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Literatura · Capítulo 5

Movimentos, autores e leitura literáriaContexto, estética e questões contemporâneasSeis leituras obrigatórias: forma, voz e memória

Itens do edital:

  • 4. Realismo e Naturalismo em Portugal e no Brasil; Parnasianismo e Simbolismo; Pré-Modernismo; Vanguardas Europeias; Semana da Arte Moderna; Modernismo no Brasil (primeira fase, segunda fase; terceira fase); literatura contemporânea em Portugal e no Brasil; manifestações literárias e suas fontes em Mato Grosso do Sul; autores e obras.
  • 5. Em cada fase cultural, devem ser observados origem histórica e contexto cultural; princípios estéticos norteadores. Relações entre literatura, identidade, diversidade, direitos humanos e questões contemporâneas.
  • 6. Obras de leitura obrigatória: I-Juca-Pirama, de Gonçalves Dias, Contos fluminenses, de Machado de Assis, Primeiras estórias, de João Guimarães Rosa, Úrsula, de Maria Firmina dos Reis, Água funda, de Ruth Guimarães, A fiandeira, de Raquel Naveira.

5.1 Pré-teste

Responda antes de ler a teoria. O gabarito está no fim do capítulo.

P1inédita
Em um romance realista, o narrador descreve um marido que se proclama virtuoso, mas expõe, por meio de seus gestos e contradições, o interesse com que controla as escolhas da esposa. Qual procedimento é mais compatível com a crítica realista?

  1. A)Contrastar a autoimagem moral da personagem com suas atitudes, usando a ironia para revelar convenções e interesses sociais.
  1. B)Apresentar o marido como herói idealizado, cujas virtudes excepcionais resolvem os conflitos sem crítica às normas sociais.
  2. C)Explicar o comportamento do marido como efeito inevitável da hereditariedade, sem considerar convenções ou interesses de classe.
  3. D)Converter o conflito conjugal em visão sobrenatural, na qual forças misteriosas determinam a conduta das personagens.
  4. E)Substituir a análise das relações sociais pela descrição objetiva de paisagens, sem explorar contradições psicológicas.

P2inédita
Uma leitura de romance brasileiro considera como a experiência de personagens submetidas a desigualdades de raça, gênero e classe se relaciona com a organização histórica da sociedade. Qual abordagem melhor atende a essa proposta de leitura?

  1. A)Separar a trajetória individual do contexto, pois a forma literária impede qualquer discussão sobre relações sociais.
  1. B)Tratar a desigualdade como conflito natural entre indivíduos, sem relacioná-la a processos históricos ou instituições.
  2. C)Relacionar escolhas formais e trajetórias das personagens às estruturas históricas, sem reduzir a obra a um documento sociológico.
  3. D)Considerar que a presença de uma personagem oprimida comprova, por si só, a defesa explícita de um programa político pelo autor.
  4. E)Avaliar a obra apenas pela correção de suas informações históricas, deixando de lado linguagem, perspectiva e construção narrativa.

P3inédita
Em I-Juca-Pirama, de Gonçalves Dias, o guerreiro tupi capturado pede aos vencedores que adiem sua morte. Qual motivo explica o pedido e a reação posterior do pai?

  1. A)O guerreiro deseja fugir para salvar os companheiros, e o pai o celebra por ter evitado o combate.
  1. B)O guerreiro pede para cuidar do pai cego e idoso; depois, o pai o censura por ter suplicado em vez de enfrentar a morte com bravura.
  2. C)O guerreiro solicita que o pai seja libertado, e o pai o reprova por não ter aceitado trocar de lugar com o prisioneiro.
  3. D)O guerreiro quer permanecer entre os vencedores como aliado, e o pai o acusa de ter abandonado os ritos de sua comunidade.
  4. E)O guerreiro pede tempo para recuperar as armas, e o pai o repreende por ter perdido a batalha por falta de estratégia.

5.2 O que cai

  • 4. Realismo e Naturalismo em Portugal e no Brasil; Parnasianismo e Simbolismo; Pré-Modernismo; Vanguardas Europeias; Semana da Arte Moderna; Modernismo no Brasil (primeira fase, segunda fase; terceira fase); literatura contemporânea em Portugal e no Brasil; manifestações literárias e suas fontes em Mato Grosso do Sul; autores e obras: 102 questões da UFMS, Fuvest e UFGD, 2015–2026
  • 5. Em cada fase cultural, devem ser observados origem histórica e contexto cultural; princípios estéticos norteadores. Relações entre literatura, identidade, diversidade, direitos humanos e questões contemporâneas: 2 questões da UFMS, Fuvest e UFGD, 2020–2024
  • 6. Obras de leitura obrigatória: I-Juca-Pirama, de Gonçalves Dias, Contos fluminenses, de Machado de Assis, Primeiras estórias, de João Guimarães Rosa, Úrsula, de Maria Firmina dos Reis, Água funda, de Ruth Guimarães, A fiandeira, de Raquel Naveira: 26 questões da UFMS, Fuvest e UFGD, 2017–2026

5.3 Teoria

A prova relaciona estilos literários, contexto histórico e leitura atenta de obras, sem reduzir textos a rótulos. Este capítulo organiza os movimentos e as seis leituras obrigatórias para reconhecer tanto a forma quanto as tensões sociais e culturais que os textos elaboram.

5.3.1 Movimentos, autores e leitura literária

Realismo e Naturalismo surgem no século XIX, em reação ao sentimentalismo romântico e sob influência de debates científicos e sociais.

O Realismo observa criticamente relações, interesses e convenções; em Machado de Assis, a ironia, o narrador pouco confiável e a análise psicológica expõem contradições sem oferecer explicações simples. O Naturalismo intensifica a observação de ambientes e comportamentos e dá destaque a condicionamentos sociais, físicos e econômicos. Não confunda a presença de descrição regional ou de crenças populares, por si só, com determinismo naturalista: um texto pode incorporar lendas e oralidade sem reduzir personagens ao meio. Em Portugal, Eça de Queirós é referência realista; no Brasil, Machado ocupa posição central no Realismo, enquanto Inglês de Sousa é associado à introdução do Naturalismo.

MovimentoMarca predominanteAtenção na leitura
RealismoCrítica social e análise psicológicaIronia pode desmentir o narrador
NaturalismoObservação e condicionamentosNão basta haver descrição regional
ParnasianismoForma trabalhada e impessoalidadeValoriza composição e acabamento
SimbolismoSugestão, musicalidade e símboloO sentido não é apenas literal

Parnasianismo e Simbolismo também se afirmam no fim do século XIX, mas respondem de modo diferente à criação poética. O Parnasianismo privilegia rigor formal, composição controlada e elaboração do verso; não significa ausência absoluta de emoção, mas atenção especial à forma. O Simbolismo prefere sugestão, musicalidade, imagens e correspondências sensoriais, frequentemente com atmosfera espiritual ou vaga. Compare o modo de construir o poema, e não apenas o tema: uma imagem misteriosa pode aparecer em estilos diversos.

O Pré-Modernismo, no início do século XX, não é uma escola de programa único. Reúne autores que tornam visíveis conflitos e populações marginalizadas, questionando a imagem idealizada do país. A leitura deve observar tensões regionais, desigualdades e linguagem, em vez de procurar uma fórmula estética uniforme. As Vanguardas Europeias — como Futurismo, Cubismo, Expressionismo, Dadaísmo e Surrealismo — experimentaram novas formas de representar velocidade, fragmentação, choque, subjetividade e acaso. No Brasil, suas propostas alimentaram a ruptura modernista, mas foram reelaboradas em condições locais; não se deve tratar a produção brasileira como simples cópia europeia.

A Semana de Arte Moderna de 1922 tornou-se marco simbólico de divulgação das rupturas modernistas em São Paulo. Não criou sozinha o Modernismo nem representa toda a produção cultural do país. A primeira fase modernista, associada aos anos 1920, combateu padrões acadêmicos, experimentou linguagem e buscou discutir uma expressão nacional. A segunda fase ampliou a maturidade formal e temática: na prosa, ganhou força a representação de conflitos sociais e regionais; na poesia, coexistem reflexão, cotidiano e elaboração estética. A terceira fase, em geral situada a partir de meados do século XX, reúne caminhos diversos, com pesquisa formal, introspecção e reinvenção da linguagem. As divisões são úteis como orientação, mas não encerram a diversidade dos autores.

