← Jandira Educação 04/2026

Paginando…

Matéria 01

Língua Portuguesa

O que o edital pede nesta matéria

  1. 1Leitura e interpretação de diversos tipos de textos (literários e não literários).52 questões da Vunesp, 2021–2026 · cap. 1
  2. 2Sinônimos e antônimos.nenhuma questão da Vunesp vinculada a este item · cap. 1
  3. 3Sentido próprio e figurado das palavras.2 questões da Vunesp, 2021–2025 · cap. 1
  4. 4Pontuação.14 questões da Vunesp, 2021–2026 · cap. 2
  5. 5Classes de palavras: substantivo, adjetivo, numeral, artigo, pronome, verbo, advérbio, preposição e conjunção – emprego e sentido que imprimem às relações que estabelecem.10 questões da Vunesp, 2021–2026 · cap. 2
  6. 6Concordância verbal e nominal.15 questões da Vunesp, 2021–2026 · cap. 2
  7. 7Regência verbal e nominal.6 questões da Vunesp, 2021–2026 · cap. 3
  8. 8Colocação pronominal.6 questões da Vunesp, 2021–2025 · cap. 3
  9. 9Crase.7 questões da Vunesp, 2021–2026 · cap. 3

Língua Portuguesa · Capítulo 1

Leitura e interpretação de textosSinônimos e antônimos no contextoSentido próprio e figurado

Itens do edital:

  • 1. Leitura e interpretação de diversos tipos de textos (literários e não literários).
  • 2. Sinônimos e antônimos.
  • 3. Sentido próprio e figurado das palavras.

1.1 Pré-teste

Responda antes de ler a teoria. O gabarito está no fim do capítulo.

P1inédita
Leia o texto. Na escola do bairro, a biblioteca passou a abrir durante o recreio. Antes, os livros ficavam disponíveis apenas no horário das aulas. Agora, algumas crianças trocam parte das brincadeiras por uma história, enquanto outras levam livros para ler em casa. A mudança ampliou as oportunidades de leitura sem tornar a visita obrigatória.

De acordo com o texto, a mudança na biblioteca

  1. A)substituiu as brincadeiras por uma atividade exigida pela escola.
  2. B)reservou o empréstimo de livros aos períodos de aula da turma.
  3. C)permitiu mais contato com os livros por escolha das crianças.
  4. D)impediu que os livros fossem retirados para leitura em casa.
  5. E)reduziu o acesso aos livros para preservar o horário de recreio.

P2inédita

Na frase “A monitora deu uma orientação sucinta antes da atividade”, a palavra “sucinta” pode ser substituída, sem alteração do sentido, por

  1. A)confusa.
  2. B)rigorosa.
  3. C)demorada.
  4. D)incompleta.
  5. E)breve.

P3inédita

Há emprego de expressão em sentido figurado na frase:

  1. A)A notícia acendeu uma esperança na equipe.
  2. B)A professora acendeu a lâmpada da sala.
  3. C)A criança guardou o caderno na mochila.
  4. D)O funcionário colocou a chave na gaveta.
  5. E)A monitora abriu a janela do corredor.

1.2 O que cai

  • 1. Leitura e interpretação de diversos tipos de textos (literários e não literários): 52 questões da Vunesp, 2021–2026
  • 2. Sinônimos e antônimos: nenhuma questão da Vunesp vinculada a este item
  • 3. Sentido próprio e figurado das palavras: 2 questões da Vunesp, 2021–2025

1.3 Teoria

A compreensão do contexto sustenta a interpretação, a escolha de sinônimos e o reconhecimento de sentidos figurados. Pequenas mudanças de alcance ou de certeza podem alterar uma resposta inteira.

1.3.1 Leitura e interpretação de textos

Interpretar um texto é construir seu sentido com base nas palavras, nas relações entre as partes e na situação de comunicação.

A resposta correta precisa ser sustentada por essas marcas. O conhecimento de mundo ajuda a compreender o assunto, mas não autoriza acrescentar informações que o texto não oferece. Uma afirmação verdadeira na realidade pode ser inadequada como resposta quando não corresponde ao que foi escrito. Essa distinção é decisiva em perguntas formuladas com expressões como segundo o texto e de acordo com o autor.

Informação explícita e inferência. A informação explícita aparece diretamente, ainda que a alternativa a apresente com outras palavras. Em um aviso escolar, A entrega ocorrerá na secretaria informa o local. Já uma inferência decorre da combinação de pistas. Em A chuva deixou o pátio alagado; por isso, a atividade foi transferida, conclui-se que a transferência procurou contornar a impossibilidade de usar aquele espaço. A inferência tem apoio textual. A afirmação de que a escola não possui quadra coberta seria extrapolação, pois falta evidência para esse acréscimo.

O tema é o assunto central, geralmente expresso por uma palavra ou expressão: organização da entrada, convivência ou leitura. A ideia principal é o que se afirma sobre esse assunto. Em um texto argumentativo, a tese é a posição defendida. Um texto pode tratar da entrada dos alunos e sustentar que a organização deve priorizar a segurança. O tema não equivale à tese. Um exemplo de tumulto na porta pode funcionar como argumento, sem ser a mensagem principal do texto inteiro.

Textos literários e não literários. O texto literário pode explorar ritmo, imagens, ambiguidades e diferentes perspectivas. Seu sentido não se reduz à transmissão de uma informação prática. O não literário costuma privilegiar finalidades como informar, orientar ou defender uma posição, embora também possa empregar recursos expressivos. A diferença não consiste em oposição entre verdade e mentira. Uma crônica pode partir de um acontecimento real; uma notícia pode conter uma informação equivocada. A classificação depende da construção e da finalidade do texto.

O narrador é a voz que conta uma história e não se confunde automaticamente com o autor real. Se uma personagem faz uma avaliação, essa opinião não representa necessariamente a posição do narrador. Em textos argumentativos, uma ideia pode ser apresentada para ser contestada em seguida. Por isso, atribuir ao autor toda afirmação que aparece no texto produz erro. A identificação de quem fala e de como a fala é enquadrada evita transformar uma crítica citada em opinião defendida.

Gênero, organização e finalidade. Aviso, ofício, notícia, poema e artigo de opinião são gêneros reconhecidos por seu uso social. Narração, descrição, exposição, argumentação e injunção são modos de organização que podem coexistir. Um comunicado pode narrar um problema e depois orientar uma conduta. A finalidade predominante depende do conjunto. Em A retirada dos materiais ocorrerá após o encerramento das aulas, a função central é informar uma organização prática, mesmo que o aviso também apresente uma justificativa.

Os parágrafos desenvolvem aspectos do assunto. Um pode introduzir o problema, outro apresentar um exemplo e o seguinte propor uma solução. O detalhe só ganha sentido na relação com esse percurso. Se o texto elogia uma iniciativa, mas ressalva um risco, a conclusão deve preservar elogio e ressalva. Uma alternativa que reproduza apenas o risco pode distorcer o posicionamento global, embora use palavras presentes no texto. A presença de vocabulário conhecido não basta para comprovar fidelidade.

Operação da alternativaComo apareceEfeito na interpretação
Paráfrase fielReformula sem acrescentarPreserva a informação
Generalização indevidaTroca alguns por todosAmplia o alcance
InversãoTroca causa e consequênciaMuda a relação
ExtrapolaçãoAcrescenta motivo não indicadoUltrapassa as pistas

Relações entre ideias. Conectivos ajudam a reconhecer o encadeamento. Em O material era simples, mas atendeu à necessidade, há contraste entre uma possível expectativa negativa e o resultado positivo. Em O portão foi fechado porque a entrada terminou, a segunda oração apresenta a causa do fechamento. Em Se houver mudança, a equipe será avisada, existe condição, não certeza de mudança. Em Embora estivesse cansada, a equipe concluiu a tarefa, o cansaço não impediu a conclusão. Trocar essas relações altera o conteúdo.

A coesão liga partes do texto por pronomes, repetições controladas e expressões equivalentes. Em A coordenação enviou o comunicado aos monitores. Eles organizaram a entrada, o pronome eles retoma monitores. O antecedente precisa ser compatível com a forma e com o sentido. Nem sempre é simplesmente o substantivo mais próximo. A referência pode alcançar uma ideia inteira: em A reunião foi adiada. Isso alterou o planejamento, isso retoma o adiamento, não apenas a palavra reunião.

Tempo e ponto de vista. A ordem em que os fatos são narrados pode diferir da ordem em que aconteceram. Um relato começa pelo resultado e depois explica suas causas. Expressões como antes, depois e naquele momento situam os acontecimentos. Também importa separar uma avaliação passada da posição atual de quem escreve. Em Antes eu considerava a mudança desnecessária; hoje reconheço sua utilidade, a opinião inicial foi revista. Uma alternativa que atribua ao presente a avaliação antiga contraria o percurso declarado.

