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Matéria 01

Língua Portuguesa

O que o edital pede nesta matéria

  1. 1Redação Oficial. Ortografia e acentuação. Emprego do sinal indicativo de crase. Compreensão e interpretação de textos de gêneros variados. Relação do texto com seu contexto histórico. Denotação e conotação. Discurso direto, discurso indireto e discurso indireto livre.1661 questões da FGV e Cebraspe, 2020–2026 · cap. 1
  2. 2Intertextualidade. Figuras de linguagem. Morfossintaxe. Elementos estruturais e processos de formação de palavras. Sinonímia e antonímia. Pontuação. Pronomes. Concordância nominal e concordância verbal. Flexão nominal e flexão verbal. Vozes do verbo.1310 questões da FGV e Cebraspe, 2020–2026 · cap. 1
  3. 3Correlação de tempos e modos verbais. Regência nominal e regência verbal. Coordenação e subordinação. Conectivos. Redação (confronto e reconhecimento de frases corretas e incorretas; organização e reorganização de orações e períodos; equivalência e transformação de estruturas).942 questões da FGV e Cebraspe, 2020–2026 · cap. 1

Língua Portuguesa · Capítulo 1

Redação oficial, ortografia, crase e interpretação de textosIntertextualidade, figuras, formação de palavras, pontuação, pronomes, concordância e vozesCorrelação de tempos, regência, coordenação, subordinação e reescrita

Itens do edital:

  • 1. Redação Oficial. Ortografia e acentuação. Emprego do sinal indicativo de crase. Compreensão e interpretação de textos de gêneros variados. Relação do texto com seu contexto histórico. Denotação e conotação. Discurso direto, discurso indireto e discurso indireto livre.
  • 2. Intertextualidade. Figuras de linguagem. Morfossintaxe. Elementos estruturais e processos de formação de palavras. Sinonímia e antonímia. Pontuação. Pronomes. Concordância nominal e concordância verbal. Flexão nominal e flexão verbal. Vozes do verbo.
  • 3. Correlação de tempos e modos verbais. Regência nominal e regência verbal. Coordenação e subordinação. Conectivos. Redação (confronto e reconhecimento de frases corretas e incorretas; organização e reorganização de orações e períodos; equivalência e transformação de estruturas).

1.1 Pré-teste

Responda antes de ler a teoria. O gabarito está no fim do capítulo.

P1inédita

Assinale a alternativa em que o acento indicativo de crase está empregado corretamente.

  1. A)Os documentos foram enviados à partir de segunda-feira, conforme o edital.
  2. B)Refiro-me à proposta apresentada pela comissão na semana passada.
  3. C)Chegou à Brasília na madrugada de quarta-feira, cansado da viagem.
  4. D)Não deu atenção à nenhum dos avisos publicados no portal oficial.
  5. E)Compareceu à reunião, mas não se manifestou à respeito do tema.

P2inédita

Assinale a alternativa em que o verbo está na voz passiva analítica.

  1. A)O tribunal julgou os processos no mês passado, sem atrasos.
  2. B)Os servidores se reuniram cedo para votar a proposta.
  3. C)Ele se feriu no acidente de trajeto e procurou o posto médico.
  4. D)Os processos foram julgados pelo tribunal no mês passado.
  5. E)Vendem-se apartamentos no centro da cidade desde o ano passado.

P3inédita

Assinale a alternativa que completa corretamente a frase: “O edital foi publicado tarde; ______, a banca manteve o prazo de inscrição.”

  1. A)Entretanto
  2. B)Portanto
  3. C)Porque
  4. D)Conforme
  5. E)Embora

1.2 O que cai

  • 1. Redação Oficial. Ortografia e acentuação. Emprego do sinal indicativo de crase. Compreensão e interpretação de textos de gêneros variados. Relação do texto com seu contexto histórico. Denotação e conotação. Discurso direto, discurso indireto e discurso indireto livre: 1661 questões da FGV e Cebraspe, 2020–2026
  • 2. Intertextualidade. Figuras de linguagem. Morfossintaxe. Elementos estruturais e processos de formação de palavras. Sinonímia e antonímia. Pontuação. Pronomes. Concordância nominal e concordância verbal. Flexão nominal e flexão verbal. Vozes do verbo: 1310 questões da FGV e Cebraspe, 2020–2026
  • 3. Correlação de tempos e modos verbais. Regência nominal e regência verbal. Coordenação e subordinação. Conectivos. Redação (confronto e reconhecimento de frases corretas e incorretas; organização e reorganização de orações e períodos; equivalência e transformação de estruturas): 942 questões da FGV e Cebraspe, 2020–2026

1.3 Teoria

A gramática e a leitura de texto aparecem juntas nas questões de Língua Portuguesa, e um erro de crase ou de regência derruba uma alternativa inteira. Este capítulo mostra o que a FCC cobra e como decidir rápido, sem decorar listas soltas.

1.3.1 Redação oficial, ortografia, crase e interpretação de textos

Redação oficial. Os atos e comunicações do serviço público seguem o Manual de Redação da Presidência da República, que pede clareza, concisão, formalidade e uniformidade.

Na prática, o texto oficial é impessoal, direto e sem rebuscamento: fala-se do cargo e da unidade, não de quem o ocupa. Os expedientes mais cobrados têm finalidades diferentes, e a banca testa se você escolhe o certo para cada situação.

ExpedienteFinalidadeDestinatário
Ofício (padrão ofício, que reúne o antigo aviso e o antigo memorando)comunicação oficial com outros órgãos, com particulares e entre unidades do mesmo órgãoexterno ou interno
Despachodecisão ou encaminhamento dentro de um processoo próprio processo
Portariaato de dirigente que baixa normas internas ou designa servidoresinterno ao órgão

No Manual de Redação de 2018 (3ª edição), o aviso e o memorando deixaram de ser modelos separados e foram unificados sob o ofício, em um único padrão de formatação, o chamado "padrão ofício". O que muda de um uso para outro é o destinatário (outros órgãos e particulares, ou unidades do mesmo órgão), e não o modelo.

Erro típico: tratar a comunicação oficial como bilhete informal, ou escrever em primeira pessoa num texto que deveria ser impessoal. Quando o enunciado pede texto de comunicação oficial, eliminar as marcas de linguagem informal já derruba metade das alternativas.

Ortografia. O Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, em vigor no Brasil desde 2009, eliminou o trema, exceto em nomes próprios estrangeiros e seus derivados, e retirou o acento de palavras como ideia, assembleia e voo. A regra mais testada é a ausência de trema: linguiça e cinquenta não o levam. Na dúvida sobre grafia, consulte o Vocabulário Ortográfico, e não a memória.

