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Área 06

Gastroenterologia, hepatologia e nutrição pediátrica

O que o conteúdo programático pede nesta área

  1. 1Diarreia e desidratação: diarreia aguda e avaliação do estado de hidratação; planos de reidratação oral e venosa; diarreia persistente; diarreia por antibiótico e Clostridioides; disenteria e uso de antimicrobianos36 questões de provas anteriores, 2017–2026 · cap. 10
  2. 2Refluxo, constipação e dor abdominal: refluxo fisiológico do lactente e doença do refluxo; esofagite eosinofílica; constipação funcional e doença de Hirschsprung; dor abdominal funcional; Helicobacter pylori e doença péptica; estenose hipertrófica do piloro111 questões de provas anteriores, 2017–2026 · cap. 10
  3. 3Má absorção e doenças inflamatórias: doença celíaca; doença inflamatória intestinal (Crohn e retocolite); diarreia crônica e insuficiência pancreática; parasitoses e giardíase de repetição49 questões de provas anteriores, 2017–2026 · cap. 10
  4. 4Hepatologia pediátrica: colestase do lactente e atresia biliar; hepatites virais e autoimune; doença de Wilson; hipertensão portal e hemorragia digestiva; insuficiência hepática aguda; transplante hepático pediátrico44 questões de provas anteriores, 2020–2026 · cap. 10
  5. 5Nutrição e aleitamento: aleitamento materno e problemas da amamentação; alimentação complementar e fórmulas infantis; suplementação de ferro e vitaminas; anemia ferropriva; desnutrição grave (manejo e realimentação); obesidade e dislipidemia na infância; dietas vegetarianas e restritivas144 questões de provas anteriores, 2017–2026 · cap. 10

Gastroenterologia, hepatologia e nutrição pediátrica · Capítulo 10

Diarreia e desidrataçãoRefluxo, constipação e dor abdominalMá absorção e doenças inflamatóriasHepatologia pediátricaNutrição e aleitamento

Temas do conteúdo programático:

  • 1. Diarreia e desidratação: diarreia aguda e avaliação do estado de hidratação; planos de reidratação oral e venosa; diarreia persistente; diarreia por antibiótico e Clostridioides; disenteria e uso de antimicrobianos
  • 2. Refluxo, constipação e dor abdominal: refluxo fisiológico do lactente e doença do refluxo; esofagite eosinofílica; constipação funcional e doença de Hirschsprung; dor abdominal funcional; Helicobacter pylori e doença péptica; estenose hipertrófica do piloro
  • 3. Má absorção e doenças inflamatórias: doença celíaca; doença inflamatória intestinal (Crohn e retocolite); diarreia crônica e insuficiência pancreática; parasitoses e giardíase de repetição
  • 4. Hepatologia pediátrica: colestase do lactente e atresia biliar; hepatites virais e autoimune; doença de Wilson; hipertensão portal e hemorragia digestiva; insuficiência hepática aguda; transplante hepático pediátrico
  • 5. Nutrição e aleitamento: aleitamento materno e problemas da amamentação; alimentação complementar e fórmulas infantis; suplementação de ferro e vitaminas; anemia ferropriva; desnutrição grave (manejo e realimentação); obesidade e dislipidemia na infância; dietas vegetarianas e restritivas

10.1 Pré-teste

Responda antes de ler a teoria. O gabarito está no fim do capítulo.

P1inédita

Menina de 2 anos apresenta diarreia aquosa há 2 dias. Está alerta, com olhos discretamente fundos, sede intensa e prega cutânea que retorna lentamente. Não vomita e consegue beber. Qual é a conduta inicial mais adequada?

  1. A)Administrar solução de reidratação oral em casa, sem reavaliação clínica.
  2. B)Oferecer solução de reidratação oral na unidade de saúde e reavaliar após a reidratação.
  3. C)Iniciar expansão venosa rápida com cristaloide, mesmo sem sinais de choque.
  4. D)Suspender a alimentação e oferecer apenas água até cessar a diarreia.

P2inédita

Recém-nascido de 18 dias ainda não eliminou mecônio. Apresenta distensão abdominal e vômitos biliosos. Após toque retal, elimina fezes explosivamente. Qual exame confirma a principal hipótese diagnóstica?

  1. A)Enema contrastado, por si só, demonstrando zona de transição.
  2. B)Manometria anorretal, por si só, mostrando ausência do reflexo inibitório retoanal.
  3. C)Pesquisa de sangue oculto nas fezes.
  4. D)Biópsia retal demonstrando ausência de células ganglionares.

P3inédita

Lactente de 24 dias mantém icterícia e apresenta urina escura e fezes persistentemente esbranquiçadas. A bilirrubina direta está elevada. Qual é a conduta mais adequada?

  1. A)Encaminhar com urgência para investigação especializada de colestase e possível atresia biliar.
  2. B)Aguardar até completar 3 meses, pois a icterícia prolongada costuma ser fisiológica.
  3. C)Suspender o aleitamento materno por uma semana e repetir a bilirrubina total.
  4. D)Tratar empiricamente com antiviral e repetir os exames em um mês.

10.2 O que cai

  • 1. Diarreia e desidratação: diarreia aguda e avaliação do estado de hidratação; planos de reidratação oral e venosa; diarreia persistente; diarreia por antibiótico e Clostridioides; disenteria e uso de antimicrobianos: 36 questões de provas anteriores, 2017–2026
  • 2. Refluxo, constipação e dor abdominal: refluxo fisiológico do lactente e doença do refluxo; esofagite eosinofílica; constipação funcional e doença de Hirschsprung; dor abdominal funcional; Helicobacter pylori e doença péptica; estenose hipertrófica do piloro: 111 questões de provas anteriores, 2017–2026
  • 3. Má absorção e doenças inflamatórias: doença celíaca; doença inflamatória intestinal (Crohn e retocolite); diarreia crônica e insuficiência pancreática; parasitoses e giardíase de repetição: 49 questões de provas anteriores, 2017–2026
  • 4. Hepatologia pediátrica: colestase do lactente e atresia biliar; hepatites virais e autoimune; doença de Wilson; hipertensão portal e hemorragia digestiva; insuficiência hepática aguda; transplante hepático pediátrico: 44 questões de provas anteriores, 2020–2026
  • 5. Nutrição e aleitamento: aleitamento materno e problemas da amamentação; alimentação complementar e fórmulas infantis; suplementação de ferro e vitaminas; anemia ferropriva; desnutrição grave (manejo e realimentação); obesidade e dislipidemia na infância; dietas vegetarianas e restritivas: 144 questões de provas anteriores, 2017–2026

10.3 Teoria

Esses temas aparecem em vinhetas que exigem reconhecer gravidade, escolher o exame que muda a conduta e evitar tratamentos desnecessários. Priorize hidratação e sinais de alarme; em lactentes, icterícia colestática e vômitos biliosos exigem investigação rápida.

