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Matéria 05

Administração Pública

O que o edital pede nesta matéria

  1. 11 Administração Pública do modelo racional-legal ao paradigma pós burocrático.249 questões da FGV e Cebraspe, 2018–2026 · cap. 9
  2. 22 Políticas públicas. O ciclo das políticas públicas (construção de agenda, formulação da política, processo decisório, implementação e avaliação).323 questões da FGV e Cebraspe, 2018–2026 · cap. 9
  3. 33 Processos participativos de gestão pública: conselhos de gestão, orçamento participativo, parceria entre governo e sociedade.83 questões da FGV e Cebraspe, 2018–2026 · cap. 9
  4. 44 Planejamento nas organizações públicas. O ciclo do planejamento (análise do ambiente, objetivos estratégicos, missão, visão, valores).391 questões da FGV e Cebraspe, 2018–2026 · cap. 9
  5. 55 Governo eletrônico. Transparência da administração pública. Controle social e cidadania. Accountability.224 questões da FGV e Cebraspe, 2018–2026 · cap. 10
  6. 66 Gestão de Pessoas por Competências.41 questões da FGV e Cebraspe, 2018–2026 · cap. 10
  7. 77 Mudanças institucionais. Conselhos, Organizações Sociais, Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP), agência reguladora, agência executiva, consórcios públicos.74 questões da FGV e Cebraspe, 2018–2026 · cap. 10
  8. 88 Gestão por resultados na produção de serviços públicos.152 questões da FGV e Cebraspe, 2018–2026 · cap. 11
  9. 99 Governabilidade e governança. 9.1 Intermediação de interesses (clientelismo, corporativismo e neocorporativismo). 9.2 Princípios de governança pública.198 questões da FGV e Cebraspe, 2018–2026 · cap. 11
  10. 1010 As políticas públicas no Estado brasileiro contemporâneo. 10.1 Descentralização e democracia. 10.2 Participação, atores sociais e controle social. 10.3 Gestão local, cidadania e equidade social. 10.4 Corrupção e políticas públicas: fatores que influenciam a incidência de corrupção e fatores que promovem a qualidade das políticas públicas.68 questões da FGV e Cebraspe, 2018–2026 · cap. 11
  11. 1111 O ciclo do planejamento em organizações (PDCA).80 questões da FGV e Cebraspe, 2018–2026 · cap. 12
  12. 1212 Referencial Estratégico das Organizações. 12.1 Análise de ambiente interno e externo. 12.2 Ferramentas de análise de ambiente: análise SWOT, análise de cenários, matriz GUT. 12.3 Negócio, missão, visão de futuro, valores.214 questões da FGV e Cebraspe, 2018–2026 · cap. 12
  13. 1313 Indicadores de desempenho. 13.1 Tipos de indicadores. 13.2 Variáveis componentes dos indicadores.153 questões da FGV e Cebraspe, 2018–2026 · cap. 12

Administração Pública · Capítulo 9

Do modelo racional-legal ao paradigma pós-burocráticoPolíticas públicas e o ciclo de políticasProcessos participativos de gestão públicaPlanejamento nas organizações públicas e o ciclo do planejamento

Itens do edital:

  • 1. 1 Administração Pública do modelo racional-legal ao paradigma pós burocrático.
  • 2. 2 Políticas públicas. O ciclo das políticas públicas (construção de agenda, formulação da política, processo decisório, implementação e avaliação).
  • 3. 3 Processos participativos de gestão pública: conselhos de gestão, orçamento participativo, parceria entre governo e sociedade.
  • 4. 4 Planejamento nas organizações públicas. O ciclo do planejamento (análise do ambiente, objetivos estratégicos, missão, visão, valores).

9.1 Pré-teste

Responda antes de ler a teoria. O gabarito está no fim do capítulo.

P1inédita

Uma secretaria substitui decisões baseadas em regras gerais e competências formalmente definidas por ordens pessoais do dirigente, que escolhe servidores conforme sua confiança e altera procedimentos caso a caso. Qual traço do modelo racional-legal está sendo abandonado?

  1. A)A impessoalidade e a atuação orientada por normas formais.
  2. B)A flexibilidade própria da administração gerencial.
  3. C)A participação popular na formulação das políticas.
  4. D)A avaliação de impacto das ações governamentais.
  5. E)A descentralização por meio de organizações sociais.

P2inédita
Após avaliar uma política de transporte, um governo decide ampliar o programa para outras regiões com base nos resultados e nos custos observados. No ciclo de políticas públicas, a decisão de ampliar é subsidiada pelas evidências produzidas na etapa de avaliação.

  1. A)Correta, pois a avaliação produz evidências para decidir pela continuidade, revisão ou expansão da política.
  1. B)Incorreta, pois a avaliação ocorre apenas antes da inclusão do problema na agenda.
  2. C)Incorreta, pois expansão é etapa exclusiva da formulação e não pode considerar resultados.
  3. D)Incorreta, pois avaliação se limita à execução administrativa, sem gerar informação para decisões.
  4. E)Incorreta, pois a política termina necessariamente antes de qualquer avaliação.

P3inédita
Durante a elaboração do planejamento estratégico, uma autarquia define como valores a imagem que pretende alcançar em dez anos e como visão os princípios que orientam atualmente a conduta de seus servidores. A equipe empregou corretamente esses conceitos.

  1. A)Sim: valores descrevem o futuro e visão expressa princípios de conduta.
  1. B)Não: visão representa o futuro desejado e valores expressam princípios orientadores.
  2. C)Sim: visão e valores são sinônimos no planejamento estratégico.
  3. D)Não: a imagem futura corresponde à missão e os princípios correspondem aos objetivos.
  4. E)Sim: valores descrevem metas mensuráveis e visão define a razão de existir.

9.2 O que cai

  • 1. 1 Administração Pública do modelo racional-legal ao paradigma pós burocrático: 249 questões da FGV e Cebraspe, 2018–2026
  • 2. 2 Políticas públicas. O ciclo das políticas públicas (construção de agenda, formulação da política, processo decisório, implementação e avaliação): 323 questões da FGV e Cebraspe, 2018–2026
  • 3. 3 Processos participativos de gestão pública: conselhos de gestão, orçamento participativo, parceria entre governo e sociedade: 83 questões da FGV e Cebraspe, 2018–2026
  • 4. 4 Planejamento nas organizações públicas. O ciclo do planejamento (análise do ambiente, objetivos estratégicos, missão, visão, valores): 391 questões da FGV e Cebraspe, 2018–2026

9.3 Teoria

Na prova de Administração Pública do TCU, a FGV cobra a evolução do modelo de administração e a lógica do ciclo das políticas e do planejamento. Quem entende por que cada modelo surgiu consegue responder às questões que descrevem uma situação concreta de órgão público sem decorar listas soltas.

9.3.1 Do modelo racional-legal ao paradigma pós-burocrático

A administração pública brasileira passou por modelos sucessivos, e cada um responde a um problema do anterior.

