Literatura Brasileira · Capítulo 3
Movimentos e autores da literatura brasileiraObras de leitura obrigatória: romances, contos e memóriasSecos e Molhados: música, contexto e estética
Itens do edital:
- 4. Além de conhecimentos acerca da Literatura Brasileira e de seus autores mais expressivos, pretendese verificar a leitura e a compreensão das obras e autores sugeridos abaixo.
- 5. Obras de leitura obrigatória: Primeiro de abril: narrativas da cadeia (memória autobiográfica, 1994), de Salim Miguel; Vésperas (contos, 2002), de Adriana Lunardi; O irmão alemão (romance, 2014), de Chico Buarque; Eu sou Macuxi e outras histórias (ficção literária, 2019), de Julie Dorrico; Clara dos Anjos (romance, 1948), de Lima Barreto; A paixão segundo G. H. (romance, 1964), de Clarice Lispector;
- 6. Secos e Molhados (álbum, 1973), do grupo Secos e Molhados. Pede-se o contexto histórico, social, cultural e estético de cada obra e a análise de textos e áudios (álbum).
3.1 Pré-teste
Responda antes de ler a teoria. O gabarito está no fim do capítulo.
P1inédita
Sobre autores e obras da literatura brasileira, assinale o que for correto.
- 01)Triste fim de Policarpo Quaresma, de Lima Barreto, foi publicado em livro em 1915.
- 02)Machado de Assis é o principal nome do Modernismo de 1922.
- 04)Carolina Maria de Jesus publicou Quarto de despejo em 1960.
- 08)A Semana de Arte Moderna ocorreu em 1890.
- 16)Clarice Lispector é autora do romance A paixão segundo G.H.
Soma das corretas: ( )( )
P2inédita
Sobre A paixão segundo G.H., de Clarice Lispector, assinale o que for correto.
- 01)A paixão segundo G.H. é narrado em primeira pessoa por uma mulher que relata sua experiência interior.
- 02)Na obra, o narrador é um observador externo que descreve, em terceira pessoa, a vida de várias personagens.
- 04)O romance foi publicado em 1974, período da ditadura militar brasileira.
- 08)Clara dos Anjos, de Lima Barreto, é um romance de 1964 escrito por Clarice Lispector.
- 16)A personagem central de A paixão segundo G.H. é um homem que vive em Recife.
Soma das corretas: ( )( )
P3inédita
Sobre o grupo Secos & Molhados e a leitura de um álbum musical, assinale o que for correto.
- 01)O álbum Secos & Molhados foi lançado em 1964, ano do golpe militar.
- 02)Secos & Molhados é um grupo musical brasileiro da década de 1970.
- 04)A análise de um álbum envolve observar, em conjunto, a letra, a melodia e o contexto histórico.
- 08)Secos & Molhados é um conjunto de poetas modernistas da década de 1920.
Soma das corretas: ( )( )
3.2 O que cai
- 4. Além de conhecimentos acerca da Literatura Brasileira e de seus autores mais expressivos, pretendese verificar a leitura e a compreensão das obras e autores sugeridos abaixo: 39 questões da banca, 2015–2026
- 5. Obras de leitura obrigatória: Primeiro de abril: narrativas da cadeia (memória autobiográfica, 1994), de Salim Miguel; Vésperas (contos, 2002), de Adriana Lunardi; O irmão alemão (romance, 2014), de Chico Buarque; Eu sou Macuxi e outras histórias (ficção literária, 2019), de Julie Dorrico; Clara dos Anjos (romance, 1948), de Lima Barreto; A paixão segundo G. H. (romance, 1964), de Clarice Lispector: nenhuma questão da banca vinculada a este item
- 6. Secos e Molhados (álbum, 1973), do grupo Secos e Molhados. Pede-se o contexto histórico, social, cultural e estético de cada obra e a análise de textos e áudios (álbum): nenhuma questão da banca vinculada a este item
3.3 Teoria
A prova de Literatura Brasileira cobra o panorama dos movimentos e a leitura das obras indicadas. Saber classificar um texto e explicar sua linguagem vale mais do que decorar nomes. As questões oficiais deste capítulo vêm de provas anteriores da UFSC e tratam de obras que não são as de leitura obrigatória de 2027; servem para treinar a leitura das proposições e os procedimentos de análise literária.
3.3.1 Movimentos e autores da literatura brasileira
A banca quer que você conheça a literatura brasileira em seus momentos principais e reconheça os autores mais expressivos de cada um. Esse conhecimento não é decoreba: ele serve para classificar um texto, explicar uma escolha de linguagem e situar a obra no seu contexto.
Conceito. Um movimento literário é um conjunto de autores que compartilham ideias, temas e formas numa determinada época. Ele não é uma gaveta fechada. Um autor pode escrever depois de um movimento ou dialogar com ele. Por isso, a classificação precisa ser justificada pelo texto.
Regra geral. Ao classificar uma obra, procure três marcas: o tema central, a forma de narrar ou de versificar e a visão de mundo. Se as três apontam para o mesmo movimento, a classificação é segura. Se apontam para movimentos diferentes, a obra provavelmente está numa fase de transição.
| Movimento | Traço central | Nomes e obras |
|---|---|---|
| Barroco | Conflito entre fé e mundo, com linguagem excessiva | Gregório de Matos |
| Arcadismo | Razão e ideal pastoril | Cláudio Manuel da Costa; Tomás Antônio Gonzaga |
| Romantismo | Subjetividade e nacionalismo; em Castro Alves, crítica social | José de Alencar, Iracema; Castro Alves, “O navio negreiro” |
| Realismo | Análise psicológica e observação da sociedade | Machado de Assis, Dom Casmurro |
| Naturalismo | Comportamento explicado por fatores biológicos e sociais | Aluísio Azevedo, O cortiço |
| Modernismo | Ruptura com a forma tradicional e busca de identidade nacional | Mário de Andrade, Macunaíma; Oswald de Andrade |
Exceções que a banca cobra.
- Realismo não é naturalismo. O realismo analisa a psicologia e a sociedade com distanciamento. O naturalismo aplica a ideia de que o meio e a herança determinam o comportamento. Em O cortiço, o ambiente pesa sobre as personagens.
- Romantismo não é só amor. Castro Alves usa o movimento para denunciar a escravidão, e isso não torna o poema realista.
- Modernismo tem fases. A primeira rompe com a forma tradicional; as fases seguintes retomam temas sociais e regionais.
- Barroco tem linguagem ornamentada, com excesso de figuras, jogos de palavras e contrastes. Esse traço formal é o principal indício para classificar um texto desse período.
