Matéria 01
Língua Portuguesa
O que o edital pede nesta matéria
- 1Compreensão e interpretação de texto.
- 2Tipologia e gêneros textuais.
- 3Figuras de linguagem.
- 4Significação de palavras e expressões.
- 5Relações de sinonímia e de antonímia.
- 6Acentuação gráfica.
- 7Uso da crase.
- 8Divisão silábica.
- 9Ortografia.
- 10Fonética e Fonologia: som e fonema, encontros vocálicos e consonantais e dígrafos.
- 11Morfologia: classes de palavras variáveis e invariáveis e seus empregos no texto.
- 12Locuções verbais (perífrases verbais).
- 13Funções do “que” e do “se”.
- 14Formação de palavras.
- 15Elementos de comunicação.
- 16Sintaxe: relações sintático-semânticas estabelecidas entre orações, períodos ou parágrafos (período simples e período composto por coordenação e subordinação).
- 17Concordância verbal e nominal.
- 18Regência verbal e nominal.
- 19Colocação pronominal.
- 20Emprego dos sinais de pontuação e sua função no texto.
- 21Elementos de coesão.
- 22Variação linguística.
- 23Função textual dos vocábulos.
Língua Portuguesa · Capítulo 1
Compreensão e interpretação de textoTipologia e gêneros textuaisFiguras de linguagemSignificação de palavras e expressões
Itens do edital:
- 1. Compreensão e interpretação de texto.
- 2. Tipologia e gêneros textuais.
- 3. Figuras de linguagem.
- 4. Significação de palavras e expressões.
1.1 Pré-teste
Responda antes de ler a teoria. O gabarito está no fim do capítulo.
P1inédita
Leia: 'A prefeitura ampliou as ciclovias em 2024, mas os acidentes com bicicletas cresceram no mesmo período, o que mostra que a obra isolada não resolve o problema da segurança no trânsito.' A ideia central do trecho é:
- A)As bicicletas são hoje o principal meio de transporte da população que vive na cidade.
- B)A ampliação de ciclovias, sozinha, não garante a redução dos acidentes no trânsito.
- C)Os acidentes com bicicletas diminuíram depois da construção das novas ciclovias da cidade.
- D)A prefeitura ampliou as ciclovias em 2024 e investiu também em campanhas de educação no trânsito.
- E)O trânsito da cidade piorou porque a prefeitura deixou de investir em obras viárias de grande porte.
P2inédita
Um texto relata, em ordem cronológica, o que um personagem fez em certo dia e lugar, com ações que têm começo, meio e fim. Essa tipologia textual é:
- A)narrativa, porque conta uma sequência de fatos vividos por personagens em determinado tempo e espaço.
- B)dissertativa, porque defende uma tese com argumentos organizados em torno de uma posição.
- C)expositiva, porque apresenta informações sobre um assunto de maneira objetiva e impessoal.
- D)injuntiva, porque orienta o leitor a executar ações em uma ordem específica e determinada.
- E)descritiva, porque caracteriza seres e lugares por meio de qualidades, cores e detalhes sensoriais.
P3inédita
Leia: 'Seu silêncio é um muro que ninguém atravessa.' Nesse verso, a figura de linguagem que transfere ao silêncio as propriedades de um muro é:
- A)metáfora, porque atribui ao silêncio uma propriedade de muro, sem usar nenhum conectivo.
- B)hipérbole, porque exagera a intensidade do silêncio para produzir efeito de sentido.
- C)eufemismo, porque suaviza uma ideia desagradável por meio de palavras mais brandas.
- D)comparação, porque aproxima dois termos por meio de um conectivo, como 'como' ou 'tal qual'.
- E)ironia, porque diz o contrário do que pensa, com a intenção de zombar do interlocutor.
1.2 O que cai
- 1. Compreensão e interpretação de texto: 989 questões da banca, 2018–2026
- 2. Tipologia e gêneros textuais: 372 questões da banca, 2018–2026
- 3. Figuras de linguagem: 68 questões da banca, 2018–2026
- 4. Significação de palavras e expressões: 372 questões da banca, 2018–2026
1.3 Teoria
Este capítulo reúne a leitura de texto e o vocabulário: o que o texto diz, de que tipo e gênero ele é, que figura o autor usou e o que a palavra significa naquele trecho.
1.3.1 Compreensão e interpretação de texto
Interpretar um texto é ir além da letra. Compreender é entender o que está escrito; interpretar é concluir o que o autor deixou implícito, com base em pistas do próprio texto. A banca pede as duas coisas, e a maior parte dos erros vem de confundir uma com a outra.
Compreensão: o que o texto diz. Compreender é localizar informações explícitas: quem fez o quê, quando, onde e por quê. A resposta certa costuma aparecer com palavras parecidas com as do texto, em outra ordem ou com sinônimos. Antes de escolher a alternativa, localize o trecho que a sustenta. Se não houver trecho, a alternativa não é compreensão.
Tipos de informação. Um texto transmite informações de três modos, e cada um exige uma leitura diferente.
| Tipo de informação | O que é | Como reconhecer |
|---|---|---|
| Explícita | Está escrita no texto | Há um trecho que a afirma |
| Pressuposta | Está por trás da frase, como condição para ela fazer sentido | Permanece quando a frase é negada |
| Subentendida | Depende do contexto e da intenção de quem fala | Pode ser negada sem contradição |
Pressuposto: o que a frase exige. O pressuposto vem da própria estrutura da frase, sobretudo de certos verbos e expressões. Em Maria deixou de faltar às aulas, o verbo deixar de pressupõe que Maria faltava. Para testar, nega-se a frase: Maria não deixou de faltar às aulas ainda mantém a ideia de que ela faltava. O pressuposto resiste à negação; a simples opinião, não.
Outros gatilhos de pressuposto aparecem com frequência em provas: continuar, voltar a, conseguir, lamentar e as construções com o servidor que. Em o servidor que chegou atrasado, a frase pressupõe que houve atraso e que houve chegada. A banca usa essas construções para testar se o candidato enxerga algo que não está dito.
Subentendido: o que o leitor conclui. O subentendido depende do contexto. Em o relatório ainda não ficou pronto, a frase sugere que se espera a conclusão em breve, mas isso pode ser negado sem contradição. Quando a questão pede o que se subentende, ela quer uma conclusão razoável, sustentada por uma pista do texto. A opinião do candidato sobre o assunto não entra na resposta.
