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Matéria 01

Língua Portuguesa

O que o edital pede nesta matéria

  1. 1Leitura, compreensão e interpretação de textos: gêneros variados, incluindo textos argumentativos, normativos, científicos e jornalísticos; análise crítica e inferencial.3 questões da banca, 2025 · cap. 1
  2. 2Estruturação do texto e dos parágrafos: organização, progressão e hierarquia das ideias.4 questões da banca, 2021–2025 · cap. 1
  3. 3Articulação textual: pronomes e expressões referenciais, nexos, operadores sequenciais e conectivos.2 questões da banca, 2021–2025 · cap. 1
  4. 4Coesão e coerência textual: mecanismos de coesão referencial, lexical e sequencial.8 questões da banca, 2025 · cap. 1
  5. 5Reescrita de frases: equivalência e transformação de estruturas; paralelismo sintático e semântico.1 questão da banca, 2025 · cap. 2
  6. 6Significação contextual de palavras e expressões: sinonímia, antonímia, polissemia, ambiguidade e denotação/conotação.6 questões da banca, 2021–2025 · cap. 2
  7. 7Norma-padrão da língua portuguesa: ortografia oficial, acentuação gráfica e pontuação.3 questões da banca, 2021–2025 · cap. 2
  8. 8Morfologia, estrutura e formação de palavras.4 questões da banca, 2025 · cap. 2
  9. 9Emprego das classes de palavras.5 questões da banca, 2021–2025 · cap. 3
  10. 10Sintaxe e construção frasal: análise sintática dos termos da oração e do período simples e composto (coordenação e subordinação).6 questões da banca, 2021–2025 · cap. 3
  11. 11Concordância verbal e nominal.5 questões da banca, 2021–2025 · cap. 3
  12. 12Regência verbal e nominal.3 questões da banca, 2021–2025 · cap. 4
  13. 13Colocação pronominal.2 questões da banca, 2025 · cap. 4
  14. 14Crase.nenhuma questão da banca vinculada a este item · cap. 4
  15. 15Variação linguística e adequação da linguagem.4 questões da banca, 2025 · cap. 5
  16. 16Figuras de linguagem.nenhuma questão da banca vinculada a este item · cap. 5
  17. 17Linguagem e tecnologia: gêneros digitais, comunicação em ambientes virtuais e inteligência artificial aplicada à linguagem.nenhuma questão da banca vinculada a este item · cap. 5

Língua Portuguesa · Capítulo 1

Leitura, compreensão e interpretação de textosEstruturação do texto e dos parágrafosArticulação textual e relações de sentidoCoesão e coerência textual

Itens do edital:

  • 1. Leitura, compreensão e interpretação de textos: gêneros variados, incluindo textos argumentativos, normativos, científicos e jornalísticos; análise crítica e inferencial.
  • 2. Estruturação do texto e dos parágrafos: organização, progressão e hierarquia das ideias.
  • 3. Articulação textual: pronomes e expressões referenciais, nexos, operadores sequenciais e conectivos.
  • 4. Coesão e coerência textual: mecanismos de coesão referencial, lexical e sequencial.

1.1 Pré-teste

Responda antes de ler a teoria. O gabarito está no fim do capítulo.

P1inédita

Leia o texto autoral: “O arquivo passou a receber pedidos pela internet. Quem não dispõe de conexão continua a ser atendido no balcão.” Uma inferência sustentada pelo texto é que

  1. A)o atendimento no balcão passou a ocorrer apenas pela internet.
  2. B)a ausência de conexão impede qualquer solicitação ao arquivo.
  3. C)o arquivo deixou de receber pedidos feitos presencialmente.
  4. D)a mudança preservou uma alternativa para quem não tem conexão.
  5. E)a conexão particular tornou-se requisito para acessar o serviço.

P2inédita
Leia o parágrafo autoral: “A preservação dos arquivos depende de planejamento contínuo. A inspeção periódica identifica danos iniciais. O controle das condições de armazenamento reduz a deterioração. A formação da equipe melhora o manuseio dos documentos.” Na organização do parágrafo, a primeira frase

  1. A)narra um episódio sem relação com as demais informações.
  2. B)formula a ideia central desenvolvida pelas frases seguintes.
  3. C)apresenta uma conclusão incompatível com os exemplos posteriores.
  4. D)introduz uma fala citada de uma personagem não identificada.
  5. E)repete literalmente o conteúdo de todas as frases seguintes.

P3inédita

Leia o trecho autoral: “A equipe reuniu os depoimentos e os encaminhou à comissão.” O pronome “os”, em “os encaminhou”, retoma

  1. A)a equipe responsável pela reunião dos depoimentos.
  2. B)a comissão que receberia o material encaminhado.
  3. C)o ato de reunir realizado antes do encaminhamento.
  4. D)o encaminhamento descrito como ação já realizada.
  5. E)os depoimentos reunidos pela equipe.

1.2 O que cai

  • 1. Leitura, compreensão e interpretação de textos: gêneros variados, incluindo textos argumentativos, normativos, científicos e jornalísticos; análise crítica e inferencial: 3 questões da banca, 2025
  • 2. Estruturação do texto e dos parágrafos: organização, progressão e hierarquia das ideias: 4 questões da banca, 2021–2025
  • 3. Articulação textual: pronomes e expressões referenciais, nexos, operadores sequenciais e conectivos: 2 questões da banca, 2021–2025
  • 4. Coesão e coerência textual: mecanismos de coesão referencial, lexical e sequencial: 8 questões da banca, 2025

1.3 Teoria

Interpretar exige distinguir informação, inferência e avaliação. A organização das ideias e as relações entre expressões sustentam a leitura de avisos, relatórios e textos argumentativos.

1.3.1 Leitura, compreensão e interpretação de textos

Compreender um texto é reconhecer o que ele apresenta; interpretar é relacionar suas informações para construir sentidos autorizados pelo conjunto.

A diferença não separa uma atividade mecânica de outra livre. Ambas dependem de evidências linguísticas. Em um comunicado da delegacia, o atendimento presencial será retomado após a manutenção informa uma condição temporal. A frase não revela a causa da manutenção, não fixa seu término e não anuncia encerramento definitivo do serviço. Essas conclusões excederiam o conteúdo disponível.

O tema corresponde ao assunto; a tese corresponde à posição defendida sobre ele. Um artigo pode tratar da digitalização do atendimento e defender que ela deve coexistir com canais presenciais. A tese não é simplesmente digitalização, pois esse nome não expressa uma tomada de posição. O título pode antecipar o tema, criar expectativa ou produzir ironia. Seu sentido se define pela leitura do corpo do texto, especialmente quando parece contradizer a situação apresentada.

Informação explícita aparece diretamente, embora possa ser reformulada na alternativa. Se o relato informa que a equipe recolheu os documentos antes da vistoria, uma paráfrase legítima mantém a anterioridade do recolhimento. A troca por depois da vistoria altera o sentido. A inferência, por sua vez, resulta de indícios e relações. De o servidor voltou a atender no balcão, depreende-se que ele já havia atendido ali. O verbo voltar sustenta essa leitura, sem identificar a duração do afastamento.

OperaçãoBase textualErro frequente
LocalizarInformação expressaTrocar um detalhe
InferirIndícios articuladosInventar uma causa
Identificar tesePosição defendidaApontar só o tema
Reconhecer propósitoOrganização e contextoConfundir efeito e intenção

Pressuposto é uma informação apresentada como já admitida, ativada por determinada construção. Em a unidade deixou de receber formulários impressos, pressupõe-se o recebimento anterior. A negação da frase, a unidade não deixou de receber formulários impressos, tende a conservar essa base. Subentendido depende mais da situação e pode ser cancelado. Diante de uma sala abafada, a janela está fechada pode sugerir um pedido para abri-la, mas essa intenção não está obrigatoriamente presente em toda ocorrência da frase.