Casos de prova. A banca costuma pedir a associação entre obra, autor e movimento, e a identificação de traços num trecho. Um poema que faz denúncia social pode ser romântico, se a denúncia é o tema central, e não realista. Quando o enunciado não dá a data, é o traço que decide.
Erro típico. O candidato memoriza nomes e perde a classificação do texto. Ele marca o autor correto e o movimento errado, porque decorou a lista sem ler o trecho. Use a regra geral antes de decidir.
Exemplo resolvido
Veja um caso no estilo da prova.
Proposições: 01) O cortiço, de Aluísio Azevedo, explica as personagens por fatores como meio e herança, traço do naturalismo. 02) Dom Casmurro é romance romântico, pois exalta a natureza e o sentimento idealizado. 04) Gregório de Matos é um dos nomes do Barroco brasileiro.
- Em 01, a proposição descreve o determinismo do naturalismo. Proposição correta.
- Em 02, a obra de Machado de Assis é realista, e a análise psicológica não é exaltação da natureza. Proposição errada.
- Em 04, Gregório de Matos é associado ao Barroco. Proposição correta.
- Soma das corretas: 01 + 04 = 05.
Base legal: Gregório de Matos; Cláudio Manuel da Costa; Tomás Antônio Gonzaga; José de Alencar, Iracema; Castro Alves, O navio negreiro; Machado de Assis, Dom Casmurro; Aluísio Azevedo, O cortiço; Mário de Andrade, Macunaíma; Oswald de Andrade
Linha do tempo
Ordem dos movimentos
Barroco
Conflito entre fé e mundo
Arcadismo
Razão e ideal pastoril
Romantismo
Subjetividade e nacionalismo
Realismo
Análise psicológica e observação social
Modernismo
Ruptura com a forma tradicional
Comparação
Realismo e naturalismo
| Realismo | Naturalismo |
|---|---|
| Análise psicológica e observação da sociedade | Comportamento explicado por fatores biológicos e sociais |
| Observação com distanciamento | Meio e herança determinam o comportamento |
3.3.2 Obras de leitura obrigatória: romances, contos e memórias
A banca cobra a leitura das obras indicadas. Para cada uma, você precisa saber o gênero, o contexto de produção e o que o texto faz com a linguagem. Conhecer apenas a sinopse não basta.
| Obra | Gênero | Autoria |
|---|---|---|
| Primeiro de abril: narrativas da cadeia | Memória autobiográfica | Salim Miguel |
| Vésperas | Contos | Adriana Lunardi |
| O irmão alemão | Romance | Chico Buarque |
| Eu sou Macuxi e outras histórias | Ficção literária | Julie Dorrico |
| Clara dos Anjos | Romance | Lima Barreto |
| A paixão segundo G.H. | Romance | Clarice Lispector |
Algumas leituras ajudam a ver contrastes. Clara dos Anjos critica o preconceito racial e social no Rio de Janeiro do início do século XX. A paixão segundo G.H. organiza a narrativa em torno do pensamento de uma personagem diante de um episódio do dia a dia, e não em torno de uma sequência de ações.
Ao ler cada obra, observe o narrador, o tempo da narração e a voz que ocupa o centro do texto. Eu sou Macuxi traz a voz de uma autora indígena, e a pergunta de prova pode focar justamente essa perspectiva.
O erro mais comum é atribuir a obra a um movimento sem ler o trecho. Confirme a classificação com a linguagem e o tema.
Base legal: Primeiro de abril: narrativas da cadeia, de Salim Miguel; Vésperas, de Adriana Lunardi; O irmão alemão, de Chico Buarque; Eu sou Macuxi e outras histórias, de Julie Dorrico; Clara dos Anjos, de Lima Barreto; A paixão segundo G.H., de Clarice Lispector
3.3.3 Secos e Molhados: música, contexto e estética
O álbum Secos e Molhados, de 1973, do grupo homônimo, é objeto de análise de letra, melodia e imagem. A prova pede contexto histórico, social, cultural e estético, e a leitura do que o álbum diz.
| Aspecto | O que observar | Pergunta-chave |
|---|---|---|
| Letra | Imagens, metáforas e sentido das frases | O que a canção sugere além do que diz? |
| Contexto | Período de produção do álbum | Em que época o álbum foi feito? |
| Estética | Mistura de gêneros e de linguagens | Que tradições o grupo combina? |
O álbum foi lançado durante a ditadura militar, período em que a censura e a repressão marcavam a vida cultural. Isso não quer dizer que toda canção seja uma denúncia direta. Quer dizer que a leitura precisa considerar o contexto para avaliar o sentido.
Erro típico. O candidato lê a letra como se fosse um poema isolado e ignora a melodia, o arranjo e a imagem do grupo. A análise pede o conjunto.
Base legal: Secos e Molhados, álbum de 1973
Pegadinha da banca
Realismo não é naturalismo
A proposição pode tratar o naturalismo como realismo, ou o contrário. Confira se a obra explica o comportamento pelo meio e pela herança.
Atenção
Romantismo não é só amor
Um texto romântico pode denunciar a escravidão, como em Castro Alves. O tema não basta: confira a visão de mundo do texto.
Pegadinha da banca
Autor fora do movimento
Uma obra pode dialogar com um movimento sem pertencer a ele. Use os traços do texto antes da classificação escolar.
3.4 Exemplo resolvido
Assinale o que for correto sobre obras e autores da literatura brasileira. 01) Clara dos Anjos, de Lima Barreto, critica o preconceito social e racial. 02) A paixão segundo G.H. é um romance de Graciliano Ramos. 04) Os sertões, de Euclides da Cunha, é um texto do Parnasianismo. 08) Vidas Secas, de Graciliano Ramos, é um romance regionalista publicado em 1938.
- 01 está correta: a obra de Lima Barreto critica o preconceito social e racial.
- 02 está errada: A paixão segundo G.H. é de Clarice Lispector.
- 04 está errada: Os sertões não pertence ao Parnasianismo; é obra ligada ao pré-modernismo.
- 08 está correta: Vidas Secas é romance regionalista publicado em 1938.
- Soma das corretas: 01 + 08 = 09.
Resposta: 09
3.5 Fixação
Questões inéditas, no estilo da banca.
F1inédita
Sobre obras e autores do sertão e do Modernismo, assinale o que for correto.
- 01)Graciliano Ramos publicou Vidas Secas em 1958.
- 02)Guimarães Rosa é autor de Grande sertão: veredas, publicado em 1956.
- 04)Mário de Andrade publicou Macunaíma em 1922.
- 08)José de Alencar é autor do romance O cortiço.