Pressupostos e limites da certeza. Em A unidade voltou a oferecer a atividade, a expressão voltou a pressupõe que a atividade já foi oferecida e sofreu uma interrupção. Isso não informa a duração dessa interrupção. Em A unidade pode ampliar o atendimento, há possibilidade, não compromisso confirmado. Termos como talvez, provavelmente e certamente marcam graus diferentes de certeza. Expressões como somente, também e até modificam o alcance das afirmações e não podem desaparecer de uma paráfrase sem avaliação de sentido.

O tom pode ser crítico, elogioso, indignado, humorístico ou conciliador. A ironia surge quando o sentido pretendido se afasta da leitura literal, apoiado no contexto. Um comentário como Que organização exemplar! diante de uma fila desordenada pode criticar a organização. A exclamação isolada não determina ironia; a situação descrita precisa sustentá-la. Também não se deve confundir crítica a uma prática com rejeição completa de uma instituição ou de todas as pessoas que nela trabalham.

Na comparação de alternativas, importam sujeito, ação, alcance, circunstância e grau de certeza. Algumas famílias solicitaram alteração não equivale a Todas as famílias exigiram alteração. A segunda frase muda quantidade e intensidade. A resposta adequada conserva as informações necessárias ao comando, mesmo com vocabulário diferente. Alternativas erradas costumam misturar um trecho fiel com uma conclusão sem apoio. O trecho correto não valida o acréscimo. A análise passa pelo comando, pelo sentido global, pelas pistas pertinentes e pela comparação das respostas.

Exemplo resolvido

Um aviso informa: Devido à manutenção do pátio, as atividades externas serão realizadas na sala multiuso nesta manhã. O horário permanece o mesmo. A afirmação de que as atividades foram canceladas está de acordo com o aviso? 1. O verbo serão realizadas confirma a manutenção das atividades. 2. A manutenção do pátio explica a mudança de local. 3. A expressão nesta manhã limita a orientação ao período indicado. 4. A resposta é não: houve transferência de espaço, com preservação do horário, e não cancelamento.

Esquema

Percurso da interpretação

  1. 1Identificação do comando

    O que a pergunta solicita

  2. 2Sentido global

    Assunto e posição do texto

  3. 3Pistas pertinentes

    Informações que sustentam a resposta

  4. 4Comparação das alternativas

    Preservação de alcance e certeza

1.3.2 Sinônimos e antônimos no contexto

Sinônimos são palavras ou expressões que apresentam sentidos próximos em determinado contexto.

Antônimos expressam oposição de sentido. Essas relações não funcionam como uma troca automática válida em qualquer frase. A palavra claro, por exemplo, pode indicar luminosidade em corredor claro e compreensão fácil em aviso claro. No segundo caso, compreensível é uma substituição adequada; iluminado desloca o sentido para a presença de luz.

Contexto e substituição. Uma questão pode pedir a palavra que mantém o sentido de um trecho. A equivalência precisa respeitar o significado que a palavra assume naquela ocorrência. Em A equipe apresentou uma solução adequada, apropriada preserva o núcleo da avaliação. Em A servidora apresentou o documento, exibiu pode ser adequada. Isso não torna apresentar e exibir intercambiáveis em todas as construções. A proximidade depende da situação e das combinações entre as palavras.

Expressão no contextoSentido próximoSentido oposto
Orientação claraCompreensívelConfusa
Medida provisóriaTemporáriaDefinitiva
Atendimento cordialAmávelRude
Espaço amploEspaçosoExíguo

O antônimo também depende do contexto. Em material leve, a oposição pode ser pesado. Em problema leve, a oposição mais adequada pode ser grave. O significado muda conforme o substantivo caracterizado. Nem toda diferença representa antonímia: mesa e cadeira designam objetos distintos, mas não são opostos. Da mesma forma, a ausência de uma característica não implica necessariamente sua característica contrária. Um resultado não excelente pode ser bom, regular ou ruim.

A intensidade é outra fonte de erro. Insatisfeito não tem exatamente a mesma força de furioso. Substituir uma palavra por outra de sentido próximo pode exagerar ou suavizar uma avaliação. O registro também importa: uma expressão coloquial pode aproximar o significado de um termo formal, mas ser inadequada quando a pergunta exige preservar a formalidade de um ofício.

Na frase A explicação foi sucinta, o adjetivo indica concisão: o texto foi breve. Isso não significa que tenha sido incompleto ou obscuro. Uma alternativa como resumida pode manter o sentido; confusa acrescenta uma avaliação que não está contida na palavra. A análise da equivalência considera, portanto, significado contextual, intensidade e adequação à frase. Palavras parecidas na forma, como descrição e discrição, não constituem sinônimos por essa semelhança.

1.3.3 Sentido próprio e figurado

Uma palavra está em sentido próprio quando é empregada em uma acepção direta e usual naquele contexto.

O sentido figurado surge quando há transferência de significado, associação ou efeito expressivo. A oposição não se resume a palavra concreta contra palavra abstrata. Alegria é abstrata e pode aparecer em uso direto. O contexto determina se a expressão designa literalmente aquilo a que se refere ou mobiliza uma imagem para caracterizar outra realidade.

Em A monitora abriu a porta da sala, o verbo descreve a abertura de uma passagem física. Em A conversa abriu caminho para um acordo, não há necessariamente um caminho material: a expressão indica que o diálogo criou condições para o entendimento. A interpretação figurada recupera essa relação, sem imaginar uma ação física que o contexto não apresenta.

Uso próprioUso figuradoSentido da imagem
O portão está fechadoO assunto está fechadoEstá encerrado
O corredor está vazioA promessa era vaziaNão tinha conteúdo efetivo
O material pesa na caixaA decisão pesa na rotinaProduz impacto

Imagens e contexto. A metáfora aproxima realidades por semelhança, sem exigir uma comparação explícita. Em Aquele acordo foi uma ponte entre os setores, ponte sugere ligação e aproximação. A metonímia mobiliza uma relação de proximidade, como instituição por seus representantes: A escola comunicou a alteração não atribui fala ao edifício. A personificação atribui características humanas a seres ou coisas: O silêncio tomou conta da sala constrói uma imagem expressiva. A classificação específica só é necessária quando o comando a solicita; reconhecer o efeito de sentido continua essencial.

O uso figurado também aparece em textos informativos, ofícios e conversas de trabalho. Expressões como fluxo de informações e gargalo no atendimento podem ser compreendidas sem referência a líquidos ou garrafas. A existência de linguagem figurada não transforma automaticamente um texto em literário.

Uma paráfrase deve traduzir a imagem sem exagerar sua força. Em A dúvida travou o andamento da reunião, a ideia central é que a incerteza impediu ou dificultou seu avanço. A frase não informa que houve um defeito mecânico nem que a reunião foi definitivamente cancelada. A leitura adequada combina a acepção contextual da expressão com o que efetivamente se afirma sobre a situação.

Esquema

Relações do sentido figurado

Imagens na linguagem

  • Metáfora

    Aproximação por semelhança

  • Metonímia

    Relação de proximidade

  • Personificação

    Atribuição de características humanas

Pegadinha de prova

Palavra igual, afirmação diferente

Uma alternativa pode repetir palavras do texto e mudar o sujeito, o alcance ou a relação de causa. A repetição vocabular não garante fidelidade.

Pegadinha de prova

Possibilidade não é certeza

A expressão pode ocorrer admite uma possibilidade. A substituição por ocorrerá transforma essa possibilidade em afirmação de realização futura.

Pegadinha de prova

Sinônimo depende do uso

Em aviso claro, compreensível preserva o sentido. Em corredor claro, o adjetivo pode indicar luminosidade.

1.4 Exemplo resolvido

Um comunicado informa: A reunião com as famílias foi antecipada para permitir a participação da equipe de apoio. A pauta foi mantida. Segundo o comunicado, é correto afirmar que: A) a pauta foi reduzida para abreviar o encontro; B) a reunião deixou de contar com as famílias; C) a mudança de horário buscou viabilizar a presença da equipe de apoio; D) o encontro foi cancelado por falta de profissionais; E) a pauta será definida depois da reunião.

  1. O verbo antecipar indica mudança para um momento anterior, sem cancelamento.
  2. A expressão para permitir apresenta a finalidade da mudança.
  3. O texto afirma que a pauta foi mantida; não informa redução ou definição futura.

Resposta: Alternativa C. A finalidade da antecipação foi permitir a participação da equipe de apoio.

1.5 Fixação

Questões inéditas.

