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Clínica Médica · Capítulo 2

Insuficiência cardíaca, arritmias e valvopatiasInfecções sexualmente transmissíveis e HIVInfecções comuns e doenças de notificaçãoEsôfago, estômago e intestino

Temas do conteúdo programático:

  • 5. Insuficiência cardíaca, arritmias e valvopatias: IC com fração de ejeção reduzida e preservada; tratamento com betabloqueador, IECA/BRA/sacubitril-valsartana, espironolactona e iSGLT2; descompensação e perfil hemodinâmico; fibrilação atrial, anticoagulação e controle de frequência; taquicardias de QRS estreito e largo; bloqueios atrioventriculares; estenose aórtica e mitral, miocardiopatia hipertrófica e chagásica; endocardite infecciosa e profilaxia
  • 6. Infecções sexualmente transmissíveis e HIV: sífilis (estágios, VDRL e testes treponêmicos, tratamento e alergia à penicilina); úlceras genitais, uretrites e linfogranuloma venéreo; diagnóstico de HIV e início da terapia antirretroviral; infecções oportunistas (pneumocistose, criptococose, toxoplasmose); hepatites B e C e interpretação da sorologia
  • 7. Infecções comuns e doenças de notificação: infecção urinária e pielonefrite; meningites e análise do líquor; dengue (classificação de risco e hidratação), chikungunya e zika; sarampo e vacinação do adulto (influenza); tuberculose e esquema RIPE; micoses sistêmicas e parasitoses intestinais; uso racional de antimicrobianos e infecção intra-abdominal
  • 8. Esôfago, estômago e intestino: doença do refluxo gastroesofágico e esôfago de Barrett; disfagia e acalasia; úlcera péptica, H. pylori e hemorragia digestiva alta; diarreias agudas e crônicas, Clostridioides difficile, doença celíaca e má absorção; doença de Crohn e retocolite ulcerativa; câncer gástrico, de esôfago e colorretal (fatores de risco e rastreamento)

2.1 Pré-teste

Responda antes de ler a teoria. O gabarito está no fim do capítulo.

P1inédita

Homem de 59 anos, com insuficiência cardíaca e fração de ejeção de 30%, está euvolêmico e usa sacubitril-valsartana, carvedilol e espironolactona. Não tem diabetes. Qual medicamento deve ser considerado para completar a terapia modificadora de prognóstico?

  1. A)Dapagliflozina
  2. B)Verapamil
  3. C)Digoxina, como substituta da espironolactona
  4. D)Amlodipino, por reduzir a mortalidade na insuficiência cardíaca

P2inédita

Homem de 24 anos apresenta febre, cefaleia intensa e rigidez de nuca. O líquor tem pressão de abertura elevada, predomínio de neutrófilos, glicose baixa e proteínas elevadas. Qual interpretação é mais provável?

  1. A)Padrão típico de meningite bacteriana
  2. B)Padrão típico de meningite viral não complicada
  3. C)Padrão típico de hemorragia subaracnóidea sem infecção
  4. D)Padrão típico de meningite viral, pois a glicose costuma estar muito baixa

P3inédita

Mulher de 32 anos tem diarreia crônica, perda de peso e anemia ferropriva. Ela ainda consome glúten. Qual é a abordagem sorológica inicial mais adequada para investigar doença celíaca?

  1. A)Anticorpo antitransglutaminase IgA e dosagem de IgA total
  2. B)Anticorpo antitransglutaminase IgG isoladamente, em todos os pacientes
  3. C)Anticorpo anti-H. pylori IgG
  4. D)Suspender o glúten antes de realizar qualquer exame

2.2 O que cai

  • 5. Insuficiência cardíaca, arritmias e valvopatias: IC com fração de ejeção reduzida e preservada; tratamento com betabloqueador, IECA/BRA/sacubitril-valsartana, espironolactona e iSGLT2; descompensação e perfil hemodinâmico; fibrilação atrial, anticoagulação e controle de frequência; taquicardias de QRS estreito e largo; bloqueios atrioventriculares; estenose aórtica e mitral, miocardiopatia hipertrófica e chagásica; endocardite infecciosa e profilaxia: 85 questões de provas anteriores, 2017–2026
  • 6. Infecções sexualmente transmissíveis e HIV: sífilis (estágios, VDRL e testes treponêmicos, tratamento e alergia à penicilina); úlceras genitais, uretrites e linfogranuloma venéreo; diagnóstico de HIV e início da terapia antirretroviral; infecções oportunistas (pneumocistose, criptococose, toxoplasmose); hepatites B e C e interpretação da sorologia: 36 questões de provas anteriores, 2017–2026
  • 7. Infecções comuns e doenças de notificação: infecção urinária e pielonefrite; meningites e análise do líquor; dengue (classificação de risco e hidratação), chikungunya e zika; sarampo e vacinação do adulto (influenza); tuberculose e esquema RIPE; micoses sistêmicas e parasitoses intestinais; uso racional de antimicrobianos e infecção intra-abdominal: 98 questões de provas anteriores, 2017–2026
  • 8. Esôfago, estômago e intestino: doença do refluxo gastroesofágico e esôfago de Barrett; disfagia e acalasia; úlcera péptica, H. pylori e hemorragia digestiva alta; diarreias agudas e crônicas, Clostridioides difficile, doença celíaca e má absorção; doença de Crohn e retocolite ulcerativa; câncer gástrico, de esôfago e colorretal (fatores de risco e rastreamento): 89 questões de provas anteriores, 2017–2026

2.3 Teoria

Este capítulo reúne urgências clínicas e decisões frequentes na prova: reconhecer gravidade, escolher o exame que muda a conduta e iniciar tratamento seguro. Atenção especial à interpretação hemodinâmica do choque, ao tratamento da sífilis e às condutas que não exigem exames ou suspensão de terapias eficazes.

2.3.1 Insuficiência cardíaca, arritmias e valvopatias

Na insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida (ICFEr), associe, se tolerado, quatro pilares: sacubitril-valsartana ou IECA/BRA, betabloqueador com evidência, antagonista mineralocorticoide e inibidor de SGLT2.

A fração de ejeção preservada também se beneficia de iSGLT2; controle comorbidades e congestão. Na descompensação, procure precipitantes e classifique perfusão e congestão. Choque cardiogênico costuma elevar PVC e pressão de oclusão pulmonar; hipovolemia reduz ambas. Choque séptico inicial costuma ter vasodilatação e extremidades quentes.