RecorteTendência útil para a provaNão conclua automaticamente
Pré-ModernismoExpõe conflitos do paísQue seja uma escola homogênea
Primeira fase modernistaRuptura e experimentaçãoQue toda obra abandone a tradição
Segunda faseDiversificação temática e formalQue só trate de denúncia social
Terceira fasePesquisa de linguagem e interioridadeQue tenha um único estilo

A literatura contemporânea em Portugal e no Brasil é plural. Pode revisitar a memória, a história, a identidade e a experiência urbana ou regional, além de discutir raça, gênero, classe, migração e direitos humanos. Uma abordagem crítica não transforma personagem em mero exemplo sociológico: examine voz narrativa, escolhas formais, conflitos e silêncios. O excerto de Nadine Gordimer, por exemplo, apresenta dúvidas sobre como enfrentar desigualdades educacionais legadas pelo apartheid; a leitura correta percebe a incerteza, não um consenso de sucesso. Em Guimarães Rosa, a linguagem inventiva e o sertão são componentes da construção artística, mas a trajetória de Augusto Matraga também articula queda, transformação moral e busca de redenção. A morte ao enfrentar Joãozinho Bem-Bem encerra seu percurso de sacrifício; não se deve tomar o animal do trecho como prova de poder sobrenatural.

A leitura de autores sul-mato-grossenses, como Raquel Naveira, permite reconhecer que a literatura regional participa de diálogos nacionais sem se reduzir a cor local. Em A fiandeira, observe a organização e os textos em prosa que acompanham a gênese dos poemas, uma regularidade do próprio livro. Conceição Evaristo, por sua vez, constrói narrativas nas quais memória escravocrata e presente se atravessam; o sobrenome compartilhado por famílias brancas e negras em Canção para ninar menino grande evidencia uma ligação desigual e a reivindicação negra de participação na riqueza. Em Ponciá Vicêncio, raça, gênero e classe se cruzam. Evite afirmar que a abolição eliminou discriminações ou que a obra defende a democracia racial.

Na questão de prova, localize primeiro o conflito central; depois, procure como forma, voz e contexto se relacionam; por fim, descarte alternativas que exagerem uma tendência até transformá-la em regra absoluta. Exemplo resolvido. Num aviso cultural da UFMS, uma curadoria apresenta poema simbolista e poema parnasiano. Qual pista distingue melhor suas tendências? (1) Procure a prioridade da sugestão e da musicalidade. (2) Compare-a ao acabamento formal e à composição controlada. (3) Não decida pelo assunto isolado: a resposta depende do procedimento predominante.

Linha do tempo

Movimentos em perspectiva

  1. Século XIX: Realismo e Naturalismo

    Crítica, observação e condicionamentos

  2. Fim do século XIX: Parnasianismo e Simbolismo

    Forma trabalhada ou sugestão

  3. Início do século XX: Pré-Modernismo

    Conflitos e diversidade, sem escola única

  4. Modernismo: fases diversas

    Ruptura, amadurecimento e pesquisa formal

Comparação

Realismo e Naturalismo

RealismoNaturalismo
Crítica social e análise psicológicaRealismo
Observação de condicionamentosNaturalismo

5.3.2 Contexto, estética e questões contemporâneas

Para interpretar uma fase cultural, articule três planos: o contexto histórico, os princípios estéticos e as escolhas concretas do texto.

O contexto ajuda a compreender por que certos temas ganham força; não determina sozinho o sentido de cada obra. O Romantismo, por exemplo, valoriza a construção de identidades e projetos nacionais; o Realismo questiona idealizações e convenções; o Modernismo brasileiro transforma a ruptura formal em debate sobre cultura e pertencimento. São tendências gerais, não regras sem exceção.

Plano de leituraPergunta produtivaCuidado
ContextoQue conflito histórico está em jogo?Não reduzir obra a documento
EstéticaComo a linguagem constrói o efeito?Não confundir tema com estilo
IdentidadeQuem fala e quem é representado?Evitar generalizações culturais
Direitos humanosQue desigualdade é exposta?Não atribuir tese sem evidência textual

Identidade e diversidade aparecem nas formas de representar grupos, memórias, territórios e relações de poder. Leia quem narra, quais vozes são ouvidas, quais são silenciadas e como as personagens enfrentam estruturas sociais. A presença de uma personagem negra ou indígena, por si só, não basta para concluir que a obra discute determinada questão; é preciso relacionar a representação ao enredo e à linguagem. Direitos humanos e questões contemporâneas podem surgir pela denúncia de exclusão, pela disputa de memória ou pela contestação de hierarquias. A interpretação deve se apoiar em evidências do texto, sem projetar nele uma solução que não apresenta.

Em narrativas de memória, o passado continua atuando no presente. A leitura de Ponciá Vicêncio permite discutir como exclusão racial, de gênero e de classe se articulam. Em Canção para ninar menino grande, a permanência de um sobrenome ligado à escravidão revela uma relação desigual e um esforço de reivindicar a participação negra na riqueza familiar. A literatura pode questionar a ideia de harmonia racial sem abandonar a elaboração estética. Do mesmo modo, o excerto de Gordimer examina o desafio de enfrentar desigualdades educacionais herdadas do apartheid e mantém em aberto as estratégias possíveis.

Na produção de Mato Grosso do Sul, a referência regional pode dialogar com memória, paisagem, identidade e tradições sem ficar confinada ao regionalismo. Em A fiandeira, a regularidade do livro envolve textos em prosa que esclarecem a gênese dos poemas. Reconheça esse dado específico sem transformá-lo em característica universal de toda a poesia da autora. Em qualquer item, a melhor resposta é a que combina contexto e elemento textual preciso; desconfie de alternativas que afirmem consenso, igualdade plena ou determinismo sem apoio no trecho.

5.3.3 Seis leituras obrigatórias: forma, voz e memória

Nas obras obrigatórias, estude enredo e personagens, mas também narrador, composição, imagens e contexto. A banca pode oferecer um trecho e testar se você identifica sua tensão central; conhecer apenas um resumo costuma levar a erros. Organize cada leitura por uma pergunta: que conflito move o texto e por quais recursos ele se torna significativo?

ObraPista de leituraErro a evitar
I-Juca-PiramaIdentidade, honra e voz épicaLer o indígena como figura sem conflitos
Contos fluminensesNarrativa e crítica de costumesSupor que todos os contos têm o mesmo tom
Primeiras estóriasOralidade e invenção linguísticaReduzir os contos a retrato documental
ÚrsulaEscravidão e perspectiva abolicionistaIgnorar autoria e perspectiva feminina
Água fundaMemória e transformação socialTratar o espaço como simples cenário
A fiandeiraPoesia e textos de gêneseConfundir o paratexto com o poema

Em I-Juca-Pirama, de Gonçalves Dias, acompanhe a estrutura narrativa e a voz do poema, além dos valores de honra, pertencimento e coragem que organizam o conflito. A representação indianista participa da construção romântica de uma identidade nacional, mas não equivale a um registro transparente de todos os povos indígenas. Leia os conflitos e as escolhas do protagonista, sem transformar o poema em uma descrição etnográfica. O efeito épico decorre da composição e da linguagem, não somente do assunto indígena.

Contos fluminenses, de Machado de Assis, reúne narrativas que permitem observar como o autor constrói personagens, relações e crítica de costumes. Procure ironia, convenções sociais e discrepâncias entre o que se afirma e o que a narrativa deixa perceber. Não atribua automaticamente ao narrador a opinião do autor; a distância irônica pode tornar instável a leitura literal. Também não presuma que cada conto use o mesmo mecanismo: examine o trecho e identifique o ponto de vista, a situação e o efeito de linguagem.

Em Primeiras estórias, de João Guimarães Rosa, a invenção verbal e a oralidade participam da construção do universo narrativo. A linguagem pode combinar fala regional, neologismo, ritmo e reflexão, sem ser mera transcrição de fala espontânea. Em A hora e a vez de Augusto Matraga, de Sagarana — obra que não se confunde com o título obrigatório Primeiras estórias — a trajetória do protagonista culmina na luta contra Joãozinho Bem-Bem e em sua morte. Essa distinção bibliográfica importa: conhecer Rosa não autoriza transferir conto de uma coletânea para outra.

Úrsula, de Maria Firmina dos Reis, é um romance do século XIX cuja perspectiva abolicionista dá centralidade à violência da escravidão e às vozes de personagens escravizados. Considere autoria, época e forma narrativa em conjunto: a obra não se limita a uma história sentimental, e sua crítica amplia a discussão sobre humanidade e liberdade. Evite apagar a intervenção de uma escritora negra ao enquadrar o romance somente como imitação dos modelos de seu período.

Água funda, de Ruth Guimarães, articula histórias, memória e transformações de uma comunidade, com atenção à vida rural e às relações sociais. O espaço participa das experiências das personagens; não é pano de fundo neutro. Observe as mudanças históricas e os modos de narrar que aproximam memória coletiva e destinos individuais. Já A fiandeira, de Raquel Naveira, organiza poemas por seções temáticas. Segundo a regularidade destacada pela própria autora, há metatextos em prosa que esclarecem a gênese dos poemas. Isso não significa que todos os poemas sejam em prosa, nem que tenham obrigatoriamente primeira pessoa, tom confessional ou defesa de uma posição única. Diferencie poema e texto de apresentação, e use a organização do livro como pista de leitura.