Tema, ideia central e informações secundárias. O tema é o assunto de que trata o texto, dito em poucas palavras. A ideia central é o que o texto afirma sobre esse tema. As informações secundárias sustentam, exemplificam ou detalham a ideia central. Quando a questão pede a ideia principal, a resposta é a ideia central, e não um exemplo nem um detalhe.
Coerência e coesão. A coerência é o sentido global do texto: as ideias se sustentam juntas. A coesão são os recursos que ligam as partes, como pronomes, conjunções, advérbios e sinônimos. Um pronome como isso ou essa retoma algo dito antes, e a banca testa se o candidato sabe a que ele se refere. A referência correta é a que mantém o sentido do trecho.
Erros que a banca explora. Cada erro aparece de uma forma típica na alternativa, e a tabela os reúne para facilitar a eliminação.
| Erro | Como aparece na alternativa | Como eliminar |
|---|---|---|
| Extrapolação | Afirma algo que o texto não diz | Procure o trecho que sustenta a alternativa |
| Contradição | Inverte a informação do texto | Compare a alternativa com a frase exata |
| Parte pelo todo | Pega um detalhe e apresenta como ideia central | Pergunte se o trecho resume o texto inteiro |
| Opinião própria | Concorda com o tema, mas não com o texto | Ignore o que você pensa sobre o assunto |
Absolutos. Palavras como sempre, nunca, todos, somente e jamais merecem desconfiança. A alternativa só está certa se o texto afirmar a generalização com a mesma força. Se o texto diz na maioria dos casos, a alternativa com em todos os casos extrapola. A banca usa o absoluto como isca porque ele parece uma conclusão forte.
Erros de leitura. O candidato que lê com pressa troca quem pratica a ação, confunde causa com consequência e junta informações de parágrafos diferentes. Para evitar isso, marque o verbo principal de cada parágrafo, identifique o sujeito de cada ação e observe os conectores: os de causa (porque, pois, uma vez que), os de consequência (portanto, logo, assim) e os de oposição (mas, embora, no entanto).
O título e a primeira frase. O título antecipa o tema, e a primeira frase costuma apresentar a tese ou o assunto. Essas partes ajudam a formar a leitura inicial, mas a resposta final vem do corpo do texto. A banca gosta de alternativas que repetem o título e ignoram o desenvolvimento. Use o título como guia, e confirme a ideia nos parágrafos seguintes.
O gênero muda a leitura. Um texto normativo, como um edital ou uma portaria, pede leitura literal, porque cada palavra pode mudar o direito e o dever. Um texto de opinião pede leitura de intenção: o autor defende uma tese, e a interpretação precisa identificar essa tese e os argumentos que a sustentam. Um texto narrativo pede atenção à sequência e às mudanças de situação. A banca testa a mesma habilidade em gêneros diferentes, mas o peso da leitura literal ou intencional muda com o gênero.
Método prático em três passos. Primeiro, leia a pergunta e identifique o tipo: compreensão literal, inferência ou sentido de palavra. Segundo, localize no texto a passagem que a pergunta indica. Terceiro, compare cada alternativa com essa passagem e elimine as que extrapolam, contradizem ou exageram. Esse método reduz as alternativas a uma, mesmo quando várias parecem plausíveis à primeira leitura.
Como isso aparece no cargo. Um ofício da Secretaria pede que o servidor comunique a decisão ao interessado assim que possível. Uma questão pode perguntar se o texto fixa um prazo. A resposta é não: o texto diz assim que possível, e a alternativa com um prazo fixo extrapola. Esse é o tipo de inferência que a banca testa, e ele se resolve com o trecho exato na mão.
Exemplo resolvido
Assinale a alternativa que expressa a informação pressuposta em: O setor deixou de atender aos pedidos por e-mail.
A) O setor nunca atendeu aos pedidos por e-mail. B) O setor atendia aos pedidos por e-mail. C) O setor atende aos pedidos por telefone. D) O setor atenderá aos pedidos por e-mail. E) O setor recebeu muitos pedidos.
- A expressão deixou de pressupõe que a ação ocorria antes.
- Logo, o setor atendia aos pedidos por e-mail. A resposta é a B.
- A alternativa A contradiz o pressuposto. As alternativas C e D tratam de outros fatos, e a E não fala de atendimento.
Esquema
Método em três passos
1Ler a pergunta e identificar o tipo
Compreensão, inferência ou sentido de palavra
2Localizar a passagem que a pergunta indica
Procurar o trecho que sustenta a resposta
3Comparar cada alternativa com a passagem
Eliminar extrapolações, contradições e exageros
Exercício comentado
Como a banca cobrouoficial · MP/ES 2026
Leia o texto a seguir. “Não devemos fazer da lei um espantalho / Armado para assustar a aves de rapina, / Mas deixado sempre estático, de modo que com o hábito / Ele não seja mais o terror delas, e sim o seu poleiro.” Shakespeare, William. Medida por Medida (Ato 2, Cena 1). A afirmação correta sobre as leis, que está implícita no texto, é que elas devem
- A)proteger a todos.
- B)modificar-se conforme as circunstâncias.
- C)funcionar, devido ao medo que provocam.
- D)ser amplamente divulgadas entre os cidadãos.
- E)ajudar a todos em sua tarefa de obter alimentação.
Resposta: A
Conceito: A metáfora do texto compara a lei a um espantalho, que assusta, e a um poleiro, que protege. A ideia implícita é que a lei deve proteger a todos.
Raciocínio: O texto critica a lei que serve só para assustar, como o espantalho. Diz que ela deve ser um poleiro, lugar onde as aves se sentem seguras. Essa comparação leva à ideia de proteção para todos, alternativa A.
Pegadinha: A alternativa C tem relação com o espantalho, que é uma imagem de medo. O texto critica esse uso, e não o defende.
Base: Compreensão de texto e metáfora. Não depende de dispositivo legal.
1.3.2 Tipologia e gêneros textuais
Todo texto é de um tipo e de um gênero, e as duas palavras não são sinônimas. O tipo textual descreve a forma como o texto organiza as informações: narrando fatos, descrevendo seres, expondo ideias, argumentando ou dando instruções.