- 16)Euclides da Cunha escreveu Os sertões, obra sobre a Guerra de Canudos.
Soma das corretas: ( )( )
F2inédita
Sobre as obras de leitura obrigatória indicadas para a prova, assinale o que for correto.
- 01)O irmão alemão, de Chico Buarque, é um romance publicado em 1954.
- 02)Clara dos Anjos, de Lima Barreto, é um romance publicado em 1948.
- 04)Eu sou Macuxi e outras histórias é um livro de poemas de Julie Dorrico publicado em 2019.
- 08)Vésperas é um livro de contos de Adriana Lunardi publicado em 2002.
- 16)A paixão segundo G.H. é um livro de contos de Clarice Lispector publicado em 1964.
- 32)Primeiro de abril reúne narrativas autobiográficas de Salim Miguel sobre a experiência na cadeia.
Soma das corretas: ( )( )
F3inédita
Sobre o álbum Secos & Molhados e seu contexto de produção, assinale o que for correto.
- 01)O álbum Secos & Molhados é de 1973, período da ditadura militar no Brasil.
- 02)Um álbum musical deve ser analisado apenas pela letra, pois a melodia não produz sentido.
- 04)Ney Matogrosso foi o vocalista do grupo Secos & Molhados.
- 08)O grupo Secos & Molhados era formado apenas por instrumentistas, sem vocalista.
- 16)Secos & Molhados é um livro de poemas publicado em 1973.
Soma das corretas: ( )( )
F4inédita
Sobre obras e autores de leitura obrigatória, assinale o que for correto.
- 01)Clara dos Anjos, de Lima Barreto, aborda preconceitos de raça e de classe social no subúrbio carioca.
- 02)Lima Barreto é um dos autores do Pré-Modernismo, período que antecede a Semana de 1922.
- 04)Clarice Lispector nasceu na Ucrânia e foi criada em Recife.
- 08)Eu sou Macuxi e outras histórias é um romance de 1948.
- 16)Primeiro de abril, de Salim Miguel, é uma obra de poesia lírica sobre o amor.
Soma das corretas: ( )( )
F5inédita
Sobre autores e obras da literatura brasileira, assinale o que for correto.
- 01)Carolina Maria de Jesus escreveu Quarto de despejo, romance ambientado no interior de Minas Gerais.
- 02)Carlos Drummond de Andrade é o autor de Vidas Secas.
- 04)Guimarães Rosa publicou Sagarana, coletânea de contos, em 1946.
- 08)Lima Barreto é o autor de Grande sertão: veredas.
Soma das corretas: ( )( )
3.6 Questões da banca
Questões oficiais de provas anteriores, com a fonte.
Q1oficial · ufsc-coperve 2026
Texto base: Texto 6 Texto 7
– Camaradas! Não podemos ficar quietas no meio dessa luta!
Devemos estar ao lado dos nossos companheiros na rua, como estamos quando trabalhamos na fábrica. Temos que lutar juntos contra a burguesia que tira a nossa saúde e nos transforma em trapos humanos! Tiram do nosso seio a última gota de leite que pertence a nossos filhinhos para viver no champanhe e no parasitismo! Nós, à noite, nem força temos para acalentar nossas crianças, que ficam sozinhas e largadas o dia inteiro, ou fechadas em quartos imundos, sem ter quem olhe para elas. Não devemos esquecer a greve com nossos lamentos! Estamos com o pagamento atrasado e chegamos até a passar fome, enquanto nossos patrões que nada fazem vivem no luxo e mandam a polícia nos atacar! Mas não será por isso que haveremos de ser escravas a vida inteira!
GALVÃO, Patrícia [Pagu]. Parque industrial. São Paulo: Companhia das Letras, 2022. p. 81.
Com base nos textos 6 e 7, na leitura integral de Parque industrial, no contexto sócio-histórico e literário da obra e, ainda, de acordo com a variedade padrão da língua escrita, é correto afirmar que:
- 01)o subtítulo “Romance proletário”, de Parque industrial, foi uma escolha linguística de Pagu para enfatizar a sua condição social pertencente a uma família de operários.
- 02)o meme (texto 7) ironiza a expressão “luta de classes” ao propor um sentido denotativo para uma luta entre patrão e empregado.
- 04)no texto 6, a preposição “até” (linha 15) combinada com a forma verbal “chegamos” (linha 14) indica o limite que a situação descrita atingiu.
- 08)se infere do meme (texto 7) que o tema da luta de classes, posto em Parque industrial, permanece atual.
- 16)Parque industrial narra em estilo modernista o cotidiano de cinco operárias que, com a força do trabalho, superam a pobreza.
- 32)no texto 6, a ordem em que as formas verbais “podemos” (linha 01), “devemos” (linha 02) e “temos que” (linha 04) são empregadas marca a progressão da força argumentativa na convocação das mulheres para a luta.
- 64)em Parque industrial, a narrativa é apresentada de forma linear e contínua, o que é típico da escrita de romances.
Soma das corretas: ( )( )
Q2oficial · ufsc-coperve 2026
Texto base: Texto 2 Solitária Fragmento 1
Cozinha Hoje penso por quantos séculos uma mulher mais velha como minha mãe teve que consolar outra mais nova por prantos parecidos e naquele mesmo espaço, a cozinha, dizendo aquelas mesmas palavras. – Você não teve culpa. Calma, minha criança. Calma, minha menina... Ela sabia que as crianças como eu – como ela foi e, antes dela, a sua mãe, e a mãe de sua mãe até a minha décima avó – não entendiam muito bem o que era isso de ser criança. A gente sempre foi miniatura de adulto. Irene era mais uma na lista. (p. 26)
Fragmento 2
Área de serviço Hoje fico com pena do sacrifício que era se tornar invisível. Além dos espaços apertados que ocupávamos, o silêncio era um companheiro. Era preciso estar presente sem estar. Uma boa serviçal é silenciosa, e a criança que é a filha dessa mulher também deve ser. Ela não pode rir como uma criança, não pode pular ou fazer travessuras como uma criança. Ela não é uma criança. É um incômodo, alguém apenas tolerado [...] No final eles [Mabel e Cacau] já estavam acostumados. Já tinham o “dom da invisibilidade”. Já sabiam como estar sem deixar ninguém se aperceber de que estavam. (p. 97)
CRUZ, Eliana Alves. Solitária. São Paulo: Companhia das Letras, 2022.
Com base nos fragmentos do texto 2, na leitura integral de Solitária, no contexto sócio-histórico e literário da obra e, ainda, de acordo com a variedade padrão da língua escrita, é correto afirmar que:
- 01)os fragmentos 1 e 2 de Solitária têm em comum a reflexão sobre a infância precarizada decorrente de uma condição social desfavorecida.
