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Matéria 01

Língua Portuguesa

O que o edital pede nesta matéria

  1. 1Compreensão e interpretação de textos: As questões de compreensão e interpretação visam a averiguar a capacidade do candidato, relativamente aos seguintes aspectos: compreensão do significado global do texto; construção de relações intertextuais e intratextuais; reconhecimento de ideias principais e secundárias; dedução de ideias e pontos de vista implícitos no texto; figuras de linguagem;4 questões da banca, 2016–2018 · cap. 1
  2. 2compreensão e interpretação da linha argumentativa do autor; diferenciação entre fatos e opiniões; reconhecimento das diferentes “vozes” enunciadas em um texto; compreensão do sentido de palavras, expressões ou estruturas frasais em determinados contextos; análise do texto, do ponto de vista do propósito comunicativo, do conteúdo temático e das unidades de estilo e de composição;14 questões da banca, 2016–2026 · cap. 1
  3. 3reconhecimento e compreensão do gênero textual/ discursivo (conto, artigo de opinião, carta etc.); do tipo textual (dissertativo, descritivo, narrativo etc.); do registro (formal, informal); da variedade linguística (padrão, não padrão); da modalidade linguística (oral, escrita, visual).9 questões da banca, 2017–2025 · cap. 1
  4. 4Análise de recursos linguísticos: As questões contempladas neste item visam a aferir a capacidade do candidato de analisar o funcionamento de recursos linguísticos, privilegiando o raciocínio em lugar da memorização de nomenclaturas, definições e classificações descontextualizadas.17 questões da banca, 2015–2019 · cap. 1
  5. 5Serão c onsiderados os seguintes aspectos: reconhecimento de diferentes relações entre recursos gramaticais e lexicais e suas funções no texto (níveis: fonético-fonológico, morfológico, sintático, semântico, pragmático, textual e discursivo); adequação de recursos linguísticos ao contexto de uso; domínio da variedade padrão da língua escrita, reconhecimento das demais variedades e reflexão sobre seus usos.31 questões da banca, 2018–2026 · cap. 1

Língua Portuguesa · Capítulo 1

Compreensão e interpretação de textosLinha argumentativa, fatos, opiniões e vozesGênero, tipo, registro, variedade e modalidadeAnálise de recursos linguísticos nos níveis da línguaAdequação ao contexto e variedade padrão da língua escrita

Itens do edital:

  • 1. Compreensão e interpretação de textos: As questões de compreensão e interpretação visam a averiguar a capacidade do candidato, relativamente aos seguintes aspectos: compreensão do significado global do texto; construção de relações intertextuais e intratextuais; reconhecimento de ideias principais e secundárias; dedução de ideias e pontos de vista implícitos no texto; figuras de linguagem;
  • 2. compreensão e interpretação da linha argumentativa do autor; diferenciação entre fatos e opiniões; reconhecimento das diferentes “vozes” enunciadas em um texto; compreensão do sentido de palavras, expressões ou estruturas frasais em determinados contextos; análise do texto, do ponto de vista do propósito comunicativo, do conteúdo temático e das unidades de estilo e de composição;
  • 3. reconhecimento e compreensão do gênero textual/ discursivo (conto, artigo de opinião, carta etc.); do tipo textual (dissertativo, descritivo, narrativo etc.); do registro (formal, informal); da variedade linguística (padrão, não padrão); da modalidade linguística (oral, escrita, visual).
  • 4. Análise de recursos linguísticos: As questões contempladas neste item visam a aferir a capacidade do candidato de analisar o funcionamento de recursos linguísticos, privilegiando o raciocínio em lugar da memorização de nomenclaturas, definições e classificações descontextualizadas.
  • 5. Serão c onsiderados os seguintes aspectos: reconhecimento de diferentes relações entre recursos gramaticais e lexicais e suas funções no texto (níveis: fonético-fonológico, morfológico, sintático, semântico, pragmático, textual e discursivo); adequação de recursos linguísticos ao contexto de uso; domínio da variedade padrão da língua escrita, reconhecimento das demais variedades e reflexão sobre seus usos.

1.1 Pré-teste

Responda antes de ler a teoria. O gabarito está no fim do capítulo.

P1inédita
Leia o trecho a seguir. “Estima-se que mais de 250 línguas sejam faladas no Brasil, entre línguas indígenas, de imigração, de sinais, crioulas e afro-brasileiras, além do português e de suas variedades. Esse patrimônio cultural é desconhecido por grande parte da população brasileira, que se acostumou a ver o Brasil como um país monolíngue. [...] O INDL é o instrumento oficial de reconhecimento de línguas como patrimônio cultural e seu objetivo é a ‘identificação, documentação, reconhecimento e valorização das línguas portadoras de referência à identidade, à ação e à memória dos diferentes grupos formadores da sociedade brasileira’.”

Com base no trecho sobre o Inventário Nacional da Diversidade Linguística (INDL), assinale o que for correto.

  1. 01)O decreto que instituiu o INDL teve como objetivo estabelecer uma única língua oficial e unificar os usos linguísticos no país.
  1. 02)O INDL reconhece línguas como patrimônio cultural e prevê ações de identificação, documentação e valorização.
  2. 04)O texto afirma que os inventários devem estimular o surgimento de novas línguas e variedades do português.
  1. 08)A percepção de que o Brasil é monolíngue contrasta com a diversidade de línguas mencionada no texto.

Soma das corretas: (  )(  )

P2inédita
Leia os trechos de uma reportagem sobre a eleição de Ana Maria Gonçalves para a Academia Brasileira de Letras (ABL). “Oitenta anos. Esse foi o tempo que a Academia Brasileira de Letras levou, desde a sua fundação, em 20 de julho de 1897, para eleger a primeira mulher. [...] Quarenta e oito anos depois, em 10 de julho de 2025, a ABL elegeu a primeira mulher negra: a escritora, dramaturga e roteirista mineira Ana Maria Gonçalves. [...] Ela recebeu 30 dos 31 votos de acadêmicos.” Mel Duarte, poeta e compositora: “Sempre digo que, para uma escritora negra, reparação é ser reconhecida e exaltada em vida.” Eliana Alves Cruz, escritora: “Meu medo é que a instituição passe o ferrolho para outras autoras negras depois que a Ana Maria Gonçalves entrar.” “Quanto mais plural, melhor”, acrescenta a autora.

Com base na reportagem, assinale o que for correto.

  1. 01)A presença de depoimentos de diferentes pessoas permite que a reportagem apresente avaliações distintas sobre representatividade e a instituição.
  1. 02)Todas as entrevistadas defendem que a eleição de uma escritora negra encerra a necessidade de novas mudanças na ABL.
  2. 04)A expressão ‘passe o ferrolho’ descreve literalmente a instalação de uma fechadura na Academia.
  1. 08)O texto relata a eleição como um acontecimento e também inclui interpretações e críticas atribuídas às pessoas entrevistadas.

Soma das corretas: (  )(  )

P3inédita
Leia o trecho da letra de “Bat Macumba”, de Gilberto Gil e Caetano Veloso (1968): Bat Macumba ê ê, Bat Macumba obá Bat Macumba ê ê, Bat Macumba oh Bat Macumba ê ê, Bat Macum Bat Macumba ê ê, Batman Bat Macumba ê ê, Bat Bat Macumba ê ê, Ba

Considerando esse trecho e sua organização verbal, assinale o que for correto.

  1. 01)A grafia de ‘Batman’ e ‘Macumba’ se explica pela mesma regra de uso de m antes das consoantes p e b.
  1. 02)A repetição de “Bat Macumba” e o corte progressivo da expressão (Bat Macum, Bat, Ba) exploram a forma da palavra e aproximam a canção de procedimentos associados à poesia concreta.
  2. 04)As alterações e reduções de ‘Bat Macumba’ exploram combinações sonoras e gráficas, em vez de formar uma narrativa linear convencional.
  1. 08)A letra conta, em sequência cronológica, a história completa de um personagem chamado Batman.

Soma das corretas: (  )(  )

1.2 O que cai

  • 1. Compreensão e interpretação de textos: As questões de compreensão e interpretação visam a averiguar a capacidade do candidato, relativamente aos seguintes aspectos: compreensão do significado global do texto; construção de relações intertextuais e intratextuais; reconhecimento de ideias principais e secundárias; dedução de ideias e pontos de vista implícitos no texto; figuras de linguagem: 4 questões da banca, 2016–2018
  • 2. compreensão e interpretação da linha argumentativa do autor; diferenciação entre fatos e opiniões; reconhecimento das diferentes “vozes” enunciadas em um texto; compreensão do sentido de palavras, expressões ou estruturas frasais em determinados contextos; análise do texto, do ponto de vista do propósito comunicativo, do conteúdo temático e das unidades de estilo e de composição: 14 questões da banca, 2016–2026
  • 3. reconhecimento e compreensão do gênero textual/ discursivo (conto, artigo de opinião, carta etc.); do tipo textual (dissertativo, descritivo, narrativo etc.); do registro (formal, informal); da variedade linguística (padrão, não padrão); da modalidade linguística (oral, escrita, visual): 9 questões da banca, 2017–2025
  • 4. Análise de recursos linguísticos: As questões contempladas neste item visam a aferir a capacidade do candidato de analisar o funcionamento de recursos linguísticos, privilegiando o raciocínio em lugar da memorização de nomenclaturas, definições e classificações descontextualizadas: 17 questões da banca, 2015–2019
  • 5. Serão c onsiderados os seguintes aspectos: reconhecimento de diferentes relações entre recursos gramaticais e lexicais e suas funções no texto (níveis: fonético-fonológico, morfológico, sintático, semântico, pragmático, textual e discursivo); adequação de recursos linguísticos ao contexto de uso; domínio da variedade padrão da língua escrita, reconhecimento das demais variedades e reflexão sobre seus usos: 31 questões da banca, 2018–2026

1.3 Teoria

A prova de Língua Portuguesa da UFSC mede leitura, não memorização de nomes. Em cada proposição, você precisa entender o texto e explicar o efeito de um recurso da língua.

1.3.1 Compreensão e interpretação de textos

Ler bem começa antes da alternativa. Leia o texto inteiro, sem pular para a proposição, e pergunte qual é a ideia central do autor.

Sentido global é o que o texto diz no todo. Sentido pontual é o que um detalhe, uma palavra ou uma frase diz. Muitos candidatos erram porque tomam um detalhe correto por conclusão do texto.

Ideia principal organiza o texto, e ideias secundárias sustentam essa ideia. Se a proposição afirma algo que só aparece em um exemplo, ela trata de ideia secundária e costuma estar errada quando fala do texto como um todo.

Implícito é o que o texto sugere sem dizer. O autor deixa pistas: uma escolha de palavra, uma comparação, uma pergunta retórica. Você pode concluir, mas a conclusão precisa se apoiar no texto.

Relações entre textos são de dois tipos. Intertextualidade é o diálogo com outro texto, como uma citação. Intratextualidade é a relação dentro do próprio texto, como uma palavra que retoma outra lá atrás.

Pergunta do candidatoOnde procurar a resposta
Qual é a tese do autor?Primeiro e último parágrafos
Este detalhe resume o texto?Compare com a ideia central
Isto está dito ou só sugerido?Procure a pista no próprio texto

Figuras de linguagem também são recurso de sentido, não enfeite. A metáfora atribui a um ser a característica de outro. A ironia diz o contrário do que pensa. A hipérbole exagera de propósito para produzir efeito.

1.3.2 Linha argumentativa, fatos, opiniões e vozes

A linha argumentativa é o caminho que o autor percorre para convencer. Ela começa numa tese, passa por argumentos e termina numa conclusão. Para achar a tese, procure a frase que o restante do texto tenta provar. Quando a proposição fala de um argumento, confira se ele realmente sustenta a tese, e não um tema vizinho.

