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Políticas de Saúde e SUS · Capítulo 3

Epidemiologia descritiva e informação em saúdeEpidemiologia analítica e saúde baseada em evidênciasTrabalho em equipe e educação permanenteHumanização e bioética

Temas do conteúdo programático:

  • 9. Epidemiologia descritiva e informação em saúde: história natural da doença e níveis de prevenção; processo epidêmico (endemia, epidemia, surto, pandemia); incidência, prevalência, mortalidade e letalidade; indicadores de saúde, morbimortalidade e transição demográfica e epidemiológica; sistemas de informação do SUS (SIM, SINASC, SINAN, SIH, SIA, SI-PNI, e-SUS)
  • 10. Epidemiologia analítica e saúde baseada em evidências: desenhos de estudo (ecológico, transversal, caso-controle, coorte, ensaio clínico); medidas de associação (risco relativo, odds ratio) e intervalo de confiança; vieses e confusão; critérios de causalidade de Bradford Hill; testes diagnósticos (sensibilidade, especificidade, valores preditivos, acurácia) e rastreamento
  • 11. Trabalho em equipe e educação permanente: NASF-AB e equipes multiprofissionais (eMulti); apoio matricial e equipe de referência; clínica ampliada e Projeto Terapêutico Singular; trabalho em equipe, interdisciplinaridade e prática colaborativa interprofissional; Política Nacional de Educação Permanente em Saúde; educação em saúde e educação popular
  • 12. Humanização e bioética: Política Nacional de Humanização (transversalidade, indissociabilidade entre atenção e gestão, protagonismo); diretrizes (acolhimento, cogestão, ambiência, clínica ampliada, valorização do trabalhador, defesa dos direitos dos usuários); acolhimento com classificação de risco; direitos e deveres dos usuários; bioética e seus princípios (autonomia, beneficência, não maleficência, justiça), sigilo e terminalidade da vida

3.1 Pré-teste

Responda antes de ler a teoria. O gabarito está no fim do capítulo.

P1inédita

Em um município, 500 pessoas sem determinada doença foram acompanhadas durante um ano. Nesse período, 20 receberam o diagnóstico pela primeira vez. Qual medida expressa a ocorrência de casos novos entre as pessoas inicialmente sob risco?

  1. A)Prevalência
  2. B)Incidência acumulada
  3. C)Mortalidade proporcional
  4. D)Letalidade

P2inédita

Uma equipe escolhe um teste inicial para rastrear uma doença grave, pois deseja reduzir a chance de deixar passar pessoas que realmente estão doentes. Qual característica do teste deve priorizar?

  1. A)Especificidade elevada
  2. B)Valor preditivo positivo elevado
  3. C)Sensibilidade elevada
  4. D)Acurácia elevada, independentemente da população

P3inédita

Uma equipe de Saúde da Família solicita apoio da eMulti para acompanhar uma pessoa com necessidades complexas. A proposta prevê discussão conjunta do caso e construção de intervenções, sem transferir a responsabilidade pelo cuidado. Esse arranjo caracteriza:

  1. A)Apoio matricial
  2. B)Encaminhamento com transferência integral da responsabilidade
  3. C)Atendimento exclusivamente especializado
  4. D)Supervisão administrativa da equipe de referência

3.2 O que cai

  • 9. Epidemiologia descritiva e informação em saúde: história natural da doença e níveis de prevenção; processo epidêmico (endemia, epidemia, surto, pandemia); incidência, prevalência, mortalidade e letalidade; indicadores de saúde, morbimortalidade e transição demográfica e epidemiológica; sistemas de informação do SUS (SIM, SINASC, SINAN, SIH, SIA, SI-PNI, e-SUS): 316 questões de provas anteriores, 2017–2026
  • 10. Epidemiologia analítica e saúde baseada em evidências: desenhos de estudo (ecológico, transversal, caso-controle, coorte, ensaio clínico); medidas de associação (risco relativo, odds ratio) e intervalo de confiança; vieses e confusão; critérios de causalidade de Bradford Hill; testes diagnósticos (sensibilidade, especificidade, valores preditivos, acurácia) e rastreamento: 99 questões de provas anteriores, 2017–2026
  • 11. Trabalho em equipe e educação permanente: NASF-AB e equipes multiprofissionais (eMulti); apoio matricial e equipe de referência; clínica ampliada e Projeto Terapêutico Singular; trabalho em equipe, interdisciplinaridade e prática colaborativa interprofissional; Política Nacional de Educação Permanente em Saúde; educação em saúde e educação popular: 132 questões de provas anteriores, 2017–2026
  • 12. Humanização e bioética: Política Nacional de Humanização (transversalidade, indissociabilidade entre atenção e gestão, protagonismo); diretrizes (acolhimento, cogestão, ambiência, clínica ampliada, valorização do trabalhador, defesa dos direitos dos usuários); acolhimento com classificação de risco; direitos e deveres dos usuários; bioética e seus princípios (autonomia, beneficência, não maleficência, justiça), sigilo e terminalidade da vida: 113 questões de provas anteriores, 2017–2026

3.3 Teoria

Estes temas conectam a leitura dos dados de saúde à decisão clínica, à organização do trabalho e aos direitos das pessoas atendidas. A banca costuma cobrar conceitos aplicados: saber qual indicador usar, interpretar um desenho de estudo e reconhecer práticas coerentes com o SUS.

3.3.1 Epidemiologia descritiva e informação em saúde

A história natural da doença descreve o que ocorre desde a exposição até o desfecho. A prevenção primária reduz a ocorrência da doença; a secundária detecta e trata precocemente; a terciária reduz complicações e incapacidades. A prevenção quaternária evita intervenções desnecessárias e danos relacionados ao excesso de cuidado.

Endemia é a ocorrência habitual de um agravo em determinada área; epidemia é o aumento acima do esperado; surto é uma epidemia localizada, como em uma instituição; pandemia é uma epidemia com ampla disseminação internacional. Incidência conta casos novos em uma população sob risco durante um período. Prevalência conta os casos existentes em certo momento ou período. Mortalidade relaciona óbitos à população; letalidade relaciona óbitos entre pessoas que têm a doença.

