Os 10 temas de Clínica Médica que mais caem nas provas de Residência em 2026
Cardiologia, Pneumologia e Gastroenterologia somam quase 40% das questões de Clínica Médica nas principais bancas. Análise estatística do que recorta ranking em USP, UNIFESP, ENARE.
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Especialista em Residência Médica
Em uma prova de 100 questões para R1, Clínica Médica responde por 25 a 30 itens. Dentro dela, três áreas — Cardiologia, Pneumologia e Gastroenterologia — somam quase 40% das questões.
A maioria dos R+ estuda Clínica Médica como bloco único. É erro de método. Cada subárea tem peso diferente, padrão de pegadinha diferente e probabilidade de aparecer diferente. Saber onde alocar tempo é a diferença entre 18 e 22 acertos em CM — diferença que muda especialidade no ranking.
Este texto traz a análise estatística dos últimos 5 anos das provas USP, UNIFESP, ENARE e UNICAMP. Os 10 temas que mais caem, com sinalização de qual banca cobra mais cada um.
A distribuição real de Clínica Médica
| Subárea | % de questões | Peso no ranking |
|---|---|---|
| Cardiologia | 15% | Alto |
| Pneumologia | 12% | Alto |
| Gastroenterologia + Hepatologia | 11% | Alto |
| Endocrinologia | 9% | Médio |
| Nefrologia | 8% | Médio |
| Hematologia | 7% | Médio |
| Reumatologia | 6% | Baixo |
| Infectologia | 11% | Alto |
| Neurologia | 9% | Médio |
| Outros (Geriatria, Dermato clínica) | 12% | Variável |
Total: 100%. As três primeiras subáreas (Cardio + Pneumo + Gastro) somam 38% — quase 4 em 10 questões.
Top 10 temas que mais caem
1. Insuficiência Cardíaca (CV) — peso de ranking
Aparece em todas as edições de USP, UNIFESP, ENARE, UNICAMP nos últimos 5 anos.
Padrão das questões: paciente com dispneia de esforço progressiva, ortopneia, edema. Pergunta-se classe NYHA, exame complementar inicial (ECO sempre), tratamento (IECA + BB + diurético + espironolactona).
Pontos cobrados de forma recorrente:
- Diferenciação ICFEr vs ICFEp
- Critérios de Framingham
- Drogas que reduzem mortalidade (IECA, BB, espironolactona, ARNI/sacubitril)
USP cobra mais a parte fisiopatológica. UNIFESP cobra critérios diagnósticos. ENARE cobra tratamento.
2. Pneumonia (Pneumo)
Sempre cai. Diferenciação entre adquirida na comunidade (PAC) e hospitalar (PAH/PAV) é a divisão mais cobrada.
Pontos recorrentes:
- Critérios CURB-65 e CRB-65 para internação
- Antibioticoterapia empírica (amoxicilina vs macrolídeo vs ceftriaxona)
- PAC grave (UTI vs enfermaria)
- Pneumonia atípica (Mycoplasma, Legionella)
3. Hepatite Viral (Gastro/Hepato)
Hepatite B é a mais cobrada. Sorologia (HBsAg, anti-HBs, anti-HBc IgM/IgG) — a banca quer que você interprete o quadro.
- Padrões: portador inativo, hepatite aguda, hepatite crônica replicativa
- Vacinação e profilaxia pós-exposição
- Tratamento (entecavir, tenofovir)
4. Hipertensão (CV)
Peso médio mas sempre presente. Foco em casos resistentes, urgência vs emergência hipertensiva.
- Drogas de primeira linha (IECA, BCC, diurético tiazídico)
- Hipertensão secundária (estenose de artéria renal, feocromocitoma)
- Crise hipertensiva: nitroprussiato, esmolol
5. Insuficiência Renal Aguda (Nefro)
Diferenciação pré-renal, renal e pós-renal. Sódio urinário, fração de excreção de sódio.
- Pré-renal vs NTA (necrose tubular aguda)
- Síndromes hepatorrenal e cardiorrenal
- Indicações de diálise (KKDIGO)
6. Diabetes Mellitus (Endo)
DM2 cobra mais que DM1. Foco em complicações agudas (cetoacidose, estado hiperglicêmico hiperosmolar) e crônicas (retinopatia, nefropatia).
