Literatura · Capítulo 5
Movimentos, autores e leitura literáriaContexto, estética e questões contemporâneasSeis leituras obrigatórias: forma, voz e memória
Itens do edital:
- 4. Realismo e Naturalismo em Portugal e no Brasil; Parnasianismo e Simbolismo; Pré-Modernismo; Vanguardas Europeias; Semana da Arte Moderna; Modernismo no Brasil (primeira fase, segunda fase; terceira fase); literatura contemporânea em Portugal e no Brasil; manifestações literárias e suas fontes em Mato Grosso do Sul; autores e obras.
- 5. Em cada fase cultural, devem ser observados origem histórica e contexto cultural; princípios estéticos norteadores. Relações entre literatura, identidade, diversidade, direitos humanos e questões contemporâneas.
- 6. Obras de leitura obrigatória: I-Juca-Pirama, de Gonçalves Dias, Contos fluminenses, de Machado de Assis, Primeiras estórias, de João Guimarães Rosa, Úrsula, de Maria Firmina dos Reis, Água funda, de Ruth Guimarães, A fiandeira, de Raquel Naveira.
5.1 Pré-teste
Responda antes de ler a teoria. O gabarito está no fim do capítulo.
P1inédita
Em um romance realista, o narrador descreve um marido que se proclama virtuoso, mas expõe, por meio de seus gestos e contradições, o interesse com que controla as escolhas da esposa. Qual procedimento é mais compatível com a crítica realista?
- A)Contrastar a autoimagem moral da personagem com suas atitudes, usando a ironia para revelar convenções e interesses sociais.
- B)Apresentar o marido como herói idealizado, cujas virtudes excepcionais resolvem os conflitos sem crítica às normas sociais.
- C)Explicar o comportamento do marido como efeito inevitável da hereditariedade, sem considerar convenções ou interesses de classe.
- D)Converter o conflito conjugal em visão sobrenatural, na qual forças misteriosas determinam a conduta das personagens.
- E)Substituir a análise das relações sociais pela descrição objetiva de paisagens, sem explorar contradições psicológicas.
P2inédita
Uma leitura de romance brasileiro considera como a experiência de personagens submetidas a desigualdades de raça, gênero e classe se relaciona com a organização histórica da sociedade. Qual abordagem melhor atende a essa proposta de leitura?
- A)Separar a trajetória individual do contexto, pois a forma literária impede qualquer discussão sobre relações sociais.
- B)Tratar a desigualdade como conflito natural entre indivíduos, sem relacioná-la a processos históricos ou instituições.
- C)Relacionar escolhas formais e trajetórias das personagens às estruturas históricas, sem reduzir a obra a um documento sociológico.
- D)Considerar que a presença de uma personagem oprimida comprova, por si só, a defesa explícita de um programa político pelo autor.
- E)Avaliar a obra apenas pela correção de suas informações históricas, deixando de lado linguagem, perspectiva e construção narrativa.
P3inédita
Em I-Juca-Pirama, de Gonçalves Dias, o guerreiro tupi capturado pede aos vencedores que adiem sua morte. Qual motivo explica o pedido e a reação posterior do pai?
- A)O guerreiro deseja fugir para salvar os companheiros, e o pai o celebra por ter evitado o combate.
- B)O guerreiro pede para cuidar do pai cego e idoso; depois, o pai o censura por ter suplicado em vez de enfrentar a morte com bravura.
- C)O guerreiro solicita que o pai seja libertado, e o pai o reprova por não ter aceitado trocar de lugar com o prisioneiro.
- D)O guerreiro quer permanecer entre os vencedores como aliado, e o pai o acusa de ter abandonado os ritos de sua comunidade.
- E)O guerreiro pede tempo para recuperar as armas, e o pai o repreende por ter perdido a batalha por falta de estratégia.
5.2 O que cai
- 4. Realismo e Naturalismo em Portugal e no Brasil; Parnasianismo e Simbolismo; Pré-Modernismo; Vanguardas Europeias; Semana da Arte Moderna; Modernismo no Brasil (primeira fase, segunda fase; terceira fase); literatura contemporânea em Portugal e no Brasil; manifestações literárias e suas fontes em Mato Grosso do Sul; autores e obras: 102 questões da UFMS, Fuvest e UFGD, 2015–2026
- 5. Em cada fase cultural, devem ser observados origem histórica e contexto cultural; princípios estéticos norteadores. Relações entre literatura, identidade, diversidade, direitos humanos e questões contemporâneas: 2 questões da UFMS, Fuvest e UFGD, 2020–2024
- 6. Obras de leitura obrigatória: I-Juca-Pirama, de Gonçalves Dias, Contos fluminenses, de Machado de Assis, Primeiras estórias, de João Guimarães Rosa, Úrsula, de Maria Firmina dos Reis, Água funda, de Ruth Guimarães, A fiandeira, de Raquel Naveira: 26 questões da UFMS, Fuvest e UFGD, 2017–2026
5.3 Teoria
A prova relaciona estilos literários, contexto histórico e leitura atenta de obras, sem reduzir textos a rótulos. Este capítulo organiza os movimentos e as seis leituras obrigatórias para reconhecer tanto a forma quanto as tensões sociais e culturais que os textos elaboram.
5.3.1 Movimentos, autores e leitura literária
Realismo e Naturalismo surgem no século XIX, em reação ao sentimentalismo romântico e sob influência de debates científicos e sociais.
O Realismo observa criticamente relações, interesses e convenções; em Machado de Assis, a ironia, o narrador pouco confiável e a análise psicológica expõem contradições sem oferecer explicações simples. O Naturalismo intensifica a observação de ambientes e comportamentos e dá destaque a condicionamentos sociais, físicos e econômicos. Não confunda a presença de descrição regional ou de crenças populares, por si só, com determinismo naturalista: um texto pode incorporar lendas e oralidade sem reduzir personagens ao meio. Em Portugal, Eça de Queirós é referência realista; no Brasil, Machado ocupa posição central no Realismo, enquanto Inglês de Sousa é associado à introdução do Naturalismo.
| Movimento | Marca predominante | Atenção na leitura |
|---|---|---|
| Realismo | Crítica social e análise psicológica | Ironia pode desmentir o narrador |
| Naturalismo | Observação e condicionamentos | Não basta haver descrição regional |
| Parnasianismo | Forma trabalhada e impessoalidade | Valoriza composição e acabamento |
| Simbolismo | Sugestão, musicalidade e símbolo | O sentido não é apenas literal |
Parnasianismo e Simbolismo também se afirmam no fim do século XIX, mas respondem de modo diferente à criação poética. O Parnasianismo privilegia rigor formal, composição controlada e elaboração do verso; não significa ausência absoluta de emoção, mas atenção especial à forma. O Simbolismo prefere sugestão, musicalidade, imagens e correspondências sensoriais, frequentemente com atmosfera espiritual ou vaga. Compare o modo de construir o poema, e não apenas o tema: uma imagem misteriosa pode aparecer em estilos diversos.
O Pré-Modernismo, no início do século XX, não é uma escola de programa único. Reúne autores que tornam visíveis conflitos e populações marginalizadas, questionando a imagem idealizada do país. A leitura deve observar tensões regionais, desigualdades e linguagem, em vez de procurar uma fórmula estética uniforme. As Vanguardas Europeias — como Futurismo, Cubismo, Expressionismo, Dadaísmo e Surrealismo — experimentaram novas formas de representar velocidade, fragmentação, choque, subjetividade e acaso. No Brasil, suas propostas alimentaram a ruptura modernista, mas foram reelaboradas em condições locais; não se deve tratar a produção brasileira como simples cópia europeia.
A Semana de Arte Moderna de 1922 tornou-se marco simbólico de divulgação das rupturas modernistas em São Paulo. Não criou sozinha o Modernismo nem representa toda a produção cultural do país. A primeira fase modernista, associada aos anos 1920, combateu padrões acadêmicos, experimentou linguagem e buscou discutir uma expressão nacional. A segunda fase ampliou a maturidade formal e temática: na prosa, ganhou força a representação de conflitos sociais e regionais; na poesia, coexistem reflexão, cotidiano e elaboração estética. A terceira fase, em geral situada a partir de meados do século XX, reúne caminhos diversos, com pesquisa formal, introspecção e reinvenção da linguagem. As divisões são úteis como orientação, mas não encerram a diversidade dos autores.
| Recorte | Tendência útil para a prova | Não conclua automaticamente |
|---|---|---|
| Pré-Modernismo | Expõe conflitos do país | Que seja uma escola homogênea |
| Primeira fase modernista | Ruptura e experimentação | Que toda obra abandone a tradição |
| Segunda fase | Diversificação temática e formal | Que só trate de denúncia social |
| Terceira fase | Pesquisa de linguagem e interioridade | Que tenha um único estilo |
A literatura contemporânea em Portugal e no Brasil é plural. Pode revisitar a memória, a história, a identidade e a experiência urbana ou regional, além de discutir raça, gênero, classe, migração e direitos humanos. Uma abordagem crítica não transforma personagem em mero exemplo sociológico: examine voz narrativa, escolhas formais, conflitos e silêncios. O excerto de Nadine Gordimer, por exemplo, apresenta dúvidas sobre como enfrentar desigualdades educacionais legadas pelo apartheid; a leitura correta percebe a incerteza, não um consenso de sucesso. Em Guimarães Rosa, a linguagem inventiva e o sertão são componentes da construção artística, mas a trajetória de Augusto Matraga também articula queda, transformação moral e busca de redenção. A morte ao enfrentar Joãozinho Bem-Bem encerra seu percurso de sacrifício; não se deve tomar o animal do trecho como prova de poder sobrenatural.
A leitura de autores sul-mato-grossenses, como Raquel Naveira, permite reconhecer que a literatura regional participa de diálogos nacionais sem se reduzir a cor local. Em A fiandeira, observe a organização e os textos em prosa que acompanham a gênese dos poemas, uma regularidade do próprio livro. Conceição Evaristo, por sua vez, constrói narrativas nas quais memória escravocrata e presente se atravessam; o sobrenome compartilhado por famílias brancas e negras em Canção para ninar menino grande evidencia uma ligação desigual e a reivindicação negra de participação na riqueza. Em Ponciá Vicêncio, raça, gênero e classe se cruzam. Evite afirmar que a abolição eliminou discriminações ou que a obra defende a democracia racial.
Na questão de prova, localize primeiro o conflito central; depois, procure como forma, voz e contexto se relacionam; por fim, descarte alternativas que exagerem uma tendência até transformá-la em regra absoluta. Exemplo resolvido. Num aviso cultural da UFMS, uma curadoria apresenta poema simbolista e poema parnasiano. Qual pista distingue melhor suas tendências? (1) Procure a prioridade da sugestão e da musicalidade. (2) Compare-a ao acabamento formal e à composição controlada. (3) Não decida pelo assunto isolado: a resposta depende do procedimento predominante.
Base legal: O melhor tempo é o tempo presente, Nadine Gordimer; Sagarana, João Guimarães Rosa, A hora e a vez de Augusto Matraga; Canção para ninar menino grande, Conceição Evaristo; Ponciá Vicêncio, Conceição Evaristo; A fiandeira, Raquel Naveira
5.3.2 Contexto, estética e questões contemporâneas
Para interpretar uma fase cultural, articule três planos: o contexto histórico, os princípios estéticos e as escolhas concretas do texto.
O contexto ajuda a compreender por que certos temas ganham força; não determina sozinho o sentido de cada obra. O Romantismo, por exemplo, valoriza a construção de identidades e projetos nacionais; o Realismo questiona idealizações e convenções; o Modernismo brasileiro transforma a ruptura formal em debate sobre cultura e pertencimento. São tendências gerais, não regras sem exceção.
| Plano de leitura | Pergunta produtiva | Cuidado |
|---|---|---|
| Contexto | Que conflito histórico está em jogo? | Não reduzir obra a documento |
| Estética | Como a linguagem constrói o efeito? | Não confundir tema com estilo |
| Identidade | Quem fala e quem é representado? | Evitar generalizações culturais |
| Direitos humanos | Que desigualdade é exposta? | Não atribuir tese sem evidência textual |
Identidade e diversidade aparecem nas formas de representar grupos, memórias, territórios e relações de poder. Leia quem narra, quais vozes são ouvidas, quais são silenciadas e como as personagens enfrentam estruturas sociais. A presença de uma personagem negra ou indígena, por si só, não basta para concluir que a obra discute determinada questão; é preciso relacionar a representação ao enredo e à linguagem. Direitos humanos e questões contemporâneas podem surgir pela denúncia de exclusão, pela disputa de memória ou pela contestação de hierarquias. A interpretação deve se apoiar em evidências do texto, sem projetar nele uma solução que não apresenta.
Em narrativas de memória, o passado continua atuando no presente. A leitura de Ponciá Vicêncio permite discutir como exclusão racial, de gênero e de classe se articulam. Em Canção para ninar menino grande, a permanência de um sobrenome ligado à escravidão revela uma relação desigual e um esforço de reivindicar a participação negra na riqueza familiar. A literatura pode questionar a ideia de harmonia racial sem abandonar a elaboração estética. Do mesmo modo, o excerto de Gordimer examina o desafio de enfrentar desigualdades educacionais herdadas do apartheid e mantém em aberto as estratégias possíveis.