IndicadorNumeradorDenominador
IncidênciaCasos novosPopulação sob risco
PrevalênciaCasos existentesPopulação observada
MortalidadeÓbitosPopulação
LetalidadeÓbitos pela doençaCasos da doença

A transição demográfica envolve mudanças na natalidade, mortalidade e estrutura etária, com envelhecimento populacional. A transição epidemiológica descreve mudanças no perfil de adoecimento e morte, com maior peso de doenças crônicas, sem eliminar doenças transmissíveis.

No SUS, o SIM registra óbitos; o SINASC, nascidos vivos; o SINAN, agravos de notificação; o SIH/SUS, internações financiadas pelo SUS; o SIA/SUS, produção ambulatorial; o SI-PNI, dados relacionados à imunização; e o e-SUS APS, informações da atenção primária. O SINASC apoia estimativas de nascidos vivos, coberturas vacinais e indicadores, como a razão de mortalidade materna, calculada com óbitos maternos do SIM e nascidos vivos do SINASC. Em parto domiciliar sem assistência de profissional de saúde ou de parteira tradicional, a DNV é preenchida pelo Oficial do Cartório de Registro Civil, no momento do registro do nascimento. A DNV Epidemiológica é instrumento de uso eventual para nascimento conhecido tardiamente pelo sistema de saúde.

Exercício comentado

Como a banca cobrouoficial · Residência SES-PE 2026

Analise os dados a seguir, sobre os casos de diarreia entre as crianças da comunidade ribeirinha. • Número de indivíduos da comunidade: 500 • Número de crianças que moram na comunidade: 100 • Registros de diagnóstico de diarreia aguda na Unidade de saúde da Família ribeirinha entre agosto e setembro de 2025: 50, sendo 25 de crianças da comunidade. • A incidência de diarreia aguda em crianças na comunidade ribeirinha corresponde a

  1. A)2,5%
  2. B)10%
  3. C)25%
  4. D)50%
  5. E)Nenhuma das alternativas.

Resposta: C

Conceito: A incidência acumulada estima a proporção de pessoas inicialmente sob risco que desenvolvem o agravo em um período.

Raciocínio: O denominador é o total de crianças da comunidade: 100. O numerador é o número de casos de diarreia entre essas crianças no período: 25. Assim, 25 ÷ 100 = 0,25, ou 25%, assumindo que os registros correspondam a casos novos em crianças distintas.

Pegadinha: A população sob risco é o grupo de crianças, não os 500 moradores. Incidência também exige casos novos e, idealmente, pessoas distintas.

Base: Conceitos epidemiológicos de incidência e população sob risco.

3.3.2 Epidemiologia analítica e saúde baseada em evidências

Escolha o desenho pelo modo como a pesquisa seleciona participantes e observa exposição e desfecho.

O estudo ecológico compara grupos ou territórios, sem dados individuais de exposição e doença; por isso, pode incorrer em falácia ecológica. O transversal mede exposição e desfecho em um recorte temporal e estima principalmente prevalência. O caso-controle parte de doentes e não doentes e investiga exposições anteriores; é útil para doenças raras e costuma estimar odds ratio (OR). A coorte parte de expostos e não expostos, acompanha desfechos e permite calcular incidência e risco relativo (RR). O ensaio clínico aloca uma intervenção, idealmente por randomização, e compara desfechos.

Em uma coorte, RR = risco nos expostos ÷ risco nos não expostos. OR compara as chances de exposição entre casos e controles; em doenças raras, pode aproximar o RR. O intervalo de confiança expressa a precisão: para medidas de razão, se o intervalo inclui 1, a associação não é estatisticamente significativa ao nível correspondente. Isso não prova ausência de efeito.

Viés é erro sistemático, como seleção inadequada ou informação medida de forma diferente entre grupos. Confusão ocorre quando uma terceira variável se associa à exposição e ao desfecho, sem ser etapa intermediária causal; pode distorcer a associação. Bradford Hill propôs aspectos que ajudam a julgar causalidade — temporalidade, força, consistência, gradiente biológico, plausibilidade, entre outros —, não uma lista que prove causalidade automaticamente.

Sensibilidade identifica doentes; especificidade identifica não doentes. Valor preditivo positivo (VPP) é a probabilidade de doença após teste positivo; valor preditivo negativo (VPN), após resultado negativo. Ambos dependem da prevalência. Acurácia é a proporção total de classificações corretas. Rastreamento busca doença em pessoas assintomáticas: requer evidência de benefício, teste adequado e confirmação diagnóstica; não equivale a diagnóstico definitivo.

Esquema

Desenhos epidemiológicos

Seleção e observação

  • Ecológico

    Compara grupos ou territórios; pode incorrer em falácia ecológica.

  • Transversal

    Mede exposição e desfecho em um recorte temporal; estima prevalência.

  • Caso-controle

    Parte de doentes e não doentes; investiga exposições anteriores.

  • Coorte

    Parte de expostos e não expostos; acompanha desfechos.

  • Ensaio clínico

    Aloca uma intervenção e compara desfechos.

Exercício comentado

Como a banca cobrouoficial · Residência SES-DF 2024

Um estudo analisou medidas de agregados da exposição e da doença são comparadas, mas não existem informações sobre a doença e exposição do indivíduo. Trata-se de que tipo de estudo?

  1. A)Transversal.
  2. B)Coorte.
  3. C)Ecológico.
  4. D)Caso-controle.

Resposta: C

Conceito: O estudo ecológico compara exposições e desfechos em grupos ou agregados, sem dispor necessariamente dos dados individuais correspondentes.

Raciocínio: O enunciado informa que exposição e doença são comparadas por agregados e que não há dados individuais. Essa é a característica central do estudo ecológico.

