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Área 03

Cirurgia torácica e cardiovascular

O que o conteúdo programático pede nesta área

  1. 1Câncer de pulmão: fatores de risco e rastreamento com TC de baixa dose; tipos histológicos; estadiamento TNM e do mediastino (EBUS, mediastinoscopia); lobectomia, segmentectomia e indicações de ressecção255 questões de provas anteriores, 2017–2026 · cap. 5
  2. 2Nódulo pulmonar e avaliação para ressecção: critérios de malignidade e recomendações de Fleischner; PET-CT e biópsia; espirometria, DLCO e consumo de oxigênio no pré-operatório; metástases pulmonares e metastasectomia92 questões de provas anteriores, 2017–2026 · cap. 5
  3. 3Doenças da pleura: derrame pleural e critérios de Light; empiema e suas fases; drenagem pleural, selo d'água e pleurodese; pneumotórax espontâneo primário e secundário; quilotórax e mesotelioma169 questões de provas anteriores, 2017–2026 · cap. 5
  4. 4Mediastino: compartimentos e massas mediastinais; timoma e miastenia gravis; timectomia por videotoracoscopia; tumores de células germinativas e linfomas; mediastinite descendente necrosante123 questões de provas anteriores, 2017–2026 · cap. 5
  5. 5Vias aéreas e hemoptise: anatomia da traqueia, brônquios e nervo laríngeo recorrente; estenose traqueal pós-intubação; fístula traqueoesofágica; hemoptise maciça; corpo estranho em via aérea66 questões de provas anteriores, 2017–2026 · cap. 6
  6. 6Parede torácica e simpatectomia: pectus excavatum e carinatum; tumores da parede torácica; hiperidrose e simpatectomia torácica; síndrome do desfiladeiro torácico49 questões de provas anteriores, 2017–2026 · cap. 6
  7. 7Infecções pulmonares cirúrgicas e pós-operatório torácico: abscesso pulmonar e bronquiectasias; tuberculose e aspergiloma; escape aéreo prolongado e fístula broncopleural; complicações após ressecção pulmonar; transplante pulmonar137 questões de provas anteriores, 2017–2026 · cap. 6
  8. 8Cirurgia cardíaca para o cirurgião geral: troca valvar com prótese mecânica x biológica e anticoagulação; endocardite com indicação cirúrgica; arritmias e outras complicações no pós-operatório; balão intra-aórtico e circulação extracorpórea39 questões de provas anteriores, 2018–2026 · cap. 6

Cirurgia torácica e cardiovascular · Capítulo 5

Câncer de pulmão: rastreamento, histologia, estadiamento e ressecçãoNódulo pulmonar, avaliação pré-operatória e metástasesPleura: derrame, empiema, drenagem e pneumotóraxMediastino: massas, timoma, tumores germinativos e mediastinite

Temas do conteúdo programático:

  • 1. Câncer de pulmão: fatores de risco e rastreamento com TC de baixa dose; tipos histológicos; estadiamento TNM e do mediastino (EBUS, mediastinoscopia); lobectomia, segmentectomia e indicações de ressecção
  • 2. Nódulo pulmonar e avaliação para ressecção: critérios de malignidade e recomendações de Fleischner; PET-CT e biópsia; espirometria, DLCO e consumo de oxigênio no pré-operatório; metástases pulmonares e metastasectomia
  • 3. Doenças da pleura: derrame pleural e critérios de Light; empiema e suas fases; drenagem pleural, selo d'água e pleurodese; pneumotórax espontâneo primário e secundário; quilotórax e mesotelioma
  • 4. Mediastino: compartimentos e massas mediastinais; timoma e miastenia gravis; timectomia por videotoracoscopia; tumores de células germinativas e linfomas; mediastinite descendente necrosante

5.1 Pré-teste

Responda antes de ler a teoria. O gabarito está no fim do capítulo.

P1inédita

Homem de 66 anos, tabagista, apresenta massa pulmonar central de 3 cm. A tomografia mostra linfonodos aumentados nas estações 4R e 7, e o PET-CT revela captação nesses linfonodos. Não há metástases à distância. Qual é o próximo passo mais adequado para o estadiamento mediastinal?

  1. A)Prosseguir diretamente para lobectomia, sem avaliação dos linfonodos mediastinais
  2. B)Realizar punção aspirativa guiada por EBUS dos linfonodos suspeitos
  3. C)Repetir o PET-CT após três meses antes de decidir pela biópsia
  4. D)Solicitar citologia do escarro para confirmar o comprometimento mediastinal

P2inédita

Mulher de 69 anos, candidata à ressecção de câncer pulmonar, tem VEF1 e DLCO previstos no pós-operatório de 28% e 35% do previsto, respectivamente. Qual é o próximo exame funcional mais indicado para estimar o risco cirúrgico?

  1. A)Teste cardiopulmonar de exercício com medida do consumo de oxigênio
  2. B)Broncoscopia com lavado broncoalveolar
  3. C)Cintilografia óssea
  4. D)Angiotomografia das artérias pulmonares

P3inédita

Homem de 58 anos apresenta derrame pleural unilateral. A proteína sérica é 6,0 g/dL e a proteína pleural, 3,4 g/dL. A LDH sérica é 240 U/L e a pleural, 120 U/L; o limite superior da normalidade sérica da LDH é 250 U/L. Como o líquido deve ser classificado pelos critérios de Light?

  1. A)Transudato, pois a LDH pleural é menor que a sérica
  2. B)Transudato, pois a proteína pleural é inferior à sérica
  3. C)Exsudato, pois a razão entre LDH pleural e sérica é menor que 0,6
  4. D)Exsudato, pois a razão entre proteína pleural e sérica é maior que 0,5

5.2 O que cai

  • 1. Câncer de pulmão: fatores de risco e rastreamento com TC de baixa dose; tipos histológicos; estadiamento TNM e do mediastino (EBUS, mediastinoscopia); lobectomia, segmentectomia e indicações de ressecção: 255 questões de provas anteriores, 2017–2026
  • 2. Nódulo pulmonar e avaliação para ressecção: critérios de malignidade e recomendações de Fleischner; PET-CT e biópsia; espirometria, DLCO e consumo de oxigênio no pré-operatório; metástases pulmonares e metastasectomia: 92 questões de provas anteriores, 2017–2026
  • 3. Doenças da pleura: derrame pleural e critérios de Light; empiema e suas fases; drenagem pleural, selo d'água e pleurodese; pneumotórax espontâneo primário e secundário; quilotórax e mesotelioma: 169 questões de provas anteriores, 2017–2026
  • 4. Mediastino: compartimentos e massas mediastinais; timoma e miastenia gravis; timectomia por videotoracoscopia; tumores de células germinativas e linfomas; mediastinite descendente necrosante: 123 questões de provas anteriores, 2017–2026

5.3 Teoria

Esses temas cobram decisões que mudam prognóstico e segurança: reconhecer quem precisa de biópsia, cirurgia ou drenagem e avaliar se o paciente tolera a intervenção. A banca também explora diferenças entre tumores centrais e periféricos, entre pneumotórax simples e recorrente e entre massa mediastinal ressecável e doença que exige biópsia.