10.3.1 Diarreia e desidratação

Na diarreia aguda, avalie perfusão, estado geral, sede, olhos, mucosas e diurese.

Use a classificação clínica de hidratação para escolher a conduta: sem desidratação, Plano A; alguma desidratação, Plano B com solução de reidratação oral (SRO) supervisionada na unidade, em geral 50–100 mL/kg em 4–6 horas; desidratação grave ou choque, Plano C e acesso venoso. Continue o aleitamento e a alimentação adequada à idade. Reavalie durante e após a reposição. Evite refrigerantes, sucos concentrados e antidiarreicos que reduzam a motilidade.

Diarreia persistente dura 14 dias ou mais. Investigue parasitoses, doença celíaca, intolerâncias secundárias e causas inflamatórias conforme o quadro. Após antibiótico, pense em Clostridioides difficile se a diarreia for nova e significativa, sobretudo após internação ou exposição a antimicrobianos. Teste apenas pacientes sintomáticos; em crianças pequenas, colonização assintomática reduz a utilidade do teste. Suspenda, se possível, o antibiótico precipitante. Em doença clinicamente compatível, a vancomicina oral é opção de tratamento; não confunda com vancomicina intravenosa, que não trata a infecção intestinal.

Sangue nas fezes com febre, tenesmo ou toxemia sugere disenteria. Colha exames quando indicados e considere antimicrobiano em doença grave, disenteria compatível com shigelose ou pacientes de maior risco, conforme epidemiologia e resistência local. Não prescreva antibiótico para toda diarreia sanguinolenta: algumas infecções, como as produtoras de toxina Shiga, podem piorar com antimicrobianos.

Esquema

Hidratação e conduta

Classificação clínica de hidratação

  • Sem desidratação

    Plano A

  • Alguma desidratação

    Plano B; SRO supervisionada na unidade

  • Desidratação grave ou choque

    Plano C e acesso venoso

10.3.2 Refluxo, constipação e dor abdominal

Regurgitação pós-mamada em lactente que cresce bem costuma ser refluxo fisiológico.

Oriente manter o aleitamento, evitar superalimentação e colocar o bebê em posição supina para dormir. Pode permanecer ereto enquanto está acordado após a mamada; não recomende dormir de bruços ou em posição inclinada. Perda ponderal, hematêmese, vômito bilioso ou persistente e sinais respiratórios importantes exigem investigação. Inibidor de bomba de prótons não é tratamento de rotina para regurgitação isolada. Em crianças maiores, disfagia, impactação alimentar ou recusa alimentar podem indicar esofagite eosinofílica; confirme com endoscopia e biópsias.

Fezes duras ou dolorosas, retenção voluntária e escape fecal favorecem constipação funcional. Trate retenção fecal, quando presente, e mantenha laxativo osmótico, rotina para evacuar e ingestão adequada de fibras e líquidos. Atraso na eliminação do mecônio, distensão e vômitos biliosos sugerem doença de Hirschsprung; a biópsia retal confirma o diagnóstico. Na dor abdominal funcional, procure sinais de alarme, como perda de peso, sangramento, febre ou desaceleração do crescimento, antes de evitar exames excessivos.

Investigue Helicobacter pylori quando houver suspeita de úlcera péptica; não faça teste e tratamento de rotina para dor abdominal funcional. Vômitos progressivos, não biliosos e em jato nas primeiras semanas de vida sugerem estenose hipertrófica do piloro: a ultrassonografia confirma e a correção hidroeletrolítica precede a cirurgia.

Exercício comentado

Como a banca cobrouoficial · Residência Unicamp 2026

Menina, 4m, em aleitamento materno exclusivo, apresenta regurgitação persistente e irritabilidade, apesar de medidas posturais e espessamento do leite ordenhado. Mantém crescimento adequado. QUAL A INTERVENÇÃO MAIS ADEQUADA?

  1. A)Suspender o aleitamento materno e introduzir fórmula padrão.
  2. B)Dieta de exclusão materna de leite por duas a quatro semanas, com posterior reintrodução.
  3. C)Introduzir inibidor de bomba de prótons.
  4. D)Fazer teste terapêutico com famotidina e/ou sucralfato.

Resposta: B

Conceito: Em lactente com sintomas persistentes compatíveis com refluxo, apesar de medidas alimentares, pode-se testar exclusão de proteína do leite de vaca antes de iniciar supressão ácida.

Raciocínio: A criança cresce adequadamente, o que reduz a probabilidade de doença do refluxo complicada. A persistência dos sintomas após medidas iniciais permite um teste de exclusão materna de leite de vaca, mantendo o aleitamento. A reintrodução posterior ajuda a verificar se houve relação entre a exposição e os sintomas.

Pegadinha: A exclusão materna deve ser temporária e seguida de reintrodução. Não se deve retirar o aleitamento nem manter dieta restritiva sem confirmar benefício.

Base: Diretrizes NASPGHAN/ESPGHAN para refluxo gastroesofágico pediátrico; recomendações de manejo da alergia à proteína do leite de vaca em lactentes amamentados.

10.3.3 Má absorção e doenças inflamatórias

Suspeite de doença celíaca diante de diarreia crônica, distensão, anemia ferropriva, baixa estatura ou perda ponderal.

Faça sorologia enquanto a criança ainda consome glúten: anticorpo antitransglutaminase IgA junto com IgA total. Se houver deficiência de IgA, use teste baseado em IgG. A confirmação costuma exigir biópsia duodenal; protocolos especializados admitem diagnóstico sem biópsia em situações selecionadas, após avaliação gastroenterológica. Não retire glúten antes da investigação, pois isso pode negativar os exames.

