Matéria 01
Língua Portuguesa
O que o edital pede nesta matéria
- 1Leitura e interpretação de diversos tipos de textos (literários e não literários).
- 2Sinônimos e antônimos.
- 3Sentido próprio e figurado das palavras.
- 4Pontuação.
- 5Classes de palavras: substantivo, adjetivo, numeral, pronome, verbo, advérbio, preposição e conjunção: emprego e sentido que imprimem às relações que estabelecem.
- 6Concordância verbal e nominal.
- 7Regência verbal e nominal.
- 8Colocação pronominal.
- 9Crase.
Língua Portuguesa · Capítulo 1
Leitura e interpretação de textos literários e não literáriosSinônimos e antônimosSentido próprio e figurado das palavras
Itens do edital:
- 1. Leitura e interpretação de diversos tipos de textos (literários e não literários).
- 2. Sinônimos e antônimos.
- 3. Sentido próprio e figurado das palavras.
1.1 Pré-teste
Responda antes de ler a teoria. O gabarito está no fim do capítulo.
P1inédita
Leia o texto. O ônibus da linha 12 passou pelo ponto às 6h05. Mariana chegou às 6h10, viu o veículo se afastando e ficou sem transporte naquela manhã. Com base no texto, é correto afirmar que Mariana:
- A)viajou de carro após o cancelamento da linha 12.
- B)chegou ao ponto antes do ônibus e aguardou sua passagem.
- C)não conseguiu embarcar no ônibus da linha 12 das 6h05.
- D)mora em frente ao ponto e chegou atrasada por esse motivo.
- E)pegou o ônibus da linha 12 sem pressa naquela manhã.
P2inédita
Leia o texto. A leitura frequente amplia o vocabulário e a capacidade de argumentar. Quem lê com regularidade costuma escrever com mais clareza, porque conhece diferentes maneiras de expressar uma mesma ideia. A ideia central do texto é que:
- A)a clareza da escrita independe de conhecer diferentes formas de dizer.
- B)escrever bem depende apenas de talento, sem relação com a leitura.
- C)quem não lê nunca consegue argumentar com segurança.
- D)a leitura frequente amplia o repertório e favorece a escrita clara.
- E)o vocabulário amplo deve ser evitado para que o texto seja claro.
P3inédita
Assinale a alternativa em que a expressão entre asteriscos está em sentido figurado.
- A)Comprei uma caixa de sapatos na loja.
- B)Ele machucou o pé ao pisar no vidro.
- C)O cachorro correu pelo quintal.
- D)A água do lago estava gelada.
- E)Ela tem uma memória de elefante.
1.2 O que cai
- 1. Leitura e interpretação de diversos tipos de textos (literários e não literários): 57 questões da banca, 2015–2026
- 2. Sinônimos e antônimos: 4 questões da banca, 2015–2018
- 3. Sentido próprio e figurado das palavras: 5 questões da banca, 2015–2021
1.3 Teoria
Leitura e vocabulário são a base de todas as questões de Língua Portuguesa da prova. Quem interpreta com precisão, reconhece o sentido de cada palavra no contexto e separa o que o texto diz do que o candidato pensa acerta mais questões, e este capítulo ensina esse método.
1.3.1 Leitura e interpretação de textos literários e não literários
Ler é atribuir sentido ao texto. Compreender é entender o que está escrito; interpretar é ir além: explicar o que está implícito, a intenção de quem escreveu e o efeito que o texto produz em quem lê. A banca cobra as duas coisas, e a diferença entre elas decide muitas questões.
Dois grandes grupos de texto. Os textos literários (contos, crônicas, poemas, romances) usam linguagem conotativa, cheia de imagens e de sentidos figurados, e seu objetivo principal é a expressão estética. Os textos não literários (notícias, artigos de opinião, regulamentos, avisos, cartas oficiais) usam linguagem denotativa, mais objetiva, e costumam informar ou convencer. A forma de ler muda com o grupo.
| Tipo de texto | Função principal | Linguagem | O que procurar |
|---|---|---|---|
| Literário | Expressão e efeito estético | Conotativa, com imagens | Sentido figurado, tom e intenção |
| Não literário | Informar ou argumentar | Denotativa e objetiva | Ideia central, tese e dados |
As quatro etapas de leitura. Quem lê com método acerta mais e perde menos tempo:
- Leia o todo. Título, subtítulo, fonte e primeiro parágrafo dizem o assunto e o tom. Antes de responder qualquer pergunta, o candidato precisa saber de que trata o texto.
- Identifique gênero e finalidade. Um aviso quer orientar; um artigo de opinião quer convencer; um conto quer emocionar ou provocar reflexão. A finalidade é o que dá o peso das alternativas.
- Localize a ideia central. Em textos argumentativos, ela costuma estar na tese do primeiro parágrafo ou na conclusão. Em textos narrativos, é o conflito e a sua resolução.
- Separe fato de opinião. "A obra foi entregue em março" é um fato verificável. "A obra foi um sucesso" é uma avaliação do autor, e a alternativa que a trata como fato está errada.
Os tipos de compreensão que a prova cobra. A banca faz perguntas de quatro tipos, e cada um pede uma atitude diferente:
| Tipo de questão | Como aparece | O que fazer |
|---|---|---|
| Literal | "De acordo com o texto" | Voltar ao trecho e confirmar a palavra |
| Inferencial | "É possível concluir", "depreende-se" | Tirar a conclusão lógica, sem ir além |
| Global | "A ideia central", "o assunto" | Escolher a alternativa que resume o todo |
| Específica | "Segundo o autor, quando..." | Localizar o dado exato no parágrafo |
Pistas de coesão. Os conectivos mostram a relação entre as ideias, e a interpretação depende deles. Porém e no entanto marcam oposição; portanto e logo marcam conclusão; porque marca causa; embora e apesar de marcam concessão, quando a segunda ideia acontece mesmo com a primeira. Num aviso como "Apesar do calor, o atendimento continua até as 18h", a concessão mostra que o atendimento não será interrompido pelo calor.
Erros típicos do candidato.
- Extrapolar: concluir algo que o texto não permite. Se o texto diz que a obra começou, não significa que terminou.
- Trocar opinião por fato, ou o contrário.
- Responder pelo que ele acha do assunto, e não pelo que o texto diz. A alternativa pode ser verdadeira no mundo e falsa no texto.
- Ler só o começo do parágrafo e perder a conclusão, que muda a leitura.
Textos literários: o que observar. Em um conto, identifique quem narra (narrador em primeira ou terceira pessoa), quem são as personagens, onde e quando a história acontece, e qual é o conflito. A resposta à pergunta de interpretação quase sempre está na relação entre esses elementos. Em um poema, observe o eu lírico, que pode não ser o próprio autor, o ritmo, as repetições e as imagens. A prova pede a leitura que o texto sustenta, e não a que o candidato gostaria que ele tivesse. Quando um texto literário admite mais de uma leitura, a alternativa certa é a que o próprio texto permite, sem forçar.