Ao comparar as seis obras, pergunte se a alternativa descreve um traço demonstrável ou apenas associa o título a uma etiqueta vaga. Exemplo resolvido. Um roteiro de leitura da biblioteca da UFMS pergunta qual pista específica auxilia a reconhecer A fiandeira. (1) Separe a composição poética dos textos acompanhantes. (2) Verifique a presença de textos em prosa sobre a gênese dos poemas. (3) Não generalize esse recurso para toda a poesia de Raquel Naveira. A resposta correta é a presença de metatextos em prosa que esclarecem a gênese dos poemas.

Esquema

Pistas das leituras

Obras obrigatórias

  • Identidade e voz épica

    I-Juca-Pirama

  • Ironia e costumes

    Contos fluminenses

  • Invenção verbal

    Primeiras estórias

  • Escravidão e perspectiva abolicionista

    Úrsula

  • Memória e comunidade

    Água funda

  • Poemas e textos de gênese

    A fiandeira

Exercício comentado

Como a banca cobrouoficial · Vestibular UFMS 2026

Os poemas que compõem Fiandeira são organizados pela autora sul-mato-grossense Raquel Naveira de acordo com o critério temático das composições. Pela leitura e análise do livro e conforme palavras da própria autora, há uma regularidade, que se mantém em todas as seções. Em qual das alternativas se identifica essa regularidade?

  1. A)Presença de metatextos em prosa esclarecendo a gênese dos poemas.
  2. B)Exploração do lirismo e da primeira pessoa em todos os poemas.
  3. C)Defesa de posicionamentos feministas.
  4. D)Presença de simbologia religiosa.
  5. E)Tom confessional dos poemas.

Resposta: A

Conceito: Em Fiandeira, textos em prosa que acompanham as seções explicam a gênese dos poemas e estabelecem uma regularidade composicional.

Raciocínio: A pergunta solicita a característica que se repete em todas as seções, conforme a organização do livro e as palavras da autora. A alternativa A identifica os metatextos em prosa que esclarecem a origem ou motivação dos poemas. As demais opções generalizam temas e traços que não aparecem necessariamente em todas as composições.

Pegadinha: A pergunta não procura um tema recorrente, mas um elemento de organização que acompanha todas as seções.

Base: Raquel Naveira, Fiandeira (1992), organização das seções e textos em prosa que as acompanham.

Pegadinha de prova

Contexto não é determinismo

O ambiente e a história ajudam a interpretar a obra, mas não substituem a análise de voz, forma e conflito.

Pegadinha de prova

Não confunda coletâneas

A hora e a vez de Augusto Matraga pertence a Sagarana; não transfira o conto para Primeiras estórias.

Atenção

Paratexto em A fiandeira

A pista destacada é a presença de metatextos em prosa sobre a gênese dos poemas, que se mantém em todas as seções do livro. Isso não quer dizer que todos os poemas sejam em prosa.

5.4 Exemplo resolvido

Em um roteiro da UFMS, um estudante lê que uma obra acompanha a formação de uma comunidade rural e articula memória coletiva, mudanças sociais e destinos individuais. Qual procedimento de leitura é mais adequado? A) Tratar o espaço como cenário neutro. B) Investigar como espaço e memória participam da experiência das personagens. C) Concluir que toda narrativa rural é naturalista. D) Ignorar as transformações históricas. E) Identificar o texto como poema simbolista apenas pelo tom de memória.

  1. Localize os elementos indicados: comunidade rural, memória e mudança social.
  2. Relacione o espaço às experiências individuais e coletivas, sem atribuir escola literária só pelo cenário.
  3. Elimine as alternativas que apagam contexto ou inferem estilo sem evidência.

Resposta: B) Investigar como espaço e memória participam da experiência das personagens.

5.5 Fixação

Questões inéditas.

F1inédita
Em um conto naturalista, moradores de uma região enfrentam condições precárias de trabalho e alimentação, e o narrador acompanha como esse meio interfere em seus comportamentos. Qual leitura identifica um traço característico do Naturalismo sem transformar a estética em fórmula absoluta?

  1. A)Atribuir os conflitos a uma intervenção sobrenatural que suspende as relações entre corpo, ambiente e sociedade.
  1. B)Apresentar os trabalhadores como modelos idealizados de virtude, livres de condicionamentos materiais e sociais.
  2. C)Explicar cada decisão apenas pela vontade individual, excluindo fatores do ambiente e das condições de vida.
  3. D)Investigar a influência do meio e das condições materiais sobre as personagens, com atenção a fatores físicos e sociais.
  4. E)Tratar a paisagem como ornamento, sem ligação com a ação, e privilegiar exclusivamente a musicalidade da linguagem.

F2inédita
Um poema parnasiano apresenta vocabulário preciso, composição cuidadosamente trabalhada e atenção à forma, sem que o eu lírico exponha diretamente uma crise sentimental. Qual princípio estético se destaca?

  1. A)A recusa de qualquer elaboração formal, com versos espontâneos e sintaxe deliberadamente desarticulada.
  1. B)A valorização do trabalho formal e da precisão expressiva, associada ao ideal de composição rigorosa.
  2. C)A expressão confessional de estados de alma, organizada pela sugestão musical e pela indefinição simbólica.
  3. D)A representação documental do ambiente, orientada pela observação experimental e pelo determinismo social.
  4. E)A ruptura vanguardista com toda forma fixa, por meio de colagem visual e associação livre de imagens.

F3inédita
Uma exposição sobre a Semana de Arte Moderna de 1922 afirma que o evento reuniu artistas interessados em rever padrões culturais e artísticos, em um momento de transformações no país. Qual interpretação é mais adequada?

  1. A)A Semana foi um marco de divulgação de propostas renovadoras, mas não criou sozinha todas as mudanças modernistas nem encerrou os conflitos culturais.
  1. B)A Semana consolidou uma estética única e consensual, aceita imediatamente por todas as regiões e grupos sociais brasileiros.
  2. C)A Semana restaurou os modelos acadêmicos como norma definitiva e afastou a literatura das questões de identidade nacional.
  3. D)A Semana ocorreu antes das vanguardas europeias e importou delas um programa já inteiramente uniforme e concluído.
  4. E)A Semana eliminou de imediato as desigualdades culturais e tornou homogênea a produção artística em todo o país.

F4inédita
Em Úrsula, de Maria Firmina dos Reis, a personagem Susana narra experiências ligadas à captura e à travessia forçada da África para o Brasil. Qual efeito essa perspectiva produz na construção do romance?

  1. A)Apresenta a escravização como tema secundário, sem voz própria das personagens submetidas à violência.
  1. B)Transforma a experiência da personagem em defesa da legitimidade do cativeiro como instituição paternalista.
  2. C)Apaga a memória da travessia e concentra a narrativa exclusivamente na aventura sentimental dos protagonistas brancos.
  3. D)Usa a fala da personagem para relativizar a violência, tratando a captura como escolha voluntária e sem consequências.
  4. E)Dá centralidade à memória e à humanidade da mulher escravizada, expondo a violência do tráfico e do cativeiro.

F5inédita
No conto “A terceira margem do rio”, de Primeiras estórias, um pai manda construir uma canoa e passa a viver no rio, sem voltar para casa nem desaparecer por completo. Como esse gesto funciona na narrativa?

  1. A)Como registro documental de uma viagem comercial cujo destino e motivo são explicados de modo objetivo.
  1. B)Como sinal de que o pai abandona a família para assumir publicamente uma função política na cidade.
  2. C)Como acontecimento insólito e enigmático, cuja falta de explicação definitiva sustenta a reflexão do narrador e dos leitores.
  3. D)Como prova de que a família inteira participa de uma fuga planejada para escapar de uma perseguição policial.
  4. E)Como alegoria de uma conversão religiosa explicitada pelo pai em discurso e confirmada pelo narrador.

5.6 Questões oficiais da UFMS, Fuvest e UFGD

Questões oficiais de provas anteriores, com a fonte.

Q1oficial · Vestibular UFMS 2026
Texto base:Figura da questãoBAÍS, Lídia. Alegoria, S/D. Óleo sobre tela, 55 × 73 cm. Mato Grosso do Sul: Museu de arte Contemporânea de Mato Grosso do Sul. Disponível em: https://pauta67.com.br/obras-de-lidia-bais-serao-expostas-no-sesc-em-sao-paulo/. Acesso em: 22 out. 2025. Confissões de uma monja Eu sei irmã, Que minha cruz é de bom tamanho, Que posso carregá-la, Que as formigas suportam muitas vezes mais O próprio peso, Que ela é leve Comparada a outras cruzes, Que devo agradecer volume E medida razoáveis Para uma cristã, Eu sei irmã, Que não se deve lamentar, Que no caminho da mulher Há sempre um dragão, Uma serpente, Uma maçã. (NAVEIRA, Raquel. Confissões de uma monja. In: _________. Fiandeira. São Paulo: Estação Liberdade, 1992. p. 48)

Considerando que, em Confições de uma monja, há intertextualidade entre os poemas e outras linguagens artísticas, pode-se afirmar que:

  1. A)o poema e a pintura denunciam o peso da culpa e da dor atribuídos à mulher, revelando como o sofrimento feminino é ampliado por construções religiosas e sociais.
  1. B)a obra pictórica e o poema apresentam a cruz feminina como símbolo de poder e vitória, sem resquícios de críticas acerca de desigualdades entre gêneros.
  2. C)o diálogo entre as obras em nada reforça a visão tradicional da mulher como responsável pelo pecado original.
  3. D)a presença do dragão tanto na pintura quanto no poema representa a força espiritual feminina, sem relação com opressão.
  4. E)o simbolismo presente no poema e na pintura retoma a ideia de que homem e mulher seguem o mesmo caminho, ambos com os sacrifícios e martírios igualados.

