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1 Neonatologia — parte 1 de 2

Temas do conteúdo programático:

  • 1. Assistência ao recém-nascido na sala de parto: preparo e antecipação de risco; clampeamento do cordão; passos iniciais e minuto de ouro; ventilação com pressão positiva, intubação, massagem cardíaca e adrenalina; reanimação do prematuro e cuidados pós-reanimação; asfixia perinatal e hipotermia terapêutica
  • 2. Recém-nascido normal e alojamento conjunto: exame físico e classificação por idade gestacional e peso (PIG, AIG, GIG); triagens neonatais (pezinho, olhinho, orelhinha, coraçãozinho, linguinha); profilaxias ao nascer; achados benignos da pele e malformações frequentes; critérios de alta
  • 3. Icterícia neonatal: metabolismo da bilirrubina; icterícia fisiológica e do aleitamento; doença hemolítica por incompatibilidade Rh e ABO; indicação de fototerapia e exsanguineotransfusão pelas curvas; colestase neonatal e atresia biliar
  • 4. Prematuridade: doença da membrana hialina e surfactante; persistência do canal arterial; enterocolite necrosante; hemorragia peri-intraventricular e leucomalácia; displasia broncopulmonar; retinopatia da prematuridade; apneia da prematuridade; nutrição enteral e parenteral do prematuro e crescimento compensatório

1.1 Pré-teste

Responda antes de ler a teoria. O gabarito está no fim do capítulo.

P1inédita

A termo, um recém-nascido nasce apneico e hipotônico. Após aquecimento, posicionamento da cabeça e secagem, continua sem respirar; a frequência cardíaca é de 80 bpm. Qual é a próxima medida?

  1. A)Aspirar rotineiramente boca e narinas antes de qualquer outra intervenção.
  2. B)Iniciar ventilação com pressão positiva, sem atrasar a intervenção para realizar aspiração de rotina.
  3. C)Iniciar compressões torácicas, pois a frequência cardíaca está abaixo de 100 bpm.
  4. D)Observar por mais um minuto, pois a frequência cardíaca ainda é detectável.

P2inédita

Um lactente de 3 semanas apresenta icterícia persistente, urina escura e fezes esbranquiçadas. A bilirrubina total é 5,2 mg/dL e a direta, 1,4 mg/dL. Qual é a conduta mais apropriada?

  1. A)Manter observação, pois a bilirrubina total é baixa.
  2. B)Suspender o aleitamento materno e repetir a bilirrubina em uma semana.
  3. C)Investigar prontamente colestase neonatal e encaminhar para avaliação especializada.
  4. D)Iniciar fototerapia, pois a bilirrubina direta elevada responde a esse tratamento.

P3inédita

Um recém-nascido de 39 semanas tem peso ao nascer no percentil 7 para idade gestacional e sexo, segundo a curva adotada pelo serviço. Como deve ser classificado quanto ao peso para a idade gestacional?

  1. A)Pequeno para a idade gestacional (PIG).
  2. B)Adequado para a idade gestacional (AIG).
  3. C)Grande para a idade gestacional (GIG).
  4. D)Prematuro tardio.

1.2 O que cai

  • 1. Assistência ao recém-nascido na sala de parto: preparo e antecipação de risco; clampeamento do cordão; passos iniciais e minuto de ouro; ventilação com pressão positiva, intubação, massagem cardíaca e adrenalina; reanimação do prematuro e cuidados pós-reanimação; asfixia perinatal e hipotermia terapêutica: 88 questões de provas anteriores, 2017–2026
  • 2. Recém-nascido normal e alojamento conjunto: exame físico e classificação por idade gestacional e peso (PIG, AIG, GIG); triagens neonatais (pezinho, olhinho, orelhinha, coraçãozinho, linguinha); profilaxias ao nascer; achados benignos da pele e malformações frequentes; critérios de alta: 54 questões de provas anteriores, 2017–2026
  • 3. Icterícia neonatal: metabolismo da bilirrubina; icterícia fisiológica e do aleitamento; doença hemolítica por incompatibilidade Rh e ABO; indicação de fototerapia e exsanguineotransfusão pelas curvas; colestase neonatal e atresia biliar: 52 questões de provas anteriores, 2018–2026
  • 4. Prematuridade: doença da membrana hialina e surfactante; persistência do canal arterial; enterocolite necrosante; hemorragia peri-intraventricular e leucomalácia; displasia broncopulmonar; retinopatia da prematuridade; apneia da prematuridade; nutrição enteral e parenteral do prematuro e crescimento compensatório: 37 questões de provas anteriores, 2018–2026

1.3 Teoria

A neonatologia cobra decisões rápidas, mas também a capacidade de distinguir adaptação normal de doença que exige intervenção. Priorize os critérios que mudam a conduta: idade em horas, idade gestacional, gravidade clínica e resultado das triagens.

1.3.1 Assistência ao recém-nascido na sala de parto

Antes do parto, identifique fatores de risco, defina funções da equipe e teste o material. Se o RN tem boa vitalidade, retarde o clampeamento do cordão: pelo menos 60 segundos no RN com 34 semanas ou mais e pelo menos 30 segundos abaixo de 34 semanas (SBP/Febrasgo, 2022). Se o RN precisa de reanimação, clampeie imediatamente e priorize a ventilação. Mantenha temperatura entre 36,5 °C e 37,5 °C. Se o RN não respira ou apresenta respiração irregular, ou se a frequência cardíaca (FC) é menor que 100 bpm, inicie ventilação com pressão positiva (VPP) até o primeiro minuto. A elevação da FC é o melhor sinal de ventilação eficaz. Corrija vedação, posição da cabeça e obstrução antes de avançar para via aérea alternativa.

Se a FC permanece abaixo de 60 bpm após pelo menos 30 segundos de VPP efetiva, com expansão pulmonar, inicie compressões coordenadas à ventilação, na proporção 3:1. Se continuar abaixo de 60 bpm após compressões e ventilação eficazes, administre adrenalina, preferencialmente por acesso venoso umbilical. Não aspire rotineiramente boca, narinas ou traqueia, mesmo com mecônio; aspire apenas se houver obstrução que impeça ventilação. A equipe acompanha FC, respiração e temperatura.