5.3.1 Câncer de pulmão: rastreamento, histologia, estadiamento e ressecção

Tabagismo é o principal fator de risco. Também aumentam o risco a exposição a radônio, asbestos e outros carcinógenos ocupacionais, além de história familiar e doença pulmonar crônica.

A tomografia computadorizada de baixa dose pode reduzir a mortalidade em pessoas de alto risco. A recomendação da USPSTF inclui adultos de 50 a 80 anos com pelo menos 20 anos-maço que fumam ou pararam há menos de 15 anos. Não se deve confundir rastreamento de assintomáticos com investigação de sintomas; a oferta organizada no Brasil pode variar.

O adenocarcinoma é o subtipo mais comum e costuma ser periférico. Pode metastatizar cedo. O carcinoma escamoso associa-se fortemente ao tabagismo e tende a ser central. O carcinoma de pequenas células é agressivo, geralmente central e frequentemente disseminado ao diagnóstico; não é tratado com ressecção como regra. O estadiamento TNM orienta prognóstico e tratamento; está em vigor a 9ª edição da IASLC (2025). T1 até 3 cm (T1a ≤1 cm, T1b >1–2 cm, T1c >2–3 cm); T2 >3–5 cm ou invasão de pleura visceral ou brônquio principal; T3 >5–7 cm ou invasão de parede, pericárdio parietal ou nódulo no mesmo lobo; T4 >7 cm ou invasão de mediastino, diafragma, grandes vasos, coração, traqueia, carina, esôfago ou vértebra, ou nódulo em outro lobo ipsilateral. N1: linfonodos peribrônquicos ou hilares ipsilaterais; N2: mediastinais ipsilaterais ou subcarinais, divididos em N2a (uma estação) e N2b (múltiplas estações); N3: contralaterais ou supraclaviculares. M1a: doença pleural ou pericárdica ou nódulo no pulmão contralateral; M1b: metástase extratorácica única; M1c1: múltiplas em um sistema de órgãos; M1c2: em múltiplos sistemas. A avaliação mediastinal começa por imagem; linfonodos suspeitos podem exigir amostragem por EBUS. Se o resultado for negativo, mas a suspeita clínica ou radiológica permanecer alta, considere mediastinoscopia.

Para câncer de pulmão de não pequenas células ressecável, a lobectomia com avaliação linfonodal é opção padrão em pacientes aptos. A segmentectomia anatômica pode ser considerada em tumores periféricos de até 2 cm, sem acometimento linfonodal (estudos JCOG0802 e CALGB 140503), selecionados e com margens adequadas, especialmente quando é importante preservar parênquima. A decisão depende do estágio, da função pulmonar e da possibilidade de ressecção completa.

5.3.2 Nódulo pulmonar, avaliação pré-operatória e metástases

A probabilidade de malignidade aumenta com idade, tabagismo, antecedente de câncer, maior diâmetro, crescimento e margens espiculadas.

Nódulos sólidos superiores a 8 mm podem exigir avaliação em curto prazo com tomografia, PET-CT, biópsia ou ressecção, conforme o risco e a possibilidade de mudar a conduta. As recomendações da Fleischner se aplicam a achados incidentais em adultos; não se aplicam diretamente a pacientes com câncer conhecido, imunossupressão ou nódulos encontrados em programas de rastreamento. Em pessoa com neoplasia prévia, não presuma metástase nem segundo primário: obtenha diagnóstico histológico quando o resultado puder alterar o tratamento. A biópsia transtorácica guiada por imagem é útil para lesões periféricas; a broncoscopia pode ser preferível em lesões acessíveis pela via aérea. PET-CT ajuda a estimar atividade metabólica e a procurar doença extratorácica, mas inflamação pode produzir falso-positivo e lesões pequenas podem ser falso-negativas.

Antes da ressecção, avalie espirometria, DLCO e valores previstos para o pós-operatório, considerando a quantidade de pulmão a remover. Se houver reserva limítrofe, use teste de exercício; o teste cardiopulmonar com medida do consumo máximo de oxigênio ajuda a quantificar risco. Valores baixos de FEV1 ou DLCO previstos no pós-operatório aumentam a necessidade de avaliação funcional adicional e podem afastar uma ressecção maior. Pela ACCP (2013), ambos acima de 60% do previsto indicam baixo risco; entre 30% e 60%, faça teste de baixa complexidade (subida de escada ou shuttle walk); abaixo de 30% ou teste simples insatisfatório, faça teste cardiopulmonar. Consumo máximo de oxigênio acima de 20 mL/kg/min permite ressecção até pneumonectomia; abaixo de 10 mL/kg/min indica alto risco para ressecção anatômica maior.

Metastasectomia pulmonar é seletiva: exige controle adequado do tumor primário, possibilidade de ressecção completa, condição clínica compatível e ausência de doença extratorácica não controlada. A decisão é multidisciplinar.

Exercício comentado

Como a banca cobrouoficial · Residência Unicamp 2026

Homem, 75a, foi submetido a cirurgia por adenocarcinoma de reto distal há 2 anos (Estadiamento: pT3N0M0). Antecedentes: tabagismo (30anos/maço); ex-etilista; neoplasia de próstata tratada com radioterapia e hormonioterapia. No seguimento oncológico, apresentou elevação do antígeno carcinoembrionário (Carcinoembryonic Antigen-CEA) e posteriormente à tomografia computadorizada de tórax, nódulo pulmonar em lobo superior direito de 2,5cm. A CONDUTA EM RELAÇÃO AO NÓDULO É:

  1. A)Seguimento tomográfico e laboratorial.
  2. B)Lobectomia pulmonar.
  3. C)Radioterapia estereotáxica.
  4. D)Biópsia transtorácica guiada por imagem.

Resposta: D

Conceito: Um nódulo pulmonar em paciente com câncer prévio pode ser metástase ou um segundo primário; a confirmação tecidual pode mudar o tratamento.

Raciocínio: O nódulo tem 2,5 cm e surgiu durante o seguimento de adenocarcinoma de reto, com elevação do CEA. A imagem e o marcador não distinguem com segurança uma metástase colorretal de um câncer pulmonar primário. A biópsia transtorácica guiada por imagem pode fornecer tecido para diagnóstico e orientar a estratégia terapêutica. A escolha entre biópsia, ressecção diagnóstica e outras técnicas depende da localização, da probabilidade de malignidade e da operabilidade.

Pegadinha: O antecedente de câncer colorretal não prova que todo nódulo pulmonar seja metástase; um segundo primário é possível.

Base: Diretrizes da NCCN para avaliação de nódulo pulmonar e câncer de pulmão; recomendações de investigação de metástases pulmonares.

5.3.3 Pleura: derrame, empiema, drenagem e pneumotórax

Diante de derrame pleural novo, a toracocentese diagnóstica costuma definir a investigação, salvo situações em que a causa seja evidente e a punção não seja segura.