Crase. Crase é a fusão da preposição a com o artigo feminino a (ou as), marcada pelo acento grave: à, às. Só existe crase quando duas condições se juntam: o termo anterior exige a preposição a e o termo seguinte admite o artigo feminino. Sem as duas, não há crase. A contração ao (a + o) não é crase, porque o artigo é masculino. Três casos derrubam candidato:

  • Palavra masculina: não há crase. Escreva saiu a pé e obedeceu ao chefe.
  • Pronome pessoal (a ela, a você): não há crase, porque pronome pessoal não recebe artigo.
  • Pronome demonstrativo aquele(s), aquela(s), aquilo: crase obrigatória, porque o demonstrativo recebe artigo: àquela decisão.
Termo seguinteCrase?Exemplo
palavra masculinanãosaiu a pé
pronome pessoalnãoentregue a ela
aquele, aquela, aquilosimreferiu-se àquela decisão
nome feminino com determinantesimvoltou à sala do setor

Exemplo resolvido

Complete a lacuna de um ofício: "Encaminhe o processo ___ 2ª Vara do Trabalho de Belém."

  1. O verbo encaminhar pede a preposição a (encaminhar algo a um lugar).
  2. A expressão 2ª Vara é feminina e admite o artigo a ("a 2ª Vara").
  3. Há fusão de a + a, então se escreve à.

Resposta: à.

Compreensão e interpretação. Compreender é entender o que o texto diz; interpretar é inferir o que ele sugere, a partir das pistas dadas. A resposta correta quase sempre se apoia no próprio texto. Alternativa que traz informação que o texto não dá está errada, ainda que pareça verdadeira. Leve em conta o contexto histórico: um texto de outra época usa palavras com sentidos que mudaram, e quem lê com o vocabulário de hoje erra por anacronismo.

Denotação e conotação. Denotação é o sentido literal, o que o dicionário registra. Conotação é o sentido figurado, construído pelo contexto. A sala está gelada traz denotação (temperatura); o chefe é gelado traz conotação (frieza no trato). A banca troca os dois para testar se você percebe o contexto.

Discurso direto, indireto e indireto livre.

  • Direto: a fala aparece palavra por palavra, entre aspas ou após travessão, com o verbo introdutor à parte: O servidor disse: "Analisarei o processo".
  • Indireto: o relato é feito na terceira pessoa, geralmente com que, e os tempos recuam. Presente vira pretérito imperfeito; pretérito perfeito vira mais-que-perfeito; futuro do presente vira futuro do pretérito; imperativo vira subjuntivo.
  • Indireto livre: não há verbo introdutor nem aspas; a voz do narrador se mistura à do personagem.

Advérbios também mudam conforme o tempo do relato: amanhã vira no dia seguinte, aqui vira ali, hoje vira naquele dia.

Esquema

Decidir se há crase

  1. 1O termo regente exige a preposição a?

    Ex.: encaminhar a, referir-se a.

  2. 2O termo seguinte admite artigo feminino?

    Pronome pessoal e masculino não admitem.

  3. 3Há fusão de a + a?

    Marque com acento grave: à, às.

  4. 4Sem fusão, escreva só a.

    Ao é contração, não crase.

Exercício comentado

Como a banca cobrouoficial · MP/ES 2026

Leia o texto a seguir. “Não devemos fazer da lei um espantalho / Armado para assustar a aves de rapina, / Mas deixado sempre estático, de modo que com o hábito / Ele não seja mais o terror delas, e sim o seu poleiro.” Shakespeare, William. Medida por Medida (Ato 2, Cena 1). A afirmação correta sobre as leis, que está implícita no texto, é que elas devem

  1. A)proteger a todos.
  2. B)modificar-se conforme as circunstâncias.
  3. C)funcionar, devido ao medo que provocam.
  4. D)ser amplamente divulgadas entre os cidadãos.
  5. E)ajudar a todos em sua tarefa de obter alimentação.

Resposta: A

Conceito: A interpretação de texto literário identifica a tese implícita pela oposição entre a finalidade da lei e seu uso ineficaz.

Raciocínio: O espantalho deveria afastar as aves de rapina; se fica estático e vira poleiro, deixa de cumprir sua função. A pergunta é sobre o que a lei deve fazer em relação a todos: proteger. O medo que o espantalho provoca é apenas o meio da imagem, e não o objetivo da lei. Logo, a alternativa correta é a A.

Pegadinha: A menção às aves não deve ser tomada literalmente; elas representam aqueles contra quem a lei precisa atuar.

Base: Interpretação do excerto de Medida por Medida, citado no enunciado.

1.3.2 Intertextualidade, figuras, formação de palavras, pontuação, pronomes, concordância e vozes

Intertextualidade. Um texto dialoga com outro quando o retoma, cita ou alude. A citação é explícita, com aspas ou referência. A alusão é implícita: só se entende se o leitor reconhece a fonte. A paródia reescreve o original com outra intenção. Quando a questão traz um trecho conhecido, a chave está em identificar o que o autor fez com ele.

Figuras de linguagem. Figura é o uso não literal da palavra, feito para ganhar expressividade. As mais cobradas:

FiguraComo funcionaExemplo
Metáforatransfere sentido por semelhançao processo é um labirinto
Metonímiatroca o termo por outro próximo no sentidoa imprensa noticiou o fato
Hipérboleexagera para enfatizarmorri de rir
Eufemismosuaviza uma ideia duranão está mais entre nós
Ironiadiz o contrário do que pretendeque belo atendimento!, após um atendimento ruim

Formação de palavras. O radical traz o sentido básico. Afixos se juntam a ele: prefixos vêm antes, sufixos depois. A vogal temática e as desinências completam a palavra. Os processos mais cobrados:

ProcessoComo ocorreExemplo
Derivação prefixalprefixo acrescentado à basereescrever
Derivação sufixalsufixo acrescentado à basecasinha
Derivação parassintéticaprefixo e sufixo ao mesmo tempoembarcar (não existe barcar)
Derivação regressivao nome sai da redução do verboa luta (de lutar)
Derivação imprópriamuda a classe, sem mudar a formao jantar
Composição por justaposiçãoduas palavras, sem perda de formaguarda-chuva, passatempo
Composição por aglutinaçãoduas palavras fundidas, com perda de somplanalto (plano + alto)

Pontuação. A vírgula não separa sujeito de predicado nem verbo de complemento. Ela isola aposto, vocativo e oração intercalada. O ponto e vírgula organiza enumerações com itens longos. Os dois-pontos anunciam fala ou explicação.

Pronomes. Os oblíquos átonos (me, te, se, lhe, o, a) se apoiam no verbo. Os tônicos (mim, ti, si, ele) vêm depois de preposição: para mim, com ele. O relativo cujo concorda com o termo seguinte, sem artigo: o processo cujo prazo venceu.

Concordância. No nome, o adjetivo concorda com o substantivo a que se refere. No verbo, a concordância segue o núcleo do sujeito. O verbo haver no sentido de existir é impessoal e fica no singular, mesmo com plural depois. Por isso: houve reclamações, nunca houveram.

Flexão e vozes do verbo. A flexão nominal varia gênero, número e grau. A verbal varia modo, tempo, pessoa, número e voz. Na voz ativa, o sujeito pratica a ação. Na passiva analítica, usa-se ser mais particípio e agente da passiva (o processo foi analisado pelo servidor). Na passiva sintética, usa-se verbo transitivo direto com se, e o verbo concorda com o sujeito (vendem-se casas).