Pegadinha: Não confunda a unidade de análise: no ecológico, ela é o grupo; nos outros desenhos citados, em geral é o indivíduo.

Base: Princípios de epidemiologia e delineamento de estudos observacionais.

3.3.3 Trabalho em equipe e educação permanente

A atenção em equipe exige comunicação, objetivos compartilhados e responsabilidades claras. Na interdisciplinaridade, profissionais integram saberes para compreender e cuidar de necessidades complexas; na prática colaborativa, também pactuam decisões com a pessoa atendida e entre si.

O NASF-AB foi uma estratégia de apoio às equipes da atenção básica. A política federal instituiu as eMulti, equipes multiprofissionais que atuam de forma complementar e integrada à atenção primária. Não confunda a mudança de estratégia e financiamento com a ideia de que o apoio multiprofissional deixou de existir. O apoio matricial combina suporte técnico-pedagógico e assistencial às equipes de referência, sem substituir a responsabilidade destas pelo acompanhamento. A equipe de referência coordena o cuidado de uma população ou caso.

A clínica ampliada considera dimensões biológicas, subjetivas e sociais. O Projeto Terapêutico Singular (PTS) organiza, para situações complexas, uma avaliação compartilhada, objetivos, tarefas, responsáveis e revisão do plano. A pessoa atendida deve participar das decisões.

A Educação Permanente em Saúde parte dos problemas reais do processo de trabalho e usa reflexão e aprendizagem para transformar práticas. Não é sinônimo de treinamento pontual desvinculado do serviço. Já a educação em saúde pode apoiar escolhas e autocuidado; a educação popular valoriza diálogo, saberes comunitários, participação e construção compartilhada, em vez de apenas transmitir recomendações. Em questões sobre formação multiprofissional, procure integração entre profissões, rede SUS e metodologias que problematizem o trabalho — não especialização isolada ou formação restrita ao hospital.

Esquema

Construção do PTS

  1. 1Avaliação compartilhada

  2. 2Objetivos

  3. 3Tarefas e responsáveis

  4. 4Revisão do plano

Exercício comentado

Como a banca cobrouoficial · ENARE (AOCP) 2022

No trabalho em equipe multiprofissional, os profissionais de saúde deverão estar aptos a assumirem posições de liderança, tendo em vista o bem-estar da comunidade. A liderança, entre outros fatores envolve a(o)

  1. A)mobilidade acadêmica.
  2. B)capacidade de aprender continuamente.
  3. C)empatia.
  4. D)habilidades de leitura.
  5. E)pensamento crítico.

Resposta: C

Conceito: A liderança em saúde exige competências relacionais, e a empatia ajuda a compreender necessidades e perspectivas de outras pessoas.

Raciocínio: O trabalho multiprofissional requer coordenação e cooperação. Entre as opções, empatia é a competência que favorece escuta, comunicação e decisões centradas no bem-estar da comunidade.

Pegadinha: A questão não pede uma competência cognitiva geral; destaca liderança voltada ao bem-estar coletivo e ao trabalho em equipe.

Base: Diretrizes Curriculares Nacionais dos cursos da área da saúde e princípios de trabalho colaborativo interprofissional.

3.3.4 Humanização e bioética

A Política Nacional de Humanização (PNH) propõe transversalidade, indissociabilidade entre atenção e gestão e protagonismo, autonomia e corresponsabilidade de usuários, trabalhadores e gestores.

Suas diretrizes incluem acolhimento, cogestão, ambiência, clínica ampliada, valorização do trabalhador e defesa dos direitos dos usuários. A participação da população deve alcançar o cuidado e a gestão, não apenas a consulta individual.

Acolher é escutar, reconhecer necessidades e responsabilizar-se por uma resposta. Na classificação de risco, a equipe prioriza o atendimento conforme gravidade e vulnerabilidade, com protocolo e reavaliação quando necessário. Não é triagem para negar atendimento nem uma fila organizada apenas pela ordem de chegada. Cogestão envolve decisões compartilhadas; ambiência considera o espaço físico, social e relacional do cuidado.

Os princípios bioéticos orientam decisões: autonomia, respeito às escolhas informadas; beneficência, busca do benefício; não maleficência, prevenção de danos evitáveis; e justiça, distribuição equitativa de benefícios e recursos. Na prática, avalie capacidade de decisão, ofereça informação compreensível e respeite escolhas, sem abandonar o dever de cuidado. Proteja o sigilo e compartilhe informações apenas com autorização ou quando houver justificativa legal ou ética pertinente, limitando o acesso ao necessário.

Na terminalidade, diferencie cuidado paliativo e alívio de sofrimento de ações destinadas a provocar a morte. Respeite valores, preferências e decisões válidas da pessoa, converse sobre objetivos de cuidado e evite medidas desproporcionais que apenas prolonguem o processo de morrer. Humanização não significa atender todo pedido sem avaliação; significa construir cuidado digno, seguro e compartilhado.

Exercício comentado

Como a banca cobrouoficial · Residência SES-GO 2026

A Política Nacional de Humanização compreende a valorização dos diferentes sujeitos envolvidos no processo de produção de saúde e aponta para o estabelecimento de novos arranjos e pactos sustentáveis, envolvendo trabalhadores e gestores do Sistema Único de Saúde (SUS) e fomentando a

  1. A)responsabilização dos gestores no planejamento dos processos de trabalho.
  2. B)complementariedade da assistência aos usuários pelas instituições privadas.
  3. C)participação efetiva da população nas práticas de cuidado e de gestão.
  4. D)garantia de recursos financeiros para a execução das ações de saúde.

Resposta: C

Conceito: A Política Nacional de Humanização valoriza o protagonismo e a participação de usuários, trabalhadores e gestores na atenção e na gestão.

Raciocínio: O enunciado destaca novos arranjos e pactos entre trabalhadores e gestores. A proposta da PNH também inclui a participação dos usuários nas práticas de cuidado e de gestão. Por isso, a alternativa C completa adequadamente a ideia.