A leitura literal considera os sentidos diretamente associados às palavras no contexto. A leitura figurada envolve deslocamentos, como a metáfora o relatório lançou luz sobre o caso. O relatório não produz iluminação física: esclarece elementos do caso. Ironia exige contraste entre o enunciado e a situação ou o posicionamento construído. Chamar de excelente organização um atendimento descrito como caótico pode produzir avaliação negativa. Uma palavra elogiosa isolada não basta para provar ironia sem apoio contextual.

Gênero textual é uma forma social de comunicação reconhecida por finalidade, circulação e organização. Notícia, artigo de opinião, relatório, aviso e ata são gêneros distintos. Tipo textual é uma organização linguística, como narração, descrição, exposição, argumentação ou injunção. Um relatório pode narrar uma diligência, descrever um local e expor resultados. A presença de sequência narrativa não transforma automaticamente todo relatório em conto. A classificação do gênero considera a função global, não apenas uma passagem.

No texto argumentativo, a tese se sustenta por argumentos, como explicações causais, exemplos, comparação e dados pertinentes. O exemplo ilustra uma ideia; sozinho, não demonstra que a situação vale universalmente. A concessão admite um ponto contrário para limitar seu alcance ou fortalecer a tese principal: embora agilize o registro, o sistema não substitui o atendimento assistido. O autor reconhece uma vantagem, mas orienta a conclusão para a necessidade de outra modalidade de atendimento.

No texto jornalístico, é essencial distinguir a voz do veículo das falas atribuídas a fontes. Em segundo a chefia, a mudança reduzirá filas, a previsão é atribuída à chefia. Sua reprodução não constitui, por si só, comprovação do resultado futuro. Textos científicos diferenciam hipótese, procedimento, resultado e conclusão. Uma associação observada entre dois fenômenos não autoriza automaticamente afirmar causalidade. Expressões como sugere, é compatível com e comprova apresentam compromissos diferentes com a força da conclusão.

Textos normativos e avisos organizam permissões, obrigações, condições e restrições. Em o acesso é permitido mediante identificação, a identificação condiciona o acesso; não se afirma que toda pessoa identificada tenha acesso irrestrito a qualquer ambiente. Palavras como somente, inclusive, salvo e exceto alteram o alcance da regra. A alternativa pode reproduzir quase todo o trecho e tornar-se incorreta apenas ao retirar uma condição ou apresentar uma exceção como regra geral.

Modalização é a expressão da atitude do enunciador diante do conteúdo. A modalidade epistêmica diz respeito ao conhecimento, à certeza ou à possibilidade: certamente reforça compromisso; talvez e possivelmente reduzem a certeza. A denominação quase-asseverativa descreve essa apresentação cautelosa de uma proposição. A modalidade deôntica envolve obrigação, permissão ou proibição: é obrigatório registrar a entrada. A volitiva expressa desejo, como esperamos que o serviço melhore. Avaliações afetivas aparecem em formas como lamentavelmente.

O valor depende do uso, especialmente com verbos modais. Em o documento deve estar no arquivo, deve pode indicar uma conclusão provável. Em o servidor deve identificar-se na entrada, pode expressar obrigação. A leitura decorre do contexto, e não de um rótulo fixo atribuído ao verbo. Na análise de opinião e fato, a expressão o prazo terminou ontem descreve um acontecimento verificável; o prazo foi injustamente curto acrescenta avaliação, mesmo que trate do mesmo evento.

A paráfrase conserva relações fundamentais, referência, intensidade e alcance. Trocar alguns atendimentos por todos os atendimentos universaliza indevidamente a afirmação. Substituir pode dificultar por impede transforma possibilidade em certeza. Também há erro ao inverter causa e consequência ou atribuir ao autor uma opinião que ele apenas cita para refutar. A negação merece atenção: nem todos compareceram significa que houve ausência, mas não equivale a ninguém compareceu.

Intertextualidade é a relação de um texto com outro, por citação, alusão, paródia ou retomada temática reconhecível. Uma campanha pode retomar uma fórmula conhecida para produzir novo efeito em situação administrativa. O reconhecimento da referência ajuda, mas a interpretação deve explicar o que a nova utilização faz: reforça, critica, atualiza ou desloca sentidos. A presença de palavras semelhantes não prova reprodução integral, e a retomada de uma narrativa não exige preservação de sua avaliação original.

Exemplo resolvido

No aviso Embora o cadastro eletrônico facilite o envio, o atendimento presencial continuará disponível para quem necessitar de auxílio, a manutenção do atendimento contradiz a vantagem do cadastro? 1. A oração com embora admite que o cadastro facilita o envio. 2. A oração principal afirma a continuidade do atendimento presencial. 3. As informações se combinam: a vantagem de uma modalidade não elimina a necessidade da outra. A conclusão correta é complementaridade entre canais, sem promessa de que todo atendimento será eletrônico.

Esquema

Operações de leitura

Construção de sentidos

  • Informação explícita

    O texto apresenta diretamente.

  • Inferência

    Indícios sustentam a conclusão.

  • Tese

    Posição defendida sobre o tema.

Exercício comentado

Como a banca cobrouoficial · SESAP/RN 2025

Registro sucinto escrito de acontecimentos e/ou decisões de uma reunião e que deve ser elaborado de forma a impedir alterações posteriores. Pode ser assinada apenas pelo secretário e pelo presidente, ou, além desses, por todos os membros presentes, a depender das normas estabelecidas em regimento próprio. Nesse sentido, o texto refere-se ao documento denominado de

  1. A)Ata.
  2. B)Atestado.
  3. C)Guia.
  4. D)Alvará.
  5. E)Permissão.

Resposta: A

Conceito: A ata registra de forma fiel e sucinta os acontecimentos e as deliberações de uma reunião.

Raciocínio: O documento descrito informa o que ocorreu e o que foi decidido em uma reunião, com procedimentos que preservam a integridade do registro. Essas características identificam a ata, alternativa A. As assinaturas seguem as regras aplicáveis ao colegiado.

Pegadinha: A forma de assinatura pode variar; a finalidade de registrar a reunião é o traço decisivo do gênero.

Base: Redação oficial, gênero ata; Portaria Iprev/DF nº 72/2017, definição de ata como registro de decisões e acontecimentos de reunião.

1.3.2 Estruturação do texto e dos parágrafos

A estrutura textual distribui informações conforme a finalidade comunicativa. Introdução, desenvolvimento e conclusão são funções possíveis, não blocos obrigatórios em todo gênero.

Um aviso curto pode apresentar diretamente a orientação; um artigo argumentativo costuma contextualizar o problema, defender uma posição e encaminhar uma conclusão. A função de cada parte resulta de sua relação com as demais, não apenas da posição que ocupa na página.

O parágrafo organiza uma unidade de sentido. Seu tópico frasal apresenta a ideia central, que pode receber explicação, exemplo, causa, consequência ou contraste. Nem todo parágrafo começa com uma frase geral: uma pequena situação concreta pode anteceder a conclusão. O trecho a fila avançava lentamente; o sistema estava indisponível articula um acontecimento e uma explicação possível. A hierarquia distingue a ideia que organiza o conjunto das informações que a desenvolvem.

OrganizaçãoMovimento das ideiasExemplo de função
DedutivaGeral para particularRegra seguida de caso
IndutivaCasos para conclusãoOcorrências seguidas de síntese
CronológicaSucessão temporalEtapas de uma diligência
Problema e soluçãoDificuldade e respostaFalha seguida de providência

Progressão temática é a continuidade acompanhada de avanço. Um relatório pode manter como tema a equipe e acrescentar diferentes ações. Também pode transformar informação nova em tema da frase seguinte: A unidade adotou um protocolo. Esse protocolo padroniza os registros. A repetição do assunto não constitui defeito por si mesma; o problema aparece quando o texto gira em torno da mesma afirmação sem acrescentar conteúdo.