Textos argumentativos: tese, argumentos e conclusão. Um artigo de opinião tem uma tese, que é a posição do autor; argumentos, que são as razões dadas para sustentá-la; e uma conclusão, que retoma a tese com mais força. Ao ler, separe as três partes. Uma alternativa que atribui ao autor uma tese que ele apenas citou para contestar está errada, porque ela aparece no texto, mas não é a posição de quem escreveu.
Implícitos: pressuposto e subentendido. O pressuposto é o que a frase toma como já sabido. "Você já pagou a conta?" pressupõe que existe uma conta. O subentendido é o que se entende sem estar escrito, pela intenção de quem fala. Numa resposta como "A reunião foi longa", o subentendido pode ser de cansaço ou de reclamação, conforme o contexto. A banca cobra o pressuposto com mais frequência, porque ele é mais objetivo.
Vocabulário e contexto. Quando uma palavra desconhecida aparece, o próprio texto costuma explicá-la. Observe a oposição ou a explicação ao lado: em "o relato era prolixo, cheio de detalhes que não acrescentavam nada", a segunda oração revela que prolixo é excessivamente longo. Essa leitura não depende de conhecer a palavra antes; depende de ler a frase inteira.
Aplicação no cargo. Num ofício ou num aviso de atendimento, a interpretação é de trabalho: se um comunicado diz "a solicitação deverá ser protocolada até o dia 10", o servidor entende que o prazo termina nesse dia, e não que pode ser entregue depois por tolerância. Ler com precisão evita informar o cidadão de forma errada.
Exemplo de língua. Num texto argumentativo, a palavra contudo introduz uma objeção, não uma soma. Quem lê "contudo" como "e também" perde a tese do autor.
Pegadinhas da banca. A banca usa alternativas que são corretas em geral, mas não no texto: "o autor defende a reforma" quando o texto só relata a proposta de reforma. Outra armadilha é a alternativa que troca o agente da ação, atribuindo ao autor uma opinião de um personagem citado.
Exemplo resolvido
Uma frase diz: "Apesar do calor, a fila permaneceu organizada." Qual é a relação entre as duas ideias?
- O conectivo apesar introduz uma concessão.
- A segunda ideia (a fila organizada) acontece mesmo com a primeira (o calor).
- Resposta: a organização da fila se manteve, apesar do calor.
Esquema
As quatro etapas de leitura
1Leia o todo: título, subtítulo e primeiro parágrafo
dizem o assunto e o tom
2Identifique gênero e finalidade
informar, convencer, emocionar
3Localize a ideia central
tese no início ou conclusão
4Separe fato de opinião
fato se verifica; opinião é avaliação
1.3.2 Sinônimos e antônimos
Sinônimos são palavras de sentido próximo, em um determinado contexto. Antônimos são palavras de sentido oposto. A prova usa as duas relações de duas formas: pede o sinônimo que mantém o sentido do trecho, ou pede o antônimo que inverte a ideia. Em ambos os casos, o contexto decide, e não o dicionário isolado.
Sinonímia não é identidade. Quase nenhuma palavra é sinônima de outra em todos os contextos. Rápido e veloz se aproximam em muitas frases, mas "um raciocínio rápido" não é o mesmo que "um carro veloz". A regra para a prova é testar a substituição dentro da frase: o trecho deve manter o sentido, a concordância e a regência.
| Palavra | Sinônimo no contexto | Antônimo |
|---|---|---|
| Rápido | Veloz, ágil | Lento, vagaroso |
| Claro | Evidente, nítido | Escuro, obscuro |
| Vender | Negociar, comercializar | Comprar |
| Presente | Atual, existente | Ausente |
Tipos de antonímia. A banca não cobra a nomenclatura, mas o raciocínio dela ajuda a errar menos:
- Complementar: a negação de um termo afirma o outro. Vivo e morto: não existe meio-termo.
- Gradual: há graus entre os extremos. Quente e frio têm morno no meio.
- Recíproco: as duas palavras indicam a mesma relação vista de lados opostos. Vender e comprar: quem vende, para alguém que compra.
Como a prova cobra. A pergunta típica é "a palavra X pode ser substituída por Y sem prejuízo do sentido", ou "o antônimo de X no contexto". O segundo caso exige atenção ao sentido da frase. Em "o pai era duro com os filhos", duro significa rigoroso, e o antônimo que interessa é brando, e não mole.
Sinônimos em texto oficial. No texto oficial, a palavra técnica costuma ter um sinônimo mais simples que mantém o sentido. Notificar pode ser substituído por comunicar oficialmente, e anexar por juntar. A escolha correta depende de o sentido permanecer o mesmo no documento, e não de a palavra parecer mais bonita ou mais formal.
Pegadinhas da banca.
- O sinônimo de dicionário que muda o sentido no texto, como trocar bom por excelente, que altera o grau da avaliação.
- O antônimo de um sentido que não é o usado: pesado, com o sentido de aborrecido, tem como oposto divertido, e não leve.
- A troca que quebra a concordância ou a regência, mesmo com sinônimo correto.
Aplicação no cargo. Num ofício, a escolha do sinônimo tem efeito de formalidade. "Solicito" e "peço" são próximos, mas o primeiro é o registro do documento formal, e o segundo soa mais informal. Como célere e rápido, a diferença é de registro: um cabe ao texto técnico, o outro à conversa.
Exemplo de língua. A palavra cedo pode ser antônimo de tarde, mas, em "não é cedo para decidir", o sentido é o de ainda não é o momento, e o antônimo não é tarde.
Como estudar. Monte pares de palavras com o contexto ao lado, e não listas soltas. Quem decora a lista de sinônimos erra na hora de substituir a palavra dentro de uma frase. Ler a frase substituída em voz alta ajuda a perceber a troca que soa estranha, mesmo quando o dicionário a aprova.
Polissemia e substituição. Uma mesma palavra pode ter vários sentidos, e o sinônimo depende do sentido usado. Manga é fruta em uma frase e peça de roupa em outra, e cada uma tem sinônimos diferentes. A regência também entra no teste. Em "assistir ao filme", o verbo significa ver, e a troca por ver funciona, mas com outra construção: "vi o filme", sem a preposição. Quem troca só o verbo e esquece a regência erra a questão, mesmo com o sinônimo certo.
Esquema
Relações de sentido entre palavras
Relações de sentido
Sinônimos
sentido próximo, no contexto
Antônimo complementar
vivo e morto, sem meio-termo
Antônimo gradual
quente e frio, com graus intermediários
Antônimo recíproco
vender e comprar, vistos de lados opostos
1.3.3 Sentido próprio e figurado das palavras
O sentido próprio, também chamado denotativo, é o literal: a palavra designa exatamente o que o dicionário registra. O sentido figurado, ou conotativo, é o que a palavra ganha em um contexto, por comparação, deslocamento ou ênfase. "A mesa tem um pé quebrado" usa pé em sentido próprio, de parte do corpo; "o pé da mesa" usa pé em sentido figurado, por semelhança de posição.
