 em decorrência do calor entre 1997 e 2019. Os óbitos pelas baixas temperaturas correspondem a 4,1% e os associados às altas a 0,6% dos 9,98 milhões de mortes notificadas nessas cidades no período. Combinadas, essas fatalidades geraram uma perda de cerca de US$ 2,4 bilhões por ano, calculada com base no valor estimado para um ano de vida e no número de anos que cada pessoa teria vivido se alcançasse a expectativa média de vida de sua população. As perdas relacionadas ao frio variaram de US$ 0,3 milhão ao ano, na Costa Rica, a US$ 472,2 milhões ao ano, na Argentina. Associado a menos óbitos, o calor gerou prejuízos anuais que foram de US$ 0,05 milhão, no Equador, a US$ 90,6 milhões no Brasil. O Brasil, a propósito, contribuiu com um dos maiores números de localidades e a série histórica mais longa. Aqui, em 18 cidades onde vivem mais de 30 milhões de pessoas (12 delas capitais), houve 3,86 milhões de óbitos de 1997 a 2018. Nesses 22 anos, 113.528 mortes ocorreram em consequência do frio e 29.170 do calor, com perdas anuais que somaram US$ 352,5 milhões, no primeiro caso, e os já citados US$ 90,6 milhões, no segundo. "Um problema no Brasil é que, de modo geral, casas, escolas, hospitais e muitos locais de trabalho não estão preparados para enfrentar nem o frio intenso nem o calor elevado, que deve se tornar mais comum em muitas regiões do país como consequência das mudanças climáticas e das alterações no ambiente urbano", conta a médica e meteorologista. As mortes são apenas o efeito mais extremo e evidente das variações de temperatura. O frio e o calor, porém, geram prejuízos econômicos e afetam a qualidade de vida. Em um trabalho anterior, publicado em 2023 na revista Science of the Total Environment, Saldiva, Coelho e colaboradores haviam computado em quase US$ 105 bilhões as perdas econômicas, em 510 cidades brasileiras, decorrentes do trabalho em condições térmicas inadequadas (muito quente ou frio) entre 2000 e 2019. Em estudos como esses, as temperaturas associadas a óbitos são as que mais se afastam do valor considerado confortável para a população de cada cidade. Essa é a chamada temperatura de mortalidade mínima (TMM): a temperatura média ótima, calculada a partir dos valores medidos ao longo do dia, na qual se registra o menor número de óbitos. No trabalho da Environmental Epidemiology de dezembro, a TMM da maior parte das cidades brasileiras ficou por volta dos 23oC − ela foi mais baixa (21oC) em Curitiba (PR), e mais alta (em torno de 28oC) em Palmas (TO) e São Luís (MA). Dias com valores muito inferiores ou superiores à TMM são considerados de temperaturas extremas. Não são muitos. Eles são os 2,5% dos dias do ano em que os termômetros registraram as menores marcas, nos extremos de frio, e os 2,5% de temperaturas mais elevadas, nos de calor. Os pesquisadores observaram que, para a maior parte das cidades, o gráfico que representa o risco de morrer para cada temperatura tinha a forma da letra U. Isso indica que a probabilidade de óbito aumenta à medida que a temperatura cai ou aumenta em relação à TMM. Muitas vezes, o gráfico era em forma de U com o braço esquerdo levemente tombado, mostrando que o risco de morrer crescia mais rapidamente com o aumento do que com a queda da temperatura. Em Assunção, capital do Paraguai, por exemplo, onde a temperatura ideal era de cerca de 27oC, uma elevação de 5 ou 6 graus fazia dobrar o risco de óbito, enquanto essa probabilidade aumentava 50% quando a temperatura ficava mais de 15 graus abaixo da TMM, embora uma proporção maior de pessoas morra de frio do que de calor. O impacto da temperatura sobre a saúde varia de uma pessoa para outra − quem vive em regiões quentes geralmente está mais adaptado ao calor e vice-versa. Também depende do sexo, da idade e da existência de doenças crônicas, como asma ou hipotireoidismo, além do tempo disponível para se aclimatar à mudança. Ele é maior para crianças pequenas ou idosos, que enfrentam maior dificuldade em regular o calor corporal − com o avanço da idade, problemas de saúde e o uso de medicamentos se tornam mais frequentes e alteram o funcionamento do organismo, podendo agravar o efeito de temperaturas externas não ideais. Retirado e adaptado de: SOARES, Giselle.; ZORZETTO, Ricardo. Frio e calor mataram 142,7 mil pessoas em cidades brasileiras de 1997 a 2018. Revista Pesquisa FAPESP. Disponível em: https://revistapesquisa.fapesp.br/frio-e-calor-mataram-1427-mil-pessoa s-em-cidades-brasileiras-de-1997-a-2018/ Acesso em: 03 mar., 2025.