Pegadinha: A PNH não se limita à relação profissional-usuário: propõe participação também nos processos de gestão.

Base: Política Nacional de Humanização — HumanizaSUS.

Pegadinha de prova

Incidência não é prevalência

Incidência considera casos novos e população sob risco. Prevalência reúne casos existentes e tende a aumentar quando a doença dura mais tempo.

Pegadinha de prova

O desenho orienta a medida

Coorte permite estimar risco relativo. Caso-controle costuma usar odds ratio. Estudo ecológico compara grupos e não permite concluir automaticamente sobre indivíduos.

Atenção

NASF-AB e eMulti

A política federal instituiu as eMulti como equipes multiprofissionais integradas à atenção primária. Em prova, valorize apoio compartilhado e articulação com a rede, não atuação isolada.

Pegadinha de prova

Acolhimento não é só classificação

A classificação de risco prioriza por gravidade e vulnerabilidade. Acolhimento também exige escuta, responsabilização e resposta às necessidades.

3.4 Exemplo resolvido

Em uma unidade de saúde, uma pessoa assintomática participa de um programa de rastreamento. O teste inicial resulta positivo. A equipe informa que o resultado, por si só, não confirma a doença e organiza avaliação complementar. Qual alternativa explica corretamente essa conduta?

A) Todo teste positivo confirma doença quando aplicado a pessoa assintomática. B) O rastreamento identifica pessoas que precisam de avaliação; resultado positivo requer confirmação conforme o protocolo. C) O valor preditivo positivo é independente da prevalência da doença. D) A especificidade corresponde à proporção de doentes com teste positivo.

  1. O quadro descreve rastreamento de pessoa sem sintomas, não investigação diagnóstica motivada por sinais clínicos.
  2. Um teste de rastreamento pode gerar falso-positivo; a avaliação complementar define a situação diagnóstica.
  3. A alternativa D descreve sensibilidade, não especificidade. O VPP varia com a prevalência, então a alternativa C também está errada.

Resposta: B. O rastreamento seleciona pessoas para investigação; um resultado positivo não equivale, por si só, a diagnóstico confirmado.

3.5 Fixação

Questões inéditas, no estilo das provas de residência.

F1inédita

Um adulto capaz, após receber informações claras sobre riscos e benefícios, recusa um procedimento recomendado. Qual conduta respeita a autonomia do usuário?

  1. A)Realizar o procedimento, pois a beneficência sempre prevalece sobre a decisão do paciente.
  2. B)Solicitar que a família autorize o procedimento no lugar do paciente.
  3. C)Suspender qualquer cuidado até que o paciente mude de opinião.
  4. D)Respeitar a recusa informada, registrar a decisão e manter o diálogo sobre alternativas.

F2inédita

Uma unidade de saúde identifica um caso suspeito de doença de notificação compulsória e precisa registrar e acompanhar a investigação epidemiológica. Qual sistema do SUS é destinado a esse registro?

  1. A)Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM)
  2. B)Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan)
  3. C)Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos (Sinasc)
  4. D)Sistema de Informações Hospitalares (SIH)

F3inédita

Pesquisadores selecionam pessoas com uma doença e pessoas sem a doença. Depois, comparam a frequência de uma exposição anterior nos dois grupos. Qual medida de associação é mais adequada para esse desenho?

  1. A)Odds ratio
  2. B)Risco relativo
  3. C)Incidência acumulada
  4. D)Prevalência pontual

F4inédita

Após discutir o caso de uma pessoa com necessidades clínicas e sociais complexas, uma equipe define objetivos, ações, responsáveis e momentos de reavaliação de forma compartilhada. Qual instrumento organiza esse cuidado?

  1. A)Protocolo de encaminhamento regulado
  2. B)Plano de alta hospitalar padronizado
  3. C)Projeto Terapêutico Singular
  4. D)Relatório de produtividade da equipe

F5inédita

Em um serviço de urgência, duas pessoas chegam quase ao mesmo tempo. Uma apresenta sinais de instabilidade clínica; a outra está estável e relata dor leve. Como a equipe deve organizar o atendimento?

  1. A)Atender primeiro quem chegou antes, sem considerar o quadro clínico.
  2. B)Encaminhar ambas para a consulta médica pela ordem de chegada.
  3. C)Usar a idade como critério principal para decidir a prioridade.
  4. D)Classificar o risco e priorizar quem apresenta maior gravidade ou risco de agravamento.

3.6 Questões de provas anteriores

Questões oficiais de provas anteriores, com a fonte.

Q1oficial · Residência SES-PE 2026
No contexto da vigilância de nascimentos e óbitos maternos no Brasil, o Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos (Sinasc) e a Declaração de Nascido Vivo (DNV) constituem instrumentos centrais para o registro, o monitoramento e a análise de eventos vitais, subsidiando ações de planejamento e avaliação em saúde. Considerando o uso do Sinasc e as normas relativas à emissão e ao fluxo da DNV, analise as seguintes asserções: I. Para o cálculo de previsões e coberturas vacinais, além de algumas agendas específicas, como no caso da vigilância da sífilis congênita são utilizados os dados do Sinasc. II. Nos casos de parto domiciliar sem assistência prestada por profissional de saúde ou parteira tradicional, o preenchimento da DN é feito pelo oficial de registro do cartório. O pai ou o responsável legal apresenta a terceira via na primeira consulta na Unidade de Saúde para ser arquivada e monitorada. III. A Declaração de Nascido Vivo (DNV) Epidemiológica é o documento-padrão de uso eventual, em todo o território nacional, para a coleta dos dados do nascimento conhecido tardiamente pelo sistema de saúde. IV. Em caso de parto domiciliar sem assistência prestada por profissional de saúde ou parteira tradicional, o preenchimento da DN é feito por um profissional de saúde de outra unidade de saúde devidamente habilitado. V. A razão de morte materna, indicador que mede o número de óbitos maternos por 100 mil nascidos vivos de mães residentes em determinado espaço geográfico, no ano considerado, é calculada a partir da articulação dos dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade com o número de nascidos vivos registrado no Sinasc.