Na fibrilação atrial, confirme no ECG, avalie estabilidade e risco tromboembólico. Instabilidade exige cardioversão elétrica sincronizada. Em estáveis, controle de frequência ou ritmo conforme sintomas e contexto; anticoagule segundo risco, preferindo anticoagulante oral direto quando indicado. Estenose mitral reumática moderada/grave ou prótese mecânica favorece varfarina. Taquicardia regular de QRS estreito e paciente estável: manobras vagais e adenosina. QRS largo: trate como taquicardia ventricular até prova em contrário; instabilidade exige cardioversão sincronizada. Bloqueio AV avançado sintomático pode exigir marca-passo.

Estenose aórtica sintomática exige avaliação para intervenção. Estenose mitral costuma causar dispneia e congestão atrial; ecocardiograma define gravidade. Na miocardiopatia hipertrófica, evite desidratação e vasodilatadores excessivos. Na doença de Chagas, avalie disfunção ventricular e distúrbios de condução. Profilaxia de endocardite fica restrita a grupos cardíacos de alto risco submetidos a procedimentos odontológicos específicos.

Exercício comentado

Como a banca cobrouoficial · Residência FAMEMA 2026

Sobre os diferentes tipos de choque, assinale a alternativa correta.

  1. A)No choque cardiogênico, a pressão venosa central (PVC) e a pressão de oclusão da artéria pulmonar costumam estar elevadas.
  2. B)No choque séptico inicial, predominam baixo débito cardíaco e pele fria.
  3. C)No choque hipovolêmico, a PVC costuma estar aumentada.
  4. D)No choque obstrutivo por embolia pulmonar, o débito cardíaco aumenta devido à pós-carga baixa.

Resposta: A

Conceito: No choque cardiogênico, a falência da bomba eleva as pressões de enchimento cardíacas, incluindo a PVC e a pressão de oclusão da artéria pulmonar.

Raciocínio: A disfunção ventricular reduz o débito cardíaco e dificulta o esvaziamento das câmaras. As pressões se acumulam a montante: a PVC costuma subir na falência direita, e a pressão de oclusão pulmonar, na falência esquerda. Por isso, a alternativa A está correta.

Pegadinha: A banca contrapõe os perfis hemodinâmicos: pressão de enchimento alta no choque cardiogênico e baixa no hipovolêmico; choque séptico inicial tende a ser distributivo e quente.

Base: Fundamentos de fisiologia cardiovascular e abordagem hemodinâmica do choque; Surviving Sepsis Campaign.

2.3.2 Infecções sexualmente transmissíveis e HIV

Na sífilis, diferencie infecção recente (primária, secundária ou latente recente) de latente tardia ou duração ignorada.

Lesão genital pode faltar. Teste treponêmico confirma contato; VDRL/RPR auxilia na atividade e acompanha resposta. Se não há história confiável que prove infecção recente, trate como duração ignorada: penicilina benzatina 2,4 milhões UI IM semanal por três semanas. Na sífilis recente, usa-se dose única. Acompanhe com teste não treponêmico quantitativo; queda de títulos indica resposta. Gestante deve receber penicilina; alergia requer dessensibilização. Parceiros precisam de avaliação e tratamento conforme exposição e achados.

Úlcera genital demanda exame e testagem para sífilis e HIV. Uretrite com secreção sugere gonococo e/ou clamídia; trate conforme protocolo local e teste parceiros. Linfogranuloma venéreo costuma causar úlcera inicial transitória e linfonodo doloroso, ou proctite.

Ofereça teste de HIV a todos os diagnosticados, confirme conforme algoritmo e inicie terapia antirretroviral para todas as pessoas, sem aguardar queda do CD4. Reativação de herpes após início da TARV, sem outra complicação, não indica suspensão: trate a infecção e mantenha a TARV. Suspeite pneumocistose em imunossupressão com dispneia progressiva e infiltrado bilateral; cefaleia subaguda pode indicar criptococose, e déficit focal ou convulsão, toxoplasmose cerebral. Hepatite B: HBsAg indica infecção; anti-HBs indica imunidade; anti-HBc total aponta contato. Anti-HCV positivo exige RNA para confirmar infecção ativa.

Esquema

Sífilis: duração e tratamento

Duração da sífilis

  • Infecção recente

    Primária, secundária ou latente recente: penicilina benzatina em dose única.

  • Latente tardia ou duração ignorada

    Penicilina benzatina 2,4 milhões UI IM semanal por três semanas.

Exercício comentado

Como a banca cobrouoficial · Residência FAMEMA 2026

Paciente procura a UBS com resultados dos exames a seguir: HBsAg positivo, anti-HBc total positivo, IgM negativa HBeAg negativo, anti-HBe positivo HBV-DNA 18.000 UI/mL Diante do quadro, a orientação adequada seria informar ao paciente que se trata de

  1. A)fase imune tolerante.
  2. B)hepatite B crônica HBeAg negativa com atividade.
  3. C)infecção passada com imunidade natural.
  4. D)resposta vacinal bem-sucedida.

Resposta: B

Conceito: HBsAg persistente com anti-HBc total positivo e IgM negativa sugere infecção crônica; HBeAg negativo com HBV-DNA detectável pode corresponder a hepatite B crônica HBeAg negativa com atividade.

Raciocínio: O anti-HBc IgM negativo afasta a apresentação típica de infecção aguda. HBsAg e anti-HBc total positivos indicam infecção pelo HBV, e anti-HBe positivo com HBeAg negativo descreve o perfil HBeAg negativo. O HBV-DNA de 18.000 UI/mL mostra replicação viral e, conforme o gabarito, sustenta a classificação como doença HBeAg negativa com atividade. A avaliação da ALT e do contexto clínico também é necessária para definir atividade e indicação de tratamento.

Pegadinha: Anti-HBe positivo não significa, por si só, que a replicação viral cessou. A variante HBeAg negativa pode manter HBV-DNA detectável e atividade hepática.

Base: Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para Hepatite B e Coinfecções, do Ministério da Saúde.

2.3.3 Infecções comuns e doenças de notificação

Cistite não complicada em mulher sem febre ou sinais vaginais costuma ser diagnóstico clínico; nitrofurantoína é opção de primeira linha e, no quadro típico, não se exige urocultura.

Recorrência, falha terapêutica, gestação ou suspeita de pielonefrite mudam a abordagem: colha cultura. Febre, dor lombar e sintomas sistêmicos sugerem pielonefrite; avalie gravidade e escolha antibiótico com cobertura sistêmica.