F1inédita

Em “O acesso ao pátio está interditado durante o reparo”, a palavra de sentido contrário a “interditado”, nesse contexto, é

  1. A)bloqueado.
  2. B)impedido.
  3. C)restrito.
  4. D)liberado.
  5. E)proibido.

F2inédita

Leia o aviso. A oficina de desenho, inicialmente prevista para o pátio, ocorrerá na sala de artes em caso de chuva. O horário permanece o mesmo. O aviso informa que

  1. A)a chuva provocará o cancelamento da oficina.
  2. B)o local poderá mudar, mas o horário será mantido.
  3. C)a sala de artes será usada independentemente do tempo.
  4. D)o horário será antecipado se a oficina ocorrer no pátio.
  5. E)o pátio deixou de ser uma possibilidade para a oficina.

F3inédita

Na frase “Depois da conversa, as palavras da amiga foram um abrigo para Lia”, o trecho “um abrigo” indica que as palavras

  1. A)descreveram uma casa oferecida à personagem.
  2. B)informaram o endereço de uma nova moradia.
  3. C)explicaram como construir uma proteção física.
  4. D)reproduziram instruções sobre segurança predial.
  5. E)proporcionaram acolhimento emocional à personagem.

F4inédita

Em “O monitor acolheu a sugestão apresentada pela turma”, a substituição de “acolheu” que preserva o sentido é

  1. A)recolheu.
  2. B)abrigou.
  3. C)aceitou.
  4. D)descartou.
  5. E)adiou.

F5inédita
Leia o texto. O banco da praça Durante semanas, ninguém notou o banco recém-pintado. Na tarde em que dona Rosa voltou a se sentar ali para contar histórias, ele ganhou uma roda de ouvintes. A tinta continuava a mesma; a praça, não.

O contraste da última frase sugere que

  1. A)a presença de dona Rosa transformou o uso e a convivência naquele espaço.
  1. B)a roda de ouvintes provocou uma nova alteração na pintura do banco.
  2. C)os moradores deixaram a praça porque já conheciam as histórias narradas.
  3. D)o banco passou despercebido porque estava escondido dos frequentadores.
  4. E)a pintura do banco foi substituída para permitir a reunião dos moradores.

1.6 Questões oficiais da Vunesp

Questões oficiais de provas anteriores, com a fonte.

Q1oficial · Pref. Osasco/SP 2026
Meus pais sempre me pareceram, aos olhos da criança que fui, perfeitos. Eu agradecia a Deus por ter nascido em um lar tão abençoado, onde tudo funcionava, e ai de quem duvidasse. Até que cresci e passei eu mesma a duvidar: ora, quem é perfeito? Eu me furtaria a vergonha de passar o resto da vida inebriada pela própria ilusão. Passei a glorificar o imperfeito e segui amando todos eles, já que ninguém é perfeito. Estou longe de desprezar genialidades, como uma foto de Sebastião Salgado, uma página de Guimarães Rosa, o canto de Caetano Veloso. Aproximam-se do sagrado. Mas quando desço desse altar e caio no mundano, é pela imperfeição que me enamoro. Faço todo esse preâmbulo para que eu possa exaltar o que está fora de foco. O abandono da excelência a favor da essência. Andamos obcecados por qualidade técnica, filtros que eliminam defeitos, nenhum ruído escapando, nenhum fio solto, a artificialidade substituindo o que é verdadeiro. A essência, ao contrário, é inexata, transcende, se move, esparrama. A essência não se falsifica, transforma a própria falha em gozo. Sabe que o excelente, ou é um gênio, ou um impostor. Adoro, especialmente, fotos desfocadas, com sua imperfeição poética, humana. São retratos em movimento: da gente dançando, correndo, gesticulando. Somos borrões capturados por olhares objetivos, mas está para nascer quem nos possa reduzir a uma única dimensão. Temos várias versões sobrepostas, somos reais assim como somos fictícios, seres indeterminados fazendo o possível para se enquadrar, só que um pedaço de nós sempre invade o contorno limitador e escorre para fora. Queremos ser vistos com nitidez, eu sei, mas também somos aquele ser indefinido por trás do espelho embaçado no banheiro. (Martha Medeiros. “A arte de falhar: um elogio ao que está fora de foco”,

É correto afirmar, com base nas informações presentes no texto, que

  1. A)a autora do texto se vale da ideia de imagens sem foco como exemplo da beleza do que é natural.
  1. B)as obras de artistas de várias áreas são tidas pela autora do texto como algo de pouco valor.
  2. C)a perfeição dos pais da autora do texto era, para ela, algo caro, mas que ela não tornava público.
  3. D)a autora do texto se envergonha até hoje de ter acreditado que sua família era altamente funcional.
  4. E)a ideia de que somos muitos em um único ser é corroborada pela busca humana de perfeição.

Q2oficial · Pref. Osasco/SP 2025
Ilha Brasil Por mais de 500 anos, quando o conhecimento sobre a geografia do planeta ainda engatinhava, chegou a ser comum em mapas da Europa a presença de uma ilha misteriosa próxima à costa da Irlanda que, depois se descobriria, nunca existiu de fato. Navegadores europeus que se lançaram ao Atlântico antes e depois da chegada às Américas vasculharam o oceano à sua procura, na esperança de encontrar nela um paraíso terrestre. A crença vinha do folclore celta, que descreveu o lugar como um destino de saúde e alegria abundantes, onde a juventude era eterna. A ilha se chamava Brasil. Ela apareceu pela primeira vez na cartografia em um mapa-múndi medieval confeccionado por volta de 1280. A partir daí, voltou a ser retratada em pelo menos outros 121 mapas, até 1873, conforme a pesquisa feita pelo jornalista Geraldo Cantarino, autor de Uma Ilha Chamada Brasil: o Paraíso Irlandês no Passado Brasileiro. A história milenar do mito e suas diferentes manifestações levaram alguns autores a argumentar que a ilha também teria influenciado o batismo do país que hoje compartilha o nome com ela — o Brasil, no caso. A versão repetida nas escolas e nos livros didáticos é a de que o país foi assim batizado por conta da árvore de madeira vermelha explorada por Portugal nos primeiros anos de colonização, o pau-brasil. Roger Casement, um diplomata britânico que no início do século 20 foi cônsul em Santos (SP), em Belém (PA) e no Rio de Janeiro, chegou a apresentar um artigo que intitulou Irish Origins of Brazil [Origens irlandesas do Brasil], em que defendia que, “por mais estranho que possa parecer, o Brasil deve o seu nome não à abundância de um certo pau-de-tinta, mas à Irlanda”. Casement argumentava que o nome Brasil habitou o imaginário dos europeus séculos antes da colonização das Américas, que continuava vivo na época em que eles se lançaram ao Atlântico, como mostram os mapas e as histórias da época, que haviam inclusive inspirado muitas viagens marítimas. (Camilla Veras Mota. Ilha Brasil: por que Irlanda tem uma terra mítica com o nome do nosso país. Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/ articles/cg72dvjjdz3o. Acesso em 30/04/2025)

Há palavra ou expressão empregada em sentido figurado na frase:

  1. A)Por mais de 500 anos, quando o conhecimento sobre a geografia do planeta ainda engatinhava... (1o parágrafo)
  1. B)... chegou a ser comum em mapas da Europa a presença de uma ilha misteriosa próxima à costa da Irlanda... (1o parágrafo)
  2. C)A crença vinha do folclore celta, que descreveu o lugar como um destino de saúde e alegria abundantes... (1o parágrafo)
  3. D)A história milenar do mito e suas diferentes manifestações levaram alguns autores a argumentar... (4o parágrafo)
  4. E)... por conta da árvore de madeira vermelha explorada por Portugal nos primeiros anos de colonização... (4o parágrafo)

Q3oficial · Pref. Estância Turística de Tremembé/SP 2026
Saudade da coxa de catupiry Sou do tempo dos salgadinhos reconhecíveis. Você me entende: do tempo em que, diante da bandeja, a gente não tinha dúvidas ‒ o que ali estava era croquete, coxinha, empadinha. Sem chance de equívoco. Bem diferente, admita, dos dias de hoje, em que é preciso recorrer ao garçom para decifrar enigmas culinários, alguns deles tão complexos e empetecados que você se pergunta se não seriam, em vez de comida, peças decorativas. Sim, vivemos a era do salgadinho que demanda apresentação. Deveria vir com legenda. Nada contra a modernização do tira-gosto. Mas me dê um tempo para me adaptar. Outro dia, num casamento, estenderam na minha direção um artefato aparentemente comestível, algo como uma coxinha esférica, acoplada a um talo branco. Era, de fato, uma minicoxinha ‒ mas e o misterioso talo branco, grosso demais para ser palito? Na roda, um convidado mais ousado se aventurou a mastigá-lo, e aí se deu conta de que, naquele casamento chique, ele tinha na boca um vulgar pedaço de cana. Coxinha com cana ‒ onde vamos parar? E o que fazer com o bagaço? Muita coisa surgiu na vida de meus maxilares tão fatigados desde a primeira dentição. Na minha infância belo-horizontina não tinha shitake, rúcula e kiwi, por exemplo. Em compensação, tinha Crush, drops Dulcora, açúcar cândi, que depois sumiram do mapa. Como sumiu o cajuzinho. Onde foi parar o cajuzinho? Você vai me dizer que não sei onde tem uma “dona” que faz. Coisas de Belo Horizonte: em alguma parte, tem sempre uma dona que faz o docinho, o salgadinho que desapareceu das vitrines. Não duvido de que nalgum recanto da capital haja uma dona do cajuzinho. Vai ver que é a mesma do bolinho de feijão. (Humberto Werneck. Esse inferno vai acabar, 2011. Adaptado)