Q2oficial · Vestibular Fuvest 2024
“O lugar do ensino superior agora tem as portas abertas. A (...) Constituição é que impõe essa situação por decreto. Mas (...) este não pode garantir que todos tenham a tal ‘capacidade’ que lhes vai permitir o aproveitamento dessa educação. Há rapazes – até agora são poucas as moças com a força de vontade que Jabu, ainda menina, tinha para dar e vender – que recebem bolsas ou auxílios de algum tipo (...). As ‘aulas de reforço’ (...): um band-aid. Steve sabe que isso não é uma solução para o abismo da educação ruim do fundo do qual os alunos tentam emergir. A Luta não terminou. – (...) Eu tenho alunos de estudos africanos que não sabem escrever (...). – Então o que é que nós devíamos estar fazendo? (...) O professor Nielson ainda usa terno (...), embora o padrão da indumentária tenha relaxado a partir do exemplo dado pelas túnicas de Mandela. (...) – Você não está propondo que a gente baixe ainda mais os critérios de admissão à universidade. Então a universidade é pra avançar no conhecimento ou é pra andar pra trás? O que Steve está perguntando é se esse ensino adicional de faz de conta na esperança de elevar os alunos a um nível universitário pode compensar dez anos de educação primária e secundária de péssimo nível.” GORDIMER, Nadine. O melhor tempo é o tempo presente. São Paulo: Companhia das Letras, 2014. p.82-83. No excerto do romance da escritora sul-africana Nadine Gordimer, é possível identificar:

  1. A)o regime de apartheid em vigor na África do Sul na época em que o romance se passa, que mantinha alunos e professores negros fora da universidade.
  1. B)a segregação formal das mulheres no acesso à educação, conforme estabelecido pela Constituição promulgada no pós-apartheid.
  2. C)as eficazes estratégias de apoio aos estudantes pobres para assegurar a boa qualidade da educação básica e superior na época do apartheid.
  3. D)as incertezas sobre as estratégias adotadas para enfrentar desigualdades sociais e educacionais legadas pelo regime do apartheid na África do Sul.
  4. E)o reconhecimento consensual do sucesso do projeto de inclusão educacional no cenário sul-africano pós-apartheid.

Q3oficial · Vestibular UFGD 2018
Leia o seguinte trecho do conto A hora e a vez de Augusto Matraga, de Guimarães Rosa. [...] E aí o jumento andou, e Nhô Augusto ainda deu um eco, para o cerrado ouvir: – “Qualquer paixão me adiverte...” Oh coisa boa a gente andar solto, sem obrigação nenhuma e bem com Deus!... E quando o jegue empacava – porque, como todo jumento, ele era terrível de queixo-duro, e tanto tinha de orelhas quanto de preconceitos, – Nhô Augusto ficava em cima, mui concorde, rezando o terço, até que o jerico se decidisse a caminhar outra vez. E também, nas encruzilhadas, deixava que o bendito asno escolhesse o caminho, bulindo com as conchas dos ouvidos e ornejando. E bastava batesse no campo o pio de uma perdiz magoada, ou viesse do mato a lália lamúria dos tucanos, para o jumento mudar de rota, perdendo à esquerda ou se empescoçando para a direita; e, por via de um gavião casaco-de-couro cruzar-lhe à frente, já ele estacava, em concentrado prazo de irresolução. ROSA, João Guimarães. A hora e a vez de Augusto Matraga. In:___. Sagarana. Nova Fronteira: Rio de Janeiro, 38 ed, 1984. p. 378. O conto A hora e a vez de Augusto Matraga está localizado no espaço preferido do autor Guimarães Rosa: o sertão do norte de Minas Gerais (mas há também paisagens do sul da Bahia). O espaço favorece a construção de personagens bem típicos como jagunços, peões e fazendeiros. Tanto a psique quanto a linguagem das pessoas desse lugar aparecem matizadas pelas pressões e necessidades desse ambiente. A obra, porém, não se submete ao determinismo simplista que se limita a procurar ecos da realidade social, econômica e política na configuração ideológica dos personagens. A respeito desse conto, assinale a alternativa correta.

  1. A)Como filho do Coronel Afonsão Esteves, das Pindaíbas e do saco-do-embira, Nhô Augusto tomou para si a tarefa de recuperar a honra do pai, que se colocara na “política do lado que perde”, as “terras no desmando, as fazendas escritas por paga”.
  1. B)Esse fragmento de texto é uma metonímia da psique do protagonista. O pensamento leve que o toma nesse instante é revelador da personalidade do menino que ainda é temente a Deus, pautando suas atitudes pelo respeito às regras cristãs mesmo depois de adulto.
  2. C)O coloquialismo da linguagem de Guimarães Rosa, presente na frase “Qualquer paixão me adiverte...” metaforiza a serenidade e a humildade de patrão, que, embora tenha sido educado em escolas da capital, prefere o convívio e a linguagem dos peões que administra, donde também deriva o motivo de seu nome de batismo: Augusto.
  3. D)A trajetória de desafios enfrentados para alcançar a santidade, tão bem explorados no conto, é coroada pela violenta morte que sucede a batalha contra Joãozinho Bem-Bem.
  4. E)No sertão mítico de Guimarães Rosa, os animais são sagrados, possuem poderes mágicos e alguns têm a capacidade de prever o futuro. Tal é o caso desse fragmento de texto tirado dos primeiros momentos da narrativa, quando Augusto Matraga concede ao jegue o poder de decidir o destino do protagonista.

Q4oficial · Vestibular Fuvest 2026
A família de Neide fazia questão de conservar o pomposo sobrenome, “Paranhos”, herdado dos tempos da escravatura. A manutenção do nome dos descendentes dos antigos colonizadores, cuja família era tradicional na cidade, para o clã descendente de africanos escravizados, ganhara um sentido de enfrentamento aos brancos “Paranhos”. Para além de ser um destino histórico, era uma velada reivindicação de uma fortuna familiar dos brancos, que em grande parte era de pertença dos negros “Paranhos”. Conceição Evaristo. Canção para ninar menino grande. No excerto, o uso do mesmo nome por uma família branca e uma família negra indica

  1. A)a ascensão social dos “Paranhos” negros após o fim da escravidão, alcançada por meio dos programas governamentais de ajuda a ex-escravizados, e a decadência dos “Paranhos” brancos trazida pela crise do café.
  1. B)o racismo expresso nas ações e decisões das instituições políticas monárquicas, provenientes do período colonial, e a manutenção da dominação socioeconômica dos “Paranhos” negros pelos “Paranhos” brancos.
  2. C)a persistência de um vínculo desigual entre as famílias, oriundo do período da escravidão, e um esforço dos “Paranhos” negros de afirmar sua participação no enriquecimento dos “Paranhos” brancos.
  3. D)o esforço de construção de uma ordem social harmoniosa, desenvolvida durante a Primeira República, e a persistência de ressentimentos e rivalidades pessoais entre os “Paranhos” brancos e os “Paranhos” negros.
  4. E)a dependência financeira dos “Paranhos” negros em relação aos “Paranhos” brancos, provocada por sua condição de escravizados, e a valorização da mistura racial como característica de formação do povo brasileiro.

Q5oficial · Vestibular UFGD 2020
O romance Ponciá Vicêncio (2003) da autora Conceição Evaristo é permeado de tensões que envolvem passado com ramificações no presente; no caso, o passado escravocrata e o período após abolição da escravatura (1888). Trata-se de um romance que explora as marcas e os prolongamentos do passado escravocrata na formação da sociedade brasileira. Nessa perspectiva, considerando essa obra, é correto afirmar que o seu enredo

  1. A)é favorável à ideia da democracia racial na formação da sociedade brasileira.
  1. B)oportuniza debates sobre a exclusão racial, a exclusão de gênero e a exclusão de classe na sociedade brasileira.
  2. C)gira em torno da promulgação da Lei Áurea, de 1888, que efetivamente extinguiu a discriminação racial e de classe no Brasil.
  3. D)denuncia o feminismo, pois a característica central da sociedade brasileira se constrói pela igualdade de gêneros.
  4. E)trata de uma sociedade inventada, pois a relação passado e presente em toda obra não dialoga com a formação social do Brasil.