Na produção de Mato Grosso do Sul, a referência regional pode dialogar com memória, paisagem, identidade e tradições sem ficar confinada ao regionalismo. Em A fiandeira, a regularidade do livro envolve textos em prosa que esclarecem a gênese dos poemas. Reconheça esse dado específico sem transformá-lo em característica universal de toda a poesia da autora. Em qualquer item, a melhor resposta é a que combina contexto e elemento textual preciso; desconfie de alternativas que afirmem consenso, igualdade plena ou determinismo sem apoio no trecho.
Base legal: Ponciá Vicêncio, Conceição Evaristo; Canção para ninar menino grande, Conceição Evaristo; O melhor tempo é o tempo presente, Nadine Gordimer; A fiandeira, Raquel Naveira
5.3.3 Seis leituras obrigatórias: forma, voz e memória
Nas obras obrigatórias, estude enredo e personagens, mas também narrador, composição, imagens e contexto. A banca pode oferecer um trecho e testar se você identifica sua tensão central; conhecer apenas um resumo costuma levar a erros. Organize cada leitura por uma pergunta: que conflito move o texto e por quais recursos ele se torna significativo?
| Obra | Pista de leitura | Erro a evitar |
|---|---|---|
| I-Juca-Pirama | Identidade, honra e voz épica | Ler o indígena como figura sem conflitos |
| Contos fluminenses | Narrativa e crítica de costumes | Supor que todos os contos têm o mesmo tom |
| Primeiras estórias | Oralidade e invenção linguística | Reduzir os contos a retrato documental |
| Úrsula | Escravidão e perspectiva abolicionista | Ignorar autoria e perspectiva feminina |
| Água funda | Memória e transformação social | Tratar o espaço como simples cenário |
| A fiandeira | Poesia e textos de gênese | Confundir o paratexto com o poema |
Em I-Juca-Pirama, de Gonçalves Dias, acompanhe a estrutura narrativa e a voz do poema, além dos valores de honra, pertencimento e coragem que organizam o conflito. A representação indianista participa da construção romântica de uma identidade nacional, mas não equivale a um registro transparente de todos os povos indígenas. Leia os conflitos e as escolhas do protagonista, sem transformar o poema em uma descrição etnográfica. O efeito épico decorre da composição e da linguagem, não somente do assunto indígena.
Contos fluminenses, de Machado de Assis, reúne narrativas que permitem observar como o autor constrói personagens, relações e crítica de costumes. Procure ironia, convenções sociais e discrepâncias entre o que se afirma e o que a narrativa deixa perceber. Não atribua automaticamente ao narrador a opinião do autor; a distância irônica pode tornar instável a leitura literal. Também não presuma que cada conto use o mesmo mecanismo: examine o trecho e identifique o ponto de vista, a situação e o efeito de linguagem.
Em Primeiras estórias, de João Guimarães Rosa, a invenção verbal e a oralidade participam da construção do universo narrativo. A linguagem pode combinar fala regional, neologismo, ritmo e reflexão, sem ser mera transcrição de fala espontânea. Em A hora e a vez de Augusto Matraga, de Sagarana — obra que não se confunde com o título obrigatório Primeiras estórias — a trajetória do protagonista culmina na luta contra Joãozinho Bem-Bem e em sua morte. Essa distinção bibliográfica importa: conhecer Rosa não autoriza transferir conto de uma coletânea para outra.
Úrsula, de Maria Firmina dos Reis, é um romance do século XIX cuja perspectiva abolicionista dá centralidade à violência da escravidão e às vozes de personagens escravizados. Considere autoria, época e forma narrativa em conjunto: a obra não se limita a uma história sentimental, e sua crítica amplia a discussão sobre humanidade e liberdade. Evite apagar a intervenção de uma escritora negra ao enquadrar o romance somente como imitação dos modelos de seu período.
Água funda, de Ruth Guimarães, articula histórias, memória e transformações de uma comunidade, com atenção à vida rural e às relações sociais. O espaço participa das experiências das personagens; não é pano de fundo neutro. Observe as mudanças históricas e os modos de narrar que aproximam memória coletiva e destinos individuais. Já A fiandeira, de Raquel Naveira, organiza poemas por seções temáticas. Segundo a regularidade destacada pela própria autora, há metatextos em prosa que esclarecem a gênese dos poemas. Isso não significa que todos os poemas sejam em prosa, nem que tenham obrigatoriamente primeira pessoa, tom confessional ou defesa de uma posição única. Diferencie poema e texto de apresentação, e use a organização do livro como pista de leitura.
Ao comparar as seis obras, pergunte se a alternativa descreve um traço demonstrável ou apenas associa o título a uma etiqueta vaga. Exemplo resolvido. Um roteiro de leitura da biblioteca da UFMS pergunta qual pista específica auxilia a reconhecer A fiandeira. (1) Separe a composição poética dos textos acompanhantes. (2) Verifique a presença de textos em prosa sobre a gênese dos poemas. (3) Não generalize esse recurso para toda a poesia de Raquel Naveira. A resposta correta é a presença de metatextos em prosa que esclarecem a gênese dos poemas.
Base legal: I-Juca-Pirama, Gonçalves Dias; Contos fluminenses, Machado de Assis; Primeiras estórias, João Guimarães Rosa; Sagarana, João Guimarães Rosa, A hora e a vez de Augusto Matraga; Úrsula, Maria Firmina dos Reis; Água funda, Ruth Guimarães; A fiandeira, Raquel Naveira
Exercício comentado
Como a banca cobrouoficial · Vestibular UFMS 2026
Os poemas que compõem Fiandeira são organizados pela autora sul-mato-grossense Raquel Naveira de acordo com o critério temático das composições. Pela leitura e análise do livro e conforme palavras da própria autora, há uma regularidade, que se mantém em todas as seções. Em qual das alternativas se identifica essa regularidade?
- A)Presença de metatextos em prosa esclarecendo a gênese dos poemas.
- B)Exploração do lirismo e da primeira pessoa em todos os poemas.
- C)Defesa de posicionamentos feministas.
- D)Presença de simbologia religiosa.
- E)Tom confessional dos poemas.
Resposta: A
Conceito: Em Fiandeira, textos em prosa que acompanham as seções explicam a gênese dos poemas e estabelecem uma regularidade composicional.
Raciocínio: A pergunta solicita a característica que se repete em todas as seções, conforme a organização do livro e as palavras da autora. A alternativa A identifica os metatextos em prosa que esclarecem a origem ou motivação dos poemas. As demais opções generalizam temas e traços que não aparecem necessariamente em todas as composições.
Pegadinha: A pergunta não procura um tema recorrente, mas um elemento de organização que acompanha todas as seções.
Base: Raquel Naveira, Fiandeira (1992), organização das seções e textos em prosa que as acompanham.
Pegadinha de prova
Contexto não é determinismo
O ambiente e a história ajudam a interpretar a obra, mas não substituem a análise de voz, forma e conflito.
Pegadinha de prova
Não confunda coletâneas
A hora e a vez de Augusto Matraga pertence a Sagarana; não transfira o conto para Primeiras estórias.
Atenção
Paratexto em A fiandeira
A pista destacada é a presença de metatextos em prosa sobre a gênese dos poemas, que se mantém em todas as seções do livro. Isso não quer dizer que todos os poemas sejam em prosa.
5.4 Exemplo resolvido
Em um roteiro da UFMS, um estudante lê que uma obra acompanha a formação de uma comunidade rural e articula memória coletiva, mudanças sociais e destinos individuais. Qual procedimento de leitura é mais adequado? A) Tratar o espaço como cenário neutro. B) Investigar como espaço e memória participam da experiência das personagens. C) Concluir que toda narrativa rural é naturalista. D) Ignorar as transformações históricas. E) Identificar o texto como poema simbolista apenas pelo tom de memória.
- Localize os elementos indicados: comunidade rural, memória e mudança social.
- Relacione o espaço às experiências individuais e coletivas, sem atribuir escola literária só pelo cenário.
- Elimine as alternativas que apagam contexto ou inferem estilo sem evidência.
Resposta: B) Investigar como espaço e memória participam da experiência das personagens.
5.5 Fixação
Questões inéditas.
F1inédita
Em um conto naturalista, moradores de uma região enfrentam condições precárias de trabalho e alimentação, e o narrador acompanha como esse meio interfere em seus comportamentos. Qual leitura identifica um traço característico do Naturalismo sem transformar a estética em fórmula absoluta?
- A)Atribuir os conflitos a uma intervenção sobrenatural que suspende as relações entre corpo, ambiente e sociedade.
- B)Apresentar os trabalhadores como modelos idealizados de virtude, livres de condicionamentos materiais e sociais.
- C)Explicar cada decisão apenas pela vontade individual, excluindo fatores do ambiente e das condições de vida.
- D)Investigar a influência do meio e das condições materiais sobre as personagens, com atenção a fatores físicos e sociais.
- E)Tratar a paisagem como ornamento, sem ligação com a ação, e privilegiar exclusivamente a musicalidade da linguagem.
F2inédita
Um poema parnasiano apresenta vocabulário preciso, composição cuidadosamente trabalhada e atenção à forma, sem que o eu lírico exponha diretamente uma crise sentimental. Qual princípio estético se destaca?
- A)A recusa de qualquer elaboração formal, com versos espontâneos e sintaxe deliberadamente desarticulada.
- B)A valorização do trabalho formal e da precisão expressiva, associada ao ideal de composição rigorosa.
- C)A expressão confessional de estados de alma, organizada pela sugestão musical e pela indefinição simbólica.
- D)A representação documental do ambiente, orientada pela observação experimental e pelo determinismo social.
- E)A ruptura vanguardista com toda forma fixa, por meio de colagem visual e associação livre de imagens.
F3inédita
Uma exposição sobre a Semana de Arte Moderna de 1922 afirma que o evento reuniu artistas interessados em rever padrões culturais e artísticos, em um momento de transformações no país. Qual interpretação é mais adequada?
- A)A Semana foi um marco de divulgação de propostas renovadoras, mas não criou sozinha todas as mudanças modernistas nem encerrou os conflitos culturais.
- B)A Semana consolidou uma estética única e consensual, aceita imediatamente por todas as regiões e grupos sociais brasileiros.
- C)A Semana restaurou os modelos acadêmicos como norma definitiva e afastou a literatura das questões de identidade nacional.
- D)A Semana ocorreu antes das vanguardas europeias e importou delas um programa já inteiramente uniforme e concluído.
- E)A Semana eliminou de imediato as desigualdades culturais e tornou homogênea a produção artística em todo o país.
F4inédita
Em Úrsula, de Maria Firmina dos Reis, a personagem Susana narra experiências ligadas à captura e à travessia forçada da África para o Brasil. Qual efeito essa perspectiva produz na construção do romance?
- A)Apresenta a escravização como tema secundário, sem voz própria das personagens submetidas à violência.
- B)Transforma a experiência da personagem em defesa da legitimidade do cativeiro como instituição paternalista.
- C)Apaga a memória da travessia e concentra a narrativa exclusivamente na aventura sentimental dos protagonistas brancos.
- D)Usa a fala da personagem para relativizar a violência, tratando a captura como escolha voluntária e sem consequências.
- E)Dá centralidade à memória e à humanidade da mulher escravizada, expondo a violência do tráfico e do cativeiro.
F5inédita
No conto “A terceira margem do rio”, de Primeiras estórias, um pai manda construir uma canoa e passa a viver no rio, sem voltar para casa nem desaparecer por completo. Como esse gesto funciona na narrativa?
- A)Como registro documental de uma viagem comercial cujo destino e motivo são explicados de modo objetivo.
- B)Como sinal de que o pai abandona a família para assumir publicamente uma função política na cidade.
- C)Como acontecimento insólito e enigmático, cuja falta de explicação definitiva sustenta a reflexão do narrador e dos leitores.
- D)Como prova de que a família inteira participa de uma fuga planejada para escapar de uma perseguição policial.
- E)Como alegoria de uma conversão religiosa explicitada pelo pai em discurso e confirmada pelo narrador.
5.6 Questões oficiais da UFMS, Fuvest e UFGD
Questões oficiais de provas anteriores, com a fonte.
Q1oficial · Vestibular UFMS 2026
Texto base:
BAÍS, Lídia. Alegoria, S/D. Óleo sobre tela, 55 × 73 cm. Mato Grosso do Sul: Museu de arte Contemporânea de Mato Grosso do Sul. Disponível em: https://pauta67.com.br/obras-de-lidia-bais-serao-expostas-no-sesc-em-sao-paulo/. Acesso em: 22 out. 2025. Confissões de uma monja Eu sei irmã, Que minha cruz é de bom tamanho, Que posso carregá-la, Que as formigas suportam muitas vezes mais O próprio peso, Que ela é leve Comparada a outras cruzes, Que devo agradecer volume E medida razoáveis Para uma cristã, Eu sei irmã, Que não se deve lamentar, Que no caminho da mulher Há sempre um dragão, Uma serpente, Uma maçã. (NAVEIRA, Raquel. Confissões de uma monja. In: _________. Fiandeira. São Paulo: Estação Liberdade, 1992. p. 48)
Considerando que, em Confições de uma monja, há intertextualidade entre os poemas e outras linguagens artísticas, pode-se afirmar que:
- A)o poema e a pintura denunciam o peso da culpa e da dor atribuídos à mulher, revelando como o sofrimento feminino é ampliado por construções religiosas e sociais.