Na ordenação de parágrafos, pronomes demonstrativos, expressões como essa medida e marcadores como por fim criam dependências. Um parágrafo iniciado por essa alteração normalmente exige que a alteração já tenha sido apresentada. O marcador conclusivo não torna qualquer passagem uma conclusão: a ideia posterior precisa resultar do raciocínio anterior. Já uma explicação pode retomar uma dificuldade sem necessariamente vir imediatamente depois dela.

Em um texto sobre atendimento, a frase a recepção passou a distribuir senhas pode abrir um desenvolvimento sobre organização do fluxo. A informação de que a distribuição ocorre na entrada detalha o procedimento; a avaliação a mudança tornou o fluxo mais previsível apresenta um efeito. Confundir detalhe e tese leva a escolher como ideia central uma informação apenas instrumental. A síntese adequada preserva o eixo do texto e descarta exemplos acessórios, sem inventar conclusões.

1.3.3 Articulação textual e relações de sentido

A articulação textual liga segmentos e orienta sua interpretação. Pronomes, expressões referenciais, conectivos e operadores sequenciais permitem reconhecer quem participa de uma situação, como os fatos se relacionam e para qual conclusão o enunciador conduz o raciocínio.

A análise considera simultaneamente a forma e o contexto. Duas palavras podem pertencer à mesma classe gramatical e produzir relações diferentes. Substituir uma conjunção por outra exige preservar a relação semântica e ajustar, quando necessário, a construção sintática.

A anáfora retoma uma informação anterior. Em a agente recebeu o documento e o arquivou, o pronome o retoma o documento. A catáfora antecipa informação apresentada adiante: a determinação era esta: organizar os registros por assunto. Referência não é necessariamente repetição de um substantivo. Em a unidade suspendeu o atendimento; isso provocou reclamações, isso pode retomar toda a suspensão, e não apenas o nome atendimento. Essa retomada de uma proposição é frequente em questões de interpretação.

A referência pode depender também do contexto da enunciação. A anáfora retoma informação do próprio texto; a dêixis situa o referente em relação a quem fala, ao lugar ou ao momento em que se produz o enunciado. Em uma notícia publicada em 2021, a expressão Este ano remete a 2021, tomando a publicação como referência temporal. O referente se mantém mesmo quando a notícia é lida posteriormente. Demonstrativos podem, portanto, estabelecer referência textual ou referência ao contexto de enunciação, conforme o uso.

O referente se identifica por compatibilidade gramatical e coerência contextual. O substantivo mais próximo nem sempre é o antecedente. Em o investigador encaminhou à chefia o relatório que havia concluído, a oração relativa caracteriza o relatório. A organização da frase e a ação de concluir sustentam a associação. Já em a servidora informou à supervisora que seu pedido fora recebido, o possessivo pode admitir mais de um referente. A reescrita precisa explicitar a referência quando o contexto não resolve a ambiguidade.

Pronomes demonstrativos ajudam a organizar o discurso. Isso pode resumir uma ideia anterior; isto pode anunciar conteúdo subsequente, especialmente antes de dois-pontos. Essas orientações não dispensam a análise do trecho efetivo. Na referência a dois termos, este pode retomar o mais próximo e aquele, o mais distante: o requerimento e o parecer foram juntados; este contém a análise, aquele apresenta o pedido. A troca dos demonstrativos altera qual documento desempenha cada função.

Expressões nominais também retomam informações e podem avaliá-las. Após houve demora no envio, escrever esse atraso mantém o referente por reformulação lexical. Escrever essa negligência acrescenta uma avaliação sobre a origem da demora, que não está necessariamente demonstrada. A palavra escolhida pode orientar a argumentação. Termos genéricos como medida, procedimento, fato e situação condensam ações inteiras. Sua interpretação depende do segmento retomado e não apenas de uma palavra isolada.

RelaçãoMarcadores possíveisSentido no contexto
Adiçãoe, além dissoAcrescenta informação
Oposiçãomas, porémContrasta orientações
Concessãoembora, ainda queAdmite obstáculo não impeditivo
Conclusãoportanto, logoApresenta resultado argumentativo
Condiçãose, casoEstabelece hipótese
Finalidadepara que, a fim de queApresenta objetivo

A adição reúne elementos sem necessariamente estabelecer hierarquia. Em o servidor registrou o pedido e entregou o comprovante, a ordem das ações pode sugerir sucessão temporal. A conjunção e também pode adquirir valor adversativo, como em o sistema foi atualizado e continuou lento. Não se classifica toda ocorrência apenas pelo significado mais comum do conectivo. Já operadores como até e inclusive podem destacar um elemento como argumento de maior força ou como inclusão considerada relevante.

A oposição apresenta contraste. Em a fila diminuiu, mas o tempo de análise aumentou, as duas informações são afirmadas, e a segunda recebe destaque argumentativo. A concessão mantém a afirmação principal apesar de uma circunstância potencialmente contrária: embora a fila tenha diminuído, o tempo de análise aumentou. A reescrita pode conservar o contraste geral, mas altera a organização sintática e o foco. Conjunções concessivas normalmente introduzem oração subordinada; adversativas ligam segmentos coordenados.

Causa, consequência e explicação se relacionam, mas não se confundem. Em o atendimento parou porque faltou energia, a falta de energia causa a interrupção. Em houve tanta demanda que as senhas se esgotaram, a segunda oração expressa consequência. Em aguarde na recepção, pois o corredor está interditado, a interdição justifica a orientação. A distinção depende do vínculo entre as orações: uma relação explicativa pode fundamentar um pedido ou uma conclusão sem narrar a causa material de um acontecimento.

Condição estabelece uma hipótese para a realização de outro conteúdo: se houver disponibilidade, a unidade ampliará o atendimento. Não se afirma que haverá disponibilidade nem que a ampliação já ocorreu. Finalidade apresenta um objetivo: a equipe reorganizou as mesas para que a circulação melhorasse. A melhoria é pretendida e não necessariamente alcançada. Trocar a oração final por uma consecutiva transforma objetivo em resultado. A banca explora justamente a passagem indevida do possível ao efetivo.

As relações temporais incluem anterioridade, simultaneidade e posterioridade. Em enquanto a equipe atendia, o supervisor organizava os registros, as ações são simultâneas. Entretanto, enquanto pode expressar contraste em uma unidade atende presencialmente, enquanto a outra opera remotamente. O conector desde que também varia: pode marcar tempo em desde que assumiu, reorganizou o arquivo e condição em o acesso será liberado desde que haja autorização. A equivalência lexical depende desse uso, não de uma lista fixa.

Operadores conclusivos apresentam uma conclusão apoiada em razões anteriores: os documentos estão completos; portanto, a análise pode começar. A palavra pois merece atenção à posição e à função. Em a análise pode começar, pois os documentos estão completos, introduz uma justificativa. Em os documentos estão completos; a análise pode, pois, começar, assume valor conclusivo. A pontuação ajuda a reconhecer a organização, mas a relação de sentido deve confirmar a leitura. Uma pausa gráfica sozinha não cria conclusão.

Operadores de reformulação esclarecem ou retificam uma expressão. Isto é e ou seja podem introduzir explicação equivalente; ou melhor costuma corrigir ou tornar mais precisa uma formulação. Por exemplo particulariza uma ideia, sem esgotar seu conjunto de possibilidades. Marcadores como primeiramente, em seguida e por fim organizam a sequência expositiva. Eles podem indicar etapas do texto ou do procedimento descrito. A sequência discursiva não implica necessariamente ordem cronológica dos fatos do mundo.