Sangue, urgência evacuatória, perda de peso, anemia e marcadores inflamatórios elevados sugerem doença inflamatória intestinal (DII), não diarreia funcional. Colonoscopia com biópsias, avaliação do intestino delgado e exclusão de infecção definem extensão e fenótipo. Na retocolite, extensão e gravidade orientam a terapia; doença leve pode responder a mesalazina, enquanto doença moderada ou grave pode exigir corticoide para indução e terapia poupadora de corticoide. Avalie risco, infecções e estado nutricional antes de imunossupressão. Crohn pode acometer qualquer segmento e causar doença perianal, estenoses ou fístulas.

Esteatorreia, baixo ganho ponderal e deficiência de vitaminas lipossolúveis sugerem má absorção. Elastase fecal baixa apoia insuficiência pancreática exócrina; investigue, entre outras causas, fibrose cística. Giardia pode causar diarreia prolongada. Em recorrência após tratamento, confira adesão, reinfecção e contatos; considere deficiência imune se houver infecções repetidas. Não repita antiparasitário sem reavaliar o diagnóstico.

10.3.4 Hepatologia pediátrica

Icterícia com colúria e fezes hipocólicas no lactente sugere colestase, não icterícia fisiológica.

Meça bilirrubina total e direta e encaminhe com urgência se houver hiperbilirrubinemia conjugada. Atresia biliar é tempo-dependente: fezes persistentemente claras, GGT elevada e achados de imagem aumentam a suspeita, mas ultrassom sem alterações não a exclui. A avaliação especializada deve avançar rapidamente para confirmação e eventual portoenterostomia.

Hepatite aguda com transaminases muito elevadas exige investigação viral, medicamentosa, autoimune e metabólica conforme contexto. IgM anti-VCA apoia infecção aguda por EBV. Hepatite autoimune pode apresentar FAN ou anticorpo antimúsculo liso e IgG elevados, mas o diagnóstico integra sorologia, exclusão de outras causas e, frequentemente, biópsia. Em adolescente com doença hepática ou neurológica, investigue doença de Wilson: ceruloplasmina isolada normal ou baixa não confirma nem exclui; avalie cobre urinário, exame ocular e demais dados clínicos.

Hipertensão portal pode causar esplenomegalia, plaquetopenia e varizes. Hemorragia digestiva exige estabilização, acesso venoso, avaliação da gravidade e manejo especializado da hemorragia varicosa. Na insuficiência hepática aguda, coagulopatia não corrigida por vitamina K, com encefalopatia ou coagulopatia grave mesmo sem encefalopatia, requer contato precoce com centro transplantador. Avalie transplante diante de falência hepática irreversível, deterioração clínica ou complicações não controladas; não espere coma para encaminhar.

Esquema

Suspeita de colestase no lactente

  1. 1Icterícia com colúria e fezes hipocólicas

    Sugere colestase

  2. 2Medir bilirrubina total e direta

  3. 3Hiperbilirrubinemia conjugada

    Encaminhar com urgência

  4. 4Avaliação especializada rápida

    Confirmar e avaliar eventual portoenterostomia

10.3.5 Nutrição e aleitamento

Recomende aleitamento materno exclusivo até cerca de seis meses e continuado com alimentação complementar.

Dor persistente, fissuras, baixa transferência de leite ou ganho ponderal insuficiente pedem observação da mamada e correção da pega; não conclua que há baixa produção apenas pela frequência das mamadas. A partir dos seis meses, ofereça alimentos variados e seguros, com fontes de ferro e alimentos in natura ou minimamente processados. Fórmulas devem ser apropriadas à idade e preparadas conforme instrução; não substitua por fórmulas caseiras.

Palidez, dieta pobre em ferro e hemograma microcítico sugerem anemia ferropriva. Ferritina ajuda a confirmar, mas pode subir com inflamação. Em criança estável, inicie ferro oral e corrija a dieta; reavalie resposta e adesão. Hemotransfusão não é indicada apenas por anemia microcítica sem instabilidade. No tratamento, use 3 a 6 mg/kg/dia de ferro elementar e mantenha por alguns meses após a normalização da hemoglobina, para repor os estoques. A suplementação preventiva depende da idade, da prematuridade e do protocolo (no lactente a termo, em geral 1 mg/kg/dia de ferro elementar, segundo a SBP e o Programa Nacional de Suplementação de Ferro).

Na desnutrição grave, procure edema, infecção, hipoglicemia e hipotermia. Estabilize primeiro e reintroduza energia e proteínas de modo cauteloso, com vigilância para síndrome de realimentação; depois avance a reabilitação nutricional. Na obesidade, avalie crescimento, pressão arterial, comorbidades e contexto familiar; priorize mudanças sustentáveis para toda a família. Pesquise dislipidemia conforme idade e risco. Dietas vegetarianas bem planejadas podem ser adequadas, mas exigem atenção especial à vitamina B12 e a ferro, cálcio, vitamina D, zinco e proteína. Dietas restritivas sem indicação podem comprometer o crescimento.

Pegadinha de prova

Regurgitação não é sinônimo de doença

Lactente que regurgita, cresce bem e não apresenta sinais de alarme costuma ter refluxo fisiológico. Não prescreva supressor ácido nem recomende posição prona para dormir.

Atenção

Diarreia após antibiótico

Em criança com quadro compatível por Clostridioides difficile, a vancomicina precisa ser administrada por via oral para alcançar o intestino. A via intravenosa não substitui o tratamento oral da infecção intestinal.

Pegadinha de prova

Sorologia celíaca exige consumo de glúten

Retirar glúten antes da investigação pode tornar sorologia e biópsia falsamente negativas. Investigue primeiro; depois, se confirmado o diagnóstico, oriente dieta sem glúten.

Atenção

Colestase do lactente é urgente

Fezes hipocólicas ou acólicas e bilirrubina direta elevada exigem investigação rápida. Não espere piora clínica para encaminhar a suspeita de atresia biliar.

10.4 Exemplo resolvido

Recém-nascido de 3 semanas ainda não eliminou mecônio espontaneamente. Apresenta distensão abdominal e episódios de vômito bilioso. Após toque retal, elimina grande quantidade de fezes. Qual é a melhor investigação para confirmar a hipótese principal?

A) Anticorpo antitransglutaminase IgA e IgA total. B) Biópsia retal para pesquisa de células ganglionares. C) Dosagem de elastase fecal. D) pHmetria esofágica de 24 horas.

  1. Atraso na eliminação do mecônio, distensão e vômito bilioso sugerem obstrução funcional distal.
  2. A evacuação explosiva após toque retal reforça suspeita de doença de Hirschsprung.
  3. A sorologia celíaca e a elastase fecal investigam outras causas de sintomas crônicos; a pHmetria avalia refluxo.
  4. A biópsia retal confirma a ausência de células ganglionares.