O modelo patrimonialista confundia o público com o privado. O modelo burocrático, descrito por Max Weber como racional-legal, surgiu para separar o cargo da pessoa que o ocupa. O modelo pós-burocrático, ou gerencial, procura corrigir os excessos da burocracia sem abandonar a legalidade.

Características do modelo racional-legal. A burocracia se apoia em normas escritas, hierarquia clara, divisão do trabalho, impessoalidade e seleção técnica dos servidores. Essas características garantem previsibilidade e controle, e foram a resposta ao clientelismo.

O que muda no paradigma pós-burocrático. O foco passa do processo para o resultado. A gestão ganha flexibilidade, a participação de cidadãos e parceiros se amplia e o controle se desloca do cumprimento de cada etapa para a avaliação do desempenho. O Plano Diretor da Reforma do Aparelho do Estado, de 1995, é o marco da reforma gerencial no Brasil.

AspectoRacional-legalPós-burocrático
FocoProcedimento corretoResultado e valor público
ControleEx ante, pelo cumprimento de normasEx post, pela avaliação de desempenho
Gestão de pessoasCarreira e cargoDesempenho e competências

Os princípios constitucionais. A Constituição de 1988, no caput do art. 37, estabelece que a administração pública direta e indireta obedecerá aos princípios da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência. A eficiência foi incluída pela Emenda Constitucional 19, de 1998. Esse ponto é cobrado porque mostra que o modelo brasileiro combina a legalidade burocrática com a orientação para resultados.

Por que a burocracia foi necessária. Antes de Weber, a nomeação e a promoção de funcionários dependiam de vínculos pessoais com quem governava. O resultado era a troca de servidores a cada mudança de governo e a falta de critério técnico nas decisões. A burocracia racional-legal atacou essa falha com regras gerais, aplicáveis a todos, e com a exigência de que a autoridade estivesse no cargo, e não na pessoa. Por isso, a impessoalidade e a seleção técnica são as características que a questão costuma usar para identificar o modelo.

Limites do modelo. O excesso de regras gerou a rigidez: procedimentos cumpridos sem produzir o efeito pretendido. Essa disfunção, o apego excessivo ao procedimento, é a crítica que motivou as reformas gerenciais. A reforma não nega a burocracia; ela corrige a rigidez com metas, flexibilidade de gestão e avaliação de desempenho.

Dimensões da burocracia de Weber. A banca pede para associar cada característica à sua ideia central. A regulamentação é o conjunto de normas e regulamentos escritos. A hierarquia de autoridade organiza os cargos em níveis, com subordinação. A comunicação formalizada faz a troca de informações por escrito e de forma documentada, o que gera registro e padronização. A competência profissional escolhe os ocupantes dos cargos pelo mérito técnico. A divisão do trabalho distribui as tarefas por especialização. A impessoalidade faz a regra valer para o cargo, e não para a pessoa. Os manuais agrupam essas características em listas de tamanhos diferentes; o que cai em prova é reconhecer a ideia de cada uma.

Limitações da departamentalização funcional. Agrupar as unidades por grandes funções (financeiro, jurídico, administrativo, tecnologia) dá ganho de especialização, mas traz três limitações que a banca cobra. A subobjetivação ocorre quando cada departamento passa a perseguir as próprias metas e perde de vista as da organização. A pressão sobre a cúpula aparece porque só a alta direção consegue integrar áreas que não se coordenam entre si. A terra de especialistas surge quando os servidores ficam muito especializados e deixam de enxergar o funcionamento do conjunto.

Fases da Nova Gestão Pública. A reforma gerencial é descrita em enfoques sucessivos. O gerencialismo puro busca reduzir custos e elevar a eficiência, com a lógica da empresa privada. O consumerism trata o cidadão como cliente e valoriza a escolha e a satisfação do usuário. A public service orientation recoloca o interesse público, a qualidade do serviço e a cidadania no centro. O patrimonialismo é anterior à burocracia, e o governo aberto trata de transparência e participação; nenhum dos dois é fase dessa tipologia.

Teoria da contingência. Não existe estrutura ideal para toda organização: a forma mais eficaz depende de variáveis como ambiente, tecnologia e pessoas. Burns e Stalker distinguem o modelo mecanicista, hierárquico e rígido, adequado a ambiente estável e tarefas rotineiras, e o modelo orgânico, flexível e descentralizado, adequado a ambiente instável e complexo. A teoria nega a superioridade universal de qualquer um dos dois, inclusive a da burocracia.

Exceções e pegadinhas.

  • Pós-burocrático não significa ausência de regras. A legalidade permanece, e o que muda é a forma de controlar o cumprimento dos objetivos.
  • Weber não descreveu a burocracia como defeito. Ele a apresentou como forma racional de organização, e os problemas, como o apego excessivo a normas, vieram depois.
  • A eficiência não substitui a legalidade. Um ato eficiente e ilegal continua inválido.

Casos que mais caem. A banca descreve uma situação em que um órgão exige o cumprimento de procedimento sem avaliar o resultado, e pergunta qual modelo a prática representa (racional-legal). Outra questão descreve a adoção de metas e indicadores de desempenho e pergunta a orientação (pós-burocrática).

Erro típico do candidato. Achar que o modelo pós-burocrático elimina a hierarquia e a legalidade. Ele as mantém, mas altera o foco e o modo de controle.

Exemplo resolvido

A prática de avaliar servidores pelo número de procedimentos concluídos, sem considerar o efeito da ação pública, é característica de qual modelo? Resolução: o critério é o procedimento, e não o resultado; a prática se alinha ao modelo racional-legal, com foco no cumprimento de etapas. Resposta: racional-legal.

Comparação

Racional-legal e pós-burocrático

Racional-legalPós-burocrático
Foco no procedimento corretoFoco no resultado e no valor público
Controle pelo cumprimento de normasControle pela avaliação de desempenho

Exercício comentado

Como a banca cobrouoficial · AMAZUL 2026

Segundo Max Weber, a burocracia seria um modelo de organização fundamentada em seis dimensões, que assegurariam a constituição de uma organização convergindo-a para a máxima eficiência operacional. A dimensão em que a integralidade da troca de informações seria feita por meios escritos e documentados, denomina-se

  1. A)regulamentação.
  2. B)hierarquia de autoridade.
  3. C)comunicação formalizada.
  4. D)competência profissional.
  5. E)divisão do trabalho.

Resposta: C

Conceito: Modelo burocrático de Max Weber: a organização racional-legal se apoia em características como divisão do trabalho, autoridade hierárquica, regras escritas, competência técnica e comunicação formalizada.

Raciocínio: A questão quer a dimensão em que a troca de informações se faz por escrito e de forma documentada. Na burocracia weberiana, essa dimensão é a comunicação formalizada, que garante registro e padronização. Por isso a alternativa C é a resposta.

Pegadinha: A palavra 'documentada' aponta para a comunicação, mas a regulamentação também usa normas escritas. A questão pede a dimensão sobre a troca de informações, que é a comunicação formalizada.

Base: Modelo burocrático de Max Weber, dimensões da organização racional-legal (teoria da burocracia).