Na substituição de conectivos, três condições precisam coexistir: sentido compatível, construção gramatical adequada e pontuação ajustada. Embora não se troca mecanicamente por apesar de: a primeira forma introduz oração com verbo flexionado; a segunda pode anteceder substantivo ou infinitivo. Embora o sistema falhasse pode corresponder a apesar de o sistema falhar. A contração que apaga a relação entre o sujeito e o infinitivo pode prejudicar a construção formal, especialmente quando o termo posterior é sujeito desse verbo.

Exemplo resolvido

No período A equipe reorganizou o arquivo para que os pedidos fossem localizados com rapidez, a oração final informa resultado comprovado? 1. O segmento para que apresenta a finalidade da reorganização. 2. A forma fossem localizados integra o objetivo pretendido. 3. O período não afirma que a rapidez já tenha sido alcançada. A interpretação correta identifica finalidade; uma alternativa que substitua a ideia por consequência efetiva modifica o compromisso do texto.

Esquema

Substituição de conectivos

  1. 1Sentido compatível

    Preservação da relação.

  2. 2Construção adequada

    Ajuste da estrutura.

  3. 3Pontuação ajustada

    Organização coerente dos segmentos.

1.3.4 Coesão e coerência textual

Coesão é o conjunto de mecanismos linguísticos que liga partes do texto. Coerência é a construção de uma unidade de sentido compatível com o contexto, os conhecimentos mobilizados e o propósito comunicativo.

Um texto pode apresentar conectivos e pronomes adequados, mas construir uma conclusão incompatível com as informações anteriores. Também pode ser compreensível com poucos conectivos explícitos, porque a relação entre as frases resulta da situação e do conteúdo.

A coesão referencial permite acompanhar participantes e informações por pronomes, demonstrativos, elipse e expressões nominais. Em a equipe chegou à unidade e iniciou o atendimento, o sujeito da segunda ação está elíptico, mas permanece recuperável. A elipse não significa ausência de referência: o contexto preenche a posição omitida. A ambiguidade surge quando mais de um referente disputa essa recuperação e a informação disponível não permite escolher entre eles.

MecanismoRecursoEfeito
ReferencialPronome ou elipseMantém participantes
LexicalRepetição ou termo abrangenteMantém o campo temático
SequencialConectivo ou encadeamentoRelaciona ideias
Coerência globalCompatibilidade e progressãoConstrói unidade de sentido

A coesão lexical envolve repetição, sinonímia contextual e relações entre palavras. Em o veículo foi recolhido; o automóvel estava irregular, a retomada conserva o referente. Um termo abrangente, como documento, pode retomar requerimento; o caminho inverso exige que o contexto autorize a especificação. Nem toda palavra próxima funciona como sinônimo. Substituir testemunha por suspeito modifica o papel atribuído à pessoa e prejudica o sentido, ainda que ambas pertençam ao contexto de uma investigação.

A coesão sequencial organiza adição, contraste, causa, condição e conclusão. Em o setor estava fechado; por isso, o atendimento foi transferido, o segundo fato aparece como consequência. Se o texto disser o setor estava fechado; apesar disso, o atendimento foi transferido, surge uma expectativa diferente, que pode não ser justificada pelo contexto. Um conectivo gramaticalmente possível não é automaticamente semanticamente adequado.

A coerência exige ausência de contradição injustificada, continuidade temática e progressão informativa. A frase todos os pedidos foram analisados, mas alguns ainda aguardam análise, referida ao mesmo conjunto e ao mesmo momento, apresenta incompatibilidade. Já todos haviam sido analisados antes; alguns voltaram para nova análise pode ser coerente, porque há mudança temporal e nova etapa. O erro típico é julgar a coerência por palavras isoladas, sem considerar tempo, referente, situação e alcance de cada afirmação.

Exercício comentado

Como a banca cobrouoficial · SESAP/RN 2025

Quando se lê um texto e se verifica que as palavras, as frases e os parágrafos estão entrelaçados, dando continuidade uns aos outros, e que existem atributos que favorecem a conexão, a ligação, a harmonia entre os elementos dele, o texto está de acordo com o atributo da redação oficial denominado(a) de

  1. A)Impessoalidade.
  2. B)Clareza e Precisão.
  3. C)Objetividade.
  4. D)Coesão e Coerência.
  5. E)Formalidade.

Resposta: D

Conceito: Coesão articula as partes do texto, e coerência permite construir uma unidade de sentido.

Raciocínio: O enunciado reúne continuidade entre palavras, frases e parágrafos e harmonia na construção do sentido. Esses são os atributos de coesão e coerência, nomeados na alternativa D.

Pegadinha: Um texto pode usar linguagem formal e ainda apresentar conexões inadequadas ou contradições.

Base: Manual de Redação da Presidência da República, 3ª edição, seção 3.4, Coesão e coerência.

Pegadinha da banca

Possível não é certo

A troca de pode ocorrer por ocorrerá transforma possibilidade em certeza e pode invalidar uma paráfrase.

Pegadinha da banca

Referente não é mera proximidade

O antecedente de um pronome depende de compatibilidade gramatical e sentido. O substantivo mais próximo pode não ser o referente.

Pegadinha da banca

Conectivo depende do contexto

Enquanto pode indicar simultaneidade ou contraste. A classificação exige a relação efetiva entre os segmentos.

1.4 Exemplo resolvido

No relatório, lê-se: A unidade reorganizou o atendimento; ainda assim, as filas persistiram. A expressão ainda assim indica: A) causa da reorganização; B) conclusão inevitável; C) contraste com uma expectativa; D) finalidade do atendimento; E) condição para a existência de filas.

  1. A reorganização cria a expectativa de melhora do fluxo.
  2. A persistência das filas contraria essa expectativa, sem negar a reorganização.
  3. O operador introduz contraste de valor concessivo, sem afirmar uma causa.

Resposta: C) contraste com uma expectativa.

1.5 Fixação

Questões inéditas, no estilo da banca.

F1inédita

Leia o trecho autoral: “Foram recolhidos um caderno, uma carta e uma fotografia. Esses materiais serão catalogados.” A expressão “esses materiais” produz coesão ao

  1. A)retomar os elementos anteriores por uma expressão de sentido mais abrangente.
  2. B)introduzir objetos sem relação com os elementos citados anteriormente.
  3. C)substituir os elementos anteriores por seus respectivos antônimos.
  4. D)estabelecer uma comparação entre objetos antigos e objetos novos.
  5. E)anunciar uma lista que aparecerá apenas depois da segunda frase.

F2inédita

No período autoral “Embora o laudo estivesse concluído, sua entrega foi adiada”, a oração iniciada por “embora” estabelece uma relação de

  1. A)causa suficiente para o adiamento da entrega.
  2. B)finalidade pretendida com o adiamento da entrega.
  3. C)condição indispensável para a entrega do laudo.
  4. D)concessão, ao apresentar um fato que não impediu o adiamento.
  5. E)consequência produzida pelo adiamento da entrega.