Figura não é erro. O sentido figurado é um recurso da língua, e ele é tão correto quanto o próprio. A banca quer saber se o candidato identifica o sentido em que a palavra está sendo usada, e não se ele considera a frase errada.
| Figura | Ideia | Exemplo |
|---|---|---|
| Metáfora | Comparação implícita, sem conectivo | Ele é uma raposa nas negociações (astúcia) |
| Metonímia | Um termo pelo outro, por relação de sentido | Li Machado de Assis (a obra pelo autor) |
| Hipérbole | Exagero para enfatizar | Esperei uma eternidade (muito tempo) |
| Eufemismo | Suavização de uma expressão dura | Ele faleceu (no lugar de morreu) |
| Ironia | Dizer o contrário do que se pensa | Que atendimento rápido!, dito após uma longa espera |
Como identificar o sentido. Três perguntas resolvem a maioria das questões:
- A palavra pode ser entendida no sentido do dicionário, sem prejuízo da frase? Se sim, é provável que seja próprio.
- A frase trata de algo físico e concreto, ou de algo abstrato, como ideia, sentimento ou situação? Se for abstrato, a palavra costuma estar em sentido figurado.
- Substituir a palavra por um sinônimo literal faz a frase perder o sentido? Se faz, o sentido é figurado.
Em "a fila andou depressa", andou não tem relação com caminhar. Ela significa que o atendimento progrediu, e por isso o sentido é figurado.
Os erros que a banca explora.
- Tomar a palavra fora do contexto, como se ela tivesse um só sentido.
- Confundir metáfora com comparação explícita. "Ele é como uma raposa" é comparação, com como; "ele é uma raposa" é metáfora.
- Achar que hipérbole é mentira. O exagero é intencional e não é erro.
- Confundir eufemismo com ironia. O eufemismo suaviza; a ironia diz o contrário para criticar.
Aplicação no atendimento público. O servidor que atende o cidadão precisa entender o sentido figurado para não agir de forma literal. Se o cidadão diz que "o processo está parado há uma eternidade", ele exagera para reclamar da demora. A resposta adequada é verificar o andamento, e não responder com a precisão de um relógio.
Pegadinhas da banca. A alternativa que classifica como próprio um sentido que é figurado, ou o contrário, é a mais comum. Outra armadilha é trocar a figura pelo nome da classe gramatical: uma palavra em sentido figurado continua sendo substantivo, verbo ou adjetivo, e a questão pede o sentido, não a classe.
Títulos de notícia. O jornalismo usa figura para chamar atenção. Em "Governo acende alerta sobre fila de exames", acende é sentido figurado: o governo não acende nada, ele passa a dar atenção ao problema. Em textos técnicos, como um ofício ou um parecer, a figura é rara, e o sentido próprio predomina. Por isso, a prova costuma usar figura em textos de notícia e de crônica, e sentido próprio em textos de serviço.
Exemplo de língua. Em o coração da cidade, o sentido é figurado, pois a expressão designa o centro, e não um órgão. Já em o coração do paciente, o sentido é próprio.
Como estudar. Leia textos curtos e pergunte, para cada palavra destacada, se ela pode ser trocada por um termo literal sem prejuízo. A resposta é o sentido.
Comparação
Sentido próprio e figurado
| Sentido próprio | Sentido figurado |
|---|---|
| Palavra no sentido literal, do dicionário | palavra usada por comparação, deslocamento ou ênfase |
| Pé de uma pessoa ou de um animal | pé da mesa, por semelhança de posição |
Pegadinha da banca
Sinônimo de dicionário nem sempre serve
Trocar uma palavra pelo sinônimo do dicionário pode mudar o grau, o registro ou o sentido da frase. Teste sempre a substituição dentro do trecho, e não isoladamente.
Pegadinha da banca
Figura não é erro
Sentido figurado é um recurso correto da língua. A questão pede o sentido em que a palavra está usada, e não se a frase está gramaticalmente errada.
1.4 Exemplo resolvido
Na frase "A resposta da chefia foi um balde de água fria para a equipe", a expressão destacada tem sentido: A) próprio, pois se refere a um recipiente com água. B) figurado, indicando decepção ou desânimo. C) figurado, indicando elogio ao trabalho da equipe. D) próprio, pois descreve um fato físico. E) figurado, como sinônimo literal de água.
- A frase trata de chefia e de equipe, pessoas e situações, e não de objeto físico.
- A expressão balde de água fria é usada para indicar decepção, e não um recipiente.
- As alternativas que falam em sentido próprio estão descartadas, e a que indica elogio também.
- Resposta: alternativa B, sentido figurado indicando decepção ou desânimo.
Resposta: B
1.5 Fixação
Questões inéditas, no estilo da banca.
F1inédita
Leia o texto. Misture a farinha e o ovo até formar uma massa homogênea. Depois, modele pequenas bolinhas e leve-as ao forno por vinte minutos. Predominantemente, esse texto tem a função de:
- A)orientar o leitor, passo a passo, sobre como fazer uma receita.
- B)defender a importância de uma receita tradicional.
- C)expressar a opinião pessoal do autor sobre a culinária.
- D)descrever a aparência de um prato pronto.
- E)relatar um acontecimento vivido por quem cozinhou.
F2inédita
No trecho 'A equipe ficou apreensiva diante do resultado', o adjetivo 'apreensiva' pode ser substituído, sem prejuízo do sentido, por:
- A)confiante
- B)alegre
- C)satisfeita
- D)preocupada
- E)indiferente
F3inédita
Em 'O trem chegou atrasado, mas a viagem de volta foi muito rápida', a palavra 'rápida' tem como antônimo, nesse contexto:
- A)veloz
- B)breve
- C)ágil
- D)célere
- E)lenta
F4inédita
No trecho 'O diretor abriu as portas da empresa para novos sócios', a expressão em destaque 'abriu as portas' tem sentido figurado equivalente a:
- A)fechou o acesso a
- B)destrancou a fechadura da sede
- C)demitiu os funcionários da
- D)pintou a fachada da
- E)permitiu a entrada de
F5inédita
No trecho 'Ele rasgou a manga da camisa', a palavra 'manga' está empregada em sentido:
- A)figurado, equivalente a 'situação embaraçosa'.
- B)figurado, equivalente a 'pessoa inconveniente'.
- C)próprio, referindo-se à fruta tropical.
- D)próprio, referindo-se à parte da roupa que cobre o braço.
- E)figurado, equivalente a 'ação difícil'.
1.6 Questões da banca
Questões oficiais de provas anteriores, com a fonte.