É correto afirmar que, em sua infância, o narrador

  1. A)tinha o hábito de andar pela cidade de Belo Horizonte à procura de alguém que ainda fizesse cajuzinhos.
  1. B)desconhecia certos ingredientes que seus familiares tinham o hábito de usar para fazer salgadinhos e docinhos.
  2. C)costumava consumir certos produtos que, a partir de um certo momento, não se encontravam mais.
  3. D)evitava ao máximo comer alimentos que contivessem ingredientes diferentes como shitake, rúcula ou kiwi.
  4. E)enfrentou problemas relacionados à primeira dentição, o que o impediu de conhecer determinados alimentos.

Q4oficial · Pref. Sorocaba/SP 2025
Espírito original do SUS é vital para o país O Sistema Único de Saúde (SUS) entrou em vigor há 35 anos, dois anos após ter sido criado a partir da Constituição Federal de 1988. Lançado como resposta a um clamor por justiça social e igualdade no acesso à saúde, o sistema foi inspirado nos princípios da universalidade, integralidade e equidade, e, não se pode negar, tornou-se um dos maiores sistemas públicos de saúde do planeta. Atualmente, é responsável por cerca de 75% dos atendimentos de saúde no país, segundo o governo federal. Ele abrange desde o atendimento básico até procedimentos de alta complexidade, como transplantes de órgãos – área em que o Brasil é o segundo maior do mundo em volume de transplantes públicos, atrás apenas dos Estados Unidos. Não é à toa que a revista americana Newsweek divulgou seu ranking anual dos melhores hospitais do mundo em 12 especialidades médicas e o Brasil marcou presença com 22 instituições – sendo sete públicas e 15 privadas. O levantamento considerou recomendações de profissionais de saúde, dados de acreditação e certificações, e indicadores de resultados percebidos pelos pacientes, como melhora dos sintomas e satisfação com o tratamento recebido. Vale destacar também o protagonismo do SUS durante a pandemia da covid-19. Em um dos momentos mais críticos da história recente, o sistema liderou a campanha de vacinação que alcançou mais de 80% da população com esquema primário completo, reafirmando a expertise do país em campanhas de imunização em massa. O modelo, inclusive, já foi elogiado pela Organização Mundial da Saúde (OMS). No entanto, especialistas daqui e de fora também apontam suas fragilidades. A desigualdade no acesso – especialmente em áreas rurais e periféricas –, os longos tempos de espera e a fragmentação dos serviços são vistos como entraves à eficiência do sistema. Da mesma forma, preocupa a dificuldade para o fortalecimento do setor primário – voltado para a prevenção e, portanto, mais estratégico do ponto de vista da saúde pública. Outro problema crônico é o subfinanciamento. Segundo dados do Conselho Nacional de Saúde, o Brasil investe cerca de 9,6% do PIB em saúde, mas apenas 3,9% são recursos públicos, nível inferior à média de países com sistemas universais. Aos 35 anos, é hora de resgatar o espírito original do Sistema Único de Saúde – um sistema público, gratuito, eficiente e humano. Para isso, não basta só vontade política. É preciso coragem para enfrentar interesses corporativos e colocar a vida acima do lucro. Afinal, trata-se de um lema do SUS: “Saúde é direito de todos e dever do Estado”. (Editorial. https://www.correiobraziliense.com.br/opiniao, 19.09.2025. Adaptado.)

O último parágrafo do texto permite concluir corretamente que o SUS deve

  1. A)garantir a gratuidade e a eficiência à população, sendo suas atividades financiadas pelo setor privado do país.
  1. B)abdicar de interesses políticos e agregar, de forma saudável e responsável, os interesses corporativos.
  2. C)buscar um novo espírito, associando vontade política e interesses financeiros, para defender o seu lema.
  3. D)deixar os interesses econômicos de lado e pautar seu atendimento na gratuidade, quando for possível.
  4. E)recuperar seus princípios básicos, opondo-se aos interesses corporativos e fazendo valer o seu lema.

Q5oficial · TJ/SP Escrevente Técnico Judiciário 2025
Texto base: Passaporte da cultura Ao lado dos brasileiros, o povo mais musical que tive o privilégio de conhecer são os cabo-verdianos. O amor incondicional que nutrem pelo país e pelos seus ritmos não tem paralelo. Um amor libertador, que não precisa possuir para se validar. Um amor não exigente, mas que se faz presente na língua que todos aprendem a falar desde o berço — ou melhor, a declamar e a cantar desde o ventre. Não é exagero: todos os cabo-verdianos que conheço são poetas. Embora se reconheça Cesária Évora como sendo a voz que revelou a alma do arquipélago, existe nas montanhas longínquas do interior de Santiago um gênero que já sofrera os seus desafios de silenciamento. Uma música catártica, crua e negra com a qual gerações novas se reconciliaram e aprenderam a reivindicar a sua herança africana. A música continua a ser o passaporte da cultura cabo-verdiana no mundo. Está presente em todos os momentos marcantes da história do país, e é por meio dela que as memórias ancestrais são catalogadas e transportadas para o futuro. Um dos músicos mais celebrados da nação é Orlando Pantera, um cometa que viveu na terra por escassos 33 anos. Não gravou nenhum álbum, morreu no dia em que iniciaria, em Paris, as gravações do disco que confirmaria aquilo que os habitantes da ilha de Santiago já sabiam: era um gênio. E um dos poucos que conseguiu transportar para a canção o sentir das gentes dos campos, os esquecidos, os seus ritmos e desejos. (Kalaf Epalanga. Minha pátria é a língua pretuguesa: Crônicas. 2023. Adaptado)

Da perspectiva apresentada pelo cronista, conclui-se corretamente que

  1. A)brasileiros e cabo-verdianos são povos intensamente musicais, sendo estes caracterizados por expressarem por meio das canções o seu amor ao país em que vivem.
  1. B)memórias ancestrais encontram na música dos brasileiros e dos cabo-verdianos a forma de serem transportadas para o futuro, sendo a voz daqueles a mais celebrada.
  2. C)montanhas longínquas do interior de Santiago abrigam as tristezas do povo cabo-verdiano, que busca inspirações nas canções dos brasileiros para romper o silenciamento.
  3. D)todos os cabo-verdianos nutrem amor pela música, que passam a amar intensamente depois de nascerem e por meio da qual buscam expressar suas memórias.
  4. E)cantores como Cesária Évora e Orlando Pantera ratificam a superioridade de Cabo Verde em relação a outros países, principalmente o Brasil, cujo povo é bem musical.

Q6oficial · Polícia Militar/SP 2025
Assassinato digital Ao contrário de tempos passados, quando sumir com alguém exigia certo grau de dificuldade e até risco criminal, hoje tornou-se facílimo dar fim a uma pessoa. Bastam um dedo e algumas teclas. É possível mudar completamente o círculo de amizades, sumir da turma, buscar novos ares, sem grandes enfrentamentos. Um amigo estava falando de sua ex: “Bloqueei”. Explicou que bloqueou em tudo: no WhatsApp, no Instagram, no Face. Em qualquer outra rede social, uma pessoa existe ou não existe. Se é bloqueada em todos os canais em que pode se comunicar com a outra, tecnicamente não existe mais. Simplesmente deixa de estar presente. Mesmo porque, na atualidade, a presença é mais digital que física em um número imenso de casos. Houve um tempo em que eu me admirava ao dar uma “limpa” no celular. Por que tanta gente, com quem nunca converso, tantos endereços que já não fazem parte do meu dia a dia? Para meu susto, recebi reclamações: “Por que você me deletou?”, “Me bloqueou?”. Na prática, respondia: “Porque a gente não se falava mais”. Descobri que estar na minha rede mesmo sem papo era um modo de afirmar a existência da pessoa em minha vida. Portanto, era ofensivo ser excluído. Parecia sem sentido. Mas entendi. Se a pessoa for deletada ou, pior, bloqueada, simplesmente deixa de existir. A comparação é forte, mas inevitável: morre. Eu ainda acredito nas relações de carne e osso, nos abraços, nos encontros longos e profundos. Mas descubro que os relacionamentos digitais tomaram um espaço impressionante. Deletar equivale a dizer adeus. E dizer adeus é sempre uma forma de luto. (Walcyr Carrasco. Disponível em: https://veja.abril.com.br/coluna/walcyr-carrasco/assassinato-digital/. Acesso em 28/09/2025. Adaptado)

A respeito das transformações nas formas de relacionamento interpessoal com as tecnologias digitais, o autor do texto

  1. A)reconhece o impacto das redes sociais, mas valoriza, acima delas, as relações presenciais e concretas.
  1. B)afirma que, no passado, as relações humanas eram menos sólidas, pois não havia redes sociais para mantê-las.
  2. C)considera que o bloqueio em redes sociais não gera maiores consequências para a percepção da existência do outro.
  3. D)entende que excluir alguém das redes sociais, nos dias de hoje, é um crime mais grave do que matar uma pessoa.
  4. E)defende que as relações digitais substituíram de forma saudável e definitiva os vínculos presenciais.