O gênero textual é a forma concreta que o texto assume na vida social: notícia, carta, receita, edital, ata, bula, e-mail, anúncio. Há poucos tipos e uma enorme variedade de gêneros.
Os tipos e suas marcas. O reconhecimento do tipo começa pelas marcas linguísticas, que o candidato deve memorizar com exemplos.
| Tipo | Função | Marca típica |
|---|---|---|
| Narrativo | Relata ações em sequência | Verbos de ação, sequência temporal, personagens |
| Descritivo | Caracteriza seres, objetos e lugares | Adjetivos, verbos de estado, detalhes sensoriais |
| Dissertativo-argumentativo | Defende uma tese com argumentos | Tese, argumentos, conectores de causa e oposição |
| Expositivo | Explica ou informa, sem defender posição | Definições, classificações, dados apresentados |
| Injuntivo ou normativo | Manda, proíbe, orienta ou estabelece regra | Verbo no imperativo, infinitivo, deve, não pode |
Nomes variam entre as bancas. Parte delas chama o tipo injuntivo de normativo ou prescritivo, e a função é a mesma: o texto determina um comportamento. Quando a questão pede o tipo normativo, procure a frase que manda, proíbe ou estabelece regra, ainda que ela não use o imperativo.
Predominância, não exclusividade. Um texto pode misturar tipos, e a questão pede o que predomina. Uma notícia relata um fato, o que é narração, mas pode descrever o local do acontecimento e expor dados. A resposta é o tipo que domina a maior parte do texto ou que determina a sua finalidade. A pegadinha é escolher um tipo presente em um trecho pequeno, quando a questão fala do texto como um todo.
Narração e descrição: o que as separa. Na narração, o que importa é a sequência de ações e a mudança de situação. Na descrição, o que importa é o retrato: como o lugar é, como a pessoa parece, quais são as cores e as formas. Um trecho como Ele entrou na sala, sentou e abriu a pasta narra. Um trecho como A sala tinha paredes claras, uma mesa comprida e cadeiras de madeira escura descreve. A banca usa o verbo para disfarçar a diferença: o verbo tinha não narra, ainda que esteja no passado.
Dissertação e exposição: o que as separa. A dissertação argumentativa tem tese, argumentos e uma conclusão que retoma a tese. O texto quer convencer. A exposição explica um assunto, define, classifica e apresenta dados, sem tentar converter o leitor. A pergunta que resolve a dúvida é: o texto quer que o leitor concorde com uma posição? Se sim, é argumentativo. Se ele quer apenas que o leitor entenda, é expositivo.
Injunção: o texto que manda. O tipo injuntivo ou normativo aparece em editais, regulamentos, receitas, manuais e avisos. Ele usa o imperativo (apresente o documento), o infinitivo (apresentar o documento), o futuro com valor de ordem (o servidor apresentará) e expressões como é proibido e não poderá. O erro comum é achar que só o imperativo indica esse tipo. A alternativa Moradores do prédio não podem ter animais é normativa, mesmo sem imperativo, porque estabelece uma proibição com sanção.
Gênero: a forma que a sociedade reconhece. Os gêneros são reconhecíveis pela função social e pela estrutura. Um edital tem títulos, numeração e linguagem técnica. Uma carta tem local, data, vocativo e despedida. Uma receita tem lista de ingredientes e modo de preparo. Cada gênero tende a combinar tipos: a notícia combina narração e exposição; a carta de reclamação combina descrição do problema e argumentação; o edital combina exposição e, sobretudo, injunção.
| Gênero | Tipo predominante | Por quê |
|---|---|---|
| Edital ou regulamento | Injuntivo ou normativo | Estabelece regras e prazos |
| Notícia | Narrativo, com exposição | Relata um fato e explica o contexto |
| Receita | Injuntivo | Ordena a sequência de preparo |
| Carta de reclamação | Dissertativo-argumentativo | Defende um pedido com razões |
Pistas do tempo verbal. O tempo e o modo do verbo ajudam a identificar o tipo. Na narração, predominam os tempos do passado, como o pretérito perfeito e o imperfeito, porque o texto relata ações concluídas e o cenário em que elas ocorreram. Na descrição de estado, o presente e o imperfeito caracterizam o que é ou era. Na exposição, o presente tem valor geral e atemporal, próprio de definições. Na injunção, o futuro com valor de ordem e o imperativo marcam a regra. A pista não substitui a leitura, mas acelera a eliminação de alternativas.
Erros típicos do candidato. O primeiro é confundir tipo com gênero: a banca pergunta o tipo e a alternativa traz o gênero, como carta ou notícia. O segundo é achar que um texto tem um único tipo, quando a questão pede o predominante. O terceiro é tomar dissertativo como sinônimo de argumentativo, quando a categoria escolar mais ampla inclui a exposição. O quarto é ignorar o tempo verbal e a finalidade, e concluir o tipo só pelo assunto. Um texto sobre um acidente pode ser narrativo, descritivo ou expositivo, conforme o que ele faz com o acidente.
Como isso aparece no cargo. Um aviso afixado no balcão da Secretaria diz: Atendimento apenas com agendamento prévio. Traga documento de identidade. O aviso não narra nem argumenta: ele orienta e restringe. O tipo é injuntivo ou normativo, e o gênero é aviso. Um ofício que relata a reunião da equipe e propõe a mudança de horário mistura narração e argumentação, e a questão pergunta qual tipo predomina no conjunto.
Exemplo resolvido
Assinale a alternativa em que predomina o tipo descritivo.
A) Ele saiu cedo e pegou o ônibus das seis. B) A casa tinha paredes azuis, janelas altas e um jardim cheio de flores brancas. C) Os candidatos devem apresentar documento de identidade no dia da prova. D) Por isso, é preciso reduzir o consumo de energia nos prédios públicos. E) A reunião está marcada para terça-feira, às dez horas, na sala de reuniões.
- A alternativa A narra, com verbos de ação em sequência.
- A alternativa B caracteriza a casa com adjetivos e detalhes visuais, o que é descrição.
- As alternativas C e E são injuntivo e expositivo, respectivamente; a D argumenta com um por isso que conclui. A resposta é a B.