Os critérios de Light classificam o líquido como exsudato se houver pelo menos um dos seguintes: relação proteína pleural/sérica maior que 0,5; relação LDH pleural/sérica maior que 0,6; ou LDH pleural acima de dois terços do limite superior sérico. Empiema é pus no espaço pleural; líquido pleural com cultura positiva ou perfil bioquímico compatível com infecção complicada também pode exigir drenagem. O empiema evolui por fases exsudativa, fibrinopurulenta e organizativa. Antibiótico isolado pode falhar quando há pus, loculações ou coleção que não se resolve; drenagem e, em casos selecionados, fibrinolítico intrapleural ou cirurgia podem ser necessários.

No dreno torácico, o selo d’água permite saída de ar ou líquido e reduz o risco de retorno à cavidade pleural. Pneumotórax volumoso e sintomático, especialmente com piora respiratória, requer intervenção; em paciente estável, a drenagem fechada é uma opção. Pneumotórax hipertensivo exige descompressão imediata. No pneumotórax espontâneo primário, a conduta depende dos sintomas e da estabilidade, não apenas do tamanho radiológico. Pleurodese ou ressecção de blebs por videotoracoscopia pode reduzir recorrências; considere-a em recidiva, fuga aérea persistente ou situações de alto risco. No secundário, a reserva pulmonar menor exige cautela.

Quilotórax é sugerido por triglicerídeos pleurais elevados; quilomícrons confirmam o diagnóstico. Mesotelioma associa-se à exposição a asbestos e requer confirmação histológica; a cirurgia fica restrita a casos selecionados, após estadiamento multidisciplinar.

Esquema

Fases do empiema

  1. 1Fase exsudativa

  2. 2Fase fibrinopurulenta

  3. 3Fase organizativa

Exercício comentado

Como a banca cobrouoficial · Residência USP (Fuvest) 2026

Mulher, 27 anos de idade, comparece ao pronto-socorro após queixa de dor torácica súbita, tosse e dispneia há 8 horas, com piora na última hora, mas sem repercussão hemodinâmica. Na radiografia de tórax, identifica-se pneumotórax volumoso. Qual a conduta inicial recomendada?

  1. A)Toracocentese de alívio.
  2. B)Toracostomia com drenagem fechada.
  3. C)Videotoracoscopia com ressecção em cunha.
  4. D)Tomografia de tórax para avaliar suspeita de doença intersticial.

Resposta: B

Conceito: Pneumotórax volumoso e sintomático pode exigir drenagem pleural fechada, sobretudo quando há piora clínica.

Raciocínio: A paciente tem dor, tosse e dispneia, com pneumotórax volumoso e piora dos sintomas. Não há instabilidade que indique descompressão imediata por tensão, mas é necessário tratar o pneumotórax. A drenagem fechada permite evacuar o ar e manter a expansão pulmonar. A drenagem fechada é a resposta da banca e uma conduta aceita, mas as diretrizes atuais (ERS 2015; BTS 2023) permitem, no pneumotórax espontâneo primário em paciente estável, mesmo volumoso, conduta conservadora, aspiração por agulha ou dispositivo ambulatorial como primeira opção, reservando o dreno para falha ou piora. O gabarito reflete a prática tradicional.

Pegadinha: Não confundir paciente estável com paciente sem necessidade de tratamento: o volume e a piora dos sintomas também importam.

Base: Diretrizes da British Thoracic Society e diretriz da European Respiratory Society para pneumotórax espontâneo.

5.3.4 Mediastino: massas, timoma, tumores germinativos e mediastinite

A localização da massa reduz o diagnóstico diferencial. A classificação prática separa mediastino pré-vascular, visceral e paravertebral.

No compartimento pré-vascular, considere tumores tímicos, linfoma, tumores de células germinativas e lesões tireoidianas. Massa visceral pode ser adenopatia ou lesão de via aérea ou esôfago; massa paravertebral sugere tumor neurogênico. A tomografia com contraste define compartimento, relação com vasos e estruturas adjacentes. Marcadores séricos como AFP e beta-hCG ajudam na investigação de tumor germinativo; AFP não se eleva no seminoma puro.

Timoma pode coexistir com miastenia gravis. Investigue sintomas e sinais de miastenia antes da cirurgia, pois a avaliação e o controle perioperatório reduzem complicações. Timoma ressecável costuma ser tratado com timectomia completa. A videotoracoscopia é opção em tumores selecionados, quando permite ressecção íntegra, sem romper a cápsula. Linfoma não deve ser submetido a ressecção tumoral como primeira conduta: obtenha tecido adequado para diagnóstico e encaminhe para tratamento sistêmico.

Mediastinite descendente necrosante geralmente se origina de infecção odontogênica ou cervical profunda. Febre, toxemia, dor cervical ou torácica e piora rápida exigem suspeita elevada. A tomografia contrastada do pescoço e tórax delimita a extensão, mas não deve atrasar o tratamento. Inicie antibiótico intravenoso de amplo espectro e obtenha controle do foco com drenagem cervical e mediastinal conforme a extensão. Atraso no controle da fonte pode ser fatal.

Esquema

Massa por compartimento

Massa mediastinal

  • Pré-vascular

    Tumores tímicos, linfoma, tumores de células germinativas e lesões tireoidianas.

  • Visceral

    Adenopatia ou lesão de via aérea ou esôfago.

  • Paravertebral

    Sugere tumor neurogênico.

Pegadinha de prova

Adenocarcinoma não é sinônimo de tumor central

A maioria dos adenocarcinomas é periférica. O carcinoma escamoso e o de pequenas células tendem a ser centrais; o de pequenas células é agressivo, não indolente.

Atenção

Fleischner não substitui julgamento oncológico

As recomendações para nódulos incidentais não se aplicam diretamente a pacientes com câncer conhecido. Nessa situação, considere metástase, segundo primário e lesão benigna; escolha a investigação conforme o impacto do diagnóstico na conduta.

Pegadinha de prova

Pneumotórax: recorrência também importa

A indicação de videotoracoscopia com ressecção de blebs e pleurodese não depende de a recidiva ocorrer antes de um intervalo arbitrário. Considere recorrência, fuga aérea persistente e situações de alto risco.

Atenção

Massa mediastinal não significa ressecção

Timoma ressecável pode exigir timectomia. Suspeita de linfoma pede diagnóstico tecidual e tratamento sistêmico, não ressecção tumoral inicial.

5.4 Exemplo resolvido

Homem de 62 anos apresenta febre e tosse produtiva. A radiografia mostra pneumonia lobar e derrame pleural associado. Na toracocentese, o líquido é turvo, com pH baixo, glicose reduzida e crescimento de bactéria na cultura. Qual é a melhor conduta para o espaço pleural? A) Observação e nova radiografia em seis semanas. B) Drenagem pleural associada a antibiótico. C) Pleurodese química imediata. D) Toracocentese terapêutica única, sem antibiótico.