Na meningite, colha hemoculturas e faça punção lombar quando segura, mas não atrase antimicrobianos se houver demora ou contraindicação. Líquor bacteriano tende a ter neutrófilos, proteína alta e glicose baixa; viral tende a predomínio linfocitário e glicose preservada. Dengue exige classificação por sinais de alarme e hidratação orientada pela fase e pelo estado hemodinâmico; evite AAS e anti-inflamatórios. Artralgia intensa favorece chikungunya; exantema pruriginoso e conjuntivite, zika. Sarampo requer isolamento respiratório e notificação imediata. Atualize vacina contra influenza conforme calendário vigente.

Na tuberculose sensível, o esquema básico é RHZE por dois meses, seguido de RH por quatro meses, com avaliação de adesão e notificação. Micoses sistêmicas e parasitoses intestinais exigem exposição, epidemiologia e exame direcionados; não trate empiricamente toda diarreia com antimicrobiano. Na infecção intra-abdominal, controle do foco é central: antibiótico não substitui drenagem ou cirurgia quando indicadas. Em qualquer infecção, escolha antimicrobiano pelo foco, gravidade, provável agente e perfil local; reavalie e reduza espectro quando possível.

Esquema

Esquema da tuberculose sensível

  1. 1RHZE por dois meses

    Esquema básico inicial.

  2. 2RH por quatro meses

    Seguida de avaliação de adesão e notificação.

Exercício comentado

Como a banca cobrouoficial · Residência USP (Fuvest) 2026

Mulher, 26 anos de idade, procura atendimento na Unidade Básica de Saúde (UBS) por disúria e urgência miccional há 3 dias. Nega febre, nega corrimento vaginal, usa DIU de cobre há 2 anos. Não faz uso de medicação de uso contínuo e teve sintomas semelhantes há cerca de 1 ano e meio. Exame físico sem alterações. Assinale a alternativa que apresenta a conduta recomendada para o caso.

  1. A)Ciprofloxacino, após coleta de urina 1 e urocultura.
  2. B)Ceftriaxona, sem necessidade de coleta de exame.
  3. C)Sulfametoxazol/trimetoprima, após coleta de urina 1 e urocultura.
  4. D)Nitrofurantoína, sem necessidade de coleta de exame.

Resposta: D

Conceito: Mulher com disúria e urgência, sem sintomas vaginais ou sinais sistêmicos, tem quadro típico de cistite aguda não complicada.

Raciocínio: Os sintomas localizam a infecção no trato urinário baixo. Não há febre, dor lombar ou comorbidade que sugira pielonefrite ou infecção complicada. Como o episódio anterior ocorreu há mais de um ano, não caracteriza recorrência frequente. O diagnóstico pode ser clínico e a nitrofurantoína é opção de primeira linha; não é necessário aguardar exames para iniciar o tratamento.

Pegadinha: A presença de um episódio remoto de sintomas não transforma o quadro em infecção urinária recorrente que exija urocultura de rotina. O DIU de cobre não muda a escolha do tratamento.

Base: Recomendações de manejo da cistite aguda não complicada; diretrizes de infecção urinária da Sociedade Brasileira de Infectologia.

2.3.4 Esôfago, estômago e intestino

Refluxo típico sem sinais de alarme permite teste terapêutico com inibidor da bomba de prótons.

Disfagia, sangramento, anemia, perda ponderal ou vômitos persistentes pedem investigação. Disfagia para sólidos e líquidos desde o início sugere acalasia; endoscopia exclui obstrução e manometria confirma. Barrett é metaplasia intestinal associada a refluxo crônico e requer confirmação endoscópica e histológica.

Úlcera gástrica exige biópsia para excluir neoplasia e, em geral, endoscopia de controle para documentar cicatrização, mesmo com melhora clínica. Pesquise H. pylori e confirme erradicação após tratamento. Hemorragia digestiva alta: estabilize primeiro, estratifique risco e faça endoscopia após ressuscitação.

Diarreia aguda costuma ser autolimitada; priorize hidratação. Suspeite C. difficile após antibiótico ou internação, sobretudo com diarreia aquosa; teste fezes em paciente sintomático. Diarreia crônica com anemia, perda de peso ou deficiência nutricional sugere doença celíaca ou má absorção; solicite sorologia celíaca com consumo de glúten. Crohn pode acometer qualquer segmento e causar lesões descontínuas; retocolite ulcerativa limita-se ao cólon, com inflamação contínua a partir do reto.

Tabagismo e H. pylori elevam risco de câncer gástrico; Barrett aumenta risco de adenocarcinoma esofágico. Para câncer colorretal, avalie idade, história familiar e sintomas; no Brasil, não há programa nacional único de rastreamento populacional organizado. Sintomas de alarme exigem investigação diagnóstica, não apenas estratégia de rastreamento.

Exercício comentado

Como a banca cobrouoficial · Residência FAMEMA 2026

A correta correlação entre causa de diarreia e manifestação clínica está contida na seguinte alternativa:

  1. A)por Clostridium difficile, pode ocorrer em até seis meses pós-uso de antibióticos.
  2. B)por Norovírus, tem, em geral, de 3 a 5 dias de período de incubação.
  3. C)por S. aureus, ocorre por ação direta da bactéria.
  4. D)por Shigella sp, deve ser tratada preferencialmente, com metronidazol.

Resposta: A

Conceito: A diarreia por Clostridioides difficile pode surgir após antibioticoterapia e o risco persiste por meses após a exposição.

Raciocínio: Antibióticos alteram a microbiota intestinal e facilitam a proliferação de C. difficile. A associação pode ocorrer durante o uso ou depois de encerrado o antibiótico, inclusive meses mais tarde. Assim, a alternativa A é a correta.

Pegadinha: C. difficile não causa diarreia apenas durante o uso do antibiótico. Pergunte sobre exposições recentes mesmo quando o tratamento já terminou.

Base: Diretrizes de diagnóstico e manejo de infecção por Clostridioides difficile; recomendações de doenças diarreicas infecciosas.

Pegadinha de prova

Sífilis sem duração definida

Teste positivo em pessoa assintomática não prova sífilis recente. Sem evidência de duração inferior a um ano, trate como latente tardia ou de duração ignorada, com três doses semanais de penicilina benzatina.

Atenção

TARV e infecção oportunista

Não suspenda TARV apenas por reativação de herpes. A síndrome inflamatória de reconstituição imune costuma exigir tratamento da infecção associada; interromper a TARV fica restrito a SIR com risco de vida, a critério especializado. Na meningite criptocócica, o que muda é o momento de INICIAR a TARV: adia-se por cerca de 4 a 6 semanas após o início do antifúngico.

Pegadinha de prova

Choque: interprete as pressões

PVC e pressão de oclusão pulmonar costumam estar elevadas no choque cardiogênico e baixas no hipovolêmico. No choque séptico inicial, a pele pode estar quente e o débito cardíaco elevado.