Na encefalopatia hipóxico-isquêmica (EHI), classifique a encefalopatia pelo exame neurológico, não apenas pelo Apgar ou pela gasometria. EHI moderada ou grave pode indicar hipotermia terapêutica, iniciada até 6 horas de vida e mantida em unidade especializada. A elegibilidade depende da idade gestacional, dos critérios bioquímicos e clínicos e do protocolo local. Convulsão não é requisito: letargia, hipotonia e reflexos deprimidos podem indicar EHI moderada. Após reanimação, monitore glicemia, temperatura, ventilação, perfusão e convulsões.

Fontes: Sociedade Brasileira de Pediatria, Programa de Reanimação Neonatal; Protocolo de hipotermia terapêutica neonatal

1.3.2 Recém-nascido normal, alojamento conjunto e triagens

Avalie respiração, perfusão, tônus, alimentação, diurese e eliminações. No exame físico, procure malformações, sopros, pulsos femorais diminuídos, alterações de quadril e sinais de trauma. Classifique a idade gestacional por método clínico quando necessário e cruze idade gestacional com peso ao nascer: PIG abaixo do percentil 10, AIG entre os percentis 10 e 90, e GIG acima do percentil 90. O alojamento conjunto favorece vínculo e aleitamento, com observação da mamada e orientação à família.

Faça as profilaxias recomendadas: vitamina K para prevenir doença hemorrágica; vacina contra hepatite B ao nascer; e profilaxia ocular conforme protocolo local. Se a mãe tem HBsAg positivo, o RN precisa também de imunoglobulina específica, sem atrasar a vacina. O teste do pezinho é coletado idealmente entre o terceiro e o quinto dia, respeitando a janela indicada pelo programa. A triagem neonatal ampliada no SUS está em implementação por etapas. O painel depende da fase local; fenilcetonúria, hipotireoidismo congênito, doença falciforme e outras hemoglobinopatias, fibrose cística, hiperplasia adrenal congênita, deficiência de biotinidase e toxoplasmose congênita estão entre as doenças rastreadas.

Antes da alta, realize reflexo vermelho, triagem auditiva, oximetria de pulso para cardiopatias críticas e avaliação do frênulo lingual. Oximetria alterada exige avaliação, não diagnóstico automático de cardiopatia. Achados como eritema tóxico, mancha mongólica e milia costumam ser benignos. Dê alta quando o RN estiver clinicamente estável, alimentando-se, com plano de seguimento e orientações sobre icterícia, sinais de alerta e retorno.

Fontes: Lei 14.154/2021; Programa Nacional de Triagem Neonatal; Ministério da Saúde, Atenção à Saúde do Recém-Nascido; Calendário Nacional de Vacinação

1.3.3 Icterícia neonatal

A bilirrubina não conjugada resulta da degradação do heme. No RN, sua produção elevada e a conjugação ainda imatura favorecem aumento transitório. Icterícia que começa nas primeiras 24 horas, sobe rapidamente, acompanha anemia ou persiste além do esperado exige investigação. Diferencie hiperbilirrubinemia não conjugada de colestase: bilirrubina direta acima de 1 mg/dL é anormal e precisa de avaliação, mesmo que a bilirrubina total não seja muito alta. Urina escura e fezes claras são sinais de alerta para colestase e atresia biliar; não espere a criança ficar doente para encaminhar.

A decisão sobre fototerapia ou exsanguineotransfusão não usa um valor único de bilirrubina. Use a curva correspondente à idade em horas, à idade gestacional e aos fatores de neurotoxicidade, como hemólise, sepse, instabilidade clínica e albumina baixa. A bilirrubina direta não é subtraída da total para aplicar as curvas. Se a icterícia aparece cedo ou há suspeita de hemólise, avalie tipagem materna e do RN, teste de antiglobulina direta e hemograma, conforme o caso. Incompatibilidade Rh pode causar hemólise grave; incompatibilidade ABO também pode causar doença, inclusive em mãe O e RN A ou B.

Icterícia associada à baixa ingestão decorre de mamadas insuficientes e exige apoio à amamentação. A icterícia do leite materno pode persistir em RN ativo, com bom ganho ponderal e bilirrubina predominantemente indireta. Mantenha aleitamento e acompanhe; não suspenda leite materno de rotina. A fototerapia depende da curva, não apenas da aparência ou de um resultado isolado.

Fontes: American Academy of Pediatrics, Clinical Practice Guideline Revision: Management of Hyperbilirubinemia in the Newborn Infant 35 or More Weeks of Gestation; NASPGHAN, Guideline for the Evaluation of Cholestatic Jaundice in Infants

1.3.4 Prematuridade e principais complicações

O pulmão imaturo, com deficiência de surfactante, causa síndrome do desconforto respiratório. A prevenção começa com corticoide antenatal quando indicado; após o nascimento, CPAP precoce é opção para o RN que respira. Administre surfactante quando houver necessidade respiratória relevante, preferindo técnicas menos invasivas quando disponíveis. A persistência do canal arterial deve ser interpretada pelo impacto hemodinâmico; não se indica tratamento farmacológico apenas porque o canal está aberto ao ecocardiograma.

No prematuro com distensão abdominal, intolerância alimentar, sangue nas fezes ou piora sistêmica, suspeite de enterocolite necrosante. Suspenda a dieta, descomprima o estômago, inicie avaliação e tratamento de suporte e antimicrobianos conforme gravidade. A nutrição parenteral é necessária enquanto o intestino não puder receber dieta enteral suficiente. A classificação de Bell organiza gravidade e auxilia a conduta. Hemorragia peri-intraventricular e leucomalácia exigem vigilância neurológica e ultrassonografia conforme risco e protocolo. Reduza flutuações hemodinâmicas e manipulação desnecessária.

A apneia da prematuridade decorre da imaturidade do controle respiratório; cafeína é tratamento habitual após excluir outras causas. Displasia broncopulmonar reflete lesão pulmonar e necessidade prolongada de suporte. Retinopatia da prematuridade exige rastreamento por critérios de peso, idade gestacional e evolução clínica; não aguarde sintomas visíveis. Prefira leite humano, fortificado quando necessário, e avance a dieta conforme tolerância e protocolo. Acompanhe crescimento com curvas apropriadas e idade corrigida; crescimento compensatório não justifica sobrealimentação.

Fontes: European Consensus Guidelines on the Management of Respiratory Distress Syndrome; Classificação de Bell para enterocolite necrosante; International Classification of Retinopathy of Prematurity

Pegadinha de prova

Apgar não fecha diagnóstico de asfixia

Apgar baixo isolado não define EHI nem indica hipotermia. Integre evento perinatal, gasometria, necessidade de reanimação e exame neurológico. Se a EHI moderada ou grave for provável, avalie elegibilidade sem esperar convulsões.

