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Matéria 01

Língua Portuguesa

O que o edital pede nesta matéria

  1. 11 Interpretação de texto: decodificação dos diversos tipos de mensagem.106 questões da FGV e Cebraspe, 2021–2026 · cap. 1
  2. 22 Compreensão de texto: observação dos processos que constroem os significados textuais.879 questões da FGV e Cebraspe, 2018–2026 · cap. 1
  3. 33 A linguagem e a lógica.177 questões da FGV e Cebraspe, 2021–2026 · cap. 1
  4. 44 As estruturas linguísticas no processo de construção de mensagens adequadas.1514 questões da FGV e Cebraspe, 2018–2026 · cap. 1
  5. 55 A pragmática na linguagem: o significado contextual.299 questões da FGV e Cebraspe, 2021–2026 · cap. 2
  6. 66 A semântica vocabular: antônimos, sinônimos, homônimos, parônimos e heterônimos.413 questões da FGV e Cebraspe, 2019–2026 · cap. 2
  7. 77 Os modos de organização discursiva: a descrição, a narração, a exposição informativa e a exposição argumentativa.360 questões da FGV e Cebraspe, 2018–2026 · cap. 2
  8. 88 A organização das frases nas situações comunicativas: a colaboração e a relevância; os atos de fala.22 questões da FGV e Cebraspe, 2021–2026 · cap. 2
  9. 99 A linguagem lógica e a figurada.56 questões da FGV e Cebraspe, 2022–2026 · cap. 3
  10. 1010 Os diversos níveis de linguagem.58 questões da FGV e Cebraspe, 2021–2026 · cap. 3
  11. 1111 Os tipos de discurso: direto, indireto e indireto livre.59 questões da FGV e Cebraspe, 2022–2026 · cap. 3
  12. 1212 As funções da linguagem.35 questões da FGV e Cebraspe, 2022–2026 · cap. 3

Língua Portuguesa · Capítulo 1

Decodificação dos tipos de mensagemCompreensão de texto: os processos que constroem o significadoA linguagem e a lógica: conectivos e negaçõesEstruturas linguísticas na construção de mensagens adequadas

Itens do edital:

  • 1. 1 Interpretação de texto: decodificação dos diversos tipos de mensagem.
  • 2. 2 Compreensão de texto: observação dos processos que constroem os significados textuais.
  • 3. 3 A linguagem e a lógica.
  • 4. 4 As estruturas linguísticas no processo de construção de mensagens adequadas.

1.1 Pré-teste

Responda antes de ler a teoria. O gabarito está no fim do capítulo.

P1inédita

Leia: ‘O posto ampliou o atendimento aos sábados. A medida reduziu as filas no início da semana.’ Nesse contexto, a expressão ‘A medida’ retoma:

  1. A)a ampliação do atendimento aos sábados.
  2. B)a redução das filas no início da semana.
  3. C)uma medida ainda não mencionada no texto.
  4. D)apenas o posto, sem retomar uma ação.
  5. E)uma consequência futura não descrita no texto.

P2inédita

Em ‘Embora o acesso seja simples, a plataforma exige cadastro’, a relação expressa pela oração iniciada por ‘embora’ é de:

  1. A)causa do cadastro exigido.
  2. B)concessão, pois quebra uma expectativa.
  3. C)condição necessária ao cadastro.
  4. D)explicação sobre o funcionamento da plataforma.
  5. E)consequência do cadastro.

P3inédita

Na frase ‘Os técnicos entregaram o laudo ontem’, a função do termo ‘ontem’ é:

  1. A)indicar o agente da entrega.
  2. B)completar o sentido do substantivo ‘laudo’.
  3. C)caracterizar os técnicos.
  4. D)indicar quando ocorreu a entrega.
  5. E)retomar um termo anteriormente mencionado.

1.2 O que cai

  • 1. 1 Interpretação de texto: decodificação dos diversos tipos de mensagem: 106 questões da FGV e Cebraspe, 2021–2026
  • 2. 2 Compreensão de texto: observação dos processos que constroem os significados textuais: 879 questões da FGV e Cebraspe, 2018–2026
  • 3. 3 A linguagem e a lógica: 177 questões da FGV e Cebraspe, 2021–2026
  • 4. 4 As estruturas linguísticas no processo de construção de mensagens adequadas: 1514 questões da FGV e Cebraspe, 2018–2026

1.3 Teoria

Na prova de Língua Portuguesa do TCU, a FGV cobra leitura e estrutura da língua em conjunto. Quem decodifica bem a mensagem e reconhece a estrutura que a sustenta responde às questões de interpretação sem depender de palpite.

1.3.1 Decodificação dos tipos de mensagem

Toda comunicação tem um emissor, um receptor, uma mensagem, um código e um canal. Interpretar é decodificar: o leitor recupera a mensagem a partir do código que o emissor usou. O código pode ser verbal, como a língua escrita, ou não verbal, como imagens, gráficos e gestos. Nas provas, a FGV costuma apresentar um texto e perguntar qual é a finalidade ou a intenção da mensagem.

Funções da linguagem. A função depende do que a mensagem privilegia. A tabela resume as seis funções clássicas:

FunçãoFocoMarca típica
ReferencialContexto e informaçãoLinguagem objetiva, dados e fatos
EmotivaEmissorPrimeira pessoa, interjeições, adjetivos de avaliação
ConativaReceptorImperativo, vocativo, perguntas diretas
FáticaCanalCumprimentos e expressões de contato
PoéticaMensagem em siRitmo, rima, escolha das palavras pela forma
MetalinguísticaCódigoExplicação de um termo ou de uma regra

A regra que cai nas provas é a seguinte: a função não está no assunto do texto, e sim no modo como a mensagem é construída. Um texto sobre um tema técnico pode ter função emotiva, se o autor expõe sua opinião em primeira pessoa.

Gêneros e intenção. A decodificação passa pelo reconhecimento do gênero. Um aviso, um ofício e uma notícia têm objetivos diferentes e, por isso, organizam a informação de forma diferente. O aviso é direto e usa o imperativo ou a forma impessoal; o ofício é formal e identifica remetente e destinatário; a notícia apresenta fatos e separa, em geral, o fato da opinião.

Exceções e pegadinhas.

  • Um texto com verbos no imperativo não tem, necessariamente, função conativa se o objetivo principal for informar uma regra. Nesse caso, a função predominante pode ser referencial. A função metalinguística exige que a mensagem fale do próprio código, como ao explicar um termo ou uma regra gramatical.
  • A ironia inverte o sentido literal. Quando a questão pede o sentido pretendido pelo autor, a leitura literal costuma ser a armadilha.
  • Resumo e interpretação não são a mesma coisa. O resumo reduz o texto; a interpretação explica o que o texto sugere.

Erro típico do candidato. Escolher a alternativa que repete palavras do texto. A banca usa essa estratégia como distrator, porque repetir o vocabulário não garante que a alternativa responde à pergunta sobre a intenção.

A decodificação é a primeira etapa de toda questão de interpretação. Antes de olhar as alternativas, identifique o emissor, o destinatário e a finalidade da mensagem. Com essas três respostas em mãos, a maioria das alternativas erradas se elimina sozinha.