9.3.2 Políticas públicas e o ciclo de políticas

Política pública é o conjunto de decisões e ações do Estado para enfrentar um problema coletivo. O ciclo de políticas é a forma didática de descrever as etapas por onde passa uma política, desde o surgimento do problema até a sua avaliação. A banca cobra cada etapa e a sequência em que aparecem.

As cinco etapas do ciclo.

EtapaO que acontecePergunta-chave
Construção da agendaO problema entra na pauta do governoPor que isso é prioridade agora?
FormulaçãoAlternativas de solução são desenhadasQual é a melhor forma de resolver?
Processo decisórioUma alternativa é escolhida e autorizadaQuem decide e com base em quê?
ImplementaçãoA política é posta em práticaQuem executa e com quais recursos?
AvaliaçãoResultados e impactos são medidosA política atingiu o objetivo?

Regra geral. As etapas são sequenciais no modelo didático, mas, na prática, se sobrepõem. A avaliação alimenta novas agendas, e a implementação costuma revelar problemas que levam à reformulação. A banca cobra a sequência canônica, e a questão deve ser respondida com essa ordem.

Por que a agenda vem antes. Muitos problemas existem sem chegar ao governo. A agenda é o conjunto de temas que as autoridades consideram prioritários no momento. Um problema pode ganhar a agenda por pressão da imprensa, por uma crise ou por mobilização social. A banca cobra essa etapa quando a questão pergunta por que um tema recebeu atenção, e a resposta é a entrada na pauta, e não a escolha da solução.

Por que a avaliação fecha o ciclo. Avaliar é comparar o que foi feito com o que se pretendia e com o problema original. A avaliação devolve informações que alimentam a reformulação da política e podem reabrir a agenda. Por isso, o ciclo é representado como circular em alguns textos, embora o modelo didático seja sequencial.

Tipos de avaliação. O momento e a função mudam o nome da avaliação. A avaliação formativa ocorre durante a implementação e serve para corrigir rumos e aperfeiçoar a política. A avaliação somativa vem depois da execução e subsidia a decisão de continuar, ampliar ou encerrar o programa. A avaliação de desenho examina a teoria do programa, isto é, se a lógica entre problema, ações e resultados esperados é consistente. Quem lê 'formativa' como 'formação' erra: a função é de melhoria durante a execução. A decisão de ampliar ou encerrar pertence ao processo decisório; a avaliação fornece as evidências em que ela se apoia.

Exceções que a banca cobra.

  • A implementação pode alterar a política original. Essa distorção é chamada de desvio de implementação, e não significa que a etapa anterior falhou.
  • A decisão nem sempre é técnica: ela envolve negociação política e disputa de interesses.
  • A avaliação não é só a última etapa. Avaliações de processo acompanham a implementação, e avaliações de resultado vêm depois.

Casos que mais caem. A banca descreve uma situação em que a política foi escolhida, mas os recursos não chegaram à unidade executora, e pergunta a etapa afetada (implementação). Outra questão descreve a medição de resultados de um programa e pergunta a etapa (avaliação). O erro típico é confundir formulação com decisão.

Erro típico do candidato. Chamar de formulação tudo o que acontece antes da implementação. Formulação é o desenho das alternativas; a escolha entre elas é o processo decisório.

Exemplo resolvido

Uma prefeitura decide, após reunião com a comunidade, incluir a coleta seletiva no debate público, e só depois desenha três modelos de execução. Qual etapa do ciclo descreve o desenho dos três modelos?

  1. A inclusão do tema na pauta corresponde à construção da agenda.
  2. O desenho de alternativas de solução corresponde à formulação.
  3. A escolha de um dos três modelos seria o processo decisório, que ainda não ocorreu.

Resposta: formulação.

Esquema

Etapas do ciclo de políticas públicas

  1. 1Construção da agenda

    O problema entra na pauta do governo

  2. 2Formulação

    Alternativas de solução são desenhadas

  3. 3Processo decisório

    Uma alternativa é escolhida e autorizada

  4. 4Implementação

    A política é posta em prática

  5. 5Avaliação

    Resultados e impactos são medidos

Exercício comentado

Como a banca cobrouoficial · CGM PORTO VELHO/RO 26 2026

No contexto das políticas públicas, a avaliação formativa é utilizada principalmente para

  1. A)subsidiar a tomada de decisão quanto à adoção ou à expansão de políticas públicas.
  2. B)apoiar a implementação ou o aperfeiçoamento de políticas públicas.
  3. C)analisar a teoria do programa, considerando-se sua consistência e lógica interna.
  4. D)avaliar de que forma a liderança e a estratégia influenciam os resultados das políticas públicas.
  5. E)comparar diferentes políticas públicas para identificar aquelas cujo retorno justifique sua execução.

Resposta: B

Conceito: Avaliação formativa: acompanha a política durante a implementação, para aperfeiçoá-la, e se distingue da avaliação somativa, que decide sobre continuidade.

Raciocínio: A avaliação formativa é feita durante a implementação, com a função de corrigir rumos e aperfeiçoar o programa. Por isso a alternativa B, que fala em apoiar a implementação ou o aperfeiçoamento, é a correta. A avaliação que decide expansão ou continuidade é a somativa.

Pegadinha: A palavra 'formativa' sugere formação, mas a função é de melhoria durante a implementação. Quem confunde com a avaliação que decide sobre a continuidade erra a alternativa A.

Base: Tipologias de avaliação de políticas públicas: avaliação formativa, somativa e de desenho.

9.3.3 Processos participativos de gestão pública

A participação social é um dos mecanismos que aproximam o Estado do cidadão. Ela pode ocorrer em órgãos colegiados, em processos de decisão orçamentária ou em parcerias entre governo e sociedade. A banca cobra a diferença entre esses instrumentos e o papel de cada um.

Conselhos de gestão. Conselhos são órgãos colegiados com representação do governo e da sociedade civil, e podem ser deliberativos ou consultivos. Um conselho deliberativo decide sobre a política; um consultivo apenas opina. A Constituição prevê a participação da comunidade na gestão de serviços de saúde, no art. 198, III, e a participação de trabalhadores e empregadores em órgãos colegiados, no art. 10.

Orçamento participativo. É um processo em que a população discute prioridades e decide parte dos investimentos. A banca cobra a diferença entre consultar e decidir: o orçamento participativo, quando há deliberação, dá à população poder sobre parcela da alocação, mas não substitui a competência legal do Executivo e do Legislativo na aprovação da lei orçamentária.

InstrumentoPapel da sociedadeLimite
Conselho deliberativoDecide sobre a políticaRestrito à área de competência do conselho
Conselho consultivoOpinaNão tem poder de decisão
Orçamento participativoDefine prioridades de investimentoNão altera a competência legal da lei orçamentária

Cubo da democracia. Archon Fung propõe analisar um processo participativo em três dimensões. A primeira é quem participa: a acessibilidade, isto é, a abertura do processo a diferentes públicos. A segunda é como os participantes se comunicam e decidem: o tipo de interação. A terceira é qual o vínculo entre a discussão e a decisão final: o grau de influência. A banca troca as dimensões entre si: a acessibilidade não mede a transparência das decisões, e o grau de influência não conta votos.