Atenção

Icterícia: a curva decide

Não use um único valor de bilirrubina para indicar fototerapia. Considere idade em horas, idade gestacional e fatores de neurotoxicidade; reavalie também a velocidade de elevação.

Atenção

Fezes claras exigem investigação

Bilirrubina direta elevada, urina escura ou fezes hipocólicas sugerem colestase. Encaminhe sem demora para investigar atresia biliar e outras causas; não atribua o quadro ao aleitamento materno.

1.4 Exemplo resolvido

RN de 29 semanas, com desconforto respiratório desde o nascimento, está em CPAP. Nas primeiras horas, aumenta a necessidade de oxigênio e a radiografia mostra baixo volume pulmonar com padrão reticulogranular difuso. Qual é a melhor conduta? A) Aspirar a traqueia repetidamente. B) Administrar surfactante por técnica menos invasiva, se disponível. C) Suspender CPAP e observar em ar ambiente. D) Iniciar antibiótico e adiar suporte respiratório.

  1. O prematuro apresenta desconforto precoce e imagem compatível com deficiência de surfactante.
  2. A piora da necessidade de oxigênio apesar do CPAP indica falha do suporte não invasivo isolado.
  3. Não há indicação de aspiração traqueal de rotina; antibiótico não substitui suporte respiratório nem confirma o diagnóstico.
  4. A conduta é administrar surfactante, preferindo técnica menos invasiva quando disponível.

Resposta: B) Administrar surfactante por técnica menos invasiva, se disponível.

1.5 Fixação

Questões inéditas, no estilo das provas de residência.

F1inédita

Um recém-nascido assintomático está sendo submetido à triagem neonatal para cardiopatia congênita crítica. Na primeira medida, a saturação é 98% na mão direita e 94% em um pé. Qual é a conduta adequada?

  1. A)Considerar o teste normal, pois uma das medidas é igual ou superior a 95%.
  2. B)Solicitar ecocardiograma de urgência, sem repetir a oximetria.
  3. C)Repetir a oximetria após uma hora, conforme o protocolo de triagem.
  4. D)Dar alta, pois a diferença entre as medidas é menor que 5 pontos percentuais.

F2inédita

Um recém-nascido de 30 semanas e 1.420 g está clinicamente estável. A equipe planeja a alta da unidade neonatal. Qual medida de seguimento deve ser programada por causa da prematuridade?

  1. A)Rastreamento oftalmológico para retinopatia da prematuridade.
  2. B)Tomografia de crânio de rotina para pesquisar leucomalácia.
  3. C)Eletroencefalograma de rotina para pesquisar apneia da prematuridade.
  4. D)Ecocardiograma seriado para excluir persistência do canal arterial.

F3inédita

Um recém-nascido apresenta icterícia nas primeiras 12 horas de vida. A mãe é do grupo O e o recém-nascido, do grupo A. O teste direto da antiglobulina é positivo. Qual é a explicação mais provável?

  1. A)Icterícia fisiológica por imaturidade hepática.
  2. B)Doença hemolítica por incompatibilidade ABO.
  3. C)Doença hemolítica por incompatibilidade Rh.
  4. D)Icterícia associada ao aleitamento materno.

F4inédita

Um prematuro de 29 semanas, no 9º dia de vida, apresenta distensão abdominal, resíduo gástrico bilioso e sangue nas fezes. A radiografia mostra pneumatoses intestinais. Qual é a conduta inicial mais adequada?

  1. A)Manter a dieta enteral e observar a evolução radiológica.
  2. B)Trocar o leite humano por fórmula hidrolisada e reavaliar em 24 horas.
  3. C)Suspender a dieta, descomprimir o estômago e iniciar tratamento clínico com antibióticos e suporte nutricional parenteral.
  4. D)Oferecer volumes pequenos de leite humano para preservar a barreira intestinal.

F5inédita

Durante a reanimação de um recém-nascido, a frequência cardíaca permanece em 50 bpm após 30 segundos de ventilação com pressão positiva efetiva, com elevação visível do tórax. Qual é o próximo passo?

  1. A)Iniciar compressões torácicas coordenadas com a ventilação.
  2. B)Interromper a ventilação e observar a frequência cardíaca por um minuto.
  3. C)Administrar adrenalina antes de iniciar compressões.
  4. D)Aspirar a traqueia, mesmo sem suspeita de obstrução.

1.6 Questões de provas anteriores

Questões oficiais de provas anteriores, com a fonte.

Q1oficial · Residência SUS-SP 2026

Recém-nascido a termo, 4 dias de vida, sem fatores de risco, com bilirrubina total de 15 mg/dL e bilirrubina direta de 0,6 mg/dL. Está ativo, mamando bem e com bom ganho de peso. Nesse contexto, é correto afirmar que a conduta adequada é

  1. A)iniciar fototerapia intensiva imediatamente.
  2. B)acompanhar clinicamente e repetir bilirrubina total, em 24 horas, mantendo aleitamento materno exclusivo.
  3. C)suspender o aleitamento materno temporariamente e iniciar fórmula infantil.
  4. D)solicitar exsanguineotransfusão urgente.
  5. E)iniciar antibiótico empírico devido à suspeita de sepse neonatal oculta.

Q2oficial · Residência USP (Fuvest) 2026

Recém-nascido com 31 semanas de idade gestacional, apresentou asfixia ao nascimento, mas evoluiu com boa recuperação. Peso ao nascimento de 1.100 g. Estava bem até o 11º dia de vida, quando apresentou distensão abdominal, letargia e diarreia sanguinolenta. Radiografia de abdome mostrava imagem de edema de alças. Deve-se prescrever para este recém-nascido:

  1. A)Leite humano por sonda orogástrica.
  2. B)Hidrolisado protéico por sonda orogástrica.
  3. C)Jejum com soro de manutenção.
  4. D)Nutrição parenteral plena.

Q3oficial · Residência SES-DF 2024

Texto base: Um recém-nascido (RN) de 35 semanas nasceu e não chorou. Foram observados movimentos respiratórios irregulares, tônus muscular flácido e presença de líquido amniótico claro. Que passo seria importante para estabilização desse paciente?