Considerando a leitura do texto, analise as afirmações a seguir. Marque V, para verdadeiras, e F, para falsas: (__)Além de considerar o número de mortes devido às temperaturas extremas, o texto ainda considera os impactos financeiros gerados em decorrência da necessidade de atendimentos causados pelas altas e baixas temperaturas. (__)O uso de medicamentos frequentes parece estar associado de forma positiva à como o corpo regula sua temperatura interna. (__)Além de morte, as temperaturas extremas podem, também, estar a associadas a outros problemas de saúde. (__)No Brasil, o número de mortes por calor é quatro vezes maior do que pelo frio. Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta:
- A)F − F − V − F.
- B)V − V − F − V.
- C)V − F − V − F.
- D)F − F − V − V.
- E)F − V − F − V.
Q2oficial · Pref. Camboriú/SC 2025
O mistério de Ney Matogrosso jamais se revela completamente Decifrá-lo é impossível. Recriá-lo, não. Jesuíta Barbosa, ator, intérprete de Ney Matogrosso em "Homem com H" [...] Uma das cenas mais marcantes das filmagens aconteceu quando eu contracenei com Bruno Montaleone, que interpreta o Marco de Maria. Os dois estão na cama. Ney abre o exame com o resultado negativo para o HIV. Silêncio. O de seu parceiro, no entanto, tinha dado positivo. Ney fica sem chão porque pensou que contrairia o vírus como muitos dos seus amigos e amores naquele período. Lembro que no dia em que fizemos essa cena, o Ney Matogrosso real estava numa cadeira sentado junto à equipe de filmagem, na frente da cama, olhando para mim e para o Montaleone. Não tinha como não sentir ou abstrair de sua presença no set. As poucas pessoas da equipe que acompanhavam a gravação estavam muito concentradas. Foi um momento doloroso para os dois e importantíssimo para a história que estávamos contando. Apesar de estar inteiro na cena, meus olhos desviavam para observar as reações de Ney. Pensava no que ele estaria sentindo e trazia aquela tensão para a minha interpretação. Entendi que aquilo que estávamos encenando não era uma lembrança distante do passado, mas algo que ainda estava muito vivo. Em um determinado momento, Ney se levantou da cadeira. Parecia inquieto. Ele foi tomado pela cena, pela suposta ficção, e começou a chorar compulsivamente. "Eu não sou assim, eu não sou assim." Repetia a mesma frase várias vezes. Por um momento, pensei que ele estava se referindo à minha interpretação. Mas não era isso, ele não estava julgando a cena. Estava, na verdade, protestando contra aquele sentimento que o fazia chorar. Pude ver um Ney Matogrosso vulnerável, com medo e angustiado. Peguei aquela frase que não estava no roteiro e a inseri no filme: "Eu não sou assim." Então, quando você, leitor, assistir a esta cena, saiba que a frase foi dita pelo Ney Matogrosso real na coxia do set. Aquilo foi uma simbiose, uma troca de experiências e de sensações. Foi uma recriação da vida e certamente um dos momentos mais importantes que vivi fazendo cinema. Assisti ao primeiro corte do filme ao lado do Ney. Estava muito nervoso e ele segurou na minha mão. Chorei muito e quis o colo dele. E ele me deu colo, me amparou. Ele também estava emocionado. Este homem, que sabe acolher o outro em momentos de fraqueza, é também caloroso e diacrítico. Homem cujo peito transborda amor neste mundo hostil. Um homem-águia voando leve, muito leve. Águia que, às vezes, faz uma bela manobra, vem e pousa. (Disponível em: https://piaui.folha.uol.com.br/o-misterio-de-ney-matogrosso-jamais-se-r evela-completamente/. Acesso em 21 ago. 2025. Adaptado.) .
Analise as assertivas que seguem: I.O texto escrito por Jesuíta Barbosa é como um depoimento, em que ele narra um evento de sua vida, no caso sua atuação como ator de um filme, expondo suas impressões, sensações e emoções. II.O tipo textual predominante no texto é o argumentativo, uma vez o objetivo do autor é defender seu seu processo de filmagem e sua atuação. III.O texto está escrito em 1a pessoa, o que o torna mais subjetivo, mais pessoal, diferentemente de um texto informativo, geralmente escrito em 3a pessoa, mais objetivo e impessoal. É correto o que se afirma em:
- A)II, apenas.
- B)I e III, apenas.
- C)I, apenas.
- D)II e III, apenas.
- E)I, II e III.