Fato e opinião são o primeiro filtro. O fato pode ser checado: uma data, um número, um acontecimento. A opinião é o juízo de quem fala, e costuma vir com adjetivos avaliativos, verbos de sentimento e expressões como “na minha opinião”. Uma proposição que chama de fato algo que é juízo de valor está errada.

Um texto pode ter muitas vozes. O autor cita uma pessoa, um especialista ou um personagem. Essa fala é uma voz enunciada dentro do texto. Reconhecer quem fala evita confundir a opinião do autor com a opinião citada.

RecursoComo identificarExemplo
Discurso diretoFala reproduzida entre aspas, com as palavras exatasEla disse: “Vou embora”.
Discurso indiretoFala relatada sem aspas, com verbo de dizerEla disse que ia embora.

No discurso direto, as aspas marcam a fala de outra pessoa. No indireto, quem conta é o autor, e a fala vira oração subordinada.

Sentido de palavras em contexto. A mesma palavra muda de sentido conforme o lugar em que aparece. Pense em manga: fruta numa frase sobre o pomar, parte da camisa numa frase sobre roupas. Quando a prova pergunta o sentido de uma palavra, a resposta correta é a que cabe no contexto, e não o primeiro significado que você decorou.

Erro típico. O candidato lê uma palavra forte e acha que o autor critica algo que ele só descreveu. Descrever não é concordar. Antes de marcar, confirme pelo contexto se há juízo de valor.

O propósito do texto também orienta a leitura. O autor pode querer informar, convencer ou denunciar. Saber o propósito explica por que um trecho aparece onde aparece.

Comparação

Fato e opinião

FatoOpinião
Pode ser checado por data, número ou acontecimentoJuízo de valor do autor, com adjetivos avaliativos
Verificável e neutroMarcado por verbos de sentimento e expressões como na minha opinião

1.3.3 Gênero, tipo, registro, variedade e modalidade

Todo texto tem cinco características que a prova pode cobrar: gênero, tipo, registro, variedade e modalidade. Elas respondem a perguntas diferentes, por isso não se misturam.

Gênero textual é a forma que o texto assume numa situação social. Conto, artigo de opinião, carta, notícia e receita são gêneros. Cada um tem função e suporte próprios: a carta pode ser pessoal ou oficial, e o artigo de opinião aparece em jornal para defender um ponto de vista.

Tipo textual é a estrutura predominante do texto, e não o gênero. Um artigo de opinião pode ter trechos narrativos, mas seu tipo dominante é o dissertativo-argumentativo.

TipoPergunta que ele respondeMarca típica
NarrativoO que aconteceu?Ações em sequência e personagens
DescritivoComo é?Qualidades, detalhes e imagens
DissertativoO que se pensa e por quê?Tese, argumentos e conclusão
InjuntivoO que fazer?Verbos no imperativo ou no infinitivo

Registro é o grau de formalidade. O registro formal aparece em contexto oficial e em textos de exame. O informal aparece na conversa entre amigos. Não existe registro certo em si: existe o registro adequado à situação.

Variedade linguística é a forma da língua de um grupo ou de uma região. A variedade padrão é a que a gramática normativa descreve e que se usa na escrita formal. As variedades não padrão são legítimas. A prova pode pedir que você reconheça a variedade do texto, mas a pergunta de adequação é outra: a variedade combina com o contexto?

Modalidade é o canal: oral ou escrito. Um texto escrito pode imitar a fala, como uma transcrição de entrevista. Reconhecer a modalidade ajuda a explicar as marcas de oralidade que aparecem no texto.

Pegadinha clássica. A proposição troca o gênero pelo tipo. Uma carta com trechos narrativos continua sendo carta. Confira as duas respostas antes de marcar.

1.3.4 Análise de recursos linguísticos nos níveis da língua

A banca não pergunta o nome do recurso. Ela pergunta o que o recurso faz no texto. O caminho certo tem três passos: identifique o recurso, descreva a função dele no contexto e só então julgue a proposição.

Os níveis da língua. Um recurso pode atuar em um ou mais níveis. Veja a tabela:

NívelO que observaExemplo
Fonético-fonológicoSons e acentoRima entre palavras
MorfológicoForma e classe das palavrasPlural, grau, sufixo
SintáticoOrdem e relação entre termosSujeito, complemento, oração
SemânticoSentido das palavrasSinônimo, antônimo, sentido figurado
PragmáticoUso em situação realIronia e intenção do falante
Textual e discursivoCoesão e coerência no conjuntoRetomada por pronome ou conjunção

Regra geral. Recurso de coesão liga partes do texto. Pronome, sinônimo e conjunção fazem essa ligação. Quando a proposição diz que um pronome retoma uma palavra, confira se a palavra retomada é a correta e se o sentido permanece.

Exceções que a prova cobra.

  • Conjunção muda o sentido. Em “estudou, mas não passou” há oposição; em “estudou e passou” há soma. Trocar uma pela outra altera a leitura.
  • Retomada por sinônimo não é repetição. Quando o autor troca “o livro” por “a obra”, mantém o mesmo referente.
  • Sentido figurado depende do contexto. “Ele é um leão” é metáfora num texto sobre coragem; numa frase sobre zoológico, é literal.
  • Elipse é a omissão de um termo facilmente recuperável pelo contexto, como o sujeito que a terminação do verbo já indica. Quando o termo omitido já apareceu antes na frase, fala-se em zeugma. Nos dois casos, o termo não some do sentido.

Casos de prova. A banca explora diferenças pequenas que têm função grande. “Mal” modifica verbo ou adjetivo, enquanto “mau” qualifica substantivo. Essa diferença muda a classe da palavra e o papel dela no período.

Como a proposição engana. Ela costuma manter o nome certo do recurso e trocar o efeito. Por exemplo, diz que “porque” introduz consequência quando, na frase, introduz causa. Por isso a pergunta de controle é sempre a mesma: o que este recurso faz nesta frase? Responder a isso antes de ler as alternativas evita a maior parte dos erros desta parte da prova.

Erro típico. O candidato identifica o recurso e para. Marca “há metáfora” sem verificar se a metáfora produz o sentido que a proposição afirma. A proposição costuma trocar a função: diz que o recurso indica tempo quando indica causa, ou oposição quando indica adição.

Exemplo resolvido

Veja um caso no estilo da prova.

Proposições: 01) Em “Chegou cedo, mas não encontrou ninguém”, a conjunção indica oposição. 02) Em “Ele é um trator na quadra”, há comparação literal entre dois seres. 04) Em “Trouxe o relatório; ele, porém, não foi lido”, o pronome “ele” retoma “o relatório”.

  1. Em 01, “mas” liga duas ideias que se opõem: chegar cedo e não encontrar ninguém. Proposição correta.
  2. Em 02, “é um trator” compara por metáfora, e não por comparação literal. Proposição errada.
  3. Em 04, “ele” retoma “o relatório”, e a proposição descreve isso corretamente. Proposição correta.
  4. Soma das corretas: 01 + 04 = 05.

Esquema

Níveis da língua

Recursos linguísticos

  • Fonético-fonológico

    Sons, sílabas e acento

  • Morfológico

    Forma e classe das palavras

  • Sintático

    Relação entre termos e orações

  • Semântico e pragmático

    Sentido e uso na situação

1.3.5 Adequação ao contexto e variedade padrão da língua escrita

Esta parte da prova mede se você sabe escolher a forma certa para a situação. A língua tem recursos gramaticais e lexicais, e cada um cumpre uma função. Uma forma pode estar correta na variedade padrão e inadequada num texto informal, ou o contrário.

Recursos gramaticais e lexicais. Recurso gramatical é a estrutura: concordância, regência, colocação pronominal e tempo verbal. Recurso lexical é a escolha de palavras: sinônimo, termo técnico ou expressão coloquial. A prova relaciona os dois. Uma escolha lexical formal pede estrutura formal, e a recíproca vale.

Adequação ao contexto. Pergunte: quem escreve, para quem, em que suporte e com que finalidade. Um requerimento pede registro formal. Uma mensagem entre colegas aceita gíria. Adequar não é escrever bonito; é escrever para aquele leitor.

Variedade padrão da língua escrita. É a norma usada na escrita formal, como em textos de vestibular e de jornal. Ela segue regras de concordância, regência e pontuação. As demais variedades são reconhecidas como legítimas, mas a prova pergunta se o uso é adequado à situação.

Três pontos costumam ser explorados:

  • Concordância. O verbo “fazer”, indicando tempo decorrido, é impessoal e fica no singular: Faz dois anos. O verbo “haver” com sentido de existir também fica no singular: Houve problemas.
  • Regência. O verbo “assistir”, no sentido de ver, pede a preposição “a”: assisti ao filme. No sentido de ajudar, é transitivo direto: assistir o doente.
  • Crase. A crase é a fusão da preposição “a” com o artigo “a”. Ela ocorre diante de palavra feminina determinada: voltei à casa da minha avó. Antes de palavra sem artigo, não há crase: voltei a casa.
Forma inadequadaForma padrão
Fazem dois anosFaz dois anos
Houveram reclamaçõesHouve reclamações
Cheguei à CuritibaCheguei a Curitiba

Pegadinha da banca. A proposição troca uma forma e afirma que o sentido continua o mesmo. A pergunta é se a forma alterada continua adequada. “A gente” é forma informal; num registro formal, a forma esperada é “nós”. A troca só é adequada se combinar com o registro do texto.

Erro típico. O candidato trata toda forma coloquial como errada. Uma gíria num texto de humor pode ser justamente o recurso que produz graça. Pergunte: a escolha produz efeito no texto? Se produz, ela é recurso, e não erro.

Exemplo resolvido

Veja um caso no estilo da prova.

Proposições: 01) Em “Voltei a casa cedo”, não há crase, porque “casa” está sem artigo. 02) Em “Entreguei o trabalho à professora”, há crase, porque “professora” é palavra feminina determinada. 04) Em “Cheguei à Curitiba ontem”, a crase está correta. 08) Em “Assisti ao filme”, a forma está de acordo com a variedade padrão.

  1. Em 01, a proposição está certa: “casa” não tem determinante, portanto não há crase.
  2. Em 02, a proposição está certa: “à professora” reúne a preposição “a” e o artigo “a”.
  3. Em 04, a proposição está errada: Curitiba não admite artigo, então não há crase.
  4. Em 08, a proposição está certa: “assistir”, no sentido de ver, pede “a”, e “ao filme” está correto.
  5. Soma das corretas: 01 + 02 + 08 = 11.

Esquema

Como decidir a crase

  1. 1Há preposição “a” exigida pelo verbo ou pela locução?

  2. 2A palavra seguinte admite artigo “a”?

    Cidades sem artigo não admitem crase

  3. 3A palavra feminina está determinada?

    Se sim, há crase

  4. 4Marque a crase só se as três respostas forem sim

Pegadinha da banca

Conjunção que troca de sentido

A proposição troca “mas” por “e” ou “portanto” e afirma que a leitura não muda. Antes de aceitar a troca, verifique qual ideia a conjunção liga.

Atenção

Crase depende de artigo

Crase só ocorre quando a preposição “a” encontra o artigo “a”, diante de palavra feminina que admite artigo. Acento grave sozinho não prova crase.

Pegadinha da banca

Figura ou sentido literal

Antes de marcar metáfora, confira se a palavra tem sentido literal no contexto. A mesma frase pode ser figurada num texto e literal em outro.