Q6oficial · Vestibular UFGD 2026
Herculano Marcos Inglês de Sousa nasceu em Óbidos em dezembro de 1853 e faleceu no Rio de Janeiro em 1918. [...] Como literato, escreveu cinco livros, notabilizando-se como introdutor do Naturalismo no Brasil com uma obra ímpar voltada para a realidade amazônica. [...] Contos Amazônicos (1893), último livro de Inglês de Sousa, reúne nove narrativas curtas: ‘O Voluntário’, ‘A feiticeira’, ‘Amor de Maria’, ‘Acauã’, ‘O donativo do capitão Silvestre’, ‘O gado do valha-me Deus’, ‘O baile do judeu’, ‘A quadrilha de Jacó Patacho’ e ‘O rebelde’. Essas narrativas pertencem ao Naturalismo que possui como características: a preocupação em retratar detalhadamente uma região, a narrativa em primeira pessoa, a presença de mitos e lendas que convivem com um realismo ou mesmo com um cientificismo na obra. CORRÊA, Dinalva da Silva; RODRIGUES, Denise de Souza Simões. A simbologia do olhar n’os Contos amazônicos de Inglês de Sousa. Revista Sentidos da Cultura. Universidade do Estado do Pará (UEPA), Belém, v. 7, n.13, jul./dez., 2020. Disponível em: <https:// periodicos.uepa.br/index.php/sentidos/article/view/3484/1919>. Acesso em: 17 jun. 2025 (adaptado). SOUZA, Inglês de. Contos amazônicos. Coleção acervo brasileiro, v. 1. 2 ed. Jundiaí: Cadernos do mundo inteiro, 2018. Disponível em: <https://cadernosdomundointeiro.com.br/livro-contos-amazonicos.php>. Acesso em: 17 jun. 2025. Sobre o livro Contos Amazônicos, de Inglês de Souza, é correto afirmar que

  1. A)crenças populares e práticas místicas de comunidades indígenas e ribeirinhas são retratadas de forma documental, apresentando rituais de passagens em detalhes, como é retratado em “O voluntário”. No conto, o personagem Pedro, de 19 anos, morador de Alenquer, é recrutado compulsoriamente como “voluntário da pátria”, após a notícia da declaração de paz entre o Brasil e o Paraguai.
  1. B)os conflitos familiares são um tema recorrente nos contos, como em “Amor de Maria”, que relata a rivalidade entre os irmãos Mariquinha e Lourenço. Os dois se apaixonam pela mesma pessoa, a feiticeira Lucinda. O desaparecimento misterioso dos jovens, após ingerirem um café com tajá (um infalível elixir amoroso e um dos mais terríveis venenos do Amazonas) insere elementos místicos na trama, unindo drama afetivo e crenças populares.
  2. C)o conto de terror “O gado do Valha-me Deus” resgata os diários de Padre Geraldo, que deixou sua fazenda como herança para Amaro Pais e Chico Pitanga. No testamento, impôs uma condição inusitada: os herdeiros deveriam passar 15 anos sem consumir carne e, depois, conduzir o rebanho à misteriosa Serra do Valha-me Deus. Caso desobedecessem, o sacerdote prometia retornar do além, ameaça que, de forma sobrenatural, acaba se concretizando.
  3. D)a oralidade é uma das marcas da obra, uma vez que os contos reproduzem “causos” de diferentes narradores. As lendas são incorporadas à ficção, sendo um reflexo das superstições regionais, como acontece em “Acauã”, que, com suspense e terror, apresenta o mito da ave agourenta. Traz como pano de fundo a relação de Aninha e Vitória, sua irmã adotiva, que foi misteriosamente encontrada na mata por seu pai, o velho caçador Jerônimo Ferreira.
  4. E)“O Baile do Judeu” explora o lado místico com um tom humorístico ao revisitar o mito do boto. Lulu Valente, um homem sedutor e galante surge na festa. Mariquinha, a anfitriã, fica encantada. Ao som da Varsoviana, os dois cruzam o salão até que, num desfecho inesperado, ela o conduz até a beira do penhasco. Em um súbito impulso, a mulher lança o jovem pela ribanceira, fazendo-o desaparecer nas águas cristalinas do rio Amazonas.

Q7oficial · Vestibular UFMS 2026
Leia o trecho a seguir. Sonsos os dois homens, vindos da capital. Quem para eles me chamou, foi o seo Priscílio, subdelegado. Me disse: — “Reivalino Belarmino, estes aqui são de autoridade, por ponto de confiança.” E os de fora, me pegando à parte, puxaram por mim, às muitas perguntas. Tudo, para tirar tradição do homem, queriam saber, em pautas ninharias. Tolerei que sim; mas nada não fornecendo. Quem sou eu, quati, para cachorro me latir? Só cismei escrúpulos, pelas más caras desses, sujeitos embuçados, salafrados também. Mas, me pagaram, o bom quanto. O principal deles dois, o de mão no queixo, me encarregou: que, meu patrão, sendo homem muito perigoso, se ele vivia mesmo sozinho? E que eu reparasse, na primeira ocasião, se ele não tinha numa perna, em baixo, sinal velho de coleira, argolão de ferro, de criminoso fugido de prisão. Pois sim, piei prometi. (ROSA, João Guimarães. O cavalo que bebia cerveja. In: ________. Primeiras Estórias. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1988. p. 85) Sobre Primeiras Estórias, de João Guimarães Rosa, é correto afirmar que:

  1. A)é uma compilação de crônicas que retratam, de forma criativa e inovadora, a infância e a velhice na zona rural.
  1. B)é um romance com críticas acerca da linguagem rebuscada dos escritores parnasianos.
  2. C)é uma coletânea de contos com temas únicos, retratando as alegrias e os dramas presentes na região dos pampas.
  3. D)é um folhetim, dividido em capítulos, no qual a realidade do sertão é retratada através da padronização da fala das personagens, independentemente da origem social.
  4. E)é uma antologia de narrativas, na qual há exploração da sonoridade das palavras e da riqueza cultural do sertão.

Q8oficial · Vestibular Fuvest 2026
Mwando está embasbacado com a descoberta do insólito do mundo. Como o Adão no Paraíso, a voz da serpente sugeriu-lhe a maçã, que lhe arrancou brutalmente a venda de todos os mistérios. Sim, escutou os lábios de uma mulher pronunciando em sussurros o seu nome, despertando-o do ventre fecundo da inocência. Mwando nasceu. Sente o coração a bater com força, mesmo à maneira do primeiro amor. (...) Procurou o refúgio do quarto e fechou-se. Estava transtornado. Sentia a sua devoção abalada pela paixão. Não conseguia fugir às tramas da serpente, a Sarnau arrastava-o cada vez mais para o abismo. Paulina Chiziane. Balada de amor ao vento. Considerando a intertextualidade bíblica presente no excerto de Balada de amor ao vento, a experiência de Mwando é caracterizada

  1. A)por uma decepção com o mundo, causada pela perda da fé e pela compreensão da fragilidade das relações humanas, o que o levou a um isolamento resignado.
  1. B)pelo despertar sexual e pelo conhecimento, que rompem com um estado de inocência anterior, resultando em uma perturbação emocional e um conflito interior.
  2. C)pela superação de um trauma passado, sendo que a figura da cobra é o símbolo do obstáculo que foi vencido e que o conduz a um novo estágio de maturidade e paz.
  3. D)por um processo de profunda introspecção, no qual o amor é um caminho para a autodescoberta e transcendência espiritual, apesar das dificuldades iniciais.
  4. E)pela busca por um novo tipo de devoção religiosa, tendo a figura feminina como fonte de inspiração que o afasta ainda mais dos preceitos tradicionais e o aproxima de um paraíso utópico.

Q9oficial · Vestibular UFMS 2026
Assinale a alternativa que contém o comentário correto sobre a obra ou o texto que menciona.

  1. A)Num momento raro de continuidade entre Romantismo e Realismo, o clímax do conto machadiano “Luís Soares”, em Contos fluminenses, é a regeneração do protagonista, articulada como recompensa por sua transformação: de preconceituoso, avesso ao trabalho e ao casamento, Luís Soares passa a ser um sujeito trabalhador, marido fiel e respeitoso para com os escravos.
  1. B)O conto “O espelho”, de Primeiras estórias, é narrado em terceira pessoa, representando o pensamento confuso daquele que vê um outro, e não um eu, na imagem refletida. Tal estratégia relaciona-se ao fato de todos os seus “interlocutores” fazerem parte, como personagens, da história que ele conta.
  2. C)Em Úrsula, a morte da protagonista é diretamente decorrente de abusos machistas e patriarcais praticados contra ela; quanto aos negros, que ela sempre defendeu, conhecem um final feliz: recebem a alforria e libertam-se definitivamente das marcas físicas e psicológicas da escravidão.
  3. D)Em Água funda, é concedida voz a um sujeito masculino do início do século XX, que, ao afirmar “Mulher, pelo coração, a gente leva para onde quer” (p. 21), assume e propaga o discurso da racionalidade do homem e do sentimentalismo da mulher.
  4. E)Na obra I-Juca Pirama, predominam estruturas e temas do gênero épico, mobilizados por um narrador-protagonista. Os versos são todos decassílabos, imitando a trajetória heroica do indígena da etnia Timbira.