F3inédita

Considere as frases autorais: I. “A proposta foi aprovada após o debate.” II. “Inicialmente, os participantes receberam a proposta.” III. “Em seguida, discutiram seus impactos.” A ordem que estabelece progressão temporal coerente, sem alterar as frases, é

  1. A)I – III – II.
  2. B)II – III – I.
  3. C)III – I – II.
  4. D)II – I – III.
  5. E)I – II – III.

F4inédita

Leia o trecho autoral: “O relatório foi entregue na segunda-feira. Para a coordenadora, ele representa um avanço decisivo na organização do setor.” A análise correta é que

  1. A)as duas frases apresentam apenas avaliações sem qualquer fato verificável.
  2. B)a primeira frase emite um elogio, e a segunda informa somente uma data.
  3. C)a opinião da coordenadora é apresentada como consenso de todos os servidores.
  4. D)o adjetivo “decisivo” elimina qualquer avaliação subjetiva sobre o relatório.
  5. E)a primeira frase informa um fato, e a segunda atribui uma avaliação à coordenadora.

F5inédita

Qual sequência autoral apresenta contradição interna, considerando o mesmo conjunto de documentos, o mesmo dia e o sentido literal?

  1. A)Todos os documentos foram digitalizados naquele dia; um deles não foi digitalizado naquele dia.
  2. B)Alguns documentos foram digitalizados naquele dia; outros permaneceram pendentes.
  3. C)Nenhum documento foi digitalizado naquele dia; a equipe retomou o trabalho no dia seguinte.
  4. D)Todos os documentos foram digitalizados naquele dia; a revisão das imagens ocorreu depois.
  5. E)Um documento foi digitalizado naquele dia; os demais seriam processados posteriormente.

1.6 Questões da banca

Questões oficiais de provas anteriores, com a fonte.

Q1oficial · IFPA 2025
AS MOSCAS TAMBÉM AMAM A mosca estava profundamente depressiva. E como não estar? Seu corpo expelia tristeza e angústia. Mal nascera, e a brevidade dos seus instantes já anunciavam: sua morte a esperava em apenas alguns dias. Em 15, 20 ou no máximo 30 dias jazeria esquecida, servindo apenas de alimento para outros insetos, se é que teria tal utilidade! Pobre sina! Voando entre decomposições, alimentando-se de podridões, a escolha perfeita para todos os males e imperfeições. Uma constante atração por tudo o que é desprezado pela espécie dominante na Terra. Ó, pobre mosca! Seu coração palpitava calor, um estômago que regurgitava boas intenções, um cérebro que planejava uma vida cheia de objetivos. Fazer o bem. Salvar vidas. Gravar seu nome na história. Será que esperava demais de si mesma? O que fazer, afinal? Concluiu ser uma mosca diferente de todas aquelas que a precederam. E como tal, iria em busca do seu destino alternativo. Começou a voar aleatoriamente em busca de um sentido na vida. Sentiu um atrativo odor de carniça ao sobrevoar um terreno baldio, mas resistiu à tentação. Precisava lutar contra suas inclinações, contra cada traço instintivo. Continuou vagando em direção ao tudo e nada, e chegou a uma casa de humanos. Entrou calmamente pela janela, e começou a inspecionar o local. Voou por toda a casa para descobrir que, no total, havia quatro pessoas ali. Cada qual ocupava um cômodo diferente. Ao inspecionar cada um, a mosca compadeceu-se ao ver seus rostos. Embora parecessem distraídos com aqueles pequenos aparelhos em mãos, emitindo uma estranha luz fosca, na verdade, havia um vazio em cada semblante. A mosca percebeu muita dor em cada traço daquelas faces. E concluiu que, mesmo em sua vida curta e sem objetivo, jamais sentira tamanha solidão como aqueles humanos pareciam padecer. Seu pequenino coração condoeu-se com tanto sofrimento contido. Todos eles eram seres mortos, apesar de ainda respirarem. Em busca de fazer a diferença, a mosca resolveu fazer-lhes companhia. Por que sobrevoar materiais em decomposição se poderia consolar aqueles que ainda respiravam? Quem sabe sua presença pudesse trazer um pouco de calor e ânimo para aquelas pessoas. Ela não poderia abanar o rabo como um cachorro, nem se esfregaria nos humanos como um gato. Mas encontraria uma forma de expressar seu carinho. Cheia de amor e boas intenções, a mosca tentou uma tímida aproximação. Para que fosse vista, aproximou-se dos olhos do humano. Não soube o porquê, mas ele afastou-a com um gesto brusco. Talvez não estivesse acostumado com expressões de carinho. Talvez estivesse simplesmente assustado. Talvez fosse melhor uma aproximação mais gentil. Na nova tentativa, pousou nos lábios do humano. Foi quase um beijo, uma expressão de “estou aqui se precisar”. Aquele foi seu último ato. Em um movimento rápido e certeiro, o humano se afastou e esmagou a mosca com as duas palmas. Aquela mosca imaginava ser a única em busca de um objetivo na vida. Enganou-se. Morreu sem ao menos saber que outros milhares de sua espécie tiveram (e ainda teriam) o mesmo fim, ao tentar consolar aqueles seres que estavam mortos, apesar de ainda respirarem. MARTINZ, Juliano. “Crônicas Narrativas”; Literatura Corrosiva. Adaptado.

Atente-se à significação e à função contextual do advérbio talvez, de modo a assinalar a alternativa correta em se tratando da intenção comunicativa modalizadora do cronista ao utilizá-lo no trecho: “Talvez fosse melhor uma aproximação mais gentil.”

  1. A)Epistêmica asseverativa.
  2. B)Epistêmica quase-asseverativa.
  3. C)Deôntica por volição.
  4. D)Deôntica por obrigação.
  5. E)Epistêmica delimitadora.

Q2oficial · Pref. Campina Grande/PB 2021
Paraíba registra queda no volume de vendas do comércio varejista, diz IBGE O volume de vendas do comércio varejista paraibano apresentou a 3a menor variação do país no acumulado em 12 meses (–0,7%), segundo a Pesquisa Mensal do Comércio (PMC) referente a setembro, divulgada nesta quinta-feira (11) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O índice estadual contrasta com a média nacional, que aponta para um saldo positivo (3,9%). No mesmo período, a receita nominal do setor da Paraíba, embora tenha tido alta de 9,7%, registrou também a 3a menor variação do Brasil, inferior à média do país (15,1%). Em ambos os casos, os indicadores paraibanos foram os menores do Nordeste. Já frente aos resultados de agosto deste ano, o volume de vendas paraibano teve retração de 1,4% em setembro, próxima à observada na média do Brasil (– 1,3%). Por outro lado, foi verificado um crescimento de 0,6% na receita do estado, enquanto no cenário nacional houve redução de 0,2%. Este ano, até o mês pesquisado, o volume brasileiro de vendas do comércio varejista apresentou expansão de 3,8%, no comparativo com o mesmo período de 2020, ao passo que o paraibano teve queda de 1,1%. Contudo, nos dois recortes territoriais, o saldo da receita foi positivo, de 16,3% e 10,4%, respectivamente, embora o indicador da Paraíba tenha sido o 3o menor do Brasil. No comércio varejista ampliado paraibano – que inclui as atividades de veículos, motos, partes e peças e de material de construção –, foram observadas variações positivas no acumulado de 12 meses, tanto no volume de vendas (6,1%), como na receita (16,9%). Em ambos os casos, porém, os resultados do estado foram inferiores às médias nacionais, de 7% e 19%, respectivamente. Na comparação dos resultados de setembro com os de agosto, houve redução de 0,2% no volume estadual e de 1,1% no nacional. Entretanto, as receitas dos setores aumentaram 0,8% e 0,3%, respectivamente. (Jornal da Paraíba, 11/11/2021. Disponível em: https://jornaldaparaiba.com.br/economia/2021/11/11/paraiba-registra- queda-no-volume-de-vendas-do-comercio-varejista-diz-ibge) Em relação à leitura do texto e as inferências que podem ser feitas, analise as afirmativas a seguir: I. Embora tenha havido uma queda no volume de vendas na Paraíba, no período analisado, o Estado arrecadou mais impostos. II. Comparando-se os resultados de setembro, em relação ao mês anterior, o desempenho paraibano ficou acima da média nacional, o que fez o estado ter um saldo positivo na receita. III. Somente o setor varejista ampliado paraibano teve resultado positivo durante todo o ano, destacando-se como o único comércio que obteve lucros nos últimos doze meses. Assinale

  1. A)se apenas a afirmativa I estiver correta.
  2. B)se apenas a afirmativa II estiver correta.
  3. C)se apenas a afirmativa III estiver correta.
  4. D)se todas as afirmativas estiverem corretas.