Q7oficial · Pref. Campinas/SP 2025
Nunca houve tanto diagnóstico de transtorno neurológico infantil. Em apenas um ano, entre 2022 e 2023, cerca de 200 mil crianças e adolescentes com Transtorno do Espectro Autista (TEA) foram matriculados em salas de aula comuns no Brasil, um aumento de 50% segundo o Censo de Educação Básica. Mais do que uma questão para as famílias, esse cenário reflete um novo desafio nos colégios, que só deve crescer neste ano: o de como lidar com salas de alunos cada vez mais diversas e complexas. Toda criança atípica tem direito a adaptação escolar para que consiga acompanhar pedagogicamente sua turma. “O papel da escola é ensinar da maneira que a criança aprende. A professora colocar todo mundo na cadeira, passar uma fórmula e, se o aluno não atingir a nota, ele é que é errado não é a essência da escola”, afirma a neuropsicopedagoga Ingrid Garrido. “O cérebro da criança atípica não funciona desse jeito. Então é essa criança que vai sempre para a coordenação, é essa que vão achar que é mal educada.” “Quando saímos da licenciatura não estamos preparados nem para os alunos considerados típicos, quanto mais para os atípicos. Aprende-se na marra!”, brinca a professora Rosangela Senger, que está há 33 anos na profissão e já teve sala em que um aluno tinha TEA, três TDAH e um TOD (transtorno opositor desafiador). Para Rosangela, trabalhar em parceria com a família e os terapeutas é o melhor caminho, independentemente da necessidade em questão. “Não acredito que seja papel somente da escola oferecer a formação ao professor, mas este precisa buscar um aprofundamento para que seus alunos se desenvolvam da melhor forma. Mas te digo: ultimamente, a falta de limite, interesse e respeito de alunos considerados típicos é a nossa maior luta diária.” (Luciana Garbin. Há cada vez mais diagnóstico de TDAH, autismo e outros transtornos: pais e escolas estão preparados? Disponível em: www.estadao.com.br/cultura, 12.02.2025. Adaptado)

Na opinião da professora Rosangela Senger,

  1. A)embora trabalhar com alunos atípicos seja desafiador, a adversidade contemporânea é sobretudo lidar com o desprezo dos alunos típicos pela escola.
  1. B)a escola deve oferecer formação especializada para o professor que assume salas com alunos atípicos, principalmente se ele não procura se especializar.
  2. C)não levar os transtornos tão a sério, como fazem a escola e os terapeutas, é a melhor saída para conseguir trabalhar com salas em que há alunos atípicos.
  3. D)o maior desafio de sua carreira foi trabalhar com uma sala de aula em que cinco alunos tinham diagnósticos distintos de transtorno neurológico.
  4. E)o deficit na formação acadêmica de professores em relação a transtornos neurológicos é a razão pela qual crianças atípicas não conseguem aprender.

Q8oficial · Pref. de Vista Alegre do Alto/SP 2025
Democracia digital Nas primeiras duas décadas do século 21, o desenho da sociedade e de suas instituições sofreu grandes alterações com o uso das redes sociais, da inteligência artificial e de outras ferramentas capazes de utilizar um gigantesco volume de dados na internet para os mais diversos fins. Por um lado, abriu-se caminho para vozes historicamente silenciadas, a exemplo de jovens indígenas que passaram a compartilhar sua realidade e reivindicações sem intermediários, nas redes. Por outro, pavimentou-se uma via de disseminação de fake news, polarização ideológica e discursos de ódio. Nesse cenário, de que forma a expansão das novas tecnologias vem afetando a democracia? Autor de A democracia no mundo digital: histórias, problemas e temas, o professor e pesquisador da Universidade Federal da Bahia (UFBA) Wilson Gomes chama a atenção, primeiramente, para as maneiras como as novas tecnologias vêm sendo utilizadas em diferentes contextos geopolíticos. “A chamada democracia digital depende de uma escolha: a decisão de usar os recursos digitais – plataformas, redes, dados, algoritmos, automações – para fortalecer valores, práticas e instituições democráticas. Mas essa decisão só pode ser tomada por sociedades convictas de que a democracia é a melhor forma de governo. Quando essa convicção vacila e os regimes são atacados, os mesmos recursos podem ser empregados com igual eficácia para solapar os fundamentos da vida democrática”, alerta. Segundo Gomes, nos encontramos diante de uma encruzilhada. “Há os que acreditam que a guerra pelos usos sociais das tecnologias foi vencida pelos inimigos da democracia – que as plataformas, os algoritmos e os fluxos digitais estão, irremediavelmente, capturados por lógicas autoritárias, mercadológicas ou identitárias intolerantes. Mas há, também, os que veem na resistência institucional, nas pesquisas emergentes, na regulação pública e nos novos experimentos democráticos digitais um caminho viável para reverter o jogo.” (Revista E, 01.09.2025. Disponível em: https://www.sescsp.org.br/ editorial/democracia-digital/. Adaptado)

De acordo com o texto, a ideia de uma democracia digital para Wilson Gomes

  1. A)é ilusória, visto que desconsidera os usos que se faz dos recursos digitais para divulgar fake news e discursos de ódio.
  1. B)envolve desafios que não existiam antes em nossa sociedade, como o combate ao autoritarismo e à intolerância.
  2. C)depende de que, antes de tudo, a própria sociedade faça uma opção pela democracia como forma de governo.
  3. D)é viável com a condição de que sejam eliminados os algoritmos, visto que eles reforçam os discursos de ódio.
  4. E)pode motivar algumas pessoas a se questionarem se, apesar das aparências, vivemos de fato em uma democracia.

Q9oficial · Pref. Itapevi/SP 2025
Por que agora a solidão nos adoece? Para Vivek Murthy, cirurgião-geral e principal autoridade de saúde pública dos EUA, “a teoria evolutiva da solidão de John Cacioppo* está enraizada na observação de que os humanos sobreviveram como espécie não porque temos vantagens físicas como tamanho, força ou velocidade, mas por causa de nossa capacidade de nos conectar em grupos sociais”. Essa teoria define a solidão como um estímulo para uma necessidade básica: a de nos conectar. “Assim temos uma maior chance de adaptação ao nosso ambiente”, defendeu o psiquiatra Thyago Antonelli-Salgado, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). “Se pensarmos nos primatas, humanos e não-humanos, com um comportamento de grupo, eles se protegeram contra a ameaça de predação, a escassez de recursos, e, assim, houve uma seleção natural desses indivíduos”, explicou. Hoje, todavia, segundo os especialistas, a solidão é mais prevalente e intensa do que nunca e se configura como um grave problema de saúde pública. Em relatório de 2023, Murthy destaca que essa condição está associada a um risco maior de doença cardiovascular, demência, AVC, depressão, ansiedade e morte prematura. “O impacto de estar socialmente desconectado na mortalidade é semelhante ao causado por fumar até 15 cigarros por dia.” Por enquanto, as principais evidências não são capazes de cravar essa relação de causa e efeito. De qualquer forma, o crescente arcabouço científico tem deixado países em alerta. O Japão criou um “Ministério da Solidão”, e, no Reino Unido, uma secretária foi nomeada para combatê-la. O ponto chave que envolve a solidão é o sofrimento. Entretanto a redução de interações pode ser feita com um objetivo maior, como autoconhecimento ou necessidade profissional (escrever um livro, por exemplo), não estando, portanto, associada a alguma repercussão negativa. Nesse caso, falamos de solitude. Antonelli-Salgado aponta que a solidão não pode ser tema abordado apenas na velhice. A importância da conexão social precisa ser ensinada desde cedo. “Muitas vezes, a gente ensina às crianças que, mesmo sem fome, é importante comer para crescer forte. É preciso tomar água para se hidratar. Mas não falamos sobre a importância de ter boas conexões sociais para que haja uma maior qualidade de vida.” Para ele, bons vínculos têm a ver com profundidade, com estabelecer efetivas relações sociais e pensar que elas são sempre uma troca. (Leon Ferrari. Disponível em: www.estadao.com.br/saude/a-solidao-nosajudou-a-sobreviver-por-que-agora-nos-adoece-especialistas- -explicam/?utm_source=estadao:mail. Adaptado) * John T. Cacioppo (1951-2018): professor da Universidade de Chicago, onde fundou o Centro da Neurociência Cognitiva e Social.