5.7 Gabarito comentado

P1inédita · pré-testeResposta: A

Conceito: O Realismo examina criticamente as relações sociais e as contradições das personagens.
Raciocínio: A personagem afirma ter virtudes, mas age para controlar a esposa. O contraste entre discurso e prática permite ironizar a hipocrisia e questionar as convenções que sustentam esse poder.
Por que as outras estão erradas:
  • B: A idealização heroica e a solução edificante aproximam a opção de um modelo romântico, não da crítica proposta.
  • C: O determinismo hereditário é uma ênfase naturalista e não explica, por si só, o exame realista das convenções sociais.
  • D: A intervenção sobrenatural desloca o conflito para o fantástico e não corresponde ao procedimento de crítica social descrito.
  • E: A alternativa reduz a narrativa à paisagem e ignora o exame psicológico e social central no caso apresentado.
Pegadinha: Não confunda personagens realistas com personagens sem contradições: a incoerência pode ser justamente objeto da crítica.
Base: Referência literária: prosa realista brasileira do século XIX, especialmente a ficção de Machado de Assis; conceito de ironia narrativa e crítica dos costumes.
Questão irmã: Que recurso pode revelar a distância entre o que uma personagem declara e o que efetivamente faz? Gabarito: A ironia, que evidencia a contradição entre discurso e comportamento.

P2inédita · pré-testeResposta: C

Conceito: A leitura crítica relaciona literatura, contexto histórico e questões de identidade e direitos sem apagar a forma estética.
Raciocínio: A desigualdade aparece nas experiências das personagens e pode ser interpretada em seu contexto. Uma leitura equilibrada também observa voz narrativa, linguagem e composição, sem transformar ficção em simples documento.
Por que as outras estão erradas:
  • A: A forma literária não impede a interpretação das relações sociais; separar totalmente contexto e obra empobrece a análise.
  • B: A alternativa naturaliza a desigualdade e elimina justamente a dimensão histórica proposta no enunciado.
  • D: A representação de um tema não prova automaticamente a intenção política explícita do autor; é preciso analisar a obra.
  • E: A verificação histórica pode ser pertinente, mas não substitui a análise da construção literária.
Pegadinha: Reconhecer uma questão social na obra não autoriza ignorar sua linguagem nem presumir a intenção autoral.
Base: Leitura contextual e formal de obras literárias; contexto cultural e direitos humanos (ensino médio).
Questão irmã: Como evitar reduzir um romance que aborda racismo a um mero documento histórico? Gabarito: Interpretar o contexto social junto com a linguagem, a perspectiva narrativa e a composição da obra.

P3inédita · pré-testeResposta: B

Conceito: O canto dramático articula o dever filial do guerreiro ao código de honra que orienta o julgamento do pai.
Raciocínio: O prisioneiro teme deixar sozinho o pai, velho e cego, e pede para voltar a servi-lo. Ao saber que ele suplicou, o pai interpreta o gesto como desonra e o rejeita; o filho retorna ao combate para provar seu valor.
Por que as outras estão erradas:
  • A: O motivo não é uma fuga para salvar companheiros, e o pai não celebra a súplica; ele a considera incompatível com a honra guerreira.
  • C: O pedido é para cuidar do pai, não para libertá-lo nem trocar prisioneiros; isso altera o núcleo do conflito filial.
  • D: O guerreiro não solicita integrar-se aos vencedores; sua preocupação é o pai, e a censura paterna recai sobre a súplica.
  • E: A razão do pedido não é recuperar armas nem corrigir uma estratégia; o conflito opõe cuidado filial e honra guerreira.
Pegadinha: O pedido não nasce de medo da morte: decorre da preocupação com o pai, embora este o interprete como fraqueza.
Base: Gonçalves Dias, I-Juca-Pirama, cantos VIII a X.
Questão irmã: Por que o pai rejeita inicialmente o filho que retorna? Gabarito: Porque entende que a súplica do filho para cuidar dele comprometeu a honra guerreira.

F1inéditaResposta: D

Conceito: O Naturalismo frequentemente examina a influência do meio e das condições materiais sobre as personagens.
Raciocínio: O enunciado associa comportamento a trabalho, alimentação e ambiente. Essa observação de condicionamentos físicos e sociais é compatível com o enfoque naturalista, mas não significa que toda personagem seja explicável por uma causa única.
Por que as outras estão erradas:
  • A: O sobrenatural não explica o vínculo material e social construído no enunciado e não caracteriza o enfoque naturalista proposto.
  • B: A idealização heroica neutraliza os condicionamentos observados e se afasta da análise naturalista.
  • C: A explicação exclusivamente voluntarista ignora justamente a relação entre meio e comportamento indicada no texto.
  • E: A paisagem não é mero ornamento no caso apresentado, e musicalidade exclusiva não define o Naturalismo.
Pegadinha: O determinismo é uma tendência do Naturalismo, não uma licença para reduzir toda personagem a uma causa mecânica única.
Base: Naturalismo brasileiro, com destaque para O cortiço, de Aluísio Azevedo (Literatura, ensino médio).
Questão irmã: Que relação entre personagem e ambiente pode ser examinada em uma narrativa naturalista? Gabarito: Como as condições materiais e sociais do meio influenciam comportamentos e conflitos.

F2inéditaResposta: B

Conceito: O Parnasianismo valoriza o apuro formal, a precisão vocabular e a elaboração do poema.
Raciocínio: O enunciado destaca construção rigorosa e precisão, além de afastar o tom confessional. Esses elementos apontam para a atenção parnasiana à forma, frequentemente associada ao ideal de composição cuidadosa.
Por que as outras estão erradas:
  • A: A espontaneidade e a desarticulação proposital contradizem o trabalho formal explicitado no enunciado.
  • C: A sugestão musical e o estado de alma indefinido são marcas mais associadas ao Simbolismo.
  • D: A observação experimental e o determinismo social aproximam a descrição do Naturalismo, não do Parnasianismo.
  • E: Colagem e ruptura de formas tradicionais remetem a procedimentos de vanguarda, não ao rigor formal parnasiano.
Pegadinha: A presença de imagens não basta para classificar um poema: observe o princípio dominante, aqui o rigor de composição.
Base: Parnasianismo brasileiro, especialmente a poética de Olavo Bilac (Literatura, ensino médio).
Questão irmã: Qual aspecto formal ajuda a reconhecer uma orientação parnasiana? Gabarito: O cuidado rigoroso com a composição e a precisão vocabular.

F3inéditaResposta: A

Conceito: A Semana de 1922 foi um marco de visibilidade para a renovação modernista, não um acontecimento isolado que resolveu a cultura brasileira.
Raciocínio: A Semana reuniu manifestações de ruptura e debate, num processo mais amplo de renovação. Reconhecê-la como marco não implica afirmar consenso imediato, uniformidade nacional ou desaparecimento das tensões culturais.
Por que as outras estão erradas:
  • B: O evento provocou debate e resistência; não estabeleceu aceitação imediata nem uma estética única e consensual.
  • C: A proposta de renovação não restaurou a norma acadêmica nem excluiu a discussão sobre identidade cultural.
  • D: As vanguardas europeias antecedem 1922; além disso, o modernismo brasileiro não foi simples cópia de um programa uniforme.
  • E: Um evento artístico não extinguiu desigualdades sociais nem homogeneizou a produção nacional.
Pegadinha: Marco histórico não significa origem absoluta, unanimidade ou transformação instantânea de toda a sociedade.
Base: Semana de Arte Moderna, realizada em São Paulo em fevereiro de 1922 (Literatura, ensino médio).
Questão irmã: Como descrever a importância da Semana de 1922 sem exagerar seu alcance? Gabarito: Como marco de divulgação de propostas renovadoras dentro de um processo cultural mais amplo e conflituoso.

F4inéditaResposta: E

Conceito: Úrsula constrói uma crítica à escravidão ao conceder voz e interioridade a personagens negras escravizadas.
Raciocínio: A narrativa de Susana recupera a captura e a travessia sob o ponto de vista de quem sofreu a violência. Essa voz torna visíveis memória, perda e humanidade, em vez de legitimar o cativeiro.
Por que as outras estão erradas:
  • A: A fala de Susana confere peso narrativo à experiência da escravização, contrariando a ideia de tema sem voz própria.
  • B: A personagem denuncia a violência da escravidão; não a apresenta como instituição legítima ou paternalista.
  • C: A memória da travessia é narrada e amplia o foco para além do romance sentimental dos protagonistas.
  • D: A captura e a travessia são apresentadas como violência, não como escolha voluntária sem consequências.
Pegadinha: Não confunda a presença de uma personagem escravizada com a representação passiva: sua voz altera a perspectiva do romance.
Base: Maria Firmina dos Reis, Úrsula (1859), especialmente o relato de Susana sobre a captura e a travessia atlântica.
Questão irmã: Que aspecto de Úrsula contribui para sua crítica à escravidão? Gabarito: A narração da experiência por personagens negras, com memória, voz e interioridade próprias.