  1. O quadro sugere derrame parapneumônico complicado ou empiema: há infecção pleural, com cultura positiva e bioquímica desfavorável.
  2. A cultura positiva e o pH baixo afastam a conduta de apenas observar ou repetir toracocentese como tratamento definitivo.
  3. Pleurodese não trata a infecção pleural. É preciso tratar a pneumonia e controlar a coleção.
  4. Indique antibiótico e drenagem pleural; reavalie a resposta e considere abordagem adicional se houver loculações ou persistência da coleção.

Resposta: B) Drenagem pleural associada a antibiótico.

5.5 Fixação

Questões inéditas, no estilo das provas de residência.

F1inédita

Paciente de 63 anos tem carcinoma pulmonar não pequenas células periférico, com 1,6 cm, sem linfonodos suspeitos na avaliação clínica e sem metástases. A função pulmonar permite ressecção. Qual alternativa descreve uma opção cirúrgica oncologicamente aceitável em casos selecionados?

  1. A)Ressecção em cunha sem avaliação dos linfonodos, como procedimento padrão para qualquer tumor desse tamanho
  2. B)Segmentectomia anatômica com avaliação linfonodal
  3. C)Pneumonectomia, independentemente da localização e da extensão do tumor
  4. D)Observação radiológica, pois tumores menores que 2 cm não exigem tratamento

F2inédita
Mulher de 61 anos foi tratada por câncer colorretal há três anos. A tomografia mostra um único nódulo pulmonar suspeito de metástase. A doença primária está controlada, não há metástases extrapulmonares e a paciente tem reserva funcional adequada. Qual característica favorece considerar metastasectomia pulmonar?

  1. A)Presença de múltiplas metástases extrapulmonares não controladas
  2. B)Tumor primário ainda sem controle local
  3. C)Impossibilidade de ressecar completamente a lesão pulmonar
  4. D)Possibilidade de ressecção completa da lesão, com controle da doença primária e ausência de doença extrapulmonar não controlada

F3inédita

Homem de 46 anos apresenta febre e dor torácica após pneumonia. A tomografia mostra derrame pleural loculado, e a análise do líquido revela pus e deposição de fibrina. Não há espessamento pleural organizado nem pulmão encarcerado. A qual fase do empiema o quadro corresponde?

  1. A)Fase fibrinopurulenta
  2. B)Fase exsudativa inicial
  3. C)Fase organizada
  4. D)Fase de resolução espontânea

F4inédita

Mulher de 39 anos apresenta febre, disfagia e edema cervical após infecção odontogênica. A tomografia com contraste mostra coleção cervical profunda com extensão abaixo do estreito torácico superior e gás no mediastino. Qual é a conduta mais adequada?

  1. A)Observar com tomografias seriadas, pois a infecção costuma regredir espontaneamente
  2. B)Iniciar antibiótico oral e programar avaliação ambulatorial
  3. C)Iniciar antibiótico intravenoso de amplo espectro e realizar drenagem urgente do foco cervical e mediastinal
  4. D)Administrar corticoide isolado para reduzir o edema mediastinal

F5inédita

Homem de 52 anos relata diplopia e ptose que pioram ao longo do dia. A tomografia revela massa bem delimitada no mediastino anterior. Qual doença está classicamente associada a essa apresentação?

  1. A)Síndrome de Horner
  2. B)Miastenia gravis
  3. C)Síndrome de Lambert-Eaton causada por tumor neurogênico posterior
  4. D)Hipertireoidismo por bócio mergulhante

5.6 Questões de provas anteriores

Questões oficiais de provas anteriores, com a fonte.

Q1oficial · Residência USP (Fuvest) 2026
Texto base: Mulher, 71 anos de idade, assintomática, tabagista passiva (marido), sem outras comorbidades. Na tomografia de tórax, foi observado a presença de opacidade irregular subsólida, predominantemente vidro fosco, localizada no segmento apicoposterior do lobo superior esquerdo, medindo 2,4 cm no maior eixo e com área invasiva de 1,5 cm no maior eixo, conforme a imagem a seguir:Figura da questãoAusência de linfonodomegalias em hilo ou mediastino. Foi submetida à biópsia por agulha guiada por tomografia de tórax que confirmou tratar-se de adenocarcinoma primário do pulmão. O PET-FDG mostrou captação suspeita para neoplasia apenas no nódulo pulmonar (SUVmax 2,7).

Qual extensão da ressecção pulmonar seria oncologicamente recomendada neste caso?

  1. A)Lobectomia superior esquerda.
  2. B)Ressecção em Cunha (wedge) não-anatômica.
  3. C)Segmentectomia anatômica do apicoposterior esquerdo.
  4. D)Trissegmentectomia anatômica (segmentos anterior e apicoposterior esquerdos).

Q2oficial · Residência Unicamp 2026
Homem, 76a, foi submetido a drenagem de abcesso em músculo psoas esquerdo. Evoluiu no pós-operatório com piora da leucocitose e elevação da proteína C reativa. Tomografia computadorizada= coleção líquida pleural em hemitórax esquerdo, de aspecto loculado na região posterior (imagem Q52). Toracocentese diagnóstica = líquido de aspecto seroso. Análise análise laboratorial que confirmou tratar-se de empiema. SEGUNDO OS CRITÉRIOS CLÍNICO-LABORATORIAIS E DE IMAGEM, A CONDUTA MAIS ADEQUADA É.

Figura da questão

  1. A)Drenagem pleural tubular.
  2. B)Videotoracoscopia.
  3. C)Pleurostomia.
  4. D)Toracocentese terapêutica.

Q3oficial · Residência SES-DF 2024
Figura da questãoMassas mediastinais se apresentam clinicamente de modo variado desde uma doença assintomática a sintomas relacionados feito de massa, invasão e sintomas sistêmicos. Os sintomas geralmente estão associados ao tipo de tumor e sua localização. Qual o modo de apresentação clínica, a localização e o tipo de tumor mais provável, respectivamente, da imagem apresentada?

  1. A)Dorsalgia, mediastino posterior, linfoma
  2. B)Incidentaloma assintomático, mediastino posterior e tumor neurogênico
  3. C)Incidentaloma assintomático, mediastino posterior e linfoma
  4. D)Dorsalgia, mediastino posterior, tumor neurogênico

Q4oficial · ENARE (AOCP) 2022
Sobre o câncer de pulmão, é correto afirmar que

  1. A)o adenocarcinoma é o tipo histológico menos frequente, responsável por 10% de todos os cânceres pulmonares.
  1. B)a maioria dos adenocarcinomas está localizada perifericamente e tende a apresentar metástase mais precocemente do que o carcinoma de células escamosas.
  2. C)o carcinoma de células escamosas ocorre em aproximadamente 70% dos pacientes com câncer pulmonar e a maioria está localizada perifericamente.
  3. D)o câncer de pequenas células representa cerca de 50% dos cânceres pulmonares e a maioria está localizada perifericamente.
  4. E)o câncer de pequenas células é frequentemente localizado, indolente e com boa resposta à radioterapia.