- B)a obra pictórica e o poema apresentam a cruz feminina como símbolo de poder e vitória, sem resquícios de críticas acerca de desigualdades entre gêneros.
- C)o diálogo entre as obras em nada reforça a visão tradicional da mulher como responsável pelo pecado original.
- D)a presença do dragão tanto na pintura quanto no poema representa a força espiritual feminina, sem relação com opressão.
- E)o simbolismo presente no poema e na pintura retoma a ideia de que homem e mulher seguem o mesmo caminho, ambos com os sacrifícios e martírios igualados.
Q2oficial · Vestibular Fuvest 2024
“O lugar do ensino superior agora tem as portas abertas. A (...) Constituição é que impõe essa situação por decreto. Mas (...) este não pode garantir que todos tenham a tal ‘capacidade’ que lhes vai permitir o aproveitamento dessa educação. Há rapazes – até agora são poucas as moças com a força de vontade que Jabu, ainda menina, tinha para dar e vender – que recebem bolsas ou auxílios de algum tipo (...). As ‘aulas de reforço’ (...): um band-aid. Steve sabe que isso não é uma solução para o abismo da educação ruim do fundo do qual os alunos tentam emergir. A Luta não terminou. – (...) Eu tenho alunos de estudos africanos que não sabem escrever (...). – Então o que é que nós devíamos estar fazendo? (...) O professor Nielson ainda usa terno (...), embora o padrão da indumentária tenha relaxado a partir do exemplo dado pelas túnicas de Mandela. (...) – Você não está propondo que a gente baixe ainda mais os critérios de admissão à universidade. Então a universidade é pra avançar no conhecimento ou é pra andar pra trás? O que Steve está perguntando é se esse ensino adicional de faz de conta na esperança de elevar os alunos a um nível universitário pode compensar dez anos de educação primária e secundária de péssimo nível.” GORDIMER, Nadine. O melhor tempo é o tempo presente. São Paulo: Companhia das Letras, 2014. p.82-83. No excerto do romance da escritora sul-africana Nadine Gordimer, é possível identificar:
- A)o regime de apartheid em vigor na África do Sul na época em que o romance se passa, que mantinha alunos e professores negros fora da universidade.
- B)a segregação formal das mulheres no acesso à educação, conforme estabelecido pela Constituição promulgada no pós-apartheid.
- C)as eficazes estratégias de apoio aos estudantes pobres para assegurar a boa qualidade da educação básica e superior na época do apartheid.
- D)as incertezas sobre as estratégias adotadas para enfrentar desigualdades sociais e educacionais legadas pelo regime do apartheid na África do Sul.
- E)o reconhecimento consensual do sucesso do projeto de inclusão educacional no cenário sul-africano pós-apartheid.
Q3oficial · Vestibular UFGD 2018
Leia o seguinte trecho do conto A hora e a vez de Augusto Matraga, de Guimarães Rosa. [...] E aí o jumento andou, e Nhô Augusto ainda deu um eco, para o cerrado ouvir: – “Qualquer paixão me adiverte...” Oh coisa boa a gente andar solto, sem obrigação nenhuma e bem com Deus!... E quando o jegue empacava – porque, como todo jumento, ele era terrível de queixo-duro, e tanto tinha de orelhas quanto de preconceitos, – Nhô Augusto ficava em cima, mui concorde, rezando o terço, até que o jerico se decidisse a caminhar outra vez. E também, nas encruzilhadas, deixava que o bendito asno escolhesse o caminho, bulindo com as conchas dos ouvidos e ornejando. E bastava batesse no campo o pio de uma perdiz magoada, ou viesse do mato a lália lamúria dos tucanos, para o jumento mudar de rota, perdendo à esquerda ou se empescoçando para a direita; e, por via de um gavião casaco-de-couro cruzar-lhe à frente, já ele estacava, em concentrado prazo de irresolução. ROSA, João Guimarães. A hora e a vez de Augusto Matraga. In:___. Sagarana. Nova Fronteira: Rio de Janeiro, 38 ed, 1984. p. 378. O conto A hora e a vez de Augusto Matraga está localizado no espaço preferido do autor Guimarães Rosa: o sertão do norte de Minas Gerais (mas há também paisagens do sul da Bahia). O espaço favorece a construção de personagens bem típicos como jagunços, peões e fazendeiros. Tanto a psique quanto a linguagem das pessoas desse lugar aparecem matizadas pelas pressões e necessidades desse ambiente. A obra, porém, não se submete ao determinismo simplista que se limita a procurar ecos da realidade social, econômica e política na configuração ideológica dos personagens. A respeito desse conto, assinale a alternativa correta.
- A)Como filho do Coronel Afonsão Esteves, das Pindaíbas e do saco-do-embira, Nhô Augusto tomou para si a tarefa de recuperar a honra do pai, que se colocara na “política do lado que perde”, as “terras no desmando, as fazendas escritas por paga”.
- B)Esse fragmento de texto é uma metonímia da psique do protagonista. O pensamento leve que o toma nesse instante é revelador da personalidade do menino que ainda é temente a Deus, pautando suas atitudes pelo respeito às regras cristãs mesmo depois de adulto.
- C)O coloquialismo da linguagem de Guimarães Rosa, presente na frase “Qualquer paixão me adiverte...” metaforiza a serenidade e a humildade de patrão, que, embora tenha sido educado em escolas da capital, prefere o convívio e a linguagem dos peões que administra, donde também deriva o motivo de seu nome de batismo: Augusto.
- D)A trajetória de desafios enfrentados para alcançar a santidade, tão bem explorados no conto, é coroada pela violenta morte que sucede a batalha contra Joãozinho Bem-Bem.
- E)No sertão mítico de Guimarães Rosa, os animais são sagrados, possuem poderes mágicos e alguns têm a capacidade de prever o futuro. Tal é o caso desse fragmento de texto tirado dos primeiros momentos da narrativa, quando Augusto Matraga concede ao jegue o poder de decidir o destino do protagonista.
Q4oficial · Vestibular Fuvest 2026
A família de Neide fazia questão de conservar o pomposo sobrenome, “Paranhos”, herdado dos tempos da escravatura. A manutenção do nome dos descendentes dos antigos colonizadores, cuja família era tradicional na cidade, para o clã descendente de africanos escravizados, ganhara um sentido de enfrentamento aos brancos “Paranhos”. Para além de ser um destino histórico, era uma velada reivindicação de uma fortuna familiar dos brancos, que em grande parte era de pertença dos negros “Paranhos”. Conceição Evaristo. Canção para ninar menino grande. No excerto, o uso do mesmo nome por uma família branca e uma família negra indica
- A)a ascensão social dos “Paranhos” negros após o fim da escravidão, alcançada por meio dos programas governamentais de ajuda a ex-escravizados, e a decadência dos “Paranhos” brancos trazida pela crise do café.
- B)o racismo expresso nas ações e decisões das instituições políticas monárquicas, provenientes do período colonial, e a manutenção da dominação socioeconômica dos “Paranhos” negros pelos “Paranhos” brancos.
- C)a persistência de um vínculo desigual entre as famílias, oriundo do período da escravidão, e um esforço dos “Paranhos” negros de afirmar sua participação no enriquecimento dos “Paranhos” brancos.
- D)o esforço de construção de uma ordem social harmoniosa, desenvolvida durante a Primeira República, e a persistência de ressentimentos e rivalidades pessoais entre os “Paranhos” brancos e os “Paranhos” negros.
- E)a dependência financeira dos “Paranhos” negros em relação aos “Paranhos” brancos, provocada por sua condição de escravizados, e a valorização da mistura racial como característica de formação do povo brasileiro.
Q5oficial · Vestibular UFGD 2020
O romance Ponciá Vicêncio (2003) da autora Conceição Evaristo é permeado de tensões que envolvem passado com ramificações no presente; no caso, o passado escravocrata e o período após abolição da escravatura (1888). Trata-se de um romance que explora as marcas e os prolongamentos do passado escravocrata na formação da sociedade brasileira. Nessa perspectiva, considerando essa obra, é correto afirmar que o seu enredo
- A)é favorável à ideia da democracia racial na formação da sociedade brasileira.
- B)oportuniza debates sobre a exclusão racial, a exclusão de gênero e a exclusão de classe na sociedade brasileira.
- C)gira em torno da promulgação da Lei Áurea, de 1888, que efetivamente extinguiu a discriminação racial e de classe no Brasil.
- D)denuncia o feminismo, pois a característica central da sociedade brasileira se constrói pela igualdade de gêneros.
- E)trata de uma sociedade inventada, pois a relação passado e presente em toda obra não dialoga com a formação social do Brasil.
Q6oficial · Vestibular UFGD 2026
Herculano Marcos Inglês de Sousa nasceu em Óbidos em dezembro de 1853 e faleceu no Rio de Janeiro em 1918. [...] Como literato, escreveu cinco livros, notabilizando-se como introdutor do Naturalismo no Brasil com uma obra ímpar voltada para a realidade amazônica. [...] Contos Amazônicos (1893), último livro de Inglês de Sousa, reúne nove narrativas curtas: ‘O Voluntário’, ‘A feiticeira’, ‘Amor de Maria’, ‘Acauã’, ‘O donativo do capitão Silvestre’, ‘O gado do valha-me Deus’, ‘O baile do judeu’, ‘A quadrilha de Jacó Patacho’ e ‘O rebelde’. Essas narrativas pertencem ao Naturalismo que possui como características: a preocupação em retratar detalhadamente uma região, a narrativa em primeira pessoa, a presença de mitos e lendas que convivem com um realismo ou mesmo com um cientificismo na obra. CORRÊA, Dinalva da Silva; RODRIGUES, Denise de Souza Simões. A simbologia do olhar n’os Contos amazônicos de Inglês de Sousa. Revista Sentidos da Cultura. Universidade do Estado do Pará (UEPA), Belém, v. 7, n.13, jul./dez., 2020. Disponível em: <https:// periodicos.uepa.br/index.php/sentidos/article/view/3484/1919>. Acesso em: 17 jun. 2025 (adaptado). SOUZA, Inglês de. Contos amazônicos. Coleção acervo brasileiro, v. 1. 2 ed. Jundiaí: Cadernos do mundo inteiro, 2018. Disponível em: <https://cadernosdomundointeiro.com.br/livro-contos-amazonicos.php>. Acesso em: 17 jun. 2025. Sobre o livro Contos Amazônicos, de Inglês de Souza, é correto afirmar que
- A)crenças populares e práticas místicas de comunidades indígenas e ribeirinhas são retratadas de forma documental, apresentando rituais de passagens em detalhes, como é retratado em “O voluntário”. No conto, o personagem Pedro, de 19 anos, morador de Alenquer, é recrutado compulsoriamente como “voluntário da pátria”, após a notícia da declaração de paz entre o Brasil e o Paraguai.
- B)os conflitos familiares são um tema recorrente nos contos, como em “Amor de Maria”, que relata a rivalidade entre os irmãos Mariquinha e Lourenço. Os dois se apaixonam pela mesma pessoa, a feiticeira Lucinda. O desaparecimento misterioso dos jovens, após ingerirem um café com tajá (um infalível elixir amoroso e um dos mais terríveis venenos do Amazonas) insere elementos místicos na trama, unindo drama afetivo e crenças populares.
- C)o conto de terror “O gado do Valha-me Deus” resgata os diários de Padre Geraldo, que deixou sua fazenda como herança para Amaro Pais e Chico Pitanga. No testamento, impôs uma condição inusitada: os herdeiros deveriam passar 15 anos sem consumir carne e, depois, conduzir o rebanho à misteriosa Serra do Valha-me Deus. Caso desobedecessem, o sacerdote prometia retornar do além, ameaça que, de forma sobrenatural, acaba se concretizando.
- D)a oralidade é uma das marcas da obra, uma vez que os contos reproduzem “causos” de diferentes narradores. As lendas são incorporadas à ficção, sendo um reflexo das superstições regionais, como acontece em “Acauã”, que, com suspense e terror, apresenta o mito da ave agourenta. Traz como pano de fundo a relação de Aninha e Vitória, sua irmã adotiva, que foi misteriosamente encontrada na mata por seu pai, o velho caçador Jerônimo Ferreira.
- E)“O Baile do Judeu” explora o lado místico com um tom humorístico ao revisitar o mito do boto. Lulu Valente, um homem sedutor e galante surge na festa. Mariquinha, a anfitriã, fica encantada. Ao som da Varsoviana, os dois cruzam o salão até que, num desfecho inesperado, ela o conduz até a beira do penhasco. Em um súbito impulso, a mulher lança o jovem pela ribanceira, fazendo-o desaparecer nas águas cristalinas do rio Amazonas.