Esquema

Processos de formação

Formação de palavras

  • Derivação: prefixal, sufixal, parassintética, regressiva, imprópria

    Acrescenta afixo, reduz a base ou muda a classe.

  • Composição por justaposição

    Duas palavras, sem perda de forma.

  • Composição por aglutinação

    Duas palavras fundidas, com perda de som.

Exercício comentado

Como a banca cobrouoficial · PREF/SALVADOR/BA 2026

Leia a estrofe-refrão da canção “Mama África”, escrita por Chico César em 1995. Mama África A minha mãe É mãe solteira E tem que fazer mamadeira Todo dia Além de trabalhar Como empacotadeira Nas Casas Bahia https://www.letras.mus.br/chico-cesar/45197/ Na caracterização da personagem, os substantivos "mamadeira" e "empacotadeira" são empregados para descrever aspectos de sua rotina. Em relação à formação de palavras, ambos resultam do processo de

  1. A)composição por justaposição.
  2. B)derivação prefixal.
  3. C)derivação parassintética.
  4. D)derivação sufixal.
  5. E)derivação regressiva.

Resposta: D

Conceito: Derivação sufixal forma palavra nova pelo acréscimo de sufixo a uma base.

Raciocínio: Em mamadeira, acrescenta-se o sufixo -deira à base do verbo mamar, formando nome de objeto; em empacotadeira, o mesmo -deira, acrescentado a empacotar, forma nome de profissão. Logo, a alternativa D classifica corretamente o processo comum às duas palavras.

Pegadinha: As palavras têm sentidos distintos (objeto e profissão), mas ambas se formam com o mesmo sufixo, -deira.

Base: Gramática normativa: processos de formação de palavras, derivação sufixal.

1.3.3 Correlação de tempos, regência, coordenação, subordinação e reescrita

Correlação de tempos e modos. Em período composto, o tempo da principal orienta o da subordinada. A estrutura condicional com se tem combinações fixas, e a banca explora as trocadas.

Tipo de hipóteseOração com seOração principal
Real, no futurofuturo do subjuntivofuturo do presente
Hipotética, no presenteimperfeito do subjuntivofuturo do pretérito
Hipotética, no passadomais-que-perfeito do subjuntivofuturo do pretérito composto

Exemplo de língua: Se o prazo vencer, o processo será arquivado. Trocar vencer por vencerá é erro, mesmo que a frase pareça natural. Também está errada a combinação Se o prazo vencesse, o processo será arquivado: com imperfeito do subjuntivo, a principal pede seria.

Regência. Regência é a relação entre o verbo (ou o nome) e os complementos que ele pede, geralmente com preposição. Os casos mais cobrados:

VerboSentidoRegênciaExemplo
obedecercumprir uma ordemindireta, com aobedecer a normas
preferirescolher uma coisa em vez de outraX a Yprefiro a conciliação ao litígio
visarter como objetivoindireta, com avisa à melhoria
visarpôr visto em documentodiretavisar o cheque
assistirverindireta, com aassistir ao julgamento
assistirajudardiretaassistir o servidor

Coordenação e subordinação. Orações coordenadas são independentes sintaticamente. Subordinadas dependem de outra oração. As conjunções coordenativas se dividem em aditivas (e, nem), adversativas (mas, porém), alternativas (ou), conclusivas (logo, portanto) e explicativas (pois, que). O pois explica quando vem antes do verbo; depois do verbo, costuma concluir.

Conectivos e reescrita. Conectivo mantém a relação lógica entre as ideias. Reescrever sem mudar o sentido exige atenção a essa relação. Como o prazo venceu, o processo foi arquivado equivale a Vencido o prazo, o processo foi arquivado: a oração causal virou reduzida de particípio. Trocar mas por e muda a relação de oposição para adição e torna a frase errada. Conectivos causais como porque, já que e visto que explicam a causa; logo e portanto apresentam a conclusão. Quando a questão pede reescrita, compare sempre o conectivo original com o novo, porque a banca costuma trocar apenas um deles.

Comparação

Coordenação e subordinação

CoordenaçãoSubordinação
Orações independentes sintaticamenteUma oração depende de outra
Ligadas por conjunção coordenativaLigada por conjunção subordinativa ou pronome relativo

Exercício comentado

Como a banca cobrouoficial · NAV BRASIL 2026

Assinale a frase em que o verbo fazer tem a função de substituir toda uma oração anterior.

  1. A)Um livro pode constituir uma obra, vinte podem não fazê-lo.
  2. B)Perdoai-os, Senhor: eles não sabem o que fazem.
  3. C)Todos fazemos o que está a nosso alcance: essa é a lei da solidariedade humana.
  4. D)Todos os professores procuram ensinar enquanto outros fazem brinquedos.
  5. E)Procurei fazer o bem sem olhar a quem.

Resposta: A

Conceito: O verbo fazer pode funcionar como verbo vicário, retomando uma ação ou oração já mencionada.

Raciocínio: Em A, “fazê-lo” retoma “constituir uma obra”: vinte livros podem não constituir uma obra. A alternativa A é a correta porque o verbo evita repetir toda a oração anterior.

Pegadinha: O pronome “-lo” em “fazê-lo” sinaliza a retomada do conteúdo verbal, não um objeto com referente nominal simples.

Base: Gramática normativa: emprego vicário do verbo fazer e coesão por anáfora.

Pegadinha de prova

Houve ou houveram?

Com haver no sentido de existir, o verbo fica no singular: houve reclamações. O plural errado é a armadilha mais comum nas questões de concordância.

Pegadinha de prova

Ao não é à

Ao é a contração de a + o, com artigo masculino, e não tem acento grave. A crase exige artigo feminino. Teste trocando a palavra por um masculino: se a forma muda para ao, não há crase.

1.4 Exemplo resolvido

Assinale a alternativa que reescreve, no discurso indireto, a fala a seguir: "Analisarei o processo amanhã", disse o servidor. A) disse o servidor que analisará o processo no dia seguinte. B) disse o servidor que analisaria o processo amanhã. C) disse o servidor que analisaria o processo no dia seguinte. D) disse o servidor que analisou o processo no dia seguinte. E) disse o servidor que analisasse o processo no dia seguinte.

  1. O verbo introdutor "disse" está no passado, então o tempo da fala recua.
  2. "Analisarei" (futuro do presente) vira "analisaria" (futuro do pretérito).
  3. "Amanhã" é advérbio que depende do momento da fala e vira "no dia seguinte".
  4. Só a alternativa C aplica os dois ajustes. A não recua o tempo, B mantém "amanhã", D usa o tempo errado e E usa subjuntivo sem motivo.

Resposta: Alternativa C.

1.5 Fixação

Questões inéditas.

F1inédita

Assinale a alternativa em que a concordância verbal está de acordo com a norma-padrão.