É correto afirmar que o texto

  1. A)identifica o campo de atuação dos especialistas citados com o intuito de dar credibilidade ao que eles defendem acerca de solidão e saúde pública.
  1. B)parte de relatos de pessoas acometidas pela solidão e que buscam soluções para o problema da falta de conexão com outras pessoas.
  2. C)apresenta opiniões de profissionais da área da cirurgia e da psiquiatria que divergem quanto à classificação dos problemas de saúde pública.
  3. D)deixa subentendido que nosso país deve se pautar pelas ações bem-sucedidas, empreendidas por Japão e Reino Unido, no enfrentamento da solidão.
  4. E)reproduz a linguagem complexa dos tratados de medicina, apesar de ser um artigo jornalístico destinado a todos os leitores do periódico.

Q10oficial · Pref. Presidente Prudente/SP 2025
Estratégias de sobrevivência Hoje bateu uma saudade danada de visitar uma feira literária, conversar com leitores, assinar os seus livros, tirar a selfie de praxe e num abraço agradecer-lhes por manterem viva essa coisa tão necessária para a nossa saúde mental a que chamamos de literatura. Me deu até saudade de algo que não faço desde que me mudei para Berlim: visitar escolas do ensino secundário no Portugal mais remoto, como Vila Nova de Paiva, Penalva do Castelo, Arruda ou Sobral de Monte Agraço, lugares que nunca me ocorreria visitar se não fosse pelos livros e pela curiosidade em conhecer o outro. Colhi tanto prazer nisso que não o via como sacrifício. Contrariando os meus hábitos de notívago, despertava com uma alegria de criança aniversariante, antes do galo cantar. Vestia a minha camisa e gravata favoritas e corria para a estação de comboio de Santa Apolónia, cruzando-me no caminho com outros madrugadores como eu, lisboetas por nascimento ou afeto, africanos europeus, irmãos da diáspora que fazem parte do leque de personagens que pululam em muitas das minhas histórias. Esses personagens me acompanharam da Flip em Paraty ao Africa Writes em Londres, do Elinga Teatro em Luanda à Escola Secundária de Penalva do Castelo, uma vila do distrito de Viseu, não muito longe de Fornos de Algodres e Mangualde. Na biblioteca da escola, um tanto retraídos, duas dezenas de alunos aguardavam pacientemente pela minha apresentação. (Kalaf Epalanga. Minha pátria é a língua pretuguesa [Crônicas], 2023. Adaptado)

A leitura do texto permite concluir corretamente que o narrador é um

  1. A)professor de ensino secundário saudoso dos alunos de Portugal.
  2. B)escritor reconhecido, que se mostra devotado à arte da escrita.
  3. C)crítico literário, que analisa o impacto da literatura nas escolas.
  4. D)pretenso escritor, que vivencia o magistério antes da literatura.
  5. E)bibliotecário e professor, que fomenta a literatura nas escolas.

1.7 Gabarito comentado

P1inédita · pré-testeResposta: C

Conceito: A ideia central reúne as informações essenciais do texto.
Raciocínio: A abertura no recreio acrescentou um período de acesso. As crianças podem ler nesse horário ou levar livros, e a visita continua facultativa. A alternativa C sintetiza essa ampliação.
Por que as outras estão erradas:
  • A: A alternativa A transforma uma escolha em obrigação.
  • B: A alternativa B apresenta a situação anterior como se continuasse exclusiva.
  • D: A alternativa D contradiz a informação sobre levar livros para casa.
  • E: A alternativa E inverte o resultado da mudança: o acesso aumentou.
Pegadinha: Uma alternativa pode repetir palavras do texto e inverter a relação entre elas.
Base: Interpretação textual: identificação da ideia central em texto informativo.
Questão irmã: Uma sala de leitura abre em um turno adicional, sem exigir presença. O acesso aumentou ou se tornou obrigatório? Gabarito: O acesso aumentou; a presença continua facultativa.

P2inédita · pré-testeResposta: E

Conceito: O sinônimo deve preservar o sentido da palavra no contexto.
Raciocínio: Sucinta caracteriza uma orientação expressa em poucas palavras. A alternativa E, breve, mantém esse sentido sem afirmar que a explicação tem falhas.
Por que as outras estão erradas:
  • A: A alternativa A indica falta de clareza, não concisão.
  • B: A alternativa B indica severidade, não brevidade.
  • C: A alternativa C expressa duração longa, oposta à brevidade.
  • D: A alternativa D sugere falta de informações necessárias, não simples concisão.
Pegadinha: Uma explicação curta pode ser completa; concisão não equivale a omissão.
Base: Semântica lexical: sinonímia contextual de sucinto e breve.
Questão irmã: Em “O aviso foi conciso”, qual substituição preserva o sentido: breve ou confuso? Gabarito: Breve.

P3inédita · pré-testeResposta: A

Conceito: O sentido figurado transfere uma expressão para um significado não literal.
Raciocínio: Esperança não é um objeto que receba uma chama. Em A, acender significa despertar um sentimento. Nas demais frases, as ações admitem a leitura literal indicada pelos objetos.
Por que as outras estão erradas:
  • B: A alternativa B descreve o acionamento literal de uma lâmpada.
  • C: A alternativa C descreve o armazenamento material de um caderno.
  • D: A alternativa D descreve a colocação física de uma chave.
  • E: A alternativa E descreve a abertura física de uma janela.
Pegadinha: O mesmo verbo pode ser figurado em uma frase e literal em outra.
Base: Semântica: distinção entre sentido próprio e sentido figurado.
Questão irmã: Em “A dúvida apagou seu entusiasmo”, apagar tem sentido próprio ou figurado? Gabarito: Figurado: significa reduzir ou eliminar o entusiasmo.

F1inéditaResposta: D

Conceito: O antônimo expressa oposição de sentido dentro do contexto.
Raciocínio: Interditado indica que o acesso não está permitido. Liberado, na alternativa D, expressa a autorização de acesso, formando a oposição solicitada.
Por que as outras estão erradas:
  • A: A alternativa A mantém a ideia de obstáculo ao acesso.
  • B: A alternativa B mantém a ideia de impossibilidade de acesso.
  • C: A alternativa C indica limitação, não liberação do acesso.
  • E: A alternativa E mantém a ideia de proibição.
Pegadinha: Palavras de sentido próximo ao termo destacado não atendem a uma pergunta sobre antônimo.
Base: Semântica lexical: antonímia contextual entre interditado e liberado.
Questão irmã: Qual é o antônimo de “proibida” em “A entrada está proibida”? Gabarito: Permitida.

F2inéditaResposta: B

Conceito: Uma condição delimita em que situação uma informação se aplica.
Raciocínio: A expressão “em caso de chuva” condiciona a transferência para a sala. A frase seguinte preserva o horário. A alternativa B reúne corretamente essas duas informações.
Por que as outras estão erradas:
  • A: A alternativa A confunde mudança de local com cancelamento.
  • C: A alternativa C elimina a condição expressa no aviso.
  • D: A alternativa D inventa uma alteração de horário.
  • E: A alternativa E exclui o local inicialmente previsto sem apoio no aviso.
Pegadinha: Informar uma alternativa para a chuva não significa anunciar uma mudança definitiva.
Base: Interpretação textual: condição e informação explícita em aviso.
Questão irmã: “Se chover, a reunião será no salão; o horário não muda.” O salão será usado obrigatoriamente em qualquer situação? Gabarito: Não. Seu uso está condicionado à chuva.

F3inéditaResposta: E

Conceito: A metáfora aproxima realidades por uma característica compartilhada.
Raciocínio: O abrigo protege e acolhe. A frase transfere essas características para as palavras da amiga, que confortam Lia. A alternativa E recupera o sentido metafórico.
Por que as outras estão erradas:
  • A: A alternativa A reduz a imagem a uma descrição imobiliária não apresentada.
  • B: A alternativa B acrescenta um endereço ausente da frase.
  • C: A alternativa C interpreta como construção material uma imagem afetiva.
  • D: A alternativa D inventa instruções técnicas inexistentes.
Pegadinha: A presença de um substantivo concreto não obriga a uma interpretação literal.
Base: Figuras de linguagem: metáfora e transferência de sentido por semelhança.
Questão irmã: Em “A amizade era seu porto seguro”, que sentido tem “porto seguro”? Gabarito: Uma fonte de confiança, proteção e acolhimento.