Q7oficial · Vestibular UFMS 2026
Leia o trecho a seguir. Sonsos os dois homens, vindos da capital. Quem para eles me chamou, foi o seo Priscílio, subdelegado. Me disse: — “Reivalino Belarmino, estes aqui são de autoridade, por ponto de confiança.” E os de fora, me pegando à parte, puxaram por mim, às muitas perguntas. Tudo, para tirar tradição do homem, queriam saber, em pautas ninharias. Tolerei que sim; mas nada não fornecendo. Quem sou eu, quati, para cachorro me latir? Só cismei escrúpulos, pelas más caras desses, sujeitos embuçados, salafrados também. Mas, me pagaram, o bom quanto. O principal deles dois, o de mão no queixo, me encarregou: que, meu patrão, sendo homem muito perigoso, se ele vivia mesmo sozinho? E que eu reparasse, na primeira ocasião, se ele não tinha numa perna, em baixo, sinal velho de coleira, argolão de ferro, de criminoso fugido de prisão. Pois sim, piei prometi. (ROSA, João Guimarães. O cavalo que bebia cerveja. In: ________. Primeiras Estórias. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1988. p. 85) Sobre Primeiras Estórias, de João Guimarães Rosa, é correto afirmar que:
- A)é uma compilação de crônicas que retratam, de forma criativa e inovadora, a infância e a velhice na zona rural.
- B)é um romance com críticas acerca da linguagem rebuscada dos escritores parnasianos.
- C)é uma coletânea de contos com temas únicos, retratando as alegrias e os dramas presentes na região dos pampas.
- D)é um folhetim, dividido em capítulos, no qual a realidade do sertão é retratada através da padronização da fala das personagens, independentemente da origem social.
- E)é uma antologia de narrativas, na qual há exploração da sonoridade das palavras e da riqueza cultural do sertão.
Q8oficial · Vestibular Fuvest 2026
Mwando está embasbacado com a descoberta do insólito do mundo. Como o Adão no Paraíso, a voz da serpente sugeriu-lhe a maçã, que lhe arrancou brutalmente a venda de todos os mistérios. Sim, escutou os lábios de uma mulher pronunciando em sussurros o seu nome, despertando-o do ventre fecundo da inocência. Mwando nasceu. Sente o coração a bater com força, mesmo à maneira do primeiro amor. (...) Procurou o refúgio do quarto e fechou-se. Estava transtornado. Sentia a sua devoção abalada pela paixão. Não conseguia fugir às tramas da serpente, a Sarnau arrastava-o cada vez mais para o abismo. Paulina Chiziane. Balada de amor ao vento. Considerando a intertextualidade bíblica presente no excerto de Balada de amor ao vento, a experiência de Mwando é caracterizada
- A)por uma decepção com o mundo, causada pela perda da fé e pela compreensão da fragilidade das relações humanas, o que o levou a um isolamento resignado.
- B)pelo despertar sexual e pelo conhecimento, que rompem com um estado de inocência anterior, resultando em uma perturbação emocional e um conflito interior.
- C)pela superação de um trauma passado, sendo que a figura da cobra é o símbolo do obstáculo que foi vencido e que o conduz a um novo estágio de maturidade e paz.
- D)por um processo de profunda introspecção, no qual o amor é um caminho para a autodescoberta e transcendência espiritual, apesar das dificuldades iniciais.
- E)pela busca por um novo tipo de devoção religiosa, tendo a figura feminina como fonte de inspiração que o afasta ainda mais dos preceitos tradicionais e o aproxima de um paraíso utópico.
Q9oficial · Vestibular UFMS 2026
Assinale a alternativa que contém o comentário correto sobre a obra ou o texto que menciona.
- A)Num momento raro de continuidade entre Romantismo e Realismo, o clímax do conto machadiano “Luís Soares”, em Contos fluminenses, é a regeneração do protagonista, articulada como recompensa por sua transformação: de preconceituoso, avesso ao trabalho e ao casamento, Luís Soares passa a ser um sujeito trabalhador, marido fiel e respeitoso para com os escravos.
- B)O conto “O espelho”, de Primeiras estórias, é narrado em terceira pessoa, representando o pensamento confuso daquele que vê um outro, e não um eu, na imagem refletida. Tal estratégia relaciona-se ao fato de todos os seus “interlocutores” fazerem parte, como personagens, da história que ele conta.
- C)Em Úrsula, a morte da protagonista é diretamente decorrente de abusos machistas e patriarcais praticados contra ela; quanto aos negros, que ela sempre defendeu, conhecem um final feliz: recebem a alforria e libertam-se definitivamente das marcas físicas e psicológicas da escravidão.
- D)Em Água funda, é concedida voz a um sujeito masculino do início do século XX, que, ao afirmar “Mulher, pelo coração, a gente leva para onde quer” (p. 21), assume e propaga o discurso da racionalidade do homem e do sentimentalismo da mulher.
- E)Na obra I-Juca Pirama, predominam estruturas e temas do gênero épico, mobilizados por um narrador-protagonista. Os versos são todos decassílabos, imitando a trajetória heroica do indígena da etnia Timbira.
5.7 Caderno de questões
Questões oficiais extras para praticar.
C1Vestibular Fuvest
Quando no dia seguinte, também no final da tarde, Fio Jasmim se dirigiu para a pequena joalheria, ele pensou em ser mais cuidadoso ao pronunciar qualquer nome de mulher perto de Dolores dos Santos. Quando contou o incidente para os companheiros maquinistas, os mais velhos riram dele e perguntaram qual o motivo de ele estar tão preocupado com a pequena distração cometida. Nem ele sabia bem o porquê. Entretanto, não gostava de pronunciar o nome da esposa para outras mulheres. A de casa é santa, pensava ele. Se ele tivesse dito pelo menos Juventina, seria mais fácil explicar. Assustado com o próprio pensamento, Fio Jasmim não entendia o que estava se passando com ele. Estaria por acaso pensando em alguma conquista? Ouvira dizer que ela era uma mulher namoradeira, mas que não parava com homem algum, tinha um gênio indomável. Todas essas considerações não lhe importavam, não estava interessado na mulher. Mas e se ela estivesse interessada nele... Conceição Evaristo. Canção para ninar menino grande. No romance de Conceição Evaristo, Fio Jasmim, por meio de suas viagens, é o elo que agrega as várias personagens femininas que se relacionam com ele. De acordo com essa consideração, Fio Jasmim
- A)atende a uma forma de masculinidade que rompe com os estereótipos, expressando uma identidade inovadora e desvinculada das expectativas sociais.
- B)relaciona-se com as personagens femininas de maneira igualitária e com respeito mútuo, que não correspondem às dinâmicas de poder desiguais.
- C)reproduz uma masculinidade estereotipada por meio de atitudes que, em larga medida, atendem às expectativas sociais e culturais, reproduzindo estereótipos do gênero.
- D)resiste a expectativas internas e externas, o que subverte um esperado comportamento masculino.
- E)sente culpa e arrependimento por seu comportamento com mulheres, apesar de reforçar ideais de virilidade e dominação do estereótipo da masculinidade.
C2Vestibular UFMS
Na obra Água funda, a discussão da permanência de certas estruturas sociais e de preconceitos percorre toda a narrativa, desdobrando-se em subtemas, dentre os quais podemos incluir:
- A)a proteção de jazidas de ouro do domínio de exploradores gananciosos ou garimpeiros ilegais.
- B)a escravidão e as mazelas sociais, discutidas por Joca e Curiango, cujas visões são conflitantes.
- C)o progressivo empoderamento feminino, representado por Sinhá Carolina nas duas fases de sua vida.
- D)a questão da reforma agrária, representada pela escolha da extensa fazenda Olhos D’Água como cenário.
- E)a questão do desrespeito a direitos trabalhistas e humanos, representada na história de Mané Pão Doce.
C3Vestibular UFGD
Durante a Festa Literária Internacional de Paraty (FLIP), em entrevista concedida ao programa Metrópolis (2019), Jarid Arraes falou sobre sua estética e suas inspirações para o desenvolvimento de Redemoinho em Dia Quente (2019). Leia, a seguir, um trecho de sua fala. [...] Eu comecei escrevendo cordel, porque meu pai e meu avô, eles são cordelistas, então eu queria dar continuidade à tradição do cordel na família. Mas eu queria fazer isso de um jeito subversivo. [...] Escrever sobre o interior do Ceará, escrever sobre o sertão, era uma coisa que me importava muito. Até porque eu queria escrever pela minha ótica, que, com certeza, não iria ser aquela ótica do estereótipo, do chão rachado, com o esqueleto de uma vaca. [...] Acima de tudo, é uma questão política pra mim. É por isso que eu quis tanto, que eu me esforcei muito para parecer verdadeiro. Disponível em: https://youtu.be/t-vpleu8HmE. Acesso em: 28 jun. 2024 (adaptado). De acordo com a referida obra, assinale a alternativa correta.
- A)Trata-se de um romance distópico de aspecto histórico com foco regionalista, pois todas as personagens femininas moram na região do Cariri, no Ceará. Elas narram sua história a partir de uma vertente autobiográfica, mesclando crítica social, realismo e drama, como ocorre em Sacola, quando temos a beata Francisca que usa lisérgicos para encontrar o Padre Cícero.
- B)A obra é considerada uma literatura de cordel contemporâneo, uma vez que traz, em sua estética visual e escrita, uma forte tradição oral. Com uma prosa em formato de diálogos, trata de temas que promovem a reflexão sobre a compreensão do mundo, como a poesia da cordelista de pés alados, em Asa no pé e da mulher que se funde na fogueira de São João, em Novo elemento.
- C)Essa é uma narrativa poética, pois Jarid Arraes utiliza uma estrutura peculiar (versos, rimas e métricas) para recontar aspectos das memórias de mulheres do Nordeste brasileiro, que enfrentam adversidades e que buscam formas de sobrevivência, autonomia e resistência. Um exemplo é Gesso, um texto tragicômico que revela um enredo denso, com casos de abusos e de violência psicológica.
- D)Esse livro de contos destaca o protagonismo feminino. Jarid revela o que é intrínseco à mulher: a violência, a misoginia, o racismo, a LGBTfobia, a religiosidade, a crítica social, a fantasia, etc. A autora dá voz àquelas que desafiam sua realidade, como em Marrom-escuro, marrom-claro, em que a protagonista questiona suas vivências que são atravessadas por raça, classe e privilégios a partir de seu olhar de menina.
- E)Trata-se de um livro de crônicas que utiliza o gênero carta para apresentar os aspectos humorísticos do futuro de personagens femininas. Isso ocorre, principalmente, em Viração de tempo, devido à troca de correspondências entre uma jovem do interior e sua tia já morta, e, também, na licença poética ao apresentar a loucura como uma figura feminina, em Bordado em Branco.
C4Vestibular UFMS
Considerando o estilo de Machado de Assis em Contos Fluminenses, qual característica é marcante na construção de suas personagens?
- A)A idealização dos homens, sempre virtuosos e incorruptíveis.
- B)A exclusiva exploração das personagens das classes mais baixas da sociedade.
- C)A representação de personagens plano, sem complexidade ao longo da narrativa.
- D)A descrição puramente física e superficial, sem aprofundamento de suas motivações.
- E)A análise psicológica profunda, revelando as ambiguidades e os interesses ocultos das personagens.
C5Vestibular Fuvest
A jornada das mulheres pela igualdade de direitos no Brasil, como em outras partes do mundo, sempre envolveu lutas sociais, políticas e jurídicas, com marcos importantes como a Lei Geral de 1827, que permitiu o acesso das mulheres à educação, e a Constituição de 1934, que garantiu o direito ao voto feminino. A partir da década de 1960, houve avanços significativos, como o Estatuto da Mulher Casada (1962), que eliminou a necessidade de receber autorização do marido para diversas atividades, e, na década de 1970, a Lei do Divórcio (1977) e o fortalecimento dos movimentos feministas. As obras Caminho de pedras, de Rachel de Queiroz, e As meninas, de Lygia Fagundes Telles, discutem questões relativas aos direitos das mulheres e sua relação com a política ao longo do século XX no Brasil. Sobre esses romances, é correto afirmar:
- A)Em Caminho de pedras, Rachel de Queiroz relaciona a luta pelos direitos da mulher à legalização do divórcio no Brasil, enquanto As meninas constitui um libelo pela educação feminina no período final da Era Vargas.
- B)As personagens Angelita, de Caminho de pedras, e Ana Clara, de As meninas, impactam a vida dos protagonistas de seus romances e representam a transformação da condição social das mulheres ao romperem com a configuração familiar tradicional.
- C)Em Caminho de pedras e em As meninas, a política (militância de esquerda) e a religião (internato de freiras) são instituições que, em vez de contribuírem para a revisão de valores morais e para a emancipação feminina, aprofundam os mecanismos de controle social sobre as mulheres.