- 02)o termo “Hoje”, nos dois fragmentos, presentifica os momentos em que Mabel e Eunice, cada uma a seu tempo, narram a história.
- 04)a novela é marcada pelo realismo contemporâneo, uma vez que a história de Eunice se repete do início ao fim na pele de Mabel.
- 08)na expressão “estar presente sem estar” (linha 08) há um paradoxo que compromete o sentido da narrativa das memórias de Eunice.
- 16)o uso recorrente do advérbio “já” (linha 12) reforça que as habilidades descritas estavam desenvolvidas nas crianças no momento da narrativa.
- 32)a obra tematiza a relação interseccional entre classe, raça e gênero.
Soma das corretas: ( )( )
Q3oficial · ufsc-coperve 2026
Texto base: Texto 8
CAMPOS, Alvaro; BRAGA, Alê; DIAZ, Jean. O outro lado da bola. Rio de Janeiro: Record, 2018. p. 30.
Com base no texto 8, na leitura integral de O outro lado da bola, no contexto sócio-histórico e literário da obra e, ainda, de acordo com a variedade padrão da língua escrita, é correto afirmar que:
- 01)Augusto Xavier Brandão foi professor de Cris no curso de arquitetura, época em que se conheceram.
- 02)esta passagem é chave para o desenvolvimento do enredo, pois nela o jogador Cris, sem revelar sua homossexualidade, denuncia a violência sofrida por seu namorado.
- 04)no quadro 2, Cris descreve a pouca importância dada pelo jornal ao noticiar a morte de Xavier, motivada por homofobia.
- 08)essa graphic novel trabalha com a representação de identidades não hegemônicas.
- 16)o texto rompe com a linearidade e apresenta histórias paralelas, flashbacks e digressões.
- 32)a forma verbal “conseguisse” (quadro 3) é empregada por Cris para expressar dúvida em relação à validade dos ensinamentos de Augusto durante suas aulas.
Soma das corretas: ( )( )
Q4oficial · ufsc-coperve 2026
Texto base: Texto 10
CAPÍTULO 136 / INUTILIDADE
Mas ou muito me engano, ou acabo de escrever um capítulo inútil.
CAPÍTULO 137 / A BARRETINA
E daí, não; ele resume as reflexões que fiz no dia seguinte ao Quincas Borba, acrescentando que me sentia acabrunhado, e mil outras coisas tristes. Mas esse filósofo, com o elevado tino de que dispunha, bradou-me que eu ia escorregando na ladeira fatal da melancolia. [...]
Vê-se nas menores coisas o que vale a autoridade de um grande filósofo. As palavras do Quincas Borba tiveram o condão de sacudir o torpor moral e mental em que andava. Vamos lá; façamo-nos governo, é tempo. Eu não havia intervindo até então nos grandes debates. Cortejava a pasta por meio de rapapés, chás, comissões de votos; e a pasta não vinha. Urgia apoderar-me da tribuna.
Comecei devagar. Três dias depois, discutindo-se o orçamento da Justiça, aproveitei o ensejo para perguntar modestamente ao ministro se não julgava útil diminuir a barretina da Guarda Nacional. Não tinha vasto alcance o objeto da pergunta; mas ainda assim demonstrei que não era indigno das cogitações de um homem de Estado [...].
ASSIS, Machado de. Memórias póstumas de Brás Cubas. São Paulo: Carambaia, 2018. p. 310-311. Glossário barretina: cobertura de cabeça militar cilíndrica e alta. rapapés: cortesias exageradas; bajulações.
Com base no texto 10, na leitura integral de Memórias póstumas de Brás Cubas e S. Bernardo, no contexto sócio-histórico e literário das obras e, ainda, de acordo com a variedade padrão da língua escrita, é correto afirmar que:
- 01)o capítulo “Inutilidade” exemplifica como Brás Cubas, de Machado de Assis, reflete sobre a escrita, assim como Paulo Honório, de Graciliano Ramos.
- 02)na política, Brás Cubas demonstra preocupação com assuntos úteis para a melhoria da qualidade de vida da população brasileira, como a diminuição da barretina da Guarda Nacional.
- 04)em “Eu não havia intervindo até então nos grandes debates” (linha 09), a locução verbal descreve uma situação em curso no momento da narrativa.
- 08)o personagem Quincas Borba é amigo de Brás Cubas e criador da filosofia do Humanitismo.
- 16)ao dizer “façamo-nos governo” (linha 09), Brás expressa um desejo que se realiza, uma vez que ele se torna ministro de Estado.
- 32)o pronome “ele” (linha 04) retoma o referente “Quincas Borba”, que tinha conversas filosóficas com o narrador, Brás Cubas.
- 64)Memórias póstumas de Brás Cubas é considerado pioneiro da estética realista no Brasil, embora seja narrado por um “defunto autor”, o que é impossível na realidade.
Soma das corretas: ( )( )
Q5oficial · ufsc-coperve 2026
Texto base: Texto 3 Silêncio 01 Língua das coisas
02 Mas também: língua de se falar 03 com as coisas 04 e com as próprias palavras
05 O nome das coisas 06 quando não falamos delas
07 Único modo que têm os mortos 08 de cantar
09 O que há entre uma xícara e outra xícara 10 entre uma pedra e uma rosa 11 entre Vênus e uma cadeira
12 O modo como soa 13 uma palavra 14 riscada
15 Toda fala nasce com a cicatriz do silêncio, 16 que foi quebrado
17 Não há palavra que não seja marcada pelo silêncio 18 como camisas que secaram 19 presas ao varal
20 Por outro lado, frequentemente o silêncio 21 vem manchado por uma palavra 22 como um espelho sujo
23 A forma mais próxima do silêncio é o círculo: 24 forma geométrica da espera
25 O rastro que deixou 26 o animal que não passou
27 É este o meu nome 28 quando não me chamas MARQUES, Ana Martins. Risque esta palavra. São Paulo: Companhia das Letras, 2021. p. 61-62.
Com base no texto 3 e de acordo com a variedade padrão da língua escrita, é correto afirmar que:
- 01)nos dois últimos versos, a autora utiliza a ordem direta na construção da frase, de modo a evitar a ambiguidade.
- 02)o eu lírico faz uma comparação entre as marcas do silêncio sobre as palavras e as marcas deixadas em camisas presas no varal.
- 04)a expressão “Por outro lado” (verso 20) é utilizada para contrastar duas afirmações sobre a relação entre o silêncio e a palavra.