Resposta: B) Biópsia retal para pesquisa de células ganglionares.

10.5 Fixação

Questões inéditas, no estilo das provas de residência.

F1inédita

Menina de 7 anos apresenta distensão abdominal, diarreia crônica e desaceleração do crescimento. A família ainda oferece glúten diariamente. Qual é o exame sorológico inicial mais adequado para investigar doença celíaca?

  1. A)Anticorpo antitransglutaminase tecidual IgA junto com dosagem de IgA total.
  2. B)Anticorpo antigliadina IgG isolado, seguido de retirada imediata do glúten.
  3. C)Anticorpo antinuclear e anticorpo antimúsculo liso.
  4. D)IgE específica para trigo.

F2inédita

Menino de 3 anos segue dieta vegana estrita, sem alimentos fortificados ou suplementos. Apresenta palidez, irritabilidade e macrocitose. Qual nutriente merece reposição específica e confiável nessa dieta?

  1. A)Vitamina C.
  2. B)Vitamina B12.
  3. C)Vitamina K.
  4. D)Vitamina E.

F3inédita

Adolescente de 15 anos relata episódios recorrentes de alimento sólido preso no esôfago e precisa beber água para conseguir engolir. A endoscopia mostra anéis esofágicos. Qual achado confirma esofagite eosinofílica no contexto clínico apropriado?

  1. A)Eosinofilia no hemograma periférico, sem necessidade de biópsia.
  2. B)Erosões gástricas associadas a teste positivo para Helicobacter pylori.
  3. C)Inflamação eosinofílica em biópsias esofágicas, com pelo menos 15 eosinófilos por campo de grande aumento.
  4. D)Refluxo observado em exame contrastado do esôfago.

F4inédita

Menino de 6 anos apresenta cólicas intensas e diarreia sanguinolenta após consumir hambúrguer malpassado. Está afebril e hemodinamicamente estável. Qual conduta é mais adequada enquanto se investiga a causa?

  1. A)Iniciar loperamida para reduzir as perdas fecais.
  2. B)Iniciar antibiótico empírico para qualquer diarreia com sangue.
  3. C)Manter hidratação e evitar antimicrobianos e antiperistálticos enquanto houver suspeita de infecção por bactéria produtora de toxina Shiga.
  4. D)Administrar corticoide sistêmico para reduzir a inflamação intestinal.

F5inédita
Criança de 20 meses chega letárgica, com edema bilateral dos pés, emagrecimento importante e recusa alimentar. A equipe decide interná-la para manejo de desnutrição aguda grave complicada. Qual estratégia nutricional corresponde à fase inicial de estabilização?

  1. A)Iniciar dieta hipercalórica e hiperproteica em volume livre para recuperar peso rapidamente.
  1. B)Oferecer fórmula de estabilização, como F-75, em pequenas refeições frequentes e avançar a alimentação conforme resposta clínica.
  2. C)Administrar F-100 imediatamente e restringir a vigilância de glicemia e eletrólitos.
  3. D)Manter jejum até desaparecer o edema e normalizar o peso.

10.6 Questões de provas anteriores

Questões oficiais de provas anteriores, com a fonte.

Q1oficial · Residência Unicamp 2026
Menino, 13a, previamente hígido, encontra-se internado há 30 dias para tratamento de osteomielite aguda de vértebra L5, complicada por abscesso do psoas direito. Foi submetido a três procedimentos cirúrgicos para drenagem. Durante a internação, iniciou antibioticoterapia com oxacilina, substituída por vancomicina após isolamento de Staphylococcus aureus meticilinoresistente em hemoculturas. Após o surgimento de exantema pruriginoso e edema periocular atribuídos à vancomicina, esta foi suspensa e trocada por clindamicina. Há cinco dias, o paciente passou a apresentar diarreia aquosa abundante, com 10 a 12 evacuações por dia, sem melhora após a suspensão da clindamicina. Ao exame, encontra-se em regular estado geral, desidratado, com abdome distendido e doloroso à palpação, sem sinais de irritação peritoneal. CONSIDERANDO O QUADRO CLÍNICO, QUAL É O TRATAMENTO MAIS ADEQUADO PARA A COMPLICAÇÃO DESENVOLVIDA PELO PACIENTE?

  1. A)Racecadotrila por via oral.
  2. B)Ceftriaxona por via endovenosa.
  3. C)Vancomicina por via oral.
  4. D)Metronidazol por via endovenosa.

Q2oficial · Residência USP (Fuvest) 2026
Lactente de 40 dias de vida é trazido à consulta com queixa de 20 dias de regurgitações frequentes que ocorrem cerca de 10 minutos após as mamadas. Está em aleitamento materno exclusivo a cada 2 horas e evacua fezes líquidas amareladas 5 a 6 vezes ao dia de forma ruidosa. O exame clínico é normal e está ganhando 25 g de peso por dia. Assinale a alternativa que indica a hipótese diagnóstica mais provável e a respectiva conduta.

  1. A)Intolerância à lactose – excluir leite de vaca da dieta materna.
  2. B)Refluxo gastroesofágico fisiológico – orientações posturais.
  3. C)Doença do refluxo gastroesofágico – introduzir procinético e antiácido.
  4. D)Estenose hipertrófica do piloro – solicitar ultrassonografia do abdome superior.

Q3oficial · Residência SUS-SP 2026
Criança de 9 anos é internada com icterícia, colúria e fezes hipocólicas, há 5 dias, acompanhadas de febre, mal-estar e dor abdominal. Os exames laboratoriais mostram aumento acentuado de TGO/TGP (> 1.000 U/L), bilirrubina total de 7 mg/dL (fração direta 4 mg/dL) e coagulograma normal. O pediatra considera o diagnóstico de hepatite viral aguda, mas deseja excluir outras causas.

Considerando o exposto, assinale a alternativa que apresenta o diagnóstico diferencial provável para uma criança com quadro agudo de hepatite e o exame indicado para confirmar o diagnóstico.

  1. A)Doença de Wilson; confirmada pela dosagem de ceruloplasmina sérica diminuída e anel de Kayser-Fleischer.
  1. B)Mononucleose infecciosa pelo vírus Epstein-Barr (EBV); confirmada por sorologia IgM anti-VCA positiva.
  2. C)Hepatite autoimune tipo 1; confirmada por anticorpos antimúsculo liso e FAN positivos.
  3. D)Hepatite medicamentosa; confirmada por aumento isolado de GGT e história de uso de paracetamol.
  4. E)Leptospirose aguda; confirmada por sorologia IgM anti-Leptospira positiva e exposição a água contaminada.