Assinale a alternativa que contempla o quantitativo de afirmações CORRETAS.

  1. A)Uma
  2. B)Duas
  3. C)Três
  4. D)Quatro
  5. E)Cinco

Q2oficial · Residência Multiprofissional FAMEMA 2026
Um estudo epidemiológico investigou a associação entre o tabagismo e o desenvolvimento de câncer de pulmão. Foram acompanhados 1.000 fumantes e 1.000 não fumantes por 10 anos. Ao final, 50 fumantes e 5 não fumantes haviam desenvolvido a doença. A medida de associação mais adequada para expressar a força dessa relação é o(a)

  1. A)risco atribuível, pois indica o risco adicional da doença entre os expostos.
  1. B)risco relativo, pois o estudo acompanhou coortes de expostos e não expostos ao longo do tempo.
  2. C)odds ratio, pois o estudo tem um desenho de caso-controle.
  3. D)prevalência, pois mostra a proporção de doentes na população no final do estudo.
  4. E)intervalo de confiança, pois estima a precisão da medida de efeito encontrada.

Q3oficial · Residência Multiprofissional Unicamp 2026
Segundo a Portaria GM/MS nº 635/2023, as diretrizes pedagógicas dos Programas de Residência Multiprofissional em Saúde envolvem: I – Uso de metodologias ativas, centradas na problematização do processo de trabalho em saúde. II – Ênfase na formação multiprofissional, interdisciplinar e integrada, em diálogo com a rede SUS. III – Foco prioritário em especialização técnica restrita a cada profissão, sem necessidade de articulação interdisciplinar. IV – Inserção dos residentes restrita ao nível hospitalar de alta complexidade, considerado pela portaria como espaço formativo central e prioritário.

  1. A)I e II
  2. B)II e III.
  3. C)I e IV.
  4. D)III e IV.

Q4oficial · Residência Multiprofissional UFPA 2026
O Art. 7º da Lei 8080, do Ministério da Saúde, delibera que as ações e serviços públicos de saúde e os serviços privados contratados ou conveniados que integram o Sistema Único de Saúde - SUS são desenvolvidos de acordo com as diretrizes previstas no art. 198 da Constituição Federal, obedecendo a XVI princípios. Um desses princípios é a utilização da epidemiologia para o estabelecimento de prioridades, a alocação de recursos e a orientação programática. Isso porque a epidemiologia

  1. A)fornece uma cesta de ferramentas específicas para a mudança organizacional.
  1. B)está relacionada com o planejamento orçamentário e financeiro.
  2. C)possibilita a participação da comunidade na gestão do SUS.
  3. D)está centrada nos estudos de capacidade de oferta dos serviços de saúde.
  4. E)permite conhecer, acompanhar e definir as causas dos problemas de saúde de uma população.

Q5oficial · Residência Multiprofissional FAMEMA 2026
Uma enfermeira assiste um paciente de 85 anos em pós-operatório de grande cirurgia, cuja condição clínica deteriorou-se rapidamente, resultando em quadro de falência múltipla de órgãos. A equipe médica propõe a manutenção de medidas de suporte vital agressivas, mas o paciente, em sua última manifestação de vontade lúcida, havia assinado um termo de recusa de tratamento desnecessário. Os familiares, por sua vez, insistem na manutenção total da vida a qualquer custo. A decisão a ser tomada nesse dilema, em respeito aos princípios bioéticos, deve ser a da

  1. A)não maleficência, pois o foco primário da enfermagem é evitar qualquer dano, devendo a equipe seguir a solicitação dos familiares, que são os responsáveis legais.
  1. B)beneficência, pois a equipe deve fazer o que traz o maior benefício biológico ao paciente, que seria lutar pela sobrevida, desconsiderando as preferências expressas.
  2. C)justiça, pois o recurso de UTI é limitado, e o tratamento fútil deve ser negado em função da alocação de recursos para pacientes com melhor prognóstico.
  3. D)autonomia, pois a vontade prévia e lúcida do paciente tem precedência sobre a opinião dos familiares e sobre a conduta médica considerada fútil.
  4. E)dignidade humana, pois a preservação da vida deve prevalecer sobre qualquer outra consideração.

Q6oficial · Residência SES-PE 2026

O padrão, em que a maior intensidade ou duração da exposição leva a um aumento proporcional na ocorrência do desfecho, está associado ao seguinte critério de causalidade proposto por Bradford Hill:

  1. A)Gradiente biológico.
  2. B)Força de associação.
  3. C)Consistência.
  4. D)Coerência.
  5. E)Evidência experimental.

3.7 Gabarito comentado

P1inédita · pré-testeResposta: B

Conceito: A incidência mede a ocorrência de casos novos em uma população sob risco ao longo de um período.
Raciocínio: O enunciado informa casos novos e uma população inicialmente sem a doença. Portanto, a medida é a incidência acumulada: 20/500 no período.
Por que as outras estão erradas:
  • A: Errado: prevalência inclui os casos existentes em um momento ou período, e não apenas os casos novos.
  • C: Errado: mortalidade proporcional descreve a fração dos óbitos atribuída a uma causa.
  • D: Errado: letalidade relaciona os óbitos pela doença ao total de pessoas que adoeceram.
Pegadinha: A palavra-chave é “pela primeira vez”: ela indica casos novos, não o total de pessoas doentes.
Base: Conceitos de epidemiologia descritiva adotados pelo Ministério da Saúde.
Questão irmã: Em uma população inicialmente livre de uma doença, qual medida estima o aparecimento de novos casos durante o acompanhamento? Gabarito: Incidência.

