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Matéria 03

Noções de Direito Administrativo

O que o edital pede nesta matéria

  1. 1Administração Pública: conceitos e princípios da Administração Pública (legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência); organização administrativa (administração direta e indireta); atos administrativos: conceito, requisitos, atributos e espécies (noções); poderes administrativos (noções básicas)576 questões da FGV, 2021–2026 · cap. 5
  2. 2Legislação e normas administrativas (noções): aplicação de leis e regulamentos na Administração Pública; interpretação básica de normas; procedimentos administrativos1137 questões da FGV, 2021–2026 · cap. 5

Noções de Direito Administrativo · Capítulo 5

Princípios, organização, atos e poderes administrativosLeis, transparência e procedimentos administrativos

Itens do edital:

  • 1. Administração Pública: conceitos e princípios da Administração Pública (legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência); organização administrativa (administração direta e indireta); atos administrativos: conceito, requisitos, atributos e espécies (noções); poderes administrativos (noções básicas)
  • 2. Legislação e normas administrativas (noções): aplicação de leis e regulamentos na Administração Pública; interpretação básica de normas; procedimentos administrativos

5.1 Pré-teste

Responda antes de ler a teoria. O gabarito está no fim do capítulo.

P1inédita
A Prefeitura de Vale Sereno divulga em seus canais oficiais uma campanha sobre vacinação. As peças exibem o nome e a fotografia do prefeito, embora não mencionem realizações pessoais. À luz dos princípios constitucionais da Administração Pública, essa divulgação:

  1. A)É válida, pois a publicidade oficial pode identificar o chefe do Executivo responsável pela campanha.
  1. B)É válida se a campanha tiver finalidade educativa e não mencionar partido político.
  2. C)Viola a impessoalidade, pois a comunicação pública não pode servir à promoção pessoal de autoridades.
  3. D)Viola apenas a eficiência, porque a identificação do prefeito aumenta o custo da campanha.

P2inédita
Um cidadão apresenta pedido de acesso a informação pública à Câmara Municipal de Pedra Clara. A Câmara afirma que a Lei de Acesso à Informação não se aplica ao Poder Legislativo municipal. Essa afirmação está:

  1. A)Incorreta, pois a Lei de Acesso à Informação alcança órgãos dos Poderes Legislativo, Executivo e Judiciário de todos os entes federativos.
  1. B)Correta, pois a Lei de Acesso à Informação se aplica somente aos órgãos do Poder Executivo federal.
  2. C)Correta, pois Câmaras Municipais só devem responder a pedidos de informação com autorização do prefeito.
  3. D)Incorreta apenas se a Câmara receber recursos de outro ente federativo.

P3inédita
A União cria, por lei, uma entidade com personalidade jurídica própria para executar determinada atividade administrativa. Essa entidade passa a integrar a Administração indireta. Qual descrição é compatível com essa situação?

  1. A)A entidade é um órgão da Administração direta, sem personalidade jurídica própria.
  1. B)A entidade integra a Administração indireta e permanece hierarquicamente subordinada a um ministério.
  2. C)A entidade integra a Administração direta, mas se sujeita apenas a controle judicial.
  3. D)A entidade integra a Administração indireta e se sujeita à tutela ou ao controle finalístico do ente instituidor, sem hierarquia com ele.

5.2 O que cai

  • 1. Administração Pública: conceitos e princípios da Administração Pública (legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência); organização administrativa (administração direta e indireta); atos administrativos: conceito, requisitos, atributos e espécies (noções); poderes administrativos (noções básicas): 576 questões da FGV, 2021–2026
  • 2. Legislação e normas administrativas (noções): aplicação de leis e regulamentos na Administração Pública; interpretação básica de normas; procedimentos administrativos: 1137 questões da FGV, 2021–2026

5.3 Teoria

Este capítulo reúne os conceitos que permitem distinguir órgãos, entidades e atos administrativos — e identificar quando a Administração age dentro da lei. A banca também explora transparência, motivação e regras básicas de procedimento.

5.3.1 Princípios, organização, atos e poderes administrativos

O art. 37, caput, da Constituição Federal impõe à Administração direta e indireta de todos os entes os princípios da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência.

Legalidade significa agir conforme a lei; impessoalidade veda favorecimentos e perseguições; moralidade exige conduta ética; publicidade dá transparência, ressalvadas hipóteses legais de sigilo; eficiência exige bons resultados no uso dos recursos. A eficiência foi incluída expressamente pela EC nº 19/1998.

A Administração direta reúne os órgãos dos entes federativos. Órgãos não têm personalidade jurídica própria. A Administração indireta compreende autarquias, fundações públicas, empresas públicas e sociedades de economia mista. Essas entidades têm personalidade jurídica e se submetem à tutela ou ao controle finalístico do ente instituidor, sem hierarquia entre eles. Autarquia é criada por lei específica; a lei autoriza a criação de empresa pública e sociedade de economia mista. As estatais têm personalidade de direito privado; seus empregados são, em regra, celetistas. Para empregados concursados de empresas públicas e sociedades de economia mista, o STF exige motivação formal e razoável da dispensa, mas não PAD.

O ato administrativo é manifestação da Administração que produz efeitos jurídicos. Seus elementos são competência, finalidade, forma, motivo e objeto. Seus atributos são presunção de legitimidade e veracidade, imperatividade, exigibilidade e, em certos atos, autoexecutoriedade. Nem todos os atributos aparecem em todos os atos: atos negociais e enunciativos, por exemplo, não têm imperatividade. Ato vinculado não deixa escolha legal quanto à decisão; ato discricionário admite avaliação de conveniência e oportunidade nos limites da lei. Espécies cobradas em noções: normativos, ordinatórios, negociais, enunciativos e punitivos. A Administração pode anular ato ilegal e revogar ato válido por conveniência e oportunidade. Poderes básicos: hierárquico, disciplinar, regulamentar e de polícia. O excesso de poder e o desvio de finalidade são formas de abuso de poder.