Q3oficial · SESAP/RN 2025
Lobo Bobo João Gilberto Mas chapeuzinho percebeu Que o lobo mau se derreteu Pra ver você que lobo Também faz papel de bobo Só posso lhe dizer Chapeuzinho agora traz O lobo na coleira Que não janta nunca mais Lobo bobo Era uma vez um lobo mau Que resolveu jantar alguém Estava sem vintém Mas arriscou E logo se estrepou Um chapeuzinho de maiô Ouviu buzina e não parou Mas lobo mau insiste E faz cara de triste Mas chapeuzinho ouviu Os conselhos da vovó Dizer que não pra lobo Que com lobo não sai só Lobo canta, pede Promete tudo, até amor E diz que fraco de lobo É ver um chapeuzinho de maiô

A canção LOBO BOBO dialoga com o conto CHAPEUZINHO VERMELHO, na qual a personagem central, Chapeuzinho Vermelho, desobedece aos conselhos de sua avó, optando por seguir um caminho perigoso que a coloca frente a frente com o perigo: o Lobo Mau. Esse diálogo entre os dois textos promove uma

  1. A)referência ao texto já conhecido, anunciando a atualidade do texto a que se alude.
  1. B)subversão do sentido do texto já conhecido, suscitando crítica.
  2. C)ressignificação de texto já conhecido, ambientando-o em novo contexto.
  3. D)reescrita do assunto do texto já conhecido, produzindo uma nova linguagem.
  4. E)reprodução da estrutura do texto já conhecido, gerando uma alusão estrutural.

Q4oficial · Pref. Patos/PB 2025
QUANDO SE PERDOA AOS PAIS Outro dia saí com uma amiga psicóloga, e nossos encontros sempre rendem bons papos. Um chope aqui, um petisco ali, e a conversa vai rendendo. Tal hora lhe perguntei qual assunto era mais tratado no seu divã. — Em terapia, um dos momentos mais marcantes é quando o paciente percebe que precisa perdoar aos pais. A resposta me desarmou. Ficou martelando na minha cabeça. Como assim, perdoar aos pais!? Que mal os heróis infalíveis de nossa infância cometeriam para necessitassem de perdão? Bom, eu nunca fiz terapia, também nunca tinha parado para pensar a respeito do papel de meus pais na formação do que sou hoje, mas esse assunto me saiu como uma bela epifania. Sou filho de pais jovens. Quando nasci, minha mãe tinha 17 anos, e meu pai, 20. E, antes que pensem bobagem, eu não vim ao mundo porque eles foram apressados e quebraram os trâmites da época. Pelo contrário, nasci conforme mandava o figurino: de pais casados e gerado um ano depois do matrimônio. Hoje, vejo uma certa graça em ter sido o primeiro filho de tão jovem casal, pois eu não percebia, mas meus pais e eu crescíamos juntos. Meu pai lia revista em quadrinhos comigo e gargalhava como se estivesse lendo as maiores piadas do mundo. Outro dia, enquanto aguardava ser atendido em um consultório médico, resolvi folhear uma que estava no meio de cestos de revistas e não vi graça. Será que estou velho e enjoado? Já minha mãe assistia ao programa infantil da época, o Balão Mágico, e curtia ouvir, na rádio ou no nosso toca-discos, as músicas de grupos, como Trem da Alegria ou da própria Xuxa, arriscando até uma coreografia. Do lado adulto deles, lembro que meu pai sempre foi muito organizado e exigia isso de mim e de meus irmãos. Teve formação militar, então nossas camas e quartos deviam estar sempre muito bem arrumados. Minha mãe orientava a mim e aos meus irmãos de como executar as tarefas simples da casa, por exemplo, lavar pratos, cozinhar, fazer compras... Tanto que, quando me mudei para Fortaleza, não tive dificuldade em me virar sozinho e até estranhei ver alguns amigos, já bem crescidinhos por sinal, tão dependentes de seus pais para desempenhar tarefas domésticas que, para mim, eram básicas de qualquer adulto funcional. Meus pais eram a personificação de pais corujas e atribuo a eles eu ter uma boa autoestima. Estavam sempre aplaudindo a todos os meus talentos. No lugar de brigar por causa de alguma travessura, procuravam ver graça naquilo que eu fazia, já que eu tinha uma imaginação muito fértil, e curtiam cada descoberta de minhas variadas aptidões. Me lembro de uma situação bem peculiar. Sempre gostei das artes e desenhava e pintava com um certo talento. Meus pais se admiravam com minha capacidade de rabiscar, a olho nu, qualquer imagem em qualquer superfície. Tais aptidões me inspiravam a fazer “obras” paradoxais numa casa. Pois bem, conseguem imaginar as paredes de um banheiro pintadas com as personagens da Turma da Mônica? Assim era o lá de casa. Um belo dia, acordei inspirado e, como um pequeno Michelangelo, resolvi “dar vida” às paredes do banheiro sem pedir permissão a ninguém. Munido de lápis de cera e canetinhas, dei início à minha inspiração. Meu pai, ao ver a “obra”, fez uma exclamação pela qual julguei que eu ia levar uma surra daquelas. Para minha surpresa, ele me pergunta o que eu tinha contra o Chico Bento, porque era o único que não estava no rol do “afresco”. Acredito que essa reação ocorreu por ainda existir nele o fogo da juventude que consegue ver graça nas situações mais toscas. Essa observação dele hoje me soa como o melhor elogio que eu recebi em toda minha vida. Os leitores devem estar pensando que quero passar a imagem de que tive pais diferentes dos pacientes de minha amiga psicóloga. Pois digo a vocês que também tive momentos que quis culpá-los por alguma situação com qual não consegui lidar ou por um de meus comportamentos já enraizados em minha personalidade. Sou muito independente e não gosto de pedir ajuda a ninguém. E, analisando bem, esse comportamento vem devido à cobrança de eu ter que ser sempre um bom exemplo para meus irmãos, pois sou o filho mais velho. Isso fez com que eu vivesse me cobrando uma espécie de perfeição, não me permitindo falhar em qualquer situação da vida. É quase certo que alguns adultos da minha geração concordariam que essa cobrança foi boa para mim, porque me tornou um homem forte e sem mi mi mi, diferente da geração atual que é tão criticada por não saber, muitas vezes, lidar com adversidades e frustações. Porém, confesso que essa suposta “força” me retrai a vontade de reconhecer que, às vezes, errar faz parte do aprender e que, como todo mundo, preciso de colo e cuidados. Crescer é um processo cruel. Um dia, a gente acorda e percebe que os pais não têm todas as respostas. Que erraram tentando acertar, que o colo ficou mais raro, que a presença deles nem sempre foi do jeito que precisávamos. A maturidade tem me ajudado muito a me portar diferente em relação a vários assuntos. Ao vê-los envelhecendo, ela me deu a capacidade de colocá-los em certos lugares e de enxergá-los como seres de carne e osso, falhos como qualquer ser humano. Por isso me concentro nos acertos, lhes perdoando os vacilos e me apegando às bondades que eles fizeram e me proporcionaram. Sei que muitos que estão lendo essa crônica não têm ou tiveram relações tão agradáveis com seus genitores, e, por favor, não pensem que estou aqui querendo invalidar as experiências de ninguém em relação a sua criação, pois sei que há pessoas que deveriam ter sido proibidas de trazer filhos ao mundo e que muitas delas foram responsáveis por prejudicá-los emocionalmente. Todavia ter o coração cheio de mágoas, em algum momento, dificulta nossa existência e pesa como uma cruz que se arrasta até o calvário ao qual nunca se chega. Além disso, essa lamentação sempre nos levará a entoar uma cantilena para justificar nossas falhas e medos. Seguir em frente é uma escolha, e acreditem, é a melhor. Perdoar aos pais é entender que, mesmo sem saber, eles escreveram em nós as primeiras linhas da nossa história. E, ao reler essas linhas, a gente aprende a enxergar não só o erro mas também o esforço de amar com as ferramentas que tinham. Ao terminar essa crônica, me veio, sorrateiramente, um trecho da música do grande Belchior “Ainda somos e vivemos como nossos pais”. Leva-se um tempo, mas chega o dia que esses versos farão um grande sentido em nossa vida. ALAN, Victor. Qual o nome de sua saudade? 1a edição. Belo Horizonte. Editora Epopeia, 2025. Os modalizadores discursivos são elementos linguísticos que expressam a atitude do falante em relação ao conteúdo do seu discurso. Assim sendo, no excerto a seguir, o emprego da estrutura oracional demarcada atribui ao contexto discursivo uma modalização do tipo “Acredito que essa reação ocorreu por ainda existir nele o fogo da juventude [...]”