P2inédita · pré-testeResposta: C

Conceito: A sensibilidade é a capacidade de um teste identificar corretamente as pessoas que têm a doença.
Raciocínio: A equipe quer reduzir falsos negativos. Um teste com alta sensibilidade detecta a maior proporção possível das pessoas doentes; por isso, a alternativa C é a correta.
Por que as outras estão erradas:
  • A: Errado: alta especificidade reduz falsos positivos, mas não garante poucos falsos negativos.
  • B: Errado: o valor preditivo positivo indica a probabilidade de doença após um resultado positivo e varia conforme a prevalência.
  • D: Errado: a acurácia pode ser influenciada pela proporção de pessoas doentes e não substitui a escolha da característica adequada ao objetivo do rastreamento.
Pegadinha: Não confunda a capacidade de detectar quem está doente com a capacidade de excluir quem não está.
Base: Conceitos de validade de testes diagnósticos e rastreamento adotados pelo Ministério da Saúde.
Questão irmã: Para reduzir resultados falso-positivos na confirmação diagnóstica, qual característica deve ser priorizada? Gabarito: Especificidade elevada.

P3inédita · pré-testeResposta: A

Conceito: O apoio matricial amplia a capacidade de cuidado da equipe de referência por meio de suporte técnico-pedagógico e ações compartilhadas.
Raciocínio: A equipe especializada discute e planeja intervenções junto à equipe de Saúde da Família. Como a responsabilidade permanece compartilhada, trata-se de apoio matricial.
Por que as outras estão erradas:
  • B: Errado: o caso não é simplesmente transferido; a equipe de referência continua responsável pelo acompanhamento.
  • C: Errado: a proposta inclui articulação com a equipe de referência, e não cuidado isolado pelo especialista.
  • D: Errado: o foco é o suporte clínico e pedagógico compartilhado, não a supervisão administrativa.
Pegadinha: O apoio da eMulti não significa retirar o caso da equipe de referência.
Base: Política Nacional de Atenção Básica e diretrizes do Ministério da Saúde para as equipes multiprofissionais na Atenção Primária à Saúde.
Questão irmã: A equipe de referência e profissionais de apoio discutem um caso e combinam intervenções conjuntas. Qual arranjo está sendo utilizado? Gabarito: Apoio matricial.

F1inéditaResposta: D

Conceito: A autonomia exige respeitar as decisões informadas de uma pessoa capaz, sem abandonar o cuidado.
Raciocínio: O usuário compreende as informações e decide livremente. A equipe deve acolher a recusa, documentá-la e discutir alternativas, sem impor o procedimento nem interromper a assistência.
Por que as outras estão erradas:
  • A: Errado: a beneficência não autoriza desconsiderar a decisão informada de uma pessoa capaz.
  • B: Errado: a família não substitui a decisão do adulto capaz.
  • C: Errado: respeitar a recusa não significa abandonar o usuário ou interromper os demais cuidados.
Pegadinha: Respeitar a autonomia não é o mesmo que encerrar o vínculo assistencial.
Base: Código de Ética dos Profissionais de Enfermagem e princípios da bioética.
Questão irmã: Uma pessoa adulta e capaz recusa, após esclarecimento, uma intervenção não obrigatória. Qual princípio bioético orienta o respeito à decisão? Gabarito: Autonomia.

F2inéditaResposta: B

Conceito: O Sinan reúne dados sobre agravos de notificação compulsória e apoia a vigilância epidemiológica.
Raciocínio: O caso é suspeito de um agravo notificável e exige registro para investigação. Essa função corresponde ao Sinan; portanto, a alternativa B está correta.
Por que as outras estão erradas:
  • A: Errado: o SIM registra óbitos e suas causas.
  • C: Errado: o Sinasc reúne informações sobre nascidos vivos.
  • D: Errado: o SIH registra informações relacionadas às internações hospitalares financiadas pelo SUS.
Pegadinha: Os nomes dos sistemas se parecem; associe cada um ao evento que registra.
Base: Ministério da Saúde, Sistema de Informação de Agravos de Notificação e Guia de Vigilância em Saúde.
Questão irmã: Qual sistema reúne registros de óbitos e informações sobre suas causas? Gabarito: Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM).

F3inéditaResposta: A

Conceito: O odds ratio é a medida de associação usual em estudos caso-controle.
Raciocínio: Os participantes foram selecionados conforme a presença ou ausência da doença, e a exposição anterior foi comparada entre os grupos. Esse desenho é caso-controle, no qual se estima o odds ratio.
Por que as outras estão erradas:
  • B: Errado: o risco relativo é mais adequado a estudos que acompanham a ocorrência de doença em grupos expostos e não expostos.
  • C: Errado: a incidência acumulada requer acompanhar pessoas sob risco para identificar casos novos.
  • D: Errado: a prevalência pontual mede casos existentes em um momento, não a associação estimada nesse desenho.
Pegadinha: Identifique primeiro como os participantes foram selecionados: pela doença, não pela exposição.
Base: Fundamentos de epidemiologia analítica e desenhos de estudos observacionais.
Questão irmã: Em um estudo caso-controle que compara exposição anterior entre casos e controles, qual medida de associação é usual? Gabarito: Odds ratio.

F4inéditaResposta: C

Conceito: O Projeto Terapêutico Singular organiza, de forma compartilhada, o cuidado de uma pessoa ou família com necessidades complexas.
Raciocínio: A equipe constrói objetivos e ações individualizados, define responsabilidades e prevê reavaliação. Esses elementos caracterizam o Projeto Terapêutico Singular.
Por que as outras estão erradas:
  • A: Errado: um protocolo de encaminhamento orienta o acesso a serviços, mas não substitui o planejamento singular do cuidado.
  • B: Errado: o plano de alta organiza a transição após internação e não corresponde necessariamente ao projeto compartilhado descrito.
  • D: Errado: relatório de produtividade registra atividades, mas não define objetivos terapêuticos individualizados.
Pegadinha: O Projeto Terapêutico Singular não é uma lista genérica de procedimentos: ele combina ações e responsabilidades para um caso concreto.
Base: Política Nacional de Humanização, diretrizes de clínica ampliada e Projeto Terapêutico Singular.
Questão irmã: Uma equipe pactua metas individualizadas, ações e responsabilidades para acompanhar um caso complexo. Qual instrumento está construindo? Gabarito: Projeto Terapêutico Singular.