Esquema

Elementos do ato

Ato administrativo

  • Competência

    Quem pode praticar o ato.

  • Finalidade

    Resultado público previsto.

  • Forma

    Modo de exteriorização.

  • Motivo

    Pressupostos de fato e de direito.

  • Objeto

    Efeito jurídico produzido.

5.3.2 Leis, transparência e procedimentos administrativos

A Administração está sujeita à Constituição, às leis e aos regulamentos válidos. Regulamento detalha a execução da lei; não pode contrariá-la nem criar, por conta própria, obrigação que dependa de lei. Na interpretação, considere o texto, a finalidade da norma e sua compatibilidade com as regras superiores. Se houver conflito, prevalece a norma hierarquicamente superior.

A Lei de Acesso à Informação (LAI) alcança órgãos dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, além das entidades abrangidas pela lei. Ela assegura acesso a informações públicas, ressalvados sigilo legal e proteção de informações pessoais. A transparência ativa é o dever de divulgar, sem pedido prévio, informações de interesse coletivo ou geral. O pedido de acesso não obriga o órgão a criar documento ou informação inexistente; se não puder conceder o acesso imediato, deve responder conforme as regras legais.

A Lei nº 9.784/1999 regula o processo administrativo na Administração Pública federal. Ela não se aplica automaticamente aos Municípios: no âmbito municipal, devem ser observadas as normas locais pertinentes. Pela Súmula 633 do STJ, porém, a Lei nº 9.784/1999 — especialmente quanto ao prazo decadencial para rever atos administrativos — pode ser aplicada de forma subsidiária a Estados e Municípios, se não houver norma local e específica sobre a matéria. Em qualquer procedimento, a Administração deve respeitar a legalidade, a finalidade, a motivação, a razoabilidade, a ampla defesa e o contraditório quando cabíveis. Decisões que afetem direitos ou imponham deveres precisam de motivação nos casos previstos em lei. No procedimento, identifique a autoridade competente, a norma aplicável, a oportunidade de manifestação do interessado e a decisão fundamentada.

Esquema

Análise do procedimento

  1. 1Identifique a norma aplicável

    Considere competência e hierarquia.

  2. 2Verifique a autoridade competente

    A decisão deve respeitar a atribuição legal.

  3. 3Oportunize manifestação

    Contraditório e defesa quando cabíveis.

  4. 4Decida com fundamento

    Motive a decisão nos casos previstos.

Pegadinha de prova

Indireta não é hierarquia

Autarquia, empresa pública e sociedade de economia mista integram a Administração indireta e têm personalidade própria. O ente instituidor exerce controle finalístico, não hierarquia.

Pegadinha de prova

Atributo não é universal

Nem todo ato é autoexecutório. A Administração só executa diretamente a medida quando a lei autoriza ou quando a urgência justifica, nos limites legais.

Atenção

Dispensa de empregado de estatal

O Tema 1.022 do STF exige motivação formal e razoável para a dispensa de empregado concursado de empresa pública ou sociedade de economia mista; não exige PAD.

Pegadinha de prova

Lei federal e Município

A Lei nº 9.784/1999 disciplina o processo administrativo federal. Não presuma aplicação automática à Prefeitura: verifique a legislação municipal. Se não houver norma local específica, o STJ admite a aplicação subsidiária (Súmula 633).

5.4 Exemplo resolvido

Após conceder autorização administrativa com base em documentos apresentados pelo interessado, a Prefeitura descobre que um documento obrigatório era falso e que a lei não permitia a concessão sem ele. Qual providência se ajusta ao regime dos atos administrativos?

A) Revogar a autorização por conveniência, sem examinar sua legalidade. B) Anular a autorização por ilegalidade, respeitando as garantias procedimentais cabíveis. C) Manter a autorização, pois todo ato administrativo é imutável após sua publicação. D) Convalidar obrigatoriamente o ato, ainda que falte requisito legal indispensável.

  1. O ato foi concedido sem requisito exigido por lei; há vício de legalidade.
  2. A anulação corrige ilegalidade. Revogação alcança ato válido que se tornou inconveniente ou inoportuno.
  3. A autotutela administrativa não afasta garantias procedimentais aplicáveis ao caso.

Resposta: B) Anular a autorização por ilegalidade, respeitando as garantias procedimentais cabíveis.

5.5 Fixação

Questões inéditas.

F1inédita

Uma autoridade administrativa delega a um subordinado a competência para decidir recursos administrativos. Considerando a Lei nº 9.784/1999, a delegação é:

  1. A)Válida, pois toda competência administrativa pode ser delegada a subordinado.
  2. B)Inválida, pois a decisão de recursos administrativos não pode ser objeto de delegação.
  3. C)Válida, desde que o recurso trate de matéria de competência discricionária.
  4. D)Inválida somente se o subordinado não ocupar cargo efetivo.

F2inédita

Um órgão federal aplica a Lei nº 9.784/1999 a um processo administrativo de uma autarquia federal. A aplicação é:

  1. A)Inadequada, porque a lei só rege processos administrativos dos órgãos da Administração direta federal.
  2. B)Inadequada, porque a lei se aplica exclusivamente aos processos do Poder Judiciário.
  3. C)Adequada, porque a lei rege processos administrativos da Administração Federal direta e indireta.
  4. D)Adequada somente se a autarquia não tiver regulamento próprio sobre processo administrativo.

F3inédita

Sem que uma lei estabeleça determinada obrigação para os cidadãos, o prefeito edita decreto criando essa obrigação e prevendo sanção pelo descumprimento. Considerando o poder regulamentar, o decreto é:

  1. A)Inválido, pois o regulamento deve viabilizar a execução da lei e não pode, por si só, criar obrigação sem fundamento legal.
  2. B)Válido, pois o prefeito pode criar obrigações por decreto sempre que invoque o interesse público.
  3. C)Válido, pois o decreto municipal prevalece sobre a lei quando regula assunto de interesse local.
  4. D)Inválido apenas se a obrigação tiver natureza tributária.

