1 Trauma avançado e cirurgia de urgência — parte 1 de 2
Temas do conteúdo programático:
- 1. Atendimento inicial ao politraumatizado: sequência ABCDE e prioridades; via aérea definitiva e cricotireoidostomia; choque hemorrágico e suas classes; reposição volêmica, transfusão maciça e ácido tranexâmico; trauma no idoso, na criança e na gestante
- 2. Trauma torácico: pneumotórax hipertensivo e aberto; hemotórax maciço e indicação de toracotomia; tamponamento cardíaco; tórax instável e contusão pulmonar; lesões de aorta, traqueia, esôfago e diafragma
- 3. Trauma abdominal fechado e penetrante: FAST e lavado peritoneal; tomografia e indicação de laparotomia; tratamento não operatório de baço e fígado; graus de lesão hepática e esplênica e manobra de Pringle; lesões de víscera oca, duodeno e pâncreas
- 4. Controle de danos e síndrome compartimental abdominal: tríade letal e coagulopatia do trauma; laparotomia abreviada e peritoneostomia; reanimação hemostática; hipertensão intra-abdominal e medida da pressão vesical
1.1 Pré-teste
Responda antes de ler a teoria. O gabarito está no fim do capítulo.
P1inédita
Um homem de 28 anos chega após colisão de motocicleta. Está rebaixado, com Glasgow 6, secreções na orofaringe e não consegue proteger a via aérea. Não há obstrução anatômica que impeça a intubação. Qual é a conduta mais adequada para estabelecer uma via aérea definitiva?
- A)Manter oxigênio por máscara e reavaliar o nível de consciência após a tomografia.
- B)Realizar intubação orotraqueal com proteção da coluna cervical.
- C)Inserir uma cânula nasofaríngea e observar a resposta.
- D)Realizar cricotireoidostomia como primeira escolha, mesmo com intubação possível.
P2inédita
Uma mulher de 40 anos sofre colisão automobilística e chega agitada, hipotensa e com dispneia intensa. Apresenta murmúrio vesicular ausente à esquerda e hipertimpanismo nesse hemitórax. Qual é a prioridade imediata?
- A)Solicitar radiografia de tórax antes de intervir.
- B)Realizar pericardiocentese guiada por ultrassom.
- C)Descomprimir imediatamente o hemitórax, seguida de drenagem torácica.
- D)Intubar e iniciar ventilação com pressão positiva antes de tratar o tórax.
P3inédita
Um homem de 32 anos sofre trauma abdominal fechado. Está hemodinamicamente estável, sem peritonite. A tomografia com contraste mostra lesão esplênica grau III, sem extravasamento ativo de contraste. O hospital dispõe de monitorização, banco de sangue e equipe cirúrgica. Qual é a conduta inicial mais apropriada?
- A)Tratamento não operatório com monitorização clínica e reavaliações.
- B)Laparotomia imediata para esplenectomia.
- C)Embolização arterial obrigatória, mesmo sem extravasamento de contraste.
- D)Alta após analgesia, pois a estabilidade inicial exclui risco de sangramento.
1.2 O que cai
- 1. Atendimento inicial ao politraumatizado: sequência ABCDE e prioridades; via aérea definitiva e cricotireoidostomia; choque hemorrágico e suas classes; reposição volêmica, transfusão maciça e ácido tranexâmico; trauma no idoso, na criança e na gestante: 68 questões de provas anteriores, 2017–2026
- 2. Trauma torácico: pneumotórax hipertensivo e aberto; hemotórax maciço e indicação de toracotomia; tamponamento cardíaco; tórax instável e contusão pulmonar; lesões de aorta, traqueia, esôfago e diafragma: 85 questões de provas anteriores, 2017–2026
- 3. Trauma abdominal fechado e penetrante: FAST e lavado peritoneal; tomografia e indicação de laparotomia; tratamento não operatório de baço e fígado; graus de lesão hepática e esplênica e manobra de Pringle; lesões de víscera oca, duodeno e pâncreas: 84 questões de provas anteriores, 2017–2026
- 4. Controle de danos e síndrome compartimental abdominal: tríade letal e coagulopatia do trauma; laparotomia abreviada e peritoneostomia; reanimação hemostática; hipertensão intra-abdominal e medida da pressão vesical: 25 questões de provas anteriores, 2019–2026
1.3 Teoria
No trauma, a prioridade é tratar primeiro o que mata primeiro: reconhecer ameaças imediatas, controlar a hemorragia e reavaliar após cada intervenção. As questões também cobram decisões que não podem esperar por exames, como descomprimir um pneumotórax hipertensivo ou levar à cirurgia um paciente instável com hemorragia não controlada.