- 08)em “Toda fala nasce com a cicatriz do silêncio, / que foi quebrado” (versos 15 e 16), a vírgula marca a introdução de uma oração restritiva sobre o silêncio e o que a fala causou.
- 16)o poema traz uma série de definições de “silêncio”, como “língua das coisas” (verso 01) e “O nome das coisas / quando não falamos delas” (versos 05 e 06).
Soma das corretas: ( )( )
Q6oficial · ufsc-coperve 2026
Texto base: Texto 9
Qual seria a religião de Madalena? Talvez nenhuma. Nunca me havia tratado disso. – Monstruosidade. E repeti baixinho, lentamente e sem convicção. – Monstruosidade! Materialista. Lembrei-me de ter ouvido Costa Brito falar em materialismo histórico. Que significava materialismo histórico? A verdade é que não me preocupo muito com o outro mundo. Admito Deus, pagador celeste dos meus trabalhadores, mal remunerados cá na terra, e admito o Diabo, futuro carrasco do ladrão que me furtou uma vaca de raça. Tenho portanto um pouco de religião, embora julgue que, em parte ela é dispensável num homem. Mas mulher sem religião é horrível. Comunista, materialista. Bonito casamento! Amizade com o Padilha, aquele imbecil. “Palestras amenas e variadas.” Que haveria nas palestras? Reformas sociais, ou coisa pior. Sei lá! Mulher sem religião é capaz de tudo.
RAMOS, Graciliano. S. Bernardo. Rio de Janeiro: Record,1991. p. 131.
Com base no texto 9, na leitura integral de S. Bernardo, no contexto sócio-histórico e literário da obra e, ainda, de acordo com a variedade padrão da língua escrita, é correto afirmar que:
- 01)Paulo Honório, o narrador, representa o capitalista insensível, cujas ações visam a conquistar e a manter a posse da fazenda S. Bernardo.
- 02)os elementos tradicionais do cristianismo respaldam a retidão de Paulo Honório.
- 04)a crítica à falta de religiosidade da mulher deve-se ao ciúme do protagonista e à desconfiança de adultério.
- 08)o narrador-personagem Paulo Honório é militante do materialismo histórico.
- 16)os ciúmes e as diferenças entre Paulo Honório e Madalena resultam na separação do casal, algo considerado imoral à época.
- 32)as expressões sublinhadas “baixinho, lentamente e sem convicção” (linha 03) denotam ideia de intensidade, velocidade e modo, respectivamente.
- 64)no último parágrafo, as reflexões fragmentadas do narrador são todas construídas em frases nominais.
Soma das corretas: ( )( )
Q7oficial · ufsc-coperve 2025
Texto base: Texto 12
Singradura
Fragmento 1
“E então, Marília, singraremos. Sem pressa e sem medo, vogaremos no rastro da aventura, pra que conheças, enfim, esse mar em que te debruças, sonhadora. Eu te mostrarei os mistérios do meio oceano (e ouvirás de minha boca como eles são mistérios pequeninos ante os teus mistérios de mulher amante); verás como a lua é tão outra neste espelho e como nele são outros todos os raios do sol, todas as cores e sombras. E o mar te embalará como a uma criancinha nascida hoje. Meus homens experientes se esmerarão em sua arte de escravos; e, amparada em mim, sentirás quanto é fácil e até bonito arrostar perigos.” (p. 198-199)
Fragmento 2
Faz três anos. De menininha quase, transmudou-se em corpo ondeado, de cabelos luzidos pelo sol de cada dia. Ela ajuda a mãe na tecedura de rendas, quieta, cantante às vezes, sempre alongando a vista pro quadrado da janela. Quando solta palavra, além das cançonetas que tudo dizem e não dizem nada, é um ai-ai doente, suspiroso, que a mãe chama preguiça pra não ser rude. Mas sabe a mãe que é preguiça sem remédio caseiro, sem benzedura ou reza. Porque a fama é verdadeira: pobre da moça Marília, a Maluquinha! De que vale ser assim bonita e boa rendeira, se é aluada e anda perdida por curvas de praia, sentada em pedras com a cabeça erguida na busca de fantasmas ou de queixo enterrado no coração? (p. 199- 200)
CARDOZO, Flávio José. Singradura. Florianópolis: UFSC, 2024.
Com base no texto 12, na leitura integral de Singradura, no contexto sócio-histórico e literário da obra e, ainda, de acordo com a variedade padrão da língua escrita, é correto afirmar que:
- 01)o termo “singraremos” (linha 01) no fragmento 1 tem como sinônimo “navegaremos” e estabelece relação com a temática do homem e o mar na própria obra Singradura.
- 02)a passagem “preguiça sem remédio caseiro” (linha 06) no fragmento 2 refere-se à inaptidão de Marília ao trabalho manual.
- 04)os verbos “vogaremos” (linha 01), “conheças” (linha 02), “ouvirás” (linha 03), “esmerarão” (linha 06) no fragmento 1 estão conjugados no modo indicativo, expressando grau de certeza em relação ao conteúdo enunciado.
- 08)no segundo fragmento, a palavra “aluada” (linha 08) é derivada de ‘lua’, pelo acréscimo do prefixo ‘a’, com sentido de aproximação, e do sufixo ‘ada’, formador de particípio, em alusão à condição “Maluquinha” de Marília, que varia como as fases da Lua.
- 16)no segundo fragmento, a expressão “que tudo dizem e não dizem nada” (linhas 04 e 05), associada às cançonetas de Marília, corresponde a uma contradição.
- 32)no segundo fragmento, da indagação “De que vale” (linha 07), associada às expressões “bonita e boa rendeira” (linha 08) de um lado e “aluada e anda perdida” (linha 08) de outro, infere-se que ‘só vale a pena ser bonita e ter habilidades se for saudável’.
Soma das corretas: ( )( )
Q8oficial · ufsc-coperve 2025
Texto base: Texto 2
Panis Et Circenses
Eu quis cantar Minha canção iluminada de Sol Soltei os panos sobre os mastros no ar Soltei os tigres e os leões nos quintais Mas as pessoas na sala de jantar São ocupadas em nascer e morrer Mandei fazer De puro aço luminoso, um punhal Para matar o meu amor e matei Às cinco horas na Avenida Central Mas as pessoas na sala de jantar
São ocupadas em nascer e morrer Mandei plantar Folhas de sonho no jardim do solar As folhas sabem procurar pelo Sol E as raízes procurar, procurar Mas as pessoas na sala de jantar Essas pessoas na sala de jantar São as pessoas da sala de jantar Mas as pessoas na sala de jantar São ocupadas em nascer e morrer Essas pessoas da sala de jantar [9 vezes] Essas pessoas na sala
Composição de Gilberto Gil e Caetano Veloso, na gravação de Os Mutantes. In: Tropicália ou Panis et Circencis (álbum). Universal Music, 1968.