Esquema
Tipos textuais
Tipos textuais
Narrativo
Ações em sequência e mudança de situação
Descritivo
Caracterização de seres, objetos e lugares
Dissertativo-argumentativo
Tese, argumentos e conclusão
Expositivo
Explica ou informa, sem defender posição
Injuntivo ou normativo
Ordem, proibição ou regra
1.3.3 Figuras de linguagem
Figura de linguagem é o uso de uma palavra ou de uma construção em sentido diferente do literal, para intensificar a expressão, sugerir uma imagem ou produzir efeito.
A figura não é um enfeite: ela muda o sentido, e a banca cobra a diferença entre o sentido literal e o figurado. As figuras se agrupam em três conjuntos: as de palavra, que alteram o sentido do termo; as de construção, que alteram a ordem ou a estrutura da frase; e as de pensamento, que alteram a forma de dizer a ideia.
| Figura | Como identificar | Exemplo do cargo |
|---|---|---|
| Metáfora | Uma coisa é apresentada como outra, sem conectivo | O processo é um labirinto de carimbos. |
| Comparação | Usa conectivo como como, tal qual ou feito | O atendimento foi lento como uma fila parada. |
| Metonímia | Um termo substitui outro por proximidade de sentido | Ler Machado para dizer ler a obra do autor |
| Hipérbole | Exagero intencional | Esperei uma eternidade pelo protocolo. |
Figuras de palavra. A metáfora e a comparação são as mais cobradas, e a diferença entre elas é o conectivo. Na metáfora, a identidade é direta: a burocracia é um muro. Na comparação, a semelhança é declarada: a burocracia é como um muro. Ambas transferem uma qualidade de um termo para outro, mas a comparação deixa a ponte à mostra.
A metonímia substitui um termo por outro que mantém relação real com ele. Pode ser o autor pela obra (ler Machado), a parte pelo todo (cem cabeças no auditório), o continente pelo conteúdo (tomar um copo) ou o efeito pela causa (viver do suor). A banca confunde a metonímia com a metáfora: na metonímia, a relação é de contiguidade, de proximidade real; na metáfora, a relação é de semelhança imaginada.
A catacrese é outra figura de palavra, e aparece em expressões consagradas por falta de termo próprio: pé da mesa, asa da xícara, dente de alho. A banca a apresenta como figura porque o sentido é deslocado, mas o uso já se tornou comum. Não é uma metáfora criativa.
Figuras de construção. Nas figuras de construção, a estrutura sintática é o que muda. A elipse omite um termo que se recupera pelo contexto (O processo foi aprovado; o recurso, negado). O pleonasmo repete uma ideia, de forma intencional ou não (subir para cima). A zeugma omite um termo já expresso em oração anterior, que o leitor recupera dessa oração. A silepse concorda com o sentido, e não com a forma gramatical (A equipe chegaram atrasados, em que o verbo concorda com os membros). O anacoluto deixa um termo solto no início, sem continuidade sintática. O assíndeto suprime conjunções, e o polissíndeto as repete para dar ritmo.
Figuras de pensamento. Essas figuras mexem na forma de dizer a ideia. A antítese opõe dois termos de sentido contrário: o atendimento foi rápido na promessa e lento na prática. O paradoxo une ideias que parecem opostas, mas se completam. A ironia diz o contrário do que se quer dizer, com intenção crítica: que atendimento maravilhoso, dito depois de três horas de espera. O eufemismo suaviza uma expressão dura, como ele nos deixou por ele morreu. A personificação atribui ações humanas a seres ou coisas: a burocracia engoliu o processo. A gradação organiza as ideias em escala crescente ou decrescente.
Os erros mais cobrados. O primeiro é confundir metáfora com metonímia, como visto acima. O segundo é tomar a hipérbole pela ironia: a hipérbole exagera a afirmação, sem intenção de dizer o contrário; a ironia diz o contrário, com intenção crítica. O terceiro é classificar qualquer expressão idiomática como metáfora. Nem toda expressão consagrada é figura: quando a banca pede a figura, procure o efeito de sentido e a relação entre os termos. O quarto é esquecer o contexto: a mesma frase pode ser literal numa situação e figurada em outra.
Como a banca cobra. A banca apresenta um trecho e pergunta qual figura ele contém. Para responder, o candidato deve identificar o conectivo (para comparação), a relação entre os termos (para metonímia), o exagero (para hipérbole) e a oposição (para antítese). Se o trecho contiver duas figuras, a questão costuma pedir a que está em destaque no contexto. Leia a frase inteira antes de decidir.
Exemplo de língua. Compare a sala está gelada com o atendimento está gelado. No primeiro caso, o sentido é literal; no segundo, o adjetivo passa a significar frieza no trato, e isso é uma metáfora. A mesma palavra muda de figura conforme o termo a que se liga.
1.3.4 Significação de palavras e expressões
A significação de uma palavra depende do contexto. Um dicionário registra os sentidos possíveis; o texto escolhe um deles. A banca testa essa escolha, e a maior parte das questões de vocabulário pede o sentido que a palavra tem naquele trecho, e não o sentido mais conhecido.
Denotação e conotação. O sentido denotativo é o literal, o que a palavra significa de forma direta. O sentido conotativo é o figurado, aquele que surge do contexto, da intenção ou da imagem. Coração denota o órgão; conota afeto quando aparece em ela tem um coração generoso. Essa distinção é a base da leitura de palavras e expressões: antes de escolher a alternativa, pergunte se o trecho usa a palavra no sentido direto ou no figurado.
| Sentido | Como se reconhece | Exemplo |
|---|---|---|
| Denotativo | Sentido de dicionário, sem efeito de imagem | O cofre está vazio. |
| Conotativo | Sentido que surge do contexto ou da imagem | O orçamento está vazio de ideias. |
Polissemia e homonímia. A polissemia é uma palavra com vários sentidos ligados entre si. Pé significa parte do corpo, base de um móvel e unidade de medida, e os sentidos têm relação. A homonímia é uma forma igual para sentidos sem relação: cravo é a flor e também o prego, e os dois sentidos não se conectam. A confusão entre as duas é cobrada, porque a banca precisa de uma resposta que mostre o sentido exato no trecho.