Q5oficial · Residência USP (Fuvest) 2026
Texto base: Homem, 55 anos de idade, assintomático. Durante ultrassom cervical de check-up foi identificada massa cervical que se comunicava com o mediastino. Refere HAS e tabagismo de charuto. Prosseguiu na investigação com tomografia cervical e de tórax, que visualizou a formação expansiva de aspecto sólido-cístico, com septações de permeio, comprometendo a região do mediastino e com extensão para região cervical à esquerda, apresentando íntimo contato com contorno inferior do lobo tireoidiano esquerdo. A lesão mede, em sua totalidade, aproximadamente 11,7 x 8,7 x 5,9 cm nos maiores eixos, conforme imagens apresentadas a seguir:Figura da questãoO paciente foi submetido à biopsia transtorácica que confirmou Timoma B2.

Qual é a melhor opção de tratamento recomendada neste caso?

  1. A)Timectomia.
  2. B)Radioterapia exclusiva.
  3. C)Radioterapia seguida por ressecção do tumor/timo
  4. D)Ressecção do tumor/timo seguido por quimioterapia

Q6oficial · Residência USP (Fuvest) 2026
Texto base: Mulher, 71 anos de idade, assintomática, tabagista passiva (marido), sem outras comorbidades. Na tomografia de tórax, foi observado a presença de opacidade irregular subsólida, predominantemente vidro fosco, localizada no segmento apicoposterior do lobo superior esquerdo, medindo 2,4 cm no maior eixo e com área invasiva de 1,5 cm no maior eixo, conforme a imagem a seguir:Figura da questãoAusência de linfonodomegalias em hilo ou mediastino. Foi submetida à biópsia por agulha guiada por tomografia de tórax que confirmou tratar-se de adenocarcinoma primário do pulmão. O PET-FDG mostrou captação suspeita para neoplasia apenas no nódulo pulmonar (SUVmax 2,7).

Qual a mínima dissecção linfonodal deve ser realizada para se considerar uma ressecção completa oncológica (R0)?

  1. A)Dissecção de, pelo menos, 2 cadeias hilares e 2 mediastinais sendo a subcarinal obrigatoriamente dissecada.
  1. B)Dissecção de, pelo menos, 2 cadeias hilares e 3 mediastinais sendo a paratraqueal inferior obrigatoriamente dissecada.
  2. C)Dissecção de, pelo menos, 3 cadeias hilares e 3 mediastinais sendo a paratraqueal inferior obrigatoriamente dissecada.
  3. D)Dissecção de, pelo menos, 3 cadeias linfonodais hilares e 3 mediastinais sendo a subcarinal obrigatoriamente dissecada.

Q7oficial · Residência USP (Fuvest) 2025

Homem, 65 anos de idade, tabagista 50 anos-maço, HAS controlado, sem outras comorbidades. Achado de nódulo suspeito para neoplasia primária de pulmão, conforme imagem a seguir:Figura da questãoEm relação ao caso apresentado assinale a alternativa com a conduta correta.

  1. A)Biópsia transbrônquica guiada por radioscopia.
  2. B)Seguimento com nova Tomografia em 6 meses.
  3. C)Videomediastinoscopia.
  4. D)Biópsia transtorácica guiada por tomografia de tórax.

Q8oficial · Residência USP (Fuvest) 2026
Homem, 21 anos de idade, longilíneo, com história prévia de 2 episódios de pneumotórax espontâneos tratados com drenagem torácica fechada. Comparece ao pronto-socorro com o terceiro episódio de pneumotórax espontâneo após 2 anos do último episódio. Com base no quadro clínico apresentado, assinale a alternativa correta.

  1. A)A videotoracoscopia com biópsia de pulmão é mandatória, independente do tempo de intervalo dos episódios.
  1. B)A videotoracoscopia com resseção dos “blebs” e pleurodese pode ser indicada para reduzir o risco de novos episódios, independente do tempo de intervalo dos episódios.
  2. C)A videotoracoscopia com biópsia de pulmão é mandatória em recidivas precoces com menos de 1 ano.
  3. D)A videotoracoscopia com resseção dos “blebs” e pleurodese pode ser indicada para reduzir o risco de novos episódios, somente em recidivas precoces com menos de 1 ano.

5.7 Gabarito comentado

P1inédita · pré-testeResposta: B

Conceito: Linfonodos mediastinais suspeitos por imagem devem ser avaliados por amostragem invasiva quando o resultado pode mudar a conduta.
Raciocínio: O PET-CT sugere acometimento mediastinal, mas não confirma metástase. O EBUS permite amostrar estações acessíveis, como 4R e 7. O resultado ajuda a definir o tratamento e pode evitar uma cirurgia inadequada.
Por que as outras estão erradas:
  • A: A alternativa A ignora a suspeita de doença N2 e pode levar à cirurgia sem estadiamento mediastinal adequado.
  • C: A alternativa C posterga a confirmação histológica; o PET-CT não substitui a amostragem do linfonodo suspeito.
  • D: A alternativa D não é um método adequado para confirmar metástase em linfonodos mediastinais.
Pegadinha: Captação no PET-CT aumenta a suspeita, mas não equivale a confirmação histológica de metástase.
Base: Diretrizes da ESTS para estadiamento dos linfonodos mediastinais no câncer de pulmão.
Questão irmã: Paciente com tumor pulmonar periférico apresenta linfonodo mediastinal aumentado e hipercaptante no PET-CT. Qual exame pode obter amostra desse linfonodo por via endobrônquica? Gabarito: Punção aspirativa guiada por EBUS.

P2inédita · pré-testeResposta: A

Conceito: A avaliação da reserva funcional pulmonar orienta a segurança da ressecção e pode exigir teste cardiopulmonar de exercício.
Raciocínio: Primeiro se estimam os valores previstos no pós-operatório de VEF1 e DLCO. Quando um desses valores é inferior a 30% do previsto, o teste cardiopulmonar de exercício ajuda a quantificar a capacidade funcional e o risco.
Por que as outras estão erradas:
  • B: A alternativa B pode investigar doenças das vias aéreas, mas não quantifica a reserva funcional para a ressecção.
  • C: A alternativa C pesquisa metástases ósseas e não avalia o risco funcional pulmonar.
  • D: A alternativa D investiga doença tromboembólica, que não é a questão clínica apresentada.
Pegadinha: Não basta considerar o VEF1 basal: a estimativa pós-operatória e a DLCO também importam.
Base: Diretrizes ERS/ESTS para avaliação da aptidão funcional antes de cirurgia de ressecção pulmonar.
Questão irmã: Paciente candidato à lobectomia tem DLCO prevista no pós-operatório abaixo de 30% do previsto. Qual exame pode complementar a avaliação do risco funcional? Gabarito: Teste cardiopulmonar de exercício com medida do consumo de oxigênio.