  1. A)volitiva.
  2. B)deôntica.
  3. C)afetiva intersubjetiva.
  4. D)epistêmica asseverativa.
  5. E)epistêmica quase-asseverativa.

1.7 Gabarito comentado

P1inédita · pré-testeResposta: D

Conceito: Inferir é construir uma conclusão apoiada nas informações do texto.
Raciocínio: A permanência do balcão para quem não tem conexão indica preservação de uma alternativa de acesso. A alternativa D não acrescenta uma exigência inexistente.
Por que as outras estão erradas:
  • A: A alternativa A funde indevidamente duas formas de atendimento.
  • B: A alternativa B contraria a possibilidade expressa de atendimento no balcão.
  • C: A alternativa C nega uma informação explícita do texto.
  • E: A alternativa E cria requisito que o texto afasta.
Pegadinha: Uma inferência válida não pode contrariar a informação explícita.
Base: Koch e Elias, Ler e compreender: os sentidos do texto, leitura e inferência.
Questão irmã: O texto autoriza concluir que o balcão foi extinto? Gabarito: Não. Ele afirma a continuidade dessa forma de atendimento.

P2inédita · pré-testeResposta: B

Conceito: O tópico frasal apresenta a ideia central de um parágrafo.
Raciocínio: As frases posteriores especificam ações de planejamento e preservação. A alternativa B explica a hierarquia entre a primeira frase e as demais.
Por que as outras estão erradas:
  • A: A alternativa A ignora a unidade temática do parágrafo.
  • C: A alternativa C não encontra incompatibilidade efetiva entre tese e exemplos.
  • D: A alternativa D atribui discurso citado a um trecho sem essa marca.
  • E: A alternativa E confunde desenvolvimento da ideia com repetição literal.
Pegadinha: Desenvolver uma ideia não exige repetir as mesmas palavras.
Base: Othon M. Garcia, Comunicação em prosa moderna, estrutura do parágrafo.
Questão irmã: Os exemplos de inspeção e treinamento desenvolvem qual ideia? Gabarito: A dependência da preservação em relação ao planejamento contínuo.

P3inédita · pré-testeResposta: E

Conceito: A retomada pronominal estabelece uma relação anafórica com um termo anterior.
Raciocínio: O pronome masculino plural retoma “os depoimentos”, objeto de “encaminhou”. A alternativa E identifica o referente compatível com a forma e o sentido.
Por que as outras estão erradas:
  • A: A alternativa A desconsidera o gênero e o número do antecedente.
  • B: A alternativa B retoma um termo feminino singular posterior ao pronome.
  • C: A alternativa C atribui ao pronome uma ação, em vez do material encaminhado.
  • D: A alternativa D não identifica um referente nominal anterior compatível.
Pegadinha: A proximidade de uma palavra não basta para que ela seja o referente.
Base: Ingedore Koch, A coesão textual, coesão referencial.
Questão irmã: Em “Os autos chegaram e foram lidos”, o que foi lido? Gabarito: Os autos.

F1inéditaResposta: A

Conceito: A coesão lexical pode retomar elementos específicos por uma expressão abrangente.
Raciocínio: Caderno, carta e fotografia são agrupados como materiais. A alternativa A descreve essa retomada por categorização lexical.
Por que as outras estão erradas:
  • B: A alternativa B ignora o vínculo entre a expressão e os objetos já mencionados.
  • C: A alternativa C não há relação de oposição lexical no trecho.
  • D: A alternativa D não há dois grupos de objetos comparados.
  • E: A alternativa E inverte a direção da referência, que aponta para trás.
Pegadinha: Uma expressão pode retomar vários elementos sem repeti-los individualmente.
Base: Ingedore Koch, A coesão textual, coesão lexical e referência.
Questão irmã: “Esses materiais” retoma um único objeto do trecho? Gabarito: Não. Retoma o conjunto de objetos enumerados.

F2inéditaResposta: D

Conceito: A concessão apresenta um fato que poderia contrariar uma expectativa, sem impedir o outro.
Raciocínio: O laudo pronto favoreceria a expectativa de entrega, mas houve adiamento. A alternativa D explicita essa quebra de expectativa.
Por que as outras estão erradas:
  • A: A alternativa A transforma o fato concedido em motivo do adiamento.
  • B: A alternativa B atribui objetivo à oração que apresenta contraste de expectativa.
  • C: A alternativa C trata um fato admitido como requisito hipotético.
  • E: A alternativa E inverte a relação entre conclusão do laudo e adiamento.
Pegadinha: “Embora” admite um fato; não o apresenta como condição futura.
Base: Evanildo Bechara, Moderna gramática portuguesa, orações adverbiais concessivas.
Questão irmã: “Ainda que o arquivo estivesse aberto, ninguém entrou” expressa concessão? Gabarito: Sim. A abertura do arquivo não impediu a ausência de entrada.

F3inéditaResposta: B

Conceito: A progressão temporal organiza etapas conforme os marcadores e as relações entre os fatos.
Raciocínio: “Inicialmente” introduz o recebimento, “em seguida” marca o debate e “após o debate” situa a aprovação. A alternativa B respeita essa sequência.
Por que as outras estão erradas:
  • A: A alternativa A apresenta a aprovação antes do recebimento inicial e do debate.
  • C: A alternativa C desloca o recebimento inicial para depois do debate e da aprovação.
  • D: A alternativa D coloca a aprovação antes do debate ao qual ela deve suceder.
  • E: A alternativa E abre pela etapa final e a faz anteceder às condições descritas.
Pegadinha: Os marcadores temporais limitam a liberdade de ordenar as frases.
Base: Othon M. Garcia, Comunicação em prosa moderna, ordenação e desenvolvimento das ideias.
Questão irmã: Na sequência descrita, a aprovação antecede o debate? Gabarito: Não. A frase I a situa depois do debate.