  1. A)Aspirar bocas e narinas.
  2. B)Manter o RN em normotermia (temperatura axilar entre 36,5 ºC e 37,5 ºC).
  3. C)Certificar-se que a temperatura do ambiente está entre 20 º C e 22 ºC.
  4. D)Realizar intubação e aspiração traqueal.

Q4oficial · ENARE (AOCP) 2022

Em relação ao programa de triagem neonatal no Brasil, é correto afirmar que

  1. A)a coleta universal de amostra de sangue deve ser realizada em papel filtro, de todos os recém-nascidos entre o segundo e o quarto dia de vida.
  2. B)as doenças mais bem estudadas e que preenchem todos os critérios para a triagem são a fenilcetonúria e a fibrose cística.
  3. C)o rastreamento neonatal para fibrose cística é o que apresenta o menor índice de falso-positivo (pela dosagem de tripsina imunorreativa), em torno de 1 a 2%.
  4. D)fazem parte do teste básico da triagem neonatal: hipotireoidismo congênito e hiperplasia adrenal congênita.
  5. E)existem ampliações do teste básico, oferecidas na rede privada, que aumentam as doenças investigadas, como a galactosemia e a deficiência da biotinidase, não contempladas no teste básico.

Q5oficial · Residência Unicamp 2026

Menino, 40d, mantém icterícia leve em acompanhamento ambulatorial. Está em aleitamento materno exclusivo, com ganho ponderal adequado, e mãe nega outras queixas. Apresenta diurese clara (oito fraldas/dia) e evacuações semipastosas coradas três vezes ao dia. Parto vaginal, sem intercorrências, idade gestacional 37semanas e 1dia, adequado para idade gestacional, Apgar 8 e 9. Exame físico sem alterações. Exames laboratoriais: bilirrubina total=4,29mg/dL, bilirrubina direta=0,40mg/dL e bilirrubina indireta=3,89mg/dL; tipagem sanguínea materna O Rh positivo e lactente O Rh positivo; reticulócitos, atividade enzimática da G6PD, TSH e T4 livre dentro da faixa de normalidade. A CONDUTA É:

  1. A)Suspender o aleitamento materno e iniciar fórmula por 48 horas para avaliar queda da bilirrubina.
  2. B)Encaminhar ao gastropediatra para investigação de colestase.
  3. C)Manter aleitamento materno, orientar acompanhamento ambulatorial e conduta expectante.
  4. D)Encaminhar ao geneticista para aconselhamento e contraindicar uso de dipirona, nitrofurantoína e medicamentos à base de sulfa.

Q6oficial · Residência SUS-SP 2026

Recém-nascido a termo, de 10 dias, sem sintomas, retorna à unidade básica de saúde para nova coleta do teste do pezinho, pois a primeira foi realizada ainda na maternidade, com 24 horas de vida. Os pais estão apreensivos e questionam o motivo da repetição e, também, quais doenças o exame realmente detecta do Programa Nacional de Triagem Neonatal (PNTN), em sua fase atual. Assinale a alternativa que descreve corretamente o motivo da nova coleta e o propósito do exame.

  1. A)A coleta precoce pode gerar resultados falsamente elevados de TSH e 17-OH-progesterona; o exame tem como finalidade diagnosticar doenças genéticas não tratáveis, como fibrose cística e AME.
  2. B)A coleta deve ser feita, nas primeiras 24 horas de vida, para evitar perda de casos graves de hipotireoidismo congênito; o teste identifica exclusivamente doenças metabólicas hereditárias.
  3. C)A coleta, antes de 48 horas de vida, pode gerar falsos negativos para doenças metabólicas e endócrinas, devendo-se repetir a amostra entre o 3º e o 5º dia de vida.
  4. D)O teste tem caráter confirmatório e deve ser repetido em todos os recém-nascidos a termo; seu objetivo é rastrear infecções neonatais adquiridas no parto e imunodeficiências graves.
  5. E)A coleta precoce altera apenas os níveis de aminoácidos plasmáticos, mas não interfere no diagnóstico de hipotireoidismo congênito; o exame tem foco em triagem de doenças infecciosas e genéticas raras.

Q7oficial · Residência Unicamp 2025

Recém-nascido de 39 semanas de idade gestacional, Peso=3300g, 30 horas de vida. Parto domiciliar, com clampeamento de cordão realizado por enfermeiro do SAMU com 15 minutos de vida. Aleitamento materno exclusivo em livre demanda, apresenta perda de peso de 4%, com diurese adequada. Exame físico: icterícia zona IV de Kramer; Abdome sem visceromegalias. Tipagem materna: A Rh negativo, Coombs indireto negativo. Tipagem sanguínea do RN: A Rh positivo, Coombs direto negativo. Biliirrubina total=15,5mg/dL, bilirrubina direta=0,6mg/dL. Hematócrito=68%, Hemoglobina=22g/dL. Contagem de reticulócitos=normal. A HIPERBILIRRUBINEMIA NESSE CASO É:

  1. A)Secundária à policitemia.
  2. B)Considerada fisiológica.
  3. C)Secundária ao leite materno.
  4. D)Devido à Incompatibilidade Rh.

Q8oficial · Residência Unicamp 2026

Menina, 10d, idade gestacional corrigida de 29 semanas, apresenta canal arterial pérvio com repercussão clínica confirmada por ecocardiograma. CONSIDERANDO A FISIOPATOLOGIA DA LESÃO, OS SEGUINTES TRATAMENTOS PODEM SER CONSIDERADOS, EXCETO:

  1. A)Propranolol.
  2. B)Furosemide.
  3. C)Ibuprofeno.
  4. D)Paracetamol.

1.7 Gabarito comentado

P1inédita · pré-testeResposta: B

Conceito: Apneia ou respiração ineficaz e frequência cardíaca abaixo de 100 bpm indicam ventilação com pressão positiva.
Raciocínio: O recém-nascido permanece apneico após os passos iniciais e tem frequência cardíaca de 80 bpm. A ventilação é a intervenção prioritária e deve começar sem demora.
Por que as outras estão erradas:
  • A: Errado: não se recomenda aspiração rotineira; ela pode atrasar a ventilação.
  • C: Errado: compressões são indicadas quando a frequência cardíaca permanece abaixo de 60 bpm após ventilação efetiva.
  • D: Errado: esperar aumenta o atraso para a intervenção que mais frequentemente corrige a bradicardia neonatal.
Pegadinha: A frequência cardíaca abaixo de 100 bpm indica ventilação, não compressões. A compressão depende de frequência abaixo de 60 bpm apesar de ventilação efetiva.
Base: Diretrizes do Programa de Reanimação Neonatal da Sociedade Brasileira de Pediatria.
Questão irmã: Após os passos iniciais, um recém-nascido respira em gasping e apresenta frequência cardíaca de 90 bpm. Qual é a intervenção prioritária? Gabarito: Iniciar ventilação com pressão positiva.