Sinonímia e antonímia. Sinônimos têm sentido semelhante, mas raramente são intercambiáveis em todos os contextos. A substituição deve ser testada no trecho: se o sentido muda, o sinônimo não serve. Belo e bonito são próximos, mas nem sempre se trocam sem alterar o registro: o contexto e o nível de formalidade do texto decidem a escolha. Antônimos são palavras de sentido oposto, como claro e escuro, mas o antônimo também depende do contexto: aberto se opõe a fechado num portão e a reservado numa pessoa.
Parônimos: palavras parecidas, sentidos diferentes. Os parônimos têm forma próxima e sentido distinto. São as palavras que mais caem por confusão de grafia e de sentido. A tabela reúne os pares mais cobrados.
| Par | Sentido de cada uma |
|---|---|
| Retificar x ratificar | Retificar é corrigir; ratificar é confirmar |
| Emergir x imergir | Emergir é sair de dentro de algo; imergir é mergulhar |
| Deferir x diferir | Deferir é atender um pedido; diferir é ser diferente ou adiar |
| Eminente x iminente | Eminente é elevado ou ilustre; iminente é prestes a acontecer |
Expressões e locuções. Uma expressão idiomática tem sentido que não se deduz da soma das palavras. Pôr as cartas na mesa significa expor as intenções com franqueza. O candidato não deve tentar traduzir palavra por palavra. Procure o sentido global da expressão no trecho, e verifique se a alternativa mantém a mesma ideia. Locuções são grupos de palavras que funcionam como uma só, como às vezes, de repente e por causa de. A banca pede o sentido da locução com a mesma atenção que dá ao da palavra isolada.
Inferir o sentido pelo contexto. Quando a palavra é rara ou técnica, o texto costuma dar pistas: uma definição logo depois, um exemplo, um antônimo na frase seguinte ou uma causa e consequência. Procure essas pistas antes de recorrer ao que você acha que a palavra significa. Em o processo foi indeferido, porque os documentos estavam incompletos, a causa indica que indeferido é o contrário de aceito, e a leitura se confirma sem consultar o dicionário.
Vocabulário técnico do cargo. Textos administrativos usam palavras com sentido próprio, diferente do uso cotidiano. Dar ciência significa informar formalmente a pessoa, e não apenas saber de algo. Dar andamento significa fazer o processo seguir, e não tocar ou mexer nele. Exarar um despacho é registrar a decisão por escrito. Anexar é juntar um documento ao processo. A banca usa esse vocabulário para testar se o candidato entende o sentido do cargo, e não só o sentido do dicionário comum. Quando o trecho for administrativo, desconfie do sentido cotidiano.
Dicionário e contexto. Um verbo pode ter várias definições registradas, e o candidato deve escolher a que combina com o sujeito, com o complemento e com a situação do trecho. Em tirar uma dúvida, o verbo significa esclarecer; em tirar uma cópia, significa reproduzir. A definição deve caber no trecho inteiro, e não só na palavra isolada. Essa é a regra que decide a maior parte das questões de significação.
Sinônimo que cabe no trecho. Quando a questão pede o sentido de uma palavra, a alternativa certa é um sentido que o texto admite, e não necessariamente um sinônimo perfeito. Uma palavra raramente tem substituto exato. O teste prático é ler o trecho com a alternativa no lugar da palavra destacada: se a frase continuar lógica e mantiver a informação, a alternativa serve. Se a frase ficar estranha ou mudar a informação, descarte-a, ainda que a alternativa seja um sinônimo do dicionário.
Erros típicos. O primeiro é escolher o sinônimo mais conhecido sem testar no trecho. O segundo é confundir parônimos, sobretudo deferir com diferir, que aparecem em textos administrativos com frequência. O terceiro é ler a palavra no sentido literal quando o trecho pede o figurado. O quarto é aceitar a alternativa que apenas repete a palavra do texto, sem explicar o sentido dela no contexto.
Como isso aparece no cargo. Um despacho diz: O setor decidiu deferir o pedido do servidor, desde que a documentação seja complementada. A palavra deferir aparece com o sentido de atender, e a alternativa que a troca por diferir confunde o sentido, porque o contexto pede aceitação do pedido, e não adiamento ou diferença.
Exemplo resolvido
No trecho O chefe deferiu o pedido de licença do servidor, o verbo deferir significa:
A) adiar. B) atender. C) recusar. D) protelar. E) diferenciar.
- Deferir significa atender ou aceitar um pedido; é o sentido do trecho.
- Adiar e protelar são sentidos de diferir, o parônimo, e não do verbo usado.
- Recusar é o oposto de deferir, e diferenciar é o sentido de diferir. A resposta é a B.
Comparação
Sentido literal x figurado
| Denotativo | Conotativo |
|---|---|
| Sentido de dicionário, sem efeito de imagem | Sentido que surge do contexto ou da imagem |
| Uso direto da palavra no trecho | Uso figurado, dependente da intenção |
Pegadinha da banca
Absolutos desconfiados
Palavras como sempre, nunca, todos e somente tornam a alternativa uma generalização. Ela só está certa se o texto afirmar a generalização com a mesma força.
Atenção
Deferir não é diferir
Deferir é atender um pedido. Diferir é ser diferente ou adiar. Em textos administrativos, a troca desses dois verbos muda o sentido da decisão.
Pegadinha da banca
Tipo não é gênero
Tipo é a forma de organizar as informações: narrar, descrever, argumentar, expor ou injungir. Gênero é a forma social do texto, como notícia, carta ou edital. A alternativa que traz um gênero, numa pergunta sobre tipo, está errada.
1.4 Exemplo resolvido
Assinale a alternativa em que há uma hipérbole.
A) O atendimento começou às oito e terminou às dez, no mesmo balcão. B) Esperei uma eternidade na fila, e o servidor nem olhou para mim. C) O processo passou pelo setor como um caminhão de carga passa por uma ponte. D) O atendente disse que o protocolo sairia assim que possível. E) A sala de espera está vazia, e a porta foi fechada pelo porteiro.
- A hipérbole é o exagero intencional, que não deve ser lido ao pé da letra.
- A alternativa B exagera ao dizer que esperou uma eternidade; a espera real não é infinita, e o exagero é o recurso da figura.
- As alternativas A, D e E são fatos ou orientações literais, e a C é comparação com conectivo.
Resposta: B
1.5 Fixação
Questões inéditas, no estilo da banca.
F1inédita
Ao afirmar que 'Carlos parou de fumar no ano passado', o autor deixa implícito, como informação pressuposta, que:
- A)Carlos fumava antes do ano passado, período em que deixou de fazê-lo.