1.4 Exemplo resolvido

Assinale o que for correto sobre o trecho: “Os alunos chegaram cedo; contudo, o professor já tinha saído.” 01) O conectivo “contudo” indica oposição entre as duas orações. 02) Trocar “contudo” por “portanto” preserva o sentido do trecho. 04) O trecho está em linguagem informal, pois usa termos coloquiais. 08) A forma verbal “chegaram” está no plural porque concorda com o sujeito “os alunos”.

  1. 01 está correta: “contudo” liga a chegada cedo à ausência do professor, duas ideias em oposição.
  2. 02 está errada: “portanto” indica conclusão, e a troca altera o sentido do trecho.
  3. 04 está errada: o trecho usa linguagem formal e não contém termos coloquiais.
  4. 08 está correta: o verbo concorda em número com o sujeito plural “os alunos”.
  5. Soma das corretas: 01 + 08 = 09.

Resposta: 09

1.5 Fixação

Questões inéditas, no estilo da banca.

F1inédita
Leia os trechos de uma reportagem de André Bernardo (Estadão, 10/07/2025). Título: “Ana Maria Gonçalves faz história e é eleita a primeira mulher negra na Academia Brasileira de Letras”. Vanessa Ribeiro Teixeira: “No momento presente, reduz-se a distância entre a produção literária do nosso tempo e a casa institucional que deveria contemplá-la. Numa perspectiva histórica, reconhece-se, finalmente, o lugar de destaque devido à escrita de mulheres negras, herdeiras de Maria Firmina dos Reis [...]”, afirma Teixeira. Outras falas aparecem com verbos como “admite”, “pondera”, “enfatiza” e “avisa”.

Com base em construções linguísticas da reportagem, assinale o que for correto.

  1. 01)As aspas que delimitam falas de entrevistadas sinalizam, nesses trechos, a reprodução de discurso direto.
  1. 02)No título, os verbos ‘faz’ e ‘é’ estão no presente e, por isso, provam que a eleição ocorre continuamente enquanto a matéria é lida.
  2. 04)Verbos como ‘admite’, ‘pondera’, ‘enfatiza’ e ‘avisa’ introduzem ou comentam falas atribuídas às fontes.
  1. 08)Em “a casa institucional que deveria contemplá-la”, o pronome “la” retoma “a casa institucional”.

Soma das corretas: (  )(  )

F2inédita
Leia o trecho de uma reportagem de Daniel Verdú (El País). “Acabou o egoísmo, o narcisismo selfie, a obsessão pelo consumo e a passividade que isso acarreta. Há uma geração que quer salvar o mundo, mas ainda não sabe como. [...] São a geração Z, o grupo demográfico nascido entre 1994 e 2010, que representa 25,9% da população mundial. [...] Essa geração já não se conforma em ser sujeito passivo de marcas e publicações, deseja produzir seus conteúdos. E consegue através do YouTube, onde as novas celebridades surgidas nessa mídia já são mais populares do que as da indústria do entretenimento tradicional (63% contra 37%, segundo o Cassandra Report).”

Com base no trecho, assinale o que for correto.

  1. 01)O texto caracteriza a Geração Z como marcada pela passividade e pela obsessão pelo consumo.
  1. 02)O texto afirma que a geração busca produzir conteúdos e usa o YouTube para isso.
  2. 04)Segundo os dados citados no texto, celebridades surgidas no YouTube são menos populares do que as da indústria tradicional do entretenimento.
  1. 08)O texto informa que a Geração Z representa 25,9% da população mundial.

Soma das corretas: (  )(  )

F3inédita
Leia os trechos de uma reportagem sobre a eleição de Ana Maria Gonçalves para a Academia Brasileira de Letras (ABL). “Oitenta anos. Esse foi o tempo que a Academia Brasileira de Letras levou, desde a sua fundação, em 20 de julho de 1897, para eleger a primeira mulher. [...] Quarenta e oito anos depois, em 10 de julho de 2025, a ABL elegeu a primeira mulher negra: a escritora, dramaturga e roteirista mineira Ana Maria Gonçalves. [...] Ela recebeu 30 dos 31 votos de acadêmicos.” Ana Paula Lisboa, escritora: “A eleição de Ana Maria Gonçalves não é cota, muito menos favor. [...] A ABL precisa mais da Ana Maria Gonçalves do que a Ana Maria Gonçalves precisa da ABL.” Cidinha da Silva, escritora: “[...] seria de bom alvitre nos responder: por que Ana Maria Gonçalves, provavelmente, foi convidada, e a candidatura de Conceição Evaristo foi rechaçada? [...] Merecemos respostas.”

Com base nos trechos, assinale o que for correto sobre fato e opinião.

  1. 01)A informação de que Ana Maria Gonçalves recebeu 30 dos 31 votos é apresentada como dado factual da reportagem.
  1. 02)A afirmação de uma entrevistada de que a ABL precisa mais de Ana Maria do que Ana Maria precisa da ABL é um resultado numérico da votação.
  2. 04)A pergunta de Cidinha da Silva sobre por que certas candidaturas foram aceitas ou rejeitadas expressa um questionamento crítico.
  1. 08)A opinião de que a eleição não é cota nem favor é apresentada como uma lei que rege a composição da Academia.

Soma das corretas: (  )(  )

F4inédita
Leia trechos de uma reportagem sobre a ABL. Eliana Alves Cruz: “Meu medo é que a instituição passe o ferrolho para outras autoras negras depois que a Ana Maria Gonçalves entrar.” “Quanto mais plural, melhor.” Cidinha da Silva: “Não queremos que a eleição da Ana Maria Gonçalves seja um ‘cala-boca racializado’. Queremos mais escritoras negras naquele espaço [...] e em todos os outros, não apenas uma.”

No contexto da reportagem, interprete as expressões “passe o ferrolho”, “cala-boca racializado” e “quanto mais plural, melhor”. Assinale o que for correto.

  1. 01)‘Passe o ferrolho’ descreve a ação física de instalar uma fechadura na sede da Academia.
  1. 02)No contexto, ‘passe o ferrolho’ sugere impedir que outras autoras negras tenham acesso futuro à instituição.
  2. 04)Ao rejeitar que a eleição seja um ‘cala-boca racializado’, a entrevistada afirma que a desigualdade racial foi definitivamente resolvida.
  1. 08)‘Quanto mais plural, melhor’ defende a redução da variedade de perspectivas presentes na Academia.

Soma das corretas: (  )(  )

1.6 Questões da banca

Questões oficiais de provas anteriores, com a fonte.

Q1oficial · ufsc-coperve 2018
Texto base: Texto 1 O Inventário Nacional da Diversidade Linguística Estima-se que mais de 250 línguas sejam faladas no Brasil, entre línguas indígenas, de imigração, de sinais, crioulas e afro-brasileiras, além do português e de suas variedades. Esse patrimônio cultural é desconhecido por grande parte da população brasileira, que se acostumou a ver o Brasil como um país monolíngue. O resultado da mobilização que envolveu setores da sociedade civil e governamentais interessados em mudar esse cenário é o Decreto n. 7.387, de 9 de dezembro de 2010, que instituiu o Inventário Nacional da Diversidade Linguística (INDL). O INDL é o instrumento oficial de reconhecimento de línguas como patrimônio cultural e seu objetivo é a “identificação, documentação, reconhecimento e valorização das línguas portadoras de referência à identidade, à ação e à memória dos diferentes grupos formadores da sociedade brasileira”. Por ser um instrumento com a dupla finalidade de pesquisar as línguas e de reconhecê-las como patrimônio cultural, o INDL deve permitir o mapeamento, a caracterização e o diagnóstico das diferentes situações relacionadas à pluralidade linguística brasileira. Entre as ações de valorização previstas, encontra-se o reconhecimento da importância das línguas como elemento de transmissão da cultura e como referência identitária para os diversos grupos sociais que vivem no país. Além de possibilitar a ampliação do mapa da diversidade linguística brasileira, os inventários também fomentam a mobilização das comunidades em torno dos temas da sua língua, da sua cultura e da sua identidade, contribuindo para o seu fortalecimento como gestores do seu próprio patrimônio cultural. Disponível em: <http://portal.iphan.gov.br/pagina/detalhes/139>. [Adaptado]. Acesso em: 20 mar. 2018.

De acordo com o Texto 1, é correto afirmar que:

  1. 01)a ideia principal é apresentar o INDL, informando seu objetivo e finalidades, com ênfase na pluralidade linguística brasileira e no papel das línguas na preservação cultural e identitária dos grupos que constituem a sociedade brasileira.
  1. 02)o INDL é um Decreto que oficializa o papel unificador do Estado com vistas ao fortalecimento de uma língua nacional.
  2. 04)o Brasil figura entre os países com maior diversidade linguística, não obstante o esforço do colonizador português em impor sua língua pátria, extinguindo os sotaques locais.
  3. 08)entre suas ações, o INDL prevê demarcação de fronteiras geográficas, de modo a delimitar o espaço das diferentes línguas faladas no território brasileiro e, assim, preservá-las.
  4. 16)o INDL foi instituído com vistas à ampliação do nosso patrimônio cultural, incentivando tanto o surgimento de novas línguas faladas como o de novas variedades do português.
  1. 32)embora na percepção de grande parte do povo brasileiro o nosso país seja monolíngue, o Brasil é, de fato, multilíngue, pois não há apenas uma língua falada no Brasil.

Soma das corretas: (  )(  )