2.4 Exemplo resolvido

Homem de 68 anos apresenta palpitações e tontura. ECG mostra taquicardia regular de QRS estreito a 190 bpm. Está lúcido, com PA 126/78 mmHg, sem dor torácica ou sinais de choque. Qual é a melhor conduta inicial? A) Cardioversão elétrica não sincronizada. B) Manobras vagais e, se não resolver, adenosina. C) Amiodarona intravenosa como primeira medida. D) Desfibrilação imediata.

  1. O ECG sugere taquicardia supraventricular regular de QRS estreito.
  2. O paciente está estável; não há indicação inicial de cardioversão elétrica.
  3. Manobras vagais são a primeira medida. Se falharem, pode-se usar adenosina com monitorização.

Resposta: B) Manobras vagais e, se não resolver, adenosina.

2.5 Fixação

Questões inéditas, no estilo das provas de residência.

F1inédita

Homem de 41 anos, assintomático, tem teste treponêmico reagente e teste não treponêmico reagente. Nega tratamento prévio, e não há registros que permitam determinar quando adquiriu a infecção. Qual esquema deve ser indicado para sífilis latente de duração ignorada?

  1. A)Benzilpenicilina benzatina, 2,4 milhões de unidades IM em dose única
  2. B)Benzilpenicilina benzatina, 2,4 milhões de unidades IM uma vez por semana, por três semanas
  3. C)Doxiciclina por sete dias
  4. D)Benzilpenicilina cristalina intravenosa por 14 dias

F2inédita

Homem de 68 anos com fibrilação atrial não valvar tem hipertensão arterial, sem história de AVC, diabetes ou doença vascular. Não apresenta contraindicação à anticoagulação. Qual conduta é mais adequada para prevenir AVC?

  1. A)Não anticoagular, pois a idade ainda não aumenta o risco embólico
  2. B)Prescrever apenas ácido acetilsalicílico
  3. C)Indicar anticoagulante oral, preferencialmente um anticoagulante oral direto se não houver contraindicação
  4. D)Anticoagular somente se a fibrilação atrial se tornar permanente

F3inédita

Paciente com HIV é internado por meningite criptocócica e inicia tratamento antifúngico. Está sem uso prévio de terapia antirretroviral. Qual é a conduta geral quanto ao início da TARV?

  1. A)Iniciar a TARV no mesmo dia do antifúngico, independentemente da condição clínica
  2. B)Adiar a TARV por algumas semanas após iniciar o antifúngico, em geral cerca de quatro a seis semanas
  3. C)Suspender definitivamente a TARV, pois ela é contraindicada na criptococose
  4. D)Iniciar a TARV apenas depois de completar um ano de tratamento antifúngico

F4inédita

Mulher de 27 anos com suspeita de dengue retorna no quinto dia de sintomas. Apresenta dor abdominal intensa e vômitos persistentes. Está alerta, sem choque, e o hematócrito aumentou em relação ao exame anterior. Qual é a conduta mais adequada?

  1. A)Orientar hidratação oral em casa e retorno apenas se surgir febre
  2. B)Classificar como dengue com sinais de alarme, manter em observação hospitalar e iniciar hidratação intravenosa conforme avaliação clínica
  3. C)Prescrever antibiótico por provável infecção bacteriana secundária
  4. D)Dar alta, pois a ausência de choque exclui risco de agravamento

F5inédita

Homem de 46 anos concluiu tratamento de erradicação de H. pylori há seis semanas e está assintomático. Quer confirmar a erradicação. Qual estratégia é adequada?

  1. A)Solicitar sorologia IgG para H. pylori, que confirma a cura
  2. B)Solicitar teste respiratório da ureia, suspendendo o inibidor de bomba de prótons por cerca de duas semanas antes do exame
  3. C)Repetir o teste imediatamente durante o uso de omeprazol
  4. D)Dispensar a confirmação, pois o desaparecimento dos sintomas prova a erradicação

2.6 Questões de provas anteriores

Questões oficiais de provas anteriores, com a fonte.

Q1oficial · Residência SUS-SP 2026
Homem, 40 anos de idade, sem comorbidades e assintomático, realizou sorologia para HIV, que foi positiva (confirmada por segundo método). A carga viral é menor que 100 cópias/mL, e o CD4 é maior de 250 células/mm³. Foi iniciada terapia antirretroviral e, após 4 semanas, paciente apresenta reativação de herpes simples, sem outros sintomas. Carga viral indetectável e CD4 maior que 350 células/mm³.

Assinale a alternativa correspondente à conduta adequada em relação à TARV.

  1. A)Suspender e observar por 4 semanas antes da reintrodução.
  2. B)Suspender e reintroduzir após resolução total do herpes.
  3. C)Substituir antirretrovirais.
  4. D)Manter antirretrovirais, apenas.
  5. E)Manter antirretrovirais e associar prednisona 40 mg/dia por 5 dias.

Q2oficial · Residência Unicamp 2023
Homem, 48a, retorna assintomático à Unidade Básica de Saúde. Há três meses iniciou tratamento com omeprazol, após endoscopia digestiva alta (EDA) ter evidenciado úlcera em corpo gástrico de 1cm, bordas planas e nítidas, fundo com fibrina, sem sangramento ativo. Pesquisa para Helicobacter pylori=negativa. Exame físico: PA=114x76mmHg; FC=68bpm; FR=14irpm; restante sem alterações. A CONDUTA É:

  1. A)Manter omeprazol até completar seis meses de tratamento.
  2. B)Repetir a EDA, independente da melhora dos sintomas.
  3. C)Repetir a EDA caso os sintomas persistam, após seis meses de tratamento.
  4. D)Suspender omeprazol e dar alta ambulatorial.

Q3oficial · Residência SES-DF 2024

Um paciente de 7 anos de idade com aumento dos valores séricos de triglicerídeos e colesterol LDL foi levado ao pronto-socorro com queixa de dor torácica tipo A e diagnosticado com infarto agudo do miocárdio extenso, apresentando choque cardiogênico e disfunção renal aguda. A correlação entre as doenças cardíaca e renal desse paciente é classificada como tipo

  1. A)1.
  2. B)2.
  3. C)3.
  4. D)4.

Q4oficial · HUB RESIDÊNCIA MÉDICA 2020
Com relação às demandas de saúde na atenção primária à saúde (APS), relacionadas às doenças infecciosas e transmissíveis, julgue os itens que se seguem. Situação hipotética : Um casal heterossexual compareceu a consultório médico para uma avaliação pré-concepcional. O médico solicitou a realização de teste rápido para sífilis. Tanto o homem quanto a mulher estavam assintomáticos e informaram que nunca tinham sido submetidos a esse tipo de exame. O resultado para ambos foi positivo, e o teste VDRL revelou a seguinte titulação: 1/64 (homem) e 1/32 (mulher). Assertiva: Nessa situação, o casal deve ser tratado com benzilpenicilina benzatina IM na dose de 2,4 milhões UI (1,2 milhão UI em cada glúteo) uma vez por semana durante duas semanas. Após esse período de tratamento, o casal deve realizar novo teste não treponêmico, para monitoramento.