- B)Carlos fuma atualmente, mas em quantidade menor do que costumava fumar.
- C)Carlos é um ex-fumante que sofreu uma recaída recente e voltou a fumar.
- D)Carlos nunca fumou na vida e apenas comentou um hábito de outras pessoas.
- E)Carlos decidiu não fumar por causa de uma orientação recebida de um médico.
F2inédita
Leia: 'Misture os ovos ao açúcar, bata por cinco minutos e leve a massa ao forno preaquecido.' Esse trecho pertence a qual tipologia?
- A)injuntiva, porque orienta o leitor a executar ações em uma ordem determinada e necessária.
- B)narrativa, porque conta uma sequência de fatos ocorridos com personagens em determinado lugar.
- C)argumentativa, porque defende que essa receita é a melhor opção de sobremesa para a família.
- D)descritiva, porque caracteriza os ingredientes e a massa pelas suas qualidades sensoriais.
- E)dissertativa, porque reflete de forma abstrata sobre o valor da culinária na cultura popular.
F3inédita
Em 'Esperei uma eternidade pelo ônibus', o exagero proposital, usado para enfatizar a longa espera, caracteriza a figura de:
- A)metonímia, porque substitui um termo por outro que mantém com ele uma relação de proximidade.
- B)prosopopeia, porque atribui características humanas a seres inanimados ou abstratos do texto.
- C)ironia, porque diz o contrário do que se pensa, com intenção crítica ou zombeteira.
- D)eufemismo, porque atenua uma ideia desagradável para torná-la mais suave ao leitor.
- E)hipérbole, porque exagera a dimensão de algo para produzir um efeito de ênfase no texto.
F4inédita
Na reunião, o diretor decidiu pôr as cartas na mesa. Nesse contexto, a expressão 'pôr as cartas na mesa' significa:
- A)distribuir tarefas entre os membros da equipe de forma igualitária.
- B)adiar uma decisão até que todos os participantes estejam presentes.
- C)revelar abertamente as intenções e os planos ao grupo.
- D)organizar documentos sobre a mesa de reuniões da diretoria.
- E)jogar cartas com os colegas durante o intervalo do trabalho.
F5inédita
A palavra 'pé' tem sentido de parte do corpo em 'machucou o pé' e de base de sustentação em 'o pé da mesa'. Esse fenômeno, em que uma mesma palavra tem vários sentidos ligados entre si, chama-se:
- A)homonímia, que é a identidade de forma entre palavras de origens e sentidos diferentes.
- B)polissemia, que é a possibilidade de uma palavra ter vários sentidos ligados entre si.
- C)sinonímia, que é a relação entre palavras de sentido parecido.
- D)antonímia, que é a relação entre palavras de sentidos opostos.
- E)paronímia, que é a semelhança de som entre palavras de sentidos diferentes.
1.6 Questões da banca
Questões oficiais de provas anteriores, com a fonte.
Q1oficial · PREF/SAO JOSE DOS CAMPOS/SP 2026
Leia o trecho inicial do prefácio do livro “As mentiras que os homens contam”, de Luís Fernando Veríssimo: “Nós nunca mentimos. Quando mentimos, é para o bem de vocês. Verdade. Começa na infância, quando a gente diz para a mãe que está sentindo uma coisa estranha, bem aqui, e não pode ir à aula sob pena de morrer no caminho. Se fôssemos sinceros e disséssemos que não tínhamos feito a lição de casa e por isso não podíamos enfrentar a professora a mãe teria uma grande decepção. Assim, lhe dávamos a alegria de se preocupar conosco, que é a coisa que mãe mais gosta, e a poupávamos de descobrir a nossa falta de caráter. Melhor um doente do que um vagabundo. E se ela não acreditasse, e nos mandasse ir à escola de qualquer jeito, ainda tínhamos um trunfo sentimental. “Então vou ter que inventar uma história para a professora”, querendo dizer vou ter que mentir para outra mulher como se ela fosse você. “Está bem, fica em casa estudando!” E ficávamos em casa, fazendo tudo menos estudar, dando-lhe todas as razões para dizer que não nos aguentava mais, que é outra coisa que mãe também adora.” (VERÍSSIMO, Luís Fernando. As mentiras que os homens contam. Rio de Janeiro: Objetiva, 2015) Quanto aos elementos apresentados no prefácio do livro para justificar as razões pelas quais os homens mentem, Veríssimo parece querer defender que, para os homens, a mentira é uma condição que está relacionada às regras sociais de modo
- A)subjetivo.
- B)natural.
- C)opressor.
- D)covarde.
- E)facultativo.
Q2oficial · ALE/RO 2026
Assinale o segmento textual que é classificado como de tipo textual normativo.
- A)Alerta: tempestades com vento de 100 km/h podem atingir 4 estados neste domingo.
- B)O mercado de carros elétricos no Brasil está em plena expansão, oferecendo aos aposentados uma oportunidade única de adotar veículos que combinam economia e eficiência energética.
- C)Moradores do prédio não podem ter animais domésticos em seus apartamentos sob pena de multa.
- D)Com o crescimento do mercado de carros elétricos no Brasil, aposentados têm à disposição uma variedade de modelos que combinam economia, conforto e segurança.
- E)Brasil vence com facilidade, derruba invencibilidade de Senegal e acha formação ideal.
Q3oficial · PREF/SALVADOR/BA 2026
'Carinho, consentimento e camisinha': Prefeitura de Salvador lança campanha bem-humorada e incentiva 'conchinha' durante frente fria No Instagram, a gestão municipal orienta também a proteção nas relações íntimas https://oglobo.globo.com/ela/noticia/2025/07/10/carinho-consentimento-e-camisinha-prefeitura-de-salvador-lanca-campanha-bem-humorada-e-incentiva-conchinha-durante-frente-fria.ghtml acesso em 13.7.26 No comunicado, a expressão “Se o clima esquentar” participa da construção do humor porque
- A)substitui uma referência direta às relações íntimas por uma formulação de sentido exclusivamente meteorológico.
- B)apresenta o aumento da temperatura como causa direta das atitudes afetivas adotadas pelos interlocutores.
- C)explora o duplo sentido do vocábulo “clima”, associado à temperatura e também à aproximação íntima.