Com base no texto 2, no contexto sócio-histórico e artístico do álbum Tropicália ou Panis et Circencis e, ainda, de acordo com a variedade padrão da língua escrita, é correto afirmar que:
- 01)a expressão que dá título à canção “Panis Et Circenses” (Pão E Circo) tem sentido associado à alienação.
- 02)o verso “Essas pessoas na sala de jantar” (linha 18) é repetido na letra da canção para destacar a preocupação com a garantia de alimentação a todas as pessoas.
- 04)o termo “mas” (linhas 05, 11, 17 e 20) indica uma relação de oposição com a aspiração por transformação contida nos versos anteriores.
- 08)o termo “essas”, ao longo do texto, sinaliza um posicionamento convergente dos compositores/intérpretes da canção com as pessoas na sala de jantar.
- 16)nas expressões “na sala de jantar” (linha 05) e “da sala de jantar” (linha 19), os termos sublinhados implicam, no primeiro caso, um sentido de localização; no segundo, de pertencimento.
Soma das corretas: ( )( )
Q9oficial · ufsc-coperve 2025
Texto base: Texto 11
Encontros
Adelino Lopes da Silva.
Aposentado. Conserta máquinas de lavar roupas, geladeiras e aparelhos de ar condicionado para os dias não ficarem tão compridos desde que ficou viúvo. Morador da casa 7 da Vila Mariposa. Torcedor do Botafogo. Não tem nenhuma camisa oficial do time, pois são muito caras. Gosta muito de pão francês com café fraquinho.
Genilda Maria de Jesus.
Aposentada. Trabalha numa fábrica de mariolas, todos os dias, na parte da tarde, para aumentar a renda, que é pouca. Viúva. Moradora da casa 11 da Vila Mariposa.
Gosta muito de ouvir músicas do Roberto Carlos e ver as novelas da Globo.
Adelino vai consertar a máquina de lavar roupas da Genilda amanhã de manhã. Marcaram hoje, de tardinha, quando ela voltava da fábrica de mariolas.
Genilda está nervosa. Adelino também. Os dois não param de conferir os relógios.
Nove horas da manhã. É o horário marcado.
MOTTA, Alê. Velhos. São Paulo: Reformatório, 2020. p. 23-24.
Com base no texto 11, na leitura integral de Velhos, no contexto sócio-histórico e literário da obra e, ainda, de acordo com a variedade padrão da língua escrita, é correto afirmar que:
- 01)a obra consiste em um conjunto de micronarrativas reais vivenciadas pelo mesmo homem, Adelino Lopes da Silva.
- 02)a temática da obra são as condições econômicas precárias enfrentadas pelos velhos no contexto brasileiro.
- 04)na passagem “Genilda está nervosa. Adelino também.” (linha 12), as orações estabelecem entre si uma relação de coordenação, identificando-se uma elipse na segunda.
- 08)o desfecho da narrativa sugere que o encontro entre as personagens provoca nervosismo em ambas, porque Genilda precisa muito da máquina de lavar, e Adelino não está seguro de que poderá consertá-la.
- 16)a caracterização das duas personagens é desenvolvida por um processo de adjetivação, que indica uma afinidade de hobbies e preferências culturais entre elas.
- 32)em “Nove horas da manhã. É o horário marcado.” (linha 13), a autora emprega uma construção sintática não usual gramaticalmente, o que pode ser explicado por uma escolha estilística.
Soma das corretas: ( )( )
Q10oficial · ufsc-coperve 2025
Texto base: Texto 9
Metade do cortiço sai para a fábrica. A fumaceira se desmancha enegrecendo a rua toda, o bairro todo. O casarão de tijolo, com grades nas janelas. O apito escapa da chaminé gigante, libertando uma humanidade inteira que se escoa para as ruas da miséria. Um pedaço da fábrica regressa ao cortiço. – Ninguém trabalha amanhã! – Ninguém! – Estão arrancando o pão de nossa boca! Não podemos consentir. Diminuíram mais! Cachorros! Os tecelões espumam de ódio proletário. As fileiras pobres se engrossam numa manifestação inesperada diante da fábrica. Mãos robustas e mãos esqueléticas avançam para a limousine de luxo do grande industrial que está parada. O chofer elegante fugiu. Vidros e estofados nas mãos da massa que se vinga. – Esta gasolina é o nosso sangue!
GALÃO, Patrícia [Pagu]. Parque Industrial. São Paulo: Companhia das Letras, 2022. p. 79.
Com base no texto 9, na leitura integral de Parque Industrial, no contexto sócio-histórico e literário da obra e, ainda, de acordo com a variedade padrão da língua escrita, é correto afirmar que:
- 01)na expressão “O chofer elegante fugiu.” (linha 12), o termo “elegante” associado ao “chofer” marca que este não pertence à classe proletária.
- 02)os termos “Mãos robustas” e “mãos esqueléticas” (linha 11) retomam, por metonímia, trabalhadores com diferentes privilégios.
- 04)a palavra “sangue” (linha 14) é empregada como uma hipérbole.
- 08)do termo “ódio proletário” (linha 10), infere-se que a caracterização desse sentimento é determinada pela condição social do indivíduo.
- 16)a autora rompe com o realismo ao empregar sequências verbais curtas, produzindo uma obra modernista, considerada um marco da literatura proletária brasileira.
Soma das corretas: ( )( )
3.7 Gabarito comentado
P1inédita · pré-testeResposta: 21 (01 + 04 + 16)
- 01) Correta. O romance foi publicado em livro em 1915, com a sátira ao nacionalismo exaltado.
- 02) Incorreta. Machado é do Realismo do século XIX; o Modernismo é posterior.
- 04) Correta. Quarto de despejo é o diário de Carolina Maria de Jesus, publicado em 1960.
- 08) Incorreta. A Semana de Arte Moderna foi em 1922, em São Paulo.
- 16) Correta. A paixão segundo G.H. é romance de Clarice Lispector, de 1964.
P2inédita · pré-testeResposta: 01
- 01) Correta. A narradora fala de si mesma e relata uma experiência interior.
- 02) Incorreta. O narrador não é observador externo: a narradora fala de si mesma.
- 04) Incorreta. O romance é de 1964, ano do golpe militar; 1974 é data errada.
- 08) Incorreta. Clara dos Anjos é de Lima Barreto, não de Clarice Lispector.
- 16) Incorreta. A personagem central é uma mulher, a própria G.H.