Q4oficial · Residência FAMEMA 2026
Uma lactente de 12 meses de idade é levada ao pediatra devido a palidez, irritabilidade e dificuldade de ganho de peso. A mãe relata que a alimentação complementar é baseada em papinhas de frutas e mingau, com pouca oferta de carne ou leguminosas. O hemograma atual revela hemoglobina (Hb) de 8,5 g/dL, volume corpuscular médio (VCM) de 68 fL e hemoglobina corpuscular média (HCM) de 22 pg.

Nesse contexto, qual a conduta correta?

  1. A)Solicitar dosagem de vitamina B12 e folato séricos.
  2. B)Encaminhar para hemotransfusão de urgência.
  3. C)Agendar eletroforese de hemoglobina para investigação de hemoglobinopatia.
  4. D)Iniciar suplementação com sais orais de ferro e orientações dietéticas.

Q5oficial · Residência USP (Fuvest) 2026
Texto base: Menino, 3 anos de idade, com antecedente de atresia de vias biliares, em uso de ácido ursodesoxicólico e propranolol, é levado ao pronto-socorro por evacuações escuras, amolecidas e de odor fétido há poucas horas. Ao exame físico, apresenta-se em estado geral regular, pele e mucosas hipocoradas, taquicardia, perfusão periférica adequada, eupneico, anasarcado, ascite volumosa e indolor, com circulação colateral abdominal evidente. Diante do quadro, foram instituídas as seguintes condutas iniciais: jejum, soro de manutenção, expansão volêmica de 10 mL/kg, introdução de octreotide em infusão contínua, cefotaxima, vitamina K e coleta de exames laboratoriais.

Assinale a melhor conduta inicial para o manejo dessa hiponatremia.

  1. A)Albumina EV 1 g/kg.
  2. B)NaC , 3% via enteral 3 mEq/kcal.
  3. C)Correção lenta de sódio (≤ 8 mEq/L em 24 horas) com NaC , 20% EV.
  4. D)Correção rápida com NaC , 20% EV 3 a 5 mL/kg.

Q6oficial · Residência USP (Fuvest) 2026
Pré-escolar, 3 anos de idade, sexo masculino, nascido prematuro, com 27 semanas, 780 g e 36 cm. O paciente evoluiu com hemorragia intraventricular grau IV e comprometimento neurológico (GMFCS V), foi encaminhado para avaliação de quadro de desnutrição e colocação de gastrostomia. Recebe dieta exclusivamente por via oral, 5 refeições ao dia (em média 20 minutos cada) com consistência pastosa e líquidos espessados, sem dificuldades para deglutir com a dieta adaptada. A mãe nega quadro convulsivo associado, nunca teve broncopneumonia. Refere que recebeu antibiótico para tratamento de amigdalite aos 2 anos e 6 meses, apenas 1 vez, após a alta da maternidade. Nega internações, exceto na ocasião da realização de uma postectomia. Ao exame físico, apresenta-se corado, hidratado, eupneico, contactuante e colaborativo. Sustenta o pescoço, senta sem apoio, anda pequenas distâncias com apoio. Pele e cabelos sem alterações. Apresenta antropometria – 10,1 kg e 85 cm (P/E -1,62; P/I -2,97; E/I -3,23; IMC/I -1,18). Em relação ao estado nutricional do paciente descrito, é correto afirmar:

  1. A)A classificação nutricional é compatível com desnutrição crônica, pois nasceu PIG e mantém muito baixa estatura para a idade.
  1. B)Com o diagnóstico de desnutrição está indicada a confecção de gastrostomia para complementar a ingestão da dieta por via oral.
  2. C)O paciente encontra-se eutrófico, devendo manter a dieta por via oral e agendar retorno para acompanhar a velocidade de crescimento.
  3. D)O Z-score de peso para idade é compatível com o diagnóstico de desnutrição aguda, com indicação de recuperação nutricional com dieta enteral via sonda nasogástrica.

10.7 Gabarito comentado

P1inédita · pré-testeResposta: B

Conceito: A criança com sinais de desidratação, mas sem choque, deve receber reidratação oral supervisionada e reavaliação.
Raciocínio: A sede intensa, os olhos fundos e o retorno lento da prega sugerem desidratação. Como a criança está alerta, consegue beber e não tem sinais de choque, a via oral é apropriada. Mantenha a alimentação e reavalie a resposta.
Por que as outras estão erradas:
  • A: Errado: sem sinais de desidratação, a orientação domiciliar seria adequada; neste caso, os sinais presentes justificam reidratação supervisionada.
  • C: Errado: a expansão venosa fica reservada para choque, desidratação grave ou impossibilidade de usar a via oral.
  • D: Errado: água isolada não repõe adequadamente os eletrólitos, e suspender a alimentação não é recomendado.
Pegadinha: Confundir qualquer sinal de desidratação com indicação de hidratação venosa.
Base: Ministério da Saúde, AIDPI Criança: avaliação e manejo da desidratação; planos de reidratação oral e venosa.
Questão irmã: Uma criança com diarreia está letárgica, não consegue beber e tem pulso fraco. Qual via de reidratação deve ser priorizada? Gabarito: Hidratação venosa imediata, com monitoramento e reavaliação frequentes.

P2inédita · pré-testeResposta: D

Conceito: A biópsia retal confirma a doença de Hirschsprung ao demonstrar aganglionose.
Raciocínio: A eliminação tardia do mecônio, a distensão e a evacuação explosiva após toque sugerem obstrução funcional distal. O enema e a manometria podem apoiar a investigação, mas a confirmação diagnóstica é histológica.
Por que as outras estão erradas:
  • A: Errado: o enema pode mostrar uma zona de transição, mas não confirma sozinho a aganglionose.
  • B: Errado: a manometria é um exame de apoio; não substitui a confirmação histológica.
  • C: Errado: sangue oculto não investiga a causa de obstrução funcional neonatal.
Pegadinha: Tomar um exame sugestivo de imagem ou função como confirmação definitiva.
Base: Diretrizes ERNICA para doença de Hirschsprung.
Questão irmã: Qual achado histológico em biópsia retal sustenta o diagnóstico de doença de Hirschsprung? Gabarito: Ausência de células ganglionares no plexo entérico, geralmente acompanhada de hipertrofia de troncos nervosos.