F4inédita

Uma autoridade nega a um particular uma autorização administrativa que ele requereu. A decisão informa apenas que o pedido foi indeferido, sem expor os fatos considerados nem a base jurídica. À luz da Lei nº 9.784/1999, a decisão:

  1. A)É válida, porque decisões administrativas não precisam indicar seus fundamentos.
  2. B)É válida, desde que a autoridade tenha analisado os documentos antes de decidir.
  3. C)É válida se o particular puder apresentar novo pedido no futuro.
  4. D)Deve ser motivada, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos que sustentam o indeferimento.

F5inédita
Um cidadão protocola requerimento administrativo sem usar o formulário padronizado pelo órgão. A lei não exige formulário específico, e o pedido permite identificar o interessado e compreender a providência solicitada. O órgão o rejeita exclusivamente por causa do formato. A conduta do órgão:

  1. A)É correta, pois todo procedimento administrativo exige o formulário interno indicado pelo órgão.
  1. B)É inadequada, pois os atos do processo administrativo não dependem de forma determinada, salvo quando a lei a exigir.
  2. C)É correta, pois o órgão pode criar livremente requisitos formais por instrução interna.
  3. D)É inadequada apenas se o requerimento tiver sido enviado por meio eletrônico.

5.6 Questões oficiais da FGV

Questões oficiais de provas anteriores, com a fonte.

Q1oficial · TCE/SC 2026
A Constituição Federal de 1988 estabelece a distinção entre Administração Pública direta e indireta. Com base no Art. 37, caput, da Constituição Federal (CF) e nos princípios que regem a Administração Pública, assinale a afirmativa correta.

  1. A)As autarquias integram a Administração Pública direta e, por isso, não possuem personalidade jurídica própria, subordinando-se hierarquicamente ao ente federativo que as criou.
  1. B)A Administração Pública indireta é composta por autarquias, fundações públicas, empresas públicas e sociedades de economia mista, todas sujeitas ao controle finalístico do ente instituidor.
  2. C)As empresas públicas e as sociedades de economia mista, por integrarem a Administração Pública indireta, devem obrigatoriamente adotar o regime jurídico estatutário para seus empregados, tais como os órgãos da Administração direta.
  3. D)O princípio da eficiência, inserido no Art. 37, caput, da CF/88 pela Emenda Constitucional nº 19/1998, aplica-se exclusivamente à Administração Pública federal, não alcançando os Estados e os Municípios.
  4. E)A criação de autarquias dispensa lei específica, podendo ser efetivada por decreto do Poder Executivo, desde que o Legislativo autorize previamente por resolução.

Q2oficial · NAV BRASIL 2026
No âmbito da organização administrativa, assinale a afirmativa correta a respeito do enquadramento das empresas públicas, tais como a NAV Brasil Serviços de Navegação Aérea S.A. – NAV BRASIL.

  1. A)Trata-se de pessoa jurídica de direito público, integrante da Administração Indireta, assim como as entidades autárquicas e associações públicas.
  1. B)Apresenta-se como entidade dotada de personalidade jurídica de direito privado, integrante da Administração Direta, da mesma forma que as fundações.
  2. C)Caracteriza-se como órgão administrativo, que não possui personalidade jurídica, integrante da Administração Indireta, de modo que inserida na estrutura hierárquica da União.
  3. D)Revela-se como paraestatal, com personalidade jurídica de direito público, que não integra a Administração Direta ou Indireta, bem como as organizações da sociedade civil.
  4. E)Trata-se de entidade dotada de personalidade jurídica de direito privado, integrante da Administração Indireta, do mesmo modo que as sociedades de economia mista.

Q3oficial · ALE/RO 2026
Um Engenheiro de Computação trabalha na área de TI de uma autarquia federal e recebe um pedido de informação via Lei de Acesso à Informação (LAI) sobre os critérios de performance e o código-fonte de um algoritmo de classificação de processos. Assinale a afirmativa que delimita corretamente o escopo de aplicação da Lei de Acesso à Informação.

  1. A)A LAI se aplica apenas à esfera municipal e estadual, excluindo órgãos federais.
  1. B)A LAI se aplica apenas a informações em formato papel, não alcançando sistemas digitais ou códigos-fonte dos órgãos públicos.
  2. C)A LAI garante o acesso a informações públicas, aplicável aos órgãos dos Poderes da União, Estados, DF e Municípios, com exceção de informações sigilosas ou pessoais legalmente protegidas.
  3. D)O código-fonte de um algoritmo público é sempre considerado informação sigilosa e não pode ser divulgado sob a LAI.
  4. E)A LAI exige que a informação seja fornecida no formato exato em que foi solicitada, mesmo que exija a criação de um novo documento.

Q4oficial · PGE/AC 2026
A Empresa de Processamento de Dados do Estado do Acre (EPDAC), empresa pública estadual que atua em regime de livre concorrência no mercado de soluções tecnológicas, decidiu rescindir o contrato de trabalho de um de seus analistas de sistemas, admitido há dez anos mediante aprovação em concurso público. O ato de dispensa foi formalizado por escrito, comunicando a rescisão sem justa causa, porém não apresentou qualquer motivação fática ou jurídica para a decisão, fundamentando-se na premissa de que, por explorar atividade econômica em regime concorrencial, a estatal submete-se integralmente ao regime jurídico das empresas privadas (Art. 173, §1º, inciso II, da CF/88), gozando de ampla liberdade para gerir seu quadro funcional. O empregado ajuizou ação trabalhista pleiteando a nulidade da dispensa e sua reintegração, alegando a necessidade de motivação do ato e a prévia instauração de Processo Administrativo Disciplinar (PAD). Diante do caso hipotético e considerando a tese jurídica fixada pelo Supremo Tribunal Federal no Tema 1.022 da Repercussão Geral, assinale a afirmativa correta.