Parceria entre governo e sociedade. A parceria pressupõe um instrumento formal, objetivos comuns e prestação de contas. A banca cobra a ideia de que a parceria não transfere ao parceiro privado o poder de decisão próprio do Estado.

Exceções e pegadinhas.

  • Nem todo conselho é deliberativo. A questão que afirma que todo conselho decide sobre a política está errada.
  • A participação não dispensa os controles de legalidade e de contas.

Casos que mais caem. A banca descreve um colegiado que apenas emite pareceres e pede o tipo (consultivo). Outra questão descreve uma consulta pública sobre prioridades de investimento e pergunta o instrumento (orçamento participativo).

Erro típico do candidato. Achar que participação social substitui a decisão legal. A participação influencia, e a decisão formal continua com quem a lei atribui.

9.3.4 Planejamento nas organizações públicas e o ciclo do planejamento

O planejamento organiza a ação pública em torno de objetivos e define como alcançá-los. Nas organizações públicas, ele se apoia em um diagnóstico do ambiente e em um conjunto de decisões sobre missão, visão e valores. A banca cobra a ordem dessas etapas e a função de cada uma.

O ciclo do planejamento. O ciclo começa pela análise do ambiente, interno e externo, que identifica forças, fraquezas, oportunidades e ameaças. Em seguida, a organização revisa ou define sua missão, que diz o que ela faz e para quem; sua visão, que diz onde quer chegar; e seus valores, que orientam a conduta. Só então define os objetivos estratégicos, as estratégias e os planos de ação, e monitora os resultados para ajustar o plano.

EtapaFunçãoResultado esperado
Análise do ambienteDiagnosticar a situaçãoForças, fraquezas, oportunidades e ameaças
Missão, visão e valoresDefinir a razão de existir e o rumoDeclarações claras e compartilhadas
Objetivos estratégicosEscolher o que priorizarObjetivos mensuráveis e alinhados
Planos e monitoramentoExecutar e corrigirIndicadores e relatórios periódicos

Regra geral. O planejamento parte do diagnóstico e não o contrário. Definir objetivos sem análise do ambiente produz metas que a organização não consegue cumprir ou que não respondem ao problema público.

Por que o diagnóstico vem primeiro. Um órgão público atua sob restrições de orçamento, de pessoal e de normas. Sem o diagnóstico, a missão e a visão ficam genéricas e os objetivos não se conectam aos recursos disponíveis. A análise do ambiente também identifica demandas da sociedade e de outros órgãos, que muitas vezes definem o que o planejamento precisa cobrir. Essa é a razão pela qual a banca trata a análise do ambiente como ponto de partida.

Monitoramento e revisão. O plano não termina com a aprovação. Indicadores acompanham a execução, e relatórios periódicos permitem corrigir rumos. Um plano que não é revisado vira documento sem efeito prático, e a banca cobra esse ponto quando a questão descreve um plano aprovado sem acompanhamento.

Filosofias de planejamento. A banca também cobra o estilo com que a organização planeja. O planejamento conservador busca resultados satisfatórios e preserva o que já existe. O otimizante procura o melhor resultado possível dentro das condições dadas. O adaptativo olha para as contingências e para o futuro, compatibiliza interesses e ajusta a organização às demandas do ambiente. O preventivo, que evita problemas já previstos, aparece como distrator do adaptativo: os dois olham adiante, mas só o adaptativo se ajusta a um ambiente em mudança.

Exceções e pegadinhas.

  • Missão não é visão. A missão descreve a função presente; a visão descreve o futuro desejado.
  • Valores orientam a conduta e não são metas. Não devem ser tratados como indicadores.
  • O planejamento público deve ser coerente com o plano plurianual, que é instrumento de planejamento previsto na Constituição, no art. 165.

Casos que mais caem. A banca descreve uma organização que definiu objetivos antes de analisar o ambiente e pergunta qual etapa foi pulada (análise do ambiente). Outra questão apresenta uma frase sobre o que a organização pretende ser em dez anos e pergunta se é missão ou visão (visão).

Erro típico do candidato. Confundir o ciclo do planejamento com o ciclo de políticas. O primeiro organiza a ação de uma organização; o segundo descreve o percurso de uma política pública.

Exemplo resolvido

Um órgão que define sua visão e seus objetivos antes de qualquer diagnóstico do ambiente cumpre a sequência do ciclo do planejamento?

  1. A sequência do ciclo começa pela análise do ambiente, que é o diagnóstico.
  2. A visão e os objetivos vêm depois do diagnóstico, para que se apoiem na realidade da organização.
  3. Ao pular o diagnóstico, o órgão inverte a ordem e não cumpre o ciclo.

Resposta: não.

Esquema

Sequência do ciclo do planejamento

  1. 1Análise do ambiente

    Diagnóstico interno e externo

  2. 2Missão, visão e valores

    Razão de existir, rumo e conduta

  3. 3Objetivos estratégicos

    Prioridades mensuráveis

  4. 4Planos e monitoramento

    Execução com correções periódicas

Exercício comentado

Como a banca cobrouoficial · CPRM 2025

Durante uma reunião estratégica, a gerência apresentou um tipo de planejamento voltado para as contingências e para o futuro da organização, buscando compatibilizar interesses e ajustar-se às demandas ambientais e futuras. O tipo de filosofia de planejamento descrito é

  1. A)preventivo.
  2. B)otimizante.
  3. C)adaptativo.
  4. D)conservador.
  5. E)progressivo.

Resposta: C

Conceito: Filosofia de planejamento: o planejamento adaptativo se volta às contingências e ao futuro, ajustando a organização às demandas ambientais.

Raciocínio: O enunciado descreve um planejamento voltado às contingências e ao futuro, que busca ajustar a organização ao ambiente e compatibilizar interesses. Esse é o planejamento adaptativo, alternativa C.

Pegadinha: O preventivo também olha para o futuro, e a banca o usa como distrator. A diferença é que o preventivo evita problemas conhecidos, e o adaptativo se ajusta ao ambiente.

Base: Filosofias de planejamento nas organizações públicas (análise do ambiente e ciclo do planejamento).

Pegadinha de prova

Pós-burocrático não elimina regras

A legalidade continua. A mudança está no foco e no modo de controle. Alternativas que dizem que o modelo abandona as normas são erradas.

Atenção

Conselho consultivo não decide

Quando a questão descreve um colegiado que apenas opina, o tipo é consultivo, mesmo que sua participação seja relevante para a política.

Pegadinha de prova

Missão e visão

Missão diz o que a organização faz hoje; visão diz aonde ela quer chegar. A banca troca as duas para testar a leitura da frase.