Q1oficial · Pref. Estância Turística de Tremembé/SP 2026
Saudade da coxa de catupiry Sou do tempo dos salgadinhos reconhecíveis. Você me entende: do tempo em que, diante da bandeja, a gente não tinha dúvidas ‒ o que ali estava era croquete, coxinha, empadinha. Sem chance de equívoco. Bem diferente, admita, dos dias de hoje, em que é preciso recorrer ao garçom para decifrar enigmas culinários, alguns deles tão complexos e empetecados que você se pergunta se não seriam, em vez de comida, peças decorativas. Sim, vivemos a era do salgadinho que demanda apresentação. Deveria vir com legenda. Nada contra a modernização do tira-gosto. Mas me dê um tempo para me adaptar. Outro dia, num casamento, estenderam na minha direção um artefato aparentemente comestível, algo como uma coxinha esférica, acoplada a um talo branco. Era, de fato, uma minicoxinha ‒ mas e o misterioso talo branco, grosso demais para ser palito? Na roda, um convidado mais ousado se aventurou a mastigá-lo, e aí se deu conta de que, naquele casamento chique, ele tinha na boca um vulgar pedaço de cana. Coxinha com cana ‒ onde vamos parar? E o que fazer com o bagaço? Muita coisa surgiu na vida de meus maxilares tão fatigados desde a primeira dentição. Na minha infância belo-horizontina não tinha shitake, rúcula e kiwi, por exemplo. Em compensação, tinha Crush, drops Dulcora, açúcar cândi, que depois sumiram do mapa. Como sumiu o cajuzinho. Onde foi parar o cajuzinho? Você vai me dizer que não sei onde tem uma “dona” que faz. Coisas de Belo Horizonte: em alguma parte, tem sempre uma dona que faz o docinho, o salgadinho que desapareceu das vitrines. Não duvido de que nalgum recanto da capital haja uma dona do cajuzinho. Vai ver que é a mesma do bolinho de feijão. (Humberto Werneck. Esse inferno vai acabar, 2011. Adaptado)
É correto afirmar que, em sua infância, o narrador
- A)tinha o hábito de andar pela cidade de Belo Horizonte à procura de alguém que ainda fizesse cajuzinhos.
- B)desconhecia certos ingredientes que seus familiares tinham o hábito de usar para fazer salgadinhos e docinhos.
- C)costumava consumir certos produtos que, a partir de um certo momento, não se encontravam mais.
- D)evitava ao máximo comer alimentos que contivessem ingredientes diferentes como shitake, rúcula ou kiwi.
- E)enfrentou problemas relacionados à primeira dentição, o que o impediu de conhecer determinados alimentos.
Q2oficial · TJ/SP Escrevente Técnico Judiciário (Interior) 2018
Texto base: Quem assiste a “Tempo de Amar” já reparou no português extremamente culto e correto que é falado pelos personagens da novela. Com frases que parecem retiradas de um romance antigo, mesmo nos momentos mais banais, os personagens se expressam de maneira correta e erudita. Ao UOL, o autor da novela, Alcides Nogueira, diz que o linguajar de seus personagens é um ponto que leva a novela a se destacar. “Não tenho nada contra a linguagem coloquial, ao contrário. Acho que a língua deve ser viva e usada em sintonia com o nosso tempo. Mas colocar um português bastante culto torna a narrativa mais coerente com a época da trama. Fora isso, é uma oportunidade de o público conhecer um pouco mais dessa sintaxe poucas vezes usada atualmente”. O escritor, que assina o texto da novela das 18h ao lado de Bia Corrêa do Lago, conta que a decisão de imprimir um português erudito à trama foi tomada por ele e apoiada pelo diretor artístico, Jayme Monjardim. Ele revela que toma diversos cuidados na hora de escrever o texto, utilizando, inclusive, o dicionário. “Muitas vezes é preciso recorrer às gramáticas. No início, o uso do coloquial era tentador. Aos poucos, a escrita foi ficando mais fácil”, afirma Nogueira, que também diz se inspirar em grandes escritores da literatura brasileira e portuguesa, como Machado de Assis e Eça de Queiroz. Para o autor, escutar os personagens falando dessa forma ajuda o público a mergulhar na época da trama de modo profundo e agradável. Compartilhou-lhe o sentimento Jayme Monjardim, que também explica que a estética delicada da novela foi pensada para casar com o texto. “É uma novela que se passa no fim dos anos 1920, então tudo foi pensado para que o público entrasse junto com a gente nesse túnel do tempo. Acho que isso é importante para que o telespectador consiga se sentir em outra época”, diz. (Guilherme Machado. UOL. https://tvefamosos.uol.com.br. 15.11.2017. Adaptado)
Sem prejuízo de sentido ao texto, as passagens “Quem assiste a ‘Tempo de Amar’ já reparou no português extremamente culto...” (1º parágrafo) e “Aos poucos, a escrita foi ficando mais fácil”… (3º parágrafo) estão corretamente reescritas em:
- A)Quem assiste a “Tempo de Amar” já corrigiu o português excepcionalmente culto... / Seguramente, a escrita foi ficando mais fácil.
- B)Quem assiste a “Tempo de Amar” já se deu conta do português agudamente culto... / Rapidamente, a escrita foi ficando mais fácil.
- C)Quem assiste a “Tempo de Amar” já percebeu o português muitíssimo culto... / Paulatinamente, a escrita foi ficando mais fácil.
- D)Quem assiste a “Tempo de Amar” já reconheceu o português ocasionalmente culto... / Curiosamente, a escrita foi ficando mais fácil.
- E)Quem assiste a “Tempo de Amar” já se aborreceu com o português sagazmente culto... / Lentamente, a escrita foi ficando mais fácil.
Q3oficial · Polícia Militar/SP 2017
3 maneiras de melhorar sua memória comprovadas pela ciência Está se sentindo esquecido? Vale testar as dicas que separamos, baseadas na ciência, para recuperar o controle sobre sua memória. Primeiro, associe suas memórias com objetos físicos. Você já deve ter passado por este problema: acabou de ser apresentado a alguém e, assim que a pessoa vira as costas, já esqueceu como ela se chama. Acontece – mas é extremamente embaraçoso precisar perguntar o nome dela novamente. A dica é associar o nome a algum objeto. Por exemplo, se você acabou de conhecer a Giovana e ela estava próxima a uma janela, pense nela como a Giovana da Janela. Segundo, não memorize apenas por repetição. Ao ver ou participar de apresentações, você deve ter sentido isto: é muito claro quando alguém apenas decorou o que devia falar. Mas basta acontecer alguma mudança no roteiro para que a pessoa se perca. Memorizar algo de fato depende de compreensão. Então, ao pensar em falas e apresentações, tente entender o conceito todo ao redor do que você está falando. Pesquisas mostram que apenas a repetição automática pode até impedir que você entenda o que está expondo. Terceiro, rabisque! Estudos indicam que rabiscar enquanto “ingerimos” informações não visuais (em aulas, por exemplo) aumenta a capacidade de nossa memória. Uma pesquisa de 2009 mostrou que pessoas que rabiscavam enquanto ouviam uma lista de nomes lembravam 29% a mais os nomes ditos. (Luciana Galastri. Revista Galileu, 03.02.2015. http://revistagalileu.globo.com. Adaptado)
As aspas em – Estudos indicam que rabiscar enquanto “ingerimos” informações não visuais... (4o parágrafo) – sinalizam que o vocábulo ingerimos está empregado com sentido
- A)figurado, equivalendo a “transmitimos verbalmente”.
- B)figurado, equivalendo a “assimilamos mentalmente”.
- C)próprio, equivalendo a “engolimos facilmente”.
- D)figurado, equivalendo a “captamos equivocadamente”.