F4inéditaResposta: E

Conceito: O texto pode combinar informação factual e avaliação atribuída a uma fonte.
Raciocínio: A entrega em uma data é verificável; “avanço decisivo” exprime julgamento da coordenadora. A alternativa E distingue as funções das frases.
Por que as outras estão erradas:
  • A: A alternativa A desconsidera a informação verificável da entrega.
  • B: A alternativa B inverte o conteúdo das duas frases.
  • C: A alternativa C generaliza uma avaliação atribuída a uma única pessoa.
  • D: A alternativa D confunde expressão avaliativa com neutralidade.
Pegadinha: Uma opinião atribuída a alguém não se torna automaticamente consenso.
Base: Koch e Elias, Ler e compreender: os sentidos do texto, construção dos sentidos e posicionamento discursivo.
Questão irmã: A expressão “para a coordenadora” atribui o julgamento a quem? Gabarito: À coordenadora, sem estendê-lo automaticamente aos demais.

F5inéditaResposta: A

Conceito: A coerência exige compatibilidade entre as informações nas condições consideradas.
Raciocínio: A alternativa A afirma e nega a digitalização integral do mesmo conjunto no mesmo dia. Nas demais, os fatos podem coexistir.
Por que as outras estão erradas:
  • B: A alternativa B divide o conjunto sem afirmar digitalização de todos.
  • C: A alternativa C situa a retomada do trabalho em outro dia.
  • D: A alternativa D distingue digitalização e revisão posterior.
  • E: A alternativa E informa processamento parcial seguido de previsão futura.
Pegadinha: A contradição depende de manter o mesmo referente e as mesmas condições.
Base: Koch e Travaglia, A coerência textual, não contradição e construção do sentido.
Questão irmã: “Todos foram digitalizados; nenhum ficou sem digitalização” é contraditório? Gabarito: Não. As duas afirmações são compatíveis.

Q1oficialResposta: B

Conceito: A modalização epistêmica quase asseverativa apresenta o conteúdo como possível ou provável, sem certeza plena.
Raciocínio: O advérbio talvez coloca a aproximação mais gentil no campo da hipótese. O enunciador não garante que ela produzirá melhor resultado nem impõe uma obrigação. Essa redução do compromisso com a certeza corresponde à alternativa B.
Por que as outras estão erradas:
  • A: A alternativa A pressupõe apresentação do conteúdo como certo, incompatível com a dúvida expressa por talvez.
  • C: A alternativa C relaciona a modalidade ao desejo, que não é o valor principal do advérbio no trecho.
  • D: A alternativa D pressupõe dever ou imposição, ausente na formulação hipotética.
  • E: A alternativa E restringiria a validade a um domínio ou ponto de vista, sem expressar a possibilidade indicada.
Pegadinha: O fato de a personagem desejar uma aproximação não transforma todo modalizador do trecho em volitivo.
Base: Estudos de modalização discursiva, distinção entre modalidade epistêmica, deôntica e volitiva; trecho apresentado na questão.
Questão irmã: Em “Talvez a reunião termine cedo”, o falante manifesta certeza ou possibilidade? Gabarito: Possibilidade, por modalização epistêmica quase asseverativa.

Fonte: IFPA 2025 — prova em pciconcursos.com.br

Q2oficialResposta: A

Conceito: A inferência deve respeitar o indicador econômico e o período de comparação presentes no texto.
Raciocínio: O gabarito A seleciona apenas I, apoiando-se na oposição entre queda do volume e aumento da receita nominal. A II não se sustenta porque, na comparação mensal do volume, a retração paraibana foi maior que a nacional; além disso, o texto não estabelece a causalidade proposta. A III mistura períodos e confunde receita com lucro. A referência de I a impostos exige ressalva: receita nominal do comércio não é, tecnicamente, arrecadação tributária, e o texto não apresenta dados fiscais.
Por que as outras estão erradas:
  • B: A alternativa B seleciona II, que não corresponde à comparação do volume nem à causalidade explicitada no texto.
  • C: A alternativa C seleciona III, que extrapola o recorte temporal e confunde receita com lucro.
  • D: A alternativa D aceita II e III, apesar das extrapolações e da comparação inadequada.
Pegadinha: Volume vendido, receita nominal, lucro e arrecadação tributária são indicadores diferentes; a escolha oficial de A não autoriza tratá-los como sinônimos.
Base: Jornal da Paraíba, 11/11/2021; distinção conceitual entre receita, lucro e arrecadação tributária.
Questão irmã: O aumento da receita nominal demonstra, por si só, aumento do lucro do comércio? Gabarito: Não. O lucro depende também dos custos, que não são informados.

Fonte: Pref. Campina Grande/PB 2021 — prova em pciconcursos.com.br

Q3oficialResposta: C

Conceito: A intertextualidade pode retomar personagens conhecidos e atribuir-lhes novos sentidos em outro contexto.
Raciocínio: A canção recupera as figuras do lobo e de Chapeuzinho, mas reorganiza a relação entre elas em uma situação de aproximação amorosa e inversão de controle. O conto passa a funcionar como referência para um contexto diferente. Essa ressignificação corresponde à alternativa C.
Por que as outras estão erradas:
  • A: A alternativa A reduz o diálogo a uma referência e não contempla a transformação de contexto e de sentidos.
  • B: A alternativa B pressupõe uma finalidade crítica como elemento central, que não é necessária para explicar a releitura apresentada.
  • D: A alternativa D descreve apenas reescrita e mudança de linguagem, sem identificar a atualização de sentido e contexto.
  • E: A alternativa E supõe reprodução da estrutura do conto, embora a relação entre as personagens seja reelaborada.
Pegadinha: Nem toda transformação intertextual tem como finalidade principal criticar o texto anterior.
Base: Canção e conto referidos no enunciado; linguística textual, conceito de intertextualidade e ressignificação.
Questão irmã: Retomar uma personagem de conto tradicional e colocá-la em uma situação contemporânea pode produzir ressignificação? Gabarito: Sim. A referência anterior ganha novos sentidos no novo contexto.

Fonte: SESAP/RN 2025 — prova em pciconcursos.com.br

Q4oficialResposta: E

Conceito: Expressões de crença podem modalizar uma afirmação como interpretação provável do enunciador.
Raciocínio: Ao introduzir sua explicação com acredito, o narrador apresenta uma hipótese pessoal sobre a reação do pai. Ele não a declara uma certeza objetiva. A modalização é epistêmica, ligada ao grau de conhecimento, e quase asseverativa, alternativa E.
Por que as outras estão erradas:
  • A: A alternativa A expressaria desejo ou vontade, e não avaliação de plausibilidade.
  • B: A alternativa B expressaria dever, permissão ou proibição, ausentes na frase.
  • C: A alternativa C priorizaria uma reação afetiva na relação entre interlocutores, em vez da avaliação de verdade da explicação.
  • D: A alternativa D atribuiria ao conteúdo certeza mais forte do que a crença pessoal sinalizada.
Pegadinha: A presença de sentimento no tema não determina a classificação do modalizador; importa a função de acredito na afirmação.
Base: Estudos de modalização discursiva, modalidade epistêmica quase asseverativa; trecho da crônica apresentado na questão.
Questão irmã: Em “Creio que o documento foi enviado”, o conteúdo é apresentado como obrigação? Gabarito: Não. É apresentado como crença ou hipótese do enunciador, com valor epistêmico.

Fonte: Pref. Patos/PB 2025 — prova em pciconcursos.com.br

1.8 Revisão relâmpago e mapa de revisão

  • Tema é assunto; tese é posição defendida.
  • Inferência exige indícios textuais.
  • Pressupostos são ativados por construções linguísticas.
  • Quase-asseveração reduz o compromisso com a certeza.
  • Concessão admite circunstância que não impede a afirmação principal.
  • Finalidade não comprova resultado alcançado.
  • Coesão liga segmentos; coerência constrói unidade de sentido.
  • Paráfrase preserva referência, intensidade e alcance.

Mapa de revisão

Reveja este capítulo em 1, 7 e 30 dias.

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