9.4 Exemplo resolvido

Assinale a alternativa que descreve corretamente o paradigma pós-burocrático na administração pública. A) Abandona a legalidade em favor da autonomia dos gestores. B) Elimina a hierarquia e a divisão do trabalho entre os órgãos. C) Desloca o controle do cumprimento de etapas para a avaliação de resultados. D) Substitui a seleção técnica de servidores pela indicação política. E) Restringe a participação social às decisões de natureza financeira.

  1. O paradigma pós-burocrático mantém a legalidade e altera o foco do processo para o resultado.
  2. A alternativa A contraria a legalidade; a B elimina características que ele não abandona; a D contraria a seleção técnica característica do modelo racional-legal e não é traço pós-burocrático.
  3. A alternativa C descreve o deslocamento do controle, do procedimento para a avaliação de desempenho, que é a característica do modelo.

Resposta: C

9.5 Fixação

Questões inéditas.

F1inédita
Um conselho municipal de saúde reúne representantes do governo e da sociedade para acompanhar a execução das ações e contribuir para o controle social. Qual característica melhor descreve esse espaço participativo?

  1. A)É uma instância de participação e controle social que aproxima governo e sociedade na gestão da política.
  1. B)É órgão exclusivamente privado que substitui a secretaria na execução dos serviços.
  2. C)É mecanismo destinado apenas a aprovar o orçamento anual, sem acompanhar políticas.
  3. D)É etapa de avaliação interna vedada à participação de usuários.
  4. E)É forma de privatização que transfere a titularidade da política aos representantes sociais.

F2inédita
Uma equipe técnica desenha opções para enfrentar a evasão escolar e compara custos, público-alvo e viabilidade antes de recomendar uma alternativa ao governo. Essa atividade corresponde principalmente à formulação da política pública.

  1. A)Correta, pois formular envolve construir e analisar alternativas de intervenção.
  1. B)Incorreta, pois corresponde à avaliação de impactos de uma política já encerrada.
  2. C)Incorreta, pois formular significa apenas executar a alternativa escolhida.
  3. D)Incorreta, pois a definição do problema e a construção de alternativas ocorrem somente após a implementação.
  4. E)Correta apenas quando a equipe já tiver iniciado a prestação dos serviços.

F3inédita
Um órgão público mantém regras e controles formais, mas também mede a qualidade do serviço entregue ao cidadão e responsabiliza gestores pelos resultados. Essa combinação demonstra que a administração gerencial pode incorporar controles burocráticos sem se limitar ao controle de procedimentos.

  1. A)Correta: o paradigma gerencial enfatiza resultados e pode coexistir com controles formais necessários.
  1. B)Incorreta: o modelo gerencial elimina toda norma e controle administrativo.
  2. C)Incorreta: a mensuração de resultados é incompatível com a prestação de serviços públicos.
  3. D)Incorreta: resultados só podem ser medidos por órgãos privados.
  4. E)Correta apenas se o órgão deixar de prestar contas à sociedade.

F4inédita
Uma organização declara como missão 'ser reconhecida nacionalmente como referência em auditoria pública até 2032' e como visão 'proteger o interesse público por meio de avaliações independentes'. A primeira declaração está formulada como visão e a segunda como missão.

  1. A)Correta: a primeira projeta um estado futuro e a segunda expressa a finalidade institucional.
  1. B)Incorreta: a primeira é valor e a segunda é objetivo operacional.
  2. C)Incorreta: a primeira é missão porque contém uma data e a segunda é valor porque trata de interesse público.
  3. D)Correta apenas se missão e visão forem aprovadas por consulta popular.
  4. E)Incorreta: missão e visão devem descrever exclusivamente metas financeiras.

F5inédita

Na etapa de implementação de uma política de vacinação, gestores distribuem responsabilidades, organizam equipes, garantem insumos e coordenam a prestação nos municípios. Qual aspecto da implementação está em foco?

  1. A)A conversão das decisões em ações, com mobilização de recursos e coordenação dos executores.
  2. B)A inclusão inicial do problema na agenda governamental.
  3. C)A comparação ex post dos impactos para decidir se a política será encerrada.
  4. D)A seleção final entre alternativas antes de qualquer decisão governamental.
  5. E)A definição abstrata de objetivos estratégicos sem execução de atividades.

9.6 Questões oficiais da FGV e Cebraspe

Questões oficiais de provas anteriores, com a fonte.

Q1oficial · ALE/RO 2026
Em determinado município, organizações da sociedade civil passaram a atuar em parceria com a prefeitura na oferta de atividades culturais em bairros periféricos. O poder público fornece apoio institucional e recursos, enquanto as associações locais contribuem com conhecimento do território e mobilização comunitária. Considerando a relação entre Estado e sociedade na formulação e execução de políticas públicas, é correto afirmar que

  1. A)a atuação das organizações da sociedade civil substitui o papel do Estado na definição e execução das políticas públicas.
  1. B)as políticas públicas são formuladas exclusivamente pelo Estado, cabendo à sociedade apenas o papel de beneficiária passiva.
  2. C)a cooperação entre Estado e sociedade pode ampliar a capacidade de implementação das políticas públicas.
  3. D)a participação da sociedade civil descaracteriza a política pública, transformando-a em ação privada.
  4. E)a interação entre Estado e sociedade ocorre apenas na etapa de avaliação das políticas públicas.

Q2oficial · MP/ES 2026
Uma autarquia federal organizou seus departamentos por grandes funções: financeiro, jurídico, administrativo e de tecnologia da informação. Com o tempo, os gestores de cada área passaram a priorizar exclusivamente as metas de seus departamentos, dificultando a coordenação entre as áreas. A alta direção viu-se sobrecarregada com a tarefa de integrar as ações departamentais, enquanto os servidores desenvolveram perfil altamente especializado, sem visão do funcionamento global da organização. A situação descrita é característica das limitações da departamentalização funcional, sendo correto afirmar que os problemas identificados correspondem, respectivamente, ao(à)

  1. A)enfoque introvertido, terra de especialistas e pressão sobre a cúpula.
  2. B)subobjetivação, enfoque introvertido e bitolamento das pessoas.
  3. C)bitolamento das pessoas, pressão sobre a cúpula e terra de especialistas.
  4. D)pressão sobre a cúpula, subobjetivação e terra de especialistas.
  5. E)subobjetivação, pressão sobre a cúpula e terra de especialistas.

Q3oficial · SEAD/SE 2025
Entre os processos participativos de gestão pública se destacam os conselhos gestores de políticas públicas nas três esferas de governo, as consultas e audiências públicas, iniciativas de ação popular e o orçamento participativo. Assinale a afirmativa correta acerca da implicação central da assimetria de informação para os processos participativos na gestão pública.

  1. A)A disponibilização irrestrita de dados públicos elimina a necessidade de mediação entre Estado e sociedade civil.
  1. B)A ausência de canais presenciais de participação inviabiliza qualquer forma de controle social.
  2. C)A assimetria de informação compromete a efetividade da participação social, dificultando o monitoramento e a avaliação das políticas públicas.
  3. D)A sociedade civil tende a preferir formas diretas de participação, independentemente da qualidade das informações disponibilizadas.
  4. E)A existência de plataformas digitais garante, por si só, a superação dos desafios de comunicação entre governo e população.