- E)próprio, equivalendo a “devoramos avidamente”.
Q4oficial · PM/SP 2019
Mais ócio, por favor Quando o sociólogo italiano Domenico De Masi lançou o conceito de “ócio criativo”, em seu livro homônimo de 2000, foi alçado à condição de pensador revolucionário e à lista dos mais vendidos. O sucesso se deveu à explicação do espírito daquele tempo, ao apontar que tão essencial ao crescimento profissional quanto o estudo e o trabalho eram os momentos de desconexão com a labuta que abririam as portas para a criatividade e para “pensar fora da caixinha”. A intenção era alcançar uma fusão entre estudo, trabalho e lazer para aprimorar o conhecimento, vivenciar diferentes experiências e instigar a criatividade. Com o lançamento de “Uma Simples Revolução”, um best-seller, o sociólogo prega uma nova guinada no pensamento empresarial. Ao analisar as taxas de desemprego e de desocupação, para De Masi, a única saída é reduzir a carga de trabalho individual e abrir novas vagas. “Se as regras do jogo não mudarem, o desemprego – aberto ou oculto – está destinado a crescer em dimensão patológica”, escreve. O Brasil é um dos países que vivem essa realidade, com um desemprego de mais de 13 milhões de pessoas, segundo dados mais recentes do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Mais de 5 milhões de pessoas procuram trabalho no país há um ano ou mais, o que representa quase 40% desse total. A lógica do mercado não ajuda a melhorar esses números. As empresas tentam reduzir suas folhas de pagamento, mesmo que isso signifique mais horas extras. Só que, de acordo com o sociólogo, quanto mais horas um indivíduo trabalha, mais ele contribui para a taxa de desocupação. “Na Alemanha, onde todos trabalham, em média, 1400 horas, o desemprego está em 3,8% e o emprego está em 79%. Já na Itália, onde um italiano trabalha em média 1800 horas, o desemprego está em 11% e o emprego está em 58%”, detalha. “Para eliminar o desemprego, o único remédio válido é reduzir as horas de trabalho, mantendo o salário e aumentando o número de vagas”, diz, em entrevista ao UOL. (Lúcia Valentim Rodrigues, “Mais ócio, por favor”. https://noticias.uol.com.br. Adaptado)
De acordo com Domenico De Masi, uma ação que tem efeito negativo no sistema produtivo das empresas é
- A)a tentativa de fundir estudo, trabalho e lazer.
- B)o aperfeiçoamento profissional por meio do ócio.
- C)a busca pela redução das folhas de pagamento.
- D)a alteração da lógica do mercado vigente.
- E)a oferta de mais vagas de trabalhos para os cidadãos.
Q5oficial · TJ/SP Escrevente Técnico Judiciário 2017
Texto base: Há quatro anos, Chris Nagele fez o que muitos executivos no setor de tecnologia já tinham feito – ele transferiu sua equipe para um chamado escritório aberto, sem paredes e divisórias. Os funcionários, até então, trabalhavam de casa, mas ele queria que todos estivessem juntos, para se conectarem e colaborarem mais facilmente. Mas em pouco tempo ficou claro que Nagele tinha cometido um grande erro. Todos estavam distraídos, a produtividade caiu, e os nove empregados estavam insatisfeitos, sem falar do próprio chefe. Em abril de 2015, quase três anos após a mudança para o escritório aberto, Nagele transferiu a empresa para um espaço de 900 m² onde hoje todos têm seu próprio espaço, com portas e tudo. Inúmeras empresas adotaram o conceito de escritório aberto – cerca de 70% dos escritórios nos Estados Unidos são assim – e até onde se sabe poucos retornaram ao modelo de espaços tradicionais com salas e portas. Pesquisas, contudo, mostram que podemos perder até 15% da produtividade, desenvolver problemas graves de concentração e até ter o dobro de chances de ficar doentes em espaços de trabalho abertos – fatores que estão contribuindo para uma reação contra esse tipo de organização. Desde que se mudou para o formato tradicional, Nagele já ouviu colegas do setor de tecnologia dizerem sentir falta do estilo de trabalho do escritório fechado. “Muita gente concorda – simplesmente não aguentam o escritório aberto. Nunca se consegue terminar as coisas e é preciso levar mais trabalho para casa”, diz ele. É improvável que o conceito de escritório aberto caia em desuso, mas algumas firmas estão seguindo o exemplo de Nagele e voltando aos espaços privados. Há uma boa razão que explica por que todos adoram um espaço com quatro paredes e uma porta: foco. A verdade é que não conseguimos cumprir várias tarefas ao mesmo tempo, e pequenas distrações podem desviar nosso foco por até 20 minutos. Retemos mais informações quando nos sentamos em um local fixo, afirma Sally Augustin, psicóloga ambiental e de design de interiores. (Bryan Borzykowski, “Por que escritórios abertos podem ser ruins para funcionários.” Disponível em:<www1.folha.uol.com.br>. Acesso em: 04.04.2017. Adaptado)
O termo privado está em relação de sentido com público, seu antônimo, da mesma forma que estão as palavras
- A)distraídos e atentos.
- B)improvável e inaceitável.
- C)conectar e interligar.
- D)tradicional e usual.
- E)insatisfeitos e desabonados.
Q6oficial · TJ/SP Escrevente Técnico Judiciário 2021
Texto base: Vida ao natural Pois no Rio tinha um lugar com uma lareira. E quando ela percebeu que, além do frio, chovia nas árvores, não pôde acreditar que tanto lhe fosse dado. O acordo do mundo com aquilo que ela nem sequer sabia que precisava como numa fome. Chovia, chovia. O fogo aceso pisca para ela e para o homem. Ele, o homem, se ocupa do que ela nem sequer lhe agradece; ele atiça o fogo na lareira, o que não lhe é senão dever de nascimento. E ela – que é sempre inquieta, fazedora de coisas e experimentadora de curiosidades – pois ela nem lembra sequer de atiçar o fogo; não é seu papel, pois se tem o seu homem para isso. Não sendo donzela, que o homem então cumpra a sua missão. O mais que ela faz é às vezes instigá-lo: “aquela acha*”, diz-lhe, “aquela ainda não pegou”. E ele, um instante antes que ela acabe a frase que o esclareceria, ele por ele mesmo já notara a acha, homem seu que é, e já está atiçando a acha. Não a comando seu, que é a mulher de um homem e que perderia seu estado se lhe desse ordem. A outra mão dele, a livre, está ao alcance dela. Ela sabe, e não a toma. Quer a mão dele, sabe que quer, e não a toma. Tem exatamente o que precisa: pode ter. Ah, e dizer que isto vai acabar, que por si mesmo não pode durar. Não, ela não está se referindo ao fogo, refere-se ao que sente. O que sente nunca dura, o que sente sempre acaba, e pode nunca mais voltar. Encarniça-se então sobre o momento, come-lhe o fogo, e o fogo doce arde, arde, flameja. Então, ela que sabe que tudo vai acabar, pega a mão livre do homem, e ao prendê-la nas suas, ela doce arde, arde, flameja. (Clarice Lispector, Os melhores contos [seleção Walnice Nogueira Galvão], 1996) * pequeno pedaço de madeira usado para lenha
Identifica-se termo empregado em sentido figurado no trecho:
- A)Pois no Rio tinha um lugar com uma lareira.