P2inédita · pré-testeResposta: C

Conceito: Bilirrubina direta acima de 1 mg/dL é anormal e, com acolia e colúria, exige investigação de colestase.
Raciocínio: A bilirrubina direta é de 1,4 mg/dL. Fezes esbranquiçadas e urina escura reforçam colestase e levantam a possibilidade de obstrução biliar, que precisa de avaliação sem demora.
Por que as outras estão erradas:
  • A: Errado: a bilirrubina direta elevada não deve ser desconsiderada por causa da bilirrubina total.
  • B: Errado: suspender o aleitamento não trata colestase e pode atrasar o diagnóstico.
  • D: Errado: fototerapia trata hiperbilirrubinemia indireta, não a causa da bilirrubina direta elevada.
Pegadinha: Não é necessário que a bilirrubina direta represente uma fração específica da total para ser considerada anormal.
Base: Recomendações da NASPGHAN/ESPGHAN para avaliação de icterícia colestática em lactentes.
Questão irmã: Um lactente ictérico apresenta bilirrubina direta de 1,2 mg/dL e fezes hipocólicas. Qual síndrome deve ser investigada? Gabarito: Colestase neonatal.

P3inédita · pré-testeResposta: A

Conceito: PIG é o recém-nascido com peso abaixo do percentil 10 para idade gestacional e sexo.
Raciocínio: O peso está no percentil 7. Portanto, está abaixo do limite usado para classificar o recém-nascido como PIG.
Por que as outras estão erradas:
  • B: Errado: AIG corresponde, em geral, a peso entre os percentis 10 e 90.
  • C: Errado: GIG corresponde a peso acima do percentil 90.
  • D: Errado: prematuridade depende da idade gestacional ao nascer, não do percentil de peso; com 39 semanas, o recém-nascido é a termo.
Pegadinha: PIG não é sinônimo de prematuro nem depende de um peso fixo em gramas. A classificação usa a idade gestacional e a curva de crescimento.
Base: Classificação do recém-nascido segundo peso ao nascer e idade gestacional, conforme curvas de crescimento neonatal adotadas pelo serviço.
Questão irmã: Um recém-nascido a termo está no percentil 94 de peso para idade gestacional e sexo. Como é classificado? Gabarito: Grande para a idade gestacional (GIG).

F1inéditaResposta: C

Conceito: A triagem positiva ou intermediária por oximetria exige repetição conforme o protocolo antes de definir a necessidade de investigação complementar.
Raciocínio: Uma medida está abaixo de 95%, embora a diferença entre os membros seja inferior a 3 pontos percentuais. Em uma primeira avaliação sem saturação abaixo de 90%, deve-se repetir a oximetria no intervalo previsto pelo protocolo.
Por que as outras estão erradas:
  • A: Errado: ambas as medidas precisam atender aos critérios de normalidade; uma saturação de 94% não permite considerar o teste normal.
  • B: Errado: uma primeira medida intermediária, sem valor abaixo de 90%, deve ser repetida antes de concluir pela necessidade de ecocardiograma.
  • D: Errado: a diferença pequena não anula uma saturação abaixo de 95% em um dos membros.
Pegadinha: Não basta uma das medidas ser normal. O protocolo avalia as saturações da mão direita e de um pé.
Base: Protocolo do Ministério da Saúde para triagem neonatal de cardiopatias congênitas críticas — teste do coraçãozinho.
Questão irmã: Na primeira triagem, as saturações são 96% na mão direita e 97% no pé. Como interpretar o resultado? Gabarito: Resultado compatível com triagem normal, pois ambas as medidas são iguais ou superiores a 95% e a diferença é menor que 3 pontos percentuais.

F2inéditaResposta: A

Conceito: A idade gestacional e o baixo peso ao nascer podem indicar rastreamento oftalmológico para retinopatia da prematuridade.
Raciocínio: O recém-nascido nasceu antes de 32 semanas e pesou menos de 1.500 g. Ele preenche critérios usados para indicar avaliação oftalmológica programada, mesmo sem sintomas oculares.
Por que as outras estão erradas:
  • B: Errado: tomografia de rotina não é o exame de rastreamento indicado para todos os prematuros nessas condições.
  • C: Errado: eletroencefalograma não é exame de rastreamento para apneia da prematuridade.
  • D: Errado: ecocardiograma seriado não é indicado apenas pelo antecedente de prematuridade; a avaliação depende de suspeita clínica ou indicação específica.
Pegadinha: A retinopatia pode ser assintomática no início. O rastreamento é programado por critérios de risco, não pela presença de alterações visíveis.
Base: Diretrizes brasileiras para rastreamento e tratamento da retinopatia da prematuridade.
Questão irmã: Um prematuro de 31 semanas e 1.300 g está estável e sem sinais oculares. Que rastreamento específico deve ser previsto? Gabarito: Avaliação oftalmológica para retinopatia da prematuridade.

F3inéditaResposta: B

Conceito: Incompatibilidade ABO entre mãe do grupo O e recém-nascido A ou B pode causar hemólise e icterícia precoce.
Raciocínio: A icterícia surgiu nas primeiras 24 horas, o recém-nascido tem grupo A e a mãe, grupo O. O teste direto da antiglobulina positivo sustenta hemólise imune. O enunciado não descreve mãe Rh negativo com RN Rh positivo; a incompatibilidade ABO (mãe O, RN A) com teste direto positivo já explica a hemólise.
Por que as outras estão erradas:
  • A: Errado: icterícia fisiológica não costuma surgir nas primeiras 24 horas e não explica teste direto da antiglobulina positivo.
  • C: Errado: o enunciado não descreve mãe Rh negativo com RN Rh positivo, e a incompatibilidade ABO já explica a hemólise com teste direto positivo.
  • D: Errado: icterícia associada ao aleitamento não explica hemólise imune nem o teste positivo.
Pegadinha: A incompatibilidade ABO pode ocorrer mesmo sem incompatibilidade Rh. O aparecimento da icterícia nas primeiras 24 horas é um sinal de alerta.
Base: Recomendações da Sociedade Brasileira de Pediatria para avaliação e manejo da hiperbilirrubinemia neonatal.
Questão irmã: Mãe do grupo O tem recém-nascido do grupo B, com icterícia no primeiro dia e teste direto da antiglobulina positivo. Qual diagnóstico é mais provável? Gabarito: Doença hemolítica por incompatibilidade ABO.