  1. A)Fazem dois anos que o concurso foi realizado pelo tribunal.
  2. B)Houveram muitas inscrições no primeiro dia de inscrição.
  3. C)Um dos candidatos chegaram atrasado ao local da prova.
  4. D)Devem haver muitas vagas para técnicos no próximo concurso.
  5. E)Fazem parte da banca examinadora dois juízes aposentados.

F2inédita

Assinale a alternativa em que a fala foi corretamente transposta para o discurso indireto: “Eu vou estudar amanhã”, disse ele.

  1. A)Disse que eu ia estudar no dia seguinte.
  2. B)Disse que ele vou estudar no dia seguinte.
  3. C)Disse que ele ia estudar no dia seguinte.
  4. D)Disse que ele irá estudar no dia seguinte.
  5. E)Disse que ele estudou no dia seguinte.

F3inédita

Assinale a alternativa em que o pronome relativo “cujo” está empregado corretamente.

  1. A)O candidato, cujo nome foi chamado, apresentou os documentos.
  2. B)O candidato, cujo o nome foi chamado, apresentou os documentos.
  3. C)O candidato, cuja nome foi chamado, apresentou os documentos.
  4. D)O candidato, que cujo nome foi chamado, apresentou os documentos.
  5. E)O candidato, em cujo o nome foi chamado, apresentou os documentos.

F4inédita

Assinale a alternativa que completa corretamente a frase: “Se os candidatos ______ o edital com antecedência, hoje estariam mais preparados.”

  1. A)sabiam
  2. B)souberam
  3. C)saberão
  4. D)soubessem
  5. E)souberem

F5inédita

Assinale a alternativa em que a regência nominal está de acordo com a norma-padrão.

  1. A)A chefia é receptiva com as sugestões dos servidores.
  2. B)A chefia é receptiva às sugestões dos servidores.
  3. C)A chefia é receptiva para as sugestões dos servidores.
  4. D)A chefia é receptiva de sugestões dos servidores.
  5. E)A chefia é receptiva contra as sugestões dos servidores.

1.6 Questões oficiais da FGV e Cebraspe

Questões oficiais de provas anteriores, com a fonte.

Q1oficial · PREF/SAO JOSE DOS CAMPOS/SP 2026
Leia o trecho inicial do prefácio do livro “As mentiras que os homens contam”, de Luís Fernando Veríssimo: “Nós nunca mentimos. Quando mentimos, é para o bem de vocês. Verdade. Começa na infância, quando a gente diz para a mãe que está sentindo uma coisa estranha, bem aqui, e não pode ir à aula sob pena de morrer no caminho. Se fôssemos sinceros e disséssemos que não tínhamos feito a lição de casa e por isso não podíamos enfrentar a professora a mãe teria uma grande decepção. Assim, lhe dávamos a alegria de se preocupar conosco, que é a coisa que mãe mais gosta, e a poupávamos de descobrir a nossa falta de caráter. Melhor um doente do que um vagabundo. E se ela não acreditasse, e nos mandasse ir à escola de qualquer jeito, ainda tínhamos um trunfo sentimental. “Então vou ter que inventar uma história para a professora”, querendo dizer vou ter que mentir para outra mulher como se ela fosse você. “Está bem, fica em casa estudando!” E ficávamos em casa, fazendo tudo menos estudar, dando-lhe todas as razões para dizer que não nos aguentava mais, que é outra coisa que mãe também adora.” (VERÍSSIMO, Luís Fernando. As mentiras que os homens contam. Rio de Janeiro: Objetiva, 2015) Quanto aos elementos apresentados no prefácio do livro para justificar as razões pelas quais os homens mentem, Veríssimo parece querer defender que, para os homens, a mentira é uma condição que está relacionada às regras sociais de modo

  1. A)subjetivo.
  2. B)natural.
  3. C)opressor.
  4. D)covarde.
  5. E)facultativo.

Q2oficial · ALE/RO 2026
Observe o fragmento a seguir, particularmente o emprego do verbo “abaixar”: “– Porém – disse trêmula e sem levantar os olhos Rosalina – ele me quer tanto! E eu estou tão afeita a vê-lo... – e abaixando mais a voz, quase a falar consigo, continuava – que era um bom moço, trabalhador, e que tudo era para bem, ele queria esposá-la, que...” (Aluísio Azevedo) Assinale a opção, retirada de um dicionário, que indica claramente o significado do verbo “abaixar” na frase dada.

  1. A)Tornar baixo ou mais baixo.
  2. B)Fazer descer ou passar de um lugar, posição ou nível para outro menos elevado.
  3. C)Assentar, descer lentamente ao chão ou a qualquer superfície.
  4. D)Tornar menor ou diminuir de valor, intensidade, grau ou quantidade.
  5. E)Direcionar-se para baixo, inclinar-se, curvar-se.

Q3oficial · EBSERH 2026

A correção faz parte da boa escrita. Assinale a frase que exemplifica o correto emprego gramatical da língua.

  1. A)Não sou daqueles que gostam de jogo com muitos gols.
  2. B)Haviam muitos transeuntes na avenida em função do bloco carnavalesco que acabara de passar.
  3. C)Aconteceram uma série de acidentes de trânsito na nova rodovia.
  4. D)Parece que o grupo não quiseram contribuir com os gastos da festa.
  5. E)Os livros parecem que estão dormindo na estante da biblioteca escolas, pois ninguém os consulta.

Q4oficial · SEMEC PORTO VELHO/RO 26 2026
Texto base (CG1A1): Um dos temas correntes da psicologia dos preços é que as avaliações de valor monetário têm muito em comum com julgamentos sensoriais, como os relativos a peso, brilho, altura, calor, frio ou intensidade de odores. O estudo das percepções sensoriais é conhecido como psicofísica. Nos anos 1800, os psicofísicos mostraram que as pessoas são muito sensíveis às diferenças e não tão sensíveis a valores absolutos. Digamos que você esteja diante de duas maletas idênticas, uma com 12 kg e outra com 13 kg; nesse caso, basta levantá-las para saber qual é a mais pesada. Porém, sem uma balança, é difícil saber se qualquer uma das malas atenderia ao limite de 16 kg de uma companhia aérea. O mesmo tipo de desconhecimento se aplica em relação aos preços. Este fato importantíssimo passa quase despercebido. Isso acontece porque vivemos nossas vidas sob uma nuvem midiática de preços e valores de mercado. Como nos lembramos do que as coisas “deveriam” custar, somos induzidos a pensar que temos um sentido infalível de valor. Os consumidores são como uma pessoa com problemas de visão que consegue se virar em um ambiente familiar porque memorizou onde estão os móveis. Isso é uma compensação; nada tem a ver com acuidade visual. De vez em quando, recebemos alguma dica do quanto o sentido do preço é míope. Qualquer um que já tenha vendido artigos pessoais sabe como é difícil atribuir um preço justo a produtos usados. “Este CD antigo da Tribe Called Quest deve valer o dobro deste da Alanis Morissette. Só não sei se o CD da Tribe deveria ser vendido por US$ 10 ou US$ 0,10”. Em um artigo de 2003, os economistas Dan Ariely, George Loewenstein e Drazen Prelec chamaram esta curiosa combinação de “convicção e incerteza de arbitrariedade coerente”. As avaliações relativas são estáveis e coerentes, enquanto os valores em dólares podem ser descontroladamente arbitrários. A venda de artigos pessoais revela uma verdade que talvez não tenhamos coragem de admitir em transações comerciais: os preços são números inventados que nem sempre envolvem muita convicção. Os números que fazem nosso mundo girar não são tão sólidos, imutáveis e logicamente fundamentados quanto aparentam. Na nova psicologia dos preços, os valores são escorregadios e incertos, tão fluidos quanto os reflexos nos espelhos de um parque de diversões. William Poundstone. Preço: o mito do valor justo e como tirar vantagem disso. Tradução: Adriana Rieche. 1.ª ed. Rio de Janeiro: Best Business, 2015 [recurso digital] (com adaptações). Assinale a opção correta a respeito das relações sintáticas estabelecidas no período “A venda de artigos pessoais revela uma verdade que talvez não tenhamos coragem de admitir em transações comerciais: os preços são números inventados que nem sempre envolvem muita convicção.” (quarto parágrafo do texto CG1A1).