Q3oficial · FURB 2024
Linhagem de fóssil encontrado no Rio Grande do Sul sobreviveu à maior extinção do planeta Paleontólogos encontraram o fóssil de um anfíbio que viveu há cerca de 250 milhões de anos, antes que existissem dinossauros. Batizado de Kwatisuchus rosai, o animal, com cerca de 1,5 metro de comprimento, era aparentado a espécies já descritas na Rússia. O achado confirma a suspeita de que os animais da época circulavam pela Pangeia, massa de terra que unia os continentes atuais. "Era um predador que vivia a maior parte do tempo em rios e lagos", infere o paleontólogo Felipe Pinheiro, da Universidade Federal do Pampa (Unipampa), no Rio Grande do Sul. O campus de São Gabriel, onde atua, fica a uma hora do local das escavações: uma fazenda no município de Rosário do Sul, oeste do estado. O animal, descrito em janeiro na revista científica The Anatomical Record, foi identificado a partir de ossos fossilizados do focinho, encontrados em 2022. K. rosai fazia parte de um grupo de anfíbios chamado temnospôndilos, predadores de água rasa de focinho comprido como o dos crocodilos, adaptado para a captura de peixes − por isso foram confundidos com répteis. "Entre as características anatômicas que sugerem parentesco com os atuais anfíbios, alguns temnospôndilos apresentam evidência de estágio larval, como os girinos", esclarece Pinheiro. O grupo sobreviveu à maior extinção do planeta, no final do período Permiano (299 milhões a 252 milhões de anos atrás), quando em torno de 90% das espécies marinhas e 70% das terrestres desapareceram. Em um mundo devastado onde os animais grandes foram eliminados, esse anfíbio era um dos maiores. "Esses tipos de animais pequenos, resistentes e pouco diversificados, recolonizaram o planeta", observa o paleontólogo salvadorenho Juan Carlos Cisneros, da Universidade Federal do Piauí (UFPI), que não participou do estudo. Entre eles estavam os cinodontes, ancestrais dos mamíferos, e os arcossauros, répteis que deram origem aos dinossauros, aos crocodilos e às aves. "Todos tinham menos de 1 metro." Ele descreve que K. rosai também caçava em terra e contou com a vantagem de uma dieta variada e a provável capacidade de construir buracos revestidos de muco, onde se protegia da estação seca. Segundo ele, quase todos os animais desse período cavavam túneis, para se proteger, e tocas com esqueletos de outros anfíbios parecidos foram encontradas na África do Sul. Os temnospôndilos se tornaram dominantes no Triássico (252 milhões a 201 milhões de anos atrás), mas foram substituídos pelos crocodilos, que ocuparam o mesmo ambiente, mas eram maiores e punham ovos com casca. Por isso eram resistentes à estiagem, enquanto os anfíbios dependiam da água para se reproduzir. O nome Kwatisuchus vem do tupi kwati, que significa focinho comprido, e do grego suchus, para crocodilo. O complemento rosai homenageia o paleontólogo Átila Stock Da-Rosa, da Universidade Federal de Santa Maria, que ajudou a localizar, preservar e estudar a formação onde fica o sítio paleontológico, conhecido como Sanga do Cabral. Retirado e adaptado de: STAM, Gilberto. Linhagem de fóssil encontrado no Rio Grande do Sul sobreviveu à maior extinção do planeta. Pesquisa FAPESP. https://revistapesquisa.fapesp.br/linhagem-de-fossil-encontrado-no-rio-grande-do-sul-sobreviveu-a-maior-extincao-do-planeta/ Acesso em: 29 mar., 2023. .
Assinale a alternativa que apresenta a função da linguagem predominante no texto:
- A)Função fática.
- B)Função metalinguística.
- C)Função referencial.
- D)Função poética.
- E)Função conativa.