- D)atribui às condições climáticas a responsabilidade pelas decisões afetivas tomadas pelos interlocutores.
- E)estabelece uma oposição entre o desconforto provocado pelo frio e os riscos das mudanças climáticas.
Q4oficial · SEDUC/SP 2026
Os gêneros do discurso organizam a nossa fala da mesma maneira que a organizam as formas gramaticais (sintáticas). Aprendemos a moldar nossa fala às formas do gênero e, ao ouvir a fala do outro, sabemos de imediato, bem nas primeiras palavras, pressentir-lhe o gênero, adivinhar-lhe o volume (a extensão aproximada do todo discursivo), a dada estrutura composicional, prever-lhe o fim, ou seja, desde o início, somos sensíveis ao todo discursivo que, em seguida, no processo da fala, evidenciará suas diferenciações. BAKHTIN, M. e VOLOCHINOV, V. N. Marxismo e filosofia da linguagem. São Paulo: Hucitec, 2004. De acordo com a passagem, a organização da linguagem por meio de gêneros do discurso contribui para um pensamento linguístico
- A)previsível.
- B)normativo.
- C)individual.
- D)espontâneo.
- E)subjetivo.
Q5oficial · PREF/MACAE/RJ 2026
Leia o texto a seguir. “Quando o assunto é a saúde da tireoide, um nutriente se destaca como o mais essencial: o iodo. Ele é a matéria-prima usada pela glândula para produzir hormônios que controlam o metabolismo, a energia e o funcionamento de praticamente todos os órgãos do corpo. Junto com o selênio, forma a base nutricional que permite à tireoide trabalhar bem. Entender o papel desses nutrientes e suas principais fontes ajuda a manter o equilíbrio hormonal em dia.” (Tua Saúde, 15/04/2026) Assinale a opção que indica a finalidade principal desse texto.
- A)Procurar ensinar o leitor sobre o funcionamento de seu corpo.
- B)Informar o leitor sobre o papel dos nutrientes na saúde da tireoide.
- C)Ensinar o leitor a como agir para manter o equilíbrio hormonal em dia.
- D)Mostrar os caminhos práticos de como melhorar a saúde da tireoide.
- E)Indicar quais os principais nutrientes participantes especificamente da saúde da tireoide.
Q6oficial · PGE RN 26 2026
Texto base (CG1A1): A era digital transformou diversos aspectos da vida cotidiana, e a inteligência artificial (IA) surge como um dos pilares dessa nova era. Com a inserção da IA no setor público, desafios regulatórios significativos emergem. A implementação dessa tecnologia pode potencializar serviços públicos, mas também levanta questões jurídicas complexas que requerem atenção. O desafio inicial de regular a IA no setor público reside na compreensão dos fundamentos tecnológicos e sua interligação com o arcabouço jurídico. Sendo um campo multifacetado, a IA abrange desde o aprendizado de máquina até o processamento de linguagem natural e robótica. Por sua natureza, ela desafia noções tradicionais de direitos e responsabilidades, o que torna imperativo um novo olhar jurídico. No Brasil, a regulação da IA ainda está em desenvolvimento, mas algumas legislações existentes já interagem com o tema. A Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD) é um exemplo de como as questões de privacidade e proteção de dados são cruciais quando se fala de IA, especialmente no setor público. Esta lei assegura que o tratamento de dados pessoais seja realizado com respeito à liberdade e à privacidade. É crucial estabelecer políticas públicas que incentivem a inovação, mas que também delimitem o campo de atuação da IA. Isso requer a colaboração entre legisladores, tecnólogos e especialistas em ética. A criação de um marco regulatório robusto possibilitaria a formação contínua dos operadores do direito e permitiria que profissionais se mantivessem atualizados em relação às melhores práticas e desenvolvimentos no campo da IA. Internet: <www.legale.com.br> (com adaptações).
O texto CG1A1 caracteriza-se como predominantemente
- A)argumentativo, pois as ideias são organizadas com base em justificativas que sustentam a necessidade de regulação da IA.
- B)narrativo, pois apresenta a evolução da IA por meio de encadeamento temporal de fatos.
- C)injuntivo, pois orienta o leitor sobre procedimentos para a regulação da IA no setor público.
- D)expositivo, visto que as informações são apresentadas de forma objetiva, sem posicionamentos acerca do tema.
- E)descritivo, uma vez que se restringe à caracterização técnica da IA e de seus elementos.
1.7 Gabarito comentado
P1inédita · pré-testeResposta: B
- D: A educação no trânsito não aparece no trecho. A alternativa acrescenta uma informação que o texto não dá.
- C: O texto diz que os acidentes cresceram. A alternativa inverte esse dado.
- A: O trecho não fala do uso das bicicletas como meio de transporte. Trata apenas da segurança diante da obra.
- E: O trecho não diz que o trânsito piorou por falta de obras viárias. Essa causa é inventada pela alternativa.
P2inédita · pré-testeResposta: A
- E: A descrição caracteriza seres e lugares sem uma sequência de ações. O texto do enunciado tem ações em ordem.
- B: A dissertação defende uma tese. O enunciado relata fatos e não defende posição alguma.
- D: A injunção orienta o leitor a agir. O enunciado conta o que aconteceu, e não dá instruções.
- C: A exposição apresenta informações sobre um assunto. O enunciado tem personagens e uma sequência de fatos.
P3inédita · pré-testeResposta: A
- D: Na comparação a aproximação vem marcada por conectivo, como 'como'. O verso não traz conectivo algum.
- B: A hipérbole exagera a dimensão de algo. O verso não exagera a intensidade do silêncio, apenas o caracteriza.
- C: O eufemismo suaviza uma ideia desagradável. O verso não suaviza nada.
- E: A ironia diz o contrário do que se pensa. O verso fala com seriedade sobre o silêncio.
F1inéditaResposta: A
- D: Se Carlos nunca fumou, não faria sentido dizer que parou. A alternativa contradiz a pressuposição.
- E: O motivo da decisão não aparece na frase. Essa informação é inventada, e não pressuposta pelo enunciado.
- B: A frase indica que Carlos parou, portanto ele não fuma atualmente. A alternativa contradiz o enunciado.
- C: A recaída não está pressuposta. A frase não sugere que Carlos voltou a fumar.