1.3.1 Atendimento inicial ao politraumatizado
Use a sequência xABCDE do ATLS 11ª edição (2025): em pacientes com hemorragia externa exsanguinante, controle-a antes da via aérea (compressão direta, torniquete, agentes hemostáticos); depois siga A, B, C, D e E, tratando cada ameaça assim que a identificar. No A, avalie a via aérea e proteja a coluna cervical; indique via aérea definitiva quando houver incapacidade de proteger a via aérea, ventilação inadequada ou deterioração previsível. Se não conseguir intubar nem oxigenar, faça acesso de emergência pela membrana cricotireóidea conforme a técnica e o protocolo da equipe. No B, procure causas reversíveis de hipoxemia, como pneumotórax hipertensivo. No C, controle hemorragias externas e procure sangramento torácico, abdominal, pélvico e em ossos longos. No D, avalie estado neurológico; no E, exponha o paciente e evite hipotermia. Faça reavaliações frequentes. A comunicação em circuito fechado ajuda: quem recebe uma informação confirma que a ouviu e compreendeu.
O choque hemorrágico exige controle da fonte e reanimação, não apenas expansão com cristaloide. As classes I a IV do ATLS são um guia didático; sinais vitais podem subestimar a perda, sobretudo em idosos, crianças e gestantes. Ative transfusão maciça diante de hemorragia grave ou choque persistente. Use hemocomponentes em estratégia balanceada, conforme protocolo local, e limite cristaloides. O ácido tranexâmico pode ser considerado precocemente em hemorragia significativa ou risco de sangramento importante; não o inicie após três horas do trauma, salvo indicação específica prevista em protocolo.
Na criança, hipotensão é sinal tardio: use avaliação e doses ajustadas ao peso. O idoso pode ter choque sem taquicardia evidente, especialmente com betabloqueador. Na gestante, priorize a ressuscitação materna; em gestação avançada, desloque o útero para a esquerda para reduzir compressão aortocava. Considere avaliação obstétrica e profilaxia anti-D quando indicada.
Fontes: ATLS (Advanced Trauma Life Support); European guideline on management of major bleeding and coagulopathy following trauma
1.3.2 Trauma torácico
No paciente instável, diagnostique e trate clinicamente as ameaças imediatas. Pneumotórax hipertensivo sugere choque ou desconforto respiratório com murmúrio vesicular reduzido e hipertimpanismo; descomprima sem esperar radiografia e depois instale dreno torácico. No pneumotórax aberto, cubra a ferida com curativo valvulado ou dispositivo apropriado e drene o tórax em local separado da lesão. Reavalie, pois um curativo oclusivo pode converter o quadro em hipertensivo se não permitir saída de ar.
Hemotórax maciço requer drenagem e avaliação cirúrgica urgente. Saída inicial em torno de 1.500 mL ou sangramento persistente importante pelo dreno são critérios clássicos para considerar toracotomia, mas a decisão depende também da fisiologia e da resposta à ressuscitação. Tamponamento cardíaco pode causar choque obstrutivo; o eFAST auxilia o diagnóstico. No paciente instável, acione a equipe cirúrgica para controle definitivo. Pericardiocentese pode ser apenas uma ponte em situações selecionadas.
Tórax instável é um segmento da parede torácica que se move paradoxalmente; a contusão pulmonar associada pode piorar nas horas seguintes. Trate com analgesia, oxigenação e suporte ventilatório conforme necessidade, evitando intubação automática apenas pelo diagnóstico de tórax instável.
Suspeite de lesão de aorta em mecanismo de alta energia; paciente estável deve fazer angiotomografia. Suspeite de lesão traqueobrônquica diante de fuga aérea persistente ou pulmão que não expande após drenagem. Lesão esofágica pode ser discreta e exige investigação rápida. Ferimento toracoabdominal pode lesar o diafragma; a tomografia não exclui todas as lesões pequenas, e a abordagem depende do mecanismo e do lado acometido.
Fontes: ATLS (Advanced Trauma Life Support)
1.3.3 Trauma abdominal fechado e penetrante
No trauma abdominal fechado, o eFAST pesquisa líquido livre e tamponamento. Um resultado positivo em paciente instável, com suspeita de hemorragia abdominal, geralmente leva à laparotomia. Um FAST negativo não exclui sangramento nem lesão de víscera oca. A tomografia contrastada é o exame de escolha no paciente estável ou estabilizado. O lavado peritoneal tem uso restrito quando o exame clínico e o ultrassom não resolvem a dúvida e a tomografia não está disponível ou não é apropriada.
Instabilidade hemodinâmica com suspeita de hemorragia intra-abdominal é indicação de controle cirúrgico; hematúria isolada, por si só, não indica laparotomia. Ferimento penetrante exige avaliação da trajetória, da estabilidade e de sinais de peritonite ou evisceração. Nem todo ferimento por arma branca requer laparotomia imediata: pacientes selecionados podem ser observados com exames seriados em ambiente adequado.