Exercício comentado

Como a banca cobrouoficial · NAV BRASIL 2026

Um jornal sensacionalista publicou uma série de manchetes que não esclareciam suficientemente os leitores, deixando de dar informações. Assinale a única manchete abaixo que presta as informações necessárias.

  1. A)Dois irmãos matam outros dois irmãos.
  2. B)Ladrões roubam jovem estudante.
  3. C)Suspeito é preso pela polícia.
  4. D)Estrangeiro é preso por dirigir embriagado.
  5. E)Testemunha presta depoimento na delegacia.

Resposta: D

Conceito: Informatividade da manchete: a boa manchete responde às perguntas básicas sobre o fato, quem, o que, quando e por que.

Raciocínio: Procure a manchete que apresenta todos os elementos do fato: o sujeito, a ação e a causa. A alternativa D diz quem foi preso, o estrangeiro, o que aconteceu, a prisão, e por que, dirigir embriagado. As demais dizem apenas parte do fato, ou a notícia fica vaga, como em suspeito é preso, ou não informam a causa, como em testemunha presta depoimento. Por isso a alternativa D é a que presta as informações necessárias.

Pegadinha: A banca usa manchetes que parecem informar. A pergunta é qual delas traz todos os elementos do fato, e não apenas uma parte.

Base: Jornalismo informativo e os elementos do lide (quem, o quê, quando, onde, como e por quê), conforme a análise de manchetes cobrada no enunciado.

1.3.2 Compreensão de texto: os processos que constroem o significado

Compreender é mais do que localizar informações. O significado de um texto é construído a partir do que está escrito, do que está pressuposto e do que está subentendido, em articulação com o conhecimento de mundo do leitor. A banca quer saber se o candidato percebe em que parte do texto a informação está.

Explícito, pressuposto e subentendido. Os três níveis se distinguem pela forma como chegam ao leitor:

NívelOnde estáComo se verifica
ExplícitoNa superfície do textoLocaliza-se uma frase ou palavra
PressupostoNa estrutura da frasePermanece mesmo quando a frase é negada
SubentendidoNo contexto e na intençãoDepende do contexto e pode ser recusado pelo autor

O teste de negação é o mais útil. Se a frase “o servidor já concluiu o relatório” é negada, em “o servidor não concluiu o relatório”, o pressuposto de que o servidor teve algum relatório a concluir permanece. Já um subentendido se desfaz com facilidade quando o autor esclarece a intenção.

Ideia principal e ideia secundária. A ideia principal nem sempre aparece na primeira frase. Em textos argumentativos, ela costuma estar na tese, e em textos expositivos, no tópico que organiza os parágrafos seguintes. A ideia secundária sustenta, exemplifica ou detalha a principal. A questão que pede a ideia central e oferece um exemplo como alternativa está, geralmente, cobrando a ideia secundária.

Inferência. Inferir é concluir algo que não está escrito, a partir de pistas do texto. A inferência é válida quando se apoia no texto. Ela não é válida quando depende de uma opinião pessoal que o texto não sustenta. A banca costuma oferecer uma alternativa que parece verdadeira no mundo real, mas que o texto não permite concluir.

Casos que mais caem. Uma questão descreve um parágrafo com uma ressalva e pergunta a intenção do autor; a ressalva costuma ser o ponto de articulação. Outra questão pergunta o que se pode concluir do texto, e a resposta correta é a afirmação mais modesta, que o texto sustenta sem exagero.

Erro típico do candidato. Confundir a palavra usada com o conceito que ela recebe no texto. O sentido de uma palavra depende do contexto, e a banca explora esse ponto com termos de sentido técnico ou figurado.

Coesão e coerência. Compreender também é reconhecer como o texto se amarra. Os elementos de coesão, como pronomes, sinônimos e conectivos, retomam ou antecipam informações. Quando a questão pergunta a que termo um pronome se refere, a resposta está no antecedente, e não no nome mais próximo. A coerência depende de a sequência de ideias fazer sentido para o leitor. Um trecho pode estar gramaticalmente perfeito e, mesmo assim, ser incoerente se contradiz o que foi dito antes.

Exemplo resolvido

Questão (estilo FGV): Assinale a alternativa que apresenta um subentendido, e não um pressuposto. A) “O processo já foi arquivado.” (pressupõe que houve processo) B) “O relatório foi entregue no prazo.” (pressupõe que havia prazo) C) “Ele chegou quando a reunião já terminava.” (sugere crítica à chegada tardia, sem dizê-la) D) “A auditoria concluiu o trabalho.” (pressupõe que a auditoria existia) E) “O setor voltou a funcionar.” (pressupõe que o setor havia parado)

  1. Nas alternativas A, B, D e E, o conteúdo decorre da estrutura da frase e sobrevive à negação; são pressupostos.
  2. Na alternativa C, a crítica à chegada tardia depende do contexto e da intenção de quem fala, por isso é subentendida.

Resposta: C.

Comparação

Pressuposto e subentendido

PressupostoSubentendido
Decorre da estrutura da fraseDepende do contexto e da intenção de quem fala
Sobrevive à negação da frasePode ser recusado ao ser esclarecido pelo autor
Pode ser identificado pelo teste de negaçãoExige leitura do contexto e da intenção

1.3.3 A linguagem e a lógica: conectivos e negações

A língua organiza o raciocínio por meio de conectivos. Eles ligam orações e indicam a relação entre elas: adição, oposição, causa, condição, conclusão. Quando a questão pede a negação de um enunciado, o candidato precisa reconhecer o conectivo que sustenta a relação e aplicar a negação correta.

Principais conectivos.

ConectivoRelaçãoExemplo
eAdiçãoO edital foi publicado e os prazos correm.
ouAlternativaO relatório é enviado hoje ou amanhã.
se... entãoCondiçãoSe o processo estiver completo, então será julgado.
porqueCausaNão houve sessão porque faltou quórum.
masOposiçãoO prazo é curto, mas é cumprido.

Negação do “se... então”. A negação de uma condicional não é outra condicional. Para negar “se p, então q”, afirma-se p e nega-se q: “p e não q”. A pegadinha mais frequente é trocar a ordem e escrever “se não p, então não q”, que não nega a frase original. Quando p é verdadeiro e q é falso, a condicional é falsa; é esse caso que a negação deve cobrir.

Negação do “e” e do “ou”. Para negar uma conjunção, use a disjunção das negações: a negação de “p e q” é “não p ou não q”. Para negar uma disjunção, use a conjunção das negações: a negação de “p ou q” é “não p e não q”. A troca de “e” por “ou” é o erro típico nessas questões.

Exceções e cuidados.

  • Nem todo “se” é condicional. Em alguns contextos, ele introduz uma pergunta indireta, como em “não sei se o processo foi julgado”.
  • A relação de causa depende da ordem das orações em alguns textos, e o candidato deve observar o conectivo, não a posição.
  • Palavras como “todos” e “algum” também invertem a negação: a negação de “todos” é “algum” (com a afirmação de que existe pelo menos um caso contrário), e não “nenhum”.