Q4oficial · SAMAE Blumenau/SC 2024
82% das espécies de árvores que só ocorrem na Mata Atlântica estão ameaçadas de extinção A extinção de espécies é um dos impactos mais extremos que o ser humano tem sobre a natureza. Extinção é para sempre e, a cada espécie perdida, perdemos milhões de anos de uma história evolutiva única e a oportunidade de aprender com essa história. Assim, evitar a extinção de espécies é o maior desafio para combater a atual crise global de perda da biodiversidade, que tem impacto direto nas nossas vidas, incluindo questões ligadas ao risco de pandemias, bioeconomia, biomateriais, desenvolvimento de medicamentos e vários outros serviços ecossistêmicos. O primeiro passo para frear esse processo de extinção de espécies é saber onde estão e qual é o grau de ameaça de cada espécie, o que permite a construção das chamadas Listas Vermelhas de Espécies. Essas listas nos ajudam a tomar a decisão de quais são as espécies prioritárias para investir tempo e recursos de conservação da biodiversidade. Um estudo publicado recentemente na revista Science apresentou a Lista Vermelha das quase 5.000 espécies de árvores que ocorrem na Mata Atlântica, uma das florestas mais biodiversas e ameaçadas do mundo. "O quadro geral é muito preocupante", diz Renato Lima, professor da USP que liderou o estudo. "A maioria das espécies de árvores da Mata Atlântica foi classificada em alguma das categorias de ameaça da União Internacional de Conservação da Natureza (IUCN). Isso era esperado, pois a Mata Atlântica perdeu a maioria das suas florestas e, com elas, as suas árvores. Mesmo assim, ficamos assustados quando vimos que 82% das mais de 2.000 espécies exclusivas desse hotspot global de biodiversidade estão ameaçadas", completa Lima. Muitas espécies emblemáticas da Mata Atlântica, como o pau-brasil, araucária, palmito-juçara, jequitibá-rosa, jacarandá-da-bahia, braúna, cabreúva, canela-sassafrás, imbuia, angico e peroba, foram classificadas como espécies ameaçadas de extinção. Um total de 13 espécies endêmicas − espécies que ocorrem apenas na Mata Atlântica e em nenhum outro lugar do mundo − foram classificadas como possivelmente extintas, ou seja, podem ter desaparecido do planeta. Por outro lado, cinco espécies que antes eram consideradas extintas na natureza foram redescobertas pelo estudo. O trabalho usou mais de 3 milhões de registros de herbários e de inventários florestais, além de informações detalhadas sobre a biologia, ecologia e usos das espécies de árvores, palmeiras e samambaiaçus. A construção da lista de espécies ameaçadas da Mata Atlântica se baseou em diferentes critérios da IUCN. "E esse foi um outro aspecto importante do trabalho", acrescenta Lima. "Se tivéssemos usado menos critérios da IUCN nas avaliações de risco de extinção das espécies, o que geralmente tem sido feito até então, nós teríamos detectado seis vezes menos espécies ameaçadas. Em especial, o uso de critérios que incorporam os impactos do desmatamento aumenta drasticamente o nosso entendimento sobre o grau de ameaça das espécies da Mata Atlântica, que é bem maior do que pensávamos anteriormente", finaliza Lima. A maior parte das informações necessárias para avaliações usando muitos critérios da IUCN é difícil de obter ou estimar a partir de outras fontes de dados. Consequentemente, a maioria das avaliações de risco de extinção atualmente disponíveis na IUCN se baseia apenas na distribuição geográfica das espécies, o chamado critério B. Mas o declínio no número de árvores adultas causado pelo desmatamento (investigado pelo critério A) é a principal causa de ameaça das espécies, principalmente em hotspots globais de biodiversidade altamente alterados como a Mata Atlântica. Ou seja, utilizar vários critérios da IUCN para a construção de listas vermelhas pode evitar uma grave subestimação do grau de ameaça das espécies. Para estimar o declínio das populações, dados de inventários florestais ao longo de toda a Mata Atlântica foram reunidos em uma única base de dados (TreeCo), permitindo entender como o número de árvores foi reduzido pelo desmatamento ao longo do tempo. Retirado e adaptado de: REDAÇÃO. 82% das espécies de árvores que só ocorrem na Mata Atlântica estão ameaçadas de extinção. Jornal da USP. Disponível em: https://jornal.usp.br/ciencias/82-das-especies -de-arvores-que-so-ocorrem-na-mata-atlantica-estao-ameaca das-de-extincao/ Acesso em: 18 jan., 2024. .
Associe a segunda coluna de acordo com a primeira, que relaciona figuras de linguagem a exemplos de seu emprego: Primeira coluna: Figura de linguagem (1) Personificação. (2) Metáfora. (3) Catacrese (4) Hipérbole. Segunda coluna: Exemplo (__) A mata e as flores são o pulmão do mundo. (__) Ao pé da árvore, pediu perdão à natureza. (__) As árvores choram com a destruição das flores. (__) Eu já falei mil vezes que precisamos cuidar da natureza! Assinale a alternativa que apresenta a correta associação entre as colunas:
- A)4 - 1 - 2 - 3.
- B)3 - 2 - 4 - 1.
- C)2 - 4 - 3 - 1.
- D)1 - 4 - 3 - 2.
- E)2 - 3 - 1 - 4.