Em pacientes estáveis, baço e fígado podem ser tratados sem cirurgia, inclusive lesões de alto grau, se houver monitorização, equipe cirúrgica e acesso rápido à intervenção ou à angioembolização. A escala da AAST (revisão de 2018) classifica lesões esplênicas e hepáticas de I a V — a antiga lesão hepática grau VI (avulsão) foi absorvida pelo grau V — e incorpora achados vasculares da tomografia, como extravasamento ativo e pseudoaneurisma; o grau anatômico não substitui a avaliação fisiológica. A manobra de Pringle comprime o ligamento hepatoduodenal e interrompe o influxo pela artéria hepática e pela veia porta. Se o sangramento persiste, considere lesão de veias hepáticas ou da veia cava retro-hepática.
Dor, peritonite ou ar livre podem indicar lesão de víscera oca. Lesões duodenais e pancreáticas podem ser ocultas no início; correlacione mecanismo, tomografia e evolução clínica. Lesão do ducto pancreático muda a conduta e exige avaliação especializada.
Fontes: ATLS (Advanced Trauma Life Support); AAST Organ Injury Scale
1.3.4 Controle de danos e síndrome compartimental abdominal
A tríade letal reúne hipotermia, acidose e coagulopatia; a hipocalcemia também agrava a coagulopatia e a instabilidade durante transfusão. A reanimação hemostática combina controle precoce da hemorragia, aquecimento, correção de cálcio quando necessário e hemocomponentes em proporções balanceadas segundo o protocolo institucional. Evite excesso de cristaloide e acompanhe a resposta clínica e laboratorial.
A laparotomia de controle de danos é indicada quando o paciente não tolera uma operação definitiva prolongada: priorize interromper a hemorragia e limitar contaminação, faça fechamento abdominal temporário e transfira para correção fisiológica em terapia intensiva. Depois da estabilização, retorne para reparo definitivo e fechamento, se possível. A peritoneostomia não é fechamento definitivo: proteja as vísceras e planeje reavaliações e fechamento precoce quando as condições permitirem.
A hipertensão intra-abdominal é elevação sustentada da pressão intra-abdominal. Meça a pressão pela bexiga, com técnica padronizada, em paciente supino e ao fim da expiração. Pressão intra-abdominal sustentada ou repetida ≥12 mmHg define hipertensão intra-abdominal (grau I: 12–15; II: 16–20; III: 21–25; IV: >25 mmHg). Síndrome compartimental abdominal é pressão sustentada acima de 20 mmHg associada a nova disfunção orgânica. Procure distensão, oligúria, piora ventilatória e instabilidade, mas confirme com a medida. Corrija fatores reversíveis e descomprima o tubo digestivo quando indicado. Se houver síndrome compartimental com disfunção persistente, considere descompressão cirúrgica.
Fontes: European guideline on management of major bleeding and coagulopathy following trauma; World Society of the Abdominal Compartment Syndrome (WSACS) Consensus Definitions and Clinical Practice Guidelines
Pegadinha de prova
FAST negativo não encerra a investigação
O FAST pode não detectar sangramento pequeno, retroperitoneal ou em fase inicial. Se o paciente estiver estável, a tomografia pode esclarecer; se estiver instável, reavalie causas e não atrase o controle da hemorragia.
Atenção
Hemotórax: interprete a drenagem com a fisiologia
Débito inicial elevado pelo dreno, como cerca de 1.500 mL, exige avaliação cirúrgica urgente. Não retire o dreno para depois operar. Débito persistente, instabilidade e resposta à transfusão também pesam na decisão.
Atenção
Lesão de órgão sólido não significa laparotomia automática
Paciente estável pode receber tratamento não operatório de lesões hepáticas e esplênicas, inclusive de alto grau, desde que haja monitorização e capacidade de intervenção. Instabilidade ou peritonite mudam a prioridade.
1.4 Exemplo resolvido
Mulher de 29 anos sofre colisão automobilística. Está alerta, com pressão arterial preservada e dor no hipocôndrio esquerdo. O eFAST mostra líquido livre. A tomografia, realizada após avaliação inicial, revela lesão esplênica de alto grau, sem extravasamento ativo. Mantém estabilidade hemodinâmica durante observação. Qual é a melhor conduta? A) Laparotomia imediata pelo alto grau da lesão. B) Tratamento não operatório monitorado, com equipe e recursos para intervenção se houver deterioração. C) Alta após analgesia, pois a pressão arterial está normal. D) Laparotomia obrigatória para esplenectomia, independentemente da evolução.
- O líquido livre e a lesão esplênica apontam para hemoperitônio por trauma abdominal.