- Critérios diagnósticos (glicemia jejum, A1c, TOTG)
- Tratamento: metformina, iSGLT2, GLP-1
- Cetoacidose: hidratação, insulina, K+
7. AVC (Neuro)
Diferenciação isquêmico vs hemorrágico. Trombólise: critérios de inclusão e janela de 4h30min.
- Escala NIHSS
- Drogas: alteplase, tenecteplase
- Trombectomia mecânica (janela até 24h em casos selecionados)
8. Sepse (Infecto)
Sempre cai em prova de R1. Critérios qSOFA, SOFA. Bundle de 1 hora.
- Diferença sepse vs septic shock
- Antibiótico empírico em <1 hora
- Hidratação 30 mL/kg em 3 horas
9. DPOC (Pneumo)
Diferenciação asma vs DPOC. Espirometria (Tiffeneau <0.7).
- Classificação GOLD A/B/E
- Exacerbação: bronco-dilatador + corticoide + ATB se purulência
- Cessação tabágica como única medida que muda mortalidade
10. Anemia (Hema)
Anemia ferropriva é a mais cobrada. Investigação de fonte de sangramento.
- VCM, RDW, ferritina, transferrina
- Anemia de doença crônica vs ferropriva
- Anemia megaloblástica (B12 vs folato)
Como priorizar os estudos
Princípio do 80/20 aplicado a Clínica Médica:
20% dos temas (estes 10) cobrem 80% das questões da prova. Quem domina os 10 com fluência clínica garante 18 a 22 acertos em CM — base sólida para discutir especialidade no ranking.
Quem tenta cobrir os 100% das subáreas com igual profundidade chega na prova com 12-15 acertos — abaixo da média necessária para cargos competitivos.
Como cada banca diferencia
USP-FUVEST: cobra fisiopatologia com mais profundidade que outras. Espera que o R+ explique mecanismo, não só conduta.
UNIFESP-FAP: cobra conduta clínica detalhada. Doses de medicação, sequência de exames, interpretação de imagem.
ENARE-FGV: cobra diagnóstico diferencial. Apresenta caso e pede a hipótese mais provável.
UNICAMP-Comvest: cobra resposta dissertativa curta. Você precisa escrever raciocínio, não só marcar alternativa.
O cronograma de Clínica Médica nos 6 meses
Mês 1: diagnóstico
Faça uma prova antiga de cada banca (USP, UNIFESP, ENARE). Identifique seus 3 piores temas dentre os 10 desta lista.
Mês 2-3: aprofundamento
Estude 2 temas por semana. Leia o capítulo de Harrison ou Cecil + assista 2 horas de vídeo de aula. Resolva 30 questões de cada tema da banca alvo.
Mês 4: integração
Resolva blocos de 30 questões mistas (Clínica Médica completa). Pós-mortem de cada erro. Ajuste pontos fracos.
Mês 5: simulado
Um simulado por semana. Cronometre. Anote padrões de erro recorrentes.
Mês 6: revisão final
Última volta nos 10 temas. Lista de drogas com dose. Interpretação de exames. Prova antiga 1 vez por semana.
Os erros que o R+ comete em Clínica Médica
- Estudar Clínica Médica como bloco único. Não. Estude por subárea, com peso por subárea
- Pular Reumatologia porque "tem pouca questão". Tem 6%, mas as 6 questões podem ser as que recortam ranking apertado
- Não treinar caso clínico. ENARE e UNIFESP cobram em formato de caso longo
- Estudar livro sem questão. Livro é mapa. Questão é o termômetro
- Pular Endocrinologia. DM2 é tema constante e poucos resolvem com fluência
O que fazer essa semana
- Identifique seus 3 piores temas entre os 10 desta lista
- Comece pelo mais fraco — efeito alavanca maior
- Resolva 30 questões antigas da banca alvo sobre esse tema
- Faça resumo de 1 página com fisiopatologia + conduta
- Marque revisão para 7 dias depois (espaçada)
Em ranking apertado de Cardiologia, Dermatologia ou Cirurgia Plástica, 2 acertos a mais em CM movem 50 a 100 posições no ranking nacional. Esses 2 acertos vêm de dominar com fluência os 10 temas certos — não dos 30 que ninguém consegue dominar simultaneamente.
A residência não premia quem estudou tudo. Premia quem priorizou bem.
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