- D)Tanto Caminho de pedras quanto As meninas relacionam o exercício da política coletiva (militância de esquerda, luta contra a ditadura militar) à política exercida em nível da vida privada e do cotidiano, por meio da trajetória de personagens femininas que desafiam padrões sociais estabelecidos.
- E)Tanto Caminho de pedras quanto As meninas exercem uma crítica à chamada “mulher burguesa”. O romance de Rachel de Queiroz narra os desdobramentos do desejo de ascensão social de Noemi, enquanto o de Lygia Fagundes Telles detalha o apego de Lorena à instituição do casamento.
C6Vestibular UFMS
Considere o relato da personagem Susana, presente no romance Úrsula, de Maria Firmina dos Reis. Vou contar-te o meu cativeiro. Tinha chegado o tempo da colheita, e o milho e o inhame e o amendoim eram em abundância nas nossas roças. Era um destes dias em que a natureza parece entregar-se toda a brandos folgares, era uma manhã risonha, e bela, como o rosto de um infante, entretanto eu tinha um peso enorme no coração. Sim, eu estava triste, e não sabia a que atribuir minha tristeza. Era a primeira vez que me afligia tão incompreensível pesar. Minha filha sorria-se para mim, era ela gentilzinha, e em sua inocência semelhava um anjo. Desgraçada de mim! Deixei-a nos braços de minha mãe, e fui-me à roça colher milho. Ah! Nunca mais devia eu vê-la... Ainda não tinha vencido cem braças do caminho, quando um assobio, que repercutiu nas matas, me veio orientar acerca do perigo iminente, que aí me aguardava. E logo dois homens apareceram, e amarraram-me com cordas. Era uma prisioneira — era uma escrava! Foi embalde que supliquei em nome de minha filha, que me restituíssem a liberdade: os bárbaros sorriam-se das minhas lágrimas, e olhavam-me sem compaixão. Julguei enlouquecer, julguei morrer, mas não me foi possível... a sorte me reservava ainda longos combates. Quando me arrancaram daqueles lugares, onde tudo me ficava — pátria, esposo, mãe e filha, e liberdade! Meu Deus! O que se passou no fundo da minha alma, só vós o pudestes avaliar!... (Maria Firmina dos Reis. Úrsula e outras obras, 2018.) O romance é considerado um precursor da literatura abolicionista no Brasil. Um aspecto desse caráter precursor presente no trecho é:
- A)o elogio à miscigenação que deu origem ao povo brasileiro.
- B)a idealização saudosista de uma antiga paisagem rural.
- C)o retrato da economia escravista a partir do ponto de vista do branco.
- D)a narrativa em primeira pessoa feita por um personagem oprimido.
- E)a associação preconceituosa da população negra a hábitos rústicos.
C7Vestibular Fuvest
Sempre que brilha um novo dia, e que nos bate à porta o jornal, apoderamo-nos com solicitude dessa folha e avidamente percorremos a sessão das Câmaras do dia antecedente em procura do assunto que temos escrito no coração e no espírito - a educação da mulher brasileira -, e dobramos a folha desconsolados e aguardamos o dia seguinte, que se escoa na mesma expectativa, no mesmo desengano! (...) Um dia raiará mais propício para nós, em que os escolhidos da nação brasileira se dignem de achar a educação da mulher um objeto importante para dele ocuparem-se, com a circunspecção que merece. Nísia Floresta. Opúsculo Humanitário. Sonhando ser mestra, eu não imaginava o descanso, o repouso ameno que daria à minha mãe como recompensa dos grandes sacrifícios feitos por ela para meu bem-estar, eu não pensava em ser útil, em tornar-me necessária, imprescindível. Eu queria ser mestra para não morar em um cortiço malalumiado, infecto, úmido, nesta terra onde há tantas flores, tanta luz e tantas alegrias. O caso é que fosse qual fosse a mão que me escreveu no pensamento a resolução de vir a ser professora – pertencesse ela à tentação diabólica do luxo ou à compreensão de um dever –, fosse qual fosse, eu a abençoo. Julia Lopes de Almeida. Memórias de Martha. A partir da leitura dos excertos e das obras citadas, é correto afirmar:
- A)Opúsculo Humanitário e Memórias de Martha são obras que defendem fortemente o abolicionismo e o acesso à educação pela população afrodescendente brasileira.
- B)Opúsculo Humanitário defende a modernização da política brasileira, e Memórias de Martha narra a ascensão social da protagonista por meio da sua profissionalização.
- C)Opúsculo Humanitário e Memórias de Martha, obras seminais do feminismo no Brasil, defendem a educação profissional feminina a fim de prepará-las para a sua emancipação econômica.
- D)Opúsculo Humanitário e Memórias de Martha destacam o espaço rural brasileiro como o lugar adequado para a emancipação feminina.
- E)Opúsculo Humanitário e Memórias de Martha são obras que reivindicam uma solução para as contradições sociais e econômicas do Brasil no século XIX, com ênfase na defesa da educação feminina.
C8Vestibular UFMS
Texto base: A mulher mergulha o coalho Talha, Meio esverdeado, Cor de mate na cuia; Separa o soro, Salga; Amalgama o conteúdo na forma; A pasta fermenta Flores brancas e maturadas, As ligas se unem, As fibras se curtem E rangem; Vai lavando, Desdobrando, Alisando a face da lua Até dar ponto, Curado e curtido. Faço poesia que nem queijo. (NAVEIRA, Raquel. Queijeira. In: _______. Fiandeira. Campo Grande-MS: Life Editora, [1ª ed. 1992] 2023. p. 121)
No conjunto das produções reunidas e comentadas pela autora, em Fiandeira, qual temática se associa ao poema em foco?
- A)O fazer (meta)poético.
- B)A condição feminina no século XX.
- C)Relações entre as artes plásticas e a poesia.
- D)Atividades artesanais femininas em Mato Grosso do Sul.
- E)O trabalho rural feminino e a produção econômica em Mato Grosso do Sul.
C9Vestibular Fuvest
“São os ratos!... Vai escutar com atenção, a respiração meio parada. Hão de ser muitos: há várias fontes daquele guinchinho, e de quando em quando, no forro, em vários pontos, o rufar... A casa está cheia de ratos...” Dyonélio Machado. Os ratos. A obra Os ratos (1935), de Dyonélio Machado, narra o dia em que Naziazeno saiu pela cidade de Porto Alegre no intuito de conseguir dinheiro para pagar a conta do leiteiro. Os animais que dão título à narrativa apenas aparecem em seus últimos capítulos e ocupam o tempo reservado para o descanso do protagonista. É possível, então, afirmar:
- A)Naziazeno, inconformado com sua condição de devedor, perambula pela cidade, encontrando refúgio junto aos ratos que o acolhem.
- B)Os ratos são os credores de Naziazeno zoomorfizados, que se encontram à espreita para a cobrança de outras dívidas.
- C)Os “guinchinhos”, que ressoam nos ouvidos de Naziazeno, são o eco de seu dia de perambulação, como se lembrassem os obstáculos que venceu.
- D)Os ruídos dos roedores mostram que Naziazeno, ao pagar a sua dívida, esquece os obstáculos que venceu.
- E)O contraste entre o repouso de Naziazeno e o aparecimento dos roedores denuncia a permanência da sua situação de penúria social e financeira.
C10Vestibular UFMS
Sobre os romances Úrsula (de Maria Firmina dos Reis) e Água funda (de Ruth Guimarães), é correto afirmar que:
- A)ambos são romances autobiográficos, direcionando o leitor para o processo de assimilação e posterior apagamento de identidades negras em favor da tese da democracia racial.
- B)na história de Úrsula e de Tancredo, explora-se a temática da discriminação racial; na de Joca e de Sinhá Carolina, o peso das superstições e do pecado na punição de seres que desafiam o sobrenatural.
- C)os dois romances apresentam títulos metafóricos, que remetem ao final das histórias: em Úrsula, a volta por cima da mulher negra em uma sociedade escravagista; em Água funda, a irônica loucura e morte dos protagonistas.
- D)o espaço rural e o latifúndio monocultor aproximam as duas obras; o plano da linguagem as diferencia: em Água funda, o falar das pessoas comuns, representando a voz do povo, da coletividade; em Úrsula, a opção pela variante culta, independentemente da condição social dos personagens.
- E)em ambos os romances, a narração é linear e o tempo é predominantemente cronológico, com marcações temporais precisas e sem intersecções passado-presente, permitindo a associação das histórias narradas a fatos históricos bem conhecidos no Brasil: o período da escravidão no engenho e o tempo das usinas.
C11Vestibular UFGD
O estrume Súbito deu-me a consciência um repelão, acusou-me de ter feito capitular a probidade de D. Plácida, obrigando-a a um papel torpe, depois de uma longa vida de trabalho e privações. Medianeira não era melhor que concubina, e eu tinha-a baixado a esse ofício, à custa de obséquios e dinheiros. Foi o que me disse a consciência; fiquei uns dez minutos sem saber que lhe replicasse. Ela acrescentou que eu me aproveitara da fascinação exercida por Virgília sobre a ex-costureira, da gratidão desta, enfim da necessidade. Notou a resistência de D.Plácida, as lágrimas dos primeiros dias, as caras feias, os silêncios, os olhos baixos, e a minha arte em suportar tudo isso, até vencê-la. E repuxou-me outra vez de um modo irritado e nervoso. Concordei que assim era, mas aleguei que a velhice de D. Plácida estava agora ao abrigo da mendicidade: era uma compensação. Se não fossem os meus amores, provavelmente D. Plácida acabaria como tantas outras criaturas humanas; donde se poderia deduzir que o vício é muitas vezes o estrume da virtude. O que não impede que a virtude seja uma flor cheirosa e sã. A consciência concordou, e eu fui abrir a porta a Virgília. ASSIS, Machado de. Memórias Póstumas de Brás Cubas. São Paulo: Moderna, 1999 (fragmento). De acordo com o trecho e a leitura da obra Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis, assinale a alternativa correta.
- A)No trecho do capítulo entitulado O estrume, a reflexão de Brás Cubas enfatiza o problema da consciência: corruptor da probidade de D. Plácida, mas apaziguada por si mesmo, pelo fato de ter a ela propiciado uma velhice ao abrigo da mendicidade.
- B)Após esse trecho, D. Plácida reaparece no livro depois de ter sido roubada em cinco contos de réis pelo próprio Brás Cubas, dinheiro esse que ele achara na praia de Botafogo e não devolvera.
- C)A história de D. Plácida começa pelo retorno de um namorado que lhe prometera casamento, e que volta para cumprir a sua promessa, mas a encontra conversando com Brás Cubas e desiste de procurá-la.
- D)D. Plácida tem um papel importante na narrativa, já que conhece os segredos mais sórdidos de Brás Cubas, por isso, o capítulo citado chama-se “estrume”, uma vez que a senhora se encontra rica ao final da história devido a suas chantagens.
- E)D. Plácida termina seus dias na riqueza, pois Brás a encontra numa casa no Beco das Escadinhas, bem vestida e acompanhada de seus lacaios.
C12Vestibular UFMS
Texto base: A mulher mergulha o coalho Talha, Meio esverdeado, Cor de mate na cuia; Separa o soro, Salga; Amalgama o conteúdo na forma; A pasta fermenta Flores brancas e maturadas, As ligas se unem, As fibras se curtem E rangem; Vai lavando, Desdobrando, Alisando a face da lua Até dar ponto, Curado e curtido. Faço poesia que nem queijo. (NAVEIRA, Raquel. Queijeira. In: _______. Fiandeira. Campo Grande-MS: Life Editora, [1ª ed. 1992] 2023. p. 121)
Assinale a alternativa que apresenta informações corretas sobre o uso de recursos expressivos no poema e compatíveis com o projeto estético que permeia a obra Fiandeira.
- A)Em “A mulher” (1º verso), o uso do artigo definido produz efeito de generalização, remetendo a todas as mulheres.
- B)Ao longo do poema, todas as formas verbais de presente do indicativo expressam fatos singulares e momentâneos, simultâneos ao momento da escrita.
- C)Há, no texto, um jogo entre processos pontuais, que conotam o saber fazer artesanal, e processos durativos, que sugerem a feminilidade da arte de fazer queijos.
- D)Ao longo do poema, todas as formas verbais de presente do indicativo e de gerúndio expressam hábito ou frequência, conotando o caráter monótono ou repetitivo do trabalho feminino.
- E)O jogo entre 3ª e 1ª pessoa e a organização visual do poema (espaço antes dos dois últimos versos) concorrem para a produção do efeito de um sujeito que observa o fazer do outro para realizar o seu.