F4inéditaResposta: C

Conceito: Pneumatose intestinal em prematuro com sinais gastrointestinais sugere enterocolite necrosante e requer suspensão da dieta e tratamento clínico.
Raciocínio: O quadro e a radiografia são compatíveis com enterocolite necrosante. A conduta inicial inclui jejum, descompressão gástrica, antibióticos e suporte nutricional parenteral, além de monitoramento clínico e radiológico.
Por que as outras estão erradas:
  • A: Errado: manter a dieta pode agravar a lesão intestinal durante a fase aguda.
  • B: Errado: trocar o tipo de leite não trata a enterocolite necrosante estabelecida.
  • D: Errado: mesmo o leite humano deve ser suspenso durante o manejo inicial da doença aguda.
Pegadinha: O leite humano tem papel importante na prevenção, mas não se mantém a alimentação enteral diante de enterocolite necrosante aguda com pneumatoses.
Base: Protocolos de manejo neonatal da enterocolite necrosante.
Questão irmã: Um prematuro com pneumatoses intestinais e distensão abdominal está em dieta por sonda. Qual é a primeira medida nutricional? Gabarito: Suspender a dieta enteral e instituir suporte nutricional parenteral.

F5inéditaResposta: A

Conceito: Frequência cardíaca abaixo de 60 bpm após ventilação efetiva indica início de compressões torácicas coordenadas com a ventilação.
Raciocínio: A ventilação foi efetiva e já foi realizada por 30 segundos, mas a frequência cardíaca continua em 50 bpm. A próxima etapa é iniciar compressões torácicas e manter ventilação adequada.
Por que as outras estão erradas:
  • B: Errado: não se deve interromper a ventilação nem aguardar diante de bradicardia grave persistente.
  • C: Errado: a adrenalina é considerada se a frequência cardíaca continuar abaixo de 60 bpm após compressões e ventilação coordenadas.
  • D: Errado: aspiração traqueal não é rotina e não substitui compressões quando a ventilação é efetiva.
Pegadinha: As compressões só vêm depois de confirmar ventilação efetiva. A frequência cardíaca isolada, antes dessa confirmação, não basta para avançar a etapa.
Base: Diretrizes do Programa de Reanimação Neonatal da Sociedade Brasileira de Pediatria.
Questão irmã: Após 30 segundos de ventilação efetiva, a frequência cardíaca de um recém-nascido é 55 bpm. Qual intervenção deve ser acrescentada? Gabarito: Compressões torácicas coordenadas com a ventilação.

Q1oficialResposta: B

Conceito: A indicação de fototerapia depende da bilirrubina total, da idade em horas, da idade gestacional e dos fatores de risco para neurotoxicidade.
Raciocínio: O RN está a termo, ativo e mamando bem. A bilirrubina direta é baixa, e a bilirrubina total de 15 mg/dL aos 4 dias fica abaixo do limiar de fototerapia para um RN sem fatores de risco. A conduta é manter o aleitamento e acompanhar a evolução, com repetição da bilirrubina conforme o contexto clínico; o gabarito indica nova dosagem em 24 horas.
Por que as outras estão erradas:
  • A: A alternativa A indica fototerapia sem demonstrar que a bilirrubina atingiu o limiar correspondente à idade em horas e ao perfil de risco.
  • C: A alternativa C suspende o aleitamento sem indicação. O quadro descrito não sugere baixa ingestão nem justifica substituição temporária por fórmula.
  • D: A alternativa D propõe exsanguineotransfusão, medida reservada a hiperbilirrubinemia muito mais grave ou a situações de risco iminente.
  • E: A alternativa E presume sepse sem sinais clínicos ou dados que a sustentem.
Pegadinha: Não se indica fototerapia apenas pelo valor absoluto da bilirrubina: é preciso situá-lo na curva por idade em horas e considerar os fatores de risco.
Base: Diretriz da Sociedade Brasileira de Pediatria para hiperbilirrubinemia indireta no período neonatal; diretriz da American Academy of Pediatrics para hiperbilirrubinemia em recém-nascidos com 35 semanas ou mais.
Questão irmã: RN a termo, sem fatores de risco, com bilirrubina abaixo do limiar de fototerapia e boa alimentação: qual é a conduta geral? Gabarito: Manter aleitamento e acompanhar conforme a distância até o limiar de tratamento e a evolução clínica.

Fonte: Residência SUS-SP (2026) — https://documento.vunesp.com.br/documento/stream/NzUyNTQ3NA%3d%3d

Q2oficialResposta: D

Conceito: Distensão abdominal e sangue nas fezes em prematuro sugerem enterocolite necrosante, que exige suspensão da dieta e suporte nutricional parenteral.
Raciocínio: O RN tem prematuridade, baixo peso, distensão abdominal, letargia e diarreia sanguinolenta. O quadro é compatível com enterocolite necrosante. Na fase aguda, suspende-se a dieta enteral, inicia-se tratamento clínico e oferece-se suporte venoso; se a suspensão da alimentação se prolongar, a nutrição parenteral fornece os nutrientes necessários. Entre as opções, a alternativa D é a adequada.
Por que as outras estão erradas:
  • A: A alternativa A mantém leite enteral durante um quadro compatível com enterocolite necrosante, quando o intestino deve ser colocado em repouso.
  • B: A alternativa B também mantém alimentação enteral e não trata a fase aguda da doença.
  • C: A alternativa C indica jejum, mas não garante suporte nutricional adequado caso a suspensão da dieta se prolongue. A conduta inclui nutrição parenteral, além das demais medidas clínicas.
Pegadinha: A nutrição parenteral não substitui o tratamento completo da enterocolite: também são necessários jejum, descompressão gástrica, antibióticos e avaliação de complicações.
Base: Consensos de neonatologia sobre diagnóstico e manejo da enterocolite necrosante.
Questão irmã: Prematuro com distensão abdominal, pneumatoses intestinais e sangue nas fezes: deve-se manter dieta enteral? Gabarito: Não. Suspender a dieta e iniciar manejo de enterocolite necrosante, com suporte nutricional conforme a duração do jejum.