  1. A)A dispensa é válida, pois as empresas públicas que exploram atividade econômica não estão sujeitas ao dever de motivar a demissão de seus empregados, sob pena de violação ao princípio da livre iniciativa e da paridade com o setor privado.
  1. B)A dispensa é nula por ausência de motivação, uma vez que as estatais, independentemente do regime (prestadoras de serviço público ou exploradoras de atividade econômica), têm o dever de motivar o ato de demissão com fundamento razoável, embora não se exija a instauração de processo administrativo.
  2. C)A EPDAC agiu corretamente ao não motivar o ato, pois a exigência de motivação aplica-se exclusivamente às empresas públicas e sociedades de economia mista que prestam serviços públicos em regime de monopólio.
  3. D)O ato de dispensa é nulo por vício formal insanável, pois a demissão de empregado público concursado exige obrigatoriamente a observância do rito do processo administrativo disciplinar, assegurando o contraditório e a ampla defesa.
  4. E)A motivação da dispensa só seria obrigatória caso o empregado detivesse a estabilidade especial prevista no Art.

Q5oficial · MP/RJ 2026
Avalie os enunciados normativos a seguir. Art. 8º da Lei nº 12.527/2011 (Lei de Acesso à Informação): É dever dos órgãos e entidades públicas promover, independentemente de requerimentos, a divulgação em local de fácil acesso, no âmbito de suas competências, de informações de interesse coletivo ou geral por eles produzidas ou custodiadas. Art. 43 da Lei nº 9.782/1999: A Agência poderá apreender bens, equipamentos, produtos e utensílios utilizados para a prática de crime contra a saúde pública, e a promover a respectiva alienação judicial, observado, no que couber, o disposto no Art. 34 da Lei nº 6.368/1976, bem como requerer, em juízo, o bloqueio de contas bancárias de titularidade da empresa e de seus proprietários e dirigentes, responsáveis pela autoria daqueles delitos. Art. 87 da Lei nº 8.112/1990: Após cada quinquênio de efetivo exercício, o servidor poderá, no interesse da Administração, afastar-se do exercício do cargo efetivo, com a respectiva remuneração, por até três meses, para participar de curso de capacitação profissional. Com base na dogmática dos atos administrativos, assinale a afirmativa correta.

  1. A)O Art. 8º da Lei nº 12.527/2011 instituiu o dever jurídico de transparência ativa, configurando ato administrativo discricionário, pois cabe ao administrador avaliar a conveniência da divulgação, à luz do interesse público.
  1. B)O Art. 87 da Lei nº 8.112/1990 consagra a licença para capacitação como direito subjetivo do servidor, ao qual o deferimento é vinculado, bastando a demonstração do quinquênio de exercício e a apresentação do curso de capacitação compatível.
  2. C)O Art. 8º da Lei nº 12.527/2011 prevê transparência ativa como regra vinculada, impondo ao Estado o dever de publicar informações de interesse coletivo ou geral, independentemente de provocação, salvo em hipóteses excepcionais de sigilo devidamente fundamentado e sujeito ao controle administrativo e judicial.
  3. D)O Art. 43 da Lei nº 9.782/1999 confere à Anvisa competência vinculada para apreender bens utilizados em crimes contra a saúde pública, de modo que, constatada a infração, não há margem para juízo de conveniência ou oportunidade. Trata-se de ato administrativo autoexecutório que dispensa autorização judicial prévia, ainda que implique restrição imediata ao direito de propriedade.
  4. E)O Art. 43 da Lei nº 9.782/1999 impôs à Anvisa a competência discricionária de apreender bens, equipamentos, produtos e utensílios utilizados para a prática de crime contra a saúde pública. Apesar de se revestir dos atributos da presunção de veracidade e legitimidade, bem como da imperatividade, trata-se de ato administrativo desprovido de autoexecutoriedade, visto que todas as medidas mencionadas só podem ser implementadas mediante prévia autorização judicial.

Q6oficial · AMAZUL 2026
De acordo com a Lei Federal n° 14.133/2021, a contratação direta por inexigibilidade de licitação ocorre quando há inviabilidade de competição ou em casos especiais. Acerca desse assunto, assinale a opção que apresenta a situação correta, na qual a inexigibilidade de licitação é utilizada.

  1. A)Aquisição de materiais de uso das Forças Armadas para atender casos de padronizações.
  1. B)Contratação de profissionais para compor a comissão de avaliação de critérios de técnica.
  2. C)Aquisição ou locação de imóvel em virtude das características e localização.
  3. D)Contratação de associação de pessoas com deficiência, sem fins lucrativos e de comprovada idoneidade.
  4. E)Contratação em que houver transferência de tecnologia de produtos estratégicos para o Sistema Único de Saúde.

Q7oficial · MPU 2025
João e José, fiscais do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), autarquia federal, em regular diligência no interior da unidade de conservação Alfa, pilotavam um drone para verificar a ocorrência de dano ambiental quando, por acidente, provocaram a queda indevida do equipamento, causando danos materiais à cidadã Maria, que caminhava regularmente pela região, em área permitida. No caso em tela, Maria deve manejar ação indenizatória em face:

  1. A)da União, pois os agentes que causaram o dano são servidores públicos de autarquia federal, com base na responsabilidade civil objetiva, sendo dispensada a comprovação de dolo ou culpa de João e José;
  1. B)do ICMBio, pois os agentes que causaram o dano são servidores públicos de autarquia federal, com base na responsabilidade civil subjetiva, sendo necessária a comprovação de dolo ou culpa de João e José;
  2. C)de João e José, pois foram os responsáveis diretos pelo dano causado, não podendo a União ou o ICMBio ser diretamente responsabilizados, mas sim subsidiariamente, pelo princípio da supremacia do interesse público;
  3. D)da União, pois os agentes responsáveis pelo dano são servidores públicos de autarquia federal, com base no poder hierárquico exercido pela União sobre a autarquia;
  4. E)do ICMBio, pois os agentes que causaram o dano são servidores públicos de autarquia federal, com base na responsabilidade civil objetiva, sendo dispensada a comprovação de dolo ou culpa de João e José.