C13Vestibular Fuvest
“Madala pensou que devia dizer qualquer coisa ao Djimo, mas não se lembrou de repetir a pergunta para si mesmo e por isso não soube o que dizer. O capataz fazia sinais à Maria, mas esta parecia não entender. A planta que Madala segurava na mão oferecia ao seu esforço uma resistência exagerada. Por isso, o punho de Madala tremia. (...) O tom da voz de Djimo revelava certo nervosismo: - Madala... Mas o nervosismo desapareceu logo. Djimo deu uma ordem: - Madala, não olhes para lá! Dentro de Madala, qualquer coisa se crispou. Mas não eram os fios da sua doença.” Luís Bernardo Honwana. “Dina”. In: Nós matamos o cão tinhoso!. Considerando o papel da antologia Nós matamos o cão tinhoso! na literatura moçambicana e como a sociedade de Moçambique dos anos 1950 e 1960 se configura literariamente no conto “Dina”, é correto afirmar:
- A)O conto apresenta, de modo documental e objetivo, a condição econômico-social de uma família, mediante a enumeração de objetos que conotam a vida difícil dos moçambicanos em busca de um lugar na hierarquia preestabelecida pelo colonizador europeu.
- B)O conto demonstra como Luís Bernardo Honwana recria consistentemente a estrutura do português do colonizador a partir das línguas originárias de Moçambique, fazendo da linguagem um instrumento de luta anticolonial.
- C)O conto retrata as primeiras reações dos trabalhadores do campo, como Madala e Djimbo, que se levantam em armas contra os aparelhos repressivos do Estado português e a violência nas relações de trabalho, representados no texto pelo capataz.
- D)No conto, a sociedade moçambicana vai sendo apresentada sob o ponto de vista do colonizador, de modo a comprovar o ideal civilizatório da colonização portuguesa na África e a convivência equilibrada entre colonizadores e colonizados.
- E)No conto, embora perceba ter ultrapassado um limite moral ao descobrir o parentesco entre Maria e Madala, o capataz personifica a imposição da violência e do patriarcalismo metropolitanos aos homens e mulheres de Moçambique.
C14Vestibular UFMS
Esta questão avalia conhecimentos sobre contos que compõem as obras Contos fluminenses, de Machado de Assis, e Primeiras estórias, de Guimarães Rosa. Assinale a alternativa que traz a informação correta sobre as respectivas obras ou contos.
- A)Os contos de Primeiras estórias foram escritos durante o período da Primeira República, quando o poder local começava a suplantar o poder estatal, sufocando a justiça institucional; daí a relação intertextual entre o conto “Fatalidade” e o clássico Ilíada.
- B)No conto “Fatalidade” (em Primeiras estórias), a ação inicial do delegado é a defesa dos mais vulneráveis e da impessoalidade das leis, porém, ao final, ele exerce seu livre-arbítrio e recorre à força, sob a desculpa de dever obedecer a uma determinação superior.
- C)Assim como no conto “Fatalidade”, de Guimarães Rosa, o narrador de “O segredo de Augusta”, de Machado de Assis, é um personagem oculto que participa da trama como observador e testemunha, sendo o responsável pela revelação da situação dos respectivos protagonistas.
- D)Machado de Assis e Guimarães Rosa exploram, nos contos constitutivos das obras em foco, um tema recorrente na literatura produzida entre fins do século XIX e início do XX: a experiência urbana como meio de mostrar as falhas de caráter dos seres humanos nas relações interpessoais.
- E)Nos contos machadianos, a voz dos narradores, sempre em primeira pessoa e em constante interação com o leitor, destaca a universal tensão entre aparência e essência e o parasitismo social da época. Já nos contos rosianos, o foco é a linguagem, da que resulta a criação de palavras representativas da região de onde os narradores enunciam.
C15Vestibular UFGD
A caçada O homem acendeu um cigarro. Sua mão tremia. Em que tempo, meu Deus! Em que tempo teria assistido a essa mesma cena. E onde?... Era uma caçada. No primeiro plano, estava o caçador de arco retesado, apontando para uma touceira espessa. Num plano mais profundo, o segundo caçador espreitava por entre as árvores do bosque, mas esta era apenas uma vaga silhueta, cujo rosto se reduzira a um esmaecido contorno. Poderoso, absoluto era o primeiro caçador, a barba violenta como um bolo de serpentes, os músculos tensos, à espera de que a caça levantasse para desferir-lhe a seta. O homem respirava com esforço. Vagou o olhar pela tapeçaria que tinha a cor esverdeada de um céu de tempestade. Envenenando o tom verde-musgo do tecido, destacavam-se manchas de um negro-violáceo e que pareciam escorrer da folhagem, deslizar pelas botas do caçador e espalhar-se no chão como um líquido maligno. A touceira na qual a caça estava escondida também tinha as mesmas manchas e que tanto podiam fazer parte do desenho como ser simples efeito do tempo devorando o pano. — Parece que hoje tudo está mais próximo — disse o homem em voz baixa. — É como se... Mas não está diferente? A velha firmou mais o olhar. Tirou os óculos e voltou a pô-los. — Não vejo diferença nenhuma. TELLES, Lygia Fagundes. Melhores Contos de Lygia Fagundes Telles. seleção de Eduardo Portella. São Paulo: Global. 2003, p. 163- 164. Sobre esse conto, é correto afirmar que
- A)a narrativa recria visualmente uma obra cinematográfica documental, que representa a caçada de animais selvagens em uma pequena cidade. O foco está na descrição da profusão de sensações sinestésicas do narrador e da velha senhora, conforme o trecho: “[...] o segundo caçador espreitava por entre as árvores do bosque, mas esta era apenas uma vaga silhueta”.
- B)o conto apresenta como principal elemento a vertente poética do diálogo entre as personagens, que são: os dois caçadores, o homem que adentra a loja de penhores e a velha senhora. Ela é a mentora responsável por conduzi-los em seus sonhos rumo à sua última caçada, como está descrito no trecho: “[...] — Parece que hoje tudo está mais próximo”.
- C)a partir do suspense, o conto traz a história de um homem que, ao entrar na loja de antiguidades, fica fascinado por uma tapeçaria que retrata uma caçada. Do prazer pela descoberta ao terror de suas dúvidas, ele vivencia uma mistura de sensações como se estivesse dentro da peça, ultrapassando, assim, o limiar entre a realidade e a fantasia: “[...] Em que tempo teria assistido a essa mesma cena. E onde?”.
- D)a narrativa dramática subverte o universo fantasioso do conto de fadas da trama e recorre à realidade verossímil para retratar a história de dois caçadores que sobreviveram a uma caçada até a morte. A essência do texto está no trecho: “[...] a barba violenta como um bolo de serpentes, os músculos tensos, à espera de que a caça levantasse para desferir-lhe a seta”.
- E)o conto de terror apresenta as memórias de um menino quando ele realizou sua primeira caçada. Seu desejo era recriar uma tapeçaria que fosse capaz de apagar os medos e os temores que corroíam sua mente conturbada, como em: “Envenenando o tom verde-musgo do tecido, destacavam-se manchas de um negro-violáceo e que pareciam escorrer da folhagem [...] efeito do tempo devorando o pano”.
C16Vestibular Fuvest
“Todos os dias que depois vieram, eram tempo de doer. Miguilim tinha sido arrancado de uma porção de coisas, e estava no mesmo lugar. Quando chegava o poder de chorar, era até bom – enquanto estava chorando, parecia que a alma toda se sacudia, misturando ao vivo todas as lembranças, as mais novas e as muito antigas. Mas, no mais das horas, ele estava cansado. Cansado e como que assustado. Sufocado. Ele não era ele mesmo. Diante dele, as pessoas, as coisas, perdiam o peso de ser. Os lugares, o Mutum – se esvaziavam, numa ligeireza, vagarosos. E Miguilim mesmo se achava diferente de todos. Ao vago, dava a mesma ideia de uma vez, em que, muito pequeno, tinha dormido de dia, fora de seu costume – quando acordou, sentiu o existir do mundo em hora estranha, e perguntou assustado: – ‘Uai, Mãe, hoje já é amanhã?!’” João Guimarães Rosa. Campo Geral. Conforme sugere o trecho, o sofrimento perturba a noção que Miguilim tinha do tempo, porque
- A)a falta de acuidade visual não lhe permite distinguir as épocas.
- B)o desamor ao pai o faz romper com a infância cedo demais.
- C)o aprendizado da morte embaralha os planos da memória.
- D)a sensação de vazio o leva a se sentir seguro no presente.
- E)os dias vividos no Mutum mostram-se cada vez mais curtos.
C17Vestibular UFGD
1984 – Detesto a pureza, odeio a bondade. Não quero virtude em lugar nenhum. Quero que todo mundo seja devasso até os ossos. – Bom, então acho que você vai gostar de mim, querido. Sou devassa até os ossos. – Você gosta de fazer isso? Não me refiro apenas a estar comigo; falo da coisa em si. – Adoro. Acima de tudo, era o que Winston queria ouvir. Não apenas o amor por uma pessoa, mas o instinto animal, o desejo simples e indiferenciado: essa era a força capaz de estraçalhar o Partido. Deitou-a sobre a relva, entre os jacintos caídos. Dessa vez não houve nenhuma dificuldade. Pouco depois, o movimento ascendente e descendente dos peitos dos dois se regularizou e, numa espécie de abandono prazeroso, separaram-se. O sol parecia ter ficado mais quente. Estavam ambos sonolentos. Winston estendeu o braço para apanhar os dois macacões jogados no chão e usou-os para cobrir parcialmente o corpo de Júlia. Pegaram no sono quase de imediato e dormiram por cerca de meia hora. ORWELL, George. 1984 - edição especial. Trad. Heloisa Jahn e Alexandre Hubner. São Paulo: Companhia das Letras, 2019 (fragmento). Considerando o trecho da obra 1984, de George Orwel, assinale a alternativa correta.
- A)Júlia e Winston falam de sexo usando, no trecho, a nova língua criada pelo Socing, simplificada e repleta de eufemismos. Ela é reflexo da vida repressiva em que vivem e que ambos combatem militando no Partido.
- B)Júlia e Winston são figuras destacadas do Partido, cuja liderança é exercida pelo Big Brother. Depois de se conhecerem, praticam e divulgam abertamente o sexo livre para subverter a ordem totalitária do sistema em que vivem.
- C)Os personagens mencionados no trecho, após se conhecerem, vivem uma vida de encontros fortuitos, que são tolerados pelo Partido desde que com fins meramente reprodutivos, isto é, sem envolvimento erótico ou amoroso.
- D)Júlia e Winston, os protagonistas, sendo extremamente vigiados pelo Socing, o partido repressor do sistema em que vivem, fogem da cidade para o campo, burlando a ordem autoritária, e ali vivem uma vida dedicada ao erotismo.
- E)Os protagonistas do trecho, Júlia e Winston, iniciam, num passeio ao campo, um caso de amor erótico clandestino que será duramente reprimido pelo Partido autoritário do qual são membros.
C18Vestibular UFMS
Assinale a alternativa que traz informações corretas sobre I-Juca Pirama.
- A)Movido por forte sentimento de honra e pelo respeito às tradições culturais dos povos indígenas, um pai da “tribo” tupi não só obriga o filho a aceitar ser morto por invadir o espaço de uma tribo inimiga como também lança sobre ele uma maldição, condenando-o a viver errante pelas florestas, como atestam os versos “da tribo pujante/que agora anda errante”.
- B)Em busca de alimento para si e para o pai (sobreviventes da “tribo” tupi, em extinção), um jovem guerreiro se perde na mata. Surpreendido por índios timbiras, ele luta bravamente e, como recompensa, ganha o direito de voltar e trazer seu pai para a nova tribo, onde vão desfrutar da hospitalidade timbira, validando o mito do bom selvagem.
- C)Numa ruptura com imagens elaboradas em períodos anteriores da literatura brasileira, o indígena ganha contornos de herói na representação que dele é construída quase ao final do poema: o guerreiro tupi torna-se realmente “I-Juca-Pirama” (‘digno de ser morto’) quando reage e luta, sozinho, contra os timbiras.
- D)Durante a prática do convívio com a natureza que o identifica, um jovem indígena da “tribo” tupi acaba entrando em terreno inimigo. Condenado a ser devorado por canibais timbiras, ele pede clemência, mas só consegue o perdão quando se oferece para ser escravo deles, recebendo o nome de I-Juca Pirama.
- E)Perdido nas matas, um guerreiro tupi invade o território timbira e, por força da tradição desses povos, é preso e condenado à morte, porém o chefe timbira, ao saber que ele cuida do pai, velho e cego, liberta-o, demonstrando grandeza de caráter, numa retomada do mito do bom selvagem.