Casos que mais caem. A banca apresenta uma frase com conectivo e pede a negação em alternativas quase idênticas. A diferença quase sempre está na troca de “e” por “ou” ou na troca da ordem da condicional. Outro caso é o uso de “porque” e “pois” para justificar uma conclusão; a questão pede a relação entre as orações, não a correção gramatical.

Erro típico do candidato. Negar apenas uma parte da frase. Para negar, é preciso negar a relação inteira. Quem nega só a segunda oração de uma condicional comete o erro que a banca testa com mais frequência.

A lógica da língua não exige cálculo. Exige a atenção ao conectivo e a disciplina de reescrever a frase antes de comparar com as alternativas.

Esquema

Passos para negar uma frase com conectivo

  1. 1Identificar o conectivo principal

    E, ou, se... então

  2. 2Nomear as proposições p e q

    Cada oração vira uma letra

  3. 3Aplicar a regra de negação

    Condicional vira p e não q

  4. 4Comparar com as alternativas

    Descartar as que trocam e por ou

Exercício comentado

Como a banca cobrouoficial · PREF/SAO JOSE DOS CAMPOS/SP 2026

As concepções de leitura levam à variedade de tipos de leitores. Assinale a frase abaixo que caracteriza um tipo de leitor diferente do referido nas demais frases.

  1. A)É o leitor que apreende facilmente as ideias gerais e principais do texto
  2. B)É leitor fluente e veloz, mas por outro lado faz excessos de adivinhações.
  3. C)Leitor que faz mais uso do seu conhecimento do que da informação efetivamente dada pelo texto.
  4. D)Leitor que constrói o significado com base nos dados do texto, fazendo pouca leitura nas entrelinhas;
  5. E)Leitor que tira conclusões apressadas em grande número de vezes.

Resposta: D

Conceito: Tipos de leitor conforme a concepção de leitura: o que se apoia no próprio conhecimento e antecipa o sentido (leitura descendente) e o que se prende aos dados do texto (leitura ascendente).

Raciocínio: A questão pede a frase que descreve um tipo de leitor diferente das demais. As alternativas A, B, C e E descrevem o leitor que se apoia no que já sabe e antecipa o sentido: apreende rápido as ideias gerais (A), adivinha demais (B), usa mais o próprio conhecimento do que a informação do texto (C) e tira conclusões apressadas (E). Esse é o leitor da leitura descendente. A alternativa D descreve o leitor que constrói o significado com base nos dados do texto e lê pouco nas entrelinhas, isto é, o que se prende ao texto (leitura ascendente). Por isso a alternativa D é a resposta.

Pegadinha: Quatro frases descrevem o leitor que parte do próprio conhecimento, que adivinha e conclui depressa. Só uma descreve o leitor que se prende ao texto. A frase que parece mais positiva, a A, não é a diferente: apreender depressa a ideia geral também é traço de quem lê de cima para baixo.

Base: Concepções de leitura: leitura descendente (o leitor impõe seu conhecimento ao texto) e leitura ascendente (o leitor se prende aos dados do texto).

1.3.4 Estruturas linguísticas na construção de mensagens adequadas

Uma mensagem é adequada quando atinge o receptor com clareza, coerência e correção, de acordo com a norma culta e a situação de comunicação.

Para isso, o redator organiza termos, orações e períodos conforme regras de concordância, regência e colocação. A questão da FGV costuma pedir a alternativa que mantém essas regras, ou a que altera o sentido de uma frase sem ferir a gramática.

Concordância. O verbo concorda com o sujeito em número e pessoa. Em construções impessoais, o verbo fica na terceira pessoa do singular. O caso mais cobrado é o verbo “fazer” indicando tempo decorrido: “faz dez dias”, e não “fazem dez dias”. O verbo “haver” com sentido de existir também fica no singular: “havia uma pendência”.

Regência. Regência é a relação que o verbo ou o nome estabelece com seus complementos. Alguns verbos pedem preposição. Veja a tabela de casos frequentes:

VerboRegênciaFrase correta
obedeceraObedecemos às normas do órgão.
visara (pretender)A medida visa à eficiência.
assistira (ver)Assistimos ao julgamento.
preferirX a YPrefiro o diálogo à imposição.

Nesses casos, a preposição “a” se combina com o artigo definido quando o complemento o pede: “obedecer às normas”, e não “obedecer as normas”. A banca explora essa combinação, que é frequentemente esquecida.

Colocação pronominal. A próclise, ou pronome antes do verbo, é obrigatória em alguns casos, como em frases com palavras de negação (“não se aplica”). A ênclise, pronome depois do verbo, aparece em frases afirmativas que iniciam com verbo. Em textos formais, a posição do pronome é uma escolha de estilo dentro da norma, e a questão pede a alternativa que a respeita.

Clareza e ordem dos termos. A mensagem fica ambígua quando o pronome ou o modificador se afasta do termo a que se refere. A ordem direta, com o sujeito antes do verbo, facilita a leitura, mas a norma aceita outras ordens quando o sentido se mantém. Em ofícios e pareceres, o cuidado com a ambiguidade pesa tanto quanto a correção gramatical.

Exceções que a banca cobra.

  • O verbo “haver” no sentido de existir não se flexiona no plural, mas “haver” como auxiliar de tempo composto segue a concordância normal.
  • Substantivos coletivos podem concordar com o sentido, e não com a forma, quando o contexto pede.

Casos que mais caem. Uma frase com erro de regência aparece entre quatro alternativas corretas, e o candidato precisa identificar o caso que não respeita a norma. Outra questão pede a substituição de um termo sem alterar o sentido, e o cuidado está na regência do termo substituto.

Erro típico do candidato. Corrigir pelo ouvido. A linguagem falada aceita construções que a norma escrita recusa, e a prova cobra a norma.

Exemplo resolvido

Questão (estilo FGV): Assinale a alternativa em que a regência e a concordância estão de acordo com a norma culta. A) Fazem dois dias que o ofício chegou. B) Obedeço às determinações da chefia. C) Preferiu o cargo do que o concurso. D) Assistimos o julgamento da sessão. E) Houveram várias pendências no setor.

  1. A alternativa A erra a concordância, porque “fazer” indicando tempo é impessoal e fica no singular.
  2. A alternativa B está correta: “obedecer” pede a preposição “a”, que se combina com o artigo “às”.
  3. As alternativas C e D erram a regência; a alternativa E erra ao flexionar “haver”, que, no sentido de existir, fica no singular.

Resposta: B.

Esquema

Os três pilares da mensagem adequada

Mensagem adequada

  • Concordância

    Verbo com o sujeito em número e pessoa

  • Regência

    Preposição exigida pelo verbo ou nome

  • Colocação pronominal

    Posição do pronome dentro da norma

Exercício comentado

Como a banca cobrouoficial · AMAZUL 2026

Assinale a opção que apresenta sujeito expresso na oração.

  1. A)Havia a levíssima embriaguez de andarem juntos.
  2. B)Andavam por ruas e ruas falando e rindo.
  3. C)E se vê que por admiração se estava de boca entreaberta.
  4. D)Só porque, de súbitos, exigentes e duros, quiseram ter o que já tinham.
  5. E)E ao toque brilhava o brilho da água deles.