(  ) Certo    (  ) Errado

Q5oficial · Residência USP (Fuvest) 2026
Homem, 47 anos de idade, possui antecedente de síndrome do túnel de carpo unilateral à direita. Procura o ambulatório por queixa de dispneia aos médios esforços. Relata despertar noturno por desconforto respiratório, que melhora com a ortostase. Consome de forma crônica 8 latas de cerveja por dia. Ao exame físico, apresenta bom estado geral, corado, hidratado. Auscultas cardíaca e pulmonar sem alterações. Abdome normotenso, indolor, presença de refluxo hepatojugular. Edema de membros inferiores bilateral. • Exames laboratoriais: Hb: 10,8 g/dL Leucócitos: 4.400/mm³ Plaquetas: 164 mil/mm³ TGO/AST: 48 U/L TGP/ALT: 36 U/L Albumina: 3,6 g/dL INR: 1,0 TTPa R: 0,9 Bilirrubina total: 0,6 mg/dL Fosfatase alcalina: 187 U/L GGT: 318 U/L Saturação transferrina: 32% Ferritina: 997 ng/mL Ecodopplercardiograma com estresse: fração de ejeção ventricular de 43%, volume diastólico de ventrículo esquerdo aumentado, ventrículo direito e átrios de tamanho normal, ausência de espessamento de septo, ausência de hipocinesia segmentar induzida por estresse farmacológico. Com relação ao caso clínico apresentado, assinale a alternativa que indica o diagnóstico pertinente.

  1. A)Amiloidose subtipo ATTR.
  2. B)Cardiomiopatia alcóolica.
  3. C)Cardiomiopatia cirrótica.
  4. D)Hemocromatose.

Q6oficial · Residência FAMEMA 2026
Paciente de 64 anos, portadora de diabetes mellitus tipo 2, hipertensão arterial, hiperuricemia e hipertrigliceridemia, é submetida a colectomia segmentar por neoplasia de cólon há 5 dias. Evolui com febre persistente, dor abdominal progressiva e inapetência na enfermaria. Nas últimas 12 horas, apresentou vômitos biliosos e rebaixamento do nível de consciência sendo transferida para unidade de terapia intensiva. Ao exame físico: PA: 78 x 50 mmHg; FC: 124 bpm; FR: 28 irpm; SatO₂: 94% O₂ nasal; temperatura: 38,9 °C; pele fria; tempo de enchimento capilar 5 s; Glasgow: 13; abdome: distendido, doloroso difusamente, sinais de defesa involuntária e descompressão brusca dolorosa. Exames laboratoriais iniciais: lactato: 5,2 mmol/L; leucócitos: 24.000/mm³; plaquetas: 88.000/mm³; creatinina: 2,3 mg/dL (VR <1,2); bilirrubina total: 2,1 mg/dL. Realizou a tomografia de abdome sem contraste a seguir:Figura da questão

Qual é a medida fundamental, associada à antibioticoterapia e ao suporte hemodinâmico, para o manejo desse caso?

  1. A)Iniciar hidrocortisona EV e passagem de sonda nasogástrica, devido ao choque refratário.
  1. B)Indicar reabordagem cirúrgica urgente para controle de foco (lavagem de cavidade, revisão de anastomose, drenagem de coleções), associada à antibioticoterapia de amplo espectro.
  2. C)Transfundir concentrado de hemácias e plasma fresco congelado de imediato, visando melhorar a perfusão tecidual e correção da coagulopatia antes de qualquer decisão.
  3. D)Manter apenas antibioticoterapia de amplo espectro em doses máximas, aguardando estabilização clínica antes de qualquer intervenção invasiva.

2.7 Gabarito comentado

P1inédita · pré-testeResposta: A

Conceito: Os inibidores de SGLT2 reduzem eventos na insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida, mesmo sem diabetes.
Raciocínio: O paciente tem fração de ejeção reduzida e está estável. A dapagliflozina acrescenta benefício prognóstico à terapia de base, independentemente da presença de diabetes; por isso, a alternativa A é a correta.
Por que as outras estão erradas:
  • B: A alternativa B propõe verapamil, que pode reduzir a contratilidade e não é tratamento modificador de prognóstico da insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida.
  • C: A alternativa C sugere substituir um antagonista mineralocorticoide por digoxina. A digoxina não substitui a espironolactona como terapia prognóstica.
  • D: A alternativa D atribui benefício de sobrevida ao amlodipino na insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida; esse benefício não está estabelecido.
Pegadinha: A ausência de diabetes não é motivo para excluir um inibidor de SGLT2 nesse cenário.
Base: Diretriz Brasileira de Insuficiência Cardíaca Crônica e Aguda; diretrizes de insuficiência cardíaca da Sociedade Europeia de Cardiologia.
Questão irmã: Uma mulher com fração de ejeção de 35% e sem diabetes pode receber empagliflozina como parte do tratamento da insuficiência cardíaca? Gabarito: Sim. O benefício dos inibidores de SGLT2 na insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida independe do diagnóstico de diabetes.

P2inédita · pré-testeResposta: A

Conceito: A meningite bacteriana costuma causar pleocitose neutrofílica, hipoglicorraquia e hiperproteinorraquia no líquor.
Raciocínio: O quadro clínico sugere meningite. A combinação de neutrófilos, glicose baixa e proteínas elevadas favorece etiologia bacteriana; portanto, a alternativa A é a correta.
Por que as outras estão erradas:
  • B: A alternativa B não corresponde ao padrão clássico da meningite viral, que costuma ter predomínio linfocitário e glicose preservada.
  • C: A alternativa C não explica adequadamente o padrão inflamatório e a hipoglicorraquia. A hemorragia subaracnóidea exige correlação com hemácias e outros achados do líquor.
  • D: A alternativa D atribui à meningite viral uma hipoglicorraquia marcante, achado que deve levar à consideração de outras etiologias, especialmente bacteriana.
Pegadinha: O predomínio de neutrófilos isoladamente não basta; interprete o conjunto celular, a glicose e as proteínas.
Base: Guia de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde; protocolos de manejo das meningites do Ministério da Saúde.
Questão irmã: No líquor de uma pessoa com suspeita de meningite, qual combinação favorece etiologia bacteriana: predomínio linfocitário com glicose preservada ou neutrofílico com glicose baixa? Gabarito: Predomínio neutrofílico com glicose baixa e proteínas elevadas.