Q4oficial · ALE/AM 2025
Nas últimas décadas, a busca pela racionalização da Administração Pública tem servido de referência para diversas reformas no setor público, com propostas voltadas à simplificação das estruturas e à reconfiguração das práticas administrativas do Estado. Esse movimento, conhecido como Nova Gestão Pública (NGP), manifestou-se em diferentes contextos históricos, refletindo distintos enfoques conforme as necessidades de cada período. Com base nesse panorama, assinale a alternativa correta acerca das fases da Nova Gestão Pública:

  1. A)O Gerencialismo Puro focava essencialmente na redução de custos e no aumento da eficiência administrativa.
  1. B)O Consumerism focava essencialmente no fomento às práticas de transparência e controle social.
  2. C)O Public Service Orientation focava essencialmente no aumento da concorrência e na busca por resultados de mercado.
  3. D)O Patrimonialismo focava essencialmente em questões de equidade e justiça distributiva.
  4. E)O Governo Aberto focava essencialmente nas privatizações e desestatizações de serviços públicos.

Q5oficial · TCE/PE 2025
O cubo da democracia propõe uma análise tridimensional dos processos participativos, considerando variáveis que afetam o grau de democratização de uma prática participativa. Com base nesse modelo, assinale a afirmativa correta.

  1. A)A acessibilidade está relacionada a quem pode participar dos processos participativos.
  1. B)A acessibilidade se refere ao nível de transparência das decisões tomadas por autoridades públicas.
  2. C)O tipo de interação refere-se à força do vínculo entre o processo deliberativo e as decisões finais adotadas.
  3. D)O grau de influência mede o número de participantes que conseguem votar diretamente em processos participativos.
  4. E)O tipo de interação avalia o tempo de duração dos fóruns deliberativos, sendo determinante para o grau de inclusão social.

Q6oficial · NITTRANS 2025
A partir dos modelos propostos por Max Weber, como a burocracia racional-legal, estudiosos da administração passaram a investigar as condições sob as quais diferentes estruturas organizacionais são mais eficazes. Nesse contexto, a Teoria da Contingência afirma que a escolha entre modelos mecanicistas ou orgânicos deve considerar variáveis específicas de cada organização, como tecnologia, ambiente e recursos humanos. Com base nesse enfoque, é correto afirmar que:

  1. A)Estruturas burocráticas são mais eficazes que modelos flexíveis.
  1. B)O modelo orgânico é mais adequado a tarefas simples e ambientes com baixa complexidade.
  2. C)A melhor forma de organizar depende das condições específicas enfrentadas pela organização.
  3. D)Ambiente instável, tecnologia padronizada e equipes homogêneas exigem estrutura rígida e centralizada.
  4. E)O modelo mecanicista tende a ser preferível e produzir resultados superiores, pois garante maior eficiência técnica.

9.7 Gabarito comentado

P1inédita · pré-testeResposta: A

Conceito: A burocracia racional-legal organiza a autoridade por regras impessoais, competências e procedimentos formalizados.
Raciocínio: Ordens pessoais e decisões casuísticas substituem regras gerais e competências definidas. A alternativa A identifica a ruptura com a impessoalidade e a formalização burocráticas.
Por que as outras estão erradas:
  • B: A alternativa B aponta características gerenciais, mas não o elemento racional-legal abandonado na situação.
  • C: A alternativa C trata de participação social, que não é descrita no caso.
  • D: A alternativa D trata de avaliação de políticas, não de organização da autoridade administrativa.
  • E: A alternativa E menciona formas de execução descentralizada ausentes do enunciado.
Pegadinha: O modelo racional-legal se apoia em regras e cargos, não na vontade pessoal do ocupante do poder.
Base: Referência de Administração Pública: modelo burocrático racional-legal de Max Weber.
Questão irmã: A definição formal de competências e a impessoalidade são traços associados a qual modelo de administração? Gabarito: Modelo burocrático racional-legal.

P2inédita · pré-testeResposta: A

Conceito: A avaliação examina o desempenho e os efeitos da política e subsidia decisões sobre seu futuro.
Raciocínio: A escolha de ampliar o programa pertence ao processo decisório, mas ela se apoia nos resultados e nos custos levantados na avaliação. A afirmação diz que a decisão é subsidiada pela avaliação, e não que a avaliação decide: por isso está correta.
Por que as outras estão erradas:
  • B: A alternativa B reduz a avaliação a um momento anterior à agenda, ignorando seu uso durante e após a implementação.
  • C: A alternativa C exclui indevidamente o uso dos resultados na decisão de expandir.
  • D: A alternativa D restringe avaliação a atividades operacionais e desconsidera seu papel analítico.
  • E: A alternativa E trata o ciclo como sequência rígida e impede a avaliação que informa continuidade ou revisão.
Pegadinha: A avaliação não decide sozinha. Ela fornece as evidências, e a escolha continua sendo do processo decisório.
Base: Referência de políticas públicas: ciclo de políticas, avaliação e retroalimentação decisória.
Questão irmã: A avaliação de uma política pode fundamentar sua revisão ou expansão? Gabarito: Sim.

P3inédita · pré-testeResposta: B

Conceito: Visão descreve o futuro desejado; valores expressam princípios que orientam a organização.
Raciocínio: O enunciado troca as definições: atribui a imagem futura aos valores e os princípios à visão. A alternativa B corrige a distinção.
Por que as outras estão erradas:
  • A: A alternativa A repete a inversão entre visão e valores.
  • C: A alternativa C apaga a diferença entre os componentes estratégicos.
  • D: A alternativa D confunde a imagem futura com missão e os princípios com objetivos.
  • E: A alternativa E confunde valores com metas e visão com missão.
Pegadinha: Visão olha para o estado futuro pretendido; valores orientam comportamentos e decisões no presente.
Base: Referência de Administração: planejamento estratégico, missão, visão e valores.
Questão irmã: Os princípios que orientam decisões e comportamentos organizacionais são denominados valores? Gabarito: Sim.

F1inéditaResposta: A

Conceito: Conselhos gestores são espaços institucionais de participação social e acompanhamento de políticas públicas.
Raciocínio: A composição plural e a função de acompanhamento correspondem ao controle social e à participação na gestão. A alternativa A descreve esse papel sem atribuir ao conselho a execução exclusiva da política.
Por que as outras estão erradas:
  • B: A alternativa B confunde participação e acompanhamento com substituição do órgão público executor.
  • C: A alternativa C reduz indevidamente o conselho à aprovação orçamentária.
  • D: A alternativa D exclui usuários e confunde controle social com avaliação interna fechada.
  • E: A alternativa E confunde participação com transferência da titularidade da política.
Pegadinha: Participação social complementa o processo público; não significa automaticamente substituir o Estado.
Base: Referência de Administração Pública: conselhos gestores e controle social de políticas públicas.
Questão irmã: Conselhos gestores podem funcionar como canais de participação e acompanhamento social de políticas? Gabarito: Sim.