Resposta: E

Conceito: Sujeito expresso: é o termo sobre o qual se declara algo e que aparece explicitamente na oração.

Raciocínio: Identifique o verbo e pergunte quem pratica a ação. Na alternativa E, o verbo brilhava tem como sujeito o brilho da água deles, expresso na própria oração. Nas demais, o sujeito não está escrito: em andavam, eles está oculto e pode ser recuperado pela desinência; em havia, o verbo é impessoal; em se estava, a partícula se indetermina o sujeito; em quiseram, o sujeito está oculto. Por isso a alternativa E é a única com sujeito expresso.

Pegadinha: A alternativa E tem um sujeito longo e com o mesmo termo repetido, o brilho da água. A banca usa o sujeito composto por expressão longa para dificultar a identificação.

Base: Termos da oração: sujeito expresso, sujeito oculto, oração sem sujeito e índice de indeterminação do sujeito, conforme a gramática normativa.

Pegadinha de prova

A negação da condicional

A alternativa “se não p, então não q” parece a negação, mas não é. A negação de “se p, então q” é sempre “p e não q”. Confira a regra antes de comparar as alternativas.

Atenção

Pressuposto resiste à negação

Quando a banca pergunta se uma informação permanece após a negação da frase, a resposta de quem faz o teste é a de pressuposto. Subentendido se desfaz ao esclarecer a intenção.

Pegadinha de prova

Visar a e visar algo

Visar a algo significa pretender; visar algo, com sentido de mirar, é outra construção. Na prova, a diferença de sentido é o que decide a regência.

1.4 Exemplo resolvido

Assinale a alternativa que apresenta a negação correta de: “Se o processo estiver completo, então será julgado.” A) O processo não está completo, e não será julgado. B) O processo está completo, e não será julgado. C) O processo não está completo, ou será julgado. D) Se o processo não estiver completo, então não será julgado. E) O processo não está completo, e será julgado.

  1. A frase original é uma condicional: “se p, então q”, com p = o processo está completo e q = será julgado.
  2. A negação de “se p, então q” é “p e não q”, porque a condicional só é falsa quando p é verdadeiro e q é falso.
  3. Logo, a negação é “o processo está completo e não será julgado”, que corresponde à alternativa B.

Resposta: B

1.5 Fixação

Questões inéditas.

F1inédita

Considere: ‘Todo cadastro válido contém um identificador. O registro de Ana é válido.’ Quanto à conclusão ‘O registro de Ana contém um identificador’, é correto afirmar que:

  1. A)ela é válida, porque aplica a regra geral ao caso particular.
  2. B)ela é inválida, porque não se informou quem criou o cadastro.
  3. C)ela é inválida, porque ‘válido’ não pode ser predicado de um registro.
  4. D)ela só seria válida se houvesse mais de um identificador.
  5. E)ela contradiz a primeira premissa.

F2inédita

Em ‘A diretoria encaminhou o parecer à comissão’, o segmento ‘à comissão’ exerce a função de:

  1. A)sujeito posposto.
  2. B)adjunto adverbial de lugar, sem complemento verbal.
  3. C)objeto direto, pois não há preposição exigida.
  4. D)predicativo do objeto ‘parecer’.
  5. E)objeto indireto, complemento verbal introduzido pela preposição ‘a’.

F3inédita

Leia: ‘O conselho publicou o edital. Contudo, adiou a data da prova.’ O conectivo ‘contudo’ introduz uma relação de:

  1. A)explicação da publicação.
  2. B)causa do adiamento.
  3. C)contraste entre as informações.
  4. D)finalidade do edital.
  5. E)conclusão necessária da primeira oração.

F4inédita

Na frase ‘Os documentos, que estavam incompletos, foram devolvidos’, a oração entre vírgulas classifica-se como:

  1. A)adjetiva explicativa, pois acrescenta informação sobre os documentos sem restringir a referência.
  2. B)adjetiva restritiva, pois seleciona somente alguns documentos.
  3. C)substantiva subjetiva, pois funciona como sujeito de ‘foram devolvidos’.
  4. D)adverbial causal, pois apresenta a causa expressa por ‘que’.
  5. E)coordenada conclusiva, pois encerra o período.

F5inédita

Considere a reescrita de ‘A equipe analisou o contrato e a equipe recomendou ajustes’ como ‘A equipe analisou o contrato e recomendou ajustes’. Sobre a reescrita proposta, é correto afirmar que:

  1. A)altera o agente da segunda ação.
  2. B)mantém o sujeito comum e coordena os predicados com economia textual.
  3. C)transforma a segunda oração em voz passiva.
  4. D)elimina a informação de que houve recomendação.
  5. E)torna ‘contrato’ sujeito da segunda ação.

1.6 Questões oficiais da FGV e Cebraspe

Questões oficiais de provas anteriores, com a fonte.

Q1oficial · ALE/RO 2026
Observe o seguinte segmento textual: “Ao lado da loja de queijos havia uma oficina mecânica e uma loja de doces. Tanto a oficina, como a loja estavam recebendo o pó que se levantava da demolição do prédio da esquina, mas aquela, não estava previsto fechá-la até o fim do ano.” A afirmação incorreta sobre a estruturação desse texto é:

  1. A)A expressão “uma oficina mecânica” mostra um artigo indefinido porque é a primeira vez que é mencionada.
  1. B)A segunda vez em que a oficina é mencionada, é precedida de um artigo definido, por já ser uma realidade conhecida.
  2. C)Do mesmo modo, o pronome pessoal “la” também se refere a essa mesma realidade já conhecida.
  3. D)O demonstrativo “aquela” se refere ao substantivo “loja”, presente nos segmentos anteriores.
  4. E)Tanto o pronome pessoal “la” como o demonstrativo “aquela” e a expressão “a oficina” levam o leitor a identificar um elemento textual já conhecido.