5.7 Gabarito comentado

P1inédita · pré-testeResposta: C

Conceito: A impessoalidade veda que a publicidade dos órgãos públicos caracterize promoção pessoal de autoridades ou servidores.
Raciocínio: A campanha é publicidade oficial. A presença do nome e da fotografia do prefeito associa a ação institucional à sua imagem pessoal. A alternativa C identifica essa violação.
Por que as outras estão erradas:
  • A: A alternativa A admite a identificação pessoal da autoridade, contrariando a vedação constitucional à promoção pessoal.
  • B: A alternativa B cria uma exceção que a Constituição não prevê: finalidade educativa e ausência de referência partidária não autorizam promoção pessoal.
  • D: A alternativa D atribui o problema à eficiência e ao custo, mas o princípio diretamente violado é a impessoalidade.
Pegadinha: A finalidade educativa da campanha não afasta a vedação à promoção pessoal.
Base: Constituição Federal, art. 37, caput e § 1º.
Questão irmã: Uma secretaria publica aviso de vacinação sem nomes ou imagens de autoridades, com informações de utilidade pública. Há, por esse motivo, violação à impessoalidade? Gabarito: Não. A publicidade institucional pode divulgar informações de interesse público, desde que não promova pessoalmente autoridades ou servidores.

P2inédita · pré-testeResposta: A

Conceito: A Lei de Acesso à Informação abrange órgãos públicos de todos os Poderes e entes federativos, observadas as exceções legais de acesso.
Raciocínio: A Câmara Municipal é órgão de um Poder municipal. A Lei nº 12.527/2011 inclui órgãos dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Portanto, a afirmação da Câmara está errada.
Por que as outras estão erradas:
  • B: A alternativa B restringe a lei ao Executivo federal, embora seu alcance seja muito mais amplo.
  • C: A alternativa C inventa uma autorização do prefeito e desconsidera a autonomia do Legislativo municipal.
  • D: A alternativa D condiciona a aplicação da lei ao recebimento de recursos de outro ente, requisito que não se aplica aos órgãos públicos municipais.
Pegadinha: Não confunda as regras aplicáveis a entidades privadas sem fins lucrativos que recebem recursos públicos com o alcance da lei sobre órgãos públicos.
Base: Lei nº 12.527/2011, art. 1º, parágrafo único, inciso I.
Questão irmã: A Lei de Acesso à Informação alcança uma secretaria estadual? Gabarito: Sim. A lei se aplica aos órgãos públicos estaduais.

P3inédita · pré-testeResposta: D

Conceito: As entidades da Administração indireta têm personalidade jurídica própria e se submetem a controle finalístico, não a subordinação hierárquica ao ente instituidor.
Raciocínio: O enunciado informa que a entidade tem personalidade própria e integra a Administração indireta. A relação com o ente instituidor é de controle finalístico, conforme a lei, e não de hierarquia. A alternativa D reúne essas características.
Por que as outras estão erradas:
  • A: A alternativa A descreve órgão, que integra a estrutura de uma pessoa jurídica e não tem personalidade jurídica própria.
  • B: A alternativa B confunde controle finalístico com hierarquia. A entidade indireta não é hierarquicamente subordinada ao ministério.
  • C: A alternativa C enquadra a entidade na Administração direta e ainda restringe indevidamente os controles aplicáveis.
Pegadinha: A vinculação administrativa permite controle finalístico, mas não transforma a entidade em órgão subordinado hierarquicamente.
Base: Constituição Federal, art. 37, caput e inciso XIX; Decreto-Lei nº 200/1967, arts. 4º e 5º.
Questão irmã: Uma autarquia tem personalidade jurídica própria e integra a Administração indireta. Ela se subordina hierarquicamente ao ministério ao qual está vinculada? Gabarito: Não. Há vinculação e controle finalístico, não subordinação hierárquica.

F1inéditaResposta: B

Conceito: A Lei nº 9.784/1999 proíbe a delegação da decisão de recursos administrativos.
Raciocínio: A delegação é possível como regra, mas a lei estabelece matérias indelegáveis. Entre elas estão a decisão de recursos administrativos. Assim, a delegação descrita é inválida.
Por que as outras estão erradas:
  • A: A alternativa A ignora as competências que a lei expressamente torna indelegáveis.
  • C: A alternativa C cria uma exceção baseada na discricionariedade que não consta da lei.
  • D: A alternativa D atribui a invalidade a uma condição funcional do delegado, que não é o motivo previsto para a proibição.
Pegadinha: A regra geral de possibilidade de delegação não elimina as exceções legais expressas.
Base: Lei nº 9.784/1999, arts. 11, 12 e 13, inciso II.
Questão irmã: Uma autoridade delega a edição de ato de caráter normativo. A delegação é permitida pela Lei nº 9.784/1999? Gabarito: Não. A edição de atos de caráter normativo é matéria indelegável.

F2inéditaResposta: C

Conceito: A Lei nº 9.784/1999 estabelece normas básicas sobre o processo administrativo no âmbito da Administração Federal direta e indireta.
Raciocínio: A autarquia federal integra a Administração indireta federal. Por isso, está abrangida pelo âmbito de aplicação da lei. A existência de regulamento próprio não afasta, por si só, a incidência da norma legal.
Por que as outras estão erradas:
  • A: A alternativa A exclui indevidamente a Administração indireta do âmbito da lei.
  • B: A alternativa B restringe a lei ao Judiciário, embora ela discipline processos administrativos federais.
  • D: A alternativa D acrescenta uma condição que não consta do âmbito de aplicação definido pela lei.
Pegadinha: Autarquia é entidade da Administração indireta, mas continua abrangida pela lei federal de processo administrativo.
Base: Lei nº 9.784/1999, art. 1º, caput.
Questão irmã: A Lei nº 9.784/1999 alcança um processo administrativo de uma fundação pública federal? Gabarito: Sim. A lei se aplica à Administração Federal indireta.