- B)O fogo aceso pisca para ela e para o homem.
- C)... ele atiça o fogo na lareira...
- D)Quer a mão dele, sabe que quer, e não a toma.
- E)... ele por ele mesmo já notara a acha...
Q7oficial · Pref. Estância Turística de Tremembé/SP 2026
Saudade da coxa de catupiry Sou do tempo dos salgadinhos reconhecíveis. Você me entende: do tempo em que, diante da bandeja, a gente não tinha dúvidas ‒ o que ali estava era croquete, coxinha, empadinha. Sem chance de equívoco. Bem diferente, admita, dos dias de hoje, em que é preciso recorrer ao garçom para decifrar enigmas culinários, alguns deles tão complexos e empetecados que você se pergunta se não seriam, em vez de comida, peças decorativas. Sim, vivemos a era do salgadinho que demanda apresentação. Deveria vir com legenda. Nada contra a modernização do tira-gosto. Mas me dê um tempo para me adaptar. Outro dia, num casamento, estenderam na minha direção um artefato aparentemente comestível, algo como uma coxinha esférica, acoplada a um talo branco. Era, de fato, uma minicoxinha ‒ mas e o misterioso talo branco, grosso demais para ser palito? Na roda, um convidado mais ousado se aventurou a mastigá-lo, e aí se deu conta de que, naquele casamento chique, ele tinha na boca um vulgar pedaço de cana. Coxinha com cana ‒ onde vamos parar? E o que fazer com o bagaço? Muita coisa surgiu na vida de meus maxilares tão fatigados desde a primeira dentição. Na minha infância belo-horizontina não tinha shitake, rúcula e kiwi, por exemplo. Em compensação, tinha Crush, drops Dulcora, açúcar cândi, que depois sumiram do mapa. Como sumiu o cajuzinho. Onde foi parar o cajuzinho? Você vai me dizer que não sei onde tem uma “dona” que faz. Coisas de Belo Horizonte: em alguma parte, tem sempre uma dona que faz o docinho, o salgadinho que desapareceu das vitrines. Não duvido de que nalgum recanto da capital haja uma dona do cajuzinho. Vai ver que é a mesma do bolinho de feijão. (Humberto Werneck. Esse inferno vai acabar, 2011. Adaptado)
O narrador inclui o leitor no texto no seguinte trecho:
- A)“Sou do tempo dos salgadinhos reconhecíveis.” (1o parágrafo)
- B)“Bem diferente, admita, dos dias de hoje...” (2o parágrafo)
- C)“Nada contra a modernização do tira-gosto.” (3o parágrafo)
- D)“Vai ver que é a mesma do bolinho de feijão.” (5o parágrafo)
- E)“... em alguma parte, tem sempre uma dona que faz o docinho...” (5o parágrafo)
Q8oficial · Polícia Militar/SP 2017
“Efeito Google” muda uso da memória humana Pense rápido: qual o número de telefone da casa em que morou quando era criança? E o celular das pessoas com quem tem trocado mensagens recentemente? Por certo, foi mais fácil responder à primeira pergunta do que à segunda – mas você não está sozinho. Estudos científicos chamam esse fenômeno de “efeito Google” ou “amnésia digital”, um sintoma de um comportamento cada vez mais comum: o de confiar o armazenamento de dados importantes aos nossos dispositivos eletrônicos e à internet em vez de guardá-los na cabeça. Na internet, basta um clique para vasculhar um sem-número de informações. Segundo Adrian F. Ward, da Universidade de Austin, nos Estados Unidos, o acesso rápido e a quantidade de textos fazem com que o cérebro humano não considere útil gravar esses dados, uma vez que é fácil encontrá-los de novo rapidamente. “É como quando consultamos o telefone de uma loja: após discar e fazer a ligação, não precisamos mais dele”, explica Paulo Bertolucci, da Unifesp. É o que mostra também uma pesquisa recente conduzida pela empresa de segurança digital Kaspersky, realizada com 6 mil pessoas em países da União Europeia. Ao receberem uma questão, 57% dos entrevistados tentam sugerir uma resposta sozinhos, mas 36% usam a internet para elaborar sua resposta. Além disso, 24% de todos os entrevistados admitiram esquecer a informação logo após utilizá-la para responder à pergunta – o que gerou a expressão “amnésia digital”. Para Bertolucci, no entanto, o conceito é incorreto. “Amnésia significa esquecer-se de algo; na ‘amnésia digital’, a pessoa não chega nem a aprender e, portanto, não consegue esquecer algo que escolheu nem lembrar.” (Bruno Capelas. O Estado de S.Paulo, 06.06.2016. Adaptado)
A expressão no entanto, em “Para Bertolucci, no entanto, o conceito é incorreto.” (último parágrafo), pode ser substituída, sem alteração de sentido, por
- A)com isso.
- B)porque.
- C)todavia.
- D)em vista disso.
- E)portanto.
Q9oficial · TJ/SP Escrevente Técnico Judiciário (Interior) 2018
Texto base: Ai, Gramática. Ai, vida. O que a gente deve aos professores! Este pouco de gramática que eu sei, por exemplo, foram Dona Maria de Lourdes e Dona Nair Freitas que me ensinaram. E vocês querem coisa mais importante do que gramática? La grammaire qui sait régenter jusqu’aux rois – dizia Molière: a gramática que sabe reger até os reis, e Montaigne: La plus part des ocasions des troubles du monde sont grammairiens – a maior parte de confusão no mundo vem da gramática. Há quem discorde. Oscar Wilde, por exemplo, dizia de George Moore: escreveu excelente inglês, até que descobriu a gramática. (A propósito, de onde é que eu tirei tantas citações? Simples: tenho em minha biblioteca três livros contendo exclusivamente citações. Para enfeitar uma crônica, não tem coisa melhor. Pena que os livros são em inglês. Aliás, inglês eu não aprendi na escola. Foi lendo as revistas MAD e outras que vocês podem imaginar). Discordâncias à parte, gramática é um negócio importante e gramática se ensina na escola – mas quem, professoras, nos ensina a viver? Porque, como dizia o Irmão Lourenço, no schola sed vita – é preciso aprender não para a escola, mas para a vida. Ora, dirão os professores, vida é gramática. De acordo. Vou até mais longe: vida é pontuação. A vida de uma pessoa é balizada por sinais ortográficos. Podemos acompanhar a vida de uma criatura, do nascimento ao túmulo, marcando as diferentes etapas por sinais de pontuação. Infância: a permanente exclamação: Nasceu! É um menino! Que grande! E como chora! Claro, quem não chora não mama! Me dá! É meu! Ovo! Uva! Ivo viu o ovo! Ivo viu a uva! O ovo viu a uva! Olha como o vovô está quietinho, mamãe! Ele não se mexe, mamãe! Ele nem fala, mamãe! Ama com fé e orgulho a terra em que nasceste! Criança – não verás nenhum país como este! Dá agora! Dá agora, se tu és homem! Dá agora, quero ver! (Moacyr Scliar. Minha mãe não dorme enquanto eu não chegar, 1996. Adaptado)
Assinale a alternativa em que há expressão(ões) empregada(s) em sentido figurado.