P3inédita · pré-testeResposta: A

Conceito: A investigação inicial de doença celíaca costuma usar antitransglutaminase IgA junto com IgA total, enquanto a pessoa ainda consome glúten.
Raciocínio: Diarreia crônica, perda ponderal e anemia ferropriva sugerem má absorção. O teste sorológico inicial é antitransglutaminase IgA, e a IgA total identifica deficiência que poderia gerar resultado falso-negativo; a alternativa A é a correta.
Por que as outras estão erradas:
  • B: A alternativa B propõe IgG isoladamente para todos. Testes IgG são úteis sobretudo quando há deficiência de IgA.
  • C: A alternativa C investiga exposição a H. pylori, não doença celíaca.
  • D: A alternativa D pode reduzir a sensibilidade da sorologia e da biópsia. A pessoa deve manter o consumo de glúten durante a investigação.
Pegadinha: A deficiência de IgA pode tornar falsamente negativa a sorologia baseada apenas em IgA.
Base: Diretrizes da American College of Gastroenterology para doença celíaca; recomendações de sociedades de gastroenterologia.
Questão irmã: Se a sorologia de uma pessoa com suspeita de doença celíaca for negativa, mas a IgA total estiver muito baixa, qual tipo de teste sorológico deve ser considerado? Gabarito: Um teste baseado em IgG, como antitransglutaminase IgG ou peptídeos de gliadina deamidada IgG.

F1inéditaResposta: B

Conceito: Sífilis latente de duração ignorada deve ser tratada como sífilis latente tardia.
Raciocínio: A pessoa está assintomática e não há evidência de infecção recente nem tratamento prévio. Como a duração é ignorada, indica-se benzilpenicilina benzatina semanalmente por três semanas; a alternativa B é a correta.
Por que as outras estão erradas:
  • A: A alternativa A é o esquema de sífilis recente, não o de duração ignorada.
  • C: A alternativa C apresenta duração inadequada para tratar sífilis latente de duração ignorada.
  • D: A alternativa D corresponde a um esquema intravenoso usado em situações como neurossífilis, não à sífilis latente sem acometimento neurológico.
Pegadinha: Um título alto do teste não treponêmico, sozinho, não determina que a infecção seja recente.
Base: Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para Atenção Integral às Pessoas com Infecções Sexualmente Transmissíveis, do Ministério da Saúde.
Questão irmã: Pessoa assintomática, sem tratamento prévio e sem informação confiável sobre a data da infecção deve receber o esquema de sífilis recente ou de duração ignorada? Gabarito: O esquema de sífilis latente de duração ignorada: benzilpenicilina benzatina semanal por três semanas.

F2inéditaResposta: C

Conceito: A decisão de anticoagular na fibrilação atrial depende do risco tromboembólico, não do padrão paroxístico ou persistente da arritmia.
Raciocínio: O paciente tem 68 anos e hipertensão, fatores que elevam o risco embólico. Na ausência de contraindicação, deve receber anticoagulante oral; para fibrilação atrial não valvar, um anticoagulante oral direto costuma ser preferido. A alternativa C é a correta.
Por que as outras estão erradas:
  • A: A alternativa A ignora a contribuição da idade e da hipertensão para o risco de AVC.
  • B: A alternativa B substitui anticoagulação por antiagregação, que não oferece proteção equivalente contra AVC na fibrilação atrial.
  • D: A alternativa D condiciona a prevenção ao padrão da arritmia. O risco tromboembólico e a indicação de anticoagulação não dependem de a fibrilação atrial ser paroxística ou permanente.
Pegadinha: A fibrilação atrial paroxística também pode causar AVC; não se deve esperar que se torne permanente.
Base: Diretrizes de manejo da fibrilação atrial da Sociedade Europeia de Cardiologia e da American College of Cardiology/American Heart Association.
Questão irmã: Uma pessoa com fibrilação atrial paroxística e indicação clínica de anticoagulação deixa de precisar do anticoagulante quando está em ritmo sinusal? Gabarito: Não. A decisão se baseia no risco tromboembólico e não apenas no ritmo registrado no momento.

F3inéditaResposta: B

Conceito: Na meningite criptocócica, o início da TARV deve ser adiado para reduzir o risco de síndrome inflamatória de reconstituição imune grave no sistema nervoso central.
Raciocínio: A infecção oportunista envolve o sistema nervoso central e exige tratamento antifúngico inicial. A TARV costuma ser iniciada após algumas semanas de tratamento antifúngico, em geral cerca de quatro a seis semanas; a alternativa B é a correta.
Por que as outras estão erradas:
  • A: A alternativa A antecipa a TARV e pode aumentar o risco de síndrome inflamatória de reconstituição imune com consequências graves.
  • C: A alternativa C transforma um adiamento temporário em contraindicação definitiva. A TARV continua indicada.
  • D: A alternativa D propõe um adiamento excessivo sem justificativa; a TARV deve ser iniciada após o período recomendado, conforme evolução clínica.
Pegadinha: Embora se recomende início rápido da TARV em muitas infecções oportunistas, a meningite criptocócica é uma exceção importante.
Base: Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para Manejo da Infecção pelo HIV em Adultos, do Ministério da Saúde; diretrizes de tratamento da criptococose.
Questão irmã: Em pessoa com HIV e meningite criptocócica recém-diagnosticada, a TARV deve começar antes ou depois da indução antifúngica inicial? Gabarito: Depois de iniciar o tratamento antifúngico, com adiamento em geral de cerca de quatro a seis semanas.