F3inéditaResposta: A

Conceito: O poder regulamentar permite expedir atos para a fiel execução da lei, não para criar livremente obrigações primárias aos cidadãos.
Raciocínio: O decreto descrito cria obrigação e sanção sem base em lei. Isso ultrapassa a função regulamentar e contraria o princípio da legalidade. Por isso, a alternativa A está correta.
Por que as outras estão erradas:
  • B: A alternativa B trata o interesse público como autorização para afastar a legalidade.
  • C: A alternativa C atribui ao decreto força para prevalecer sobre a lei, invertendo a hierarquia normativa.
  • D: A alternativa D restringe o problema às obrigações tributárias. A exigência de fundamento legal não se limita a tributos.
Pegadinha: O decreto regulamentar pode detalhar a execução da lei, mas não substituí-la para criar obrigações primárias.
Base: Constituição Federal, arts. 5º, inciso II, 37, caput, e 84, inciso IV, aplicado ao poder regulamentar municipal conforme a organização constitucional.
Questão irmã: Um decreto detalha o procedimento para cumprir obrigação já prevista em lei, sem criar novos deveres. Isso pode corresponder ao poder regulamentar? Gabarito: Sim. O regulamento pode viabilizar a fiel execução da lei, sem inovar contra ela.

F4inéditaResposta: D

Conceito: A decisão que nega ou afeta direitos ou interesses deve apresentar motivação explícita, clara e congruente.
Raciocínio: O indeferimento afeta interesse do requerente. A Lei nº 9.784/1999 exige motivação para atos que neguem ou afetem direitos ou interesses, com indicação dos fatos e fundamentos jurídicos. A alternativa D expressa essa exigência.
Por que as outras estão erradas:
  • A: A alternativa A nega o dever legal de motivar decisões administrativas nas hipóteses previstas.
  • B: A alternativa B confunde a análise interna do processo com a exposição dos motivos na decisão.
  • C: A possibilidade de apresentar novo pedido não dispensa a motivação do indeferimento atual.
Pegadinha: A motivação deve aparecer na decisão; não basta que a autoridade tenha considerado os documentos em silêncio.
Base: Lei nº 9.784/1999, art. 50, inciso I e § 1º.
Questão irmã: Uma decisão administrativa impõe sanção ao interessado, mas não indica os fatos nem os fundamentos jurídicos. Ela atende ao dever de motivação? Gabarito: Não. A imposição de sanção exige motivação, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos.

F5inéditaResposta: B

Conceito: No processo administrativo federal, os atos não dependem de forma determinada, salvo quando a lei expressamente a exigir.
Raciocínio: O enunciado esclarece que não há forma específica prevista em lei e que o requerimento pode ser compreendido. A rejeição baseada apenas no formato contraria a regra de informalismo moderado. Portanto, a alternativa B está correta.
Por que as outras estão erradas:
  • A: A alternativa A transforma formulário interno em requisito obrigatório, mesmo sem exigência legal.
  • C: A alternativa C permite que instrução interna crie livremente formalidades impeditivas, em desacordo com a regra legal.
  • D: A alternativa D limita a regra ao meio eletrônico, embora ela se aplique aos atos do processo administrativo em geral.
Pegadinha: Informalismo não significa ausência de regras: a forma deve ser observada quando a lei a exigir.
Base: Lei nº 9.784/1999, art. 22, caput.
Questão irmã: A lei exige expressamente determinada forma para um ato do processo administrativo. O interessado pode ignorá-la com base no informalismo? Gabarito: Não. A forma legalmente exigida deve ser observada.

Q1oficialResposta: B

Conceito: A Administração indireta reúne entidades com personalidade jurídica própria, sujeitas à supervisão finalística do ente que as instituiu.
Raciocínio: A alternativa B apresenta as quatro categorias tradicionais da Administração indireta e indica o controle finalístico. Esse controle verifica se a entidade atua conforme suas finalidades legais; não cria subordinação hierárquica. As autarquias têm personalidade de direito público. Empresas públicas e sociedades de economia mista têm personalidade de direito privado.
Por que as outras estão erradas:
  • A: A alternativa A confunde autarquia com órgão. A autarquia integra a Administração indireta, tem personalidade jurídica própria e não se subordina hierarquicamente ao ente instituidor.
  • C: A alternativa C erra o regime dos empregados das empresas estatais. Em regra, eles são empregados públicos regidos pela CLT, não servidores estatutários.
  • D: A alternativa D restringe indevidamente o princípio da eficiência. O art. 37 da Constituição alcança a Administração Pública de todos os entes federativos.
  • E: A alternativa E contraria a Constituição: a criação de autarquia depende de lei específica, não de decreto.
Pegadinha: Controle finalístico não é subordinação hierárquica. A autonomia da entidade não afasta a supervisão prevista em lei.
Base: Constituição Federal, arts. 37, caput e XIX, e 173, § 1º, II; Decreto-Lei nº 200/1967, arts. 4º e 19.
Questão irmã: Uma autarquia estadual integra a Administração indireta e possui personalidade jurídica própria? Gabarito: Sim. A autarquia é entidade da Administração indireta, criada por lei específica e dotada de personalidade jurídica própria.