- A)Oscar Wilde, por exemplo, dizia de George Moore: escreveu excelente inglês, até que descobriu a gramática.
- B)Aliás, inglês eu não aprendi na escola. Foi lendo as revistas MAD e outras que vocês podem imaginar.
- C)Este pouco de gramática que eu sei, por exemplo, foram Dona Maria de Lourdes e Dona Nair Freitas que me ensinaram.
- D)Ora, dirão os professores, vida é gramática. De acordo. Vou até mais longe: vida é pontuação.
- E)Simples: tenho em minha biblioteca três livros contendo exclusivamente citações.
Q10oficial · Pref. Estância Turística de Tremembé/SP 2026
Dizer que estamos “enxugando o gelo” é uma forma popular de descrever nossa impotência diante das causas de um problema, que nos condena a somente minimizar os danos dele decorrentes. É o caso de quem atua na área da saúde, que convive diariamente com os limites das intervenções ao seu alcance. Também como usuários do sistema de saúde somos confrontados com fatores estruturais que condicionam nossos comportamentos. Essas constatações estão entre os muitos modos de explicar o que chamamos de “determinantes sociais da saúde”. Ao defini-los, a Organização Mundial da Saúde (OMS) afirma que a esperança de vida é influenciada por fatores como o lugar onde se vive, o nível de escolaridade, a raça, o gênero, entre outros. Em relatório recente analisando os indicadores dos países com maior e menor expectativa de vida, a organização identificou uma diferença média de 33 anos. Ao contrário do que se poderia imaginar, os extremos não correspondem diretamente aos países com maior e menor renda. Tal complexidade vem levando ao uso, por extensão, de expressões como “determinantes geopolíticos da saúde”. Trata-se de uma provocação no sentido de explorar os impactos da atualidade internacional sobre a saúde pública. É preciso reconhecer que o campo das relações internacionais não dá aos temas de saúde coletiva a atenção que merecem. Entre muitos exemplos, menciono uma emergência de saúde pública atual, que é a poliomielite. Declarada em maio de 2014, a continuidade dessa emergência foi confirmada pela OMS. Como é possível que uma “emergência” dure quase doze anos? A resposta está nos conflitos armados que puseram fim ao sonho de erradicar uma doença cuja persistência é vergonhosa. Isto significa que, além dos numerosos civis mortos e feridos, há muitas outras dimensões do aniquilamento da saúde a lamentar. Alguém diria: basta fechar as fronteiras ou fazer exigências rigorosas sobre a saúde de quem viaja. Na prática, restrições formais jamais evitaram que pessoas passassem de um território a outro, eis que as motivações que as levam a mover-se prescindem de um despachante, em muitos casos sendo a simples sobrevivência. O que as restrições encorajam é o ingresso irregular, que depaupera inutilmente quem circula, por vezes famílias inteiras que vão perdendo o que possuem ao longo de deslocamentos. Permitir a entrada regular, prestando assistência a quem chega e acompanhando seu percurso por meio da vigilância em saúde, é a melhor forma de proteger um país. A propósito, o Sistema Único de Saúde é um bastião da segurança nacional ao garantir o acesso à saúde a todas as pessoas que se encontram em nosso território. (Deisy Ventura, “Determinantes geopolíticos da saúde: uma chamada à reflexão e à ação”, Jornal da USP. Disponível em: https://jornal.usp.br/. Adaptado)
Considere a passagem: “Ao contrário do que se poderia imaginar, os extremos não correspondem diretamente aos países com maior e menor renda” (2o parágrafo). Nessa trecho, fica implícita a ideia de que
- A)os dados da OMS podem ter sido forjados.
- B)diferenças de expectativa de vida são inexplicáveis.
- C)países ricos garantem bons indicadores sociais.
- D)outros fatores interferem na saúde humana.
- E)pessoas pobres vivem menos que as ricas.
1.7 Gabarito comentado
P1inédita · pré-testeResposta: C
- B: Mariana chegou às 6h10, depois da passagem do ônibus às 6h05. Ela não aguardou o veículo.
- E: O texto diz que ela ficou sem transporte. Não houve embarque sem pressa.
- D: O texto não informa onde Mariana mora. A informação acrescentada não existe no texto.
- A: O texto diz que ela ficou sem transporte. Não há menção a carro nem a cancelamento.
P2inédita · pré-testeResposta: D
- B: O texto liga a escrita clara à leitura, e não ao talento sem relação com ela.
- E: O texto diz que a leitura amplia o vocabulário. Ele não defende evitar o vocabulário.
- C: O texto diz que quem lê costuma escrever com clareza. Não afirma que quem não lê nunca argumenta.
- A: O texto diz que a clareza se apoia em conhecer diferentes formas de dizer. A alternativa inverte isso.
P3inédita · pré-testeResposta: E
- B: Pé, no sentido de parte do corpo, é sentido próprio. Não há comparação.
- A: Caixa de sapatos é objeto concreto, em sentido próprio.
- C: Quintal é lugar concreto, em sentido próprio.
- D: Gelada indica temperatura da água, em sentido próprio.
F1inéditaResposta: A
- E: Não há acontecimento vivido narrado. O texto só descreve passos.
- B: Não há defesa de tese nem argumento. O texto ensina o preparo.
- D: O texto não descreve a aparência do prato. Ele ensina como prepará-lo.
- C: Não há opinião do autor. O texto é objetivo e orientador.
F2inéditaResposta: D
- C: Satisfeita expressa contentamento, sentido oposto ao de apreensão.
- E: Indiferente expressa ausência de preocupação, sentido diferente do da frase.
- B: Alegre expressa outra emoção, sem ligação com a apreensão.
- A: Confiante expressa segurança, o contrário da apreensão.
F3inéditaResposta: E
- A: Veloz é sinônimo de rápida, e não seu antônimo.
- B: Breve tem sentido de curta duração, e é próximo de rápida, e não seu oposto.
- C: Ágil indica o mesmo sentido de rapidez.
- D: Célere é sinônimo de rápido.
F4inéditaResposta: E
- B: Destrancar a fechadura é o sentido literal da expressão, e não o figurado.
- A: Fechar o acesso é o sentido contrário ao de permitir a entrada.
- C: Demitir funcionários não tem relação com a entrada de sócios.
- D: Pintar a fachada não tem relação com a entrada de sócios.
F5inéditaResposta: D
- E: Nada na frase sugere uma ação difícil. A palavra designa a parte da camisa.
- C: A fruta não aparece no contexto. O sentido é o da parte da roupa.
- A: Nenhuma situação embaraçosa é descrita. Manga, aqui, é parte da roupa.
- B: Não há pessoa inconveniente na frase. Manga designa a parte da camisa.