F4inéditaResposta: B

Conceito: Dor abdominal intensa, vômitos persistentes e aumento do hematócrito são sinais de alarme para dengue grave.
Raciocínio: A paciente tem sinais de alarme, mesmo sem choque. Precisa de atendimento hospitalar, observação e hidratação intravenosa com reavaliações clínicas e laboratoriais; a alternativa B é a correta.
Por que as outras estão erradas:
  • A: A alternativa A trata como caso sem sinais de alarme e não prevê monitoramento adequado.
  • C: A alternativa C indica antibiótico sem evidência de infecção bacteriana. Antibióticos não tratam dengue.
  • D: A alternativa D confunde ausência de choque com ausência de risco. Os sinais de alarme exigem observação e manejo oportunos.
Pegadinha: O paciente pode precisar de internação antes de desenvolver choque; não espere a instabilidade para agir.
Base: Dengue: diagnóstico e manejo clínico — adulto e criança, do Ministério da Saúde.
Questão irmã: Paciente com dengue apresenta vômitos persistentes, mas ainda mantém pressão arterial e perfusão adequadas. A ausência de choque permite alta sem observação? Gabarito: Não. Vômitos persistentes são sinal de alarme e indicam observação e manejo conforme protocolo.

F5inéditaResposta: B

Conceito: A confirmação da erradicação de H. pylori deve usar teste que detecte infecção ativa, realizado após intervalo adequado do tratamento e do uso de inibidor de bomba de prótons.
Raciocínio: Já se passaram mais de quatro semanas desde os antibióticos. O teste respiratório da ureia é apropriado, mas o inibidor de bomba de prótons deve ser suspenso por cerca de duas semanas para reduzir falsos negativos; a alternativa B é a correta.
Por que as outras estão erradas:
  • A: A alternativa A usa sorologia, que pode permanecer positiva após a cura e não confirma erradicação.
  • C: A alternativa C ignora que o omeprazol pode reduzir a sensibilidade do teste e gerar resultado falso-negativo.
  • D: A alternativa D presume erradicação apenas pela melhora clínica, que não é suficiente para confirmar cura.
Pegadinha: Melhora dos sintomas e sorologia positiva ou negativa não substituem um teste de infecção ativa para confirmar erradicação.
Base: Diretrizes do American College of Gastroenterology para tratamento de H. pylori; consensos internacionais sobre manejo da infecção por H. pylori.
Questão irmã: Após tratamento de H. pylori, a sorologia é o exame preferido para confirmar erradicação? Gabarito: Não. Prefira teste respiratório da ureia ou pesquisa de antígeno fecal, respeitando os intervalos após antibióticos e a suspensão temporária do inibidor de bomba de prótons.

Q1oficialResposta: D

Conceito: A reativação de herpes simples após início da TARV não indica, por si só, suspensão ou troca dos antirretrovirais.
Raciocínio: O paciente apresenta resposta virológica e aumento do CD4, sem toxicidade ou outra complicação que exija interromper a TARV. A conduta é manter o esquema antirretroviral. A infecção herpética deve ser avaliada e tratada conforme sua apresentação, mas isso não muda a TARV.
Por que as outras estão erradas:
  • A: Suspender a TARV interrompe o tratamento sem indicação e pode favorecer rebote da carga viral.
  • B: A resolução do herpes não é requisito para manter ou reiniciar a TARV nesse quadro.
  • C: Não há dado que sugira falha virológica ou toxicidade atribuível aos antirretrovirais que justifique substituí-los.
  • E: Prednisona não é tratamento rotineiro para reativação de herpes simples e pode agravar infecções. O caso não descreve indicação para corticoide.
Pegadinha: A ocorrência de uma infecção após o início da TARV pode sugerir reconstituição imune, mas não significa que se deva suspender a TARV. A pergunta é sobre a conduta em relação aos antirretrovirais.
Base: Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para Manejo da Infecção pelo HIV em Adultos; recomendações do Ministério da Saúde para infecções oportunistas e herpes simples.
Questão irmã: Paciente com HIV inicia TARV e, semanas depois, apresenta herpes-zóster localizado, sem toxicidade medicamentosa. Deve suspender a TARV? Gabarito: Não. Deve manter a TARV e tratar o herpes-zóster conforme a gravidade.

Fonte: Residência SUS-SP (2026) — prova em documento.vunesp.com.br

Q2oficialResposta: B

Conceito: Úlcera gástrica exige controle endoscópico para confirmar cicatrização e excluir neoplasia, mesmo quando os sintomas melhoram.
Raciocínio: A lesão gástrica pode representar uma neoplasia ulcerada ou coexistir com malignidade. O alívio dos sintomas com omeprazol não comprova cicatrização nem exclui câncer. Por isso, a conduta indicada é repetir a EDA, com avaliação da lesão e biópsias quando pertinentes.
Por que as outras estão erradas:
  • A: Manter omeprazol por seis meses não substitui a reavaliação endoscópica da úlcera gástrica.
  • C: A indicação de controle não depende da persistência dos sintomas. A melhora clínica não exclui úlcera persistente ou neoplasia.
  • D: Suspender o tratamento e dar alta sem documentar a cicatrização deixa de avaliar uma úlcera gástrica com potencial de malignidade.
Pegadinha: A banca diferencia úlcera gástrica de úlcera duodenal: a gástrica requer atenção especial para excluir câncer, mesmo com melhora clínica.
Base: Diretrizes de dispepsia e úlcera péptica; recomendações de acompanhamento endoscópico de úlcera gástrica da gastroenterologia.
Questão irmã: Paciente com úlcera gástrica melhora após tratamento com inibidor de bomba de prótons. A melhora dos sintomas dispensa controle endoscópico? Gabarito: Não. Deve-se repetir a endoscopia para documentar cicatrização e excluir malignidade.

Fonte: Residência Unicamp (2023) — prova em comvest.unicamp.br

Q3oficialResposta: A

Conceito: A síndrome cardiorrenal tipo 1 ocorre quando uma piora cardíaca aguda provoca lesão renal aguda.
Raciocínio: O caso começa com infarto extenso e choque cardiogênico, eventos cardíacos agudos. Em seguida, surge disfunção renal aguda. A sequência é de coração agudo para rim agudo, correspondente ao tipo 1.
Por que as outras estão erradas:
  • B: O tipo 2 descreve doença cardíaca crônica que contribui para doença renal crônica, não uma lesão renal aguda após evento cardíaco agudo.
  • C: O tipo 3 descreve lesão renal aguda que desencadeia disfunção cardíaca aguda; a sequência do caso é inversa.
  • D: O tipo 4 descreve doença renal crônica associada a doença cardíaca crônica.
Pegadinha: Classifique pela sequência temporal e pela duração: aqui, evento cardíaco agudo seguido de lesão renal aguda.
Base: Classificação da síndrome cardiorrenal do consenso Acute Dialysis Quality Initiative.
Questão irmã: Paciente com lesão renal aguda desenvolve edema pulmonar e disfunção cardíaca aguda. Qual tipo de síndrome cardiorrenal descreve essa sequência? Gabarito: Tipo 3.