  1. A)A expressão “de admitir” exerce a função de complemento indireto da forma verbal “tenhamos”.
  1. B)Os termos “números” e “inventados” exercem, respectivamente, as funções de sujeito e predicativo do sujeito.
  2. C)De acordo com as regras gramaticais de concordância, a forma verbal “revela” poderia ser flexionada no plural — revelam —, caso em que passaria a concordar com “artigos”.
  3. D)O emprego do modo subjuntivo em “tenhamos” deve-se ao emprego do advérbio “talvez”.
  4. E)A forma verbal “envolvem” está no plural por concordar com o termo “preços”.

Q5oficial · PREF/MACAE/RJ 2026

Analise a frase: “Os médicos chamaram as enfermeiras, solicitaram os blocos de receitas e indicaram os remédios adequados.” Assinale a afirmativa que não se verifica na sua estruturação.

  1. A)As frases mostram paralelismo.
  2. B)A segunda oração mostra ambiguidade.
  3. C)Todas as orações estão na voz ativa.
  4. D)Todas as formas verbais estão no passado.
  5. E)As ações narradas estão em sequência cronológica.

Q6oficial · TCE/SC 2026
Leia o texto a seguir. Funções de confiança, cargos comissionados e vínculos temporários – A ANTC propõe que cargos e funções de chefia, direção e assessoramento em atividades exclusivas de Estado – como a Auditoria de Controle Externo – sejam exercidos exclusivamente por servidores concursados da respectiva carreira. Essa medida reforça a imparcialidade, a continuidade institucional e a proteção da função pública contra interferências indevidas. A entidade também defende que, no mínimo, 50% dos cargos em comissão de qualquer órgão sejam ocupados por servidores efetivos. Um texto pode expressar-se por distintas estruturas; entre as opções a seguir, assinale aquela que mostra uma substituição adequada da forma original por outra equivalente.

  1. A)“Funções de confiança” = funções confiantes.
  2. B)“vínculos temporários” = vínculos de longo tempo.
  3. C)“sejam exercidos” = se exerçam.
  4. D)“exclusivamente” = sem exclusividade.
  5. E)“de qualquer órgão” = de um órgão qualquer.

Q7oficial · AMAZUL 2026
Texto base: As questões da prova de Língua Portuguesa referem-se ao texto a seguir: Por não estarem distraídos (Clarice Lispector) Havia a levíssima embriaguez de andarem juntos, a alegria como quando se sente a garganta um pouco seca e se vê que por admiração se estava de boca entreaberta: eles respiravam de antemão o ar que estava à frente, e ter esta sede era a própria água deles. Andavam por ruas e ruas falando e rindo, falavam e riam para dar matéria e peso à levíssima embriaguez que era a alegria da sede deles. Por causa de carros e pessoas, às vezes eles se tocavam, e ao toque – a sede é a graça, mas as águas são uma beleza de escuras – e ao toque brilhava o brilho da água deles, a boca ficando um pouco mais seca de admiração. Como eles admiravam estarem juntos! Até que tudo se transformou em não. Tudo se transformou em não quando eles quiseram essa mesma alegria deles. Então a grande dança dos erros. O cerimonial das palavras desacertadas. Ele procurava e não via, ela não via que ele não vira, ela que estava ali, no entanto. No entanto, ele que estava ali. Tudo errou, e havia a grande poeira das ruas, e quanto mais erravam, mais com aspereza queriam, sem um sorriso. Tudo só porque tinham prestado atenção, só porque não estavam bastante distraídos. Só porque, de súbitos, exigentes e duros, quiseram ter o que já tinham. Tudo porque quiseram dar um nome; porque quiseram ser, eles que eram. Foram então aprender que, não se estando distraído, o telefone não toca, e é preciso sair de casa para que a carta chegue, e quando o telefone finalmente toca, o deserto da espera já cortou os fios. Tudo, tudo por não estarem mais distraídos. Alguns elementos linguísticos funcionam como dêiticos, ou seja, sua referência não está necessariamente no texto. Assinale a opção em que se percebe o uso de elementos dêiticos.

  1. A)As águas são uma beleza de escuras.
  2. B)Então a grande dança dos erros.
  3. C)No entanto, ele que estava ali.
  4. D)E havia a grande poeira das ruas.
  5. E)O deserto da espera já cortou os fios.

1.7 Gabarito comentado

P1inédita · pré-testeResposta: B

Conceito: Crase é a fusão da preposição “a” com o artigo definido feminino “a”, e só ocorre quando o termo seguinte aceita artigo feminino e o verbo ou nome pede a preposição “a”.
Raciocínio: 1) Verifique se o termo seguinte aceita artigo feminino: “a proposta” aceita. 2) Verifique se o verbo ou nome pede a preposição “a”: “referir-se a” pede. 3) Junte as duas: “à proposta”. Cidade sem artigo, pronome masculino e locuções fixas como “a partir de” ou “a respeito de” não recebem o acento.
Por que as outras estão erradas:
  • A: “À partir” é erro de locução: a forma correta é “a partir de”, sem crase, pois não há artigo feminino ali.
  • C: “Brasília” é cidade sem artigo, então “chegar a Brasília” não recebe crase. Só topônimos que pedem artigo, como “a Bahia” (“vou à Bahia”), levam o acento.
  • D: “Nenhum” é pronome masculino; antes dele a preposição “a” não se funde com artigo feminino, logo não há crase.
  • E: “Respeito” não pede artigo feminino: a locução correta é “a respeito de”, sem acento.
Pegadinha: O ouvido registra a crase em “à partir” e “à respeito” como se fosse normal. O teste certo é tentar colocar “a” feminino antes do termo: se não cabe, não há crase.
Base: Norma-padrão sobre crase (fusão da preposição a com o artigo definido feminino a), na gramática normativa da língua portuguesa.
Questão irmã: Complete com crase quando couber: “Voltaremos ___ Bahia e ___ Brasília na próxima semana.” Gabarito: “à” (Bahia pede artigo) e “a” (Brasília não pede artigo).