Q5oficial · Câmara de Brusque/SC 2024
Crises climática, social e da biodiversidade O Brasil está vivendo o desenrolar de um processo grave desencadeado pelas mudanças climáticas globais, amplamente previstas por painéis internacionais e especialistas. Eventos extremos, como a histórica seca de 2023-2024 na Amazônia e as chuvas torrenciais no Rio Grande do Sul em abril, são sinais de uma emergência climática que já deixou de ser uma previsão futura: é a realidade concreta e urgente do país. Apesar do Acordo de Paris, vigente desde 2016, o mundo não conseguiu frear o aumento das emissões de gases de efeito estufa, que hoje somam 62 bilhões de toneladas por ano. Com isso, tornou-se impossível limitar o aquecimento global a 1,5oC, conforme pretendido pelo tratado. Estamos agora diante de um cenário de aumento médio de até 3oC. De acordo com os modelos do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), um aquecimento dessa magnitude pode resultar, no Brasil, em dias até 4oC mais quentes, além de mudanças no regime de chuvas, que levariam a estiagens no Norte, Nordeste e Centro-Oeste, enquanto o Sudeste e o Sul sofreriam com tempestades mais intensas. Como já vimos nos últimos meses, o prolongamento de estações secas, somado a ondas de calor, cria situação propícia para incêndios de grandes proporções. Contudo, a crise climática está profundamente interligada com outras questões. Enfrentá-la significa também conter a perda de habitats e a redução da biodiversidade, que são essenciais para a manutenção dos serviços ecossistêmicos, como a absorção de carbono. Além disso, a redução da pobreza e das desigualdades sociais é crucial para evitar que os efeitos das mudanças climáticas afetem de forma desproporcional as populações mais vulneráveis. Essas três crises — climática, da biodiversidade e social —, embora interconectadas, são tratadas de maneira isolada. Entretanto, ecossistemas conservados, eficientes na captura de carbono, não só mitigam o aquecimento global, como também garantem a saúde humana e a manutenção de suas atividades econômicas. Portanto, as estratégias para enfrentar essa nova realidade precisam integrar ações nessas três frentes. A tarefa adiante é árdua e longa. No entanto, o conhecimento necessário para agir já está disponível. Especialmente no caso brasileiro, há oportunidades que podem ser aproveitadas imediatamente, tanto para evitar cenários climáticos mais catastróficos quanto para preparar o país para eventos extremos que, a essa altura, são inevitáveis. Segundo o relatório de 2023 do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, o Brasil é o sétimo maior emissor de gases de efeito estufa (o quarto em emissões per capita). Quase metade dessas emissões (48%) está relacionada ao desmatamento. [...] Nossa legislação ambiental deverá ser revista. O Código Florestal, de 2012, é a principal política pública nacional de conservação da vegetação nativa, mas foi promulgada sem compreender a devida urgência da crise climática, da biodiversidade, seus impactos sociais e efeitos secundários. Um esforço é necessário no sentido de fortalecer as áreas de Reserva Legal, estabelecidas pela legislação, e de proteção de áreas úmidas. Com isso, é possível advogar por avanços nesse sentido nos âmbitos municipal e estadual. No entanto, os paradigmas atuais de conservação não são apenas restritivos. Eles também consideram como as comunidades humanas usam e dependem dos ecossistemas. Especialistas debatem o conceito de "paisagens multidimensionais interconectadas" como um caminho para a conservação no século XXI. Por "multidimensional", entende-se a capacidade de integrar diferentes paisagens e viabilizar seus diversos usos de maneira sustentável. Esse conceito possibilita a criação de estratégias que vão desde a proteção de áreas altamente preservadas, como as florestas amazônicas, até a otimização de zonas urbanas e agrícolas, promovendo a biodiversidade em todos os contextos. A abordagem multidimensional busca, assim, equilibrar conservação e desenvolvimento, permitindo que ecossistemas naturais e áreas produtivas coexistam de forma benéfica e resiliente. [...] (Disponível em: https://www.terra.com.br/noticias/crises-climatica-social-e-da-biodiversi dade-estao-interligadas-e-devem-ser-atacadas-em-conjunto,a4ba759a 72b2f58cc2487dc95e91758e2ol6jpyt.html?utm_source=clipboard. Acesso em: 16 out 2024. Adaptado.) .
O texto lido pode ser classificado dentro do gênero artigo de opinião. Considerando suas características, identifique, com base no texto, qual das opções a seguir explica corretamente como o autor utiliza as particularidades desse gênero para desenvolver seu argumento:
- A)O autor adota uma postura parcial e estritamente informativa, concentrando-se apenas na apresentação de dados científicos e omitindo qualquer tentativa de persuasão, típico de textos que têm como foco a divulgação científica pura.
- B)Embora o autor mencione problemas sociais e ambientais atuais, o foco principal do texto é fornecer uma análise jurídica sobre o Código Florestal brasileiro, buscando uma revisão legislativa sem envolver questões éticas ou debates sobre a relação entre desenvolvimento sustentável e justiça social.