F5inéditaResposta: D

Conceito: O acolhimento com classificação de risco prioriza o atendimento conforme a gravidade e o risco clínico, e não pela ordem de chegada.
Raciocínio: A instabilidade clínica indica maior risco e exige prioridade. A equipe deve avaliar e classificar o risco para ordenar o atendimento, mantendo acolhimento para ambas as pessoas.
Por que as outras estão erradas:
  • A: Errado: a ordem de chegada não deve prevalecer sobre a gravidade clínica.
  • B: Errado: encaminhar pela ordem de chegada ignora a função da classificação de risco.
  • C: Errado: a idade, isoladamente, não substitui a avaliação clínica do risco.
Pegadinha: Acolher não significa atender em sequência cronológica; significa avaliar a necessidade e organizar uma resposta adequada.
Base: Política Nacional de Humanização, diretrizes de acolhimento e classificação de risco.
Questão irmã: Na urgência, qual critério deve orientar a prioridade de atendimento: ordem de chegada ou risco clínico? Gabarito: Risco clínico, considerando gravidade e possibilidade de agravamento.

Q1oficialResposta: D

Conceito: O Sinasc registra nascimentos e fornece dados para indicadores, vigilância e planejamento em saúde.
Raciocínio: A afirmativa I está correta: dados de nascidos vivos apoiam estimativas populacionais e ações de saúde, inclusive vigilância da sífilis congênita. A II está correta: no parto domiciliar sem assistência de profissional de saúde ou parteira tradicional, a DNV é preenchida pelo oficial do cartório de registro civil, e a via destinada à unidade de saúde é apresentada pela família na primeira consulta. A III está correta: a DNV epidemiológica é usada excepcionalmente para registrar nascimento conhecido tardiamente pelo sistema. A IV está incorreta: nessa situação, a DNV não é preenchida por profissional de outra unidade de saúde, e sim pelo cartório. A V está correta: a razão de mortalidade materna combina óbitos maternos do SIM e nascidos vivos do Sinasc. Portanto, quatro afirmações estão corretas.
Por que as outras estão erradas:
  • A: A alternativa A conta apenas uma afirmação correta e desconsidera que I, II, III e V estão corretas.
  • B: A alternativa B conta apenas duas afirmações corretas, embora quatro atendam ao fluxo e aos usos do Sinasc.
  • C: A alternativa C conta três afirmações corretas; deixa de incluir uma das quatro afirmações válidas.
  • E: A alternativa E considera corretas as cinco afirmativas, mas a IV está incorreta: no parto domiciliar sem assistência, a DNV não é preenchida por profissional de outra unidade de saúde.
Pegadinha: A afirmativa IV parece plausível, mas, no parto domiciliar sem assistência de profissional de saúde ou parteira tradicional, quem preenche a DNV é o oficial do cartório de registro civil, e não um profissional de outra unidade de saúde.
Base: Manual de instruções para o preenchimento da Declaração de Nascido Vivo e documentação técnica do Sinasc, do Ministério da Saúde; definição da razão de mortalidade materna adotada pelo Ministério da Saúde.
Questão irmã: Em parto domiciliar sem assistência, quem deve emitir a DNV: o cartório ou profissional habilitado de estabelecimento de saúde? Gabarito: O oficial do Cartório de Registro Civil.

Fonte: Residência SES-PE (2026) — prova em upenet.com.br

Q2oficialResposta: B

Conceito: Em uma coorte que acompanha expostos e não expostos, a medida de associação usual é o risco relativo.
Raciocínio: O estudo começa pela exposição — tabagismo — e acompanha os grupos ao longo do tempo para observar casos novos de câncer. Esse desenho permite calcular a incidência em cada grupo e comparar os riscos. Assim, a medida adequada é o risco relativo.
Por que as outras estão erradas:
  • A: O risco atribuível mede o excesso de risco entre expostos, mas não é a medida pedida para expressar a força da associação nesse desenho.
  • C: O odds ratio é associado classicamente ao estudo caso-controle, mas o enunciado descreve uma coorte.
  • D: Prevalência mede casos existentes em determinado momento ou período; não é a medida de associação indicada para acompanhar casos incidentes.
  • E: O intervalo de confiança expressa a precisão e a incerteza da estimativa; não é, por si só, a medida de associação.
Pegadinha: O desenho é identificado pelo modo como os participantes foram selecionados e acompanhados, não apenas pela presença de dois grupos.
Base: Princípios de epidemiologia e delineamento de estudos observacionais utilizados em epidemiologia em saúde pública.
Questão irmã: Em uma coorte, a incidência é de 12% entre expostos e 4% entre não expostos. Qual é o risco relativo? Gabarito: 3.

Fonte: Residência Multiprofissional FAMEMA (2026) — prova em documento.vunesp.com.br

Q3oficialResposta: A

Conceito: A formação multiprofissional no SUS deve favorecer integração entre profissões, problematização do trabalho e articulação com a rede de atenção.
Raciocínio: As afirmativas I e II correspondem a princípios de formação integrada e orientada pelos problemas reais do processo de trabalho. A III contraria a proposta ao restringir a formação a cada profissão e dispensar a articulação interdisciplinar. A IV também restringe indevidamente os cenários formativos ao hospital de alta complexidade. Logo, I e II são as corretas. A Portaria GM/MS nº 635/2023 institui as eMulti na atenção primária; não é, por si só, uma norma curricular de residência.
Por que as outras estão erradas:
  • B: A alternativa B inclui a III, que nega a articulação interdisciplinar, e exclui a I.
  • C: A alternativa C inclui a IV, que limita a formação ao hospital de alta complexidade, e exclui a II.
  • D: A alternativa D reúne as afirmativas III e IV, ambas incompatíveis com a formação integrada e com a diversidade de cenários do SUS.
Pegadinha: A referência à portaria pode levar a atribuir a ela normas curriculares que não são seu objeto direto.
Base: Portaria GM/MS nº 635/2023, que institui as equipes Multiprofissionais na Atenção Primária à Saúde; princípios de formação em serviço e integração ensino-serviço no SUS.
Questão irmã: A formação em residência multiprofissional deve se limitar a uma profissão e a um único nível de atenção? Gabarito: Não. Deve promover integração entre profissões e diálogo com a rede do SUS.