Q2oficial · ufsc-coperve 2026
Texto base: Texto 1 Ana Maria Gonçalves faz história e é eleita a primeira mulher negra na Academia Brasileira de Letras Por André Bernardo (10/07/2025 – Estadão) Oitenta anos. Esse foi o tempo que a Academia Brasileira de Letras levou, desde a sua fundação, em 20 de julho de 1897, para eleger a primeira mulher. A escolhida foi a jornalista e escritora cearense Rachel de Queiroz no dia 4 de agosto de 1977. Quarenta e oito anos depois, em 10 de julho de 2025, a ABL elegeu a primeira mulher negra: a escritora, dramaturga e roteirista mineira Ana Maria Gonçalves. A autora de Ao lado e à margem do que sentes por mim (Independente, 2002) e Um defeito de cor (Record, 2006) disputou a vaga com outros 13 candidatos: dez homens e três mulheres. Ela recebeu 30 dos 31 votos de acadêmicos. “Além de ser um motivo para comemorar, é também um motivo para nós começarmos a pensar o que significam esses primeiros, esses únicos. Numa sociedade brasileira onde as mulheres negras são a maioria do estrato social, por que só agora?”, refletiu Ana Maria. O que representa para a literatura brasileira ter uma escritora negra na ABL? “Sempre digo que, para uma escritora negra, reparação é ser reconhecida e exaltada em vida. Logo, ter uma de nós ocupando uma cadeira da ABL é de extrema importância, pois reforça a necessidade de olhar para a produção intelectual e o resgate da memória de quem sempre esteve na base desse País”, afirma a poeta e compositora Mel Duarte. O que representa para a literatura brasileira ter uma escritora negra na ABL? “Prefiro alterar a pergunta: o que representa para a ABL a eleição de uma escritora negra?”, responde Vanessa Ribeiro Teixeira, doutora em Letras pela UFRJ. “No momento presente, reduz-se a distância entre a produção literária do nosso tempo e a casa institucional que deveria contemplá-la. Numa perspectiva histórica, reconhece-se, finalmente, o lugar de destaque devido à escrita de mulheres negras, herdeiras de Maria Firmina dos Reis, considerada a primeira romancista negra não só do Brasil, mas da América Latina”, afirma Teixeira, referindo-se à autora do romance Úrsula (1853). Conceição Evaristo também já concorreu Não foi a primeira vez que uma escritora negra concorreu a uma vaga na ABL. No dia 30 de agosto de 2018, a escritora mineira Conceição Evaristo tentou se eleger, mas não conseguiu. Evaristo obteve um único voto. De nada adiantaram, entre outras iniciativas populares, a campanha no antigo Twitter usando a hashtag #ConceiçãoEvaristonaABL e uma petição online com 40 mil assinaturas. “Minha personalidade é rancorosa demais para perdoar o que fizeram: é como se tivessem rejeitado a minha avó. Mesmo depois da eleição do Gil, meu coração não se acalmou”, admite a jornalista e escritora Ana Paula Lisboa. ‘Não é cota’ “A eleição de Ana Maria Gonçalves não é cota, muito menos favor. É um lugar digno de uma escritora que tem um dos livros mais importantes da literatura brasileira”, prossegue a autora. “A ABL precisa mais da Ana Maria Gonçalves do que a Ana Maria Gonçalves precisa da ABL.” “Setores majoritários da ABL podem tentar se manter alheios aos grandes debates que clamam por transformações sociais, mas seria de bom alvitre nos responder: por que Ana Maria Gonçalves, provavelmente, foi convidada, e a candidatura de Conceição Evaristo foi rechaçada? Por que Gilberto Gil pode ser membro da ABL e Martinho da Vila, não? Merecemos respostas”, pondera a escritora Cidinha da Silva. A trajetória de Ana Maria Gonçalves “Não queremos que a eleição da Ana Maria Gonçalves seja um ‘cala-boca racializado’. Queremos mais escritoras negras naquele espaço de notoriedade positiva e em todos os outros, não apenas uma”, enfatiza Cidinha da Silva. “Representatividade é importante, porque, quando vejo uma pessoa igual a mim em lugares de poder, de comando, de status sociopolítico e cultural reconhecido e valorizado, penso que eu e pessoas parecidas comigo também podem ocupar e desfrutar desses espaços”, prossegue. “A trajetória literária e social de Ana Maria Gonçalves como mulher negra e escritora entrelaça dois marcadores sociais que, historicamente, se converteram em tabus para a ABL: o gênero e a raça, evitados, tanto quanto possível, sob a justificativa de que a instituição seria um espaço neutro e refratário a ditos ‘proselitismos’”, afirma Michele Asmar Fanini, doutora em Sociologia pela USP e autora da tese Fardos e fardões – Mulheres na Academia Brasileira de Letras. A jornalista, escritora e roteirista Eliana Alves Cruz concorda. “Ter uma autora negra ali não é nada. Meu medo é que a instituição passe o ferrolho para outras autoras negras depois que a Ana Maria Gonçalves entrar. Não podemos esquecer que o B de ABL é de Brasil”, avisa a autora de Água de barrela (Malê, 2018), O crime do Cais do Valongo (Malê, 2018) e Solitária (Companhia das Letras, 2022). “Quanto mais plural, melhor”, acrescenta Eliana Alves Cruz. “É espantoso que, em 2025, ainda tenhamos uma instituição tão majoritariamente branca e masculina. Falta muita gente ali. Por que não preencher aquelas cadeiras com outras formas de pensar, de narrar, de falar? Seria bonito se a gente tivesse o Brasil representado na ABL”, finaliza. Disponível em: https://www.estadao.com.br/cultura/literatura/ana-maria-goncalves-faz-historia-e-e-eleita-a-primeira-mulher-negra-na-academia-brasileira-de-letras. [Adaptado].

Com base no texto 1, é correto afirmar que:

  1. 01)a ABL levou 48 anos, desde a sua fundação, para eleger a primeira mulher negra.
  1. 02)Ana Maria Gonçalves problematiza o significado do pioneirismo e o peso da representatividade negra.
  2. 04)em “A eleição de Ana Maria Gonçalves não é cota, muito menos favor” (linha 34), defende-se a necessidade de que seja pensado um sistema de cotas para a ABL.
  3. 08)o texto tem caráter expositivo-argumentativo e expressa posicionamentos por meio dos recortes de fala apresentados.
  4. 16)Mel Duarte (linhas 11-15) sente-se representada pela condição autoral e racial de Ana Maria Gonçalves.
  5. 32)a socióloga Michele Fanini afirma que a Academia Brasileira de Letras é um espaço neutro no debate sobre raça e gênero.
  1. 64)a expressão “passe o ferrolho” (linha 55) significa ‘a ABL se fechar para escolhas futuras de outras autoras negras’.

Soma das corretas: (  )(  )

Q3oficial · ufsc-coperve 2019
Texto base: Texto 1 O Brasil queimou – e não tinha água para apagar o fogo Eu vim ao Rio para um evento no Museu do Amanhã. Então descobri que não tinha mais passado Eu vim ao Rio para um evento no Museu do Amanhã. Então descobri que não tinha mais passado. Diante de mim, o Museu Nacional do Rio queimava. O crânio de Luzia, a “primeira brasileira”, entre 12.500 e 13 mil anos, queimava. Uma das mais completas coleções de pterossauros do mundo queimava. Objetos que sobreviveram à destruição de Pompeia queimavam. A múmia do antigo Egito queimava. Milhares de artefatos dos povos indígenas do Brasil queimavam. Vinte milhões de memória de alguma coisa tentando ser um país queimavam. O Brasil perdeu a possibilidade da metáfora. Isso já sabíamos. O excesso de realidade nos joga no não tempo. No sem tempo. No fora do tempo. O Museu Nacional em chamas. Um bombeiro esguichando água com uma mangueira um pouco maior do que a que eu tenho na minha casa. O Museu Nacional queimando. Sem água em parte dos hidrantes, depois de quatro horas de incêndio ainda chegavam caminhõespipa com água potável. O Museu Nacional queimando. Uma equipe tentava tirar água do lago da Quinta da Boa Vista. O Museu Nacional queimando. A PM impedia as pessoas de avançar para tentar salvar alguma coisa. O Museu Nacional queimando. Outras pessoas tentavam furtar o celular e a carteira de quem tentava entrar para ajudar ou só estava imóvel diante dos portões tentando compreender como viver sem metáforas. Brasil é você. Não posso ser aquele que não é. O Museu Nacional queimando. O que há mais para dizer agora que as palavras já não dizem e a realidade se colocou além da interpretação? Diante do Museu Nacional em chamas, de costas para o palácio, de frente para onde deveria estar o povo, Dom Pedro II em estátua. Sua família tinha tentado inventar um país e o fundaram sobre corpos humanos. Seu avô, Dom João VI, criou aquele museu no Palácio de São Cristóvão. Dom Pedro II está no centro, circunspecto, um homem feito de pedra, um imperador. Diante da parte esquerda do museu, indígenas de diferentes etnias observam as chamas como se mais uma vez fossem eles que estivessem queimando. Estão. É o maior acervo de línguas indígenas da América Latina, diz Urutau Guajajara. É a nossa memória que estão apagando. É o golpe, é o golpe. Poderiam ter salvo, e não salvaram, ele grita. Nunca salvaram. Há 500 anos não salvam. As costas de Pedro ferviam. Quando soube que o museu queimava, eu dividi um táxi com um jornalista britânico e uma atriz brasileira com uma câmera na mão. “Não é só como se o British Museum estivesse queimando, é como se junto com ele estivesse também o Palácio de Buckingham”, disse Jonathan Watts. “Não há mais possibilidade de fazer documentário”, afirmou Gabriela Carneiro da Cunha. “A realidade é Science Fiction.” Eu, que vivo com as palavras e das palavras, não consigo dizer. Sem passado, indo para o Museu do Amanhã, sou convertida em muda. Esvazio de memória como o Museu Nacional. Chamas dentro de todo ele, uma casca do lado de fora. Sou também eu. Uma casca que anda por um país sem país. Eu, sem Luzia, uma não mulher em lugar nenhum. A frase ecoa em mim. E ecoa. Fere minhas paredes em carne viva. “O Brasil é um construtor de ruínas. O Brasil constrói ruínas em dimensões continentais.” A frase reverbera nos corredores vazios do meu corpo. Se a primeira brasileira incendiou-se, que brasileira posso ser eu? O que poderia expressar melhor este momento? A história do Brasil queima. A matriz europeia que inventou um palácio e fez dele um museu. Os indígenas que choram do lado de fora porque suas línguas se incineram lá dentro. E eu preciso alcançar o Museu do Amanhã. Mas o Brasil já não é o país do futuro. O Brasil perdeu a possibilidade de imaginar um futuro. O Brasil está em chamas. O Museu Nacional sem recursos do Governo federal. Os funcionários do Museu Nacional fazendo vaquinha na Internet para reabrir a sala principal. O Museu Nacional morrendo de abandono. O Museu Nacional sem manutenção. O Rio de Janeiro. Flagelado e roubado e arrancado Rio de Janeiro. Entre todos os Brasis, tinha que ser o Rio. Ouço então um chefe de bombeiros dar uma coletiva diante do Museu Nacional, as labaredas lambem o cenário atrás dele. O bombeiro explica para as câmeras de TV que não tinha água, ele conta dos caminhões-pipa. E ele declara: “Está tudo sob controle”. Eu quero gargalhar, me botar louca, queimar junto, ser aquela que ensandece para poder gritar para sempre a única frase lúcida que agora conheço: “O Museu Nacional está queimando! O Museu Nacional está queimando!”. O Brasil está queimando. E o meteorito estava dentro do museu. BRUM, Eliane. “O Brasil queimou – e não tinha água para apagar o fogo”. El País: coluna. São Paulo, 3 set. 2018. Disponível em: <https://brasil.elpais.com/brasil/2018/09/03/opinion/1535975822_774583.html>. [Adaptado]. Acesso em: 3 out. 2018. Considere os trechos a seguir, extraídos do Texto 1, e a variedade padrão da língua escrita. I. O Brasil perdeu a possibilidade da metáfora. Isso já sabíamos. O excesso de realidade nos joga no não tempo. No sem tempo. No fora do tempo. (linhas 12-13) II. Outras pessoas tentavam furtar o celular e a carteira de quem tentava entrar para ajudar ou só estava imóvel diante dos portões tentando compreender como viver sem metáforas. (linhas 19- 21) III. Brasil é você. Não posso ser aquele que não é. (linha 22) IV. Diante do Museu Nacional em chamas, de costas para o palácio, de frente para onde deveria estar o povo, Dom Pedro II em estátua. (linhas 26-27)

Em relação aos trechos, é correto afirmar que:

  1. 01)em III, há uma relação metonímica entre “você” e “Brasil”.
  1. 02)em I e II, há o emprego da figura de linguagem metáfora.
  2. 04)em IV, a passagem “de frente para onde deveria estar o povo” apresenta uma crítica ao povo, que não se fez presente para ajudar a apagar o incêndio.
  3. 08)na segunda oração de III, há a retomada por elipse do sujeito posto na oração imediatamente anterior.
  4. 16)em I, os termos “não”, “sem” e “fora” apresentam a mesma função gramatical.
  5. 32)em I, o pronome “Isso” tem como referente “O excesso de realidade”.
  1. 64)em IV, o período apresenta sentido denotativo.

