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Residência Médica·Resumo

Cirurgia Geral na Residência: os 10 temas que dominam a prova de R1 em 2026

Cirurgia Geral responde por 20-25 questões em prova de R1. Trauma abdominal, abdome agudo e oncologia somam 60% delas. Análise dos temas, padrões de banca e cronograma.

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Mentor Residência

Especialista em Residência Médica

10 min de leitura

Cirurgia Geral é a segunda maior área de Big 5 em prova de Residência Médica. Em prova de R1 com 100 questões, são 20 a 25 itens. Em ENARE 2024, foram 22. Em USP-FUVEST 2024, 20.

Três subáreas dominam: trauma abdominal, abdome agudo e oncologia gastrointestinal somam cerca de 60% das questões de Cirurgia. Quem prioriza essas três tem vantagem clara sobre quem estuda tudo igual.

Este texto traz os 10 temas mais cobrados, padrão de cobrança por banca, e cronograma de 8 semanas para preparação cirúrgica.

A distribuição real de Cirurgia Geral

Área% de questõesPeso no ranking
Trauma (abdominal, torácico, neurotrauma)22%Alto
Abdome agudo (apendicite, colecistite, oclusão)19%Alto
Oncologia GI (estômago, colorretal, fígado)18%Alto
Hérnias (inguinais, ventral, abdominal)9%Médio
Doenças biliares (litíase, colangite)8%Médio
Cirurgia bariátrica6%Médio
Cirurgia vascular (aneurisma, isquemia)6%Médio
Cirurgia geral pediátrica5%Baixo
Tireoide e paratireoide4%Baixo
Outros (mama, pele, hérnias raras)3%Variável

Os 10 temas que mais caem

1. Trauma abdominal — peso máximo

Politraumatizado é cenário recorrente em todas as bancas. Cebraspe (que aplica concursos militares + ENARE), FUVEST, FAP-UNIFESP, todos cobram.

Cobranças recorrentes:

  • Avaliação inicial ATLS (A-B-C-D-E)
  • Trauma abdominal contuso vs penetrante
  • Critérios de cirurgia exploratória
  • FAST (ultrassom à beira do leito)
  • Lesão de víscera oca vs víscera maciça

2. Apendicite aguda

A "doença cirúrgica mais clássica" sempre cai. Diagnóstico, tratamento, complicações.

Pontos:

  • Sinais clássicos (Blumberg, Rovsing, McBurney)
  • Diagnóstico diferencial (anexites, diverticulite)
  • Tratamento (apendicectomia clássica vs laparoscópica)
  • Complicações (peritonite, abscesso)

3. Colecistite aguda e colelitíase

Outro tema clássico. Diagnóstico por USG, tratamento.

Pontos:

  • Colelitíase assintomática (não tratar versus tratar)
  • Colecistite aguda (ATB + colecistectomia)
  • Coledocolitíase e CPRE
  • Pancreatite biliar

4. Oclusão intestinal

Mecânica vs paralítica, diagnóstico e tratamento.

Pontos:

  • Sinais de oclusão (parada de eliminação, distensão)
  • Imagem (RX abdominal, TC)
  • Sinais de sofrimento alça (peritonite, sepse)
  • Quando operar

5. Hérnia inguinal

Tipos, técnicas cirúrgicas, complicações.

Pontos:

  • Diferença direta vs indireta
  • Estrangulamento vs encarceramento
  • Lichtenstein, TAPP, TEP (técnicas)
  • Hérnia femoral em mulheres

6. Câncer colorretal

Estadiamento, fatores prognósticos, tratamento.

Pontos:

  • Rastreamento (colonoscopia 10 anos, sangue oculto fezes)
  • Estadiamento TNM
  • Tratamento por estágio
  • Hemicolectomia direita vs esquerda

7. Trauma torácico

Pneumotórax (aberto, hipertensivo), hemotórax.

Pontos:

  • Diagnóstico clínico (timpanismo, MV abolido)
  • Drenagem torácica (Bülau)
  • Pneumotórax hipertensivo é emergência (descompressão imediata)
  • Hemotórax — quando operar

8. Pancreatite aguda

Cirúrgica e clínica.

Pontos:

  • Critérios diagnósticos (clínico, laboratorial, radiológico)
  • Classificação Ranson, BISAP
  • Pancreatite biliar (CPRE precoce)
  • Abscesso pancreático e drenagem

9. Hemorragia digestiva alta (HDA)

Tema clássico da emergência cirúrgica.

Pontos:

  • Causa mais comum: úlcera péptica (50-70%)
  • Varizes esofágicas em hepatopata
  • Endoscopia em <24h
  • Critérios de cirurgia (HD persistente, choque)

10. Hérnia umbilical e ventral

Mais comum em mulheres pós-gestação, obesas.