Fonte: Residência SES-DF (2024) — prova em iades.com.br

Q4oficialResposta: Errado

Conceito: Na sífilis sem duração conhecida, o tratamento é feito com três doses semanais de penicilina benzatina; o VDRL deve ser acompanhado em consultas posteriores.
Raciocínio: O casal está assintomático e não há informação que permita definir infecção recente. Portanto, deve-se considerar sífilis latente de duração ignorada e tratar com benzilpenicilina benzatina 2,4 milhões UI por semana, por três semanas. O esquema descrito no enunciado prevê apenas duas doses. Além disso, repetir o teste logo após completar o tratamento não é o monitoramento adequado: deve-se acompanhar a evolução do título não treponêmico ao longo do seguimento.
Por que as outras estão erradas:
  • Certo: A assertiva erra o número de doses para sífilis de duração ignorada e propõe controle do VDRL imediatamente após o esquema, em vez de seguimento sorológico programado. Por isso, o gabarito é Errado.
Pegadinha: O título alto do VDRL não determina sozinho que a infecção seja recente. Sem história ou exame que estabeleça a duração, não se reduz o tratamento para duas doses.
Base: Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para Atenção Integral às Pessoas com Infecções Sexualmente Transmissíveis, do Ministério da Saúde.
Questão irmã: Pessoa assintomática tem teste treponêmico e VDRL reagentes, sem exames anteriores nem informação confiável sobre a duração da infecção. Qual esquema de penicilina benzatina é indicado? Gabarito: 2,4 milhões UI por via intramuscular, uma vez por semana, por três semanas.

Fonte: HUB RESIDÊNCIA MÉDICA 2020 — prova em cdn.cebraspe.org.br

Q5oficialResposta: B

Conceito: A cardiomiopatia alcoólica é uma forma de cardiomiopatia dilatada associada ao consumo crônico intenso de álcool e pode causar insuficiência cardíaca.
Raciocínio: O paciente tem consumo alcoólico elevado, dilatação do ventrículo esquerdo e fração de ejeção reduzida, além de sinais clínicos de congestão. Esse conjunto favorece cardiomiopatia alcoólica. A síndrome do túnel do carpo pode levantar suspeita de amiloidose ATTR, mas o ecocardiograma não mostra o espessamento ventricular típico. A ferritina elevada, com saturação de transferrina normal, não sustenta hemocromatose como melhor explicação.
Por que as outras estão erradas:
  • A: Amiloidose ATTR costuma causar fenótipo infiltrativo, com espessamento das paredes ventriculares e outras pistas clínicas. A dilatação ventricular sem espessamento descrita no caso favorece outra etiologia.
  • C: A cardiomiopatia cirrótica pressupõe doença hepática avançada. Os dados apresentados não demonstram cirrose ou disfunção sintética importante e há uma exposição alcoólica capaz de causar miocardiopatia dilatada.
  • D: Ferritina pode subir por consumo de álcool e inflamação. A saturação de transferrina normal e a ausência de outros dados não sustentam sobrecarga de ferro como causa principal.
Pegadinha: A ferritina elevada não equivale a hemocromatose. A saturação de transferrina e o padrão cardíaco ajudam a distinguir sobrecarga de ferro de outras causas.
Base: Diretrizes de insuficiência cardíaca e de cardiomiopatias; recomendações de avaliação de sobrecarga de ferro.
Questão irmã: Paciente com consumo crônico intenso de álcool apresenta ventrículo esquerdo dilatado e fração de ejeção reduzida. Qual etiologia deve ser considerada? Gabarito: Cardiomiopatia alcoólica.

Fonte: Residência USP (Fuvest) (2026) — prova em fuvest.br

Q6oficialResposta: B

Conceito: Na sepse abdominal pós-operatória com peritonite e choque, controle urgente do foco infeccioso é essencial, junto à antibioticoterapia e ao suporte hemodinâmico.
Raciocínio: A paciente tem choque, hiperlactatemia, disfunção de múltiplos órgãos e sinais de peritonite após colectomia. Esse quadro sugere complicação intra-abdominal, como deiscência ou coleção. Antibióticos e ressuscitação são necessários, mas não substituem o controle do foco. A conduta fundamental é reabordagem urgente para identificar e controlar a origem da infecção.
Por que as outras estão erradas:
  • A: Corticoide pode ser considerado em choque séptico que permanece dependente de vasopressor apesar de ressuscitação adequada, mas não substitui o controle cirúrgico do foco. A sonda nasogástrica também não resolve a causa do choque.
  • C: Hemácias e plasma não devem ser transfundidos de rotina para melhorar perfusão ou corrigir alterações laboratoriais sem indicação específica. A transfusão não pode atrasar o controle do foco.
  • D: Aguardar estabilização antes de tratar cirurgicamente uma provável fonte abdominal mantém a infecção ativa e pode agravar o choque. A ressuscitação e a intervenção para controle do foco devem ocorrer com urgência.
Pegadinha: Na sepse abdominal, antibiótico sem controle do foco pode ser insuficiente. O enunciado já fornece sinais clínicos de peritonite e instabilidade, mesmo sem depender da imagem não exibida.
Base: Surviving Sepsis Campaign; recomendações de manejo de infecção intra-abdominal e controle de foco.
Questão irmã: Paciente no pós-operatório evolui com choque séptico e sinais de peritonite. Antibiótico de amplo espectro, sem intervenção no foco, costuma ser suficiente? Gabarito: Não. É necessário controle urgente do foco, além de antibiótico e suporte hemodinâmico.

Fonte: Residência FAMEMA (2026) — prova em documento.vunesp.com.br

2.8 Revisão relâmpago e mapa de revisão

  • Na ICFEr, associe os quatro pilares quando tolerados: bloqueio neuro-hormonal, betabloqueador, antagonista mineralocorticoide e iSGLT2.
  • Instabilidade hemodinâmica na fibrilação atrial exige cardioversão elétrica sincronizada.
  • Taquicardia de QRS largo deve ser tratada como ventricular até prova em contrário.
  • Sífilis latente de duração ignorada requer três doses semanais de penicilina benzatina.
  • TARV é indicada para todas as pessoas com HIV e, em geral, deve ser mantida diante de herpes reativado.
  • Cistite não complicada típica pode ser tratada sem urocultura; pielonefrite requer cultura.
  • Dengue com sinais de alarme exige hidratação e vigilância estreita; evite AAS e anti-inflamatórios.
  • Úlcera gástrica requer investigação histológica e endoscopia de controle.
  • Anti-HCV positivo não confirma infecção ativa: procure RNA do HCV.

Mapa de revisão

Reveja este capítulo em 1, 7 e 30 dias.

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