Soma das corretas: (  )(  )

Q4oficial · ufsc-coperve 2017
Texto base: Texto 1 Geração Z mudará o mundo Acabou o egoísmo, o narcisismo selfie, a obsessão pelo consumo e a passividade que isso acarreta. Há uma geração que quer salvar o mundo, mas ainda não sabe como. Nasceu ou cresceu em plena recessão, em um mundo fustigado pelo terrorismo, índices de desemprego galopantes e uma sensação apocalíptica provocada pelas mudanças climáticas. São mais realistas que seus irmãos mais velhos, indicam todas as consultorias de marketing (sempre preocupadas com seus futuros consumidores). São a geração Z, o grupo demográfico nascido entre 1994 e 2010, que representa 25,9% da população mundial. Os especialistas já analisam todos os traços de sua personalidade. Deixando de lado os riscos e a evidente frivolidade de atribuir uma letra e um só rosto a um espectro de dois bilhões de pessoas, há alguns elementos que podem ser extraídos das múltiplas pesquisas. Especialmente em contraposição a seus predecessores, os chamados millennials (ou Geração Y), que as marcas ainda vivem obcecadas em decifrar. Fundamentalmente porque são um grupo de 80 milhões de pessoas nos EUA e pouco mais de oito milhões na Espanha, que em 2025 representará – de acordo com prognóstico da consultoria Deloitte – 75% da força de trabalho do mundo. O potencial produtivo e de consumo dos millennials já é algo tangível (somente nos EUA têm uma capacidade de compra equivalente a 112 bilhões de reais). Para as empresas, no entanto, a aventura com seus irmãos mais novos consiste agora em decodificá-los no laboratório. A teoria do consumo diz que o segmento populacional dos 18 aos 24 anos é o mais influente. As gerações anteriores e as posteriores sempre querem se parecer com ele. É a referência estética. Os Z – assim chamados por virem depois das gerações X e Y – começam a posicionar-se no topo dessa pirâmide de influência, e em cinco anos a terão dominado. Essa geração já não se conforma em ser sujeito passivo de marcas e publicações, deseja produzir seus conteúdos. E consegue através do YouTube, onde as novas celebridades surgidas nessa mídia já são mais populares do que as da indústria do entretenimento tradicional (63% contra 37%, segundo o Cassandra Report, um dos relatórios mais utilizados pelas grandes empresas para sondar os gostos da juventude). Ou por meio de aplicativos como o Vine (para vídeos em loop) e plataformas online como o Playbuzz, a guinada do popular site de histórias virais Buzzfeed, onde agora os conteúdos são postados pelos usuários, que já somam 80 milhões por mês, segundo o Google Analytics. O tempo livre está cada vez mais direcionado para as vocações profissionais (blogs, desenho de moda, fotografia...) e as comunidades se formam em torno disso. A escritora Luna Miguel destaca esse modo de trabalhar em rede, apesar de alertar para o fato de ser cedo para analisar uma geração que ainda compartilha muitos códigos com a anterior. “São figuras importantes, mas ajudam os demais e criam comunidade. A solidariedade será um valor importante. Não querem mais ser o artista jovem e incomum. Até os ‘nativos da Internet’ soam como algo velho, é uma questão quase genética. Um exemplo seria Tavi Gevinson, que desde os 13 anos tem um dos blogs mais importantes do mundo”, afirma, referindo-se à multifacetada e influente blogueira e editora norte-americana, nascida em 1996, um dos ícones da geração Z. A tendência também se estende à educação e aos novos canais de acesso. Para Anne Boysen, consultora em estratégia e especialista em questões geracionais da empresa After the Millennials, grande parte da aprendizagem se dá fora da sala de aula. “Essa geração usa o YouTube de forma periódica para sua lição de casa, o que indica que quer um maior grau de personalização na educação. Se não gostam do enfoque de seu professor, ou não o entendem, buscarão alguém online que o explique melhor”, afirma. O mundo, tal qual deixaram seus antecessores, não lhes parece um lugar habitável. VERDÚ, Daniel. Disponível em: <http://brasil.elpais.com/brasil/2015/05/02/sociedad/1430576024_684493.html>. [Adaptado]. Acesso em: 27 jun. 2016.

De acordo com o texto 1, é correto afirmar que:

  1. 01)a geração Z, que vive em tempos de recessão, terrorismo e mudanças climáticas de tonalidades apocalípticas, é marcada por egoísmo, consumismo, passividade e narcisismo.
  1. 02)a geração Z, que é precedente à geração Y, compreende, só nos EUA, um espectro de cerca de 80 milhões de pessoas, com uma capacidade de compra equiparada a mais de 100 bilhões de reais.
  2. 04)a geração Z compartilha com as gerações anteriores o interesse pelas vocações profissionais, a tendência para trabalhar em rede e o espírito de solidariedade.
  3. 08)a geração Z sinaliza uma mudança de interesses em relação a práticas educativas, buscando caminhos de aprendizagem que extrapolam os muros da escola.
  4. 16)a geração Z mudará o mundo através da disseminação do uso da Internet, com vistas a difundir a prática da interiorização, em busca de autoconhecimento e também de mecanismos de defesa de ameaças externas.
  1. 32)a geração Z caracteriza-se por grande potencial para produção de conteúdos e por inclinação para o consumo, razão pela qual as marcas ainda buscam identificar traços reais de seu comportamento.

Soma das corretas: (  )(  )

Q5oficial · ufsc-coperve 2020
Texto base: Texto 1 Memes no museu Um fenômeno em exposiçãoFigura da questãoO professor Viktor Chagas chegou ao Museu da República, no Rio de Janeiro, cumprimentou os seguranças e apontou para a maior tela do salão térreo. “Esta é a famosa pintura da confecção da bandeira, de Pedro Bruno”, disse, apressado. O quadro A Pátria, de 1919, retrata uma criança agarrada a uma imensa bandeira do Brasil que está sendo confeccionada por um grupo de mulheres. É uma das imagens emblemáticas da virada republicana do país. O professor subiu as escadas, atravessou uma sala, depois outra, e por fim se postou diante de uma imagem menor que reproduzia a tela de Pedro Bruno, mas coberta de letras brancas que diziam: “Ordem e Progresso: é verdade esse bilete.” Trata-se de uma das montagens que Chagas pinçou da internet para integrar a exposição “A política dos memes e os memes da política”, organizada por ele. “O meme, em essência, é tudo que é replicado. E sempre pressupõe muitas camadas de significados”, afirmou o professor, diante da imagem. “Este meme, por exemplo, só ganha sentido ao conhecermos o quadro original, o contexto político do momento e outro meme que mostrava o recado de um menino para a sua mãe” (“Senhores paes, amanhã não vai ter aula poorque pode ser feriado. Assinado: Tia Paulinha. É verdade esse bilete”). A frase final do recado virou mote para diversos memes. A exposição espalha-se por quatro salas que tratam da relação dos memes com os símbolos nacionais, a propaganda política, a persuasão e a desinformação, entre outros temas. Tudo é acompanhado de textos que mostram a complexidade das forças políticas e sociais em jogo nas imagens. “Ver um meme na parede de um museu: essa provocação sempre foi nossa intenção”, disse Chagas, do Instituto de Arte e Comunicação Social da Universidade Federal Fluminense (UFF). “Queremos que as pessoas encarem o objeto do meme como algo relevante, fugindo do oba-oba, do besteirol, da balbúrdia.” [...] Formado em jornalismo pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), com mestrado e doutorado em história pela Fundação Getulio Vargas, Chagas sempre trabalhou com temas relacionados à mídia e ao poder. Quando foi contratado pela UFF, em 2011, começou a ser indagado pelos alunos sobre fenômenos da internet. Leigo no assunto, ele passou a pesquisar sobre memes e percebeu que tinham muito a ver com seus temas de estudo. Organizou, então, um grupo de alunos para catalogar os memes e analisá-los. A ideia era colocar as pesquisas como verbetes na Wikipédia, mas seus colegas na universidade não endossaram a proposta. Disseram que uma enciclopédia deveria prezar pela relevância e, para a academia, memes não eram importantes. Chagas decidiu, então, montar uma “enciclopédia” por conta própria. Criou com sua equipe o #MUSEUdeMEMES, um site que reúne as intervenções mais difundidas e influentes, que explica em que contexto surgiram e que impacto político e/ou social tiveram. Na última contagem feita, estavam catalogadas e analisadas no museu cerca de 200 famílias de memes, séries com o mesmo tema. O site também abriga cerca de 1.200 trabalhos escritos cadastrados (teses, artigos etc.) e tornou-se referência no assunto. Em quatro anos de existência, teve mais de 2 milhões de visitantes, marca considerável para um projeto acadêmico. Chagas, porém, sentia falta desta parte importante do trabalho: transformar o museu virtual numa exposição real. E assim ele chegou ao Museu da República, que hospeda a mostra até o dia 24 de agosto. [...] PAVARIN, Guilherme. Memes no museu. Revista Piauí, ed. 155, ago. 2019. Disponível em: https://piaui.folha.uol.com.br/materia/memes-no-museu. [Adaptado]. Acesso em: 2 set. 2019.

Com base no Texto 1, é correto afirmar que:

  1. 01)percebe-se a ampliação do conceito de arte a partir da alusão à pintura A Pátria, de Pedro Bruno, à versão dessa mesma obra em meme.
  1. 02)o autor critica a estrutura dos memes, a qual pressupõe muitas camadas de significado que só fazem sentido quando relacionadas ao quadro original.
  2. 04)a criação de um museu de memes é importante para que se conheça a origem de uma informação e assim se evite a propagação de fake news (notícias falsas).
  3. 08)uma das peças que integram a exposição é um meme criado por um garoto para sua mãe e que foi amplamente difundido na internet.
  4. 16)um meme é essencialmente tudo que pode ser replicado, que possui várias camadas de significado e cujo sentido depende da relação com elementos como a obra original, o contexto em que foi criado e outros memes.
  5. 32)o objetivo principal do texto é divulgar a criação de um museu de memes na internet.
  1. 64)por se tratar de um trabalho desenvolvido na universidade, o museu de memes publica apenas trabalhos acadêmicos, como artigos, dissertações e teses.

Soma das corretas: (  )(  )

Q6oficial · ufsc-coperve 2018
Texto base: Texto 1 O Brasil entre a norma culta e a norma curta Boa parte de nossa elite letrada do século XIX desejava ardentemente viver numa sociedade branca e europeia. Tinha, portanto, de virar as costas para o país real, figurá-lo diferente do que era. Não à toa essa elite defendeu o que se costumava chamar “higienização da raça”, ou seja, a implementação de políticas que resultassem no “embranquecimento” do país. Em matéria de língua, essa elite vivia complexas contradições. Duas realidades eram evidentes para todos: o português de cá tinha diferenças em relação ao português europeu; e aqui dentro o “nosso” português diferia do português do “vulgo”. Na construção do novo país, como resolver esse duplo eixo de diferenças? Quando se acirrou, no século XIX, a questão da norma culta, nossas diferenças foram logo interpretadas como deturpações da língua. Não adiantou José de Alencar, no seu esforço para abrasileirar a norma escrita, apelar para os clássicos, a fim de mostrar a antiguidade de fatos da língua do Brasil. O que prevaleceu foi a imagem de que somos uma sociedade que fala e escreve mal a língua portuguesa. E tudo o que – no português culto brasileiro – não coincidia com certa norma lusitana passou a ser listado por gramatiqueiros pseudopuristas como erro. Nessa guerra, venceram os conservadores, definindo certa norma lusitana do romantismo como modelo para nossa escrita. Como eram claras, inevitáveis e persistentes as diferenças da norma culta brasileira em relação a esse padrão artificialmente fixado, foi preciso construir uma norma “curta”, um discurso categórico, uma contínua desqualificação do falante brasileiro. Nem o desenvolvimento dos estudos filológicos e linguísticos, nem a rebelião literária de 1922, nem a crítica da norma curta por nossos melhores filólogos, nada disso conseguiu romper a força do imaginário construído no século XIX. Ainda se diz que os brasileiros falam errado, não sabem falar português, tratam mal sua língua e assim por diante. Não é difícil mostrar com fatos e argumentos lógico-racionais que essas certezas não existem. Mas o imaginário resiste aos fatos, aos argumentos lógico-racionais. Fica, então, a pergunta que não quer calar: como enfrentar poderosos imaginários? FARACO, C. A. O Brasil entre a norma culta e a norma curta. In: LAGARES, X. C.; BAGNO, M. (Org.). Políticas da norma e conflitos linguísticos. São Paulo: Parábola, 2011, p. 259-275. [Adaptado]. Obs.: A noção de “norma culta” equivale à noção de “variedade padrão”, termo utilizado no Edital 06/Coperve/2017 e no Programa das Disciplinas. Considere os trechos abaixo, retirados do Texto 1. I. Quando se acirrou, no século XIX, a questão da norma culta, nossas diferenças foram logo interpretadas como deturpações da língua. (linhas 09-10) II. O que prevaleceu foi a imagem de que somos uma sociedade que fala e escreve mal a língua portuguesa. (linhas 12-13) III. Como eram claras, inevitáveis e persistentes as diferenças da norma culta brasileira em relação a esse padrão artificialmente fixado, foi preciso construir uma norma “curta”, um discurso categórico, uma contínua desqualificação do falante brasileiro. (linhas 17-20)