- C)O texto se distingue por sua capacidade de articular diferentes perspectivas sobre as crises interligadas, apresentando argumentos tanto a favor quanto contra as ações propostas, e assim convida o leitor a refletir criticamente sobre a complexidade das soluções necessárias, o que amplia o alcance e a profundidade do discurso opinativo.
- D)O texto, apesar de fornecer dados e fatos sobre as crises climática, social e da biodiversidade, busca, sobretudo, apresentar uma opinião fundamentada, ao propor a necessidade de uma abordagem integrada e multidimensional, característica comum de artigos que têm o objetivo de convencer o leitor a adotar uma postura crítica.
- E)A estrutura argumentativa do texto é característica de textos jornalísticos tradicionais, que priorizam o relato de acontecimentos recentes, como as chuvas torrenciais no Rio Grande do Sul e a seca na Amazônia, sem dar ênfase a análises de longo prazo ou projeções futuras.
Q6oficial · SAMAE Blumenau/SC 2024
82% das espécies de árvores que só ocorrem na Mata Atlântica estão ameaçadas de extinção A extinção de espécies é um dos impactos mais extremos que o ser humano tem sobre a natureza. Extinção é para sempre e, a cada espécie perdida, perdemos milhões de anos de uma história evolutiva única e a oportunidade de aprender com essa história. Assim, evitar a extinção de espécies é o maior desafio para combater a atual crise global de perda da biodiversidade, que tem impacto direto nas nossas vidas, incluindo questões ligadas ao risco de pandemias, bioeconomia, biomateriais, desenvolvimento de medicamentos e vários outros serviços ecossistêmicos. O primeiro passo para frear esse processo de extinção de espécies é saber onde estão e qual é o grau de ameaça de cada espécie, o que permite a construção das chamadas Listas Vermelhas de Espécies. Essas listas nos ajudam a tomar a decisão de quais são as espécies prioritárias para investir tempo e recursos de conservação da biodiversidade. Um estudo publicado recentemente na revista Science apresentou a Lista Vermelha das quase 5.000 espécies de árvores que ocorrem na Mata Atlântica, uma das florestas mais biodiversas e ameaçadas do mundo. "O quadro geral é muito preocupante", diz Renato Lima, professor da USP que liderou o estudo. "A maioria das espécies de árvores da Mata Atlântica foi classificada em alguma das categorias de ameaça da União Internacional de Conservação da Natureza (IUCN). Isso era esperado, pois a Mata Atlântica perdeu a maioria das suas florestas e, com elas, as suas árvores. Mesmo assim, ficamos assustados quando vimos que 82% das mais de 2.000 espécies exclusivas desse hotspot global de biodiversidade estão ameaçadas", completa Lima. Muitas espécies emblemáticas da Mata Atlântica, como o pau-brasil, araucária, palmito-juçara, jequitibá-rosa, jacarandá-da-bahia, braúna, cabreúva, canela-sassafrás, imbuia, angico e peroba, foram classificadas como espécies ameaçadas de extinção. Um total de 13 espécies endêmicas − espécies que ocorrem apenas na Mata Atlântica e em nenhum outro lugar do mundo − foram classificadas como possivelmente extintas, ou seja, podem ter desaparecido do planeta. Por outro lado, cinco espécies que antes eram consideradas extintas na natureza foram redescobertas pelo estudo. O trabalho usou mais de 3 milhões de registros de herbários e de inventários florestais, além de informações detalhadas sobre a biologia, ecologia e usos das espécies de árvores, palmeiras e samambaiaçus. A construção da lista de espécies ameaçadas da Mata Atlântica se baseou em diferentes critérios da IUCN. "E esse foi um outro aspecto importante do trabalho", acrescenta Lima. "Se tivéssemos usado menos critérios da IUCN nas avaliações de risco de extinção das espécies, o que geralmente tem sido feito até então, nós teríamos detectado seis vezes menos espécies ameaçadas. Em especial, o uso de critérios que incorporam os impactos do desmatamento aumenta drasticamente o nosso entendimento sobre o grau de ameaça das espécies da Mata Atlântica, que é bem maior do que pensávamos anteriormente", finaliza Lima. A maior parte das informações necessárias para avaliações usando muitos critérios da IUCN é difícil de obter ou estimar a partir de outras fontes de dados. Consequentemente, a maioria das avaliações de risco de extinção atualmente disponíveis na IUCN se baseia apenas na distribuição geográfica das espécies, o chamado critério B. Mas o declínio no número de árvores adultas causado pelo desmatamento (investigado pelo critério A) é a principal causa de ameaça das espécies, principalmente em hotspots globais de biodiversidade altamente alterados como a Mata Atlântica. Ou seja, utilizar vários critérios da IUCN para a construção de listas vermelhas pode evitar uma grave subestimação do grau de ameaça das espécies. Para estimar o declínio das populações, dados de inventários florestais ao longo de toda a Mata Atlântica foram reunidos em uma única base de dados (TreeCo), permitindo entender como o número de árvores foi reduzido pelo desmatamento ao longo do tempo. Retirado e adaptado de: REDAÇÃO. 82% das espécies de árvores que só ocorrem na Mata Atlântica estão ameaçadas de extinção. Jornal da USP. Disponível em: https://jornal.usp.br/ciencias/82-das-especies -de-arvores-que-so-ocorrem-na-mata-atlantica-estao-ameaca das-de-extincao/ Acesso em: 18 jan., 2024. .