P3inédita · pré-testeResposta: 06 (02 + 04)
- 01) Incorreta. O álbum é de 1973; 1964 é o ano do golpe, e não do disco.
- 02) Correta. O grupo surgiu no início dos anos 1970 e é musical.
- 04) Correta. Ler um álbum exige letra, melodia e contexto em conjunto.
- 08) Incorreta. O grupo é musical; poetas modernistas são de outra época e outro gênero.
F1inéditaResposta: 18 (02 + 16)
- 01) Incorreta. Vidas Secas é de 1938; 1958 é data errada.
- 02) Correta. Grande sertão: veredas, de Guimarães Rosa, é de 1956.
- 04) Incorreta. Macunaíma é de 1928, e não de 1922.
- 08) Incorreta. O cortiço é de Aluísio Azevedo, do Naturalismo.
- 16) Correta. Os sertões narra a Guerra de Canudos, de Euclides da Cunha.
F2inéditaResposta: 42 (02 + 08 + 32)
- 01) Incorreta. O irmão alemão é de 2014; 1954 é data errada.
- 02) Correta. Clara dos Anjos é romance de Lima Barreto, publicado em 1948.
- 04) Incorreta. O livro é de ficção literária, e não de poesia.
- 08) Correta. Vésperas é coletânea de contos, de 2002.
- 16) Incorreta. A paixão segundo G.H. é romance, e não coletânea de contos.
- 32) Correta. Primeiro de abril é narrativa autobiográfica sobre a experiência na cadeia.
F3inéditaResposta: 05 (01 + 04)
- 01) Correta. O álbum é de 1973, em plena ditadura militar.
- 02) Incorreta. Melodia e arranjo fazem parte do sentido da canção.
- 04) Correta. Ney Matogrosso era o vocalista do grupo.
- 08) Incorreta. O grupo tinha vocalista e era formado por músicos de apoio e a voz principal.
- 16) Incorreta. Secos & Molhados é um álbum musical, e não um livro de poemas.
F4inéditaResposta: 07 (01 + 02 + 04)
- 01) Correta. O romance trata de preconceito racial e de classe no subúrbio do Rio de Janeiro.
- 02) Correta. Lima Barreto é lido como pré-modernista, antes de 1922.
- 04) Correta. Clarice nasceu na Ucrânia e cresceu no Recife.
- 08) Incorreta. Eu sou Macuxi é ficção de 2019, e não romance de 1948.
- 16) Incorreta. A obra é narrativa autobiográfica sobre a cadeia, e não poesia.
F5inéditaResposta: 04
- 01) Incorreta. Quarto de despejo é diário, e a favela fica em São Paulo.
- 02) Incorreta. Vidas Secas é de Graciliano Ramos, e não de Drummond.
- 04) Correta. Sagarana é uma coletânea de contos de Guimarães Rosa, de 1946.
- 08) Incorreta. Grande sertão: veredas é de Guimarães Rosa.
Q1oficialResposta: 46 (02 + 04 + 08 + 32)
- 01) Incorreta. O subtítulo romance proletário nomeia o gênero da obra, e não a origem de classe da autora, que pertencia à elite paulista.
- 02) Correta. O meme traduz de forma literal a expressão luta de classes, como briga física entre servente e patrão, o que produz o efeito irônico.
- 04) Correta. A preposição até, junto a chegamos, indica o limite extremo da situação descrita: os trabalhadores chegaram a passar fome.
- 08) Correta. O meme mostra que o conflito entre patrão e trabalhador continua presente, o que torna o tema do romance atual.
- 16) Incorreta. A obra mostra exploração, repressão e greve, sem ascensão das personagens pelo trabalho.
- 32) Correta. A progressão podemos, devemos, temos que cresce do convite à exigência, reforçando a força argumentativa da convocação.
- 64) Incorreta. A narrativa de Parque industrial é fragmentada, com cortes entre personagens e cenas, e não linear.
Fonte: ufsc-coperve (2026) — prova em vestibularunificado2026.paginas.ufsc.br
Q2oficialResposta: 51 (01 + 02 + 16 + 32)
- 01) Correta. Os dois fragmentos refletem sobre a infância precarizada decorrente de uma condição social desfavorecida.
- 02) Correta. O advérbio Hoje situa o momento em que cada narradora recorda e conta a história.
- 04) Incorreta. A história de Eunice não se repete do início ao fim na voz de Mabel; a obra reconstrói o passado pela memória, em vozes que se cruzam.
- 08) Incorreta. O paradoxo estar presente sem estar expressa a condição imposta à criança de empregada e constrói o sentido da narrativa.
- 16) Correta. O já, na linha 12, indica que as habilidades de invisibilidade já estavam desenvolvidas no momento da narração.
- 32) Correta. A obra trata da relação entre classe, raça e gênero na vida de mulheres negras que trabalham como servidoras.
Fonte: ufsc-coperve (2026) — prova em vestibularunificado2026.paginas.ufsc.br
Q3oficialResposta: 28 (04 + 08 + 16)
- 01) Incorreta. A página mostra que Xavier ensinava arquitetura, mas não afirma que foi professor de Cris no curso de arquitetura nem que se conheceram nessa época.
- 02) Incorreta. Cris diz meu namorado nessa passagem, revelando a relação, e o trecho não é denúncia de violência feita por ele.
- 04) Correta. No quadro em que Cris fala do jornal, a tira afirma que negaram até uma foto decente, mostrando o pouco destaque dado à morte por homofobia.
- 08) Correta. A obra representa a relação homoafetiva e a vida de personagens fora da norma hegemônica.
- 16) Correta. O texto rompe a linearidade com histórias paralelas, flashbacks e digressões, como se vê nos quadros.
- 32) Incorreta. Conseguisse, no trecho, é pretérito do subjuntivo em oração concessiva que descreve algo que Cris não conseguia fazer, e não expressa dúvida.
Fonte: ufsc-coperve (2026) — prova em vestibularunificado2026.paginas.ufsc.br
Q4oficialResposta: 73 (01 + 08 + 64)
- 01) Correta. O capítulo reflete sobre a própria escrita, como faz Paulo Honório em São Bernardo, em narrativas construídas como memória escrita.
- 02) Incorreta. A pergunta sobre a barretina é modesta e, segundo o narrador, não tinha vasto alcance; não há preocupação com a qualidade de vida da população.
- 04) Incorreta. Havia intervindo é pretérito mais-que-perfeito composto, que marca ação concluída antes de outro momento passado, e não situação em curso.
- 08) Correta. Quincas Borba é amigo de Brás Cubas e criador do Humanitismo, filosofia que aparece na obra.