P2inédita · pré-testeResposta: D

Conceito: A voz passiva analítica se forma com o verbo “ser” (ou outro auxiliar de passiva) seguido de particípio, e o sujeito sofre a ação.
Raciocínio: 1) Procure a estrutura auxiliar + particípio. A alternativa D tem “foram julgados”, e o sujeito “os processos” recebe a ação. 2) Analise as demais: na voz ativa o sujeito pratica a ação; na reflexiva o “se” indica ação sobre o próprio sujeito ou entre os sujeitos; na passiva sintética o “se” apassivador acompanha verbo concordando com o sujeito, sem auxiliar.
Por que as outras estão erradas:
  • A: Está na voz ativa: o sujeito “O tribunal” pratica a ação de julgar, e não há auxiliar de passiva.
  • B: Está na voz reflexiva ou recíproca: o “se” mostra que os servidores agem entre si, sem ação recebida.
  • C: Está na voz ativa, com “se” reflexivo: o sujeito “ele” se feriu e depois “procurou” o posto. Não há auxiliar de passiva (ser + particípio).
  • E: É passiva sintética, com “se” apassivador e sem a estrutura ser + particípio, que a questão pede.
Pegadinha: Ao ver “se”, o aluno conclui que é passiva. O “se” pode ser reflexivo, recíproco ou apassivador, e só o último aparece em passiva; a questão ainda exige a forma analítica, que se reconhece pelo auxiliar “ser” + particípio.
Base: Classificação das vozes verbais (ativa, passiva analítica, passiva sintética e pronominal), na gramática normativa da língua portuguesa.
Questão irmã: Passe para a voz passiva analítica: “O tribunal julgou os recursos.” Gabarito: Os recursos foram julgados pelo tribunal.

P3inédita · pré-testeResposta: A

Conceito: Conectivos ligam orações e indicam a relação entre elas. “Entretanto” é conjunção coordenativa adversativa: marca oposição entre a ideia anterior e a seguinte.
Raciocínio: 1) Leia o trecho antes do ponto e vírgula: edital publicado tarde, ou seja, um problema. 2) O trecho depois contraria o esperado: a banca manteve o prazo. 3) Isso é oposição, logo cabe um conectivo adversativo, o que faz da opção A a correta. As demais indicam conclusão, causa, conformidade ou subordinação concessiva.
Por que as outras estão erradas:
  • B: “Portanto” marca conclusão, mas a segunda oração não é consequência do atraso; ela contrasta com ele.
  • C: “Porque” introduz causa. O atraso não explica a manutenção do prazo, então a relação é de oposição.
  • D: “Conforme” expressa conformidade ou proporção; não liga duas orações com sentido de contraste.
  • E: “Embora” é conjunção subordinativa concessiva e exigiria verbo no subjuntivo (“embora a banca mantivesse”). Com “manteve”, no indicativo, a frase fica incorreta, além de não ser a relação de oposição entre orações independentes que a lacuna pede.
Pegadinha: “Portanto” e “entretanto” aparecem entre vírgulas e parecem intercambiáveis. O que decide é o sentido: conclusão ou oposição.
Base: Conjunções coordenativas adversativas e conclusivas, e conectivos de oposição, na gramática normativa da língua portuguesa.
Questão irmã: Complete com um conectivo de oposição: “O prazo era curto; ______, todos entregaram a prova a tempo.” Gabarito: no entanto (também contudo ou todavia), por expressar oposição.

F1inéditaResposta: E

Conceito: Verbos impessoais (haver com sentido de existir, fazer com sentido de tempo decorrido) não têm sujeito e ficam no singular; já “fazer parte” tem sujeito real, que determina o plural.
Raciocínio: 1) Identifique o verbo. “Fazer” indicando tempo é impessoal: fica no singular. “Haver” com sentido de existir também é impessoal: fica no singular. 2) Em “fazer parte”, o verbo não é impessoal: o sujeito é “dois juízes”, plural. Logo, a alternativa E está correta.
Por que as outras estão erradas:
  • A: “Fazer” indicando tempo decorrido é impessoal e fica no singular: o correto é “Faz dois anos”.
  • B: “Haver” com sentido de existir é impessoal: deve ficar no singular, “houve”, e não “houveram”.
  • C: O sujeito é “um dos candidatos”, e o verbo concorda com o núcleo “um”, no singular: “chegou”, não “chegaram”.
  • D: “Haver” com sentido de existir não vai para o plural mesmo com substantivo plural depois: deve ser “Deve haver”.
Pegadinha: O aluno corrige o verbo para o plural por reflexo, por causa de “dois juízes”. O plural está certo em “fazer parte”, mas o singular está certo em “haver” e em “fazer” de tempo. A diferença está no verbo, não na presença de plural.
Base: Concordância verbal: verbos impessoais (haver e fazer) e sujeito real posposto, na gramática normativa da língua portuguesa.
Questão irmã: Corrija: “Fazem três meses que a prova foi aplicada.” Gabarito: “Faz três meses que a prova foi aplicada.”

F2inéditaResposta: C

Conceito: No discurso indireto, a fala vira oração subordinada: a pessoa, o tempo verbal e o advérbio de tempo mudam conforme o verbo de dizer está no passado.
Raciocínio: 1) Troque o “eu” por “ele”, porque a fala agora é relatada por terceiro. 2) Como “disse” está no passado, o presente “vou” recua para “ia”. 3) “Amanhã” vira “no dia seguinte”. A alternativa C reúne os três ajustes; as demais falham em pelo menos um.
Por que as outras estão erradas:
  • A: Manteve o pronome “eu”. Na fala relatada, o sujeito passa a ser a terceira pessoa, “ele”.
  • B: “Ele vou” quebra a concordância entre sujeito e verbo; e o presente “vou” não recuou para “ia”.
  • D: “Irá” é futuro do presente, que não combina com verbo de dizer no passado; o correto é recuar para “ia”.
  • E: “Estudou” é pretérito perfeito, que apresenta a ação como concluída e muda o sentido do plano, que era futuro.
Pegadinha: Trocar só um dos ajustes gera uma frase quase certa. A opção A troca o tempo, mas esquece o pronome; a banca testa os três ajustes juntos.
Base: Discurso indireto: transposição de pessoa, tempo verbal e advérbio de tempo, na gramática normativa da língua portuguesa.
Questão irmã: Passe para o discurso indireto: “Eu chego cedo”, disse ela. Gabarito: Disse que ela chegava cedo.