P3inédita · pré-testeResposta: A

Conceito: Icterícia colestática com fezes acólicas no lactente exige investigação rápida de atresia biliar.
Raciocínio: Fezes esbranquiçadas e bilirrubina direta elevada indicam colestase, não icterícia fisiológica. A atresia biliar é tempo-dependente: o encaminhamento não deve aguardar a evolução espontânea ou novos exames tardios.
Por que as outras estão erradas:
  • B: Errado: esperar pode atrasar o diagnóstico e a avaliação de uma causa cirúrgica tratável.
  • C: Errado: interromper o aleitamento não esclarece a colestase e pode prejudicar a alimentação.
  • D: Errado: não há base para antiviral empírico, e postergar a investigação é inadequado.
Pegadinha: Confundir bilirrubina direta elevada com a icterícia fisiológica ou associada ao leite materno.
Base: Recomendações NASPGHAN/ESPGHAN para avaliação de icterícia colestática em lactentes.
Questão irmã: Em um lactente ictérico, qual achado nas fezes deve motivar investigação urgente de colestase? Gabarito: Fezes acólicas ou persistentemente muito claras.

F1inéditaResposta: A

Conceito: A investigação sorológica inicial da doença celíaca combina antitransglutaminase tecidual IgA e IgA total.
Raciocínio: A criança continua consumindo glúten, condição necessária para que a sorologia seja interpretável. A dosagem de IgA total identifica deficiência de IgA, situação em que se deve recorrer a testes baseados em IgG.
Por que as outras estão erradas:
  • B: Errado: antigliadina isolada não é o teste inicial preferido, e retirar glúten antes da investigação pode falsear os resultados.
  • C: Errado: esses autoanticorpos são usados na investigação de hepatite autoimune, não de doença celíaca.
  • D: Errado: IgE para trigo avalia alergia mediada por IgE, não doença celíaca.
Pegadinha: Iniciar dieta sem glúten antes de concluir a investigação diagnóstica.
Base: Diretriz ESPGHAN para diagnóstico de doença celíaca.
Questão irmã: Uma criança com suspeita de doença celíaca tem deficiência de IgA. Que classe de anticorpos deve orientar a sorologia? Gabarito: Testes sorológicos baseados em IgG, como antitransglutaminase IgG ou peptídeos de gliadina deamidada IgG.

F2inéditaResposta: B

Conceito: Dietas veganas estritas precisam garantir uma fonte confiável de vitamina B12, por suplementação ou alimentos fortificados adequados.
Raciocínio: A vitamina B12 não está disponível em quantidade confiável nos alimentos vegetais não fortificados. A macrocitose e a ausência de suplementação aumentam a suspeita de deficiência; é necessário avaliar e corrigir a deficiência sem demora.
Por que as outras estão erradas:
  • A: Errado: a vitamina C pode ser obtida em frutas e vegetais e não é o nutriente específico em risco nessa dieta.
  • C: Errado: vitamina K não é a deficiência nutricional característica de uma dieta vegana sem suplementação.
  • D: Errado: vitamina E não é o nutriente cuja fonte confiável deve ser assegurada de rotina nessa situação.
Pegadinha: Supor que uma dieta baseada em vegetais fornece automaticamente todos os micronutrientes necessários.
Base: Ministério da Saúde, Guia Alimentar para Crianças Brasileiras Menores de 2 Anos; recomendações de nutrição pediátrica para dietas vegetarianas estritas.
Questão irmã: Qual nutriente deve ser assegurado por suplementação ou alimentos fortificados em uma criança com dieta vegana estrita? Gabarito: Vitamina B12.

F3inéditaResposta: C

Conceito: A esofagite eosinofílica exige sintomas de disfunção esofágica e confirmação histológica em biópsias do esôfago.
Raciocínio: Disfagia e impactação alimentar são manifestações típicas em adolescentes; anéis endoscópicos reforçam a suspeita. A confirmação requer biópsias esofágicas com infiltrado compatível, no contexto clínico adequado.
Por que as outras estão erradas:
  • A: Errado: eosinofilia periférica pode estar ausente e não confirma a doença.
  • B: Errado: gastrite por H. pylori não explica nem confirma a inflamação eosinofílica esofágica.
  • D: Errado: refluxo em exame contrastado não estabelece o diagnóstico histológico.
Pegadinha: Usar o aspecto endoscópico ou eosinofilia no sangue como substituto da biópsia esofágica.
Base: Diretriz do American College of Gastroenterology para esofagite eosinofílica.
Questão irmã: Qual é o exame necessário para confirmar suspeita de esofagite eosinofílica? Gabarito: Endoscopia digestiva alta com biópsias esofágicas para avaliação histológica.

F4inéditaResposta: C

Conceito: Na suspeita de infecção por bactéria produtora de toxina Shiga, deve-se evitar antimicrobianos e antiperistálticos e priorizar hidratação e vigilância clínica.
Raciocínio: Diarreia sanguinolenta, cólicas importantes e exposição a carne malpassada sugerem essa infecção. Antimicrobianos podem aumentar o risco de síndrome hemolítico-urêmica em alguns casos; a hidratação e o acompanhamento são essenciais.
Por que as outras estão erradas:
  • A: Errado: antiperistálticos podem piorar a evolução de diarreia inflamatória e não devem ser usados nessa suspeita.
  • B: Errado: antibiótico empírico não é indicado automaticamente; a possibilidade de bactéria produtora de toxina Shiga exige cautela.
  • D: Errado: corticoide não trata a causa provável e pode trazer riscos.
Pegadinha: Tratar toda disenteria com antibiótico antes de considerar a hipótese de toxina Shiga.
Base: IDSA, diretriz para diagnóstico e manejo de diarreia infecciosa.
Questão irmã: Criança com diarreia sanguinolenta após ingestão de carne malpassada está estável. Deve-se iniciar loperamida? Gabarito: Não. Evitar antiperistálticos; manter hidratação e investigar a causa.