Q2oficial · SEMEC PORTO VELHO/RO 26 2026
Texto base: Cerca de quatro a cada dez cargos de liderança no Poder Executivo brasileiro são ocupados por pessoas negras ou indígenas. Apesar de representarem juntas a maior parte da população brasileira, elas são 39% das lideranças nos ministérios, nas autarquias e nas fundações. Essa porcentagem aumentou 17% ao longo dos últimos 25 anos. Homens brancos seguem, no entanto, ocupando sozinhos a maior fatia das posições de liderança, 35%. Os dados são do estudo inédito Lideranças negras no Estado brasileiro (1995 -2024). O estudo promove um levantamento do perfil daqueles que ocupam os quadros de liderança, com base nos dados do Sistema Integrado de Administração de Recursos Humanos (SIAPE). A pesquisa considera os últimos 25 anos, o que corresponde a sete gestões presidenciais. Além disso, o estudo apresenta entrevistas aprofundadas com 20 dessas lideranças. De acordo com os dados levantados, em 1999, homens negros ou indígenas ocupavam 13% dos cargos de liderança no Poder Executivo. Já as mulheres negras ou indígenas ocupavam 9% dessas posições. Juntos, esses homens e mulheres preenchiam 22% dos cargos. Na mesma época, os homens brancos estavam em 37% das posições de liderança, e as mulheres brancas, em 29%. Em 2024, o cenário mudou. Homens negros ou indígenas passaram a ocupar 24% dos cargos, e as mulheres negras ou indígenas, 15%. As mulheres brancas estão em 26% dos cargos de liderança, e os homens brancos seguem ocupando a maior porcentagem, 35%. O estudo também destaca alguns marcos de ações afirmativas no serviço público que promoveram mudanças no perfil das lideranças no Poder Executivo. Entre eles está a Lei n.º 12.990/2014, que reserva às pessoas negras 20% das vagas oferecidas nos concursos públicos para provimento de cargos efetivos e empregos públicos no âmbito da administração pública federal, das autarquias, das fundações públicas, das empresas públicas e das sociedades de economia mista controladas pela União. “O aumento da presença de pessoas negras em posições de liderança no Poder Executivo nos últimos anos representa um avanço importante, porém ainda insuficiente. Os dados revelam que há um trabalho significativo a ser realizado para garantir a equidade racial e de gênero no Brasil. Investir em políticas que ampliem a presença de líderes pretos, pardos e indígenas no serviço público e que promovam a sua permanência nesses cargos é necessário e urgente para a democracia. Essa iniciativa impactará positivamente o país”, diz Alessandra Benedito, vice-presidente de Equidade Racial da Fundação Lemann. Internet: <https://agenciabrasil.ebc.com.br> (com adaptações).

No trecho “Homens brancos seguem, no entanto, ocupando sozinhos a maior fatia das posições de liderança” (primeiro parágrafo), a forma verbal “ocupando” poderia ser substituída, sem prejuízo da correção gramatical e dos sentidos do texto, por

  1. A)ocupados.
  2. B)para ocuparem.
  3. C)a ocupar.
  4. D)ocupam.
  5. E)tendo ocupado.

Q3oficial · CGM PORTO VELHO/RO 26 2026
Texto base: A inteligência artificial (IA) na educação é, sem dúvida, um dos campos emergentes mais promissores na tecnologia educacional. Essa tecnologia possibilita que máquinas simulem habilidades humanas, como aprendizagem e resolução de problemas. Apesar de a IA estar há mais de 30 anos em desenvolvimento, o debate sobre sua aplicação pedagógica em larga escala e seu impacto no ensino superior permanece em aberto. Até recentemente, suas principais aplicações concentravam-se em serviços de apoio acadêmico e administrativo, como análise de perfis, previsões, avaliação de desempenho, monitoramento de metas, personalização e tutoria inteligente. Contudo, a partir de 2020, modelos de linguagem generativa, como o ChatGPT, começaram a ser amplamente utilizados, marcando um avanço significativo no ensino e na aprendizagem. Esses modelos podem transformar buscas na Internet em relatórios abrangentes que simulam textos humanos. Entretanto, compreender seu funcionamento é essencial, pois seu uso levanta debates sobre ética, plágio e outras questões. Apesar do impacto ainda imprevisível, a IA tem o potencial de transformar a educação nos próximos anos, apoiando alunos, professores e administradores em todas as etapas do ensino. Para isso, é fundamental compreender o valor e as limitações da IA. As instituições não podem deixar esse processo ao acaso: é indispensável uma abordagem sistemática que garanta formação adequada e uma estrutura clara, com o envolvimento de todas as partes interessadas, para que as decisões sobre o uso da IA sejam bem entendidas e amplamente aceitas por toda a comunidade acadêmica. Como em qualquer tecnologia significativa, as decisões devem ser tomadas no nível certo e pelas pessoas adequadas. Cabe à gestão superior e ao corpo docente decidir como a IA será utilizada. Ignorar essa inovação e esperar que desapareça não é uma opção, pois ela continuará a evoluir e a se fortalecer. Instituições que não adotam essas inovações formarão profissionais despreparados para as demandas de um mercado cada vez mais tecnológico e dinâmico. Internet: <https://unifametro.edu.br> (com adaptações).

Assinale a opção correta a respeito das ideias veiculadas no texto.

  1. A)Os professores das instituições de ensino estão entre os atores a quem compete decidir sobre os usos da inteligência artificial na educação.
  1. B)O uso da inteligência artificial na educação é restrito às atividades de apoio acadêmico e administrativo.
  2. C)As limitações da inteligência artificial podem resultar na formação de profissionais despreparados para o mercado.
  3. D)Apesar de a inteligência artificial ser aplicada em larga escala na educação, o debate sobre seu impacto nesse campo ainda é escasso.
  4. E)A inteligência artificial é a tecnologia emergente mais promissora na área da educação.

Q4oficial · PREF/MACAE/RJ 2026
“Não há investimento melhor para qualquer comunidade do que pôr leite em bebês. Cidadãos saudáveis são o maior bem que qualquer país pode ter.” Sobre esse pequeno segmento textual, assinale a afirmativa correta.

  1. A)A expressão “pôr leite em bebês” equivale semanticamente a “adotar bebês”.
  1. B)O termo “qualquer comunidade” poderia ser, sem alteração semântica, substituída por “uma comunidade qualquer”.
  2. C)A expressão “Não há investimento melhor” corresponde semanticamente a “Há investimento pior”.
  3. D)O primeiro período mostra um exemplo de grau comparativo de inferioridade.
  4. E)O segundo período do texto funciona como uma conclusão do primeiro.

Q5oficial · MP/ES 2026

Assinale a opção que indica a frase que aborda os livros integralmente por aspectos positivos.

  1. A)Não há livro tão mau que não tenha algo de bom.
  2. B)Que nunca o livro fique longe de tua mão e de teus olhos.
  3. C)Livros têm levado algumas pessoas ao saber, outras à insânia.
  4. D)Nenhum livro é tão ruim que, sob algum aspecto, não tenha utilidade.
  5. E)Um livro pode ser divertido com muitos erros, ou muito enfadonho sem um único absurdo.

Q6oficial · TCE/RR 2025

Um turista brasileiro, que viveu 50 anos nos Estados Unidos, ao chegar ao Rio não pôde compreender uma manchete de um jornal carioca. Nessa circunstância comunicativa, o fracasso da comunicação se deve à(ao)

  1. A)falta de clareza na linguagem empregada.
  2. B)desconhecimento do código pelo receptor.
  3. C)canal inadequado de comunicação.
  4. D)formulação inadequada da mensagem.
  5. E)deficiência na linguagem empregada pelo jornal.