Em relação aos trechos, é correto afirmar que:

  1. 01)em I, o vocábulo “quando” introduz uma informação temporal que situa a época em que a questão da norma se intensificou.
  1. 02)em I, o vocábulo “logo” funciona como conector que introduz uma oração conclusiva.
  2. 04)em II, “O que [...] foi” é um recurso de ênfase que pode ser retirado da frase, sem ferir a norma culta da língua escrita.
  3. 08)em II, há uma relação semântica de causa e consequência: se fala mal, então escreve mal.
  4. 16)em I e III, a palavra “como” funciona como conector comparativo em cada uma das ocorrências.
  5. 32)em I e III, os termos “a questão da norma culta” e “as diferenças da norma culta brasileira” funcionam como sujeito e estão em relação de concordância com as formas verbais “acirrou” e “eram”, respectivamente.
  1. 64)em III, “esse padrão” faz referência a “norma culta brasileira”.

Soma das corretas: (  )(  )

Q7oficial · ufsc-coperve 2026
Texto base: Texto 11Figura da questão

Com base no texto 11 e de acordo com a variedade padrão da língua escrita, é correto afirmar que:

  1. 01)o humor da tira está no fato de a estudante seguir o conselho ao mesmo tempo em que o questiona.
  1. 02)o uso do “por quê” separado é justificado por marcar um questionamento; e o acento, pela tonicidade da palavra “que”.
  2. 04)a forma verbal no imperativo está sendo empregada no singular para direcionar o conselho à estudante.
  3. 08)o uso de uma construção condicional no primeiro quadro reforça a carga impositiva do enunciado no segundo quadro.
  4. 16)a aproximação do foco na menina do primeiro para o segundo e o terceiro quadros marca seu protagonismo crescente na história.
  1. 32)a representação imagética do enunciador está explícita no quadro 1.

Soma das corretas: (  )(  )

1.7 Gabarito comentado

P1inédita · pré-testeResposta: 10 (02 + 08)

Conceito: Compreender a ideia central exige relacionar as finalidades do INDL à diversidade linguística descrita no texto.
Raciocínio: A proposição 02 está correta: o texto apresenta o INDL como instrumento de reconhecimento e valorização de línguas. A proposição 08 também está correta, pois contrapõe a percepção monolíngue à pluralidade existente. A proposição 01 troca reconhecimento por unificação; a proposição 04 atribui ao inventário uma finalidade de criar línguas que não aparece no texto.
Proposição a proposição:
  • 01) Incorreta. O decreto instituiu um instrumento de valorização da diversidade, não de unificação linguística.
  • 02) Correta. O texto enumera identificação, documentação, reconhecimento e valorização entre os objetivos do INDL.
  • 04) Incorreta. Os inventários mapeiam e fortalecem línguas e comunidades; o texto não lhes atribui a criação de novas línguas.
  • 08) Correta. O texto informa que muitos veem o país como monolíngue, embora descreva numerosas línguas faladas no Brasil.
Pegadinha: Não confunda reconhecer e fortalecer línguas existentes com criar novas línguas ou impor uma língua única.
Base: Decreto n. 7.387/2010 e portal do IPHAN sobre o Inventário Nacional da Diversidade Linguística.
Questão irmã: Sobre a função do INDL, assinale o que for correto: 01) reconhece línguas como patrimônio cultural; 02) busca eliminar as línguas de imigração; 04) documenta situações de diversidade linguística; 08) substitui as línguas indígenas pelo português. Gabarito: soma 05 (01 + 04)

P2inédita · pré-testeResposta: 09 (01 + 08)

Conceito: Uma reportagem pode articular informações sobre acontecimentos e opiniões atribuídas a diferentes vozes.
Raciocínio: A proposição 01 está correta porque os depoimentos expõem avaliações diversas. A proposição 08 também está correta: a eleição é relatada como fato, enquanto as falas acrescentam interpretações. A proposição 02 contradiz a defesa de maior pluralidade; a proposição 04 interpreta literalmente uma expressão figurada sobre impedir novas escolhas.
Proposição a proposição:
  • 01) Correta. A reportagem apresenta depoimentos de escritoras, pesquisadoras e outras vozes com avaliações sobre a ABL.
  • 02) Incorreta. As falas defendem maior pluralidade e questionam a demora e os limites da representação, não o encerramento das mudanças.
  • 04) Incorreta. ‘Passar o ferrolho’ é usado figuradamente para indicar fechamento a futuras candidaturas.
  • 08) Correta. O relato combina dados sobre a eleição com opiniões e críticas identificadas por seus emissores.
Pegadinha: Diferencie o fato noticiado das avaliações que a reportagem atribui às fontes citadas.
Base: André Bernardo, “Ana Maria Gonçalves faz história e é eleita a primeira mulher negra na Academia Brasileira de Letras”, Estadão, 10/07/2025.
Questão irmã: Em uma reportagem, assinale o que for correto: 01) a data de um evento pode ser informação factual; 02) uma avaliação de entrevistado é sempre um dado estatístico; 04) citações podem introduzir vozes diferentes; 08) toda reportagem apresenta apenas a voz do repórter. Gabarito: soma 05 (01 + 04)

P3inédita · pré-testeResposta: 06 (02 + 04)

Conceito: A leitura de poesia e canção pode considerar recursos sonoros, visuais e de composição, além do conteúdo verbal.
Raciocínio: A proposição 02 está correta porque a repetição e o corte progressivo da expressão exploram a forma da palavra, procedimento associado à poesia concreta. A proposição 04 reconhece o jogo de recombinações da letra. A proposição 01 atribui a ‘Batman’ uma regra que não corresponde ao caso; a proposição 08 transforma uma composição experimental em narrativa cronológica, que ela não apresenta.
Proposição a proposição:
  • 01) Incorreta. A regra de m antes de p e b não explica ‘Batman’, cuja letra m é seguida por a.
  • 02) Correta. A repetição e o corte progressivo da expressão exploram a forma da palavra, o que permite relacionar a composição a procedimentos concretistas.
  • 04) Correta. A letra fragmenta e recombina seus elementos, explorando som e grafia sem narrar uma sequência convencional de ações.
  • 08) Incorreta. A composição não apresenta uma história cronológica completa de Batman; explora jogos verbais e visuais.
Pegadinha: A presença da palavra ‘Batman’ não basta para transformar a letra em narrativa sobre esse personagem.
Base: “Bat Macumba”, de Gilberto Gil e Caetano Veloso, no álbum Tropicália ou Panis et Circencis (1968); conceitos de poesia visual e poesia concreta.
Questão irmã: Sobre uma composição poética visual, assinale o que for correto: 01) a forma gráfica da palavra pode participar da construção de sentido; 02) a presença de rimas obriga o texto a ser narrativo; 04) jogos sonoros podem integrar a composição; 08) todo poema visual dispensa palavras. Gabarito: soma 05 (01 + 04)

F1inéditaResposta: 05 (01 + 04)

Conceito: Aspas, verbos de elocução e pronomes contribuem para organizar vozes e relações de referência no texto.
Raciocínio: A proposição 01 está correta: as aspas apresentam falas reproduzidas diretamente. A proposição 04 também está correta porque os verbos indicam como as fontes se manifestam. A proposição 02 confunde o presente usado no título jornalístico com uma ação necessariamente contínua; a proposição 08 erra o referente: em ‘contemplá-la’, o pronome retoma a produção literária, não a casa institucional.
Proposição a proposição:
  • 01) Correta. As aspas enquadram enunciados atribuídos diretamente às pessoas entrevistadas.
  • 02) Incorreta. O presente em títulos jornalísticos pode apresentar o fato com vivacidade; não demonstra que a eleição esteja ocorrendo continuamente.
  • 04) Correta. Esses verbos de elocução identificam a fala citada e podem caracterizar a maneira de enunciá-la.
  • 08) Incorreta. O pronome retoma a produção literária mencionada, que a casa institucional deveria contemplar.
Pegadinha: Para identificar o referente de um pronome, observe a relação de sentido e a concordância, não apenas o substantivo mais próximo.
Base: André Bernardo, Estadão, 10/07/2025; gramática normativa do português.
Questão irmã: Em ‘A pesquisadora publicou o estudo e o apresentou ao grupo’, assinale o que for correto: 01) ‘o’ retoma ‘estudo’; 02) o pronome retoma ‘grupo’; 04) ‘apresentou’ está no pretérito perfeito; 08) ‘pesquisadora’ é objeto direto de ‘publicou’. Gabarito: soma 05 (01 + 04)

F2inéditaResposta: 10 (02 + 08)

Conceito: A compreensão de informações explícitas exige localizar dados e distinguir a caracterização apresentada de ideias que o texto rejeita.
Raciocínio: A proposição 02 está correta: o texto diz que a geração deseja produzir seus conteúdos e o faz pelo YouTube. A proposição 08 reproduz o percentual informado. A proposição 01 atribui à geração traços que o início do texto declara superados; a proposição 04 inverte a comparação de popularidade apresentada.
Proposição a proposição:
  • 01) Incorreta. O texto contrapõe a Geração Z ao egoísmo, ao consumismo e à passividade, não a caracteriza por esses traços.
  • 02) Correta. O trecho afirma que a geração deseja produzir seus conteúdos e o faz por meio do YouTube.
  • 04) Incorreta. O texto afirma que as novas celebridades do YouTube são mais populares, com os percentuais apresentados nessa ordem.
  • 08) Correta. O texto informa explicitamente que a geração representa 25,9% da população mundial.
Pegadinha: Confira a direção da comparação: inverter ‘mais populares’ por ‘menos populares’ altera o dado central.
Base: Daniel Verdú, “Geração Z mudará o mundo”, El País.
Questão irmã: Sobre o texto da Geração Z, assinale o que for correto: 01) os jovens são apresentados como produtores de conteúdo; 02) a matéria diz que a educação deve ocorrer exclusivamente na escola; 04) o texto associa comunidades a vocações profissionais; 08) a autora afirma que a geração não usa meios digitais. Gabarito: soma 05 (01 + 04)

F3inéditaResposta: 05 (01 + 04)