F3inéditaResposta: A

Conceito: “Cujo” é pronome relativo de posse: concorda com o termo possuído, que vem depois dele, e não admite artigo entre os dois.
Raciocínio: 1) Identifique o termo possuído: “nome”, masculino singular. 2) “Cujo” concorda com ele: “cujo nome”. 3) Não se coloca artigo entre “cujo” e o nome. A alternativa A segue os três passos.
Por que as outras estão erradas:
  • B: Coloca artigo entre “cujo” e o nome. O pronome já indica posse, e o artigo é rejeitado nessa construção.
  • C: “Cuja” concorda com feminino, mas “nome” é masculino: a concordância pede “cujo”.
  • D: Acumula “que” antes de “cujo”, o que é redundante: “cujo” já funciona como pronome relativo.
  • E: Mesmo com a preposição, o artigo “o” não cabe: a forma correta é “em cujo nome”.
Pegadinha: A banca explora o artigo, porque “cujo o nome” soa natural na fala. Como “cujo” já indica posse, o artigo é redundante e torna a construção errada.
Base: Pronome relativo “cujo”: concordância com o termo possuído e ausência de artigo, na gramática normativa da língua portuguesa.
Questão irmã: Complete: “A candidata, ______ prova foi anulada, recorreu.” Gabarito: cuja (concorda com “prova”, feminino).

F4inéditaResposta: D

Conceito: Em hipótese no presente, a oração com “se” pede o imperfeito do subjuntivo, e a principal fica no futuro do pretérito.
Raciocínio: 1) Localize a oração condicional: “Se os candidatos ______ o edital”. 2) A hipótese se refere ao presente (“hoje”), então a oração com “se” pede o imperfeito do subjuntivo: “soubessem”. 3) A principal “estariam” está no futuro do pretérito, e a correlação fecha com “soubessem”. Os demais tempos e modos quebram essa correlação.
Por que as outras estão erradas:
  • A: “Sabiam” é indicativo; a oração hipotética com “se” não aceita indicativo nesse ponto da frase.
  • B: “Souberam” é pretérito perfeito do indicativo, que apresenta fato concluído, incompatível com a hipótese.
  • C: “Saberão” é futuro do indicativo, que não aparece em oração hipotética introduzida por “se” nesse contexto.
  • E: “Souberem” é futuro do subjuntivo, que não combina com a principal no futuro do pretérito, “estariam”.
Pegadinha: “Sabiam”, “souberam” e “soubessem” parecem intercambiáveis. A banca explora o modo: só o imperfeito do subjuntivo fecha a condicional hipotética.
Base: Correlação de tempos e modos em período hipotético no presente: “se” com imperfeito do subjuntivo e principal com futuro do pretérito, na gramática normativa da língua portuguesa.
Questão irmã: Complete: “Se eu ______ a resposta, eu a diria.” (verbo saber) Gabarito: soubesse

F5inéditaResposta: B

Conceito: Adjetivos têm regência fixa. “Receptivo” rege a preposição “a”: é receptivo a sugestões, e, com o artigo “as”, a preposição se funde em “às”.
Raciocínio: 1) Identifique o adjetivo: “receptiva”. 2) Ele rege a preposição “a”: receptiva a. 3) Junte com o artigo “as” e obtenha “às sugestões”. A alternativa B reproduz essa regência; as demais usam preposições que não são regidas por esse adjetivo.
Por que as outras estão erradas:
  • A: Usa “com”, preposição que não é a regência padrão do adjetivo “receptiva”.
  • C: Usa “para”, preposição de finalidade, que não acompanha “receptiva” na norma-padrão.
  • D: Usa “de” no lugar da preposição regida, e a construção não é aceita para esse adjetivo.
  • E: Usa “contra”, que tem sentido de oposição e inverte o sentido de “receptiva”.
Pegadinha: A banca troca só a preposição, e o sentido parece próximo. Adjetivo tem preposição fixa, como “receptivo a”, “atento a” e “favorável a”. Memorize o par adjetivo + preposição, não só o adjetivo.
Base: Regência nominal (adjetivo com a preposição que rege), na gramática normativa da língua portuguesa.
Questão irmã: Complete corretamente: “O gestor é atento ______ prazos.” Gabarito: aos (atento a + os).

Q1oficialResposta: B

Conceito: A interpretação relaciona a ironia do texto à representação da mentira como prática naturalizada nas relações sociais.
Raciocínio: O narrador trata a mentira como algo que começa na infância e apresenta justificativas cotidianas, em tom humorístico. Assim, a alternativa B é a que traduz a ideia de condição naturalizada.
Por que as outras estão erradas:
  • A: Subjetivo diz respeito ao ponto de vista individual; não resume a ideia de hábito social apresentada.
  • C: O texto não descreve a mentira como imposição opressora das regras sociais.
  • D: O foco não é a covardia dos homens, mas a banalização da mentira como prática recorrente.
  • E: Facultativo sugeriria escolha eventual, incompatível com a apresentação da mentira como algo desde a infância.
Pegadinha: O tom satírico não deve ser lido como defesa literal da mentira; importa a ideia subjacente ao trecho.
Base: Interpretação textual; prefácio citado no enunciado.
Questão irmã: Um narrador afirma que todos aprendem desde cedo a inventar desculpas para evitar punições. A mentira aparece como prática: (A) naturalizada (B) excepcional. Gabarito: A

Fonte: PREF/SAO JOSE DOS CAMPOS/SP 2026 — prova em conhecimento.fgv.br

Q2oficialResposta: D

Conceito: O sentido de um verbo depende do contexto e pode ser selecionado entre acepções dicionarizadas.
Raciocínio: Rosalina abaixa a voz, isto é, reduz seu volume ou intensidade. A alternativa D corresponde a diminuir intensidade, não a deslocar fisicamente algo para baixo.
Por que as outras estão erradas:
  • A: Fala de tornar algo baixo em dimensão, sentido não adequado ao volume da voz.
  • B: Descreve movimento de um lugar ou nível alto para outro inferior, sem o valor contextual de reduzir o volume.
  • C: Refere-se a assentar ou descer até uma superfície, ação ausente no trecho.
  • E: Indica inclinar-se ou curvar-se; no fragmento, a voz é que tem sua intensidade reduzida.
Pegadinha: Abaixa mais a voz não significa que a personagem se abaixa; o complemento determina a acepção.
Base: Contexto do fragmento literário e acepção lexical de abaixar em dicionário geral da língua portuguesa.
Questão irmã: Ao pedir silêncio, ela baixou o tom de voz. “Baixou” significa: (A) diminuiu a intensidade (B) curvou o corpo. Gabarito: A