Q7oficial · PREF/SALVADOR/BA 2026
Leia o trecho a seguir, extraído da obra de literatura infantil das escritoras baianas Cássia Valle e Luciana Palmeira. Calu já ia começar a escrever uma nova história no seu bloquinho, quando, de repente, lembrou-se de que, na ilha onde tinha nascido e morava, não existia um museu para que todos pudessem entrar, percorrer, ver, ouvir, perceber, entender, sentir, e tocar. A menina pensou na possibilidade de a prefeitura transformá-la na criadora do Museu da Ilha chamada Boca do Rio. Ela imaginou logo que não ia prender a história numa única casa. Ela ia transformar vários cantos da ilha num pedaço de um grande museu. VALE, C. e PALMEIRA, L. Calu - uma menina cheia de histórias. Rio de Janeiro: Editora Malê Mirim, 2019. Considerando que o objetivo pedagógico da atividade é levar os alunos a compreender os sentidos que as palavras assumem no contexto em que são empregadas, a análise do verbo “prender”, em “não ia prender a história numa única casa”, possibilita desenvolver a habilidade de

  1. A)compreender que o verbo assume sentido figurado no contexto, indicando a ideia de limitar ou restringir a circulação das histórias e memórias da ilha.
  1. B)reconhecer que o verbo mantém seu sentido literal, relacionado à necessidade de guardar fisicamente a história do seu povo em um espaço adequado.
  2. C)identificar que o verbo expressa a intenção da personagem de proteger a história da ilha, impedindo que ela seja modificada ao longo do tempo.
  3. D)perceber que o verbo estabelece uma relação de oposição entre a escrita das histórias e a criação de espaços destinados à memória coletiva.
  4. E)analisar que o verbo reforça a ideia de que as histórias da ilha devem permanecer preservadas dentro de locais de memória específicos.

1.7 Gabarito comentado

P1inédita · pré-testeResposta: A

Conceito: Elementos anafóricos retomam informação previamente apresentada.
Raciocínio: A única ação anterior que pode ser retomada por ‘A medida’ é a ampliação do atendimento. A redução das filas aparece como resultado dessa ação.
Por que as outras estão erradas:
  • B: Inverte a ação adotada e seu efeito.
  • C: O referente está expresso no período anterior.
  • D: A expressão retoma uma ação, não apenas o local.
  • E: Não há referência a consequência futura.
Pegadinha: Distinga a medida (causa) do resultado que ela produziu.
Base: Coesão referencial; mecanismos de referenciação textual.
Questão irmã: ‘A equipe adotou novo protocolo. Essa decisão diminuiu os erros.’ ‘Essa decisão’ retoma a adoção do protocolo. Gabarito: Certo

P2inédita · pré-testeResposta: B

Conceito: A concessão apresenta um fato que não impede o conteúdo da oração principal.
Raciocínio: A facilidade de acesso poderia sugerir ausência de exigências; apesar disso, há cadastro. ‘Embora’ marca concessão.
Por que as outras estão erradas:
  • A: Facilidade de acesso não causa a exigência de cadastro.
  • C: A oração não estabelece condição para o cadastro.
  • D: Não explica o funcionamento da plataforma.
  • E: Não apresenta efeito decorrente do cadastro.
Pegadinha: A oração concessiva cria contraste com uma expectativa, não uma oposição absoluta.
Base: Sintaxe da oração subordinada adverbial concessiva.
Questão irmã: ‘Apesar de o prazo ser curto, o grupo concluiu a revisão’ apresenta relação concessiva. Gabarito: Certo

P3inédita · pré-testeResposta: D

Conceito: Advérbios podem modificar o verbo e indicar circunstâncias, como tempo.
Raciocínio: ‘Ontem’ localiza temporalmente a ação de entregar; não funciona como sujeito nem como complemento nominal.
Por que as outras estão erradas:
  • A: O agente é ‘os técnicos’.
  • B: O termo modifica a ação verbal, não o substantivo ‘laudo’.
  • C: Não atribui qualidade aos técnicos.
  • E: Não é pronome anafórico.
Pegadinha: Pergunte a que circunstância responde o advérbio: quando?
Base: Morfossintaxe; classe e função dos advérbios.
Questão irmã: Em ‘A equipe chegou cedo’, ‘cedo’ indica o momento da chegada. Gabarito: Certo

F1inéditaResposta: A

Conceito: Um argumento dedutivo válido aplica uma regra geral a um caso que satisfaz sua condição.
Raciocínio: Todo cadastro válido tem identificador; o registro de Ana é válido. Logo, o registro de Ana tem identificador.
Por que as outras estão erradas:
  • B: A autoria do cadastro é irrelevante para a inferência.
  • C: A premissa declara expressamente que o registro é válido.
  • D: A regra exige um identificador, não mais de um.
  • E: A conclusão é consequência direta, não negação da premissa.
Pegadinha: Não acrescente condições que as premissas não exigem.
Base: Lógica proposicional e validade de inferências dedutivas.
Questão irmã: Se todo documento aprovado recebe protocolo e o documento X foi aprovado, então X recebe protocolo. Gabarito: Válido

F2inéditaResposta: E

Conceito: A regência e a estrutura verbal determinam a função dos complementos.
Raciocínio: ‘A diretoria’ é sujeito; ‘o parecer’ é o objeto encaminhado; ‘à comissão’ indica o destinatário e completa o verbo com preposição, funcionando como objeto indireto.
Por que as outras estão erradas:
  • A: O sujeito é ‘a diretoria’.
  • B: O termo integra a estrutura de complementação do verbo e indica destinatário.
  • C: A preposição está presente e marca o complemento indireto.
  • D: ‘À comissão’ não atribui característica ao parecer.
Pegadinha: A presença de lugar ou destinatário não basta para classificar o termo como adjunto; observe a relação verbal.
Base: Gramática normativa; regência verbal e termos integrantes da oração.
Questão irmã: Em ‘O setor enviou a resposta ao requerente’, ‘ao requerente’ indica o destinatário e completa o verbo. Gabarito: Objeto indireto

F3inéditaResposta: C

Conceito: Conectores adversativos assinalam contraste ou ressalva.
Raciocínio: Publicar o edital poderia levar à expectativa de manutenção do cronograma; ‘contudo’ introduz a informação contrastante do adiamento.
Por que as outras estão erradas:
  • A: A segunda oração não explica a publicação.
  • B: O conectivo não estabelece relação causal.
  • D: Não indica propósito.
  • E: O adiamento não é conclusão necessária da publicação.
Pegadinha: O sentido adversativo decorre da relação contextual, não apenas da posição do conectivo.
Base: Coesão sequencial; valor semântico dos conectores adversativos.
Questão irmã: ‘O sistema é rápido; entretanto, requer autenticação.’ O segundo segmento contrasta com o primeiro. Gabarito: Certo

F4inéditaResposta: A

Conceito: Orações subordinadas adjetivas explicativas acrescentam informação acessória e são isoladas por vírgulas.
Raciocínio: As vírgulas delimitam a oração que atribui aos documentos a característica de estarem incompletos; ela não seleciona apenas parte dos documentos.
Por que as outras estão erradas:
  • B: A pontuação e a leitura não indicam restrição do referente.
  • C: A oração modifica ‘documentos’, não exerce função substantiva de sujeito.
  • D: O pronome ‘que’ retoma ‘documentos’; não introduz causa nesse caso.
  • E: A oração é subordinada adjetiva, não coordenada conclusiva.
Pegadinha: A pontuação ajuda a distinguir explicação de restrição e pode alterar a interpretação.
Base: Sintaxe das orações subordinadas adjetivas; emprego da vírgula.
Questão irmã: Em ‘A ata, que foi assinada ontem, já está arquivada’, a oração entre vírgulas é explicativa. Gabarito: Certo