P3inédita · pré-testeResposta: D

Conceito: Os critérios de Light classificam o derrame como exsudato quando pelo menos um dos critérios é positivo.
Raciocínio: A razão proteína pleural/sérica é 3,4/6,0, aproximadamente 0,57, portanto supera 0,5. Isso basta para classificar o derrame como exsudato, mesmo que os demais critérios não sejam positivos.
Por que as outras estão erradas:
  • A: A alternativa A usa uma comparação isolada entre LDH pleural e sérica, que não corresponde ao critério de Light.
  • B: A alternativa B também compara valores isolados; a relação entre proteína pleural e sérica é que deve ser calculada.
  • C: A alternativa C interpreta incorretamente um critério negativo. A razão de LDH abaixo de 0,6 não exclui exsudato se outro critério for positivo.
Pegadinha: Basta um critério de Light positivo; não é necessário que os três sejam positivos.
Base: Critérios de Light, adotados nas diretrizes para investigação do derrame pleural.
Questão irmã: A razão proteína pleural/sérica é 0,45, mas a razão LDH pleural/sérica é 0,68. Como se classifica o derrame pelos critérios de Light? Gabarito: Exsudato, porque a razão LDH pleural/sérica é maior que 0,6.

F1inéditaResposta: B

Conceito: A segmentectomia anatômica pode ser uma opção em pacientes selecionados com câncer pulmonar periférico pequeno e sem doença linfonodal conhecida.
Raciocínio: O tumor é periférico e mede menos de 2 cm. Nesse cenário, a segmentectomia anatômica pode oferecer tratamento curativo em casos selecionados, desde que se avaliem adequadamente as margens e os linfonodos.
Por que as outras estão erradas:
  • A: A alternativa A generaliza a ressecção em cunha e omite a avaliação linfonodal, importante para o estadiamento e o controle oncológico.
  • C: A alternativa C propõe uma ressecção excessiva sem justificativa pela extensão descrita.
  • D: A alternativa D confunde pequeno tamanho com ausência de risco; um câncer confirmado pode exigir tratamento curativo.
Pegadinha: A indicação de segmentectomia não elimina a necessidade de margens adequadas e avaliação dos linfonodos.
Base: Diretrizes NCCN para câncer de pulmão de não pequenas células; evidências dos estudos de ressecção sublobar em tumores periféricos pequenos.
Questão irmã: Em paciente selecionado com tumor pulmonar periférico de 1,5 cm e sem evidência de acometimento linfonodal, qual ressecção anatômica pode ser considerada? Gabarito: Segmentectomia anatômica, com avaliação linfonodal.

F2inéditaResposta: D

Conceito: A metastasectomia pulmonar pode ser considerada quando a doença primária está controlada e todas as lesões podem ser tratadas completamente.
Raciocínio: A paciente tem uma lesão pulmonar isolada, doença primária controlada, ausência de metástases extrapulmonares e reserva adequada. Esses elementos favorecem a avaliação para ressecção completa, após discussão multidisciplinar.
Por que as outras estão erradas:
  • A: A alternativa A descreve doença sistêmica não controlada, que reduz a possibilidade de benefício de uma cirurgia pulmonar isolada.
  • B: A alternativa B indica que a fonte primária ainda está ativa, condição desfavorável à estratégia de metastasectomia.
  • C: A alternativa C contraria um princípio central da seleção: deve ser possível tratar completamente a doença ressecável.
Pegadinha: A presença de um nódulo isolado não basta. É preciso considerar controle do tumor primário, extensão da doença e possibilidade de ressecção completa.
Base: Diretrizes NCCN para câncer colorretal, na abordagem de metástases ressecáveis.
Questão irmã: Paciente com câncer colorretal controlado tem uma metástase pulmonar isolada, sem doença extrapulmonar e ressecável por completo. Qual abordagem pode ser discutida em reunião multidisciplinar? Gabarito: Metastasectomia pulmonar.

F3inéditaResposta: A

Conceito: O empiema evolui por fases exsudativa, fibrinopurulenta e organizada.
Raciocínio: A presença de pus, loculações e fibrina indica progressão além da fase exsudativa inicial. Como não há descrição de espessamento pleural organizado ou pulmão encarcerado, o quadro corresponde à fase fibrinopurulenta.
Por que as outras estão erradas:
  • B: A alternativa B descreve a fase inicial, geralmente sem loculações importantes nem deposição intensa de fibrina.
  • C: A alternativa C exige organização do exsudato, com formação de uma capa pleural que pode encarcerar o pulmão.
  • D: A alternativa D não é uma fase reconhecida da evolução do empiema e não corresponde ao quadro purulento loculado.
Pegadinha: Loculação e fibrina apontam para a fase fibrinopurulenta; a fase organizada envolve uma capa pleural mais madura.
Base: Diretriz da British Thoracic Society para doença pleural e descrição clássica das fases do empiema.
Questão irmã: Em um empiema, a tomografia mostra espessamento pleural espesso e pulmão encarcerado. Qual fase da evolução é mais provável? Gabarito: Fase organizada.

F4inéditaResposta: C

Conceito: A mediastinite descendente necrosante é uma infecção grave que exige antibiótico intravenoso e controle cirúrgico urgente do foco.
Raciocínio: A infecção odontogênica profunda se estendeu ao mediastino, com coleção e gás. Esse quadro pode progredir rapidamente para sepse. É necessário iniciar antibiótico intravenoso e drenar os focos cervical e mediastinal, além de controlar a origem da infecção.
Por que as outras estão erradas:
  • A: A alternativa A adia o controle de uma infecção mediastinal potencialmente fatal.
  • B: A alternativa B propõe tratamento insuficiente para uma infecção profunda com extensão ao mediastino.
  • D: A alternativa D não trata a infecção nem oferece controle do foco; corticoide isolado pode ser prejudicial.
Pegadinha: A drenagem precisa alcançar os espaços infectados; tratar apenas a infecção cervical pode deixar doença mediastinal sem controle.
Base: Recomendações de cirurgia torácica para diagnóstico e tratamento da mediastinite necrosante descendente.
Questão irmã: Após infecção cervical profunda, a tomografia confirma coleção que alcança o mediastino. Qual é o princípio central do tratamento? Gabarito: Antibiótico intravenoso e drenagem cirúrgica urgente dos focos infectados, com controle da origem.

F5inéditaResposta: B

Conceito: O timoma tem associação clínica importante com a miastenia gravis.
Raciocínio: Ptose e diplopia flutuantes sugerem fraqueza fatigável, característica de miastenia gravis. Uma massa no mediastino anterior pode corresponder a timoma, associação que deve ser considerada na avaliação clínica.
Por que as outras estão erradas:
  • A: A alternativa A causa ptose e miose por comprometimento simpático, mas não explica a fraqueza fatigável nem a associação com massa mediastinal anterior.
  • C: A alternativa C associa a síndrome de Lambert-Eaton a neoplasias, mas não é a associação clássica do timoma descrita no caso.
  • D: A alternativa D pode causar massa cervical ou mediastinal por extensão do bócio, mas não explica a fatigabilidade ocular típica.
Pegadinha: Ptose isolada pode ter várias causas; a flutuação dos sintomas e a diplopia favorecem miastenia gravis.
Base: Consenso internacional para o manejo da miastenia gravis e diretrizes de avaliação do timoma.
Questão irmã: Paciente com fraqueza fatigável e massa mediastinal anterior tem maior probabilidade de apresentar qual doença associada? Gabarito: Miastenia gravis.