F4inéditaResposta: C

Conceito: Uma palavra com vários sentidos precisa ser interpretada em sua combinação com as demais.
Raciocínio: Acolher uma sugestão significa aceitá-la. A alternativa C mantém essa relação. Os sentidos físicos de recolher ou abrigar não correspondem à combinação com “sugestão”.
Por que as outras estão erradas:
  • A: A alternativa A sugere coleta ou retirada, não aceitação da ideia.
  • B: A alternativa B privilegia proteção ou alojamento, não aceitação da sugestão.
  • D: A alternativa D expressa rejeição, oposta à aceitação.
  • E: A alternativa E indica transferência para momento posterior, não aceitação.
Pegadinha: Um sinônimo possível em outro contexto pode ser inadequado no trecho apresentado.
Base: Semântica lexical: polissemia e sinonímia contextual do verbo acolher.
Questão irmã: Em “A direção acolheu o pedido”, acolher significa alojar ou aceitar? Gabarito: Aceitar.

F5inéditaResposta: A

Conceito: A inferência relaciona pistas textuais sem acrescentar fatos não sustentados.
Raciocínio: A pintura permanece igual, mas o banco passa a reunir pessoas em torno das histórias. A mudança da praça é social e afetiva. A alternativa A relaciona a presença de dona Rosa à nova convivência.
Por que as outras estão erradas:
  • B: A alternativa B contradiz a permanência da mesma tinta.
  • C: A alternativa C contradiz a formação da roda de ouvintes.
  • D: A alternativa D inventa um esconderijo que o texto não menciona.
  • E: A alternativa E contradiz a informação de que a tinta continuava a mesma.
Pegadinha: Uma transformação do espaço pode ocorrer pelo uso que as pessoas fazem dele.
Base: Leitura de texto literário: inferência e interpretação de contraste.
Questão irmã: Um jardim permanece fisicamente igual, mas passa a reunir vizinhos para conversar. Que mudança ocorreu? Gabarito: Mudou a convivência e o uso social do lugar.

Q1oficialResposta: A

Conceito: A interpretação global relaciona os exemplos à tese defendida pela autora.
Raciocínio: Primeiro, a autora relativiza a perfeição e preserva o apreço por obras geniais. Depois, valoriza a essência humana, inexata e plural. As fotografias desfocadas representam essa naturalidade imperfeita; por isso a alternativa A sintetiza corretamente seu argumento.
Por que as outras estão erradas:
  • B: A alternativa B contradiz o apreço declarado pelas obras de Salgado, Rosa e Caetano.
  • C: A alternativa C acrescenta uma reserva que não aparece: a criança defendia enfaticamente a perfeição familiar.
  • D: A alternativa D transforma a reflexão sobre uma ilusão em vergonha persistente, não afirmada no texto.
  • E: A alternativa E atribui a multiplicidade humana à busca de perfeição; o texto a associa à impossibilidade de caber em contornos rígidos.
Pegadinha: Valorizar a imperfeição cotidiana não implica desprezar realizações artísticas excepcionais.
Base: Texto de Martha Medeiros apresentado na questão: contraste entre excelência técnica e essência humana.
Questão irmã: Em A imagem borrada preservou a espontaneidade do encontro, o aspecto valorizado é: A) a rigidez; B) a naturalidade; C) a falsificação; D) a uniformidade; E) a precisão geométrica. Gabarito: B) A naturalidade.

Fonte: Pref. Osasco/SP 2026 — prova em pciconcursos.com.br

Q2oficialResposta: A

Conceito: O sentido figurado transfere uma palavra de seu domínio habitual para outra realidade.
Raciocínio: O verbo engatinhar designa originalmente uma forma de locomoção. Na alternativa A, seu sujeito é o conhecimento geográfico, que não se locomove fisicamente. A transferência expressa desenvolvimento inicial, justificando o gabarito.
Por que as outras estão erradas:
  • B: A alternativa B descreve literalmente a presença de uma representação de ilha em mapas.
  • C: A alternativa C apresenta a origem da crença e a descrição atribuída ao folclore, sem a transferência identificada no gabarito.
  • D: A alternativa D relata a motivação de uma argumentação; não apresenta a imagem de desenvolvimento infantil aplicada ao conhecimento.
  • E: A alternativa E descreve a árvore e sua exploração em sentido próprio.
Pegadinha: Uma história imaginária pode ser relatada em linguagem literal; o caráter mítico do assunto não torna cada expressão figurada.
Base: Semântica lexical: emprego metafórico de engatinhar no texto-base.
Questão irmã: Em qual frase há sentido figurado? A) A criança engatinhou no tapete. B) O mapa caiu da mesa. C) A pesquisa ainda engatinha. D) A árvore possui casca grossa. E) O livro ficou na estante. Gabarito: C) A pesquisa ainda engatinha.

Fonte: Pref. Osasco/SP 2025 — prova em pciconcursos.com.br

Q3oficialResposta: C

Conceito: Compreender informação explícita exige respeitar o recorte temporal do relato.
Raciocínio: O narrador contrapõe a infância à situação atual. Ele menciona produtos disponíveis naquele período e afirma que depois desapareceram. A alternativa C reproduz esse contraste sem acrescentar hábitos ou problemas de saúde.
Por que as outras estão erradas:
  • A: A alternativa A transforma uma hipótese atual sobre quem ainda produz cajuzinhos em hábito da infância.
  • B: A alternativa B inventa o uso familiar de ingredientes que o narrador diz não ter naquele tempo.
  • D: A alternativa D confunde inexistência dos ingredientes no contexto da infância com recusa deliberada de consumi-los.
  • E: A alternativa E lê a referência expressiva aos maxilares como relato de doença e impedimento alimentar.
Pegadinha: Ausência de um produto não equivale a rejeição pessoal a ele.
Base: Crônica de Humberto Werneck apresentada na questão: contraste entre produtos da infância e do presente.
Questão irmã: Em Na infância havia refrescos que depois desapareceram das lojas, conclui-se que esses produtos: A) nunca existiram; B) só surgiram na velhice; C) eram necessariamente caseiros; D) deixaram de ser encontrados depois; E) foram proibidos por médicos. Gabarito: D) Deixaram de ser encontrados depois.

Fonte: Pref. Estância Turística de Tremembé/SP 2026 — prova em pciconcursos.com.br

Q4oficialResposta: E

Conceito: A conclusão de um texto argumentativo retoma seus valores e a ação defendida.
Raciocínio: O último parágrafo pede resgate do espírito original do SUS. Também defende enfrentar interesses corporativos e colocar a vida acima do lucro. A alternativa E articula essas ideias e o lema reproduzido no texto. Ressalva factual: a comunicação do Ministério da Saúde de novembro de 2023 distingue a liderança mundial do sistema público brasileiro de transplantes da segunda posição em quantidade absoluta de procedimentos, atrás dos Estados Unidos. O texto-base mistura essas classificações. Essa imprecisão não altera a interpretação do último parágrafo nem o gabarito E.
Por que as outras estão erradas:
  • A: A alternativa A acrescenta financiamento pelo setor privado, que não é a proposta da conclusão.
  • B: A alternativa B propõe agregar interesses corporativos, enquanto a conclusão defende enfrentá-los.
  • C: A alternativa C substitui o resgate do espírito original pela criação de outro e pela associação a interesses financeiros.
  • D: A alternativa D condiciona a gratuidade à possibilidade, restrição inexistente na conclusão.
Pegadinha: Um detalhe acrescentado pode invalidar uma alternativa que começa com ideias compatíveis com o texto.
Base: Editorial apresentado na questão, último parágrafo; Ministério da Saúde, comunicação sobre a política nacional de transplantes, novembro de 2023.
Questão irmã: Em É preciso recuperar o compromisso inicial e enfrentar interesses particulares, defende-se: A) abandonar a finalidade original; B) priorizar ganhos privados; C) resgatar a finalidade e combater obstáculos particulares; D) suspender toda ação; E) inventar um compromisso oposto. Gabarito: C) Resgatar a finalidade e combater obstáculos particulares.