Fonte: TCE/SC 2026 — prova em conhecimento.fgv.br

Q2oficialResposta: E

Conceito: A empresa pública é entidade de direito privado da Administração indireta, assim como a sociedade de economia mista.
Raciocínio: A NAV Brasil é uma empresa pública. Ela tem personalidade jurídica própria e integra a Administração indireta. A alternativa E identifica corretamente sua natureza jurídica e sua posição na organização administrativa.
Por que as outras estão erradas:
  • A: A alternativa A atribui personalidade de direito público à empresa pública. Essa natureza caracteriza, em regra, autarquias e associações públicas.
  • B: A alternativa B confunde Administração direta com indireta. Empresas públicas e fundações públicas são entidades, não órgãos da Administração direta.
  • C: A alternativa C confunde entidade com órgão. A empresa pública tem personalidade jurídica e não está inserida em relação hierárquica como órgão da União.
  • D: A alternativa D classifica a empresa pública como paraestatal e lhe atribui personalidade de direito público. Ela integra a Administração indireta e tem personalidade de direito privado.
Pegadinha: A empresa pública não é órgão da Administração direta. É uma entidade da Administração indireta, mesmo quando controlada por ente estatal.
Base: Constituição Federal, art. 37, XIX; Decreto-Lei nº 200/1967, art. 4º, II; Lei nº 13.303/2016, art. 3º.
Questão irmã: Uma sociedade de economia mista integra a Administração direta ou indireta? Gabarito: A Administração indireta. Ela tem personalidade jurídica de direito privado.

Fonte: NAV BRASIL 2026 — prova em conhecimento.fgv.br

Q3oficialResposta: C

Conceito: A Lei de Acesso à Informação alcança os órgãos e entidades públicas de todos os entes federativos e protege as hipóteses legais de sigilo e de informações pessoais.
Raciocínio: A LAI disciplina o acesso a informações públicas em âmbito federal, estadual, distrital e municipal. A regra é a publicidade, mas há exceções legais, como informações classificadas como sigilosas e informações pessoais protegidas. A lei alcança informações digitais; o formato eletrônico não as exclui do acesso.
Por que as outras estão erradas:
  • A: A alternativa A exclui justamente a esfera federal, embora a LAI também se aplique aos órgãos e entidades da União.
  • B: A alternativa B limita a lei ao papel. A LAI abrange informações independentemente do suporte ou formato.
  • D: A alternativa D presume que todo código-fonte seja sigiloso. O sigilo depende de fundamento legal concreto; não decorre automaticamente da natureza digital ou técnica da informação.
  • E: A alternativa E exige a criação de informação ou documento novo. A LAI não obriga o órgão a produzir informação inexistente nem a criar documento apenas para atender ao pedido.
Pegadinha: O acesso é a regra, mas não é absoluto. A proteção de dados pessoais ou o sigilo legal podem limitar a divulgação, desde que haja fundamento aplicável.
Base: Lei nº 12.527/2011, arts. 1º, 3º, 7º, 10, 11, 12, 23 e 31.
Questão irmã: A LAI se aplica a informações armazenadas em sistemas digitais de órgãos públicos? Gabarito: Sim. O meio digital não afasta a aplicação da LAI, observadas as restrições legais de acesso.

Fonte: ALE/RO 2026 — prova em conhecimento.fgv.br

Q4oficialResposta: B

Conceito: A estatal deve motivar formalmente a dispensa de empregado concursado, mas não precisa instaurar processo administrativo disciplinar para fazê-lo.
Raciocínio: O Tema 1.022 do STF alcança empresas públicas e sociedades de economia mista, sejam prestadoras de serviço público ou exploradoras de atividade econômica, inclusive em regime concorrencial. A demissão de empregado concursado deve ser formalmente motivada em fundamento razoável. A tese não exige justa causa trabalhista nem a instauração de PAD. Como a EPDAC não indicou motivo algum, a dispensa contraria o dever de motivação.
Por que as outras estão erradas:
  • A: A alternativa A ignora a tese do STF. O regime privado e a livre concorrência não dispensam a motivação da demissão de empregado concursado.
  • C: A alternativa C limita o dever de motivar a estatais prestadoras de serviço público em monopólio. A tese também alcança empresas exploradoras de atividade econômica em concorrência.
  • D: A alternativa D transforma a motivação em exigência de PAD. O STF não exige processo administrativo para a dispensa, embora exija motivo formal e razoável.
  • E: A alternativa E condiciona a motivação à estabilidade especial, condição que não integra a tese do STF. A proteção decorre da condição de empregado concursado em estatal.
Pegadinha: Motivação não significa necessidade de PAD, estabilidade ou enquadramento em justa causa. São exigências distintas.
Base: Constituição Federal, art. 37, caput; STF, Tema 1.022 da repercussão geral (RE 688.267).
Questão irmã: Uma sociedade de economia mista que atua em concorrência pode dispensar sem motivação empregado concursado? Gabarito: Não. Deve motivar formalmente a dispensa com fundamento razoável, mas não precisa instaurar PAD.

Fonte: PGE/AC 2026 — prova em conhecimento.fgv.br

Q5oficialResposta: C

Conceito: A transparência ativa da LAI é um dever vinculado de divulgação de informações de interesse coletivo ou geral, sem necessidade de pedido.
Raciocínio: O art. 8º da LAI impõe aos órgãos e entidades públicas a divulgação espontânea dessas informações. Não cabe ao administrador decidir livremente se cumprirá o dever. A publicidade pode sofrer restrições nos casos legais de sigilo e proteção de informações pessoais. Por isso, a alternativa C está correta.
Por que as outras estão erradas:
  • A: A alternativa A chama de discricionária uma divulgação que a lei impõe como dever. A Administração não pode dispensar a transparência ativa por mera conveniência.
  • B: A alternativa B transforma a licença para capacitação em direito subjetivo automático. O art. 87 prevê afastamento no interesse da Administração.
  • D: A alternativa D chama de vinculada uma competência que o art. 43 descreve com o verbo “poderá”, indicativo de discricionariedade, e afirma que a apreensão administrativa sempre dispensa ordem judicial. O texto do art. 43 prevê a atuação da Anvisa e medidas judiciais específicas, inclusive alienação judicial e bloqueio de contas; não autoriza concluir que toda restrição patrimonial seja autoexecutória.
  • E: A alternativa E erra ao afirmar que todas as medidas dependem de autorização judicial prévia. O dispositivo atribui à Agência a possibilidade de apreender bens e prevê requerimentos ao Judiciário para as medidas judiciais indicadas.
Pegadinha: A lei usa a expressão “independentemente de requerimentos”. Isso caracteriza transparência ativa e afasta a ideia de escolha livre do administrador.
Base: Lei nº 12.527/2011, art. 8º; Lei nº 8.112/1990, art. 87; Lei nº 9.782/1999, art. 43.
Questão irmã: A publicação espontânea de informações de interesse geral pela Administração é discricionária? Gabarito: Não. A LAI estabelece um dever de transparência ativa, ressalvadas as restrições legais de acesso.