Fonte: Residência Multiprofissional Unicamp (2026) — prova em portal.fcm.unicamp.br

Q4oficialResposta: E

Conceito: A epidemiologia descreve e analisa a distribuição e os determinantes dos problemas de saúde para orientar prioridades e ações.
Raciocínio: A Lei nº 8.080/1990 determina o uso da epidemiologia para estabelecer prioridades, alocar recursos e orientar a programação. Para cumprir esse papel, é preciso conhecer a ocorrência dos agravos e investigar seus determinantes na população. A alternativa E traduz essa função.
Por que as outras estão erradas:
  • A: Ferramentas de mudança organizacional podem ser úteis, mas não definem a contribuição específica da epidemiologia prevista na lei.
  • B: A epidemiologia pode subsidiar decisões orçamentárias, mas não se restringe ao planejamento financeiro.
  • C: A participação comunitária é princípio e diretriz do SUS, mas é promovida principalmente por mecanismos de controle social, não definida pela epidemiologia.
  • D: Estudar apenas a capacidade de oferta dos serviços não caracteriza epidemiologia, que também analisa eventos e determinantes de saúde na população.
Pegadinha: A epidemiologia subsidia a gestão, mas não se confunde com orçamento, organização de serviços ou participação social.
Base: Lei nº 8.080/1990, art. 7º, sobre utilização da epidemiologia para prioridades, alocação de recursos e orientação programática.
Questão irmã: Qual área subsidia a definição de prioridades do SUS pela análise dos problemas e determinantes de saúde da população? Gabarito: A epidemiologia.

Fonte: Residência Multiprofissional UFPA (2026) — prova em ceps.ufpa.br

Q5oficialResposta: D

Conceito: A autonomia protege o direito de uma pessoa capaz de decidir sobre os cuidados que aceita ou recusa, inclusive por manifestação prévia válida.
Raciocínio: O paciente expressou sua vontade quando estava lúcido. Se essa manifestação foi informada, livre e aplicável à situação atual, ela deve orientar a decisão. A opinião dos familiares não substitui automaticamente a vontade do paciente, e a equipe deve evitar intervenções desproporcionais ou fúteis.
Por que as outras estão erradas:
  • A: A não maleficência exige evitar dano, mas não autoriza ignorar a vontade expressa do paciente nem dá aos familiares poder automático para substituí-la.
  • B: A beneficência não se reduz à sobrevida biológica; deve considerar valores, objetivos e preferências do paciente.
  • C: A justiça orienta a distribuição equitativa de recursos, mas não é o princípio central do conflito descrito.
  • E: A dignidade humana é relevante, mas não significa manter a vida a qualquer custo contra uma recusa válida.
Pegadinha: A vontade da família não prevalece automaticamente sobre a decisão prévia e válida do paciente; é preciso verificar sua aplicabilidade clínica.
Base: Princípios da bioética; Código de Ética Médica e normas do Conselho Federal de Medicina sobre diretivas antecipadas de vontade.
Questão irmã: Um paciente capaz recusa um tratamento após receber informações adequadas. Qual princípio fundamenta o respeito à decisão? Gabarito: Autonomia.

Fonte: Residência Multiprofissional FAMEMA (2026) — prova em documento.vunesp.com.br

Q6oficialResposta: A

Conceito: O gradiente biológico, ou relação dose-resposta, ocorre quando maior exposição se associa a maior ocorrência ou intensidade do desfecho.
Raciocínio: O enunciado descreve aumento proporcional do desfecho conforme aumentam a intensidade ou a duração da exposição. Esse padrão corresponde ao gradiente biológico de Bradford Hill.
Por que as outras estão erradas:
  • B: Força de associação descreve a magnitude da associação entre exposição e desfecho, não a variação do risco conforme a dose.
  • C: Consistência diz respeito à repetição do achado em diferentes estudos, populações ou contextos.
  • D: Coerência avalia se a associação é compatível com o conhecimento biológico e epidemiológico disponível.
  • E: Evidência experimental considera resultados de intervenções ou experimentos, não o padrão dose-resposta descrito.
Pegadinha: A palavra-chave é proporcionalidade entre nível de exposição e ocorrência do desfecho.
Base: Critérios de causalidade propostos por Bradford Hill.
Questão irmã: Se o risco de doença aumenta progressivamente com a dose de uma exposição, qual critério de Bradford Hill é sugerido? Gabarito: Gradiente biológico ou relação dose-resposta.

Fonte: Residência SES-PE (2026) — prova em upenet.com.br

3.8 Revisão relâmpago e mapa de revisão

  • Incidência mede casos novos; prevalência mede casos existentes.
  • Letalidade relaciona óbitos aos casos da doença.
  • SIM registra óbitos; SINASC registra nascidos vivos; SINAN registra agravos de notificação.
  • Coorte acompanha expostos e não expostos e permite estimar risco relativo.
  • Caso-controle parte do desfecho e costuma estimar odds ratio.
  • Sensibilidade identifica doentes; especificidade identifica não doentes.
  • VPP e VPN variam conforme a prevalência da doença.
  • Educação permanente parte dos problemas reais do trabalho e busca transformar práticas.
  • Classificação de risco organiza prioridade clínica, não exclui o atendimento.
  • Autonomia, beneficência, não maleficência e justiça orientam decisões bioéticas.

Mapa de revisão

Reveja este capítulo em 1, 7 e 30 dias.

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