Q1oficialResposta: A

Conceito: A lobectomia permanece a ressecção padrão para adenocarcinoma localizado quando o tumor excede os critérios mais bem estabelecidos para ressecção sublobar.
Raciocínio: O tumor mede 2,4 cm no total e tem área invasiva de 1,5 cm. A segmentectomia tem evidência mais consolidada para tumores periféricos pequenos e para lesões selecionadas com predomínio de vidro fosco. Neste caso, o componente invasivo é relevante e o diâmetro total ultrapassa 2 cm. Sem informação de contraindicação à lobectomia, a ressecção do lobo superior esquerdo oferece tratamento oncológico padrão, com avaliação linfonodal.
Por que as outras estão erradas:
  • B: A alternativa B propõe ressecção em cunha, que não é anatômica e pode comprometer margens e avaliação linfonodal para um adenocarcinoma invasivo desse tamanho.
  • C: A alternativa C propõe segmentectomia. Embora seja opção em tumores selecionados, o tamanho total de 2,4 cm e o componente invasivo de 1,5 cm favorecem a lobectomia neste caso.
  • D: A alternativa D inclui segmentos de dois territórios anatômicos, mas não corresponde à ressecção padrão indicada para a lesão descrita no lobo superior.
Pegadinha: Não decidir apenas pelo predomínio de vidro fosco: considere o tamanho total e o componente invasivo.
Base: Diretrizes de ressecção cirúrgica do câncer de pulmão da NCCN e recomendações da ESTS para cirurgia do câncer de pulmão.
Questão irmã: Paciente com adenocarcinoma periférico de 1,5 cm, sem linfonodos suspeitos e com função pulmonar adequada: qual ressecção anatômica pode ser considerada? Gabarito: Segmentectomia anatômica, com margens adequadas e avaliação linfonodal.

Fonte: Residência USP (Fuvest) (2026) — prova em fuvest.br

Q2oficialResposta: B

Conceito: Empiema loculado pode exigir abordagem cirúrgica por videotoracoscopia para quebrar loculações e permitir a limpeza da cavidade pleural.
Raciocínio: O paciente apresenta coleção pleural loculada e análise do líquido compatível com empiema. As loculações dificultam a drenagem simples por um único tubo. A videotoracoscopia permite evacuar o material infectado e desfazer septações; se houver organização, pode também realizar decorticação. A decisão depende do estágio e da resposta à drenagem e ao tratamento clínico.
Por que as outras estão erradas:
  • A: A alternativa A pode ser suficiente em derrame livre ou em fases iniciais, mas uma coleção loculada pode não drenar adequadamente por um único tubo.
  • C: A alternativa C descreve uma drenagem aberta mais invasiva, geralmente reservada para situações específicas, como falha de outras medidas ou pacientes selecionados.
  • D: A alternativa D não é adequada como tratamento definitivo do empiema loculado; a toracocentese isolada não controla a coleção organizada.
Pegadinha: O líquido pode ter aspecto seroso e ainda assim ser empiema. A análise laboratorial e a imagem orientam a conduta.
Base: Diretrizes da British Thoracic Society para doença pleural e recomendações da American Association for Thoracic Surgery para empiema.
Questão irmã: Paciente com empiema organizado, loculações persistentes e falha de drenagem por tubo: qual abordagem pode permitir limpeza e decorticação? Gabarito: Videotoracoscopia.

Fonte: Residência Unicamp (2026) — prova em comvest.unicamp.br

Q3oficialResposta: B

Conceito: Tumores neurogênicos são a causa mais característica de massas do mediastino posterior e podem ser achados incidentais.
Raciocínio: A imagem da prova não está disponível para avaliação independente. Considerando o gabarito oficial, a combinação esperada é massa assintomática, localizada no mediastino posterior, compatível com tumor neurogênico. Tumores de nervos periféricos, como schwannomas e neurofibromas, são diagnósticos frequentes nesse compartimento.
Por que as outras estão erradas:
  • A: A alternativa A associa dorsalgia a linfoma. Linfomas costumam surgir no mediastino anterior ou médio; não são o tumor típico do compartimento posterior.
  • C: A alternativa C mantém o erro de localização do linfoma e não identifica o tumor neurogênico, que é característico do mediastino posterior.
  • D: A alternativa D identifica o tumor neurogênico e o compartimento, mas afirma dorsalgia. Pelo gabarito, a apresentação esperada é incidental e assintomática.
Pegadinha: Relacionar o compartimento ao diagnóstico provável: tumores neurogênicos são típicos do mediastino posterior.
Base: Classificação dos compartimentos mediastinais e referências de cirurgia torácica sobre tumores do mediastino.
Questão irmã: Qual grupo de tumores deve ser lembrado diante de uma massa incidental do mediastino posterior? Gabarito: Tumores neurogênicos.

Fonte: Residência SES-DF (2024) — prova em iades.com.br

Q4oficialResposta: B

Conceito: O adenocarcinoma é frequentemente periférico e pode metastatizar mais cedo que o carcinoma escamoso, que costuma ser central.
Raciocínio: O adenocarcinoma é hoje o tipo histológico mais frequente de câncer pulmonar e aparece com frequência na periferia. O carcinoma escamoso tem associação forte com tabagismo e tende a ser central. O câncer de pequenas células costuma ser central, agressivo e disseminado ao diagnóstico, embora responda inicialmente à quimioterapia e à radioterapia.
Por que as outras estão erradas:
  • A: A alternativa A erra ao chamar o adenocarcinoma de menos frequente e atribuir a ele apenas 10% dos casos. Ele está entre os tipos mais comuns.
  • C: A alternativa C superestima a frequência do carcinoma escamoso e o descreve como predominantemente periférico; ele costuma ser central.
  • D: A alternativa D superestima a frequência do câncer de pequenas células e erra ao localizá-lo predominantemente na periferia; costuma ser central.
  • E: A alternativa E chama o câncer de pequenas células de indolente e frequentemente localizado. É uma neoplasia agressiva, que muitas vezes já se disseminou ao diagnóstico.
Pegadinha: Não confundir boa resposta inicial à radioterapia com comportamento indolente ou doença localizada.
Base: Classificação da Organização Mundial da Saúde para tumores pulmonares e diretrizes de câncer de pulmão da NCCN.
Questão irmã: Qual tipo histológico de câncer pulmonar costuma ser periférico e é o mais frequente? Gabarito: Adenocarcinoma.