- A paciente está estável e não apresenta extravasamento ativo na tomografia; isso favorece tratamento não operatório.
- O alto grau aumenta o risco de falha, mas não determina cirurgia isoladamente. A observação exige monitorização e acesso rápido a intervenção.
Resposta: B) Tratamento não operatório monitorado, com equipe e recursos para intervenção se houver deterioração.
1.5 Fixação
Questões inéditas, no estilo das provas de residência.
F1inédita
Um paciente chega 90 minutos após trauma de alta energia, com fraturas múltiplas, hipotensão e suspeita de sangramento ativo. A equipe iniciou a reanimação hemostática. Em relação ao ácido tranexâmico, qual afirmação está correta?
- A)Deve ser reservado para pacientes com hiperfibrinólise confirmada por exame viscoelástico.
- B)Deve ser administrado somente após a normalização da pressão arterial.
- C)Deve ser iniciado apenas quando a transfusão maciça já tiver terminado.
- D)Se houver indicação, deve ser administrado o mais cedo possível e dentro de 3 horas do trauma.
F2inédita
Um homem de 46 anos sofre desaceleração brusca em colisão de alta energia. Está hemodinamicamente estável, mas a radiografia mostra alargamento do mediastino. Qual exame deve ser usado para investigar uma possível lesão traumática da aorta torácica?
- A)Ecocardiograma transtorácico como exame definitivo em todos os casos.
- B)Angiotomografia de tórax com contraste.
- C)Radiografias seriadas de tórax, sem necessidade de exame vascular.
- D)Broncoscopia flexível.
F3inédita
Uma mulher de 27 anos sofre ferimento penetrante no abdome. Chega hipotensa, com taquicardia e sinais de hipoperfusão. O FAST mostra líquido livre intraperitoneal. Qual é a conduta mais adequada?
- A)Realizar tomografia abdominal antes de decidir por cirurgia.
- B)Repetir o FAST após completar a reposição volêmica.
- C)Indicar laparotomia urgente, mantendo a reanimação em curso.
- D)Observar em unidade de terapia intensiva e operar apenas se surgir peritonite.
F4inédita
Durante uma laparotomia por trauma, um paciente permanece hipotérmico, acidótico e coagulopático, com sangramento difuso. A reconstrução definitiva das lesões exigiria uma operação prolongada. Qual estratégia é mais adequada?
- A)Realizar laparotomia abreviada para controlar hemorragia e contaminação, fechar temporariamente o abdome e completar o tratamento após reanimação.
- B)Prosseguir com reconstrução definitiva de todas as lesões, mesmo que a operação se prolongue.
- C)Encerrar a cirurgia sem controlar fontes de sangramento ou contaminação e observar na unidade de terapia intensiva.
- D)Realizar fechamento fascial definitivo sob tensão para evitar uma nova operação.
F5inédita
Um paciente no pós-operatório de laparotomia por trauma apresenta oligúria, piora da ventilação e abdome tenso. A equipe suspeita de síndrome compartimental abdominal. Qual método deve ser usado para medir a pressão intra-abdominal à beira do leito?
- A)Medir diretamente a pressão arterial média e inferir a pressão abdominal.
- B)Aferir a pressão intragástrica por sonda nasogástrica como medida de rotina.
- C)Estimar a pressão pela palpação do abdome.
- D)Medir a pressão intravesical por meio de sonda urinária, com técnica padronizada.
1.6 Questões de provas anteriores
Questões oficiais de provas anteriores, com a fonte.
Q1oficial · Residência Unicamp 2026
Na sala de Emergência, durante o atendimento de traumatizado grave, pode haver problemas de comunicação interprofissional relacionados a variações na forma como as informações são processadas de forma analítica em comparação com a intuitiva. SEGUNDO O ATLS, 10ª EDIÇÃO, A BOA COMUNICAÇÃO ENTRE OS MEMBROS ENVOLVIDOS, É FAVORECIDA POR:
- A)A comunicação entre um membro da equipe e o líder da equipe deve ser direta e unidirecional.
- B)Quando um membro da equipe transmitir as informações, o líder da equipe deve confirmar que ouviu e entendeu as mesmas.
- C)As pausas para discussão e revisão dos achados são recomendadas nos intervalos de 10, 20 e 30 minutos.
- D)Toda a comunicação deve ocorrer em um tom de voz alta, direcionada para o líder da equipe.
Q2oficial · Residência SUS-SP 2026
Homem de 35 anos dá entrada na sala de trauma devido a atropelamento por automóvel. Encontra-se consciente, PA: 110 × 80 bpm; FC: 98 bpm e FR: 25 irpm. Queixa-se de dor torácica à direita associada a dispneia leve. Ao exame: murmúrio vesicular diminuído e macicez à percussão do hemitórax direito. A radiografia de tórax revela opacificação homogênea na base direita na posição supina. Foi indicada drenagem torácica em selo d’água, sendo observada saída de 1.600 mL de sangue de forma imediata. Assinale a alternativa correta quanto ao manejo do hemotórax.