F2inéditaResposta: A
- B: A narração conta fatos ocorridos. O trecho dá ordens, e não relata acontecimentos.
- D: A descrição caracteriza seres e objetos. O trecho apenas indica o que fazer com os ingredientes.
- C: A argumentação defende uma tese. O trecho não defende nada, só orienta a execução de tarefas.
- E: A dissertação reflete sobre um tema de forma abstrata. O trecho é uma sequência concreta de instruções.
F3inéditaResposta: E
- D: O eufemismo suaviza uma ideia. O enunciado exagera a espera, em vez de amenizá-la.
- C: A ironia diz o contrário do que foi vivido. O enunciado não diz o contrário da espera, apenas a amplia.
- A: A metonímia substitui um termo por outro próximo. Não há substituição no enunciado, só exagero.
- B: A prosopopeia dá características humanas a coisas. O ônibus não recebe qualidade humana no enunciado.
F4inéditaResposta: C
- E: O sentido literal de jogar cartas não corresponde à expressão. No contexto de reunião, a expressão é figurada.
- D: Organizar documentos é uma leitura literal que o contexto não sustenta.
- B: Adiar uma decisão é o contrário do que a expressão indica, que é agir com transparência.
- A: Distribuir tarefas não tem relação com a expressão. Ela trata de revelar intenções.
F5inéditaResposta: B
- C: A sinonímia relaciona palavras de sentido parecido, e não uma mesma palavra com vários sentidos.
- D: A antonímia é a relação de oposição de sentido. Nada no enunciado indica oposição entre os sentidos.
- A: A homonímia reúne palavras diferentes com a mesma forma. No exemplo, trata-se de uma palavra só, com sentidos ligados.
- E: A paronímia é a semelhança de som entre palavras diferentes. O enunciado mostra sentidos de uma mesma palavra.
Q1oficialResposta: B
- A: Subjetivo aponta para algo que vem só da pessoa. O texto mostra a mentira como parte das regras sociais, e não como um juízo individual.
- C: Opressor descreve quem domina outro. O trecho não apresenta a mentira como forma de dominação.
- D: Covarde sugere medo como motivo. O autor justifica a mentira como gesto de cuidado com quem está perto, e não como fraqueza.
- E: Facultativo é o que pode ser escolhido. O texto apresenta a mentira como parte da convivência, e não como escolha opcional.
Fonte: PREF/SAO JOSE DOS CAMPOS/SP 2026 — prova em conhecimento.fgv.br
Q2oficialResposta: C
- A: É um alerta informativo sobre tempestades. Não estabelece regra de conduta nem sanção.
- B: Apresenta características de um produto, como economia e eficiência. É um texto de divulgação, e não uma regra.
- D: Descreve modelos de carros e suas vantagens. É um texto de divulgação, e não uma norma.
- E: É uma notícia sobre um jogo. Relata fatos, sem estabelecer regra.
Fonte: ALE/RO 2026 — prova em conhecimento.fgv.br
Q3oficialResposta: C
- A: A expressão não se limita ao sentido meteorológico. O humor depende justamente do segundo sentido, o da intimidade.
- B: O aumento da temperatura não causa as atitudes afetivas. A expressão é uma piada com o clima, e não uma relação de causa.
- D: As condições climáticas não são responsabilizadas pelas decisões. A frase apenas usa o clima como metáfora.
- E: A alternativa cria um contraste com as mudanças climáticas, que não está no comunicado. O humor vem do duplo sentido.
Fonte: PREF/SALVADOR/BA 2026 — prova em conhecimento.fgv.br
Q4oficialResposta: A
- B: Normativo se refere a regras. O texto fala de formas de fala que orientam a previsão, e não de regras impostas.
- C: Individual vai contra a ideia do texto: os gêneros são sociais e compartilhados pelos falantes.
- D: Espontâneo diz que a fala surge sem forma. O texto afirma que a fala já é moldada pelo gênero.
- E: Subjetivo é o que vem do sujeito. O texto trata de formas sociais de fala, e não de impressões pessoais.
Fonte: SEDUC/SP 2026 — prova em conhecimento.fgv.br
Q5oficialResposta: B
- A: O texto fala da tireoide, e não do corpo como um todo. A finalidade está ligada ao papel dos nutrientes.
- C: Ensinar a agir é função de texto orientador. O trecho apenas explica o papel dos nutrientes, sem dar instruções.
- D: O texto não traz caminhos práticos para melhorar a saúde. Ele informa sobre a base nutricional da tireoide.
- E: O texto cita dois nutrientes, mas não tem como objetivo listar todos os principais. Seu foco é o papel deles na tireoide.
Fonte: PREF/MACAE/RJ 2026 — prova em conhecimento.fgv.br
Q6oficialResposta: A
- B: Narrativo tem sequência de fatos no tempo, com personagens. O texto não narra a evolução da IA em ordem temporal.
- C: Injuntivo dá ordens ou orienta procedimentos. O texto defende uma ideia e não dá instruções passo a passo.
- D: Expositivo apresenta informações sem tomar posição. O texto defende a necessidade de regulação, e por isso não é neutro.
- E: Descritivo caracteriza seres, lugares ou coisas. O texto fala de regulação e de argumentos, e não de uma descrição técnica.
Fonte: PGE RN 26 (2026) — prova em cdn.cebraspe.org.br
1.8 Revisão relâmpago e mapa de revisão
- Compreender é ler o que está escrito; interpretar é concluir o que está implícito, com base no texto.
- Pressuposto resiste à negação; subentendido pode ser negado sem contradição.
- Absolutos como sempre, nunca e todos exigem que o texto afirme a generalização.
- Tipo descreve a organização das informações; gênero é a forma social do texto.
- Normativo ou injuntivo estabelece comportamento, mesmo sem imperativo.
- Metáfora transfere sentido sem conectivo; comparação usa como, tal qual ou feito.
- Metonímia usa termo com relação real de proximidade; metáfora usa semelhança imaginada.
- Hipérbole exagera; ironia diz o contrário com intenção crítica.
- Denotação é o sentido literal; conotação é o sentido que surge do contexto.
- Deferir é atender um pedido; diferir é adiar ou ser diferente.
Mapa de revisão
Reveja este capítulo em 1, 7 e 30 dias.
Treine este tópico no PassaPro: abrir o treino deste tópico