- 16) Incorreta. Brás deseja governar e se movimenta para isso, mas o texto registra que a pasta não vinha; o desejo não se realiza.
- 32) Incorreta. O pronome “ele” (linha 04) retoma “capítulo”, o “capítulo inútil” da frase anterior, e não Quincas Borba, citado só depois.
- 64) Correta. A obra é considerada marco inaugural do Realismo brasileiro, e o narrador defunto autor é recurso impossível na realidade, usado para a crítica.
Fonte: ufsc-coperve (2026) — prova em vestibularunificado2026.paginas.ufsc.br
Q5oficialResposta: 22 (02 + 04 + 16)
- 01) Incorreta. Nos dois últimos versos a frase está em ordem inversa, com o predicativo é este antes do sujeito o meu nome.
- 02) Correta. Os versos 17 a 19 comparam as marcas do silêncio sobre as palavras às camisas que secaram presas ao varal.
- 04) Correta. A expressão Por outro lado, no verso 20, contrasta duas afirmações sobre a relação entre silêncio e palavra.
- 08) Incorreta. A oração que foi quebrado é explicativa, separada pela vírgula, e não restringe o sentido do termo antecedente.
- 16) Correta. O poema apresenta uma série de definições de silêncio, como língua das coisas e o nome das coisas quando não falamos delas.
Fonte: ufsc-coperve (2026) — prova em vestibularunificado2026.paginas.ufsc.br
Q6oficialResposta: 37 (01 + 04 + 32)
- 01) Correta. Paulo Honório representa o capitalista insensível, que busca conquistar e manter a posse da fazenda.
- 02) Incorreta. Paulo Honório admite Deus apenas como pagador celeste de seus trabalhadores e não se apoia nos valores cristãos.
- 04) Correta. A crítica à falta de religião de Madalena nasce do ciúme do narrador e da desconfiança de adultério.
- 08) Incorreta. O narrador não sabe o que significa materialismo histórico, e não é militante dessa corrente.
- 16) Incorreta. A separação é narrada como consequência da desconfiança do narrador, e não como julgamento moral da época.
- 32) Correta. Baixinho indica intensidade, lentamente indica velocidade e sem convicção indica modo.
- 64) Incorreta. O último parágrafo mistura frases nominais, como Monstruosidade!, com frases verbais, como Tenho um pouco de religião.
Fonte: ufsc-coperve (2026) — prova em vestibularunificado2026.paginas.ufsc.br
Q7oficialResposta: 57 (01 + 08 + 16 + 32)
- 01) Correta. Singrar significa navegar, e a travessia marítima é tema central da obra.
- 02) Incorreta. A passagem descreve apatia e devaneio, e não inaptidão para o trabalho manual, pois Marília ajuda a mãe a tecer rendas.
- 04) Incorreta. Conheças está no modo subjuntivo, e o futuro do indicativo não expressa, por si só, certeza absoluta.
- 08) Correta. Aluada deriva de lua pelo prefixo a- e pelo sufixo -ada, e alude à condição lunática de Marília.
- 16) Correta. A expressão que tudo dizem e não dizem nada, associada às cantilenas de Marília, configura contradição.
- 32) Correta. A indagação De que vale, diante das duas caracterizações, leva a inferir que beleza e habilidade só valem se a pessoa for saudável.
Fonte: ufsc-coperve (2025) — prova em dados.coperve.ufsc.br
Q8oficialResposta: 21 (01 + 04 + 16)
- 01) Correta. A expressão pão e circo, junto ao refrão sobre as pessoas ocupadas em nascer e morrer, sugere alienação diante dos problemas sociais.
- 02) Incorreta. O refrão trata da alienação de quem está ocupado em nascer e morrer, e não da garantia de alimentação.
- 04) Correta. O mas contrapõe a aspiração de transformação dos versos anteriores à passividade das pessoas da sala de jantar.
- 08) Incorreta. O essas marca distanciamento crítico dos compositores em relação às pessoas da sala de jantar, e não convergência.
- 16) Correta. Na sala de jantar indica localização, e da sala de jantar indica pertencimento a esse grupo social.
Fonte: ufsc-coperve (2025) — prova em dados.coperve.ufsc.br
Q9oficialResposta: 36 (04 + 32)
- 01) Incorreta. As micronarrativas reúnem personagens distintos, como Adelino e Genilda, e não narram a vida de um só homem.
- 02) Incorreta. O tema central é o encontro e a afetividade cotidiana, e a precariedade econômica aparece apenas como pano de fundo.
- 04) Correta. As orações são coordenadas e, na segunda, ocorre elipse do verbo estar.
- 08) Incorreta. O texto não explica o motivo do nervosismo; mostra apenas a espera e a ansiedade dos dois.
- 16) Incorreta. As personagens têm preferências diferentes, e a caracterização as separa, sem indicar afinidade.
- 32) Correta. Nove horas da manhã. É o horário marcado é construção nominal e fragmentada, escolha estilística que enfatiza o instante.
Fonte: ufsc-coperve (2025) — prova em dados.coperve.ufsc.br
Q10oficialResposta: 24 (08 + 16)
- 01) Incorreta. O adjetivo elegante qualifica a aparência do chofer, e não sua classe, que se vê pela função subordinada que ele exerce.
- 02) Incorreta. Mãos robustas e mãos esqueléticas são sinédoques de trabalhadores da mesma classe, e o contraste marca a fome, não privilégios.
- 04) Incorreta. A expressão gasolina é o nosso sangue é metáfora, pois o sangue representa a vida e o trabalho dos operários.
- 08) Correta. O ódio proletário é descrito a partir da condição social dos tecelões, que sofrem com a redução de salários e a fome.
- 16) Correta. A autora emprega sequências verbais curtas e rompe com o realismo tradicional, em estilo modernista.
Fonte: ufsc-coperve (2025) — prova em dados.coperve.ufsc.br
3.8 Revisão relâmpago e mapa de revisão
- Movimento literário reúne autores com ideias e formas em comum.
- Classifique a obra pelo tema, pela forma e pela visão de mundo.
- Barroco: Gregório de Matos, com conflito entre fé e mundo.
- Arcadismo: Tomás Antônio Gonzaga, com razão e ideal pastoril.
- Realismo analisa a psicologia; naturalismo explica pelo meio e pela herança.
- Castro Alves usa o romantismo para denunciar a escravidão.
- Modernismo: a primeira fase rompe com a forma tradicional.
- Clara dos Anjos critica o preconceito; é obra de Lima Barreto.
- Secos e Molhados é álbum de 1973, lançado durante a ditadura militar.
- A paixão segundo G.H. é romance de Clarice Lispector.
Mapa de revisão
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