F5inéditaResposta: B

Conceito: A coordenação pode compartilhar o mesmo sujeito entre predicados, evitando repetição.
Raciocínio: O sujeito ‘a equipe’ continua associado a ‘analisou’ e ‘recomendou’; a omissão da segunda ocorrência não altera o conteúdo.
Por que as outras estão erradas:
  • A: Não há mudança de agente; o sujeito compartilhado permanece recuperável.
  • C: Os dois verbos continuam na voz ativa.
  • D: A recomendação permanece expressa pelo verbo ‘recomendou’.
  • E: ‘Contrato’ continua objeto direto de ‘analisou’.
Pegadinha: A elipse de sujeito é adequada quando a identidade do sujeito fica clara.
Base: Sintaxe de coordenação; sujeito elíptico e paralelismo verbal.
Questão irmã: ‘O técnico conferiu a planilha e corrigiu os totais’ atribui as duas ações ao técnico. Gabarito: Certo

Q1oficialResposta: D

Conceito: Coesão referencial: artigo definido, pronome pessoal e pronome demonstrativo retomam elementos já mencionados no texto.
Raciocínio: No trecho, a oficina é mencionada primeiro com artigo indefinido (uma oficina mecânica), por ser a primeira vez. Na segunda menção, passa a ser a oficina, com artigo definido, pois já é conhecida do leitor. O demonstrativo aquela aponta para o termo mais distante, a oficina, e o pronome la, em fechá-la, retoma esse mesmo referente. A loja é o termo mais próximo (este). A afirmação D atribui a aquela o referente loja, e por isso é a incorreta, que a questão pede.
Por que as outras estão erradas:
  • A: Afirma que o indefinido indica primeira menção, o que está correto. Traz uma informação verdadeira, que a questão não busca, pois pede a afirmação incorreta.
  • B: Afirma que o definido indica elemento já conhecido, o que está correto. Explora a leitura de que a afirmação verdadeira seria a incorreta.
  • C: Afirma que o pronome la retoma a realidade já conhecida, o que está correto. Explora a confusão entre o pronome e o artigo.
  • E: Afirma que os três recursos levam o leitor a identificar um elemento já conhecido, o que está correto. Explora a generalização de um mecanismo que é verdadeiro.
Pegadinha: A afirmação D troca o referente do demonstrativo: aquela retoma a oficina (o termo mais distante), e não a loja. A banca deixa a afirmação quase verdadeira para testar quem acompanha a retomada no texto.
Base: Coesão referencial (artigo definido e indefinido, pronomes pessoais e demonstrativos) conforme a gramática normativa da língua portuguesa.
Questão irmã: No trecho, o demonstrativo aquela retoma a oficina, e não a loja, por ser o elemento mencionado antes na frase. Gabarito: Certo

Fonte: ALE/RO 2026 — prova em conhecimento.fgv.br

Q2oficialResposta: C

Conceito: Substituição de forma verbal por locução equivalente: a locução seguir a mais infinitivo mantém o sentido de continuidade.
Raciocínio: O verbo ocupando, no trecho, expressa continuidade da situação, com seguem. A substituição precisa manter a gramática e o sentido. A alternativa C, a ocupar, forma com seguir a locução de continuidade, seguem a ocupar, que tem o mesmo sentido de permanência, e não altera a estrutura da frase. As demais trocam o tempo ou a forma verbal de modo que a frase deixa de ser coerente com o verbo seguir, ou alteram o sentido.
Por que as outras estão erradas:
  • A: Substitui o gerúndio por um adjetivo particípio, ocupados, que muda a estrutura e não mantém a ideia de ação em curso.
  • B: Substitui por uma oração com finalidade, para ocuparem, que altera o sentido e não indica continuidade.
  • D: Substitui por ocupam, forma do presente, que quebra a concordância com a locução seguem e altera a estrutura verbal.
  • E: Substitui por tendo ocupado, forma composta de passado, que indica ação concluída, e não a continuidade do texto.
Pegadinha: A banca usa formas que parecem equivalentes ao gerúndio. O candidato precisa testar se o sentido de continuidade permanece após a troca.
Base: Locuções verbais de continuidade com seguir (seguir + a + infinitivo, seguir + gerúndio) e substituições em gramática normativa.
Questão irmã: A forma verbal seguem ocupando pode ser substituída por seguem a ocupar, sem alterar o sentido de continuidade. Gabarito: Certo

Fonte: SEMEC PORTO VELHO/RO 26 (2026) — prova em cdn.cebraspe.org.br

Q3oficialResposta: A

Conceito: Ideias do texto sobre a IA na educação: a decisão sobre o uso cabe à gestão superior e ao corpo docente.
Raciocínio: O texto afirma que cabe à gestão superior e ao corpo docente decidir como a IA será utilizada. Os professores fazem parte do corpo docente, portanto estão entre os atores que decidem sobre o uso. A alternativa A reproduz essa ideia, e as demais não correspondem ao texto: restringem a IA ao apoio acadêmico e administrativo, afirmam um debate escasso, sem que o texto diga isso, e atribuem à IA e às limitações efeitos que o texto não estabelece.
Por que as outras estão erradas:
  • B: Restringe o uso da IA ao apoio acadêmico e administrativo. O texto diz que essas eram as aplicações principais até recentemente, e não o limite do uso.
  • C: Atribui às limitações da IA a formação de profissionais despreparados. O texto atribui esse risco à recusa em adotar as inovações, e não às limitações da tecnologia.
  • D: Afirma que o debate sobre o impacto da IA é escasso. O texto diz que o debate permanece em aberto, e não que é escasso. Explora a inversão de sentido.
  • E: Afirma que a IA é a tecnologia mais promissora na área da educação. O texto diz que é um dos campos emergentes mais promissores, e não o mais promissor.
Pegadinha: As alternativas B a E alteram um dado do texto com pequenas mudanças: restringir, atribuir a causa errada, inverter o sentido de escasso, transformar um dos mais em o mais. A banca explora essas alterações.
Base: Interpretação do texto, com base na leitura integral do trecho sobre decisões de uso da IA.
Questão irmã: Segundo o texto, a decisão sobre o uso da IA na educação cabe exclusivamente à gestão superior, sem participação do corpo docente. Gabarito: Errado