Fonte: ENARE (AOCP) (2022) — prova em gov.br

Q5oficialResposta: A

Conceito: A ressecção completa com timectomia é o tratamento preferencial do timoma localizado e tecnicamente ressecável.
Raciocínio: A biópsia confirmou timoma B2. O tratamento com intenção curativa é retirar completamente o tumor, em geral com ressecção do timo e da gordura mediastinal adjacente. A extensão cervical descrita não define, por si só, que o tumor seja irressecável. Radioterapia ou tratamento sistêmico entram em situações selecionadas, como doença não ressecável, ressecção incompleta ou estágio avançado.
Por que as outras estão erradas:
  • B: A alternativa B não oferece a ressecção completa, que é a abordagem preferencial quando o timoma é operável.
  • C: A alternativa C propõe radioterapia antes da cirurgia sem informação de invasão ou irressecabilidade que justifique tratamento neoadjuvante.
  • D: A alternativa D acrescenta quimioterapia após ressecção sem indicação apresentada no enunciado. O tratamento adjuvante depende do estágio, das margens e de outros fatores.
Pegadinha: O tamanho da massa, isoladamente, não prova irressecabilidade; a possibilidade de ressecção completa é o ponto decisivo.
Base: Diretrizes da NCCN para tumores tímicos e recomendações da ESMO para timoma e carcinoma tímico.
Questão irmã: Qual é a abordagem de escolha para timoma localizado e ressecável? Gabarito: Ressecção completa do tumor com timectomia.

Fonte: Residência USP (Fuvest) (2026) — prova em fuvest.br

Q6oficialResposta: D

Conceito: A ressecção completa do câncer de pulmão exige avaliação sistemática dos linfonodos hilares e mediastinais.
Raciocínio: O gabarito adota o critério de dissecção de pelo menos três cadeias hilares e três mediastinais, incluindo obrigatoriamente a subcarinal. A avaliação linfonodal permite detectar doença oculta, definir o estágio patológico e verificar a qualidade oncológica da ressecção. A ausência de linfonodos aumentados na imagem não substitui a avaliação cirúrgica.
Por que as outras estão erradas:
  • A: A alternativa A prevê menos cadeias mediastinais do que o critério usado pelo gabarito.
  • B: A alternativa B prevê apenas duas cadeias hilares e não inclui a estação subcarinal como obrigatória.
  • C: A alternativa C exige três cadeias em cada território, mas não estabelece a subcarinal como estação obrigatória, como faz o critério do gabarito.
Pegadinha: PET sem captação linfonodal suspeita não dispensa a avaliação linfonodal durante a ressecção.
Base: Critérios da IASLC para ressecção completa e recomendações da ESTS para avaliação linfonodal intraoperatória no câncer de pulmão.
Questão irmã: Na dissecção mediastinal sistemática por câncer pulmonar, qual estação deve estar incluída entre as estações mediastinais avaliadas? Gabarito: A estação subcarinal.

Fonte: Residência USP (Fuvest) (2026) — prova em fuvest.br

Q7oficialResposta: D

Conceito: A biópsia transtorácica guiada por tomografia é uma opção para obter tecido de nódulo pulmonar acessível pela periferia.
Raciocínio: O paciente é tabagista de longa data e apresenta nódulo suspeito. A imagem mencionada no enunciado não está disponível para avaliação independente, então não é possível confirmar localização, tamanho ou características. De acordo com o gabarito, a lesão é adequada à biópsia percutânea guiada por tomografia, que pode estabelecer o diagnóstico histológico.
Por que as outras estão erradas:
  • A: A alternativa A depende de uma localização favorável à abordagem broncoscópica. O gabarito indica a via transtorácica guiada por tomografia.
  • B: A alternativa B posterga a investigação de um nódulo descrito como suspeito em paciente com importante exposição ao tabaco.
  • C: A alternativa C avalia linfonodos mediastinais; o enunciado não informa linfonodomegalias ou suspeita mediastinal que justifique essa como primeira conduta.
Pegadinha: A escolha da técnica de biópsia depende da localização e da acessibilidade do nódulo; como a imagem não está disponível, não se deve inventar esses achados.
Base: Diretrizes da NCCN para investigação de nódulos pulmonares e recomendações da American College of Chest Physicians para avaliação de nódulo pulmonar.
Questão irmã: Qual técnica pode obter amostra de um nódulo pulmonar periférico acessível pela parede torácica? Gabarito: Biópsia transtorácica guiada por tomografia.

Fonte: Residência USP (Fuvest) (2025) — prova em fuvest.br

Q8oficialResposta: B

Conceito: A recorrência do pneumotórax espontâneo é indicação para considerar cirurgia com ressecção de blebs e procedimento para reduzir recidivas.
Raciocínio: O paciente teve dois episódios prévios e apresenta um terceiro pneumotórax. A recorrência ipsilateral justifica considerar videotoracoscopia, ressecção de blebs ou bolhas identificadas e pleurodese. O intervalo de dois anos não elimina a indicação; o que importa é a recorrência, e não haver um prazo máximo entre os episódios.
Por que as outras estão erradas:
  • A: A alternativa A propõe biópsia pulmonar mandatória. A cirurgia pode ser indicada, mas biópsia não é necessária de rotina para pneumotórax espontâneo primário.
  • C: A alternativa C mantém a ideia incorreta de biópsia mandatória e ainda limita a indicação a recidivas precoces.
  • D: A alternativa D erra ao restringir a cirurgia a recidivas com menos de um ano. Uma nova recorrência pode justificar cirurgia mesmo após intervalo maior.
Pegadinha: Não existe exigência de que a recidiva ocorra em menos de um ano para considerar tratamento cirúrgico.
Base: Diretrizes da British Thoracic Society e diretriz da European Respiratory Society para pneumotórax espontâneo.
Questão irmã: Paciente jovem apresenta segundo pneumotórax espontâneo ipsilateral após tratamento inicial com drenagem. Qual procedimento pode reduzir novas recorrências? Gabarito: Videotoracoscopia com tratamento de blebs ou bolhas e pleurodese.

Fonte: Residência USP (Fuvest) (2026) — prova em fuvest.br

5.8 Revisão relâmpago e mapa de revisão

  • A tomografia de baixa dose rastreia pessoas assintomáticas de alto risco; não substitui a investigação diagnóstica de sintomas.
  • Adenocarcinoma costuma ser periférico; carcinoma escamoso e pequenas células tendem a ser centrais.
  • EBUS amostra linfonodos mediastinais; mediastinoscopia pode ser necessária se a suspeita persistir após resultado negativo.
  • Fleischner orienta nódulos incidentais, mas não se aplica diretamente a pacientes com câncer conhecido.
  • PET-CT estima atividade metabólica e extensão, mas não confirma malignidade por si só.
  • A avaliação pré-operatória considera espirometria, DLCO e função prevista após a ressecção.
  • Um critério de Light positivo já classifica o derrame como exsudato.
  • Pus, cultura positiva ou infecção pleural complicada geralmente exige drenagem e antibiótico.
  • Pneumotórax hipertensivo exige descompressão imediata; recorrência pode justificar pleurodese.
  • Timoma pode associar-se à miastenia; linfoma exige diagnóstico tecidual e tratamento sistêmico.

Mapa de revisão

Reveja este capítulo em 1, 7 e 30 dias.

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