C19Vestibular UFGD
METAFICÇÃO HISTORIOGRÁFICA – Caracteriza-se por um uso programático da narração e por uma verdadeira ressurreição da problemática histórica, tratada com uma liberdade nunca conhecida no âmbito da ficção. ROMANCE DE FORMAÇÃO OU BILDUNGSROMAN – Bildungsroman como contributo específico da literatura alemã. O termo foi cunhado em 1803 por K. Morgenstern e por ele desenvolvido como conceito [...]. O protagonista é uma personagem jovem [...] que começa a sua viagem de formação em conflito com o meio em que vive, determinado em afrontá‐lo e recusando uma atitude passiva; deixa‐se marcar pelos acontecimentos e aprende com eles, tem por mestre o mundo e atinge a maturidade integrando no seu carácter as experiências pelas quais vai passando. ROMANCE PICARESCO – A categoria da narrativa mais importante na definição do romance picaresco é a da personagem, pois o protagonista desse tipo de relato é justamente um pícaro. O pícaro é qualificado como uma personagem de condição social humilde, sem ocupação certa, vivendo de expedientes, a maioria dos quais escusos. Conforme González de Gambier aponta (s.d., p. 314), o pícaro – anti-herói por excelência – possui uma filosofia de vida assaz particular: é materialista, primitivo, desleal, manifestando inclinação para a fraude e a vadiagem. REALISMO MÁGICO – Expressão empregada desde os fins dos anos 40 para denominar um tipo de ficção hispano-americana que reagia contra o realismo/naturalismo do século XIX [...]. No mundo acadêmico foi Angel Flores o primeiro a usar o sintagma “realismo mágico” [...]. Observava Flores que a novidade dessa literatura era um tipo de representação em que coexistem fantasia e realidade. ROMANCE POLICIAL – [...] O romance policial pode ser de detective ou de polícia. [...] Como exemplos de detectives, temos Sherlock Holmes, de Conan Doyle [...]. Por outro lado, o romance policial pode ser analítico [...] o crime acontece quase sempre antes de se iniciar a investigação, sendo o enredo um desenrolar lógico de um puzzle para a resolução do qual apenas o herói está à altura [...]. Disponível em: https://edtl.fcsh.unl.pt/encyclopedia. Acesso em: 02 ago. 2023. Após avaliar os conceitos que permeiam algumas das categorizações do gênero romance propostas por Carlos Ceia, sobre o livro Fazedor de Velhos (2008), de autoria de Rodrigo Lacerda, assinale a alternativa correta.
- A)A obra é uma metaficção historiográfica, já que se refere a uma tensão criativa e artística entre literatura e história. No texto, o protagonista, o jovem professor Nabuco, explora mitos e lendas de diversas regiões brasileiras, identificando os escritores e suas vertentes literárias. Ele, então, contrata os estudantes Pedro, Mayumi e Ana, deixando-os como os responsáveis por organizar sua biblioteca e ajudá-lo nessa missão.
- B)Trata-se de um romance de formação, que traz a história de Pedro, um narrador-personagem que relata os dilemas, conflitos e medos na busca por sua real vocação. O percurso de amadurecimento intelectual e emocional do jovem se delineia a partir das tarefas apresentadas pelo professor Nabuco e pela apreensão de conhecimentos e vivências de personagens literárias, como: Eça de Queirós, Shakespeare e José de Alencar.
- C)O livro integra a categorização de romance policial. Apresenta a história do professor José Pedro de Alencar, um diretor de teatro aposentado que é encontrado morto em sua casa. Toda a investigação é narrada por Mayumi, uma jovem policial e aspirante a escritora, que sonha ser detetive, como seu parceiro, Nabuco. Ela vê nesse caso a oportunidade para alcançar a tão desejada promoção e, finalmente, publicar seu primeiro livro.
- D)A produção pode ser caracterizada como um romance picaresco. De maneira satírica, o narrador-personagem Pedro Nabuco, em busca de sua vocação como escritor, adapta para a contemporaneidade a história de Rei Lear, de William Shakespeare. Tal figura dramática é transformada em líder de um grupo de meninos de rua, composto pelos irmãos Mayumi, Ana Paula e Alencar, acusados de aplicar golpes no comércio local.
- E)A narrativa atende às particularidades do conceito de realismo mágico. O texto traz a história dos jovens José de Alencar, Eça de Queiróz e William Shakespeare. Eles vivenciam experiências fantásticas com entidades literárias e místicas homônimas, a partir do momento em que entram na biblioteca particular do professor Pedro, um diretor de cinema aposentado que mora com seus netos Nabuco e Mayumi.
C20Vestibular UFMS
Assinale a alternativa que traz informações corretas sobre o romance Úrsula, de Maria Firmina dos Reis.
- A)Ao encaixar narrativas em que ex-escravos têm vez e voz para contar suas histórias de vida, a autora faz dessa técnica um instrumento de valorização do tempo psicológico, em prejuízo da cronologia do relato.
- B)O tema central do romance, conforme se subentende do/no título, é a valorização do lugar social destinado ao sujeito feminino na sociedade da época, antecipando, em pleno século XIX, o protagonismo da mulher.
- C)Governada pelo ideal nacionalista de uma literatura comprometida com a construção de uma identidade nacional, a obra prioriza descrições detalhadas e ufanistas da natureza brasileira, em detrimento do enredo e dos personagens.
- D)Em consonância com a estética romântica que florescia na literatura brasileira em meados do século XIX, a mulher e o negro, na condição de personagens que falam e (re)agem, rompem com o mandonismo patriarcal e escravista vigente no país.
- E)Nos relatos construídos pela voz de um personagem secundário (Susana) sobre suas vivências, (d)enunciam-se as opressões praticadas contra ela: como mulher e como negra, sujeita à escravidão e a outras situações de exploração, humilhação e privação.
C21Vestibular Fuvest
A partir da leitura de Dois irmãos, com o foco na questão da paternidade de Nael, narrador do romance, pode-se afirmar:
- A)Nenhum dos dois irmãos assumiu a paternidade de Nael, nem Nael os reconheceu como pais.
- B)Nael é filho de Rochiram, de quem ganha a casa no fundo do terreno para escrever suas memórias.
- C)Nael gostaria que Yaqub fosse seu pai, pelos projetos e visão de mundo que compartilhava com ele.
- D)A cena final do romance, na qual Omar e Nael se encontram, confirma a paternidade de Omar.
- E)Embora não quisesse ter tido filhos, Halim é o pai de Nael, Omar e Yaqub.
C22Vestibular UFMS
Texto base: Os três enunciados a seguir (em itálico) pertencem à obra Água funda e correspondem aos três parágrafos que encerram o terceiro capítulo, em que é narrado um fato do passado – “[Sinhá] Vendeu tudo, aprontou as malas e foi embora.” (p. 52) –, e vêm antes de um novo fato, “presente”: “O resto da história é de agora. A Companhia mandou um homem tomar conta disto tudo” (p. 55), cujos desdobramentos são relatados no quarto capítulo. Leiamos os três enunciados referidos: “A gente passa nesta vida, como canoa em água funda. Passa. A água bole um pouco. E depois não fica mais nada. E quando alguém mexe com varejão no lodo e turva a correnteza, isso também não tem importância. Água vem, água vai, tudo fica no mesmo outra vez.” (GUIMARÃES, 2018, p. 53)
Pela leitura global do romance e considerando seu contexto de produção, é correto interpretar que, além de sugerirem o caráter cíclico dos eventos históricos, os trechos mencionados deixam implícita uma alusão à:
- A)crise existencial da narradora em face de sua condição social e étnico-racial.
- B)persistência de relações de dominação, independente de mudanças históricas
- C)capacidade de resignação do homem do campo, retomando o mito do bom selvagem.
- D)persistência das superstições no imaginário dos habitantes de regiões interioranas do Brasil.
- E)falta de reconhecimento, pelo público brasileiro, da qualidade das obras literárias de autoria feminina.
C23Vestibular Fuvest
A respeito dos contos “Nós matamos o Cão Tinhoso!”, “Dina”, “Papá, cobra e eu” e “Nhinguitimo”, de Nós matamos o Cão Tinhoso!, é possível afirmar:
- A)Os narradores e os protagonistas são crianças.
- B)São narrados em primeira pessoa, por narradoresprotagonistas.
- C)Os protagonistas são oprimidos socialmente, e a reação deles não é endereçada aos opressores.
- D)São fábulas, e os protagonistas são animais.
- E)O espaço representado é o das grandes cidades moçambicanas.
C24Vestibular UFMS
Texto base: Peso na cabeça Na estação A mulher carrega uma sacola Equilibrada na cabeça (Se tivesse ido ao poço Estaria carregando uma bilha, Uma lata d’água; Se tivesse ido ao campo Estaria carregando uma cesta Cheia de cajus maduros; Se tivesse ido ao córrego Estaria carregando uma trouxa de roupa Lavada na pedra) Mulher Carrega o peso do mundo Na cabeça. (NAVEIRA, Raquel. Peso na cabeça. In: Fiandeira. Campo Grande, MS: Life Editora, 2023, p. 38)
Assinale a alternativa que analisa corretamente o efeito do(s) recurso(s) expressivo(s) na produção de sentidos no poema.
- A)A repetição da palavra “mulher”, no singular (2º e antepenúltimo versos), e o uso da hipérbole (dois últimos versos) produzem a representação de uma figura feminina universal e atemporal, caracterizada pelo poder de lutar.
- B)O uso da anáfora concorre, em associação com a variação dos espaços e objetos no final dos versos e o verbo de movimento, para a representação do caráter habitual e múltiplo das atividades femininas e do dinamismo da mulher.
- C)A expressão “peso na cabeça” foi empregada pela poeta em seu sentido denotativo, remetendo, assim, a práticas típicas de mulheres da zona rural e de séculos passados.
- D)Nas duas ocorrências da forma verbal “carrega” (2º e penúltimo versos), o presente expressa o “agora”, imitando um flash ou instante fotográfico.
- E)O uso dos parênteses e de verbos no subjuntivo ou no futuro do pretérito conotam a limitação do espaço de circulação da mulher no passado.
C25Vestibular Fuvest
Em Dois irmãos, de Milton Hatoum, os gêmeos Yaqub e Omar representam duas personalidades antagônicas que se enfrentam ao longo da narrativa. A rivalidade entre eles tem como resultado:
- A)A prosperidade econômica de ambos.
- B)A reconstrução dos laços entre eles.
- C)A ida de Nael a São Paulo para viver com Yaqub.
- D)A morte de Rânia, a irmã dos gêmeos.
- E)A desagregação e a ruína da família.
5.8 Gabarito comentado
P1inédita · pré-testeResposta: A
- B: A idealização heroica e a solução edificante aproximam a opção de um modelo romântico, não da crítica proposta.
- C: O determinismo hereditário é uma ênfase naturalista e não explica, por si só, o exame realista das convenções sociais.
- D: A intervenção sobrenatural desloca o conflito para o fantástico e não corresponde ao procedimento de crítica social descrito.
- E: A alternativa reduz a narrativa à paisagem e ignora o exame psicológico e social central no caso apresentado.
P2inédita · pré-testeResposta: C
- A: A forma literária não impede a interpretação das relações sociais; separar totalmente contexto e obra empobrece a análise.
- B: A alternativa naturaliza a desigualdade e elimina justamente a dimensão histórica proposta no enunciado.
- D: A representação de um tema não prova automaticamente a intenção política explícita do autor; é preciso analisar a obra.
- E: A verificação histórica pode ser pertinente, mas não substitui a análise da construção literária.
P3inédita · pré-testeResposta: B
- A: O motivo não é uma fuga para salvar companheiros, e o pai não celebra a súplica; ele a considera incompatível com a honra guerreira.
- C: O pedido é para cuidar do pai, não para libertá-lo nem trocar prisioneiros; isso altera o núcleo do conflito filial.
- D: O guerreiro não solicita integrar-se aos vencedores; sua preocupação é o pai, e a censura paterna recai sobre a súplica.
- E: A razão do pedido não é recuperar armas nem corrigir uma estratégia; o conflito opõe cuidado filial e honra guerreira.
F1inéditaResposta: D
- A: O sobrenatural não explica o vínculo material e social construído no enunciado e não caracteriza o enfoque naturalista proposto.
- B: A idealização heroica neutraliza os condicionamentos observados e se afasta da análise naturalista.
- C: A explicação exclusivamente voluntarista ignora justamente a relação entre meio e comportamento indicada no texto.
- E: A paisagem não é mero ornamento no caso apresentado, e musicalidade exclusiva não define o Naturalismo.
F2inéditaResposta: B
- A: A espontaneidade e a desarticulação proposital contradizem o trabalho formal explicitado no enunciado.
- C: A sugestão musical e o estado de alma indefinido são marcas mais associadas ao Simbolismo.
- D: A observação experimental e o determinismo social aproximam a descrição do Naturalismo, não do Parnasianismo.
- E: Colagem e ruptura de formas tradicionais remetem a procedimentos de vanguarda, não ao rigor formal parnasiano.
F3inéditaResposta: A
- B: O evento provocou debate e resistência; não estabeleceu aceitação imediata nem uma estética única e consensual.
- C: A proposta de renovação não restaurou a norma acadêmica nem excluiu a discussão sobre identidade cultural.
- D: As vanguardas europeias antecedem 1922; além disso, o modernismo brasileiro não foi simples cópia de um programa uniforme.
- E: Um evento artístico não extinguiu desigualdades sociais nem homogeneizou a produção nacional.
F4inéditaResposta: E
- A: A fala de Susana confere peso narrativo à experiência da escravização, contrariando a ideia de tema sem voz própria.
- B: A personagem denuncia a violência da escravidão; não a apresenta como instituição legítima ou paternalista.
- C: A memória da travessia é narrada e amplia o foco para além do romance sentimental dos protagonistas.
- D: A captura e a travessia são apresentadas como violência, não como escolha voluntária sem consequências.