Fonte: Residência USP (Fuvest) (2026) — https://www.fuvest.br/wp-content/uploads/rm2026-prova-EPD-especialidades-pediatricas-v2.pdf

Q3oficialResposta: B

Conceito: A manutenção da temperatura corporal entre 36,5 ºC e 37,5 ºC é uma prioridade na estabilização e na reanimação neonatal.
Raciocínio: O RN de 35 semanas não chorou e apresenta respiração irregular e hipotonia. A equipe deve iniciar os passos de estabilização e prevenir perda de calor. A alternativa B expressa a meta térmica adequada. A aspiração não é rotina e a intubação depende da resposta às manobras e da indicação clínica.
Por que as outras estão erradas:
  • A: A alternativa A indica aspiração de boca e narinas de rotina. Aspira-se quando há obstrução que compromete a ventilação, não apenas pela ausência de choro.
  • C: A alternativa C fixa uma faixa de temperatura ambiental que não substitui a meta de temperatura do RN nem contempla as medidas de aquecimento necessárias.
  • D: A alternativa D indica intubação e aspiração traqueal sem avaliar primeiro a necessidade de ventilação e sem evidência de obstrução.
Pegadinha: Líquido claro e ausência de choro não são indicações automáticas de aspiração. A prioridade é aquecer e assegurar ventilação eficaz quando necessária.
Base: Diretrizes do Programa de Reanimação Neonatal da Sociedade Brasileira de Pediatria.
Questão irmã: Qual faixa de temperatura axilar deve ser mantida durante a estabilização neonatal? Gabarito: Entre 36,5 ºC e 37,5 ºC.

Fonte: Residência SES-DF (2024) — https://www.iades.com.br/inscricao/upload/1335/20231217222512979.zip

Q4oficialResposta: D

Conceito: O Programa Nacional de Triagem Neonatal inclui o rastreamento de hipotireoidismo congênito e hiperplasia adrenal congênita.
Raciocínio: A alternativa D nomeia duas condições rastreadas pelo programa: hipotireoidismo congênito e hiperplasia adrenal congênita. A triagem não confirma o diagnóstico; um resultado alterado exige investigação confirmatória e, quando indicada, intervenção rápida.
Por que as outras estão erradas:
  • A: A alternativa A erra ao fixar a coleta entre o segundo e o quarto dia como regra geral. A coleta deve ocorrer preferencialmente entre o terceiro e o quinto dia; coletas precoces podem exigir repetição.
  • B: A alternativa B limita as condições que preenchem critérios de triagem a duas doenças, afirmação que não corresponde ao programa brasileiro.
  • C: A alternativa C faz uma afirmação indevida sobre o menor índice de falso-positivo da triagem para fibrose cística. A dosagem de tripsina imunorreativa é um teste de rastreamento e pode gerar resultados falso-positivos.
  • E: A alternativa E está desatualizada ao afirmar que a deficiência de biotinidase não faz parte da triagem básica. Essa condição integra o rastreamento neonatal no Brasil.
Pegadinha: Rastreamento não é diagnóstico. Além disso, a lista de doenças do programa foi ampliada ao longo do tempo; cuidado com alternativas baseadas em listas antigas.
Base: Programa Nacional de Triagem Neonatal do Ministério da Saúde; Lei nº 14.154/2021.
Questão irmã: Hipotireoidismo congênito e hiperplasia adrenal congênita são rastreados no Programa Nacional de Triagem Neonatal? Gabarito: Sim.

Fonte: ENARE (AOCP) (2022) — https://www.gov.br/hubrasil/pt-br/ensino-e-pesquisa/exame-nacional-de-residencia-enare/edicoes-anteriores/2021-2022/provas/area-medica/prm-area-de-atuacao-medicina-do-adolescente-neonatologia-t204-divulgar.pdf

Q5oficialResposta: C

Conceito: Icterícia indireta leve e isolada em lactente com bom ganho ponderal pode corresponder à icterícia do leite materno e, em geral, não exige interrupção do aleitamento.
Raciocínio: A bilirrubina é predominantemente indireta, a direta está baixa e o lactente está bem, com crescimento adequado e fezes pigmentadas. Os exames apresentados não sugerem hemólise, hipotireoidismo ou deficiência de G6PD. A alternativa C preserva o aleitamento e propõe acompanhamento clínico. Não há sinais de colestase, como bilirrubina direta elevada, colúria ou fezes acólicas.
Por que as outras estão erradas:
  • A: A alternativa A interrompe o aleitamento sem necessidade. A icterícia do leite materno, em lactente bem e com ganho adequado, não costuma exigir suspensão da amamentação.
  • B: A alternativa B encaminha para investigação de colestase sem evidência laboratorial ou clínica de colestase.
  • D: A alternativa D presume deficiência de G6PD apesar da atividade enzimática normal e propõe restrições medicamentosas sem diagnóstico que as justifique.
Pegadinha: Icterícia persistente após o período neonatal exige avaliar a fração direta. Neste caso, o predomínio é indireto e o estado geral é preservado.
Base: Diretriz da Sociedade Brasileira de Pediatria para hiperbilirrubinemia indireta no período neonatal; recomendações para investigação de colestase neonatal.
Questão irmã: Lactente com icterícia persistente, fezes acólicas e bilirrubina direta elevada: qual hipótese deve ser investigada com urgência? Gabarito: Colestase neonatal, incluindo atresia biliar.

Fonte: Residência Unicamp (2026) — https://www.comvest.unicamp.br/residenciamedica2026/provas/tPed.pdf