Conceito: Fatos são informações verificáveis; opiniões e avaliações expressam interpretações ou julgamentos de seus enunciadores.
Raciocínio: A proposição 01 está correta, pois o número de votos é relatado como dado da eleição. A proposição 04 está correta: a pergunta citada põe em debate critérios e desigualdades. A proposição 02 transforma uma avaliação figurada em dado de votação; a proposição 08 transforma uma opinião atribuída a uma autora em norma jurídica.
Proposição a proposição:
  • 01) Correta. A quantidade de votos recebidos é um dado verificável relatado na notícia.
  • 02) Incorreta. A fala expressa uma avaliação sobre a importância da instituição, não um resultado numérico da votação.
  • 04) Correta. A pergunta atribuída à escritora questiona os critérios e as diferenças de tratamento entre candidaturas.
  • 08) Incorreta. A frase é uma opinião de uma fonte entrevistada, não uma lei sobre a composição da ABL.
Pegadinha: Uma frase entre aspas continua sendo a opinião de quem a enuncia; sua citação não a converte em norma ou dado.
Base: André Bernardo, Estadão, 10/07/2025.
Questão irmã: Sobre fato e opinião em uma notícia, assinale o que for correto: 01) ‘a sessão começou às nove’ pode relatar um dado verificável; 02) ‘foi uma sessão excelente’ é uma avaliação; 04) uma opinião citada vira automaticamente lei; 08) perguntas retóricas podem expressar crítica. Gabarito: soma 11 (01 + 02 + 08)

F4inéditaResposta: 02

Conceito: O sentido de expressões figuradas e avaliativas depende do contexto em que aparecem.
Raciocínio: A proposição 02 está correta: ‘passar o ferrolho’ é uma imagem para o fechamento da instituição a novas autoras negras. A proposição 01 interpreta a expressão literalmente. A proposição 04 inverte a crítica: a fala rejeita que uma única eleição seja usada para encerrar o debate. A proposição 08 também inverte o sentido de pluralidade, que implica diversidade, não redução de perspectivas.
Proposição a proposição:
  • 01) Incorreta. A expressão é figurada no trecho e não relata a instalação literal de uma fechadura.
  • 02) Correta. A fala teme que a instituição se feche a novas autoras negras após a eleição de Ana Maria Gonçalves.
  • 04) Incorreta. A entrevistada rejeita a ideia de que a eleição isolada sirva para silenciar o debate, não declara a desigualdade resolvida.
  • 08) Incorreta. A frase valoriza maior pluralidade, isto é, mais diversidade de pessoas e perspectivas.
Pegadinha: As expressões figuradas não devem ser interpretadas ao pé da letra; observe a crítica e o argumento em torno delas.
Base: André Bernardo, Estadão, 10/07/2025; sentidos contextuais das expressões usadas pelas entrevistadas.
Questão irmã: Em um debate sobre acesso à universidade, assinale o que for correto: 01) ‘fechar as portas’ pode significar impedir o ingresso; 02) ‘mais plural’ significa necessariamente menos diversidade; 04) uma expressão figurada pode depender do contexto; 08) uma crítica citada é sempre uma regra jurídica. Gabarito: soma 05 (01 + 04)

Q1oficialResposta: 33 (01 + 32)

Conceito: Ideia principal e informações explícitas de um texto informativo: o que é o INDL, para que serve e como se relaciona com a pluralidade linguística brasileira.
Raciocínio: Localize no Texto 1 o que é o INDL (instrumento oficial de reconhecimento de línguas como patrimônio cultural, instituído pelo Decreto n. 7.387/2010) e para que serve (identificar, documentar, reconhecer e valorizar as línguas). Depois teste cada proposição contra o texto. A proposição 01 resume a ideia central. A proposição 32 aponta o contraste entre a percepção de país monolíngue e a existência de mais de 250 línguas. As demais atribuem ao INDL algo que o texto não diz: oficializar uma língua nacional, demarcar fronteiras, criar novas línguas ou extinguir sotaques. A soma das corretas é 01 + 32 = 33.
Proposição a proposição:
  • 01) Correta. Resume a ideia central: apresentar o INDL, seu objetivo e suas finalidades, no contexto da pluralidade linguística do país.
  • 02) Incorreta. O decreto instituiu o INDL, mas o inventário não é um decreto, e o texto não propõe unificar o país em torno de uma língua nacional.
  • 04) Incorreta. O texto não atribui ao colonizador português nenhum esforço para extinguir sotaques; a afirmação não tem respaldo no texto.
  • 08) Incorreta. O INDL prevê mapeamento, caracterização e diagnóstico das situações linguísticas, e não a demarcação de fronteiras geográficas.
  • 16) Incorreta. O objetivo do INDL é identificar e valorizar línguas já existentes, e não incentivar o surgimento de novas línguas ou variedades.
  • 32) Correta. O texto contrasta a percepção de país monolíngue com a existência de mais de 250 línguas faladas no Brasil.
Pegadinha: A proposição 02 confunde o decreto com o próprio INDL. A 08 troca mapeamento (pesquisa) por demarcação de fronteiras. A 16 inventa o incentivo ao surgimento de novas línguas, quando o texto fala em valorizar línguas já existentes.
Base: Decreto n. 7.387/2010, que instituiu o Inventário Nacional da Diversidade Linguística (IPHAN, portal.iphan.gov.br).
Questão irmã: Com base no Texto 1, é correto afirmar que: 01) o INDL foi instituído para identificar e valorizar as línguas brasileiras como patrimônio cultural. 02) o INDL é um decreto que unifica o país em torno do português. 04) o texto afirma que o Brasil é monolíngue. 08) o INDL tem a finalidade de pesquisar as línguas e reconhecê-las como patrimônio cultural. Gabarito: soma 09 (01 + 08)

Fonte: ufsc-coperve (2018) — prova em php.coperve.ufsc.br

Q2oficialResposta: 90 (02 + 08 + 16 + 64)

Conceito: Interpretação de texto jornalístico com falas de diferentes vozes: tese, sentido figurado, cálculo de intervalos de tempo e relação entre as falas citadas.
Raciocínio: Confira cada proposição com os dados do texto. Os números são: a ABL levou 80 anos (de 1897 a 1977) para eleger a primeira mulher e outros 48 anos (de 1977 a 2025) para eleger a primeira mulher negra. A proposição 01 usa o número 48 com o ponto de partida errado, pois a contagem começa na eleição de Rachel de Queiroz, e não na fundação. A proposição 04 contradiz o texto, que diz que a eleição não é cota. A proposição 32 atribui a Michele Fanini a defesa da neutralidade da instituição, que ela critica. As demais estão de acordo com o texto: a 02 trata do pioneirismo e da representatividade; a 08 descreve um texto que mistura exposição e argumentação por meio das falas; a 16 traz a fala de Mel Duarte, que fala de uma de nós; e a 64 explica a expressão passe o ferrolho como fechar a porta. Soma: 02 + 08 + 16 + 64 = 90.
Proposição a proposição:
  • 01) Incorreta. Os 48 anos são contados a partir da eleição de Rachel de Queiroz, em 1977, e não da fundação da ABL, em 1897.
  • 02) Correta. O texto discute o que significa ser o primeiro e o peso da representatividade negra na instituição.
  • 04) Incorreta. A autora afirma que a eleição não é cota nem favor; o texto não defende um sistema de cotas para a ABL.
  • 08) Correta. O texto reúne reportagem e falas de diferentes autores, em tom expositivo e argumentativo, por meio dos recortes de fala.
  • 16) Correta. Mel Duarte fala de uma de nós ao tratar da cadeira ocupada por Ana Maria, o que mostra identificação racial e de condição autoral.
  • 32) Incorreta. Michele Fanini descreve a neutralidade alegada pela instituição como justificativa para evitar o debate sobre gênero e raça, e critica essa postura.
  • 64) Correta. Ferrolho é a tranca de porta; a expressão indica o fechamento da instituição para futuras escolhas de autoras negras.
Pegadinha: A proposição 01 usa um número real do texto, mas com o ponto de partida errado. A 32 atribui a uma especialista a tese contrária à que ela defende.
Base: André Bernardo, reportagem do Estadão, 10/07/2025.
Questão irmã: Com base no Texto 1, é correto afirmar que: 01) a eleição de Ana Maria Gonçalves foi tratada pelos apoiadores como um favor da ABL. 02) o texto apresenta a eleição como marco de representatividade. 04) Conceição Evaristo recebeu muitos votos na eleição de 2018. 08) a fala “não é cota” nega que a eleição seja resultado de cota. Gabarito: soma 10 (02 + 08)

Fonte: ufsc-coperve (2026) — prova em vestibularunificado2026.paginas.ufsc.br

Q3oficialResposta: 65 (01 + 64)

Conceito: Figuras de linguagem (metáfora, metonímia), coesão (referente de pronomes, elipse), classes de palavras e sentido denotativo.
Raciocínio: Analise cada trecho com a proposição correspondente. A 01 é correta: em Brasil é você, a parte (você, cada brasileiro) representa o todo (o Brasil), o que é metonímia. A 02 é falsa: em I e II a metáfora é o assunto da fala (a perda da possibilidade da metáfora; viver sem metáforas), e não o recurso central dos trechos. A 04 é falsa: a crítica de IV recai sobre a elite que inventou o país, e não sobre o povo. A 08 é falsa: a segunda oração de III tem sujeito eu implícito, que não é retomado do sujeito anterior (você). A 16 é falsa: não é advérbio de negação, sem é preposição e fora, em “No fora do tempo”, aparece substantivada, depois do artigo; as três palavras não têm a mesma função. A 32 é falsa: Isso retoma a oração anterior, O Brasil perdeu a possibilidade da metáfora, e não O excesso de realidade. A 64 é correta: em IV a descrição da estátua é literal, com sentido denotativo. Soma 01 + 64 = 65.
Proposição a proposição:
  • 01) Correta. A parte (você, cada brasileiro) representa o todo (o Brasil), o que caracteriza metonímia.
  • 02) Incorreta. Em I e II a metáfora é o assunto da fala (perder a possibilidade da metáfora, viver sem metáforas), e não o recurso central dos trechos.
  • 04) Incorreta. A crítica de IV recai sobre a elite que inventou o país, e o povo aparece como o lugar onde ele deveria estar.
  • 08) Incorreta. A segunda oração tem sujeito eu implícito, que não é retomado do sujeito anterior, você.
  • 16) Incorreta. Não é advérbio de negação, sem é preposição e fora, em “No fora do tempo”, está substantivada, depois do artigo; as três palavras não têm a mesma função.
  • 32) Incorreta. O pronome Isso retoma a oração anterior, O Brasil perdeu a possibilidade da metáfora, e não O excesso de realidade.
  • 64) Correta. Em IV a descrição da estátua é literal, o que caracteriza sentido denotativo.
Pegadinha: A proposição 08 diz que o sujeito da segunda oração é retomado do sujeito da oração anterior (“você”), mas o sujeito de “Não posso ser aquele que não é” é “eu”, omitido e recuperado pela terminação do verbo. A 32 aponta o termo mais próximo, quando o pronome retoma a oração inteira.
Base: Eliane Brum, “O Brasil queimou – e não tinha água para apagar o fogo”, El País, 3 set. 2018. Conceitos de metonímia, coesão e denotação.
Questão irmã: Com base no período Brasil é você, é correto afirmar que: 01) há metonímia, pois a parte (você) representa o todo (Brasil). 02) há metáfora, pois a palavra você carrega o sentido de Brasil por semelhança. 04) a segunda oração de Não posso ser aquele que não é retoma, por elipse, o sujeito “você” da oração anterior. 08) o sentido é denotativo. Gabarito: soma 01 (01)