A respeito do texto "82% das espécies de árvores que só ocorrem na Mata Atlântica estão ameaçadas de extinção", analise as afirmações a seguir e a relação proposta entre elas: I. A função da linguagem predominante no texto é a denotativa, também chamada de referencial. PORQUE II. O texto preconiza a informação, tem como objetivo informar a respeito de determinado assunto. A respeito dessas asserções, assinale a opção correta:
- A)A asserção I é uma proposição falsa e a II é uma proposição verdadeira.
- B)As asserções I e II são proposições verdadeiras, mas a II não é uma justificativa correta da I.
- C)As asserções I e II são proposições falsas.
- D)A asserção I é uma proposição verdadeira e a II é uma proposição falsa.
- E)As asserções I e II são proposições verdadeiras e a II é uma justificativa correta da I.
1.7 Gabarito comentado
P1inédita · pré-testeResposta: A
- C: Afirma o contrário do que o pressuposto exige: se nunca fumou, não haveria nada a deixar.
- E: Traz uma afirmação sobre o presente que a frase não contém. Explora a leitura de quem confunde pressuposto com intenção.
- B: Fala de um futuro que a frase não menciona. Explora a extrapolação para além do texto.
- D: Acrescenta um sentimento sobre o cigarro, que o texto não traz. Explora a informação inventada.
P2inédita · pré-testeResposta: E
- D: Narração conta fatos ligados a personagens no tempo. O texto orienta o leitor, e não relata uma história.
- B: Descrição caracteriza seres e objetos. As peças aparecem, mas não é a função principal do texto.
- A: Dissertação expõe e defende ideias com argumentos. O texto não defende nenhuma tese.
- C: Repete o rótulo de narração e troca a finalidade: o texto não relata uma montagem já concluída.
P3inédita · pré-testeResposta: B
- A: Referencial informa dados. A placa não apenas informa: ela quer que o motorista se comporte de certa forma.
- E: Emotiva privilegia o emissor e revela sentimentos. A placa não expõe sentimento de quem a escreveu.
- C: Fática verifica o contato, como em um alô. A placa não testa o canal de comunicação.
- D: Poética destaca a forma da mensagem, com ritmo e imagens. A placa é objetiva, e a forma não é o foco.
F1inéditaResposta: A
- D: Comparação exige conectivo. Como o trecho não traz nenhum, a alternativa confunde as duas figuras.
- E: Metonímia substitui por relação de proximidade, como autor pela obra. Não há essa relação no trecho.
- B: Hipérbole exagera de forma literal e evidente. O trecho apenas aproxima a pessoa de uma imagem de proteção.
- C: Eufemismo suaviza uma expressão desagradável. O trecho não suaviza nada.
F2inéditaResposta: E
- C: Se a senha dela é a 52 e a atual é a 47, ela ainda não foi atendida. A alternativa contradiz as pistas.
- D: Desistência não aparece no texto. Explora a conclusão que o leitor imagina, e não a que o texto autoriza.
- A: Transferência não é mencionada. O texto não dá pista de outro setor.
- B: O texto não diz que Clara deixou de precisar de atendimento. Explora a suposição sem base.
F3inéditaResposta: C
- E: Traz expressão de sentimento, com função emotiva. Não define nenhum termo da língua.
- A: Verifica se o contato funciona, com função fática. Não há definição de palavra.
- D: Pede uma ação do leitor, com função conativa. Não fala sobre a língua.
- B: Usa a linguagem figurada, com função poética. Não define nem explica nenhum termo.
F4inéditaResposta: A
- D: Eufemismo suaviza uma expressão desagradável. O trecho não suaviza a espera; ele a exagera.
- E: Antítese opõe palavras de sentido contrário. Não há oposição no trecho.
- C: Metonímia troca um termo por outro de relação de proximidade. Não há substituição no trecho.