F2inéditaResposta: A

Conceito: A formulação desenvolve e compara alternativas para responder a um problema público.
Raciocínio: A equipe ainda está desenhando opções e avaliando sua viabilidade antes da escolha e implementação. Isso caracteriza formulação.
Por que as outras estão erradas:
  • B: A alternativa B descreve uma avaliação posterior, não a construção de opções antes da decisão.
  • C: A alternativa C confunde formulação com implementação.
  • D: A alternativa D coloca incorretamente formulação depois da implementação.
  • E: A alternativa E condiciona formulação ao início da execução, embora o desenho anteceda a implementação.
Pegadinha: Comparar alternativas antes da decisão é formulação; colocar a política em prática é implementação.
Base: Referência de políticas públicas: etapas de formulação, decisão e implementação.
Questão irmã: A comparação de alternativas para tratar um problema público integra a formulação da política? Gabarito: Sim.

F3inéditaResposta: A

Conceito: A administração gerencial dá ênfase a desempenho, qualidade e resultados, sem dispensar controles e legalidade.
Raciocínio: O caso combina procedimentos de controle com foco em resultados e responsabilização. O paradigma gerencial não exige abolir normas; amplia a atenção aos resultados entregues.
Por que as outras estão erradas:
  • B: A alternativa B transforma o foco em resultados em ausência total de regras, conclusão incorreta.
  • C: A alternativa C nega a aplicação de avaliação de desempenho a serviços públicos.
  • D: A alternativa D restringe sem fundamento a mensuração de resultados ao setor privado.
  • E: A alternativa E apresenta falta de prestação de contas como requisito, contrariando transparência e responsabilização.
Pegadinha: A passagem ao paradigma gerencial não elimina legalidade, controle ou prestação de contas.
Base: Referência de Administração Pública: paradigma burocrático e administração pública gerencial; Plano Diretor da Reforma do Aparelho do Estado (1995).
Questão irmã: O foco gerencial em resultados dispensa o cumprimento de normas legais? Gabarito: Não.

F4inéditaResposta: A

Conceito: A visão projeta um estado futuro desejado; a missão indica a finalidade e o papel da organização.
Raciocínio: A primeira frase descreve a condição futura pretendida pela organização. A segunda explica sua finalidade. Portanto, as classificações estão corretas.
Por que as outras estão erradas:
  • B: A alternativa B confunde projeção futura com valor e finalidade com meta operacional.
  • C: A alternativa C usa a presença de data como critério definidor e confunde missão com valor.
  • D: A alternativa D cria requisito de aprovação popular que não define esses componentes estratégicos.
  • E: A alternativa E restringe planejamento estratégico a metas financeiras, ignorando finalidade e direção institucional.
Pegadinha: A data pode reforçar a projeção temporal, mas o critério central é futuro desejado versus razão de existir.
Base: Referência de Administração: planejamento estratégico, missão e visão organizacionais.
Questão irmã: A descrição do papel e da finalidade atual de uma entidade corresponde à missão? Gabarito: Sim.

F5inéditaResposta: A

Conceito: Implementação transforma decisões e desenhos de política em ações e serviços concretos.
Raciocínio: A organização de executores, recursos e atividades para prestar a vacinação concretiza a decisão pública. Isso é implementação.
Por que as outras estão erradas:
  • B: A alternativa B descreve construção de agenda, anterior à decisão e execução.
  • C: A alternativa C descreve avaliação de efeitos, não organização da execução.
  • D: A alternativa D descreve processo decisório e escolha de alternativa.
  • E: A alternativa E descreve planejamento abstrato e omite a execução operacional apresentada.
Pegadinha: A implementação envolve atores, recursos e coordenação, não apenas a decisão formal de adotar uma política.
Base: Referência de políticas públicas: ciclo de políticas, implementação.
Questão irmã: A coordenação de equipes e recursos para entregar um serviço previsto em política pública pertence à implementação? Gabarito: Sim.

Q1oficialResposta: C

Conceito: Processos participativos de gestão: a parceria entre governo e sociedade civil amplia a capacidade de implementação das políticas públicas, porque cada parte entra com recursos e conhecimentos diferentes.
Raciocínio: O enunciado descreve parceria: a prefeitura entra com apoio institucional e recursos, e as associações com conhecimento do território e mobilização comunitária. Essa combinação amplia a capacidade de implementação. A alternativa C afirma exatamente isso, por isso é a correta.
Por que as outras estão erradas:
  • A: Substituição do Estado pela sociedade civil contradiz a parceria descrita, em que o Estado mantém seu papel e fornece recursos.
  • B: Formulação exclusiva pelo Estado e participação passiva da sociedade não correspondem à parceria descrita.
  • D: Participação da sociedade civil não descaracteriza a política pública. Ao contrário, é um dos processos participativos previstos na gestão pública.
  • E: Restringir a interação à etapa de avaliação não corresponde à parceria de implementação descrita no enunciado.
Pegadinha: A alternativa A parece lógica porque associações atuam no lugar do poder público em algumas situações. O enunciado descreve parceria, em que o Estado continua presente.
Base: Processos participativos de gestão pública: parceria entre governo e sociedade.
Questão irmã: Na parceria entre governo e sociedade civil, o que a sociedade costuma aportar à política pública é: Gabarito: conhecimento do território e mobilização comunitária.

Fonte: ALE/RO 2026 — prova em conhecimento.fgv.br

Q2oficialResposta: E

Conceito: Limitações da departamentalização funcional: subobjetivação, pressão sobre a cúpula e terra de especialistas.
Raciocínio: Quando cada departamento persegue as próprias metas, ocorre a subobjetivação, em que o objetivo do setor se sobrepõe ao da organização. A alta direção fica sobrecarregada para integrar as áreas, que é a pressão sobre a cúpula. Os servidores se tornam altamente especializados sem visão do conjunto, que é a terra de especialistas. A alternativa E reúne essas três limitações na ordem do enunciado.
Por que as outras estão erradas:
  • A: Enfoque introvertido descreve a visão voltada só para dentro do departamento, o que se aproxima do problema, mas a primeira limitação do enunciado é a subobjetivação.
  • B: Bitolamento das pessoas descreve a visão restrita do indivíduo. A pressão sobre a cúpula é a segunda limitação descrita, e a alternativa a troca.
  • C: Bitolamento, pressão sobre a cúpula e terra de especialistas trocam a primeira limitação, que é a subobjetivação.
  • D: Pressão sobre a cúpula, subobjetivação e terra de especialistas invertem a ordem das duas primeiras limitações.
Pegadinha: Enfoque introvertido e bitolamento também descrevem a visão restrita, e a banca usa esses termos como distratores. A ordem das limitações no enunciado é a chave.
Base: Limitações da departamentalização funcional (teoria das organizações; burocracia e seus efeitos disfuncionais).
Questão irmã: Quando cada departamento persegue apenas os próprios objetivos, sem alinhá-los aos da organização, a limitação típica da departamentalização funcional é: Gabarito: subobjetivação.