Fonte: CGM PORTO VELHO/RO 26 (2026) — prova em cdn.cebraspe.org.br

Q4oficialResposta: C

Conceito: Equivalência semântica: negar um superlativo comparativo corresponde a afirmar o comparativo de sentido inverso.
Raciocínio: A frase afirma que nenhum investimento é melhor do que colocar leite nos bebês. A ideia central é a de que a comparação coloca o investimento em primeiro lugar. Dizer que há investimento pior, na alternativa C, mantém a mesma ordem de valores entre os investimentos e expressa a mesma relação de superioridade, por isso é a afirmação correta da questão.
Por que as outras estão erradas:
  • A: Afirma que pôr leite em bebês equivale a adotar bebês. A expressão do texto trata de alimentação, e a outra trata de adoção. Explora a aproximação forçada de expressões de sentido diferente.
  • B: Afirma que qualquer comunidade é substituível por uma comunidade qualquer sem alteração de sentido. O uso de qualquer no texto é universal, e uma comunidade qualquer é indefinida. Explora a troca de sentidos entre duas expressões.
  • D: Afirma que o primeiro período apresenta um comparativo de inferioridade. O período apresenta um comparativo de superioridade, pois o investimento colocado em primeiro lugar é o melhor. Explora a inversão do grau.
  • E: Afirma que o segundo período é uma conclusão do primeiro. Ele é uma afirmação complementar, e não uma conclusão lógica do primeiro. Explora a relação de sentido entre os períodos.
Pegadinha: A banca troca o grau do comparativo, de superioridade para inferioridade, e pede a equivalência entre a negação de um superlativo e a afirmação de um comparativo. A leitura cuidadosa dos sentidos é o que separa as opções.
Base: Grau dos adjetivos (comparativo de superioridade e de inferioridade) e equivalência semântica, conforme a gramática normativa.
Questão irmã: No segmento não há investimento melhor para qualquer comunidade, o termo qualquer indica um valor universal de comparação. Gabarito: Certo

Fonte: PREF/MACAE/RJ 2026 — prova em conhecimento.fgv.br

Q5oficialResposta: B

Conceito: Leitura de frases de sentido: a frase que trata o livro somente em termos positivos, sem ressalva.
Raciocínio: A questão pede a frase que aborda o livro integralmente por aspectos positivos. A alternativa B pede que o livro nunca fique longe da mão e dos olhos, o que trata o livro como algo bom, sem ressalva. As alternativas A e D admitem que há livros ruins, com algum aspecto positivo, o que é uma ressalva. A C e a E contrapõem efeitos positivos e negativos. Por isso a alternativa B é a única que trata o livro integralmente de forma positiva.
Por que as outras estão erradas:
  • A: Admite que há livro mau, com algo de bom. Explora a ressalva implícita, que retira a integralidade positiva.
  • C: Contrapõe livros que levam ao saber e livros que levam à insânia. Explora a ideia de dois efeitos opostos.
  • D: Admite que nenhum livro é tão ruim que não tenha utilidade, o que ainda admite livros ruins. Explora a ressalva com a palavra nenhum.
  • E: Contrapõe livros divertidos com erros e livros enfadonhos. Explora a crítica aos defeitos de livros, que não é um aspecto positivo integral.
Pegadinha: As alternativas A e D parecem elogiar o livro, mas admitem livros ruins. A banca explora a palavra integralmente para separar o elogio absoluto do elogio condicionado.
Base: Interpretação de frases e sentido global, conforme a leitura de textos literários e de máximas cobrada no enunciado.
Questão irmã: A frase não há livro tão mau que não tenha algo de bom admite a existência de livros ruins, mas com algum aspecto positivo. Gabarito: Certo

Fonte: MP/ES 2026 — prova em conhecimento.fgv.br

Q6oficialResposta: B

Conceito: Fracasso da comunicação por código: a mensagem não é compreendida quando o receptor não conhece o código utilizado.
Raciocínio: O elemento central do caso é o turista, que viveu nos Estados Unidos e não conhece a língua e as expressões usadas pela manchete carioca. A mensagem pode estar bem formulada, mas o receptor não domina o código em que foi escrita. Por isso o fracasso se deve ao desconhecimento do código pelo receptor, alternativa B.
Por que as outras estão erradas:
  • A: Atribui o fracasso à falta de clareza da linguagem. A mensagem pode ser clara para quem conhece o código. Explora a atribuição à mensagem, e não ao receptor.
  • C: Atribui o fracasso ao canal de comunicação. A manchete chegou por um meio adequado, e o problema está na compreensão. Explora a confusão entre canal e código.
  • D: Atribui o fracasso à formulação inadequada da mensagem. O texto foi formulado para o público local, o que não se confunde com inadequação. Explora a mesma atribuição ao emissor.
  • E: Atribui o fracasso à deficiência da linguagem do jornal. A linguagem é adequada ao público carioca. Explora a crítica ao emissor, e não ao receptor.
Pegadinha: As alternativas A, D e E colocam a culpa no emissor ou na mensagem, e a banca usa essas opções para testar quem lembra que a comunicação falha também por causa do receptor.
Base: Elementos da comunicação (emissor, mensagem, código, canal e receptor), conforme o modelo de Jakobson.
Questão irmã: Quando a mensagem é clara mas o receptor não domina o código em que foi escrita, a comunicação fracassa por desconhecimento do código. Gabarito: Certo

Fonte: TCE/RR 2025 — prova em conhecimento.fgv.br

Q7oficialResposta: A

Conceito: Sentido figurado de verbo no contexto: o verbo prender assume o sentido de limitar ou restringir, e não o literal de segurar.
Raciocínio: No trecho, a personagem diz que não vai prender a história numa única casa. Ela não pretende guardar fisicamente a história em um lugar. O sentido é o de limitar a história a um espaço, o que é figurado. A alternativa A reconhece esse sentido figurado e a ideia de limitar ou restringir a circulação. As demais atribuem ao verbo sentido literal ou sentidos que o contexto não sustenta.
Por que as outras estão erradas:
  • B: Atribui ao verbo o sentido literal de guardar fisicamente. O contexto mostra que a personagem não quer limitar a história a uma casa, e não que a guarde em um lugar.
  • C: Atribui ao verbo a intenção de proteger a história contra mudanças. O texto não fala de mudança, e sim da circulação em vários espaços.
  • D: Atribui ao verbo uma oposição entre escrita e espaços de memória. O texto não estabelece essa oposição.
  • E: Atribui ao verbo o reforço da preservação em locais específicos. O texto propõe o contrário: espalhar a história pela ilha.
Pegadinha: A alternativa B trabalha com o sentido literal, que é o primeiro que vem à cabeça. A banca testa a leitura do sentido figurado no contexto.
Base: Sentido figurado e sentido literal das palavras no contexto, conforme a semântica da língua portuguesa.
Questão irmã: No trecho, o verbo prender tem sentido literal, indicando que a personagem pretende guardar fisicamente a história em uma casa. Gabarito: Errado

Fonte: PREF/SALVADOR/BA 2026 — prova em conhecimento.fgv.br

1.8 Revisão relâmpago e mapa de revisão

  • Função da linguagem depende do que a mensagem privilegia, não do assunto do texto.
  • Pressuposto está na estrutura da frase e resiste à negação.
  • Subentendido depende do contexto e da intenção de quem fala.
  • Negação de “se p, então q” é “p e não q”.
  • Negação de “p e q” é “não p ou não q”; negação de “p ou q” é “não p e não q”.
  • Negação de “todos” não é “nenhum”; é “algum” (pelo menos um caso contrário).
  • “Fazer” indicando tempo decorrido fica no singular: faz dez dias.
  • “Obedecer” pede a preposição “a”, que se combina com o artigo: obedecemos às normas.
  • Ideia principal nem sempre está na primeira frase; em textos argumentativos, costuma estar na tese.
  • Repetir palavras do texto não garante resposta correta; verifique a pergunta.

Mapa de revisão

Reveja este capítulo em 1, 7 e 30 dias.

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