- B: Comparação exige conectivo. O trecho não usa como nem tal qual, e a eternidade não é comparada à espera.
F5inéditaResposta: A
- C: Bula orienta o uso de um medicamento. O texto não trata de remédio.
- D: Charge critica com humor. O texto informa, sem humor como finalidade.
- E: Receita ensina um preparo. O texto não ensina nenhuma receita.
- B: E-mail de cobrança lembra um pagamento. O texto não cobra nada.
Q1oficialResposta: A
- B: Marca a primeira afirmação como verdadeira, mas o texto fala de perdas econômicas, não de atendimentos.
- C: Marca a primeira como verdadeira e a segunda como falsa, o que inverte a leitura do primeiro item.
- D: A sequência F−F−V−V acerta os três primeiros itens, mas marca o quarto como verdadeiro; o texto registra mais mortes por frio, não por calor.
- E: A sequência F−V−F−V erra o segundo, o terceiro e o quarto itens: medicamentos podem agravar o quadro, há outros danos à saúde e o frio causou mais mortes.
Fonte: CISAMVE 2025 — prova em pciconcursos.com.br
Q2oficialResposta: B
- A: Aceita só a II, que é a afirmação errada. O texto é um relato, não um argumento.
- C: Aceita só a I e deixa de fora a III, que também está correta ao apontar a primeira pessoa.
- D: Aceita a II, que é falsa, junto com a III.
- E: Aceita a II, que é falsa, e por isso não pode ser a alternativa que reúne todas as corretas.
Fonte: Pref. Camboriú/SC 2025 — prova em pciconcursos.com.br
Q3oficialResposta: C
- A: A função fática serve para testar ou manter o contato com o interlocutor. O texto não busca isso.
- B: A função metalinguística fala sobre o próprio código. O texto não explica a própria linguagem.
- D: A função poética destaca a forma e a beleza da linguagem. O texto privilegia a informação objetiva.
- E: A função conativa busca influenciar o leitor, com ordens ou apelos. O texto apenas informa.
Fonte: FURB 2024 — prova em pciconcursos.com.br
Q4oficialResposta: E
- A: A sequência 4−1−2−3 troca todas as associações: a primeira frase é metáfora (2), a segunda é catacrese (3), a terceira é personificação (1) e a última é hipérbole (4).
- B: Associa a primeira frase à catacrese e a segunda à metáfora, e troca também a hipérbole.
- C: Associa a primeira frase à metáfora e a segunda à hipérbole, o que não corresponde ao sentido de 'pé da árvore'.
- D: Associa a primeira frase à personificação, mas ela é uma comparação implícita, ou seja, metáfora.
Fonte: SAMAE Blumenau/SC 2024 — prova em pciconcursos.com.br
Q5oficialResposta: D
- A: Diz que o texto é apenas informativo, sem persuasão. O texto defende uma tese, o que o torna um artigo de opinião.
- B: Diz que o foco é uma análise jurídica do Código Florestal. O Código é citado, mas a tese é sobre as crises integradas.
- C: Diz que o texto apresenta argumentos a favor e contra. O autor defende uma posição, e não apresenta os dois lados.
- E: Diz que o texto é jornalístico e relata acontecimentos. O texto analisa e opina, o que não é o relato de notícia.
Fonte: Câmara de Brusque/SC 2024 — prova em pciconcursos.com.br
Q6oficialResposta: E
- A: Diz que a I é falsa, mas a função referencial predomina no texto.
- B: Diz que a II não justifica a I, mas o objetivo de informar é a razão de a função ser referencial.
- C: Diz que as duas são falsas, mas ambas descrevem corretamente o texto.
- D: Diz que a I é verdadeira e a II é falsa, mas a II é verdadeira e explica a I.
Fonte: SAMAE Blumenau/SC 2024 — prova em pciconcursos.com.br
1.8 Revisão relâmpago e mapa de revisão
- Informação explícita está na letra do texto; implícita se deduz de pistas.
- Inferência é conclusão que o texto autoriza, e não opinião do leitor.
- Pressuposto permanece quando a frase é negada; subentendido depende do contexto.
- Tipos textuais são narração, descrição, dissertação e injunção.
- Gênero é definido pela finalidade e pelo uso social, não só pela estrutura.
- Função conativa privilegia o receptor e usa imperativo e vocativo.
- Função fática verifica se o canal de comunicação funciona.
- Comparação usa conectivo; metáfora substitui sem conectivo.
- Hipérbole exagera com intenção expressiva; ironia diz o contrário do que quer dizer.
- Eufemismo suaviza uma expressão desagradável.
Mapa de revisão
Reveja este capítulo em 1, 7 e 30 dias.
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