- A)Drenagem contínua em selo d’água e observação da evolução clínica em leito de enfermaria.
- B)Estudo tomográfico do tórax para avaliação posterior e melhor decisão terapêutica.
- C)Retirar o dreno na sala do trauma e proceder com toracotomia de emergência.
- D)Avaliação cirúrgica para toracotomia.
- E)Toracocentese diagnóstica para estudo do líquido pleural e confirmação da presença de sangue.
Q3oficial · Residência FAMEMA 2026
Assinale a alternativa correta em relação às indicações para realização de laparotomia de urgência em pacientes vítimas de trauma abdominal.
- A)Hipotensão associada a trauma abdominal fechado com FAST negativo é uma indicação absoluta para laparotomia exploradora.
- B)Os ferimentos por arma branca abdominais exigem exploração cirúrgica imediata, mesmo que não penetrem a fáscia anterior do abdome.
- C)Hematúria isolada após trauma abdominal contuso não é suficiente para indicar laparotomia exploradora.
- D)A presença de pneumotórax hipertensivo em trauma da transição toracoabdominal é indicação absoluta de laparotomia exploradora.
Q4oficial · Residência USP (Fuvest) 2026
Observe o gráfico de tromboelastograma apresentado a seguir:
Assinale a alternativa que apresenta o segmento que, quando diminuído, representa a falta de plaquetas.
- A)ML.
- B)CT.
- C)CFT.
- D)MCF.
Q5oficial · Residência SES-DF 2024
Um paciente de 35 anos de idade foi admitido no pronto-socorro após um acidente de motocicleta, apresentando múltiplas fraturas ósseas, lacerações extensas e hipotensão persistente. Estava consciente, mas agitado e pálido. O paciente foi rapidamente avaliado e constatou-se estar em estado de choque hemorrágico. Uma transfusão maciça de hemoderivados foi iniciada para ressuscitação e controle da hemorragia. No tocante à transfusão maciça no trauma, assinale a alternativa correta.
- A)É definida como a administração de mais de oito unidades de concentrado de hemácias em 24 horas, ou mais de quatro concentrados de hemácias na primeira hora.
- B)O objetivo da transfusão maciça é restaurar rapidamente a volemia e a capacidade de transporte de oxigênio, reduzindo o risco de coagulopatia associada ao trauma.
- C)A administração de plasma fresco congelado é recomendada em todas as transfusões maciças, para corrigir rapidamente a coagulopatia e prevenir a síndrome da resposta inflamatória sistêmica, na proporção de um plasma para cada três hemácias.
- D)A administração de plaquetas é geralmente reservada para casos de transfusão maciça quando o paciente apresenta sinais de sangramento persistente e trombocitopenia.
Q6oficial · Residência USP (Fuvest) 2026
Homem, 20 anos de idade, vítima de ferimento penetrante por arma de fogo em hemitórax direito, com orifício de entrada na linha hemiclavicular na altura do 3º espaço intercostal direito e saída na linha axilar média no 4º espaço intercostal direito. IMC de 30 kg/m². Ao exame físico, apresentou PA de 70×50 mmHg, FC de 120 bpm, FR de 22 irpm, SpO₂ de 86%. Fala intercortado. Ausculta pulmonar com ausência de murmúrio vesicular do lado direito, som timpânico a percussão. Assinale a alternativa que apresenta o tratamento indicado neste momento.
- A)Intubação orotraqueal e ventilação mecânica.
- B)Máscara não reinalante e drenagem torácica.
- C)Máscara não reinalante e iniciar protocolo de transfusão maciça.
- D)Drenagem torácica e iniciar protocolo de transfusão maciça.
Q7oficial · ENARE (AOCP) 2022
Um paciente de 25 anos sofreu um trauma contuso em abdome e foi examinado pelo médico do pronto atendimento, o qual detectou que o paciente apresenta o sinal de Kehr. Como provavelmente foi detectado esse sinal e qual é a provável alteração encontrada nesse paciente?
- A)Dor ou pressão no epigástrio ou no tórax anterior com persistente pressão firme aplicada em fossa ilíaca direita / ruptura de víscera abdominal.
- B)Massa da parede abdominal que não cruza na linha média e permanece palpável quando contraído o reto / hemoperitônio.
- C)Pulso aumentado quando o abdome dolorido é palpado / ruptura de víscera abdominal.
- D)Dor após elevação e extensão da perna contra resistência / hemoperitônio
- E)Dor no ombro esquerdo após pressão realizada no abdome superior esquerdo com o paciente em decúbito dorsal / hemoperitônio.