F5inéditaResposta: B

Conceito: Na desnutrição aguda grave complicada, a estabilização começa com alimentação cautelosa, frequente e de menor densidade energética, como F-75.
Raciocínio: Letargia, edema bilateral e recusa alimentar indicam quadro complicado que requer internação. Na fase inicial, a criança tem baixa tolerância metabólica; deve-se estabilizar e monitorar antes de avançar para a reabilitação nutricional.
Por que as outras estão erradas:
  • A: Errado: oferta livre de alta densidade aumenta o risco de intolerância e complicações metabólicas.
  • C: Errado: F-100 é usada na fase de reabilitação, após estabilização; a vigilância clínica e metabólica continua necessária.
  • D: Errado: o jejum agrava o catabolismo e não é indicado como estratégia para reduzir o edema.
Pegadinha: Confundir a fase de estabilização com a fase posterior de recuperação ponderal rápida.
Base: Organização Mundial da Saúde, diretrizes para manejo de crianças com desnutrição aguda grave ou edema nutricional.
Questão irmã: Na fase de reabilitação de uma criança com desnutrição grave já estabilizada, a alimentação deve permanecer restrita à fórmula de estabilização? Gabarito: Não. A alimentação deve avançar para a fase de reabilitação, conforme tolerância e protocolo.

Q1oficialResposta: C

Conceito: Diarreia aquosa após antibióticos, em paciente internado, sugere infecção por Clostridioides difficile; a vancomicina oral trata a infecção no lúmen intestinal.
Raciocínio: O uso recente de antibióticos de amplo espectro e a internação aumentam o risco de C. difficile. A diarreia é intensa e persiste após suspender a clindamicina. Para tratar a infecção, é necessário alcançar concentração no intestino; por isso, a via oral é a adequada. Também se deve avaliar gravidade e hidratação.
Por que as outras estão erradas:
  • A: A alternativa A propõe tratamento sintomático. A racecadotrila não elimina o agente e não substitui o tratamento específico da infecção.
  • B: A alternativa B usa ceftriaxona, antibiótico que não trata C. difficile e pode agravar a disbiose intestinal.
  • D: A alternativa D usa metronidazol intravenoso. Essa via não é o tratamento específico de escolha para colite por C. difficile sem íleo; em quadros fulminantes, o metronidazol intravenoso pode ser associado à vancomicina enteral.
Pegadinha: A vancomicina por via intravenosa não atinge concentração terapêutica adequada no lúmen intestinal; neste caso, a via correta é oral.
Base: Diretrizes de manejo da infecção por Clostridioides difficile da IDSA/SHEA; diretrizes pediátricas de gastroenterologia e infectologia.
Questão irmã: Criança internada após antibioticoterapia apresenta diarreia aquosa persistente e teste positivo para C. difficile. Qual via de administração da vancomicina é indicada para tratar a colite? Gabarito: Via oral.

Fonte: Residência Unicamp (2026) — prova em comvest.unicamp.br

Q2oficialResposta: B

Conceito: Regurgitação em lactente que cresce bem e não apresenta sinais de alarme é, em geral, refluxo gastroesofágico fisiológico.
Raciocínio: A regurgitação ocorre após as mamadas, mas o exame é normal e o ganho ponderal é adequado. Esses achados favorecem refluxo fisiológico, não doença do refluxo. A conduta é tranquilizar e orientar a família, mantendo o sono em decúbito dorsal e evitando medidas posturais inseguras.
Por que as outras estão erradas:
  • A: A alternativa A atribui fezes líquidas e regurgitação a intolerância à lactose sem elementos que sustentem esse diagnóstico. Excluir leite da dieta materna não é a conduta indicada.
  • C: A alternativa C diagnostica doença do refluxo sem complicações ou prejuízo ao crescimento. Procinéticos e antiácidos não são indicados de rotina para regurgitação fisiológica.
  • D: A alternativa D propõe investigação de estenose hipertrófica do piloro, que costuma causar vômitos progressivos, não biliosos e em jato, e não simples regurgitações em lactente que ganha peso adequadamente.
Pegadinha: A frequência das regurgitações, sozinha, não define doença. O que pesa são complicações, sinais de alarme ou prejuízo ao crescimento.
Base: Diretrizes NASPGHAN/ESPGHAN para refluxo gastroesofágico pediátrico; recomendações de sono seguro para lactentes da Sociedade Brasileira de Pediatria.
Questão irmã: Lactente de 2 meses regurgita após as mamadas, está bem ao exame e ganha peso adequadamente. Qual é a conduta inicial? Gabarito: Reassurance e orientações, mantendo sono em decúbito dorsal.

Fonte: Residência USP (Fuvest) (2026) — prova em fuvest.br

Q3oficialResposta: B

Conceito: A infecção aguda pelo vírus Epstein-Barr pode causar hepatite com aumento de transaminases e é investigada pela sorologia IgM anti-VCA.
Raciocínio: O quadro tem padrão de hepatite aguda, mas não há coagulopatia que sugira insuficiência hepática aguda. Entre as opções, a sorologia IgM anti-VCA é uma investigação direta para infecção aguda por EBV. O contexto clínico e outros exames ajudam a interpretar o resultado.
Por que as outras estão erradas:
  • A: A alternativa A sugere doença de Wilson, que deve ser considerada em hepatite aguda, sobretudo se houver hemólise ou insuficiência hepática. Ceruloplasmina baixa e anel de Kayser-Fleischer, isoladamente, não confirmam todos os casos.
  • C: A alternativa C cita autoanticorpos que apoiam hepatite autoimune, mas sua positividade isolada não confirma o diagnóstico; é preciso integrar imunoglobulinas, histologia e exclusão de outras causas.
  • D: A alternativa D não é adequada: história de uso de paracetamol e concentração sérica do fármaco são relevantes, enquanto aumento isolado de GGT não confirma hepatite medicamentosa.
  • E: A alternativa E exige compatibilidade epidemiológica e clínica. Exposição à água contaminada e IgM anti-Leptospira apoiam leptospirose, mas não são os dados apresentados que tornam essa a hipótese indicada pela questão.
Pegadinha: Transaminases muito elevadas não identificam sozinhas a causa da hepatite. A sorologia precisa ser escolhida conforme a hipótese clínica.
Base: Recomendações de diagnóstico de infecção pelo vírus Epstein-Barr; diretrizes de avaliação de hepatite aguda pediátrica.
Questão irmã: Criança com febre, linfadenopatia e hepatite aguda tem suspeita de infecção recente por EBV. Qual marcador sorológico é mais útil? Gabarito: IgM anti-VCA.