F5inéditaResposta: C
- A: O conto não descreve uma viagem comercial com finalidade objetiva; o gesto não recebe explicação prática conclusiva.
- B: O pai não assume um cargo público nem se instala na cidade; permanece no rio, em situação singular.
- D: A família não realiza uma fuga coletiva e o conto não apresenta perseguição policial como causa da partida.
- E: O pai não profere uma explicação religiosa explícita, e o narrador tampouco confirma uma conversão.
Q1oficialResposta: A
- B: A alternativa B transforma a cruz em símbolo apenas triunfal e elimina a crítica de gênero, contrariando o tom de resignação questionada no poema.
- C: A alternativa C nega a relação entre os símbolos e a tradição que associa a mulher ao pecado; a serpente e a maçã tornam essa leitura pertinente.
- D: A alternativa D atribui ao dragão uma força espiritual emancipadora sem apoio no texto, que o inclui entre os obstáculos do caminho feminino.
- E: A alternativa E iguala os sacrifícios de homens e mulheres, embora o poema destaque especificamente os encargos impostos à mulher.
Fonte: Vestibular UFMS (2026) — prova em ingresso.ufms.br
Q2oficialResposta: D
- A: A alternativa A situa o romance durante o apartheid e afirma exclusão total das universidades, mas o trecho fala de acesso aberto e de desafios posteriores.
- B: A alternativa B inventa uma segregação constitucional das mulheres que não é indicada no excerto.
- C: A alternativa C chama de eficazes estratégias que o texto apresenta como insuficientes e controversas, além de deslocar a discussão para a época do apartheid.
- E: A alternativa E afirma consenso e sucesso, enquanto o diálogo revela desacordo e incerteza sobre os resultados da inclusão.
Fonte: Vestibular Fuvest (2024) — prova em fuvest.br
Q3oficialResposta: D
- A: A alternativa A atribui a Augusto uma missão de recuperar a honra do pai, motivação que não corresponde ao eixo de sua trajetória no conto.
- B: A alternativa B reduz o trecho a uma personalidade cristã estável desde a infância; a narrativa apresenta uma transformação após uma vida de violência e queda.
- C: A alternativa C inventa educação na capital e uma preferência de patrão, além de interpretar a fala como serenidade senhorial.
- E: A alternativa E converte a escolha narrativa do jumento em poder mágico ou previsão do futuro. O trecho não estabelece essa capacidade sobrenatural.
Fonte: Vestibular UFGD (2018) — prova em files.ufgd.edu.br
Q4oficialResposta: C
- A: A alternativa A atribui a ascensão a programas de ajuda e a decadência branca à crise do café, fatos ausentes do excerto.
- B: A alternativa B desloca a questão para instituições monárquicas e ainda inverte a relação de dominação indicada no texto.
- D: A alternativa D apresenta a relação como projeto harmonioso e rivalidade pessoal, apagando a desigualdade histórica e econômica descrita.
- E: A alternativa E restringe o vínculo à dependência financeira e acrescenta uma valorização da miscigenação que o excerto não aborda.
Fonte: Vestibular Fuvest (2026) — prova em fuvest.br
Q5oficialResposta: B
- A: A alternativa A defende uma democracia racial que a obra problematiza ao expor desigualdades persistentes.
- C: A alternativa C confunde o contexto histórico com o enredo e afirma falsamente que a abolição extinguiu discriminações raciais e de classe.
- D: A alternativa D deturpa a crítica social da obra e afirma uma igualdade de gênero que não corresponde às tensões narradas.
- E: A alternativa E trata a narrativa como desligada da história brasileira, embora o enunciado ressalte justamente a relação entre passado e presente.
Fonte: Vestibular UFGD (2020) — prova em files.ufgd.edu.br
Q6oficialResposta: D
- A: A alternativa A situa o recrutamento de Pedro após a declaração de paz, invertendo a lógica histórica do voluntariado para a Guerra do Paraguai e atribuindo ao conto detalhes incompatíveis.
- B: A alternativa B troca personagens e enredo de “Amor de Maria”; a descrição de irmãos apaixonados pela feiticeira e do café com tajá não corresponde ao conto.
- C: A alternativa C inventa um testamento, prazo de quinze anos e a promessa sobrenatural do padre, elementos que não descrevem “O gado do Valha-me Deus”.
- E: A alternativa E mistura o mito do boto com personagens e desfecho alheios a “O baile do judeu”; não é Mariquinha quem lança Lulu de uma ribanceira.
Fonte: Vestibular UFGD (2026) — prova em files.ufgd.edu.br
Q7oficialResposta: E
- A: A alternativa A classifica o livro como crônicas, não como narrativas ficcionais, e restringe seus temas à infância e à velhice.
- B: A alternativa B chama a obra de romance e atribui-lhe uma crítica ao Parnasianismo sem relação com o trecho.
- C: A alternativa C erra ao situar o espaço nos pampas e ao afirmar que a coletânea tem temas únicos.
- D: A alternativa D classifica o livro como folhetim e diz que padroniza as falas, quando Rosa explora variações e invenções linguísticas.
Fonte: Vestibular UFMS (2026) — prova em ingresso.ufms.br
Q8oficialResposta: B
- A: A alternativa A reduz a experiência a decepção e perda definitiva da fé; o excerto enfatiza o despertar do desejo e a confusão emocional.
- C: A alternativa C afirma superação e paz, mas Mwando aparece transtornado, sem que a serpente seja um obstáculo já vencido.
- D: A alternativa D interpreta o amor como caminho de transcendência espiritual, enquanto a passagem destaca a tensão entre paixão e devoção.
- E: A alternativa E descreve uma nova devoção e um paraíso utópico, ideias que não se sustentam no abalo e no conflito expressos pelo personagem.
Fonte: Vestibular Fuvest (2026) — prova em fuvest.br
Q9oficialResposta: D
- A: A alternativa A descreve incorretamente a regeneração de Luís Soares e o apresenta como respeitoso com os escravizados, o que não é o desfecho do conto.
- B: Erra ao classificar “O espelho”, de Primeiras estórias, como narrado em terceira pessoa.
- C: A alternativa C afirma que os personagens negros de Úrsula obtêm final feliz e libertação definitiva das marcas da escravidão, o que não corresponde ao romance.
- E: A alternativa E erra ao afirmar que o poema épico é narrado por protagonista e que todos os versos são decassílabos; sua métrica é variada.
Fonte: Vestibular UFMS (2026) — prova em ingresso.ufms.br
C1cadernoResposta: C
A alternativa C está correta: Fio Jasmim demonstra preocupação com o julgamento social e a honra conjugal, reproduzindo expectativas tradicionais de masculinidade e relações de gênero.
Fonte: Vestibular Fuvest
C2cadernoResposta: E
A alternativa E está correta: a trajetória de Mané Pão Doce evidencia a violação de direitos trabalhistas e humanos no contexto das desigualdades sociais retratadas no romance.
Fonte: Vestibular UFMS
C3cadernoResposta: D
A alternativa D está correta: Redemoinho em Dia Quente é um livro de contos com protagonismo feminino e aborda temas como violência, racismo, LGBTfobia e desigualdade a partir de diferentes vivências.
Fonte: Vestibular UFGD
C4cadernoResposta: E
A alternativa E está correta: Machado de Assis constrói personagens psicologicamente complexas, cujas ações revelam ambiguidades e interesses que nem sempre são explícitos.
Fonte: Vestibular UFMS
C5cadernoResposta: D
A alternativa D está correta: os romances articulam a militância política e a resistência coletiva com escolhas da vida privada de mulheres que desafiam padrões sociais.
Fonte: Vestibular Fuvest
C6cadernoResposta: D
A alternativa D está correta: Susana narra em primeira pessoa a captura e a escravização, dando voz à experiência de uma personagem oprimida, traço precursor da literatura abolicionista.
Fonte: Vestibular UFMS
C7cadernoResposta: E
A alternativa E está correta: os dois textos reivindicam educação para as mulheres e relacionam essa pauta às desigualdades sociais e econômicas do Brasil oitocentista.
Fonte: Vestibular Fuvest
C8cadernoResposta: A
A alternativa A está correta: ao concluir “Faço poesia que nem queijo”, o poema explicita a reflexão metapoética, comparando a elaboração do poema ao fazer artesanal.
Fonte: Vestibular UFMS
C9cadernoResposta: E
A alternativa E está correta: os ratos surgem durante o descanso, mas os ruídos mantêm a angústia ligada à pobreza e à dívida de Naziazeno, que não desaparecem com o pagamento.
Fonte: Vestibular Fuvest
C10cadernoResposta: D
A alternativa D está correta: Água funda incorpora a fala coletiva e popular, enquanto Úrsula emprega predominantemente a variante culta, sem adequá-la à condição social de cada personagem.
Fonte: Vestibular UFMS
C11cadernoResposta: A
A alternativa A está correta: Brás Cubas reconhece que se aproveitou da necessidade de D. Plácida, mas racionaliza sua conduta alegando que lhe garantiu proteção contra a mendicância.
Fonte: Vestibular UFGD
C12cadernoResposta: E
A alternativa E está correta: a passagem da terceira pessoa que observa a mulher à primeira pessoa que declara fazer poesia evidencia que o fazer alheio inspira a criação poética.
Fonte: Vestibular UFMS
C13cadernoResposta: E
A alternativa E está correta: o capataz representa a violência e o patriarcalismo coloniais, impostos às personagens moçambicanas no ambiente de trabalho e nas relações pessoais.
Fonte: Vestibular Fuvest
C14cadernoResposta: B
A alternativa B está correta: em “Fatalidade”, o delegado acaba recorrendo à força e à ação individual, afastando-se da defesa inicial da impessoalidade da lei.
Fonte: Vestibular UFMS
C15cadernoResposta: C
A alternativa C está correta: o homem se fascina pela tapeçaria e passa do interesse à inquietação, como se a cena representada pudesse atravessar a fronteira entre fantasia e realidade.
Fonte: Vestibular UFGD
C16cadernoResposta: C
A alternativa C está correta: o sofrimento embaralha as lembranças de Miguilim e sua percepção do presente, tornando estranha a passagem entre os dias e os planos da memória.
Fonte: Vestibular Fuvest
C17cadernoResposta: E
A alternativa E está correta: Winston e Júlia iniciam um relacionamento erótico clandestino no campo, em oposição à repressão do Partido, que controla a vida íntima.
Fonte: Vestibular UFGD
C18cadernoResposta: C
A alternativa C está correta: ao reagir e lutar contra os timbiras, o guerreiro demonstra coragem e honra, assumindo plenamente a condição heroica expressa em seu nome.
Fonte: Vestibular UFMS
C19cadernoResposta: B
A alternativa B está correta: Fazedor de Velhos é um romance de formação, acompanhando Pedro em seus conflitos e no amadurecimento de sua vocação, por meio das tarefas de Nabuco e de suas leituras.
Fonte: Vestibular UFGD
C20cadernoResposta: E
A alternativa E está correta: a voz de Susana expõe as opressões sofridas como mulher negra escravizada, incluindo a separação familiar, a privação da liberdade e a violência.
Fonte: Vestibular UFMS
C21cadernoResposta: A
A alternativa A está correta: a narrativa não confirma se Omar ou Yaqub é o pai de Nael, e o próprio narrador não reconhece nenhum deles como pai.
Fonte: Vestibular Fuvest
C22cadernoResposta: B
A alternativa B está correta: a imagem da água que volta ao estado anterior sugere a permanência das relações de dominação apesar das mudanças históricas.
Fonte: Vestibular UFMS
C23cadernoResposta: C
A alternativa C está correta: os protagonistas são socialmente oprimidos, mas suas reações não se dirigem necessariamente aos agentes que os oprimem.
Fonte: Vestibular Fuvest
C24cadernoResposta: B
A alternativa B está correta: a anáfora e a alternância de lugares e objetos sugerem a variedade e a recorrência das tarefas femininas, compondo uma imagem dinâmica.
Fonte: Vestibular UFMS
C25cadernoResposta: E
A alternativa E está correta: a rivalidade entre Yaqub e Omar aprofunda os conflitos e conduz à desagregação e à ruína da família.
Fonte: Vestibular Fuvest
5.9 Revisão relâmpago e mapa de revisão
- Realismo privilegia crítica social e análise psicológica; ironia pode tornar o narrador pouco confiável.
- Naturalismo destaca condicionamentos, mas descrição regional isolada não basta para classificá-lo.
- Parnasianismo valoriza elaboração formal; Simbolismo explora sugestão e musicalidade.
- Pré-Modernismo reúne tendências diversas e expõe conflitos do país.
- A Semana de 1922 é marco simbólico, não origem isolada de todo o Modernismo.
- A literatura contemporânea pode articular memória, identidade e desigualdades sem abandonar a forma estética.
- Ponciá Vicêncio permite discutir exclusões raciais, de gênero e de classe.
- A fiandeira apresenta metatextos em prosa que esclarecem a gênese dos poemas.
- A hora e a vez de Augusto Matraga integra Sagarana, não Primeiras estórias.
Mapa de revisão
Reveja este capítulo em 1, 7 e 30 dias.
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