Pontos:

  • Hérnia de Spiegel (rara)
  • Hérnia incisional pós-operatória
  • Tratamento com tela
  • Complicações pós-operatórias

Como cada banca cobra

ENARE (FGV): casos longos, com sinais clínicos detalhados e pergunta sobre próximo passo. Foco em conduta clínica mais que diagnóstico.

USP-FUVEST: cobra fisiopatologia cirúrgica. Por exemplo: "Por que oclusão intestinal alta dá vômito biliar?".

UNIFESP-FAP: cobra manejo perioperatório. ATB profilático, manejo de fluidos, complicações imediatas.

UNICAMP-Comvest: cobra resposta curta dissertativa. Você precisa escrever a conduta passo a passo, não marcar alternativa.

ENARE e AMP: estilo aplicado, com mais ênfase em emergência cirúrgica.

Cronograma de 8 semanas

Semanas 1-2: Trauma

Estudo intensivo de ATLS. Trauma abdominal, torácico, neurotrauma. Pneumotórax e hemotórax.

Material: ATLS, Sabiston, casos clínicos. Resolver 50 questões da banca por dia.

Semana 3: Abdome agudo

Apendicite, colecistite, oclusão intestinal, pancreatite. Diagnóstico diferencial.

Material: capítulos específicos do Sabiston ou Schwartz. 50 questões/dia.

Semana 4: Oncologia GI

Câncer colorretal, gástrico, hepático. Estadiamento e tratamento por estágio.

Material: capítulo de oncologia. 30-40 questões/dia.

Semana 5: Hérnias e doenças biliares

Hérnias inguinais, ventrais, umbilicais. Litíase biliar, colangite, CPRE.

Material: capítulos específicos. 30 questões/dia.

Semana 6: Cirurgia bariátrica e vascular

Bariátrica (técnicas, complicações), aneurisma de aorta, isquemia mesentérica.

Material: capítulos. 25-30 questões/dia.

Semana 7: Outros temas

Pediátrica (intussuscepção, estenose pilórica), tireoide, mama, pele.

Material: capítulos diversos. 25 questões/dia.

Semana 8: Simulados e revisão

3 simulados de Cirurgia (60 questões cada). Pós-mortem rigoroso. Revisão final.

Os erros mais comuns em Cirurgia

Pelo histórico de provas:

  1. Estudar Cirurgia como volume de leitura. Sabiston tem 1.500 páginas. Não dá para ler tudo. Foque nos 10 temas dessa lista
  2. Pular trauma achando que é "fácil". Trauma é 22% das questões. Pular significa zerar essa parte
  3. Não treinar diagnóstico diferencial em abdome agudo. A maior parte das questões é "qual o diagnóstico mais provável" — exige raciocínio rápido
  4. Não dominar imagem. Saber reconhecer pneumoperitônio, alça-sentinela, ar sob diafragma. Imagem aparece em 30-40% das questões
  5. Confiar em livro sem questão. Livro é mapa. Questão é o termômetro

Como diferenciar ranking via Cirurgia

Em prova de 22 questões de Cirurgia:

  • Aluno mediano acerta 12-14 (média 60%)
  • Bom aluno acerta 16-18 (~75%)
  • Aluno top de ranking acerta 19-22 (>85%)

A diferença entre 18 e 20 acertos em Cirurgia equivale a 30-50 posições no ranking ENARE nacional. Em programas competitivos como Cirurgia Plástica USP, isso decide aprovação.

Os 2 acertos extras vêm de:

  • Dominar trauma (não só apendicite e colecistite)
  • Treinar diagnóstico por imagem
  • Fazer simulado cronometrado em condições reais

Não há "talento" em Cirurgia. Há repetição com método.

A vantagem do método estatístico

Estudar Cirurgia "tópico por tópico" sem priorização leva a 14-15 acertos. Estudar focado nos 10 temas dessa lista, com volume de questões, leva a 18-20.

A diferença é estratégia, não inteligência.

O que fazer essa semana

  1. Identifique seus 3 piores temas entre os 10 dessa lista
  2. Comece por trauma se você não tem ATLS atualizado
  3. Resolva 50 questões de Cirurgia de prova antiga da banca alvo
  4. Anote os erros — foi falta de conteúdo, leitura ou padrão de banca?
  5. Reserve 1.5-2 horas/dia só para Cirurgia, por 8 semanas

A residência cirúrgica do futuro depende da nota cirúrgica do presente. Quem domina a prova entra em programa bom. Quem não domina, entra em programa ruim ou não entra.

Cirurgia Geral é a segunda maior área da prova. Tratá-la como secundária é erro. Tratá-la como prioritária é o caminho do top de ranking.

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