Fonte: Residência SUS-SP (2026) — prova em documento.vunesp.com.br

Q4oficialResposta: D

Conceito: Anemia microcítica em lactente com baixa oferta alimentar de ferro sugere anemia ferropriva e requer ferro oral e orientação dietética.
Raciocínio: A hemoglobina está reduzida e o VCM e a HCM são baixos. A alimentação complementar descrita oferece pouco ferro, o que reforça a hipótese. Sem instabilidade ou sinais de gravidade que indiquem transfusão, a conduta é iniciar ferro oral, orientar fontes alimentares de ferro e acompanhar a resposta.
Por que as outras estão erradas:
  • A: A alternativa A investiga deficiências que costumam causar anemia macrocítica, não microcitose.
  • B: A alternativa B propõe transfusão sem indicação clínica descrita. A anemia ferropriva estável é tratada com reposição de ferro e correção da dieta.
  • C: A alternativa C prioriza hemoglobinopatia sem considerar a microcitose associada a uma dieta pobre em ferro. A investigação pode ser necessária se a resposta ao tratamento for inadequada ou houver outros indícios.
Pegadinha: A hemoglobina baixa não indica, por si só, transfusão. A morfologia do hemograma e a estabilidade clínica orientam a conduta.
Base: Recomendações do Ministério da Saúde e da Sociedade Brasileira de Pediatria para prevenção e tratamento da deficiência de ferro na infância.
Questão irmã: Lactente com anemia microcítica, dieta pobre em ferro e estabilidade clínica deve receber qual tratamento inicial? Gabarito: Ferro oral associado a orientação alimentar e seguimento.

Fonte: Residência FAMEMA (2026) — prova em documento.vunesp.com.br

Q5oficialResposta: A

Conceito: Em criança com cirrose, ascite volumosa e hiponatremia, a albumina pode ser usada para melhorar o volume arterial efetivo, conforme a avaliação hemodinâmica.
Raciocínio: A cirrose avançada e a ascite favorecem redução do volume arterial efetivo, mesmo com excesso de líquido corporal. A albumina expande o compartimento intravascular e é a opção indicada pelo gabarito. Na prova, os exames do mesmo caso mostravam sódio de 108 mEq/L, sem convulsão ou coma descritos: hiponatremia hipervolêmica dilucional da cirrose. A correção deve ser lenta, e a solução hipertônica fica reservada a sintomas neurológicos graves.
Por que as outras estão erradas:
  • B: A alternativa B propõe solução hipertônica por via enteral e uma prescrição inadequada. A escolha e a velocidade de correção dependem da gravidade e dos sintomas.
  • C: A alternativa C propõe correção intravenosa com solução hipertônica sem que o enunciado descreva indicação para correção ativa. A restrição da velocidade não torna apropriada uma intervenção sem indicação.
  • D: A alternativa D propõe correção rápida com solução hipertônica, que pode causar lesão neurológica por correção excessiva do sódio.
Pegadinha: Ascite não significa que o volume arterial efetivo esteja adequado. Também não se deve tratar toda hiponatremia cirrótica com solução hipertônica.
Base: Recomendações de manejo da ascite e da hiponatremia na cirrose; diretrizes de hepatologia pediátrica.
Questão irmã: Criança com cirrose descompensada e ascite apresenta hiponatremia sem convulsões ou coma. Deve-se corrigir o sódio rapidamente com solução hipertônica? Gabarito: Não. Avalia-se o estado volêmico e a causa; evita-se correção rápida, e albumina pode ser considerada conforme o contexto clínico.

Fonte: Residência USP (Fuvest) (2026) — prova em fuvest.br

Q6oficialResposta: C

Conceito: A classificação nutricional deve considerar índices antropométricos apropriados à idade e a ingestão e segurança da alimentação, não apenas o peso para idade.
Raciocínio: A criança tem peso para estatura de -1,62 e IMC para idade de -1,18, sem critério antropométrico de magreza. A estatura para idade está muito baixa, mas isso não basta para diagnosticar desnutrição aguda nem indica gastrostomia. Como recebe alimentação oral adaptada sem dificuldades descritas, a conduta é mantê-la e acompanhar crescimento e velocidade de crescimento.
Por que as outras estão erradas:
  • A: A alternativa A confunde baixa estatura, compatível com comprometimento crônico do crescimento, com classificação nutricional atual de desnutrição. Nascer pequeno para a idade gestacional não define, por si só, o estado nutricional aos 3 anos.
  • B: A alternativa B indica gastrostomia com base apenas no diagnóstico de desnutrição. A decisão depende de segurança da deglutição, adequação da ingestão e capacidade de atingir as necessidades por via oral.
  • D: A alternativa D interpreta peso para idade baixo como desnutrição aguda e indica sonda sem considerar peso para estatura, IMC, exame clínico e segurança alimentar.
Pegadinha: Peso para idade baixo não diferencia baixa estatura de emagrecimento. Para desnutrição aguda, observe sobretudo peso para estatura ou IMC para idade.
Base: Padrões de crescimento infantil da Organização Mundial da Saúde; recomendações de avaliação nutricional pediátrica da Sociedade Brasileira de Pediatria.
Questão irmã: Criança com paralisia cerebral tem baixa estatura, mas IMC para idade e peso para estatura acima de -2 escores-z e alimentação oral segura. Qual é a conduta? Gabarito: Manter a via oral e acompanhar crescimento, ingestão e segurança alimentar.

Fonte: Residência USP (Fuvest) (2026) — prova em fuvest.br

10.8 Revisão relâmpago e mapa de revisão

  • Plano A é domiciliar; Plano B usa SRO supervisionada; Plano C trata desidratação grave ou choque.
  • Diarreia por Clostridioides difficile pode exigir vancomicina oral, não intravenosa.
  • Lactente que regurgita e cresce bem geralmente tem refluxo fisiológico.
  • A posição supina continua recomendada para o sono do bebê com refluxo.
  • Atraso na eliminação do mecônio e distensão sugerem doença de Hirschsprung; confirme com biópsia retal.
  • Investigue doença celíaca enquanto a criança consome glúten.
  • Sangue nas fezes, perda de peso e inflamação favorecem DII e exigem investigação endoscópica.
  • Icterícia com colúria e fezes hipocólicas no lactente exige avaliação urgente de colestase.
  • Anemia microcítica com baixa oferta alimentar de ferro costuma ser tratada com ferro oral e orientação dietética.
  • Na desnutrição grave, estabilize antes de avançar a reabilitação nutricional.

Mapa de revisão

Reveja este capítulo em 1, 7 e 30 dias.

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