Q8oficial · Residência Unicamp 2025
Mulher, 22a, sofre acidente motociclístico. É trazida ao Pronto Socorro queixando-se de dor no abdome. Exame físico: PA= 88/61mmHg; FC=126bpm; FR=22irpm, oximetria de pulso=94% (ar ambiente). Cabeça/Pescoço/Tórax: sem alterações. Abdome: escoriações e hematoma no flanco direito, doloroso à palpação profunda; pelve estável; toque retal sem alteração. Presença de hematúria em sonda vesical de demora. Realizou FAST que demonstrou positivo nas janelas esplenorrenal e hepatorrenal. O ACIONAMENTO DO PROTOCOLO DE TRANSFUSÃO MACIÇA PELO ABC SCORE (ATLS®, 10°EDIÇÃO) BASEIA-SE NA PRESENÇA DOS SEGUINTES ACHADOS E PARÂMETROS:
- A)Hematúria, FC, PA.
- B)FC, PA, FAST.
- C)FAST, hematúria, PA.
- D)FC, FAST, hematúria.
Q9oficial · Residência FAMEMA 2026
A compreensão das alterações fisiológicas e anatômicas durante a gestação é essencial para o manejo adequado dos politraumatismos nessa população. A esse respeito, assinale a alternativa correta.
- A)Lesões abdominais penetrantes no andar superior do abdome costumam resultar em lesões intestinais complexas devido ao deslocamento cranial das alças.
- B)Sinais de irritação peritoneal em gestantes costumam ser exuberantes e precoces podendo, por vezes, serem confundidos com trabalho de parto prematuro.
- C)Ao final do terceiro trimestre, o útero ocupa boa parte do abdome e tem paredes espessadas, sendo mais suscetível a sangramento e a traumas contusos.
- D)Graças aos mecanismos contrarregulatórios da fisiologia materna, uma queda abrupta no volume intravascular da gestante não repercute de forma significativa na resistência vascular uterina ou na oxigenação fetal.
Q10oficial · Residência USP (Fuvest) 2026
Hemotórax retido é:
- A)Presença de 100 mL de coágulos diagnosticados por tomografia após drenagem torácica.
- B)Presença de 300 mL de sangue presentes na cavidade pleural após 24 horas de observação diagnosticados por tomografia.
- C)Sangue que ocupa um terço do espaço pleural e que não consegue ser removido por um dreno de tórax com < 24 horas.
- D)Sangue que ocupa um terço do espaço pleural e que não consegue ser removido por um dreno de tórax após 72 horas.
1.7 Gabarito comentado
P1inédita · pré-testeResposta: B
- A: Errado: adia o controle da via aérea em um paciente que não consegue protegê-la.
- C: Errado: a cânula nasofaríngea pode auxiliar na manutenção da permeabilidade, mas não protege a via aérea contra aspiração.
- D: Errado: a cricotireoidostomia é uma via de resgate quando não se consegue intubar ou oxigenar, não a primeira escolha neste cenário.
P2inédita · pré-testeResposta: C
- A: Errado: a imagem atrasa uma intervenção emergencial em paciente instável.
- B: Errado: os achados apontam para pneumotórax hipertensivo, não para tamponamento cardíaco.
- D: Errado: a ventilação com pressão positiva antes da descompressão pode agravar a pressão intratorácica e a instabilidade.
P3inédita · pré-testeResposta: A
- B: Errado: a lesão esplênica, por si só, não indica laparotomia em paciente estável e sem peritonite.
- C: Errado: a embolização pode ser considerada em situações selecionadas, mas não é obrigatória neste quadro sem extravasamento ativo.
- D: Errado: estabilidade inicial não elimina o risco de deterioração; a vigilância hospitalar continua necessária.
F1inéditaResposta: D
- A: Errado: a indicação não deve depender exclusivamente da confirmação de hiperfibrinólise por exame viscoelástico.
- B: Errado: a administração não deve ser adiada até a normalização da pressão, pois o tratamento precoce é importante.
- C: Errado: aguardar o fim da transfusão pode perder a janela em que o benefício é esperado.
F2inéditaResposta: B
- A: Errado: o ecocardiograma transtorácico não substitui a angiotomografia como investigação definitiva habitual no paciente estável.
- C: Errado: radiografias seriadas não excluem adequadamente uma lesão aórtica relevante.
- D: Errado: a broncoscopia avalia a árvore traqueobrônquica, não a aorta.
F3inéditaResposta: C
- A: Errado: a tomografia não é apropriada antes do controle da hemorragia em uma paciente instável.
- B: Errado: repetir o exame não deve atrasar a intervenção diante de choque e FAST positivo.