Q6oficialResposta: C

Conceito: A coleta do teste do pezinho deve ser feita, preferencialmente, entre o 3º e o 5º dia de vida; amostras colhidas antes de 48 horas podem gerar resultados falsos e devem ser repetidas.
Raciocínio: A primeira amostra foi colhida com 24 horas de vida, antes do período adequado. Nessa fase, a ingestão de proteínas ainda é pequena e os marcadores metabólicos podem não ter subido, o que favorece falso-negativo para fenilcetonúria e outras doenças metabólicas; por isso, repete-se a coleta. A alternativa C expressa esse motivo e a janela recomendada (3º ao 5º dia). O objetivo do exame é rastrear doenças em que o diagnóstico precoce muda o prognóstico, como fenilcetonúria, hipotireoidismo congênito, hemoglobinopatias, fibrose cística, hiperplasia adrenal congênita, deficiência de biotinidase e toxoplasmose congênita.
Por que as outras estão erradas:
  • A: A alternativa A erra o propósito: o PNTN rastreia doenças tratáveis, para intervir precocemente, e não doenças genéticas 'não tratáveis'. Fibrose cística tem tratamento, e AME só entra na ampliação prevista pela Lei 14.154/2021.
  • B: A alternativa B inverte a janela: a coleta nas primeiras 24 horas é justamente a que gera resultados falsos. O teste também não rastreia apenas doenças metabólicas, pois inclui endocrinopatias e hemoglobinopatias.
  • D: A alternativa D erra ao chamar o exame de confirmatório e ao atribuir-lhe o rastreio de infecções adquiridas no parto. É um teste de triagem, e a repetição só é necessária quando a coleta foi inadequada ou o resultado alterado.
  • E: A alternativa E erra ao dizer que a coleta precoce não interfere no hipotireoidismo congênito: o pico fisiológico de TSH nas primeiras horas pode gerar falso-positivo. O foco também não são doenças infecciosas.
Pegadinha: A coleta precoce erra nos dois sentidos: falso-negativo para fenilcetonúria e outros erros inatos, por ingestão proteica ainda insuficiente, e falso-positivo para TSH (pico fisiológico pós-natal) e 17-OH-progesterona. O PNTN rastreia doenças tratáveis, não infecções adquiridas no parto.
Base: Ministério da Saúde, Programa Nacional de Triagem Neonatal; Lei nº 14.154/2021.
Questão irmã: Qual é a janela recomendada para a coleta do teste do pezinho e o que fazer quando a amostra foi colhida com 24 horas de vida? Gabarito: Entre o 3º e o 5º dia de vida; coleta antes de 48 horas pode gerar resultado falso e exige nova amostra.

Fonte: Residência SUS-SP (2026) — https://documento.vunesp.com.br/documento/stream/NzUyNTQ2OA%3d%3d

Q7oficialResposta: A

Conceito: A policitemia aumenta a massa de hemácias e, com sua degradação, eleva a produção de bilirrubina indireta.
Raciocínio: O hematócrito de 68% e a hemoglobina de 22 g/dL indicam policitemia neonatal. O Coombs direto é negativo, os reticulócitos são normais e não há evidência de hemólise por incompatibilidade Rh. A bilirrubina direta é baixa. Assim, a policitemia é a causa mais provável da hiperbilirrubinemia, como afirma a alternativa A.
Por que as outras estão erradas:
  • B: A alternativa B chama o quadro de fisiológico sem considerar a icterícia intensa e o hematócrito elevado, que apontam para uma causa patológica associada.
  • C: A alternativa C atribui a icterícia ao leite materno, hipótese que não explica a policitemia documentada nem é a melhor explicação para a apresentação precoce.
  • D: A alternativa D atribui o quadro à incompatibilidade Rh, mas o Coombs direto é negativo e a mãe tinha Coombs indireto negativo.
Pegadinha: A mãe Rh negativa e o RN Rh positivo chamam atenção, mas a tipagem isolada não prova doença hemolítica. O Coombs e os demais dados favorecem policitemia.
Base: Diretriz da Sociedade Brasileira de Pediatria para hiperbilirrubinemia indireta no período neonatal; recomendações de manejo da policitemia neonatal.
Questão irmã: RN com hematócrito elevado, bilirrubina indireta aumentada e Coombs direto negativo: qual mecanismo deve ser considerado? Gabarito: Aumento da produção de bilirrubina pela maior massa eritrocitária.

Fonte: Residência Unicamp (2025) — https://www.comvest.unicamp.br/residenciamedica2025/provas/tPed.pdf

Q8oficialResposta: A

Conceito: O fechamento farmacológico do canal arterial busca reduzir o efeito das prostaglandinas; propranolol não é tratamento estabelecido para esse objetivo.
Raciocínio: O ibuprofeno reduz a síntese de prostaglandinas e pode favorecer o fechamento do canal arterial. O paracetamol também pode ser considerado em situações selecionadas. A furosemida pode ser usada para controle de sintomas de congestão, mas não fecha o canal. O propranolol não tem papel estabelecido no fechamento do canal arterial, por isso é a exceção indicada pelo gabarito.
Por que as outras estão erradas:
  • B: A alternativa B não é a exceção do gabarito: furosemida pode ser considerada para manejo de sobrecarga e sintomas, embora não seja fármaco de fechamento do canal.
  • C: A alternativa C é um inibidor da síntese de prostaglandinas e pode ser usado para fechamento farmacológico do canal arterial.
  • D: A alternativa D pode ser considerada como alternativa farmacológica para fechamento do canal arterial em prematuros selecionados.
Pegadinha: Furosemida pode aliviar congestão, mas não promove o fechamento do canal. A questão pergunta quais tratamentos podem ser considerados, não apenas quais fecham o canal.
Base: Consensos de neonatologia sobre persistência do canal arterial em prematuros.
Questão irmã: Qual classe farmacológica reduz a síntese de prostaglandinas e pode favorecer o fechamento do canal arterial? Gabarito: Anti-inflamatórios não esteroides, como o ibuprofeno.

Fonte: Residência Unicamp (2026) — https://www.comvest.unicamp.br/residenciamedica2026/provas/tPed.pdf

1.8 Revisão relâmpago e mapa de revisão

  • Inicie VPP até o primeiro minuto se o RN estiver em apneia, respirar irregularmente ou tiver FC abaixo de 100 bpm.
  • A elevação da FC é o principal sinal de VPP eficaz.
  • Hipotermia terapêutica deve começar até 6 horas de vida quando o RN elegível apresenta EHI moderada ou grave.
  • Classifique PIG, AIG e GIG pelo peso em relação à idade gestacional.
  • O teste do pezinho deve ser coletado na janela recomendada pelo programa, idealmente entre o terceiro e o quinto dia.
  • Bilirrubina direta acima de 1 mg/dL é anormal e exige investigação de colestase.
  • A indicação de fototerapia depende de idade em horas, idade gestacional e fatores de risco.
  • Na suspeita de enterocolite necrosante, suspenda a dieta e avalie gravidade e necessidade de suporte nutricional.
  • Leite humano é a dieta preferencial do prematuro; fortifique conforme necessidade e protocolo.

Mapa de revisão

Reveja este capítulo em 1, 7 e 30 dias.

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