Fonte: MP/RJ 2026 — prova em conhecimento.fgv.br

Q6oficialResposta: C

Conceito: A inexigibilidade cabe quando a competição é inviável; a compra ou locação de imóvel pode se enquadrar nessa hipótese por suas características e localização.
Raciocínio: A Lei nº 14.133/2021 prevê inexigibilidade para aquisição ou locação de imóvel cujas características de instalações e localização tornem necessária sua escolha. A contratação também exige avaliação prévia e atendimento dos demais requisitos legais. A alternativa C identifica a hipótese.
Por que as outras estão erradas:
  • A: A alternativa A descreve hipótese de contratação direta tratada como dispensa na Lei nº 14.133/2021, não como inexigibilidade.
  • B: A alternativa B descreve hipótese de dispensa, não de inexigibilidade: a Lei nº 14.133/2021, art. 75, XIII, dispensa a licitação para contratar profissionais para compor a comissão de avaliação de critérios de técnica, quando se tratar de profissional técnico de notória especialização.
  • D: A alternativa D descreve hipótese de dispensa de licitação prevista na lei, não de inexigibilidade.
  • E: A alternativa E também descreve hipótese legal de dispensa, não a contratação por inviabilidade de competição.
Pegadinha: Compra ou locação de imóvel não é inexigível apenas porque a Administração prefere determinado endereço. A escolha deve ser necessária em razão das características e da localização, com justificativa e avaliação.
Base: Lei nº 14.133/2021, art. 74, caput, V, e § 5º (inexigibilidade); art. 75, IV, “g”, XII, XIII e XIV (hipóteses de dispensa das alternativas A, E, B e D).
Questão irmã: A Administração pode invocar inexigibilidade para locar qualquer imóvel de sua preferência? Gabarito: Não. A inviabilidade de competição deve decorrer das características de instalações e localização que tornem necessária a escolha.

Fonte: AMAZUL 2026 — prova em conhecimento.fgv.br

Q7oficialResposta: E

Conceito: A autarquia responde objetivamente pelos danos que seus agentes causam a terceiros nessa qualidade.
Raciocínio: O ICMBio é uma autarquia federal com personalidade jurídica própria. Os fiscais atuavam em serviço quando o drone caiu e causou dano a Maria. Ela deve ajuizar a ação contra a pessoa jurídica responsável, o ICMBio, e demonstrar dano e nexo causal. Não precisa provar dolo ou culpa dos agentes para a responsabilidade objetiva da autarquia.
Por que as outras estão erradas:
  • A: A alternativa A aponta a União, embora o dano tenha sido causado por agentes de autarquia com personalidade própria. A responsabilidade não decorre do poder hierárquico da União.
  • B: A alternativa B indica corretamente a entidade, mas exige responsabilidade subjetiva e prova de culpa ou dolo dos fiscais. A responsabilidade perante a vítima é objetiva.
  • C: A alternativa C direciona a ação inicialmente contra os agentes. Pelo Tema 940 do STF (dupla garantia), a ação deve ser proposta contra a pessoa jurídica, e o agente é parte ilegítima para responder diretamente à vítima; resta o direito de regresso contra ele se houver dolo ou culpa.
  • D: A alternativa D confunde supervisão administrativa com responsabilidade civil. A União não responde apenas por exercer controle sobre uma autarquia.
Pegadinha: A responsabilidade objetiva da entidade não significa responsabilidade automática: a vítima ainda deve demonstrar dano e nexo causal. A culpa do agente é relevante para eventual ação regressiva.
Base: Constituição Federal, art. 37, § 6º; Lei nº 11.516/2007, que criou o ICMBio como autarquia federal.
Questão irmã: A vítima de dano causado por servidor de autarquia em serviço precisa provar a culpa do servidor para demandar a autarquia? Gabarito: Não. A responsabilidade da autarquia é objetiva, sem prejuízo da demonstração do dano e do nexo causal.

Fonte: MPU 2025 — prova em conhecimento.fgv.br

5.8 Revisão relâmpago e mapa de revisão

  • Os princípios expressos no art. 37, caput, são legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência.
  • Órgãos não têm personalidade jurídica própria; entidades da Administração indireta têm.
  • A Administração indireta compreende autarquias, fundações públicas, empresas públicas e sociedades de economia mista.
  • A lei cria autarquia e autoriza a criação de empresa pública e sociedade de economia mista.
  • Os elementos do ato administrativo são competência, finalidade, forma, motivo e objeto.
  • Anulação combate ilegalidade; revogação retira ato válido por conveniência e oportunidade.
  • A autoexecutoriedade não está presente em todos os atos administrativos.
  • A LAI prevê transparência ativa e protege informações legalmente sigilosas e pessoais.
  • A Lei nº 9.784/1999 rege o processo administrativo federal, não automaticamente o municipal; sem norma local específica, aplica-se de forma subsidiária (Súmula 633 do STJ).
  • A dispensa de empregado público concursado de estatal exige motivação formal e razoável, mas não PAD.

Mapa de revisão

Reveja este capítulo em 1, 7 e 30 dias.

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