Fonte: MP/ES 2026 — prova em conhecimento.fgv.br

Q3oficialResposta: C

Conceito: Assimetria de informação nos processos participativos: quando o cidadão não tem acesso às informações, sua capacidade de monitorar e avaliar as políticas fica comprometida.
Raciocínio: A assimetria de informação faz com que o cidadão e o conselho não tenham dados para acompanhar a execução e avaliar os resultados. Assim, compromete a efetividade da participação. A alternativa C afirma isso com precisão, por isso é a correta.
Por que as outras estão erradas:
  • A: Dados públicos irrestritos não eliminam a mediação. A afirmação é absoluta e não corresponde à relação descrita.
  • B: A ausência de canais presenciais não inviabiliza todo controle social. Há outras formas de participação, como as consultas e os canais digitais.
  • D: A preferência por participação direta não é o ponto central da assimetria. Afirma algo sem relação com o efeito da informação desigual.
  • E: Plataformas digitais não garantem por si só a superação de desafios de comunicação. A alternativa é absoluta e falsa.
Pegadinha: A alternativa E parece moderna, mas a existência de plataformas não resolve a assimetria. A banca exige a relação de causa e efeito com a efetividade.
Base: Processos participativos de gestão pública (conselhos, consultas, audiências e orçamento participativo) e a transparência como condição de participação.
Questão irmã: A assimetria de informação entre governo e cidadãos afeta principalmente a capacidade da sociedade de: Gabarito: monitorar e avaliar as políticas públicas.

Fonte: SEAD/SE 2025 — prova em conhecimento.fgv.br

Q4oficialResposta: A

Conceito: Nova Gestão Pública: o gerencialismo puro focava em redução de custos e aumento da eficiência administrativa.
Raciocínio: Na tipologia da Nova Gestão Pública, o gerencialismo puro adota a lógica da empresa privada, com foco em custos e eficiência. Por isso a alternativa A é a correta. Os outros enfoques (consumerismo, orientação ao serviço público, governo aberto) têm focos distintos.
Por que as outras estão erradas:
  • B: O consumerismo foca na escolha e na satisfação do cidadão como cliente. Não é focado em transparência e controle social.
  • C: A orientação ao serviço público foca na qualidade do atendimento e no interesse público. Não é focada em concorrência de mercado.
  • D: O patrimonialismo é o modelo anterior à burocracia, marcado pela confusão entre público e privado. Não é fase da Nova Gestão Pública.
  • E: O governo aberto foca na transparência, na participação e nos dados abertos. Não é focado em privatizações.
Pegadinha: Consumerismo e orientação ao serviço público são fases da NGP com focos distintos. A banca troca os enfoques para testar quem decorou só o nome.
Base: Tipologia das fases da Nova Gestão Pública (gerencialismo puro, consumerism e public service orientation), do modelo racional-legal ao pós-burocrático.
Questão irmã: Na fase da Nova Gestão Pública que trata o cidadão como cliente e busca a escolha do usuário, o foco é: Gabarito: o consumerismo (escolha e satisfação do cidadão-cliente).

Fonte: ALE/AM 2025 — prova em conhecimento.fgv.br

Q5oficialResposta: A

Conceito: Cubo da democracia (Fung): análise tridimensional dos processos participativos, com acessibilidade (quem participa), tipo de interação (como se comunica e delibera) e grau de influência (vínculo com as decisões).
Raciocínio: No cubo da democracia, a acessibilidade diz respeito a quem pode participar do processo. A alternativa A afirma exatamente isso, por isso é a correta. As demais trocam as dimensões: o tipo de interação diz respeito à forma de comunicação e de deliberação, e o grau de influência diz respeito ao vínculo com as decisões finais.
Por que as outras estão erradas:
  • B: Transparência das decisões não é a dimensão de acessibilidade. Ela se relaciona com a influência e a publicidade das decisões.
  • C: A força do vínculo com as decisões finais é o grau de influência, e não o tipo de interação.
  • D: Contar participantes que votam não define o grau de influência. A influência se refere ao vínculo entre a participação e a decisão.
  • E: O tempo de duração dos fóruns não é a dimensão de tipo de interação. A interação diz respeito a como se comunica e delibera.
Pegadinha: As três dimensões têm nomes que se confundem. A acessibilidade fala de quem pode participar, o tipo de interação de como participa e o grau de influência do efeito sobre as decisões.
Base: Cubo da democracia (Archon Fung) para análise de processos participativos.
Questão irmã: No cubo da democracia, a dimensão que mede o vínculo entre a participação e as decisões finais é: Gabarito: o grau de influência.

Fonte: TCE/PE 2025 — prova em conhecimento.fgv.br

Q6oficialResposta: C

Conceito: Teoria da contingência: não há uma estrutura organizacional ideal. A melhor forma de organizar depende do ambiente, da tecnologia e dos recursos humanos.
Raciocínio: A teoria da contingência afirma que a estrutura mais eficaz depende das condições específicas da organização. Por isso a alternativa C é a correta. A teoria rejeita a ideia de um modelo universal, seja burocrático, seja orgânico.
Por que as outras estão erradas:
  • A: Afirma que a burocracia é sempre mais eficaz. A teoria da contingência rejeita a eficácia universal de um modelo.
  • B: Associa o modelo orgânico a tarefas simples. A teoria associa o modelo orgânico a ambientes complexos e instáveis, e o mecanicista às tarefas simples.
  • D: Afirma que ambiente instável exige estrutura rígida. Na contingência, ambiente instável pede estrutura flexível e orgânica.
  • E: Afirma que o mecanicista é sempre superior. A teoria nega a superioridade universal de um modelo.
Pegadinha: A alternativa D inverte a relação entre ambiente instável e estrutura. A contingência associa ambientes instáveis a estruturas flexíveis.
Base: Teoria da contingência e modelos mecanicistas e orgânicos (Burns e Stalker; teoria das organizações).
Questão irmã: Segundo a teoria da contingência, em um ambiente instável e complexo, a estrutura mais adequada tende a ser: Gabarito: orgânica (flexível e descentralizada).

Fonte: NITTRANS 2025 — prova em conhecimento.fgv.br

9.8 Revisão relâmpago e mapa de revisão

  • Racional-legal: normas escritas, hierarquia, impessoalidade e seleção técnica.
  • Pós-burocrático: foco no resultado, controle pela avaliação e participação ampliada.
  • CF/88, art. 37, caput: legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência.
  • Ciclo de políticas: agenda, formulação, processo decisório, implementação e avaliação.
  • Formulação desenha alternativas; processo decisório escolhe uma delas.
  • Conselho deliberativo decide; consultivo apenas opina.
  • Orçamento participativo influencia prioridades, mas não substitui a lei orçamentária.
  • Ciclo do planejamento começa pela análise do ambiente, e não pelos objetivos.
  • Missão diz o que a organização faz; visão diz aonde quer chegar; valores orientam a conduta.

Mapa de revisão

Reveja este capítulo em 1, 7 e 30 dias.

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