F5inéditaResposta: C

Conceito: O conto de Guimarães Rosa preserva a ambiguidade do gesto paterno e explora seus efeitos sobre a família e o narrador.
Raciocínio: O pai parte para o rio, mas não explica sua decisão nem rompe totalmente o contato com a margem. Como a narrativa não oferece uma causa conclusiva, o episódio permanece enigmático e mobiliza a interpretação.
Por que as outras estão erradas:
  • A: O conto não descreve uma viagem comercial com finalidade objetiva; o gesto não recebe explicação prática conclusiva.
  • B: O pai não assume um cargo público nem se instala na cidade; permanece no rio, em situação singular.
  • D: A família não realiza uma fuga coletiva e o conto não apresenta perseguição policial como causa da partida.
  • E: O pai não profere uma explicação religiosa explícita, e o narrador tampouco confirma uma conversão.
Pegadinha: Evite fechar o sentido simbólico como se o conto declarasse uma causa única para a decisão do pai.
Base: João Guimarães Rosa, “A terceira margem do rio”, em Primeiras estórias (1962).
Questão irmã: O conto esclarece definitivamente por que o pai permanece no rio? Gabarito: Não. A ausência de explicação conclusiva mantém o gesto enigmático.

Q1oficialResposta: A

Conceito: A intertextualidade entre poema e pintura pode articular símbolos religiosos a uma crítica social sobre a experiência das mulheres.
Raciocínio: O poema enumera a cruz, a obrigação de suportar o sofrimento e a associação da mulher ao dragão, à serpente e à maçã. Esses elementos evocam culpa e provações atribuídas à mulher. A alternativa A interpreta essa carga como construída e agravada por concepções religiosas e sociais. A pintura traz essa leitura: uma figura nua junto a uma cruz, um dragão alado sobre outra figura nua e uma caveira no chão.
Por que as outras estão erradas:
  • B: A alternativa B transforma a cruz em símbolo apenas triunfal e elimina a crítica de gênero, contrariando o tom de resignação questionada no poema.
  • C: A alternativa C nega a relação entre os símbolos e a tradição que associa a mulher ao pecado; a serpente e a maçã tornam essa leitura pertinente.
  • D: A alternativa D atribui ao dragão uma força espiritual emancipadora sem apoio no texto, que o inclui entre os obstáculos do caminho feminino.
  • E: A alternativa E iguala os sacrifícios de homens e mulheres, embora o poema destaque especificamente os encargos impostos à mulher.
Pegadinha: Não confunda a presença de símbolos religiosos com uma defesa da submissão: eles podem ser mobilizados criticamente.
Base: Raquel Naveira, “Confissões de uma monja”, em Fiandeira (1992); intertexto com Alegoria, de Lídia Baís.
Questão irmã: Um poema associa a mulher à culpa ancestral e a uma cruz que ela deve suportar. Que leitura crítica essa imagem permite? Gabarito: A imagem pode denunciar a naturalização social e religiosa do sofrimento feminino.

Fonte: Vestibular UFMS (2026) — prova em ingresso.ufms.br

Q2oficialResposta: D

Conceito: A literatura pós-apartheid pode expor os efeitos duradouros da segregação na educação e os dilemas de sua reparação.
Raciocínio: O trecho mostra que o acesso formal à universidade não elimina as desigualdades de preparação escolar. Os personagens discutem se aulas de reforço e ajustes de admissão conseguem compensar uma educação básica deficiente. A alternativa D capta essas dúvidas diante de desigualdades herdadas do apartheid, sem afirmar que a segregação legal continua em vigor.
Por que as outras estão erradas:
  • A: A alternativa A situa o romance durante o apartheid e afirma exclusão total das universidades, mas o trecho fala de acesso aberto e de desafios posteriores.
  • B: A alternativa B inventa uma segregação constitucional das mulheres que não é indicada no excerto.
  • C: A alternativa C chama de eficazes estratégias que o texto apresenta como insuficientes e controversas, além de deslocar a discussão para a época do apartheid.
  • E: A alternativa E afirma consenso e sucesso, enquanto o diálogo revela desacordo e incerteza sobre os resultados da inclusão.
Pegadinha: O acesso formal não equivale à igualdade de oportunidades nem apaga os efeitos históricos da educação desigual.
Base: Nadine Gordimer, O melhor tempo é o tempo presente (2014), trecho citado no enunciado.
Questão irmã: Em um romance pós-apartheid, estudantes entram na universidade, mas chegam com lacunas escolares profundas. Que problema está em foco? Gabarito: A persistência de desigualdades educacionais e a incerteza sobre como repará-las.

Fonte: Vestibular Fuvest (2024) — prova em fuvest.br

Q3oficialResposta: D

Conceito: A trajetória de Augusto Matraga combina violência, conversão moral e busca de redenção, culminando no confronto com Joãozinho Bem-Bem.
Raciocínio: O fragmento mostra uma etapa de recolhimento e entrega de Augusto, que deixa o jumento escolher o caminho e reza enquanto espera. A alternativa D descreve o arco completo do conto: os desafios da transformação moral desembocam no combate a Joãozinho Bem-Bem, no qual Augusto morre após intervir em defesa de uma família. A morte funciona como culminação de sua escolha ética e religiosa.
Por que as outras estão erradas:
  • A: A alternativa A atribui a Augusto uma missão de recuperar a honra do pai, motivação que não corresponde ao eixo de sua trajetória no conto.
  • B: A alternativa B reduz o trecho a uma personalidade cristã estável desde a infância; a narrativa apresenta uma transformação após uma vida de violência e queda.
  • C: A alternativa C inventa educação na capital e uma preferência de patrão, além de interpretar a fala como serenidade senhorial.
  • E: A alternativa E converte a escolha narrativa do jumento em poder mágico ou previsão do futuro. O trecho não estabelece essa capacidade sobrenatural.
Pegadinha: A morte final não representa fracasso da conversão: o desfecho enfatiza o sacrifício e a redenção do protagonista.
Base: João Guimarães Rosa, “A hora e a vez de Augusto Matraga”, em Sagarana (1946).
Questão irmã: No desfecho de “A hora e a vez de Augusto Matraga”, qual é o sentido da luta contra Joãozinho Bem-Bem? Gabarito: Ela culmina a transformação moral de Augusto, que se sacrifica para proteger os indefesos.

Fonte: Vestibular UFGD (2018) — prova em files.ufgd.edu.br

Q4oficialResposta: C

Conceito: A narrativa de Conceição Evaristo recupera as continuidades da escravidão e a disputa pela memória e pela riqueza produzida por pessoas negras.
Raciocínio: O texto informa que o sobrenome Paranhos foi herdado do período escravista e é mantido pela família negra como enfrentamento. A afirmação de que parte da fortuna branca pertencia aos negros evidencia um vínculo desigual e uma reivindicação de reconhecimento da contribuição deles. Isso corresponde à alternativa C.
Por que as outras estão erradas:
  • A: A alternativa A atribui a ascensão a programas de ajuda e a decadência branca à crise do café, fatos ausentes do excerto.
  • B: A alternativa B desloca a questão para instituições monárquicas e ainda inverte a relação de dominação indicada no texto.
  • D: A alternativa D apresenta a relação como projeto harmonioso e rivalidade pessoal, apagando a desigualdade histórica e econômica descrita.
  • E: A alternativa E restringe o vínculo à dependência financeira e acrescenta uma valorização da miscigenação que o excerto não aborda.
Pegadinha: O sobrenome compartilhado não sinaliza igualdade entre os grupos; torna visível uma história comum marcada por apropriação e desigualdade.
Base: Conceição Evaristo, Canção para ninar menino grande, excerto citado no enunciado.
Questão irmã: Uma família negra mantém o sobrenome herdado dos antigos senhores como forma de reivindicar a riqueza que ajudou a produzir. Que tema está em jogo? Gabarito: A permanência de uma relação desigual originada na escravidão e a disputa por memória e reconhecimento.