Fonte: Pref. Sorocaba/SP 2025 — prova em pciconcursos.com.br

Q5oficialResposta: A

Conceito: Uma síntese correta preserva a comparação inicial e a caracterização central do texto.
Raciocínio: O cronista aproxima brasileiros e cabo-verdianos pela musicalidade. Em seguida, descreve o vínculo dos cabo-verdianos com seu país, seus ritmos e sua memória. A alternativa A mantém essa comparação sem convertê-la em ranking de superioridade.
Por que as outras estão erradas:
  • B: A alternativa B estende aos dois povos uma afirmação desenvolvida sobre Cabo Verde e inventa primazia da voz brasileira.
  • C: A alternativa C acrescenta inspiração nas canções brasileiras como meio de romper o silenciamento, relação ausente.
  • D: A alternativa D fixa o início desse amor depois do nascimento, contrariando a imagem expressiva que o situa desde o ventre.
  • E: A alternativa E inventa superioridade cabo-verdiana, especialmente em relação ao Brasil.
Pegadinha: Comparar duas culturas por uma característica não significa hierarquizá-las.
Base: Crônica de Kalaf Epalanga apresentada na questão: musicalidade e identidade cabo-verdiana.
Questão irmã: Se um cronista diz que dois povos são muito musicais, isso afirma: A) que um elimina o outro; B) uma característica compartilhada; C) superioridade econômica; D) igualdade de todas as tradições; E) ausência de diferenças culturais. Gabarito: B) Uma característica compartilhada.

Fonte: TJ/SP Escrevente Técnico Judiciário (2025) — prova em pciconcursos.com.br

Q6oficialResposta: A

Conceito: A posição do autor pode combinar reconhecimento de uma mudança e preservação de um valor pessoal.
Raciocínio: O autor reconhece que a presença digital ganhou grande importância e que o bloqueio produz sensação de ruptura. Ao final, reafirma seu apreço por abraços e encontros presenciais. A alternativa A reúne reconhecimento do impacto digital e valorização do contato concreto.
Por que as outras estão erradas:
  • B: A alternativa B atribui menor solidez às relações antigas, comparação não defendida.
  • C: A alternativa C nega consequências que o texto ressalta ao associar bloqueio a desaparecimento e luto.
  • D: A alternativa D transforma uma comparação metafórica em julgamento jurídico de gravidade criminal.
  • E: A alternativa E acrescenta substituição saudável e definitiva, incompatível com a valorização dos encontros presenciais.
Pegadinha: A imagem de morte digital é uma comparação sobre vínculos, não tipificação de crime.
Base: Crônica de Walcyr Carrasco apresentada na questão: relações digitais e encontros presenciais.
Questão irmã: Em Uso mensagens todos os dias, mas continuo preferindo conversar pessoalmente, o falante: A) rejeita toda tecnologia; B) nega usar mensagens; C) prefere isolamento; D) mantém preferência presencial apesar do uso digital; E) considera os meios idênticos. Gabarito: D) Mantém preferência presencial apesar do uso digital.

Fonte: Polícia Militar/SP 2025 — prova em pciconcursos.com.br

Q7oficialResposta: A

Conceito: A interpretação de opinião exige identificar a voz citada e sua avaliação predominante.
Raciocínio: Rosangela reconhece desafios da formação e recomenda aprofundamento profissional e parceria. Sua fala final destaca falta de limite, interesse e respeito de alunos típicos como maior luta diária. A alternativa A corresponde a essa hierarquia de dificuldades.
Por que as outras estão erradas:
  • B: A alternativa B altera a posição da professora, que não atribui a formação somente à escola e enfatiza iniciativa docente.
  • C: A alternativa C inventa recomendação de desvalorizar os transtornos e contraria a defesa de parceria.
  • D: A alternativa D transforma um exemplo de turma em declaração de maior desafio da carreira.
  • E: A alternativa E estabelece uma causa exclusiva de impossibilidade de aprendizagem que a professora não afirma.
Pegadinha: Um caso mencionado na fala não é necessariamente aquilo que a pessoa considera seu maior problema.
Base: Texto jornalístico apresentado na questão, falas da professora Rosangela Senger.
Questão irmã: Em A turma exige adaptações, mas minha maior dificuldade é a falta de respeito, a maior dificuldade declarada é: A) adaptar toda aula; B) a falta de respeito; C) usar livros; D) reunir famílias; E) preparar o espaço. Gabarito: B) A falta de respeito.

Fonte: Pref. Campinas/SP 2025 — prova em pciconcursos.com.br

Q8oficialResposta: C

Conceito: Uma condição explicitada no texto delimita a possibilidade de um resultado.
Raciocínio: Wilson Gomes afirma que usar recursos digitais para fortalecer a democracia depende de uma decisão social. Essa escolha pressupõe convicção de que a democracia é a melhor forma de governo. A alternativa C reproduz a condição, enquanto as demais acrescentam impossibilidades ou soluções não defendidas.
Por que as outras estão erradas:
  • A: A alternativa A apresenta a democracia digital como ilusória, mas o texto expõe possibilidades em disputa.
  • B: A alternativa B afirma que autoritarismo e intolerância não existiam antes, o que não é dito.
  • D: A alternativa D inventa a eliminação de algoritmos como condição; o texto trata dos usos dos recursos.
  • E: A alternativa E substitui a condição defendida por uma especulação sobre questionar o regime existente.
Pegadinha: A mesma ferramenta pode servir a finalidades distintas; o uso não decorre automaticamente de sua existência.
Base: Texto apresentado na questão, declaração de Wilson Gomes sobre a escolha democrática.
Questão irmã: Em A ferramenta só ajuda a cooperação se o grupo decidir cooperar, a condição é: A) eliminar o grupo; B) impedir diálogo; C) escolher cooperar; D) dispensar toda ferramenta; E) aceitar qualquer conflito. Gabarito: C) Escolher cooperar.

Fonte: Pref. de Vista Alegre do Alto/SP 2025 — prova em pciconcursos.com.br

Q9oficialResposta: A

Conceito: A apresentação da qualificação de uma fonte é um recurso de credibilidade argumentativa.
Raciocínio: O texto identifica funções e vínculos dos especialistas citados. Essas credenciais ajudam a fundamentar as declarações sobre solidão e saúde pública. A alternativa A descreve essa função discursiva sem inventar desacordo entre as fontes.
Por que as outras estão erradas:
  • B: A alternativa B afirma que o texto parte de depoimentos de pessoas solitárias, mas a abertura mobiliza especialistas e uma teoria.
  • C: A alternativa C inventa divergência entre profissionais sobre a classificação dos problemas.
  • D: A alternativa D transforma exemplos internacionais em prescrição para o Brasil e pressupõe sucesso que não foi demonstrado.
  • E: A alternativa E caracteriza a linguagem como a de tratados especializados, embora o texto explique conceitos ao público.
Pegadinha: Mencionar medidas de outros países não equivale a afirmar sua eficácia nem a recomendar sua reprodução.
Base: Texto jornalístico apresentado na questão: identificação dos especialistas e explicação de conceitos.
Questão irmã: Apresentar uma pesquisadora e sua área de atuação antes de citá-la pode servir para: A) apagar sua autoria; B) provar que não há debate; C) substituir todos os argumentos; D) desqualificar leitores; E) conferir credibilidade à fonte. Gabarito: E) Conferir credibilidade à fonte.

Fonte: Pref. Itapevi/SP 2025 — prova em pciconcursos.com.br

Q10oficialResposta: B

Conceito: Inferir a identidade do narrador exige reunir indícios coerentes presentes no relato.
Raciocínio: O narrador relata encontros com leitores, autógrafos em seus livros e circulação por eventos literários e escolas. Também descreve personagens de suas próprias histórias. Esses indícios sustentam a alternativa B: um escritor reconhecido e dedicado à literatura.
Por que as outras estão erradas:
  • A: A alternativa A transforma visitas a escolas em exercício do magistério, profissão não indicada.
  • C: A alternativa C confunde o autor de histórias com um crítico dedicado a analisar literatura escolar.
  • D: A alternativa D o apresenta como aspirante, apesar da publicação de livros e dos encontros com leitores.
  • E: A alternativa E inventa as profissões de bibliotecário e professor a partir do local de uma visita.
Pegadinha: O lugar visitado por alguém não determina sua profissão.
Base: Crônica de Kalaf Epalanga apresentada na questão: autógrafos, leitores, livros e personagens.
Questão irmã: Alguém relata autografar seus romances e conversar com leitores em feiras. A inferência mais sustentada é que seja: A) autor de livros; B) maquinista; C) médico; D) fiscal de trânsito; E) atleta profissional. Gabarito: A) Autor de livros.

Fonte: Pref. Presidente Prudente/SP 2025 — prova em pciconcursos.com.br

1.8 Revisão relâmpago e mapa de revisão

  • Informação explícita está diretamente apresentada no texto.
  • Inferência exige apoio em pistas textuais.
  • Extrapolação acrescenta conteúdo sem sustentação suficiente.
  • Tema é o assunto; tese é a posição defendida.
  • A opinião de uma personagem não equivale automaticamente à do autor.
  • Uma paráfrase fiel preserva alcance e grau de certeza.
  • Sinônimos e antônimos dependem do contexto.
  • Linguagem figurada também aparece em textos não literários.

Mapa de revisão

Reveja este capítulo em 1, 7 e 30 dias.

Treine este tópico no PassaPro: abrir o treino deste tópico