- D: Errado: a observação é inadequada diante de instabilidade e líquido livre após trauma penetrante.
F4inéditaResposta: A
- B: Errado: prolongar uma reconstrução complexa pode agravar a tríade letal e aumentar o risco de morte.
- C: Errado: a laparotomia abreviada ainda precisa controlar as fontes relevantes de hemorragia e contaminação.
- D: Errado: o fechamento sob tensão pode aumentar a pressão intra-abdominal e não substitui o fechamento temporário apropriado.
F5inéditaResposta: D
- A: Errado: a pressão arterial média não mede nem permite inferir com segurança a pressão intra-abdominal.
- B: Errado: a pressão intragástrica não é o método padrão para essa avaliação.
- C: Errado: a palpação do abdome não quantifica a pressão intra-abdominal de forma confiável.
Q1oficialResposta: B
- A: A alternativa A erra ao propor comunicação unidirecional. A troca entre equipe e liderança deve permitir confirmação e esclarecimento.
- C: A alternativa C inventa intervalos fixos de 10, 20 e 30 minutos. A equipe deve revisar os achados conforme a evolução e os momentos críticos do atendimento.
- D: A alternativa D confunde comunicação clara com comunicação em voz alta e exclusivamente dirigida ao líder. O tom deve ser adequado, e a informação deve chegar ao profissional responsável pela ação.
Fonte: Residência Unicamp (2026) — https://www.comvest.unicamp.br/residenciamedica2026/provas/tCir.pdf
Q2oficialResposta: D
- A: A alternativa A propõe apenas observação em enfermaria, embora o débito inicial indique hemorragia intratorácica importante e possível necessidade de controle operatório.
- B: A alternativa B atrasa o controle da hemorragia para obter tomografia. O exame não deve retardar a avaliação cirúrgica diante desse volume de sangue.
- C: A alternativa C recomenda retirar o dreno, o que elimina a drenagem necessária, e indica toracotomia sem avaliação da equipe cirúrgica. O dreno deve permanecer.
- E: A alternativa E propõe toracocentese para confirmar sangue já identificado pela drenagem. Esse procedimento não controla a hemorragia nem acrescenta informação útil.
Fonte: Residência SUS-SP (2026) — https://documento.vunesp.com.br/documento/stream/NzUyNTQ2NQ%3d%3d
Q3oficialResposta: C
- A: A alternativa A transforma hipotensão com FAST negativo em indicação absoluta de laparotomia. É preciso procurar outras fontes de choque e considerar exames ou avaliações seriadas conforme a estabilidade.
- B: A alternativa B erra ao indicar exploração imediata de todo ferimento por arma branca, mesmo sem penetração da fáscia. Ferimentos superficiais não exigem laparotomia.
- D: A alternativa D confunde uma emergência torácica com indicação abdominal. Pneumotórax hipertensivo exige descompressão torácica imediata, não laparotomia por si só.
Fonte: Residência FAMEMA (2026) — https://documento.vunesp.com.br/documento/stream/NzUwOTU4Nw%3d%3d
Q4oficialResposta: D
- A: A alternativa A descreve ML, que representa lise máxima do coágulo, e não a contribuição plaquetária para a firmeza final.
- B: A alternativa B descreve CT, relacionado ao tempo até o início da formação do coágulo. Não é o parâmetro que representa a força final.
- C: A alternativa C descreve CFT, que avalia o tempo de formação do coágulo entre pontos definidos da curva. Não corresponde à firmeza máxima.
Fonte: Residência USP (Fuvest) (2026) — https://www.fuvest.br/wp-content/uploads/rm2026-prova-EC1-especialidadescirurgicas-aparelhodigestivo.pdf
Q5oficialResposta: B
- A: A alternativa A usa um limiar inadequado como definição. Critérios históricos frequentemente consideram a necessidade de cerca de 10 unidades de concentrado de hemácias em 24 horas, mas a ativação atual deve se basear na hemorragia e na necessidade prevista, sem esperar atingir um número.
- C: A alternativa C erra ao afirmar que o plasma previne síndrome da resposta inflamatória sistêmica e ao fixar uma proporção de um plasma para três hemácias como regra universal. A reanimação hemostática usa estratégias balanceadas ou guiadas por exames e protocolos locais.
- D: A alternativa D posterga plaquetas até haver trombocitopenia documentada e sangramento persistente. Em transfusão maciça, plaquetas podem fazer parte desde o início da estratégia balanceada, conforme protocolo e resposta clínica.
Fonte: Residência SES-DF (2024) — https://www.iades.com.br/inscricao/upload/1339/2024031318357904.zip
Q6oficialResposta: B
- A: A alternativa A prioriza intubação e ventilação sem tratar o pneumotórax. A ventilação com pressão positiva pode piorar a fisiologia de um pneumotórax não drenado.