Q1oficialResposta: C
- A: A alternativa A transforma uma pergunta do narrador em hábito de busca. Ele pergunta onde foi parar o cajuzinho, mas não diz que andava pela cidade procurando.
- B: A alternativa B fala de ingredientes que a família usava. O texto fala de alimentos que a infância não tinha, como shitake e rúcula, e não de ingredientes usados pelos familiares.
- D: A alternativa D diz que ele evitava alimentos. O texto não traz esse comportamento.
- E: A alternativa E liga a primeira dentição a um impedimento de conhecer alimentos. O texto só comenta que os maxilares estavam fatigados, sem relacionar isso a impedimento.
Fonte: Pref. Estância Turística de Tremembé/SP 2026 — prova em pciconcursos.com.br
Q2oficialResposta: C
- A: A alternativa A troca reparou por corrigiu, que muda a ideia. Também troca extremamente por excepcionalmente e aos poucos por seguramente, que tem outro sentido.
- B: A alternativa B usa agudamente, que muda o sentido de culto, e rapidamente, que tira a ideia de gradualidade.
- D: A alternativa D troca culto por ocasionalmente culto, o que muda a afirmação do texto, e troca aos poucos por curiosamente, sem o mesmo sentido.
- E: A alternativa E troca reparou por se aborreceu e culto por sagazmente, o que altera o sentido do trecho.
Fonte: TJ/SP Escrevente Técnico Judiciário (Interior) (2018) — prova em pciconcursos.com.br
Q3oficialResposta: B
- A: A alternativa A reconhece o sentido figurado, mas dá como equivalente transmitir verbalmente, que é o oposto de receber e assimilar.
- C: A alternativa C diz que o sentido é próprio, mas informações não são engolidas. O uso é figurado.
- D: A alternativa D reconhece o sentido figurado, mas o equivalente captar equivocadamente não corresponde a assimilar a informação.
- E: A alternativa E classifica como próprio e dá o equivalente devorar avidamente. A palavra não tem sentido literal aqui.
Fonte: Polícia Militar/SP 2017 — prova em pciconcursos.com.br
Q4oficialResposta: C
- A: A alternativa A traz a fusão de estudo, trabalho e lazer, que é a proposta de De Masi para o ócio criativo.
- B: A alternativa B traz o aperfeiçoamento pelo ócio, que o texto apresenta como positivo.
- D: A alternativa D traz a mudança da lógica do mercado, que o texto defende como necessária.
- E: A alternativa E traz a oferta de vagas, que é a solução que o autor indica para o desemprego.
Fonte: PM/SP 2019 — prova em pciconcursos.com.br
Q5oficialResposta: A
- B: A alternativa B traz improvável e inaceitável. Não são opostos: o oposto de improvável é provável.
- C: A alternativa C traz conectar e interligar, que são sinônimos, e não antônimos.
- D: A alternativa D traz tradicional e usual, que têm sentido parecido, e não oposto.
- E: A alternativa E traz insatisfeitos e desabonados. Desabonado não é oposto de satisfeito; significa desaprovado ou desacreditado.
Fonte: TJ/SP Escrevente Técnico Judiciário (2017) — prova em pciconcursos.com.br
Q6oficialResposta: B
- A: A alternativa A fala de uma lareira que existe no lugar. É sentido literal.
- C: A alternativa C fala de atiçar o fogo, ação concreta de mexer no fogo. É sentido literal.
- D: A alternativa D traz a mão dele, que é objeto concreto, e o verbo tomar pega essa mão no sentido literal. O verbo querer tem como sujeito a personagem, uma mulher, e expressa desejo, que é sentimento dela. Personificação é tratar coisa ou ideia como se fosse gente, e aqui não há coisa tratada assim. Por isso o desejo não é a figura pedida.
- E: A alternativa E fala da acha, que é o pedaço de lenha, e de ele notar isso por si. Sentido literal.
Fonte: TJ/SP Escrevente Técnico Judiciário (2021) — prova em pciconcursos.com.br
Q7oficialResposta: B
- A: A alternativa A fala do próprio narrador, que se apresenta como alguém do tempo dos salgadinhos reconhecíveis. Não se dirige ao leitor.
- C: A alternativa C fala da modernização do tira-gosto, sem interlocução direta com o leitor.
- D: A alternativa D é uma suposição do narrador sobre a dona do bolinho de feijão, em terceira pessoa.
- E: A alternativa E traz uma afirmação do narrador sobre a existência de uma dona, sem chamar o leitor.
Fonte: Pref. Estância Turística de Tremembé/SP 2026 — prova em pciconcursos.com.br
Q8oficialResposta: C
- A: A alternativa A, com isso, indica conclusão. Não há oposição entre as ideias, e a troca muda o sentido.
- B: A alternativa B, porque, indica causa, e o trecho não explica uma causa.
- D: A alternativa D, em vista disso, indica consequência, e a troca muda a relação de oposição.
- E: A alternativa E, portanto, indica conclusão, e não oposição.
Fonte: Polícia Militar/SP 2017 — prova em pciconcursos.com.br
Q9oficialResposta: D
- A: A alternativa A traz a citação de Oscar Wilde sobre a gramática. O sentido é de humor, mas as palavras são usadas no sentido próprio.
- B: A alternativa B traz as revistas MAD, que são o objeto concreto da leitura. Sentido próprio.
- C: A alternativa C traz duas professoras e as aulas que o autor teve. Sentido próprio.
- E: A alternativa E traz a biblioteca com livros de citações, que existem de fato. Sentido próprio.
Fonte: TJ/SP Escrevente Técnico Judiciário (Interior) (2018) — prova em pciconcursos.com.br
Q10oficialResposta: D
- A: A alternativa A sugere que os dados da OMS são falsos. O texto usa os dados como base e não os questiona.
- B: A alternativa B diz que as diferenças são inexplicáveis. O texto busca explicações, e cita os determinantes sociais.
- C: A alternativa C afirma que países ricos garantem bons indicadores. A passagem diz o contrário: a renda não garante o extremo.
- E: A alternativa E afirma que pobres vivem menos. A passagem não traz essa relação direta, pelo contrário, questiona a ligação com a renda.
Fonte: Pref. Estância Turística de Tremembé/SP 2026 — prova em pciconcursos.com.br
1.8 Revisão relâmpago e mapa de revisão
- Interpretar é ir além do que está escrito: explicar o implícito e a intenção do autor.
- Em texto argumentativo, a ideia central costuma estar na tese do início ou na conclusão.
- Conectivo de oposição (porém, contudo) muda a leitura; conectivo de concessão (apesar de, embora) mostra que a segunda ideia acontece mesmo assim.
- Inferência é a conclusão lógica do texto, sem extrapolação.
- Sinônimo é teste de substituição dentro do contexto, não de dicionário.
- Antônimo complementar não admite meio-termo; antônimo gradual admite.
- Sentido próprio é o literal; sentido figurado é o que a palavra ganha no contexto.
- Metáfora não usa como; comparação usa como.
- Hipérbole é exagero intencional, e não mentira ou erro.
Mapa de revisão
Reveja este capítulo em 1, 7 e 30 dias.
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