Fonte: ufsc-coperve (2019) — prova em repositorio.ufsc.br

Q4oficialResposta: 08

Conceito: Interpretação de texto informativo: características atribuídas à geração Z, dados atribuídos a cada geração e relações de comparação entre gerações.
Raciocínio: Localize cada informação no texto. A 01 é falsa: o texto afirma que acabou o egoísmo e a passividade, e a proposição inverte esse sentido. A 02 é falsa: a geração Z vem depois da Y, e os 80 milhões de pessoas e os 112 bilhões de reais se referem aos millennials. A 04 é falsa: o texto apresenta trabalho em rede e solidariedade como traços da nova geração, e não como valores compartilhados com as anteriores. A 08 é correta: o texto diz que a geração busca aprendizagem fora da sala de aula, como no YouTube, e quer personalização. A 16 é falsa: o texto não afirma que a geração mudará o mundo pela difusão da Internet com foco em autoconhecimento. A 32 é falsa: o texto diz que a geração não se conforma em ser passiva e quer produzir conteúdo, e o consumo é apresentado como traço superado. Logo, a soma correta é 08.
Proposição a proposição:
  • 01) Incorreta. O texto diz que a geração acabou com o egoísmo e a passividade, e a proposição afirma o oposto.
  • 02) Incorreta. Os 80 milhões de pessoas e os 112 bilhões de reais se referem aos millennials, e a geração Z vem depois da Y.
  • 04) Incorreta. Trabalho em rede e solidariedade aparecem no texto como traços novos dessa geração, e não como valores compartilhados com as anteriores.
  • 08) Correta. O texto afirma que a geração busca aprendizagem fora da sala de aula e quer maior personalização na educação.
  • 16) Incorreta. O texto não afirma que a geração mudará o mundo pela difusão da Internet com foco em autoconhecimento.
  • 32) Incorreta. O texto afirma que a geração quer produzir conteúdo e que o consumismo ficou para trás.
Pegadinha: A 02 mistura dados dos millennials com a geração Z. A 04 usa a palavra solidariedade, que aparece no texto, mas como valor novo da geração.
Base: Daniel Verdú, “Geração Z mudará o mundo”, El País.
Questão irmã: Com base no Texto 1, é correta a afirmação: 01) a geração Z nasceu ou cresceu em plena recessão. 02) a geração Z é anterior à geração Y. 04) a geração Z busca aprendizagem para além da sala de aula. 08) Tavi Gevinson, citada no texto, é exemplo de blogueira jovem e influente. Gabarito: soma 13 (01 + 04 + 08)

Fonte: ufsc-coperve (2017) — prova em repositorio.ufsc.br

Q5oficialResposta: 17 (01 + 16)

Conceito: Interpretação de reportagem: sentido do meme, função de uma exposição e relação entre arte, política e cultura digital.
Raciocínio: Use o texto e a figura do bilhete. A 01 é correta: o museu expõe o meme como objeto de arte e de análise, com a montagem sobre o quadro A Pátria, o que amplia o conceito de arte. A 02 é falsa: o texto apresenta o meme como carregado de camadas de sentido, sem criticá-lo. A 04 é falsa: a exposição trata de propaganda e desinformação, mas o texto não diz que o museu evita fake news pela origem das informações. A 08 é falsa: o bilhete é de um menino para a mãe, segundo o texto, mas o texto não atribui a criação do meme ao garoto, e a peça exposta é a montagem sobre o quadro. A 16 é correta: o texto define o meme como tudo que é replicado, com muitas camadas de sentido, que dependem do quadro original, do contexto e de outros memes. A 32 é falsa: o texto é uma reportagem sobre a exposição e sobre o percurso de Viktor Chagas, e não se limita a divulgar a criação do museu virtual. A 64 é falsa: o museu reúne intervenções e cerca de 1.200 trabalhos escritos, e não publica apenas trabalhos acadêmicos. Soma 01 + 16 = 17.
Proposição a proposição:
  • 01) Correta. A exposição trata o meme como objeto de museu, o que amplia o conceito de arte ao incluir a releitura do quadro A Pátria.
  • 02) Incorreta. O texto apresenta o meme como carregado de camadas de sentido, sem criticar sua estrutura.
  • 04) Incorreta. A exposição trata de propaganda e desinformação, mas o texto não diz que o museu evita fake news pela origem das informações.
  • 08) Incorreta. O bilhete aparece como outro meme citado no texto, e o texto não atribui sua criação ao garoto.
  • 16) Correta. O texto define o meme como tudo o que é replicado, com muitas camadas de sentido que dependem do quadro original, do contexto e de outros memes.
  • 32) Incorreta. O texto é uma reportagem sobre a exposição e sobre o percurso de Viktor Chagas, e não se limita a divulgar a criação do museu virtual.
  • 64) Incorreta. O museu reúne intervenções e cerca de 1.200 trabalhos escritos, e não se restringe a trabalhos acadêmicos.
Pegadinha: A 08 descreve um bilhete real da figura, mas atribui uma autoria que o texto não dá. A 64 usa o termo trabalhos escritos, que existe no site, mas não é o único conteúdo.
Base: Guilherme Pavarin, reportagem da Revista Piauí, ago. 2019.
Questão irmã: Com base no texto, é correta a afirmação: 01) o meme, segundo o texto, é tudo o que é replicado e tem camadas de sentido. 02) o museu publica apenas trabalhos acadêmicos. 04) a exposição trata apenas de humor, sem relação com a política. 08) a exposição reúne memes ligados a símbolos nacionais e à propaganda política. Gabarito: soma 09 (01 + 08)

Fonte: ufsc-coperve (2020) — prova em dados.coperve.ufsc.br

Q6oficialResposta: 37 (01 + 04 + 32)

Conceito: Conectivos (quando, logo, como), coesão (referente de esse), sujeito e concordância, ênfase por oração clivada e norma culta.
Raciocínio: A 01 é correta: quando introduz uma circunstância de tempo que situa a época, o século XIX, em que a questão se acirrou. A 02 é falsa: logo tem valor temporal, no sentido de imediatamente, e não conclusivo. A 04 é correta: O que prevaleceu foi a imagem é oração clivada que enfatiza a imagem; sem ela, Prevaleceu a imagem mantém a norma culta. A 08 é falsa: fala e escreve mal é uma soma de duas características ligadas pela conjunção e, sem relação de causa e consequência. A 16 é falsa: em I, “como” introduz o predicativo (interpretadas como deturpações), sem ideia de comparação, e em III tem valor causal (já que eram claras); nenhum dos dois é comparativo. A 32 é correta: em I, a questão da norma culta é sujeito de acirrou, e em III, as diferenças da norma culta brasileira é sujeito de eram; há concordância nos dois casos. A 64 é falsa: esse padrão retoma a certa norma lusitana do romantismo, o padrão artificialmente fixado, e não a norma culta brasileira. Soma 01 + 04 + 32 = 37.
Proposição a proposição:
  • 01) Correta. Quando introduz uma circunstância de tempo que situa o século XIX como a época em que a questão da norma se acirrou.
  • 02) Incorreta. Logo tem valor temporal, no sentido de imediatamente, e não funciona como conector conclusivo.
  • 04) Correta. O que prevaleceu foi a imagem é oração clivada de ênfase; sem ela, a frase mantém a norma culta.
  • 08) Incorreta. Fala e escreve mal são duas características ligadas por e; não há relação de causa e consequência.
  • 16) Incorreta. Em I, “como” introduz o predicativo (interpretadas como deturpações); em III, tem valor causal (já que eram claras). Nenhum é comparativo.
  • 32) Correta. A questão da norma culta é sujeito de acirrou, e as diferenças da norma culta brasileira é sujeito de eram; há concordância nos dois casos.
  • 64) Incorreta. Esse padrão retoma a certa norma lusitana do romantismo, o padrão artificialmente fixado, e não a norma culta brasileira.
Pegadinha: A 16 vê comparação onde há predicativo (em I) e causa (em III). A 64 usa o pronome esse como se retomasse o termo mais próximo.
Base: Carlos Alberto Faraco, “O Brasil entre a norma culta e a norma curta”, em Políticas da norma e conflitos linguísticos (Parábola, 2011). Regras de sujeito, concordância e conectivos.
Questão irmã: Com base no Texto 1: 01) em Como eram claras, como tem valor causal. 02) em logo, o sentido é conclusivo. 04) a oração O que prevaleceu foi a imagem pode ser retirada sem prejuízo da norma culta. 08) esse padrão retoma a norma culta brasileira. Gabarito: soma 05 (01 + 04)

Fonte: ufsc-coperve (2018) — prova em php.coperve.ufsc.br

Q7oficialResposta: 19 (01 + 02 + 16)

Conceito: Humor em tira de quadrinhos; uso do por quê, acentuação; modo verbal e pessoa do imperativo; enunciador e foco narrativo na HQ.
Raciocínio: A 01 é correta: o humor surge quando a menina segue o conselho de questionar tudo e, no último quadro, pergunta Por quê?, o que contradiz a obediência. A 02 é correta: por quê separado e acentuado é a forma interrogativa de final de frase, pois o que é tônico. A 04 é falsa: questionem é imperativo de terceira pessoa do plural, forma usada com vocês, e não no singular. A 08 é falsa: o condicional se eu tivesse que dar é hipotético e suaviza o conselho; o peso impositivo está no imperativo. A 16 é correta: o foco se aproxima da menina do primeiro ao terceiro quadro, e ela passa de ouvinte a quem questiona, o que marca seu protagonismo crescente. A 32 é falsa: quem fala, o enunciador, não aparece no quadro 1, e a figura da menina é a ouvinte do conselho. Soma 01 + 02 + 16 = 19.
Proposição a proposição:
  • 01) Correta. A menina segue o conselho de questionar tudo e, em seguida, pergunta por quê, o que cria o humor da tira.
  • 02) Correta. Por quê, separado e acentuado, é interrogativo de final de frase; o acento se deve à tonicidade do que.
  • 04) Incorreta. Questionem é imperativo de terceira pessoa do plural, forma que acompanha vocês; não é singular.
  • 08) Incorreta. A construção condicional é hipotética e atenua o conselho; a força impositiva vem do imperativo.
  • 16) Correta. A câmera se aproxima da menina nos quadros seguintes, e ela passa de ouvinte a quem questiona, o que marca protagonismo crescente.
  • 32) Incorreta. O enunciador, quem dá o conselho, não está representado no quadro 1; a figura mostrada é a da menina ouvinte.
Pegadinha: A 04 usa o singular, mas a forma é plural. A 08 associa o condicional a uma ordem, quando ele expressa hipótese.
Base: Tira de três quadros publicada no perfil hqturmab, no Instagram. Regra de acentuação do por quê.
Questão irmã: Com base em uma tira de três quadros: 01) o humor se constrói quando o personagem segue o conselho e depois o questiona. 02) o verbo questionem está na terceira pessoa do plural. 04) o condicional do primeiro quadro reforça a carga impositiva do conselho. 08) por que sem acento está correto em pergunta de final de frase. Gabarito: soma 03 (01 + 02)

Fonte: ufsc-coperve (2026) — prova em vestibularunificado2026.paginas.ufsc.br

1.8 Revisão relâmpago e mapa de revisão

  • A banca cobra a função do recurso, e não o nome dele.
  • Ideia principal organiza o texto; ideia secundária sustenta a principal.
  • Fato pode ser checado; opinião expressa juízo de valor.
  • Gênero é a forma social do texto; tipo é a estrutura dominante.
  • Registro é o grau de formalidade e deve combinar com a situação.
  • Conjunção muda o sentido: “mas” marca oposição, “portanto” marca conclusão.
  • Fazer no sentido de tempo decorrido é impessoal: faz dois anos.
  • Crase é a fusão de “a” com “a” e exige palavra feminina determinada.
  • Recurso gramatical é estrutura; recurso lexical é escolha de palavras.

Mapa de revisão

Reveja este capítulo em 1, 7 e 30 dias.

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