Fonte: Vestibular Fuvest (2026) — prova em fuvest.br

Q5oficialResposta: B

Conceito: Ponciá Vicêncio explora a persistência do legado escravista e as formas articuladas de exclusão racial, de gênero e de classe.
Raciocínio: O enunciado já destaca as marcas do passado escravocrata no presente. O romance acompanha uma mulher negra e as condições sociais que limitam sua vida e a de sua família. Por isso, a alternativa B identifica corretamente o potencial da obra para discutir exclusões raciais, de gênero e de classe.
Por que as outras estão erradas:
  • A: A alternativa A defende uma democracia racial que a obra problematiza ao expor desigualdades persistentes.
  • C: A alternativa C confunde o contexto histórico com o enredo e afirma falsamente que a abolição extinguiu discriminações raciais e de classe.
  • D: A alternativa D deturpa a crítica social da obra e afirma uma igualdade de gênero que não corresponde às tensões narradas.
  • E: A alternativa E trata a narrativa como desligada da história brasileira, embora o enunciado ressalte justamente a relação entre passado e presente.
Pegadinha: A abolição legal da escravidão não significou o fim das estruturas sociais e raciais formadas durante a escravidão.
Base: Conceição Evaristo, Ponciá Vicêncio (2003).
Questão irmã: Que dimensões de desigualdade se cruzam na trajetória narrada em Ponciá Vicêncio? Gabarito: As exclusões racial, de gênero e de classe, relacionadas à permanência do legado escravista.

Fonte: Vestibular UFGD (2020) — prova em files.ufgd.edu.br

Q6oficialResposta: D

Conceito: Contos Amazônicos combina ambientação regional, oralidade e crenças populares, como exemplifica a narrativa de “Acauã”.
Raciocínio: A alternativa D reconhece a presença de narradores e de formas próximas ao causo, além de lendas e superstições regionais. Em “Acauã”, o imaginário da ave agourenta integra uma narrativa de suspense; Aninha e Vitória são ligadas pelo episódio do encontro misterioso na mata por Jerônimo Ferreira. Esses elementos sustentam o gabarito.
Por que as outras estão erradas:
  • A: A alternativa A situa o recrutamento de Pedro após a declaração de paz, invertendo a lógica histórica do voluntariado para a Guerra do Paraguai e atribuindo ao conto detalhes incompatíveis.
  • B: A alternativa B troca personagens e enredo de “Amor de Maria”; a descrição de irmãos apaixonados pela feiticeira e do café com tajá não corresponde ao conto.
  • C: A alternativa C inventa um testamento, prazo de quinze anos e a promessa sobrenatural do padre, elementos que não descrevem “O gado do Valha-me Deus”.
  • E: A alternativa E mistura o mito do boto com personagens e desfecho alheios a “O baile do judeu”; não é Mariquinha quem lança Lulu de uma ribanceira.
Pegadinha: As alternativas erradas inserem nomes e motivos amazônicos plausíveis, mas alteram os enredos específicos dos contos.
Base: Inglês de Sousa, Contos Amazônicos (1893), especialmente “Acauã”; referência bibliográfica: edição citada no enunciado.
Questão irmã: Em “Acauã”, que papel exercem a ave agourenta e as crenças locais? Gabarito: Elas incorporam o imaginário popular regional à narrativa de suspense e terror.

Fonte: Vestibular UFGD (2026) — prova em files.ufgd.edu.br

Q7oficialResposta: E

Conceito: Primeiras estórias é uma coletânea de narrativas breves em que Guimarães Rosa explora a linguagem, a oralidade e o universo sertanejo.
Raciocínio: O trecho pertence a “O cavalo que bebia cerveja” e evidencia a elaboração sonora e inventiva da fala de Reivalino, com expressões como “Quem sou eu, quati, para cachorro me latir?”. A alternativa E caracteriza adequadamente o livro como antologia de narrativas que explora a sonoridade verbal e a cultura do sertão.
Por que as outras estão erradas:
  • A: A alternativa A classifica o livro como crônicas, não como narrativas ficcionais, e restringe seus temas à infância e à velhice.
  • B: A alternativa B chama a obra de romance e atribui-lhe uma crítica ao Parnasianismo sem relação com o trecho.
  • C: A alternativa C erra ao situar o espaço nos pampas e ao afirmar que a coletânea tem temas únicos.
  • D: A alternativa D classifica o livro como folhetim e diz que padroniza as falas, quando Rosa explora variações e invenções linguísticas.
Pegadinha: A invenção linguística não padroniza a fala: ela recria vozes e modos de expressão ligados ao universo narrado.
Base: João Guimarães Rosa, Primeiras estórias (1962), especialmente “O cavalo que bebia cerveja”.
Questão irmã: Como se caracteriza a linguagem de Primeiras estórias diante das vozes sertanejas? Gabarito: Por sua exploração sonora e inventiva, ligada à riqueza cultural e oral do sertão.

Fonte: Vestibular UFMS (2026) — prova em ingresso.ufms.br

Q8oficialResposta: B

Conceito: A referência a Adão, à serpente e à maçã reelabora o mito bíblico para representar o despertar amoroso e a perda da inocência.
Raciocínio: Mwando é comparado a Adão antes de conhecer o desejo; a voz de Sarnau funciona como convite à maçã e rompe a “venda” dos mistérios. O texto registra paixão, devoção abalada, perturbação e sensação de ser arrastado para um abismo. A alternativa B reúne o despertar do desejo e do conhecimento com o conflito interior resultante.
Por que as outras estão erradas:
  • A: A alternativa A reduz a experiência a decepção e perda definitiva da fé; o excerto enfatiza o despertar do desejo e a confusão emocional.
  • C: A alternativa C afirma superação e paz, mas Mwando aparece transtornado, sem que a serpente seja um obstáculo já vencido.
  • D: A alternativa D interpreta o amor como caminho de transcendência espiritual, enquanto a passagem destaca a tensão entre paixão e devoção.
  • E: A alternativa E descreve uma nova devoção e um paraíso utópico, ideias que não se sustentam no abalo e no conflito expressos pelo personagem.
Pegadinha: A alusão à queda bíblica não indica apenas condenação: no contexto, marca a passagem da inocência ao conhecimento do desejo.
Base: Paulina Chiziane, Balada de amor ao vento, excerto citado no enunciado; intertexto com Gênesis, capítulos 2–3.
Questão irmã: Ao comparar Mwando a Adão diante da serpente e da maçã, que mudança a narrativa representa? Gabarito: A passagem da inocência ao despertar do desejo e do conhecimento, acompanhada de conflito interior.

Fonte: Vestibular Fuvest (2026) — prova em fuvest.br

Q9oficialResposta: D

Conceito: Água funda expõe discursos patriarcais e preconceitos por meio das vozes e relações sociais construídas na narrativa.
Raciocínio: A fala citada — “Mulher, pelo coração, a gente leva para onde quer” — atribui ao homem poder de conduzir a mulher e associa esta ao domínio do sentimento. A alternativa D identifica corretamente o sujeito masculino e a reprodução do contraste entre racionalidade masculina e sentimentalismo feminino. É justamente a apresentação desse discurso que permite analisá-lo criticamente.
Por que as outras estão erradas:
  • A: A alternativa A descreve incorretamente a regeneração de Luís Soares e o apresenta como respeitoso com os escravizados, o que não é o desfecho do conto.
  • B: Erra ao classificar “O espelho”, de Primeiras estórias, como narrado em terceira pessoa.
  • C: A alternativa C afirma que os personagens negros de Úrsula obtêm final feliz e libertação definitiva das marcas da escravidão, o que não corresponde ao romance.
  • E: A alternativa E erra ao afirmar que o poema épico é narrado por protagonista e que todos os versos são decassílabos; sua métrica é variada.
Pegadinha: Identificar a presença de um discurso machista não significa endossá-lo: a questão pede reconhecer a voz e o preconceito representados.
Base: Ruth Guimarães, Água funda (1946), passagem citada no enunciado; para comparação: Machado de Assis, “Luís Soares”, em Contos fluminenses; João Guimarães Rosa, “O espelho”, em Primeiras estórias; Maria Firmina dos Reis, Úrsula; Gonçalves Dias, I-Juca-Pirama.
Questão irmã: Uma personagem masculina afirma que pode conduzir a mulher pelo coração. Que concepção de gênero essa fala reproduz? Gabarito: O estereótipo patriarcal que associa o homem à razão e ao controle, e a mulher ao sentimento.

Fonte: Vestibular UFMS (2026) — prova em ingresso.ufms.br

5.8 Revisão relâmpago e mapa de revisão

  • Realismo privilegia crítica social e análise psicológica; ironia pode tornar o narrador pouco confiável.
  • Naturalismo destaca condicionamentos, mas descrição regional isolada não basta para classificá-lo.
  • Parnasianismo valoriza elaboração formal; Simbolismo explora sugestão e musicalidade.
  • Pré-Modernismo reúne tendências diversas e expõe conflitos do país.
  • A Semana de 1922 é marco simbólico, não origem isolada de todo o Modernismo.
  • A literatura contemporânea pode articular memória, identidade e desigualdades sem abandonar a forma estética.
  • Ponciá Vicêncio permite discutir exclusões raciais, de gênero e de classe.
  • A fiandeira apresenta metatextos em prosa que esclarecem a gênese dos poemas.
  • A hora e a vez de Augusto Matraga integra Sagarana, não Primeiras estórias.

Mapa de revisão

Reveja este capítulo em 1, 7 e 30 dias.

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