Fonte: ALE/RO 2026 — prova em conhecimento.fgv.br

Q3oficialResposta: A

Conceito: A concordância verbal observa o sujeito da oração, inclusive em construções com pronome relativo que.
Raciocínio: Em A, “sou” concorda com eu, e “gostam” concorda com o antecedente plural “daqueles”, retomado por que. A frase está corretamente construída. Logo, a alternativa correta é a A.
Por que as outras estão erradas:
  • B: Haver com sentido de existir é impessoal e fica no singular: havia muitos transeuntes.
  • C: O núcleo do sujeito é série, singular; seria “aconteceu uma série”.
  • D: O sujeito de quiseram é “o grupo”, singular; a forma adequada é “não quis”.
  • E: O verbo parecer, nessa estrutura, fica no singular diante da oração que o segue: o correto seria “parece que os livros estão dormindo”. A forma “Os livros parecem que estão” é inadequada, qualquer que seja a grafia do trecho final.
Pegadinha: Na alternativa A, não se deve fazer “gostam” concordar com o sujeito eu; a oração relativa retoma “daqueles”.
Base: Gramática normativa: concordância verbal; verbo haver impessoal; concordância com sujeito simples e pronome relativo que.
Questão irmã: Não sou dos candidatos que (A) estudam / (B) estuda diariamente. Gabarito: A

Fonte: EBSERH 2026 — prova em conhecimento.fgv.br

Q4oficialResposta: D

Conceito: O advérbio talvez expressa possibilidade e frequentemente favorece o emprego do subjuntivo.
Raciocínio: Em “talvez não tenhamos coragem”, o advérbio talvez introduz uma hipótese, e a forma tenhamos está no presente do subjuntivo. Portanto, a alternativa D identifica adequadamente a relação modal.
Por que as outras estão erradas:
  • A: “De admitir” completa o nome coragem por meio de oração reduzida, não é complemento indireto do verbo ter.
  • B: Em “os preços são números inventados”, números é predicativo do sujeito preços; inventados é adjunto adnominal de números.
  • C: O sujeito de revela é “A venda de artigos pessoais”; artigos integra complemento nominal, não sujeito plural.
  • E: “Envolvem” concorda com “que”, cujo antecedente é números (núcleo plural), e não diretamente com preços.
Pegadinha: A presença do subjuntivo é associada à ideia de dúvida/possibilidade de talvez, não a uma regra mecânica sem considerar o sentido.
Base: Gramática normativa: modos verbais e concordância; período transcrito no enunciado.
Questão irmã: Talvez os servidores (A) cheguem / (B) chegam mais cedo amanhã. Gabarito: A

Fonte: SEMEC PORTO VELHO/RO 26 (2026) — prova em cdn.cebraspe.org.br

Q5oficialResposta: B

Conceito: Orações coordenadas podem compartilhar sujeito e manter paralelismo sem gerar ambiguidade.
Raciocínio: A frase apresenta três verbos no pretérito perfeito, todos com sujeito “Os médicos”, voz ativa e ações em sequência. Em “solicitaram os blocos de receitas”, a estrutura não permite a ambiguidade apontada. Assim, a afirmação não verificada é B.
Por que as outras estão erradas:
  • A: Os predicados coordenados seguem estrutura paralela: verbo transitivo e complementos.
  • C: Os médicos praticam as ações; os verbos estão na voz ativa.
  • D: Chamaram, solicitaram e indicaram estão no pretérito perfeito do indicativo.
  • E: A sucessão dos verbos apresenta ações narradas como sequência, leitura coerente com o período.
Pegadinha: A pergunta pede o que NÃO se verifica; a segunda oração não contém ambiguidade estrutural relevante.
Base: Gramática normativa: coordenação, paralelismo sintático, vozes verbais e tempos verbais.
Questão irmã: “A equipe revisou o texto, aprovou o orçamento e enviou o ofício.” A construção contém: (A) paralelismo e sujeito comum (B) ambiguidade obrigatória. Gabarito: A

Fonte: PREF/MACAE/RJ 2026 — prova em conhecimento.fgv.br

Q6oficialResposta: C

Conceito: A voz passiva pronominal pode corresponder à passiva analítica, preservando o sentido e a concordância do sujeito paciente.
Raciocínio: “Cargos e funções ... sejam exercidos” está na passiva analítica, com cargos e funções como sujeito paciente. A reescrita “se exerçam” emprega passiva sintética, mantendo o sentido e o plural. Logo, C é equivalente.
Por que as outras estão erradas:
  • A: Confiantes descreve pessoas que confiam, não funções que inspiram confiança; muda o sentido.
  • B: Vínculos de longo tempo contradiz temporários.
  • D: Sem exclusividade expressa o oposto de exclusivamente.
  • E: “Qualquer órgão” significa todo e qualquer órgão; “um órgão qualquer” pode indicar um órgão indeterminado e não preserva com precisão a abrangência.
Pegadinha: A passagem de “ser exercido” a “se exercer” troca a forma da voz, não o sentido essencial.
Base: Gramática normativa: voz passiva analítica e voz passiva sintética; concordância do verbo com o sujeito paciente.
Questão irmã: “As propostas serão analisadas” equivale a: (A) analisar-se-ão as propostas (B) as propostas analisarão. Gabarito: A

Fonte: TCE/SC 2026 — prova em conhecimento.fgv.br

Q7oficialResposta: C

Conceito: Dêixis é a referência dependente da situação de enunciação, como a localização de pessoas e objetos por aqui, ali, este ou aquele.
Raciocínio: Em “ele que estava ali”, o advérbio ali aponta para uma localização contextual, não necessariamente recuperável apenas no texto. A alternativa C contém o elemento dêitico destacado.
Por que as outras estão erradas:
  • A: A expressão é figurativa e não apresenta indicador de pessoa, tempo ou espaço ancorado na situação comunicativa.
  • B: Então pode ordenar eventos no discurso; isoladamente, não é o elemento dêitico espacial destacado pelo item.
  • D: “Havia” introduz existência e não aponta por si só para coordenada contextual externa.
  • E: O deserto da espera é metáfora; não é dêixis situacional.
Pegadinha: Nem todo advérbio ou expressão temporal é dêitico no contexto; aqui a localização “ali” exige referência espacial contextual.
Base: Linguística textual: dêixis espacial e contexto de enunciação; fragmento citado no enunciado.
Questão irmã: “Deixe o documento aqui”, disse a servidora apontando a mesa. O termo dêitico espacial é: (A) aqui (B) documento. Gabarito: A

Fonte: AMAZUL 2026 — prova em conhecimento.fgv.br

1.8 Revisão relâmpago e mapa de revisão

  • No Manual de 2018, aviso e memorando foram unificados no ofício (padrão ofício), usado com outros órgãos, com particulares e entre unidades do mesmo órgão.
  • Crase é a/a: preposição a mais artigo feminino a. Sem artigo feminino, sem crase.
  • Antes de palavra masculina e de pronome pessoal (a ela, a você), não há crase.
  • Antes de aquele(s), aquela(s), aquilo, a crase é obrigatória: àquela decisão.
  • A pé e a partir de não recebem crase.
  • No discurso indireto, presente vira imperfeito e futuro do presente vira futuro do pretérito.
  • Amanhã vira no dia seguinte; aqui vira ali; hoje vira naquele dia.
  • Haver no sentido de existir fica no singular: houve reclamações.
  • Passiva sintética: o verbo concorda com o sujeito (vendem-se casas).

Mapa de revisão

Reveja este capítulo em 1, 7 e 30 dias.

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