- C: A alternativa C oferece oxigênio e transfusão, mas não trata a causa torácica imediata sugerida pelo exame. A transfusão pode ser necessária se persistir choque hemorrágico, após avaliação e resposta à descompressão.
- D: A alternativa D inclui a drenagem, mas omite a oferta imediata de oxigênio, indicada diante da saturação baixa. A necessidade de transfusão maciça deve ser avaliada conforme a resposta e a suspeita de hemorragia.
Fonte: Residência USP (Fuvest) (2026) — https://www.fuvest.br/wp-content/uploads/rm2026-prova-EC1-especialidadescirurgicas-aparelhodigestivo.pdf
Q7oficialResposta: E
- A: A alternativa A descreve dor provocada por pressão persistente na fossa ilíaca direita, associada a irritação peritoneal, não o sinal de Kehr.
- B: A alternativa B descreve uma massa da parede abdominal que persiste com a contração, achado relacionado à parede abdominal, não ao hemoperitônio nem ao sinal de Kehr.
- C: A alternativa C descreve aumento do pulso à palpação abdominal, que não define o sinal de Kehr.
- D: A alternativa D descreve dor relacionada à movimentação da perna contra resistência, não dor referida no ombro por irritação diafragmática.
Fonte: ENARE (AOCP) (2022) — https://www.gov.br/hubrasil/pt-br/ensino-e-pesquisa/exame-nacional-de-residencia-enare/edicoes-anteriores/2021-2022/provas/area-medica/prm-ano-adi-cir-ger-area-de-atu-cir-tra-pre-req-cir-cab-cir-apa-dig-cir-onc-cir-ped-cir-pla-cir-tor-cir-vas-col-uro-t178-divulgar.pdf
Q8oficialResposta: B
- A: A alternativa A inclui hematúria, que não compõe o ABC Score, e deixa de incluir o FAST.
- C: A alternativa C inclui hematúria, que não faz parte do escore, e omite a frequência cardíaca.
- D: A alternativa D inclui hematúria e omite a pressão arterial. A pressão sistólica é uma das variáveis do ABC Score.
Fonte: Residência Unicamp (2025) — https://www.comvest.unicamp.br/residenciamedica2025/provas/tCir.pdf
Q9oficialResposta: A
- B: A alternativa B erra ao dizer que os sinais peritoneais costumam ser exuberantes e precoces. As alterações anatômicas e fisiológicas da gestação podem dificultar a avaliação clínica.
- C: A alternativa C erra ao afirmar que o útero tem paredes espessadas no fim do terceiro trimestre: segundo o ATLS, nessa fase ele é grande e de paredes finas, o que o deixa mais exposto ao trauma.
- D: A alternativa D erra ao afirmar que a compensação materna protege a perfusão uterina e a oxigenação fetal. A queda do volume intravascular pode reduzir a perfusão uteroplacentária, mesmo antes de sinais maternos marcantes.
Fonte: Residência FAMEMA (2026) — https://documento.vunesp.com.br/documento/stream/NzUwOTU4Nw%3d%3d
Q10oficialResposta: D
- A: A alternativa A adota um volume pequeno e não inclui o critério temporal ou a proporção da cavidade pleural usados na definição apresentada.
- B: A alternativa B propõe 300 mL após 24 horas, critério que não corresponde à definição clássica solicitada.
- C: A alternativa C usa um intervalo inferior a 24 horas. O conceito tradicional de hemotórax retido pressupõe persistência após tentativa de drenagem e passagem de tempo maior.
Fonte: Residência USP (Fuvest) (2026) — https://www.fuvest.br/wp-content/uploads/rm2026-prova-EC1-especialidadescirurgicas-aparelhodigestivo.pdf
1.8 Revisão relâmpago e mapa de revisão
- No ABCDE, trate a ameaça encontrada antes de avançar para a próxima etapa.
- Pneumotórax hipertensivo é diagnóstico clínico no instável: descomprima sem esperar imagem.
- Hemotórax maciço exige drenagem e avaliação cirúrgica urgente.
- O tórax instável costuma vir acompanhado de contusão pulmonar; analgesia e suporte respiratório são centrais.
- FAST positivo em paciente instável com suspeita de hemorragia abdominal favorece laparotomia.
- FAST negativo não exclui hemorragia nem lesão de víscera oca.
- Hematúria isolada não é indicação de laparotomia.
- A manobra de Pringle controla o influxo hepático; sangramento persistente sugere outra fonte.
- Tratamento não operatório de baço e fígado depende de estabilidade e capacidade de resgate.
- Síndrome compartimental abdominal exige pressão intra-abdominal elevada e nova disfunção orgânica.
Mapa de revisão
Reveja este capítulo em 1, 7 e 30 dias.
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